“34º FESTIVAL DE CURITIBA”
“REPARAÇÃO”
ou
(NUNCA FOI TÃO ATUAL.)
Para
mim, uma das melhores coisas que acontecem no “FESTIVAL DE CURITIBA” é a
oportunidade de conhecer o que há de melhor em TEATRO país afora.
Nesta edição, isso aconteceu em vários dos 14 dias do evento, tendo
sido o primeiro espetáculo a me impactar o drama “REPARAÇÃO”, levado de São
Paulo à capital paranaense, por atores e criativos que eu não conhecia
e que merecem os maiores aplausos.
SINOPSE:
Inspirada
em um caso real, de violência sexual contra uma jovem, a peça conduz o público a um
salão de beleza dos anos 1980, onde manicure e cabeleireira, na
vida real, atuam em cena.
A
peça leva o público a reflexões acerca da irresponsabilidade e da necessidade
de uma reparação diante de um erro tão monstruoso.
O espetáculo é calcado nas tragédias da família
brasileira e dialoga, infelizmente, com casos verossímeis dos dias de hoje.
A
trama, ainda que ficcional, baseia-se em um caso real, ocorrido no interior de São
Paulo, nos anos 1980, combinando depoimentos reais e
ficção, para reconstruir um episódio de violência e suas reverberações ao longo
do tempo. De tão grave o fato, é impossível apagar as marcas indeléveis que
ficaram na vítima.
Para
escrever seu texto, o autor entrevistou moradores do local em que se deu o fato
e outras pessoas ligadas à trágica história. Esses depoimentos foram gravados e
são projetados ao fundo do cenário, preservadas as vozes em transcrições fiéis,
que se entrelaçam com cenas ficcionais, em que homens podem se apresentar como
mulheres e vice-versa. Sem a menor sombra de dúvidas, foi um dos melhores
espetáculos, no gênero, a que eu tenha assistido ultimamente.
A
narrativa acompanha a trajetória de uma jovem violentada por dois colegas de
escola. A moça, após engravidar, é obrigada, pela família, a deixar a
cidade, a fim de ter o filho em outro lugar (A história quase sempre se
repete.). Trata- se um tema de total interesse das pessoas. Afinal, quem
não acompanhou, muito recentemente, o caso de uma jovenzinha, estudante do
secundário, que, atraída pelo próprio namorado, também colega de escola, no Rio
de Janeiro, foi levada a um apartamento na zona sul carioca, tendo sido
estuprada pelo próprio e por maios três outros delinquentes, todos muito jovens
e, ao que parece, “habitués” nessa prática? O deplorável fato
levou a opinião pública a uma enorme comoção, como não poderia deixar de ser,
clamando por justiça.
Seis
anos depois da violência, a personagem da peça retorna à cidade, com a criança,
para apresentá-la ao pai, e o reencontro coloca em choque passado e presente,
lembranças e tempo real, oscilando entre um desfecho trágico e uma possibilidade
de reparação. A plateia torce pelo segundo, mas deve estar preparada para o que
decidiu o dramaturgo, CARLOS CANHAMEIRO.
Um
magnífico elenco, composto por seis artistas, entre atores e atrizes, além de
uma manicure e de uma cabeleireira/maquiadora, na vida real, sustenta a
dramática narrativa, ainda que com algumas pinceladas de bom humor, para
quebrar um pouco o peso do tema, abrindo brechas para um pouco de descontração.
Achei
fantástica, e muito oportuna, a ideia de colocar os fatos se passando dentro de
um salão de beleza, o qual fazia, na época, as vezes das atuais redes sociais.
Ou seja, um lugar físico para as fofocas e narrativas falsas, além de ilações
impertinentes, papel, hoje, assumido pelos “facebooks”, “instagrams”
e outros veículos digitais. Nada mais do que isso. Merece destaque a cenografia, com brilhantes detalhes de direção de arte.
Aos poucos, o público é atraído por aquilo que
é dito e acontece no palco, envolvendo-se, mais e mais, com o drama da
protagonista, exercitando a empatia e, até mesmo, podendo chegar à comiseração,
certamente por ser o estrupo uma das mais perversas, vis e odientas ações que
um ser, dito humano, possa cometer contra um(a) semelhante.
FICHA TÉCNICA:
Dramaturgia: Carlos Canhameiro
Encenação: Carlos Canhameiro
Elenco: Daniel Gonzalez, Fábia Mirassos, Luiz
Bertazzan, Marilene Grama, Nilcéia Vicente e Yantó, além de Maria França
(manicure) e Rosa De Carlos (cabeleireira e maquiadora)
Cenário: José Valdir Albuquerque e Carlos
Canhameiro
Figurino: Bianca Souza (Ateliê Godê)
Iluminação: Gabriele Souza
Assistência de Iluminação: Diego França
Trilha Sonora e Música ao Vivo: Yantó
Videografia: Vic von Poser
Técnico de Som: Pedro Canales
Técnico de Luz: Finnick Fernandes
Produção: Mariana Pessoa
Texto enxuto, direção correta, elenco competente
e elementos criativos que ajudam na sustentação da montagem acordes
com o todo (cenografia, figurinos, iluminação e outros), tudo
credenciou o espetáculo a merecer esta modesta crítica. É uma peça que
merecia viajar pelo Rio de Janeiro e outras praças.
VAMOS AO TEATRO!
OCUPEMOS TODAS AS SALAS
DE ESPETÁCULO
DO BRASIL!
A ARTE EDUCA E CONSTRÓI,
SEMPRE!
RESISTAMOS, SEMPRE MAIS!
COMPARTILHEM ESTE TEXTO,
PARA QUE, JUNTOS,
POSSAMOS DIVULGAR
O QUE HÁ DE MELHOR
NO TEATRO BRASILEIRO!
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