quarta-feira, 11 de março de 2026

 

“TIM MAIA – 

VALE TUDO,

O MUSICAL”

ou

(DA VELHA E NOBRE

“ARTE” DE “TIRAR

LEITE DE PEDRA”,

PARA UM DIRETOR

E UM ELENCO.)




Qualquer pessoa, ao ler o subtítulo desta crítica, tem o total direito de achar que eu não gostei do espetáculo aqui analisado e que a minha apreciação sobre a peça será, consequentemente, negativa. Por outro lado, todos os que me conhecem e são “habitués” das minhas críticas teatrais sabem que, se assim fosse, ela não estaria sendo escrita, pois jamais perco o meu preciosíssimo tempo para criticar, negativamente, alguma montagem que não me tenha agradado. Se não mereceu meus aplausos, outros a aplaudiram, com certeza. O teor do referido subtítulo, ao contrário, deve ser decodificado como um elogio, para o que há uma explicação bem simples.




É preciso um hábil diretor, como PEDRO BRÍCIO e um elenco bastante aplicado, liderado por um artista formidável, como THÓR JÚNIOR, para conseguir erguer um bom musical, apoiado numa dramaturgia tão pobre, que deixa muito a desejar, levantando uma questão: como pode ser um texto tão frágil, como este, se a peça foi roteirizada pelo mesmo artista que escreveu o original de uma outra versão do musical, inclusive com o mesmo título, encenada, pela primeira vez, em 2011, com outro elenco e direção, sendo que, lá, a dramaturgia não pecava? O roteiro foi escrito por NELSON MOTTA, inspirado no livro “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”.




 

SINOPSE:

“TIM MAIA - VALE TUDO, O MUSICAL” é uma celebração biográfica, baseada no livro de NELSON MOTTA, que narra a trajetória de Tião (Sebastião Rodrigues Maia) (THÓR JÚNIOR), do subúrbio carioca ao sucesso nacional.

A peça, com bastante leveza e humor, destaca amizades, amores, contradições e o talento único do “Síndico”, embalada por vários dos seus “hits”, lembrados e cantados até hoje.

No palco, a trajetória de Tim Maia, um artista genial e temperamental, abordando desde sua juventude, no Rio de Janeiro, passando por uma conturbada temporada, nos Estados Unidos, até a consagração, como um dos maiores ícones da música popular brasileira.


 

 







 

Um conhecedor da dificílima técnica que envolve a arte de se montar um musical, muito distante daqueles que não prezam esse importantíssimo gênero teatral, poderá tecer um ou outro comentário desabonador, sobre este “TIM MAIA...”; mas não serei eu a fazê-lo, a não ser a minha restrição à dramaturgia, porque consigo enxergar um pouco mais além, procurando entender por que o espetáculo foi montado e com qual(is) finalidade(s). Este musical existe para homenagear, muito merecidamente, diga-se de passagem, um dos maiores artistas da nossa música popular e para atingir o povão, em geral, já que Tim alcançava todas as camadas da nossa sociedade. “TIM MAIA – VALE TUDO, O MUSICAL” é um espetáculo extremamente popular, para atingir a todos os tipos de público, levando alegria e divertimento. Cumpre, portanto, a sua função, promovendo uma perfeita integração entre palco e plateia. É impressionante a cumplicidade entre artistas e público, este acompanhando, a plenos pulmões, um desfile de quase todos os grandes sucessos do homenageado (Não haveria tempo para todos, porque são muitos.), muitas vezes de pé, dançando, o que faz lembrar os velhos programas de auditório do rádio e da televisão.





Um olhar técnico, como o do crítico teatral, poderá ir de encontro a um ou outro senão, contudo o espectador comum sai do Teatro em total estado de graça, como eu também deixei o Casa Grande, mais na condição de público, até esquecendo, temporariamente, o meu posicionamento técnico com relação ao texto, o qual até foge um pouco à prática comum, nesse tipo de espetáculo, já que uma boa parte do conteúdo narrativo se apresenta musicada, não muito agradável aos ouvidos – aos meus, pelo menos - e dificultando um pouco a compreensão desses momentos em que as informações cantadas ligam uma cena a outra. Em compensação, a parte musical que diz respeito à trilha sonora é agradabilíssima, construída com aquilo que, de melhor, existe no repertório de Tim Maia. E isso obriga nossos corpos a almas a dançar.




Da parte relativa aos artistas de criação, destaco os ótimos figurinos, de FABIO NAMATAME, e o desenho de luz, frenético e explorando uma extensa paleta de cores, assinado por TULIO PEZZONI. Merecem, também, aplausos a direção musical (CARLOS BAUZYS e DIEGO SALLES), a coreografia (TIAGO DIAS) e o visagismo (DICKO LORENZO).




Em 2026, completam-se 28 anos da morte de Tim Maia, cujo filho, CARMELO MAIA, um dos principais responsáveis por esta montagem, assim se expressa: “Estou imensamente feliz em anunciar o retorno do musical sobre a vida do meu pai. Fazer parte dessa produção é muito mais do que um trabalho; é uma missão. Mesmo sem meu pai, fisicamente, entre nós, sua musicalidade, genialidade, sua história e sua força seguem vivíssimas entre nós. Tenho o máximo respeito pelo legado que me foi confiado e o administro com o coração, fidelidade e muita seriedade. Esse musical é por ele e feito para vocês.”.




Vale a pena ressaltar alguns números sobre esta grande produção: A peça reúne 16 atores no elenco e aposta em uma construção visual robusta, com 141 figurinos e o uso de 32 perucas, que contribuem para a ambientação das diferentes fases retratadas. A caracterização também evidencia a transformação do protagonista ao longo da narrativa, com visagismo desenvolvido em duas fases distintas, que marcam a passagem do primeiro para o segundo ato. No palco, a experiência é ampliada pela presença de 12 músicos, executando a trilha ao vivo, enquanto um cenário, de aproximadamente seis toneladas, reforça a dimensão grandiosa da montagem. A caracterização e preparação do ator protagonista consome duas horas. Há várias trocas, muito rápidas de figurinos, em torno de 2 minutos.




Sem dúvida alguma, tenho que valorizar muito o trabalho de direção de PEDRO BRÍCIO e a atuação homogênea de um talentoso elenco, que mistura nomes pouco conhecidos a outros bastante tarimbados em musicais, como DENIS PINHEIRO, TIAGO HERZ, SUZANA SANTANA e JULIA GORMAN. Mas a grande “cereja deste bolo” atende pelo nome de THÓR JÚNIOR, também bastante experiente em espetáculos deste gênero e que, de uma forma brilhante e indelével, interpreta Tim Maia, em todas as suas fases. Fruto de um profundo trabalho de estudo, pesquisa e construção do personagem, mergulhado na mimética, o ator reproduz, em detalhes, a voz e o comportamento corporal e gestual de Tim num nível de perfeição tão alto, que surpreende a plateia.  




 


FICHA TÉCNICA (Simplificada):


Texto: Nelson Motta

Direção Geral: Pedro Brício

Assistência de Direção: Luiz Rodrigues

Elenco: Thór Júnior (Tim Maia), Dennis Pinheiro (Jorge Bem / Cover Tim Maia), Tiago Herz (Roberto Carlos / Nelson Motta), Suzana Santana (Sandra Sá / Mãe), Elá Marinho (Elis Regina), Mari Rosinski (Primavera 2 / Gal Costa), Julia Gorman (Marisa Monte), Cezar Rocafi (Ramon), Júlia Perré (Cristina / Contrarregra), WD (Absoluto 1), Davi Fields (Absoluto 2), Rodrigo Fernando (Absoluto 3), Lola Borges (Primavera 1), Chelle (Primavera 3) e Estêvão Souz (Swing)

Banda: Marcelo Eduardo Farias (Piano / Maestro - sub), Daniel Kaeser  (Piano / Maestro - sub), Matheus Luiz (Trombone), Rafa Maia (Bateria), Kaeser (Reed 3), Alexandre Bittencourt (Reed 4), Tiago Calderano (Percussão), Priscila Rosário (Guitarra), Raul d'Oliveira (Baixo), Gilberto Pereira (Reed 1), Júnior Abreu (Trompete 2), Moises Santos (Reed 2) e Ezequiel Freire (Trompete 1)

Direção Musical: Carlos Bauzys e Diego Salles (Maestro)

Coreografia: Tiago Dias

Direção de Movimento: Keila Bueno
Cenografia: Kleber Montanheiro
Figurino: Fabio Namatame

Desenho de Luz: Tulio Pezzoni

Desenho de Som: Tocko Michelazzo
Visagismo: Dicko Lorenzo
Perucaria: Flau Coutinho
Chefe de Palco: Isis Patacho
Microfonista: Ana Lares
Contrarregra: Felipe Tomé
Direção de Arte: Gus Perrella
Assessoria de Imprensa: Novità Comunicação Estratégica
Fotos: Stephan Solon e Caio Gallucci
Produção Geral: Adriana Del Claro
Sócio e Produtor: Carmelo Maia

Curadoria Artística: Carmelo Maia
Sócios Grupo Live: Guga Pereira e Wilson Anastácio
CEO Grupo Live: Maurício Aires


 










SERVIÇO:

Temporada: De 06 de março a 12 de abril de 2026.

Local: Teatro Casa Grande.

Endereço: Avenida Afrânio de Melo Franco, nº 290 A, Shopping Leblon, Leblon, Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 6ª feira, às 20h; sábado, às 16h e às 20h; domingo, às 19h.

Valor dos Ingressos: Plateia VIP = R$ 250 (inteira) e R$ 125 (meia-entrada); Plateia Setor 1 = R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia-entrada); Balcão Setor 2 = R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia-entrada); Balcão Setor 3 = R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia-entrada).  

Ingressos à venda no "site" de vendas oficial - Plataforma EVENTIM – (com taxa de serviço) e na bilheteria física do Teatro (sem taxa de serviço).

Funcionamento da Bilheteria: 4ª feira, das 12h às 18h; de 5ª feira a domingo, a partir das 15h, até 30 minutos após o início do espetáculo.

Classificação Etária: 14 anos. Menores, a partir de 10 anos, entram acompanhados dos pais ou responsáveis. Crianças até 1 ano e 11 meses têm direito à gratuidade, permanecendo no colo do responsável.

Duração: Cerca de 150 minutos (com intervalo).

Gênero: Musical.


 




 

Um espetáculo desta envergadura, que EU RECOMENDO A PESSOAS DE QUALQUER IDADE, só consegue ser erguido graças à Lei Rouanet, a Lei de Incentivo à Cultura. Leia-se: Ministério da Cultura e Governo Federal.

 

 




 

 




FOTOS: STEPHAN SOLON

E

CAIO GALLUCCI.

 

 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!














































































































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