“AS
CENTENÁRIAS”
ou
(O QUE É
BOM
PODE SE
TORNAR
AINDA MELHOR;
OU, ENTÃO,
PELO
MENOS,
IGUAL AO QUE
ERA ANTES.)
Por estar sem suporte logístico há
cerca de dez dias (computador em reparo), só agora estou podendo
escrever uma crítica a um dos melhores espetáculos do ano, até o presente
momento, no Rio de Janeiro. Falo de “AS CENTENÁRIAS”,
magnífico texto de NEWTON MORENO, agora sob a forma de um musical.
Eu diria melhor: um “espetáculo musicado”. Mas isso não é o mais
importante, a categoria de gênero. O certo é que a montagem, que cumpre temporada curtíssima, no Teatro
Carlos Gomes, Rio de Janeiro, até o próximo domingo,
dia 10 de maio (2026) é de uma qualidade a toda prova.
Não é a primeira vez que os cariocas
têm a oportunidade de assistir a esta peça. A primeira, com direção
de Aderbal Freire-Filho, que, se ainda estivesse, fisicamente,
entre nós, estaria completando 85 anos hoje, aconteceu no Teatro
Poeira, em 2010, protagonizada, com total aprovação, por Marieta
Severo e Andréa Beltrão, contando com uma ótima coadjuvância
de Sávio Moll.
SINOPSE:
“AS CENTENÁRIAS” é uma comédia musical nordestina, que narra a história da amizade entre duas senhoras centenárias, Socorro (LAILA GARIN) e Zaninha (JULIANA LINHARES), duas carpideiras (mulheres pagas para chorar em velórios e enterros) no Sertão do Cariri.
Entre
músicas de CHICO
CÉSAR e rituais de despedida, a peça mistura humor, luto, música e
ancestralidade, abordando a morte com leveza e a amizade profunda entre as duas
personagens.
As
ações se passam em dois planos: passado e presente.
As
duas carpideiras atravessam o tempo, ultrapassando mais de cem anos, negociando
com a morte, através de riso, afeto e cantos, transformando o luto em resistência.
O espetáculo é patrocinado pela Bradesco
Seguros, graças à Lei Rouanet, que nunca poderá deixar de
existir, uma vez que, só por meio dela, grandes produções, como esta, e
outras menores também, têm condições de serem erguidas.
A primeira montagem, há quase
duas décadas, mereceu indicações a prêmios de TEATRO,
tendo alcançado alguns, e tenho certeza de que a aqui comentada também deverá ser muito
bem lembrada pelos jurados dos atuais prêmios, muito merecidamente, diga-se de
passagem.
LAILA GARIN e JULIANA
LINHARES interpretam as duas personagens, que já entraram para o rol das
grandes “personas” do TEATRO Brasileiro, de uma
forma irrepreensível. Socorro e Zaninha, nas mãos
de atrizes incipientes e insipientes, tinham tudo para serem representadas de
forma “capenga”, falsa; caricata, enfim, o que, absolutamente,
não ocorre aqui, pois quem as defende, na trama, são duas das melhores “cantrizes”
do nosso TEATRO. A composição das personagens, no que diz
respeito à expressão corporal, vozes e máscaras faciais não poderia ser melhor
nem mais perfeita. Além de talentosíssimas, as duas foram muito corajosas,
quando se entregaram, de corpo e alma, a duas personagens, anteriormente,
interpretadas, magistralmente, por dois dos mais importantes nomes do nosso TEATRO:
Marieta Severo e Andréa Beltrão. Coloco as
quatro no mesmo patamar, com relação a esta peça.
O elenco conta, ainda, como coadjuvante de
luxo, com o ator LEANDRO CASTILHO, que interpreta mais de seis personagens na
montagem, todos muito diferentes entre si, e muito bem, com destaque, a meu juízo, para a
Morte. O
ator fala das “dificuldades
desse tipo de atuação”:. “É sempre um desafio, porque cada peça
tem uma linguagem diferente. A transição entre eles é uma coisa que não dá nem
para pensar muito.”
Hoje, a montagem se tornou uma versão musical inédita,
que revisita a obra, a partir de uma perspectiva contemporânea, sem perder a
força da tradição que consagrou o texto. O acréscimo das 16 canções inéditas,
compostas pelo talento de CHICO CÉSAR, e as pequenas alterações no
original do texto, feitas por seu autor, o grande dramaturgo NEWTON
MORENO, me parecem ter agregado mais vigor à dramaturgia, além de beleza e
dinamismo ao espetáculo, como um todo. Por meio das canções que fazem parte da trilha
sonora original, passando a conduzir a narrativa, percebemos um
aprofundamento da relação da dramaturgia com a cultura popular, a nordestina,
tão bela e rica, principalmente por meio de seus variados ritmos musicais.
Responsável pela trilha sonora inédita,
CHICO CÉSAR explica que o processo de composição partiu, diretamente, da
dramaturgia de NEWTON MORENO. Ele só fez aumentar o que,
de bom, já existia, com seu enorme talento e criatividade: “Eu recebi o
texto do NEWTON MORENO já com indicações de lugar onde ele queria as canções,
já com letra. No geral, respeitei aquilo, alterei uma coisa ou outra. O texto é
muito bonito, muito forte. Acho que trazer essa voz da mulher brasileira com
essência nordestina é uma alegria para mim.”.
O
que falar da direção, assinada por LUIZ CARLOS VASCONCELOS?
Que o diretor, fazendo uso de sua marcante e já bem reconhecida digital, só fez
realçar, mais ainda, a força do texto, de forma muito precisa e extremamente
criativa, via formidáveis soluções para cada cena do espetáculo,
respeitando todas as intenções do texto e sabendo explorar o estupendo
potencial do elenco. A direção ainda soube como equilibrar a enorme
força e dosagem de humor leve e inteligente com emoção, ao retratar a força das
tradições, da oralidade e da ancestralidade nordestina.
A idealização do espetáculo partiu
de ANDRÉA ALVES e JULIANA LINHARES, e o autor, NEWTON MORENO,
destaca que se interessou pela adaptação musical da obra, assim que a ideia lhe
foi sugerida. “É importante considerar que as carpideiras realizam uma
base relevante de seu trabalho por meio de cantos, rezas, ladainhas. Há uma
demanda musical muito forte na orquestração do luto”.
Todos os trabalhos dos artistas de criação
merecem aplausos com dois destaques: Os figurinos, de KIKA
LOPES e HELOISA STOCKLER, e a iluminação, a cargo de ELISA
TANDETA. Na verdade, três: o excelente visagismo, assinado
por MONA MAGALHÃES.
FICHA
TÉCNICA:
Idealização:
Andréa Alves e Juliana Linhares
Texto e
Letras: Newton Moreno
Letras
e Músicas: Chico César
Direção:
Luiz Carlos Vasconcelos
Elenco:
Laila Garin, Juliana Linhares e Leandro Castilho
Músicos:
Diogo Sili, Aline Gonçalves e Diego Zangado
Direção
Musical e Arranjos: Elísio Freitas
Direção
de Movimento e Assistência de Direção: Vanessa Garcia
Cenografia:
Aurora dos Campos
Cenotecnia:
André Salles Cenografia
Figurinos:
Kika Lopes e Heloisa Stockler
Iluminação:
Elisa Tandeta
Desenho
de Som: Gabriel D’Angelo
Desenho
de Som Associado: André Breda e Jorge Baptista
Visagismo:
Mona Magalhães
Vídeos:
Chamon Audiovisual e Nathália Alves
Assessoria
de Imprensa: Approach Comunicação
Fotografia:
Andréa Nestrea e Zo Guimarães
EQUIPE
SARAU:
Diretora
de Criação: Andréa Alves
Diretora
de Projetos: Leila Maria Moreno
Coordenadora
de Produção: Hannah Jacques
Produtor
Executivo: Matheus Castro
Coordenadora
Financeira e de Leis de Incentivo: Carolina Villas Boas
Gerente
de Captação e Relacionamento: Paula Salles
Produtora
de Planejamento: Marina Fish
Assessoria
Jurídica: Marisa Gandelman
Contabilidade:
MTavares Consultoria Contábil
Direção Geral e Produção Artística: Andréa Alves
SERVIÇO:
Temporada: De 10 de abril a 10 de maio de 2026.
Local: Teatro Carlos Gomes – Praça Tiradentes, Centro, Rio de Janeiro.
Capacidade: 667 lugares.
Dias e Horários: 5ªs e 6ªs feiras, às 19h; sábado e domingo, às 17h.
Dias 25 de abril e 09 de maio, sessões extras, às 20h.
Valor dos Ingressos: A partir de R$ 50.
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/117084/d/369128/s/2477804
Duração: 105 minutos.
Indicação Etária: 12 anos.
Acessibilidade: Sim.
Gênero: COMÉDIA Musical.
Ainda há tempo de assistir às últimas
sessões: uma hoje, duas amanhã e uma no domingo, um ótimo presente para o “Dia
das Mães”.
Do Rio, este grande
sucesso, de público e de crítica, parte para uma curta temporada na capital paulista,
que vai de 15 de maio até o dia 14 de junho, próximos, no SESC
Bom Retiro, com ingressos já à venda.
Teria muito prazer, se tivesse tempo, em rever este espetáculo, que RECOMENDO COM
O MAIOR EMPENHO!
FOTOS: ANDRÉA NESTREA
e
ZO GUIMARÃES
VAMOS AO TEATRO!
OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO DO
BRASIL!
A ARTE EDUCA E CONSTRÓI, SEMPRE; E SALVA!
RESISTAMOS SEMPRE MAIS!
COMPARTILHEM ESTA CRÍTICA, PARA QUE, JUNTOS, POSSAMOS DIVULGAR O QUE HÁ
DE MELHOR NO TEATRO BRASILEIRO!
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