quarta-feira, 26 de dezembro de 2018


O INSACIÁVEL
ZÉ CARIOCA




(PERSONAGEM MISTERIOSO
PROVOCANDO RISOS
E MUITAS REFLEXÕES.)


(Esta arte se refere à primeira temporada, visto que não encontrei nenhuma relativa à segunda.)



            O penúltimo espetáculo teatral a que assisti, neste ano de 2018, foi “O INSACIÁVEL ZÉ CARIOCA”, no Espaço Armazém, Fundição Progresso, uma montagem do grupo de artistas, CARAVANA HAOLE, com texto de FELIPE BUSTAMANTE e JOPA MORAES, direção deste. A peça segue a linha de “A Praia do Mel”, de 2017, primeiro trabalho do grupo, “dando continuidade ao ficcional com o Rio de Janeiro”, ou seja, o sobre fazer ficção com o Rio de Janeiro contemporâneo”, como está no “release” da peça, que me foi enviado por ALESSANDRA COSTA (DUETTO COMUNICAÇÃO – ASSESSORIA DE IMPRENSA).

            Infelizmente, encerrou a sua segunda temporada, no mesmo espaço, no dia 22 próximo passado (22/12/2018), contudo penso que deveria fazer uma terceira, e no mesmo lugar, por seus méritos, que não são poucos. Como só pude assistir a ela na última semana, e por conta de muitos afazeres, apenas agora pude escrever sobre o espetáculo, o que lamento bastante, porém, como a montagem me agradou sobremaneira, achei por bem, em meio a tantos afazeres de final de ano, conseguir um tempo para externar minhas modestas, porém sinceras, impressões sobre o espetáculo



 





SINOPSE:

Durante uma interminável greve dos garis, uma figura excêntrica e misteriosa, um ser “humano”, fantasiado de Zé Carioca, comete uma série de assassinatos, em massa, no centro histórico do Rio de Janeiro.

Um policial militar, da Operação Segurança Presente, e uma jovem jornalista investigam os crimes.

Versões contraditórias sobre o caso se proliferam, junto a cadáveres e montes de lixo.

Enquanto muitos temem por suas vidas, outros enxergam, no assassino, uma espécie de redenção. 

Paranoia e violência tomam conta de uma metrópole global, abandonada à própria sorte.







         O espetáculo chama a atenção por sua originalidade e contemporaneidade, uma vez que, usando a ficção, os autores retiram, de debaixo do tapete, a sujeira e as mazelas de uma cidade tão mal administrada, tão mal cuidada, por parte de seus últimos governantes, mormente o atual prefeito (Eu disse “prefeito”? Ele existe, atua, na prática?).

            A ação se passa numa espécie de “Terra de Marlboro”, uma gíria que se aproxima de algo como um lugar sem lei”, “terra de ninguém”, ou coisa parecida, na qual se transformou a Lapa, nos últimos anos, misturando várias “tribos urbanas”. É, como diz o já citado “release”, Marco da expansão, nos primórdios da cidade, hoje, local de convivência entre festas e policiamento, trabalho formal e informal, entre a noite dos depósitos de bebidas baratas e a dos novos bares ‘gourmet’”.

A Lapa é a mesma que serve de espaço livre para as manifestações populares, políticas e culturais, protestos de toda ordem, além de ter sido cenário de tantos fatos históricos e local de residência de brasileiros ilustres, como os escritores Machado de Assis, Lima Barreto e Jorge Amado, a cantora Carmem Miranda, o grande poeta Manuel Bandeira, os compositores Lamartine Babo e Orestes Barbosa, o magnífico maestro e compositor Heitor Villa-Lobos, mas que também foi o ambiente em que se criou um dos maiores mitos cariocas: Madame Satã, alcunha de João Francisco dos Santos, um transformista, malandro, na primeira metade do século XX, figura emblemática das mais representativas da vida noturna e marginal do bairro, também conhecido como Montmartre Carioca.




E prossegue o “release”: “Esse escopo, embora restrito, trouxe à tona os tipos específicos da ‘fauna urbana’ que compõe a dramaturgia: o policial da Operação Segurança Presente; a jornalista independente, que filma os confrontos entre o povo e a polícia; a ‘gringa’ desiludida com a ‘Cidade Maravilhosa’; o vendedor de ‘excentricidades’, que faz sua renda no ‘shopping chão’...”.

            Gostei muito do texto, que, de forma bastante natural e simples, retrata, pelo viés da ficção, ampliada, evidentemente, mas calcada no que existe de concreto, uma realidade nua e crua de uma cidade entregue à própria sorte, na qual impera a violência e a exploração do outro. Aliás, a história, ainda que se apoie em fatos inusitados, parece ficar em segundo plano, assim como o desejo de se saber quem se oculta sob o disfarce do personagem infantil da Disney, inspirado, na década de 1940, num brasileiro, sem que se saiba, exatamente a sua verdadeira origem. A arte imitando a vida. O que, para mim, mais evidenciado ficou, quanto ao desejo da dupla de dramaturgos, foi a oportunidade de utilizar o enredo, como um gancho, para que fossem feitas as devidas e merecidas denúncias e críticas à péssima administração de nossa cidade, assim como fazer referência a tipos do cotidiano da Lapa, que merecem um estudo antropossociológico, e servem para isso.






            Apesar de classificado, quanto ao gênero, como um “drama”, o texto abre-se, vez por outra, para o humor, por vezes, patético e cáustico, porém, acima de tudo, crítico, cumprindo, assim, a sua missão. Sem cair no “humor barato”, o elemento jocoso se aplica a situações seriíssimas, como a violência urbana; a precariedade e a vulnerabilidade a que está exposta a população de rua; a fraqueza moral dos que circulam naquele cenário de “bas fond”, marginal; os erros governamentais, que levaram a cidade a uma séria crise econômico-administrativa; e tudo o mais que contribuiu para macular a imagem de Cidade Maravilhosa, como é conhecido, no Brasil e no exterior, o Rio de Janeiro, vindo a atingir, a Lapa, a posição de segundo polo turístico da cidade, ficando atrás, somente, de Copacabana.

            O bom texto prende a atenção do público, por seu dinamismo e pelo frescor dos diálogos, mesmo aqueles que contêm palavras, frases ou expressões chulas e/ou mais agressivas.  

            Também muito me agradou a direção do espetáculo, ao optar por uma linha que permeia o hiperrealismo (ou realismo hiperativo)”, fazendo uso de referências e ícones da sociedade moderna, brasileira ou estrangeira, numa tentativa, muito bem-sucedida, de aproximar o público da mensagem que a peça deseja que fique marcada em cada um espectador. O diretor sabe como provocar um processo de reflexão, na plateia, de modo que, dificilmente, alguém deixa o Espaço Armazém sem um questionamento maior: Qual é o meu papel nessa história toda e o que posso fazer para mudar esse “status quo”?




            É muito bom o desempenho do elenco, homogêneo, sem um destaque, visto que todos dão conta de suas missões, representando mais de um personagem, com profissionalismo e correção. O incipiente, talentoso e promissor grupo teatral CARAVANA HAOLE é formado por três atores e duas atrizes, com um ótimo domínio de palco e forte carisma, bom uso do corpo e da voz. Em ordem alfabética, com seus respectivos personagens: BRUNA TRINDADE (MIRIAN, CORPO 1 e CRENTE), FELIPE BUSTAMANTE (DENIS, TARÓLOGO e FABINHO), MARIA CELESTE MENDOZI (GAEL e CORPO 2), RODRIGO SALVADORETTI (PIRES, RAUL e COVEIRO) e ZÉZA (AMADO e PASTOR).

         Bastante interessante e significativo é o cenário, propositalmente caótico, de JOPA MORAES, praticamente reduzido a uma espécie de contêiner, o qual serve como vários elementos cênicos, funcionando, também, como uma espécie de “cartola de mágico”, de dentro do qual surgem várias surpresas cênicas, sendo o lixo a base da instigante cenografia.

       Da mesma forma, criativa e comprometida com o real, se comporta AMANDA RUMBELSPERGER, na concepção dos ótimos figurinos, tendo-me chamado a atenção o detalhe para uma camiseta de uniforme de escola municipal, usada por um personagem, com marcas de sangue, reportando-nos à recente imagem que tanto vimos, pela TV, de uma mãe, expondo, desesperadamente, uma peça idêntica à que estava sendo usada por seu filho, Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, morto, pela polícia, num confronto entre esta e marginais, quando o adolescente se dirigia à escola, no Complexo da Maré.

            Colaborando para a qualidade do espetáculo, podemos, ainda, citar a correta iluminação, também a cargo de JOPA MORAES.


 






FICHA TÉCNICA:

Texto: Felipe Bustamante e Jopa Moraes
Direção: Jopa Moraes
Assistência de Direção: Nityam

Elenco (em ordem alfabética): Bruna Trindade, Felipe Bustamante, Maria Celeste Mendozi, Rodrigo Salvadoretti e Zéza

Cenografia e Iluminação: Jopa Moraes
Figurino: Amanda Rumbelsperger
Direção Musical: Rodrigo Salvadoretti
Trilha Sonora Pesquisada: Jopa Moraes
Preparação Corporal: Chris Igreja, Maria Celeste Mendozi e Rodrigo Salvadoretti
Fotografia e Vídeos: Nityam
Material Gráfico: Jopa Moraes
Adereços: Bidi Bujnowski
Cenotécnico: Joeudes Kemenson
Assistência de Produção: Joshua Moraes e Mika Makino
Assessoria de Imprensa: Duetto Comunicação
Produção Executiva: Felipe Bustamante
Realização e Produção: Caravana Haole








            Como só escrevo sobre espetáculos quem me tenham agradado, fiz questão de tecer meus modestos comentários sobre esta produção, na certeza de que valeu muito a pena a minha ida ao Espaço Armazém, o que deve ter acontecido com todos os que tiveram a oportunidade de assistir a esta peça. Torço para que ela volte ao cartaz. Serei capaz de revê-la.

             Por um motivo óbvio, esta crítica não comporta a seção "SERVIÇO". Caso a peça volte à cena, esta avaliação será republicada, acrescida do "SERVIÇO" de então.



 



E VAMOS AO TEATRO!!!

OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO DO BRASIL!!!

A ARTE EDUCA E CONSTRÓI!!!

RESISTAMOS!!!

COMPARTILHEM ESTE TEXTO, PARA QUE, JUNTOS,
POSSAMOS DIVULGAR O QUE HÁ DE MELHOR NO
TEATRO BRASILEIRO!!!




(FOTOS: NITYAM.)


























domingo, 23 de dezembro de 2018


BALANÇO
TEATRAL – 2018


(APESAR DOS PESARES
- E FORAM MUITOS PERCALÇOS –
UM ANO DE GRANDES 
REALIZAÇÕES TEATRAIS.)




            Antes, muito antes, mesmo, de os indefectíveis fogos de artifício anunciarem a entrada do ano de 2018, eu já me punha a pensar em como deveria ser difícil, em termos de produções teatrais, o novo ano, que se apressava a chegar. Como a ARTE e a CULTURA, definitiva e comprovadamente, não são áreas do interesse dos, ditos, governantes, e com a “guerra” declarada aos “artistas que gostam de mamar nas tetas do Governo, de se locupletarem com o dinheiro público, via Lei Rouanet(SANTA IGNORÂNCIA!!!), os calotes, as empresas negando patrocínios e tantos outros reveses, tudo indicava que 2018 seria um ano de aridez total, para o TEATRO. Mas os que os seus inimigos ignoram é que “Os Deuses do Teatro não abandonam seus filhos e não perdoam aos seus inimigos”. E que esse “povo do TEATRO” é muito “macho” e unido. E foi assim, com as pessoas colocando dinheiro do próprio bolso, assumindo dívidas, os colegas se dando as mãos, muitos trabalhando de graça ou por uma remuneração baixa ou, praticamente, simbólica, que tivemos um bom ano teatral, superando as minhas pessimistas expectativas. E isso tudo, de bom, que aconteceu no ano que está terminando, só serve para que aplaudamos, DE PÉ, cada vez mais, a garra, o talento e a perseverança do artista brasileiro; no caso específico, aqui, refiro-me aos meus queridos amigos, que formam o “povo do TEATRO”, tribo da qual faço parte e tenho carteirinha.

           Para quem está acostumado a assistir a mais de 300 espetáculos por ano (Já cheguei a atingir a marca de mais de 350), dois ou três no mesmo dia, às vezes, este 2018 foi "fraco", para mim, em função de dois fatos. O primeiro foi uma viagem, de quase um mês, ao Canadá, entre junho e julho. O segundo foi uma fratura de fêmur, em setembro, que, compulsoriamente, me afastou das plateias. Mesmo assim, três semanas após a cirurgia, que se fez necessária, lá estava eu, nas primeiras filas, sentindo fortes dores, à base de analgésicos, e fazendo uso de um andador e, posteriormente, de duas muletas, para me locomover, locomoções feitas com muito sacrifício e utilizando táxi, por não poder, obviamente, dirigir, o que voltei a fazer cinco semanas após a cirurgia.

JANEIRO foi um mês que tinha tudo para ser “fraco”, porque poucas novas produções surgiram, entretanto voltaram ao cartaz grandes atrações de 2017, e, até de anos anteriores, o que aconteceu em outros meses do ano, também. Como foi bom poder rever espetáculos de excelente nível, a maioria! Revi todos: “60! DÉCADA DE ARROMBA – DOC.MUSICAL” (Grande sucesso de público e de crítica e uma grande novidade, em termos de formato, no universo dos musicais.), “O JORNAL” (Também fez uma bela carreira em São Paulo.), “AGOSTO” (Premiadíssimo. Merecido.), “ALICE MANDOU UM BEIJO” (Lindo trabalho de Rodrigo Portella, como diretor, e seu maravilhoso elenco.), “ALAIR” (Viva Edwin Luisi!), “AYRTON SENNA – O MUSICAL” (Quanta saudade, numa bela homenagem ao eterno ídolo!), “PARA ONDE IR” (Que grande ator é Yashar Zambuzzi!), “GRITOS” (Obra-prima!), “YANK – O MUSICAL” (Um belíssimo tratado de amor entre pessoas de igual gênero.), “TOM NA FAZENDA” (Outra obra-prima e um dos melhores espetáculos a que assisti em toda a minha vida; premiadíssimo, também, inclusive, recentemente, no exterior, no Canadá.), “SUASSUNA – O REINO DA PEDRA DO SOL” (A Barca dos Corações Partidos, com convidados, ataca de novo.), “BITUCA – MILTON NASCIMENTO PARA CRIANÇAS” (O segundo, de uma linda trilogia, direcionada ao público infantojuvenil.), “FRIDA KHALO – A DEUSA TEHUANA” (Proporcionou-me a oportunidade de me redimir; não gostei, na primeira temporada, e adorei nesta.), “BEATLES NUM CÉU DE DIAMANTES” (Completando dez anos em cartaz, sucesso absolutíssimo de público e de crítica, uma obra-prima, que representaria o Brasil, no exterior, e faria grande sucesso lá também. Vi 57 vezes, em uma década.), “LÁ DENTRO TEM COISA” (Um belo e profundo musical infantojuvenil, para todas as idades.), “JANIS” (Proporcionando o destaque merecido a Carol Fazu.), "DOIDAS E SANTAS" (Oito anos de total sucesso.) “EMILINHA” (Por motivos COMPLETAMENTE ALHEIOS À MINHA VONTADE, não havia conseguido ver antes.), “ACABOU O PÓ” (Nova montagem, com outro elenco.) e “O PORTEIRO” (Mais um grande acerto de Alexandre Lino.), com o qual encerrei, em 22/12, o meu ano teatral de 2018. Acho que me lembrei de todos.












      Dois segmentos deixaram bastante a desejar, em termos quantitativos, entretanto, qualitativamente falando, algumas montagens foram excelentes produções. Refiro-me ao TEATRO INFANTOJUVENIL e aos MUSICAIS, minha paixão maior, dentro da paixão geral: o TEATRO. Em termos de qualidade, estes se apresentaram em maior número, com relação àqueles.

            Na categoria INFANTOJUVENIL, os destaques foram para “A MENINA E A ÁRVORE”, “ISAC NO MUNDO DAS PARTÍCULAS" e “THOMAS E AS MIL E UMA INVENÇÕES”, estas explorando, de forma fantástica, o mundo das ciências, fugindo à mesmice das temáticas mais comuns no gênero; “TROPICALINHA – CAETANO E GIL PARA CRIANÇAS”, o terceiro espetáculo do Projeto “Grandes Músicos Para Pequenos”, desenvolvido por Pedro Henrique Lopes e Diego Morais; “LÁ DENTRO TEM COISA”; “O CHORO DE PIXINGUINHA”, “MALALA – A MENINA QUE QUERIA IR PARA A ESCOLA”; "O LAGO DOS CISNES"; e “DIÁRIO DE PILAR NA GRÉCIA”.








            No campo dos musicais, o ano prometia muitas ótimas surpresas, quando, logo em janeiro, nos vimos diante de “BIBI – UMA VIDA EM MUSICAL”, espetáculo no qual era, praticamente, impossível ser encontrado algum erro, graças à brilhante direção de Tadeu Aguiar e ao trabalho de todos os profissionais envolvidos nessa produção, artistas e técnicos, com o destaque maior para a interpretação de Amanda Acosta, para a protagonista que dá nome à peça. IRRETOCÁVEL, em todos os sentidos!!!







            Os “reis dos musicais”, como são conhecidos Charles Möeller e Claudio Botelho, nos brindaram com três trabalhos, que não fugiram ao “padrão M&B de qualidade”. Foram eles “SE MEU APARTAMENTO FALASSE”, “A NOVIÇA REBELDE” e “PIPPIN”. Malu Rodrigues, como sempre, destacando-se, com seu talento invejável, principalmente na pele da noviça Maria. Já em “PIPPIN”, além dos grandes nomes ligados aos espetáculos musicais, quem roubava a cena, em seus “quinze minutos de fama” (Na verdade, para ela, é toda uma vida.) era Dona NICETTE BRUNO, como Berthe, a irreverente avó de Pippin. Todos estavam excelentes, em seus papéis, porém um grande talento foi revelado, o de João Felipe Saldanha, que alternava o papel do protagonista, com Felipe de Carolis. Seus solos eram calorosamente aplaudidos pelo público, assim como recebia grandes e merecidas ovações o pré-adolescente Luiz Felipe Mello, já até indicado a um prêmio, com seu Theo.









            Dois outros musicais fizeram excelentes carreiras e ganharam o reconhecimento do público e da crítica. Foram eles “ROMEU E (+) JULIETA”, que muito me encantou, uma lindíssima produção, com canções do repertório da cantora e compositora Marisa Monte, e “ELZA” (este nem tanto), contando a vida da cantora Elza Soares, ambos encenados no lindo Teatro Riachuelo, um dos melhores do Rio de Janeiro.






            Sem sair da área dos musicais, eis algumas considerações sobre outros:

         “Comendo pelas beiras”, assistimos a um lindo “O HOMEM NO ESPELHO”, uma gratíssima surpresa, homenageando o cantor Michael Jackson. Outra ótima produção, que já ganhou prêmios e está recebendo indicações a outros, é “A VIDA NÃO É UM MUSICAL”, com sua irreverência e seu “abuso”, no bom sentido, do “politicamente incorreto”, desconstruindo o universo infantojuvenil e mostrando a triste e cruel realidade sociopolítica brasileira.






            De São Paulo, chegaram quatro produções: a obra-prima de Miguel Falabella, O HOMEM DE LA MANCHA”, que me hipnotizou profundamente, a ponto de eu ter visto duas vezes, em São Paulo, e duas aqui, no Rio, onde, infelizmente, não conseguiu o mesmo imenso sucesso auferido na capital paulista; “RENT”, “um dos maiores musicais sobre o amor”, outro musical “torto”, em termos de temática, uma iniciativa de Bruno Narchi; “CHAPLIN – O MUSICAL”, um poema em forma de espetáculo, no qual o destaque era o brilhante trabalho de Jarbas Homem de Mello, numa excelente composição do protagonista. Infelizmente - o único que destoou -, “ISAURA GARCIA – O MUSICAL” não fez o sucesso que se esperava, porém me abstenho de dizer por quê.






            Mais uma vez, o poder público atrapalhando as artes. O premiadíssimo projeto de "TEATRO MUSICADO", criado e comandado, com muita garra, competência e dedicação, pelo professor e diretor Rubens Lima Júnior, da Unirio, o qual já nos brindou com tantas pérolas, foi prejudicado, em função de problemas internos, naquela instituição, o que acabou fazendo com que “O PRIMO DA CALIFÓRNIA” não alcançasse o mesmo sucesso das montagens dos anos anteriores, o que não quer dizer que tivesse sido um trabalho ruim; só não conseguiu atingir o nível dos outros.

            Ainda que tenha sido um enorme sucesso de público, mas não de crítica, por ter um grande apelo popular, mas deixando muito a desejar, tecnicamente falando, assistimos à tentativa de se prestar uma justa homenagem a uma dama do samba, Dona Ivone Lara, no musical “DONA IVONE LARA – UM SORRISO NEGRO”. A grande sambista e compositora merecia uma homenagem à altura de seu talento.

          Numa montagem modesta, porém muito bem feita, IZABELLA BICALHO brilhou, no palco, com sua linda presença e deliciosa voz, vivendo uma das maiores cantoras da Música Popular Brasileira, no espetáculo “ELIZETH – A DIVINA”.

        “CAFONA SIM, E DAÍ? – UMA HOMENAGEM”. A quem? A Sérgio Brito, numa remontagem de um espetáculo feito por ele, em 1997, no antigo Teatro Delfim, administrado, na época, pelo inesquecível Sérgio. Assim como aquele, este agradou bastante ao público; a mim, também.

            Mais para a classificação de um “show roteirizado” do que, propriamente, um espetáculo de TEATRO MUSICAL, “ÍCARO AND THE BLACK STARS”, comandado por Ícaro Silva e seu grande talento, foi um enorme e divertido sucesso. Seria capaz de assistir a ele muitas outras vezes, além das duas sessões em que estive presente.






Para finalizar os comentários sobre o gênero musical, falemos de “O FRENÉTICO DANCIN’ DAYS”, que lotou o lindo, enorme e confortável Teatro Bradesco, por duas temporadas, já se preparando para voltar ao cartaz, numa terceira, no início de janeiro de 2019. O musical, que conta como surgiu um dos ícones dos anos 70, a discoteca – novidade no BrasilFrenetic Dancing Days, assombroso sucesso, “nascido de um grande fracasso”, frequentou todos os espaços da mídia carioca e já tem uma longa turnê, pelo Brasil, programada para o próximo ano. “Livre, leve e solto”, fez com que todos cantassem e dançassem os grandes sucessos de uma época em que “a gente era feliz, e sabia”.






Por um lapso imperdoável, até que, graças aos DEUSES DO TEATRO, eu tivesse sido alertado por alguém, havia deixado de mencionar o último grande musical do ano, chegado ao público em 20 de novembro de 2018, ao apagar das luzes, justificativa, certamente, para o meu esquecimento (Este adendo foi feito pós-divulgação deste "BALANÇO".). Trata-se de "70? DÉCADA DO DIVINO MARAVILHOSO - DOC.MUSICAL", da mesma dupla que inventou um novo formato para musicais, Frederico Reder e Marcos Nauer, com "60! DÉCADA DE ARROMBA - DOC.MUSICAL". Tudo indica que fará a mesma carreira de sucesso que atingiu a produção anterior. E já nos prometem mais dois espetáculos, para os próximos anos, no mesmo formato, voltados para as décadas de 80 e 90 Esperemos!






Embora, oficialmente, seja apresentado como um “musical”, até no título, eu não o considero como pertencente a tal gênero, entretanto não posso deixar de registrar um dos melhores espetáculos do ano, que reabriu o Teatro Adolpho Bloch, antigo Teatro Manchete, fechado havia 18 anos. Falo de “MOLIÈRE – UMA COMÉDIA MUSICAL”, espetáculo paulista, que caiu nas graças dos cariocas, por ser de altíssimo nível técnico e artístico, pelo conjunto da obra: texto, direção, elenco e elementos técnicos.

Outro espetáculo, muito merecidamente incensado, foi “BOCA DE OURO”, um dos clássicos de Nelson Rodrigues, numa releitura genial de um mago da direção: Gabriel Vilela. Espetáculo irretocável, um dos melhores da temporada. Aliás, Gabriel ainda nos presenteou com outro grande sucesso: “HOJE É DIA DE ROCK”, uma montagem totalmente diferente da original, emblemática, datada de 1971, ambas no mesmo, não menos emblemático e histórico, Teatro Ipanema, representada pelos atores da companhia curitibana Ave Lola – Espaço de Criação, a qual, também, voltou ao Rio com outra belíssima peça, “NUON”, esta com a maravilhosa direção, de Ana Rosa Tezza, bem ao estilo de Vilela.









Valeu a pena esperar tanto pela inesquecível e arrojada encenação de “GRANDE SERTÃO: VEREDAS”,  no CCBB (rotunda), uma ousadíssima ideia da genial diretora Bia Lessa, com sua leitura da obra máxima de Guimarães Rosa. Que elenco! Que iluminação! Que trilha sonora! Que direção! É daqueles espetáculos que marcam, para sempre, o espectador.



São Paulo, no campo dos dramas e das comédias, ainda nos trouxe algumas produções que merecem destaque: “A VISITA DA VELHA SENHORA”, com Denise Fraga à frente do elenco e da produção. Os cariocas devemos sempre ser gratos à Denise, que mora em São Paulo, porém, como carioca, de nascimento, se empenha, com unhas e dentes, para trazer, ao Rio, seus grandes sucessos, de público e de crítica, montados, primeiramente, na terra da garoa. Ela sempre briga muito por isso, e consegue. Eu já havia assistido à montagem em São Paulo e, é claro, não pude deixar de revê-la, no Teatro Ginástico, por duas vezes mais.






“OS GUARDAS DO TAJ” foi outro espetáculo que São Paulo nos legou, interessante, assim como “QUARTO 19”, uma gratíssima surpresa, daquelas peças das quais, em princípio, não se espera tanto e ela nos surpreende (Adoro isso!). Infelizmente, a minha grande decepção ficou por conta do badaladíssimo “O REI DA VELA”. Em duas vezes em que estive em São Paulo, tentei ver a peça, e não o consegui, pelo fato de a lotação estar esgotada. Isso só fez aumentar a minha expectativa e o meu desejo de “atingir o Nirvana”, quando conseguisse conferir a montagem. Infelizmente – E NÃO VAI AQUI NADA DE NOSTALGIA -, para quem teve a primazia de assistir à versão original, em 1967, pelo Grupo Oficina, a experiência foi, por demais, decepcionante.

“OUTROS”, do excepcional Grupo Galpão, de Belo Horizonte, foi a segunda grande decepção do ano. Pode ser um problema meu, mas não é desse Grupo Galpão que eu gosto, não foi por esse Grupo Galpão, que está à busca de novas pesquisas em linguagens, que eu me apaixonei, desde sua fundação. Mas são coisas da vida. Há quem goste e aprove. Respeito. 

RENATA CARVALHO “causou”. Provocou a ira dos conservadores, mexeu com a “moral ilibada” dos que se dizem “religiosos, tementes a Deus”, porém em cujos dicionários, não existem as palavras “ARTE”, “TOLERÂNCIA” e “RESPEITO”, com o seu “O EVANGELHO, SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU”.






Sempre se pode esperar coisa boa, vinda de Bruce Gomlevsky. Neste ano, o grande ator e diretor brilhou, com o comovente monólogo “MEMÓRIAS DO ESQUECIMENTO” e com uma leitura totalmente inovadora e deslumbrante de “UM TARTUFO”, encenados, concomitantemente, em dias e horários diferentes, é óbvio, no simpático Teatro Poeirinha. Ambos os espetáculos já receberam indicações a prêmios, com a perspectiva de que outras virão, e são grandes candidatos a estatuetas.









Às vezes, uma peça não é boa, ou tão boa, porém oferece oportunidades para que atores se destaquem em seus trabalhos. Foi o caso de “UMA FRASE PARA MINHA MÃE”, monólogo em que Ana Kfouri dá uma aula do que seja representar num palco; de “EU SÓ QUERIA QUE VOCÊ NÃO OLHASSE PARA O LADO”, também monólogo, em que Rose Abdallah desfila o seu talento; de “MEUS DUZENTOS FILHOS” e “MARIA”, outros dois monólogos, nos quais, respectivamente, se pode dizer o mesmo para Cláudio Mendes e Marcelo Aquino. Ressalvo que estes dois últimos são bons espetáculos, na minha visão.

O diretor Jorge Farjalla gosta de utilizar, em seus trabalhos de direção, a expressão “(Título da Peça), na visão de Jorge Farjalla”. Pode parecer um tanto pretensioso, mas não o é. Seu desejo é, apenas, o de lembrar que, naqueles trabalhos, ele impõe uma marca pessoal de direção, ousada, de desconstrução, quase sempre excelentes, marca esta que o torna “diferente” dos demais encenadores. Como o lema da escola de samba Salgueiro, “nem melhor, nem pior; apenas uma escola (um diretor) diferente”. Em 2018, Farjalla nos deliciou com sua “visão” de outro clássico rodriguiano, “SENHORA DOS AFOGADOS”, estreado em São Paulo, no Teatro Porto Seguro, onde vi pela primeira vez, e "VOU DEIXAR DE SER FELIZ POR MEDO DE FICAR TRISTE?", um primor de espetáculo.









Victor Garcia Peralta, argentino, de nascimento, mas um dos melhores diretores “brasileiros”, assinou uma das mais deliciosas comédias do ano e dos últimos tempos: “MORDIDAS”. André Paes Leme dirigiu outra: “NOSSAS MULHERES”. É um grande mérito, para ambos os diretores e os dois elencos, quando sabemos quão difícil é a montagem de uma boa comédia.

“O CONDOMÍNIO” foi outra ótima comédia “nonsense”, meio Teatro do Absurdo, que, por ter agradado ao público e à crítica, fez duas brilhantes carreiras, em temporadas no SESC Copacabana e no Teatro Ipanema.

Três espetáculos dos mais comoventes, para mim, foram um drama, “EM UMA MANHÃ DE SOL” (Flávia Lopes me fez chorar muito, de tristeza e de alegria), uma comédia, “URBANA”, uma das melhores surpresas do ano, apresentada por uma atriz/palhaça que eu não conhecia e de quem me tornei um grande admirador, Glaucy Fragoso, e uma terceira, “O QUE É QUE ELE TEM”, que mistura os dois gêneros, pode-se dizer (Acho.).  

Sou grande admirador da arte de Álamo Facó, de quem não perco um trabalho, e acho que ele merece um destaque por sua coragem, ao encenar o espetáculo “TRAJETÓRIA SEXUAL”, no qual, despido, denotativa e conotativamente, de qualquer vestígio de pudor barato, o grande ator se expõe, contando particularidades de sua vida sexual. Poderão perguntar alguns: E o que isso pode nos interessar? E a minha resposta é esta: Visse o espetáculo!!!





Fico triste quando a expectativa que me leva ao Teatro não é alcançada, mas isso pode acontecer, sem que se constitua um grande problema. Apenas fico triste. Aconteceu, este ano, com “NERIUM PARK”, dirigido pelo magnífico diretor Rodrigo Portella. Não me disse grande coisa, mas eu prefiro acreditar que o problema estivesse em mim. Eu não deveria estar num bom dia, quando assisti à peça, no Teatro Glaucio Gill. Ela já cumpriu outra temporada, mas não tive tempo nem condições físicas para retificar ou ratificar a impressão que me deixou. Tenho esperança de que volta à cena, para que eu a reveja.

Muito merecidamente, está recebendo indicações a prêmios um ótimo espetáculo, que veio lá de cima do Brasil, do Rio Grande do Norte, trazida pelo excelente Grupo Carmin, aqui representado por Mateus Cardoso, Robson Medeiros e Henrique Fontes, atores, dirigidos, brilhantemente, por Quitéria Kelly. Trata-se de “A INVENÇÃO DO NORDESTE”.





Quatro experiências muito interessantes, no campo das linguagens voltadas para o TEATRO, estiveram presentes em “VIM ASSIM QUE SOUBE”, “MOLÉSTIA”, GALÁXIAS I – TODO ESSE CÉU É UM DESERTO DE CORAÇÕES PULVERIZADOS” e “O INSACIÁVEL ZÉ CARIOCA”. No caso de “MOLÉSTIA”, destaca-se o espetáculo por ser a primeira direção (Excelente!) de Marcéu Pierrot.




Um destaque especial, já chegado no final do ano, vai para “ÍCARO”, espetáculo idealizado e escrito por Luciano Malmann, um ótimo ator gaúcho, cadeirante, que também atua no monólogo, contado a sua própria história e a de mais cinco personagens, baseados em pessoas com quem ele conviveu, todas, como ele, portadoras de necessidade de locomoção, paraplégicas ou tetraplégicas. Um espetáculo diferente, lindo e comovente!








            Quase finalizando estes comentários, passo a relacionar outros títulos que me fizeram sair do Teatro muito feliz, gratificado, em função do ótimo nível de qualidade: “EDWARD BOND PARA TEMPOS CONTURBADOS”, “MEMÓRIA DA ALMA”, “A ORDEM NATURAL DAS COISAS”, “OUVI DIZER QUE A VIDA É BOA”, “HEISENBERG – A TEORIA DA INCERTEZA”, O ENCONTRO - MALCOLM X E MARTIN LUTHER KING JR., ARIANO – O CAVALEIRO SERTANEJO”, “CARMEN”, “ZILDA ARNS – A DONA DOS LÍRIOS” e “IRMÃOZINHO QUERIDO”.

            Uma luz no fim do túnel surgiu, no fechar das cortinas, com a notícia de que o velho Teatro das Artes, no segundo piso do Shopping da Gávea, partiu para uma parceria com uma empresa ligada ao ramo de exploração de petróleo, a PETRORIO, a qual ficará responsável pela programação da casa, passando esta a se chamar Teatro PETRORIO das Artes, cuja inauguração ocorreu recentemente, com a apresentação da diva maior, Dona Fernanda Montenegro, apresentando sua já consagrada “performance”, a leitura interpretada e dramatizada de trechos do delicioso livro “Nelson Rodrigues Por Ele Mesmo”, de autoria de Sônia Rodrigues, filha de Nelson.






            Os dois últimos meses do ano parecem ter sido reservados para algumas das melhores produções de 2018, para coroar um ano, que prometia ser ruim, porém foi ótimo, teatralmente falando. São elas “DOGVILLE”, “AS BRASAS”, “O INOPORTUNO” e “TEBAS LAND”.

















A primeira da relação, com atores paulistas, praticamente todos, ou lá radicados, fez sua estreia em terras cariocas, numa idealização e produção de Felipe Lima, o qual, além de bom ator, tem se revelado um magnífico produtor, com um “faro” certeiro para o sucesso. Um grande espetáculo, baseado no polêmico filme homônimo, reunindo 16 atores em cena, uma façanha não vista há muito tempo, a não ser em musicais.

O segundo reuniu dois grandes atores brasileiros, num “duelo”, no melhor dos sentidos, denotativa e conotativamente falando, Herson Capri e Genézio de Barros, no qual o grande vencedor é o público.

O terceiro é um primor de encenação de um dos melhores textos do Teatro do Absurdo, à altura do talento de Harold Pinter, seu autor, com brilhante direção de Ary Coslov, e um excelente protagonismo de Daniel Dantas, muito bem sustentado pelos trabalhos de dois ótimos atores em papéis coadjuvantes: Well Aguiar e André Junqueira.

Quanto ao último da relação, na verdade, ocupa, na minha lista de “tops”, o primeiríssimo lugar. Considero-o um dos melhores espetáculos a que já assisti em toda a minha vida e ouso comparar sua qualidade à de “TOM NA FAZENDA”. Precisa ser mais visto e mais consagrado do que já vem sendo. Estão com temporada já marcada para janeiro, no Teatro SESI Centro. Uma obra-prima, que não dá margem a que se encontre, nela, qualquer erro, mesmo que se faça uso da mais possante lente de aumento. Todos os elementos são fantásticos, entretanto, ao lado da excelente atuação de Otto Jr. e da magnífica direção do sempre competente Victor Garcia Peralta, destaca-se o talento de Robson Torini, na pele de um parricida, presidiário. Mais não posso falar, porque o espaço é curto e a minha paixão pelo espetáculo é incomensurável.

E, assim, chegamos ao final de mais uma temporada teatral carioca, com um saldo bem positivo. Quase todos os espetáculos mencionados neste trabalho, a maioria, mereceram que eu escrevesse críticas sobre eles, as quais estão no meu blogue www.oteatromerepresenata@blogspot.com. É só conferir.

A todos os envolvidos nas produções que não foram aqui citadas, o meu maior respeito e admiração, pois tenho a mais ampla certeza dos seus esforços e de que todos procuraram fazer o seu melhor. E, se não me agradaram tanto, houve, e haverá sempre, quem os aplaudisse mais do que eu. Parabéns!!!

A todos, desejo o que quero de melhor para mim mesmo e para a minha família, e que estejamos juntos, em 2019, lutando para que o TEATRO continue ocupando o lugar de destaque, que lhe é de direito, no panorama cultural brasileiro! Queiram “ELES” ou não!!!


E VAMOS AO TEATRO!!!

OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO DO BRASIL!!!

A ARTE EDUCA E CONSTRÓI!!!

RESISTAMOS!!!

COMPARTILHEM ESTE TEXTO, PARA QUE, JUNTOS,
POSSAMOS DIVULGAR O QUE HÁ DE MELHOR NO
TEATRO BRASILEIRO!!!