“FAFÁ DE BELÉM,
O MUSICAL”
ou
(ALEGRIA, BELEZA E EMOÇÃO RESUMEM TUDO.)
Acho que a idade é a grande responsável,
além das decepções que a vida nos reserva (é do jogo), mas o fato
é que venho me tonando, a cada dia, mais cético, de uma forma
geral, e isso, logicamente, também se estende ao TEATRO.
Recebi
convite para assistir ao espetáculo “FAFÁ DE BELÉM, O MUSICAL”, em
cartaz no Teatro Riachuelo do Rio de Janeiro, numa
temporada “razoável” – poderia ser bem maior - de
quase dois meses, o que já é ótimo, nos dias de hoje, e confesso que, apesar da magnífica
FICHA TÉCNICA da peça, fui, já bastante “escolado”, com a
melhor das expectativas, mas, também, com uma “pontinha de dúvida”.
Apesar de reconhecer o talento e a riquíssima e bem construída trajetória da
homenageada, perguntava-me, sem o menor pudor de um "São Tomé", se Fafá de Belém valeria mesmo um
musical, se seria merecedora de uma dramaturgia que a colocasse no centro das
atenções, e confesso que bastou a cena de abertura da peça, para eu me render e me arrepiar e já ficar convencido de que tinha valido muito a pena o meu
deslocamento até aquele Teatro.
“FAFÁ
DE BELÉM, O MUSICAL” é das coisas mais alegres, belas e emocionantes que já vi
nos últimos tempos, uma produção impecável, que, em quase
três horas de duração, só faz arrancar aplausos de uma plateia que se
sente recompensada por estrar naquela casa de espetáculos. Quase 180
minutos de puro entretenimento da melhor qualidade: alegria,
beleza e emoção.
Quanto
a ser merecedora de um musical em torno de si, cheguei à conclusão de que a
homenagem já deveria ter sido prestada há muito mais tempo, exatamente da forma
como é feita, principalmente pelo fato de que, além de ser lembrada,
obviamente, como uma grande artista, que, realmente, é, uma das melhores
intérpretes da Música Popular Brasileira, Fafá é valorizada
e reverenciada, muito merecidamente, na mesma proporção, ou mais até, como uma cidadã
“verdadeiramente de bem”, acima de qualquer suspeita, uma estupenda
figura humana, altruísta, sempre engajada nas grandes causas sociais e
simpática às mais importantes e necessárias reivindicações da massa.
SINOPSE:
Unindo
TEATRO musical, política, ecologia e memória
afetiva, “FAFÁ DE BELÉM, O MUSICAL” celebra cinco décadas de
trajetória da cantora, exaltando sua força artística e de cidadã brasileira.
O
espetáculo utiliza a linguagem do TEATRO musical, para narrar a
trajetória de uma das mais importantes cantoras da música brasileira.
A
jornada se inicia pela Floresta Amazônica, berço e cenário de
origem da artista.
Através
das lendas e mitos dos povos da floresta – indígenas, ribeirinhos,
marajoaras, entre outros-, é contada e cantada a saga de Fafá de
Belém, a “menina que veio do Norte”.
A
narrativa é construída em três planos: o presente, durante a
gravação de um documentário, em homenagem aos seus 50 anos de carreira,
no histórico Teatro da Paz, em Belém; o passado,
por meio das memórias da infância, em uma Belém lírica, marcada por
mitos e lendas amazônicas; e o futuro, a construção da carreira
da artista, da capital paraense para o mundo.
De saída, parabenizo JO SANTANA,
pela idealização do espetáculo e pela sua coragem em erguê-lo,
com total acerto e responsabilidade. Depois, estendo meus cumprimentos a GUSTAVO
GASPARANI e EDUARDO RIECHE, por, tão bem, terem traduzido, em palavras,
a homenagem a Fafá, por meio de um texto tão
vibrante, claro e completo, uma dramaturgia muito bem construída,
em dois momentos bem distintos, que não contempla uma mínima “barriga”. Quanto a GASPARANI, este merece parabéns em dobro, por conta da cirúrgica direção com que conduziu a montagem. O espetáculo traz a marca registrada de um dos melhores diretores de musicais deste país.
No primeiro ato, travamos
contato com as lembranças da infância de Fafá, misturadas a
lendas da região amazônica, como a do Cobra Grande, a do Boto
e a do Tamba-Tajá, narrando a trajetória da menina cabocla, que
saiu de Belém para conquistar o Brasil. A atmosfera
regional é marcada pelo coro “Carimbó-Siriá”, um coletivo de atores-músicos,
que acompanha as diferentes fases da cantora. É a parte do espetáculo em que
nos é dado conhecer sua relação familiar, cultural e religiosa, base de sua
identidade artística. Entre os destaques desse ato, estão a relação amorosa com
o músico Raul Mascarenhas, apresentada em paralelo com a lenda do Boto, e o Círio de Nazaré, extremamente emocionante, que culmina
no encontro de Fafá com o Papa. Vamos às lágrimas.
No
segundo ato, o clima se transforma: o regional amazônico dá lugar
à estética urbana da diva da MPB. Ficamos diante de uma Fafá
consagrada, como artista, politizada e dona do seu discurso. É nessa parte que
vemos a homenageada totalmente engajada no movimento das “Diretas Já”,
ressaltando a sua participação superlativa naquelas manifestações por todo o Brasil.
Outro momento marcante e bastante leve e descontraído é a homenagem de um grupo
de “drags”, interpretando sucessos “bregas” da
cantora, celebrando o apoio de Fafá à comunidade LGBTQIAPN+.
Temos, ainda, sua forte ligação com Portugal, incluindo uma cena
no Cassino Estoril, onde Fafá foi homenageada pelo
povo irmão português, além de outra em que o DJ Zé Pedro
entra, muito alegre, para colaborar na criação do álbum “Do Tamanho Certo
Para O Meu Sorriso”, inspirado no “tecno-brega” paraense,
reconectando Fafá às raízes de sua terra. Este segundo, e último,
ato traz, ainda, o sucesso mundial do remix de “Emoriô” e outras canções
que marcam o repertório, abusivamente eclético, da cantora, sem falar no
encerramento da peça, que não poderia ser mais apoteótico, levando a plateia à
loucura, ao som da emblemática toada “Vermelho”, do Boi
Garantido, de Parintins, uma das grandes paixões de Fafá
de Belém.
“VERMELHO” (BOI GARANTIDO)
(Chico da Silva - 1996)
A cor do meu batuque
Tem o toque e tem o som da minha voz.
Vermelho, vermelhaço, vermelhusco,
Vermelhante, vermelhão.
O velho comunista se aliançou
Ao rubro do rubor do meu amor,
O brilho do meu canto tem o tom
E a expressão da minha cor.
Vermelho!
Meu coração!
Meu coração é vermelho, hey, hey, hey!
De vermelho, vive o coração, ê-ô-ê-ô!
Tudo é Garantido após a rosa vermelhar,
Tudo é Garantido após o Sol vermelhecer.
Vermelhou o curral.
A ideologia do folclore avermelhou.
Vermelhou a paixão.
O fogo de artifício da vitória vermelhou.
Via de regra, os grandes musicais têm,
em comum, alguns pontos como a exuberância na cenografia, nos figurinos
e na iluminação, e este não foge à regra, representado por vários
cenários, magnífica obra de RONALD TEIXEIRA; múltiplos figurinos
encantadores, de CLAUDIO TOVAR, misturando cores, texturas e formas,
tudo harmoniosamente combinado, sem falar na exuberância dos bordados; e um desenho
de luz que valoriza e amplia toda a beleza em cena, trabalho impecável –
mais um – de PAULO CESAR MEDEIROS. Acresça-se, a toda essa
maravilha plástica, o trabalho de adereços, do aderecista
escultor GABRIEL BARROS.
Por
ser um musical, merecem destaque a corretíssima direção
musical, a cargo de MARCELO ALONSO NEVES, e a alegre e bem
desenhada coreografia, assinada por RENATO VIEIRA.
Tudo é potência neste espetáculo, e não seria o elenco
a destoar do quadro. São 14 estupendos artistas, para dar conta
de uma série enorme de personagens, visto que alguns se prestam a interpretar
vários papéis. Uma exceção é o trio de atrizes que dão vida a Fafá de Belém.
São elas LUCINHA LINS (dias atuais), HELGA NEMETIK (Fafá
cantora) e LAURA SAAB, neta de Fafá de Belém (Fafá menina),
esta uma bela adolescente, incipiente ainda, como atriz, como seria natural,
porém já demonstrando que é do ramo. Uma jovenzinha graciosa, que corresponde
às expectativas, na interpretação da avó. Mas são, como não poderia deixar
de ser, LUCINHA e HELGA as “cerejas do bolo”, que
brilham, com um turbilhão de luzes, nesta vitoriosa montagem. Ambas não se
utilizam da mimese para se aproximar da homenageada, porém trazem certas
marcas, na postura e na voz, que fazem com que nos lembremos de Fafá,
inclusive nas gargalhadas fartas, expressivas e espontâneas da artista. A
marca principal do elenco é a total equiparação de talentos entre todos, sem
exceções.
FICHA
TÉCNICA:
Idealização:
Jô Santana
Texto:
Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche.
Direção
Artística: Gustavo Gasparini
Pesquisa:
Rodrigo Faour
Elenco:
Lucinha Lins (atriz convidada), Helga Nemetik, Laura Saab, Ananda K, Clarah
Passos, Daniel Carneiro, Diego Luri, Fernando Leite, Gabriel Manitta, Keren
Silveira, Mona Vilardo, Naieme, Sérgio Dalcin e Thuca Soares
Músicos:
Maestro/Regência: Glauco Berçot, Bateria: Bruno Martins, Baixo: Didier Fernan, Percussão:
Fábio D´Lélis, Cordas: Frank Russo
Assistência
de Direção: Iléa Ferraz
Direção
Musical: Marcelo Alonso Neves
Assistência
de Direção Musical: Glauco Berçot
Coreografia:
Renato Vieira
Assistência
de Coreografia: Soraya Bastos
EQUIPE
DE CENOGRAFIA:
Cenografia:
Ronald Teixeira
Cenógrafo
Assistente: Pedro Stamford
Cenógrafo
Projetista: George Bravo
Aderecista
Escultor: Gabriel Barros
Cenotécnico:
GT Cenografia - Guilherme Tommasi
Assistente
de Cenografia e Cenotecnia: Ricardo Junior
EQUIPE
DE FIGURINO:
Figurinos:
Claudio Tovar
Assistentes
de Figurino: Paulo Raika e Rodrigo Cachoeira
Costureiros
(as): Marien Modas, Lugall e Dilan Jara
Iluminaçlão:
Paulo Cesar Medeiros
Desenho
de Som: Bruno Pinho e Paulo Altafim
Visagismo:
Beto Carramanhos
“Design” Gráfico da
Cenografia: Flavio Graff
EQUIPE
DE COMUNICAÇÃO:
Fotos
“still”: Leo Aversa
Fotos
de Cena: Nil Caniné (Fotógrafa Oficial)
“Design” Gráfico: DOROTÉIA
DESIGN: Adriana Campos, Flávia Pacheco, Pedro Cancelliero e Iara Moraes
“Marketing”: Edu
Santos
“Marketing” Cultural
e Parcerias: Gheu Tibério
Assistente
de “Marketing” Cultural e Parcerias: Paula Rego e Pedro Ribeiro
Assessoria
de Imprensa: Amigos Comunicação (Mauricio Aires e Rogério Alves)
“Clipping”: Top Clip
“Social Media”: Stace
Mayka
“Performance”: V2P
EQUIPE
DE PRODUÇÃO:
Direção
de Produção: Carmem Oliveira e Renato Araújo
Assistente
Produção: Thales Huebra
Estagiária
de Produção: Leticia Ribeiro
“Chef”: Osmar Ribeiro
Copeira
Ensaio: Lidiane Silva
EQUIPE
ADMINISTRATIVA:
Direção
Financeira e Leis de Incentivo: Janaína Reis
Assistente
Administrativo: Marcela Lima
JURÍDICO
E CONTABILIDADE:
Assessoria
Jurídica: FRANCEZ ADVOGADOS – Andrea Francez, Myrna Malanconi e João Pedro
Batista
Contabilidade:
Yara Brasil
EQUIPE
TÉCNICA:
Direção
Técnica: Ricardo Santana
Maquinista:
Kadu Carvalho
Contrarregra:
Bubu
Peruqueira
Chefe: Raquel Reis
Peruqueiro:
Vandinho Cardin
Camareiros
(as): Ligia Silva, Alessandra Persan e Paulo Raika
Operador
de Som: Jeff Almeida
Microfonista:
Michael de Alexandria
Operador
de Luz: Ale Farias
Fisioterapia:
CTDJ - Centro de Terapias Debora Jardim
Produção:
Charge Produções e Fato Produções
SERVIÇO:
Temporada:
De 15 de janeiro a 08 de março de 2022.
Local:
Teatro Riachuelo.
Endereço:
Rua do Passeio, n.º 38/40, Centro, Rio de Janeiro.
Dias
e Horários: 5ª e 6ª feira, às 20h; sábado e domingo, às 17h.
OBSERVAÇÃO: NÃO HAVERÁ APRESENTAÇÕES NOS DIAS DE CARNAVAL.
Capacidade
de Lotação: 999 lugares.
Valor
dos Ingressos: Plateia VIP: R$ 200 (inteira) / R$ 100 (meia-entrada); Plateia:
R$ 180 (inteira) / R$ 90 (meia-entrada); Balcão Nobre: R$ 100 (inteira) / R$ 50
(meia-entrada); Balcão Simples: R$ 40 (inteira) / R$ 20, (meia-entrada).
Vendas
na Bilheteria do Teatro (sem taxa de serviço) ou no “site” www.ingresso.com (com taxa de serviço.
Horário
de Funcionamento da Bilheteria do Teatro: De 3ª feira a sábado, das 14h às 19h.
Em dia de
espetáculo,
das 14h até o horário de início da sessão.
Classificação
Indicativa: 12 anos.
Gênero:
Musical.
Não que seja meu desejo – muito pelo
contrário -, mas é impossível esquecer este espetáculo,
das coisas mais positivas a que assisti nos últimos tempos, por toda a sua
complexa e muito bem desenvolvida estrutura e pelos valores positivos que o
musical passa ao público. De certo, voltarei a assistir a ele. Dispensável
seria dizer que RECOMENDO, COM O MAIOR
EMPENHO, “FAFÁ DE BELÉM – O MUSICAL”.
FOTOS: NIL CANINÉ
(Fotos Oficiais.)
(E algumas extraídas de
Redes Sociais.)
GALERIA PARTICULAR:
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!
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