segunda-feira, 27 de abril de 2026

 

“34º FESTIVAL DE CURITIBA”

“REPARAÇÃO”

ou

(NUNCA FOI TÃO ATUAL.)



        

          Para mim, uma das melhores coisas que acontecem no “FESTIVAL DE CURITIBA” é a oportunidade de conhecer o que há de melhor em TEATRO país afora. Nesta edição, isso aconteceu em vários dos 14 dias do evento, tendo sido o primeiro espetáculo a me impactar o drama “REPARAÇÃO”, levado de São Paulo à capital paranaense, por atores e criativos que eu não conhecia e que merecem os maiores aplausos.





 

SINOPSE:

         Inspirada em um caso real, de violência sexual contra uma jovem, a peça conduz o público a um salão de beleza dos anos 1980, onde manicure e cabeleireira, na vida real, atuam em cena.

         A peça leva o público a reflexões acerca da irresponsabilidade e da necessidade de uma reparação diante de um erro tão monstruoso.

O espetáculo é calcado nas tragédias da família brasileira e dialoga, infelizmente, com casos verossímeis dos dias de hoje.


        




 

       A trama, ainda que ficcional, baseia-se em um caso real, ocorrido no interior de São Paulo, nos anos 1980, combinando depoimentos reais e ficção, para reconstruir um episódio de violência e suas reverberações ao longo do tempo. De tão grave o fato, é impossível apagar as marcas indeléveis que ficaram na vítima.





         Para escrever seu texto, o autor entrevistou moradores do local em que se deu o fato e outras pessoas ligadas à trágica história. Esses depoimentos foram gravados e são projetados ao fundo do cenário, preservadas as vozes em transcrições fiéis, que se entrelaçam com cenas ficcionais, em que homens podem se apresentar como mulheres e vice-versa. Sem a menor sombra de dúvidas, foi um dos melhores espetáculos, no gênero, a que eu tenha assistido ultimamente.





         A narrativa acompanha a trajetória de uma jovem violentada por dois colegas de escola. A moça, após engravidar, é obrigada, pela família, a deixar a cidade, a fim de ter o filho em outro lugar (A história quase sempre se repete.). Trata- se um tema de total interesse das pessoas. Afinal, quem não acompanhou, muito recentemente, o caso de uma jovenzinha, estudante do secundário, que, atraída pelo próprio namorado, também colega de escola, no Rio de Janeiro, foi levada a um apartamento na zona sul carioca, tendo sido estuprada pelo próprio e por maios três outros delinquentes, todos muito jovens e, ao que parece, “habitués” nessa prática? O deplorável fato levou a opinião pública a uma enorme comoção, como não poderia deixar de ser, clamando por justiça.





         Seis anos depois da violência, a personagem da peça retorna à cidade, com a criança, para apresentá-la ao pai, e o reencontro coloca em choque passado e presente, lembranças e tempo real, oscilando entre um desfecho trágico e uma possibilidade de reparação. A plateia torce pelo segundo, mas deve estar preparada para o que decidiu o dramaturgo, CARLOS CANHAMEIRO.





         Um magnífico elenco, composto por seis artistas, entre atores e atrizes, além de uma manicure e de uma cabeleireira/maquiadora, na vida real, sustenta a dramática narrativa, ainda que com algumas pinceladas de bom humor, para quebrar um pouco o peso do tema, abrindo brechas para um pouco de descontração.





         Achei fantástica, e muito oportuna, a ideia de colocar os fatos se passando dentro de um salão de beleza, o qual fazia, na época, as vezes das atuais redes sociais. Ou seja, um lugar físico para as fofocas e narrativas falsas, além de ilações impertinentes, papel, hoje, assumido pelos “facebooks”, “instagrams” e outros veículos digitais. Nada mais do que isso. Merece destaque a cenografia, com brilhantes detalhes de direção de arte.





Aos poucos, o público é atraído por aquilo que é dito e acontece no palco, envolvendo-se, mais e mais, com o drama da protagonista, exercitando a empatia e, até mesmo, podendo chegar à comiseração, certamente por ser o estrupo uma das mais perversas, vis e odientas ações que um ser, dito humano, possa cometer contra um(a) semelhante.






 

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia: Carlos Canhameiro

Encenação: Carlos Canhameiro

 

Elenco: Daniel Gonzalez, Fábia Mirassos, Luiz Bertazzan, Marilene Grama, Nilcéia Vicente e Yantó, além de Maria França (manicure) e Rosa De Carlos (cabeleireira e maquiadora)

 

Cenário: José Valdir Albuquerque e Carlos Canhameiro

Figurino: Bianca Souza (Ateliê Godê)

Iluminação: Gabriele Souza

Assistência de Iluminação: Diego França

Trilha Sonora e Música ao Vivo: Yantó

Videografia: Vic von Poser

Técnico de Som: Pedro Canales

Técnico de Luz: Finnick Fernandes

Produção: Mariana Pessoa


 





 Texto enxuto, direção correta, elenco competente e elementos criativos que ajudam na sustentação da montagem acordes com o todo (cenografia, figurinos, iluminação e outros), tudo credenciou o espetáculo a merecer esta modesta crítica. É uma peça que merecia viajar pelo Rio de Janeiro e outras praças.

 



 

 

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