quinta-feira, 21 de março de 2019



PRÊMIO
DO
HUMOR
2019 – RJ


(UMA BRILHANTE IDEIA,
UMA CELEBRAÇÃO À VIDA,
UMA REVERÊNCIA
AOS HUMORISTAS BRASILEIROS
E
UMA JUSTA HOMENAGEM
A BERTA LORAN.)





 

            Realizou-se, na noite de anteontem, 19 de março de 2019, no salão da Tribuna C do Jockey Clube Brasileiro, a terceira versão do PRÊMIO DO HUMOR – 2019 – RJ, uma brilhante ideia de FÁBIO PORCHAT. É muito importante lembrar que esta é a única premiação de TEATRO em que somente espetáculos de COMÉDIA concorrem. Um dos fatos que motivaram FÁBIO a criar o “PRÊMIO” foi a constatação de que, raramente, em outras premiações as COMÉDIAS são “lembradas”. Fica uma impressão – minha – de que esse gênero acaba merecendo um tratamento diferenciado, por parte de quem aponta os premiados. Como se não houvesse tantos espetáculos de COMÉDIA credenciados a ganhar prêmios...







            Para escrever este artigo, além do meu testemunho ocular e das minhas anotações, contei com um “release”, enviado por LIÈGE MONTEIRO e LUIZ FERNANDO COUTINHO, que prestaram assessoria de imprensa ao evento, sempre com grande competência profissional.



Liége Monteiro e Luiz Fernando Coutinho.


            Louvo, profundamente, a iniciativa de PORCHAT, que, sem qualquer patrocínio, banca o “PRÊMIO”, com recursos próprios, desde quando, a partir de um determinado momento, partiu para uma ação e uma reação, ao mesmo tempo, ou em ordem contrária. Até então, todos sabemos que, infelizmente, por total ignorância, a maioria das pessoas considera a COMÉDIA uma “arte menor”; o HUMOR, portanto, fica sendo algo sem muito valor, de pouca importância e relevância nas nossas vidas, quando é, exatamente, o contrário. Sem HUMOR, não há vida. E todos os profissionais que fazem o BOM HUMOR e tiram dele seu sustento merecem o nosso total respeito e admiração, para o que, FÁBIO, com sua iniciativa, chama a atenção de todos, público e imprensa.

            Quanto ao fato de ser considerada “arte menor”, a COMÉDIA, nada pode ser mais absurdo, uma vez que, muito ao contrário do que se pode pensar, fazer rir é muito difícil, para quem escreve e para quem representa. Muito mais do que provocar o choro. E, para fazer HUMOR, a pessoa já nasce predestinada, vocacionada, porque muitos tentam, mas nada é mais constrangedor e irritante do que uma pessoa sem-graça querendo ser engraçada.







            Tão importantes são o saber fazer rir e o saber achar graça, que resolvi garimpar algumas frases e pensamentos acerca disso.

O grande dramaturgo do TEATRO do Absurdo Eugène Ionesco cunhou a seguinte frase: "Onde não existe HUMOR, não existe humanidade. Onde não há HUMOR, há um campo de concentração".

Na visão do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, "HUMOR não é um estado de espírito, mas uma visão do mundo.".

O mestre Charles Chaplin nos legou esta frase: "Através do HUMOR, nós vemos, no que parece racional, o irracional; no que parece importante, o insignificante. Ele também desperta o nosso sentido de sobrevivência e preserva a nossa saúde mental."

O escritor norte-americano Mark Twain é autor de uma pérola de frase: "O bom HUMOR é essencial, o que nos salva. No minuto em que surge, toda nossa irritação e ressentimento somem, cedendo lugar a um espírito radiante."

Se ficarmos pelo Brasil, podemos refletir sobre quatro boas afirmações que tratam do HUMOR. Do Barão de Itararé, o sarcástico jornalista Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (O nome já soa como uma piada.): "Senso de HUMOR é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva, se acontecesse com você.". De Miguel Falabella: “Fazer COMÉDIA não é uma escolha. Cada um vê o mundo de uma maneira. Eu o vejo com HUMOR.”. De Ney Latorraca: “O HUMOR é uma arma para falar as verdades.”. E, finalmente, do mestre dos mestres, Chico Anysio: “O HUMOR minimiza a crise, o drama, o problema. O povo ri de sua própria desgraça.”.

            O ator Antônio Banderas diz que HUMOR é sinal de inteligência.”, com o que concordo plenamente. O ator, de uma forma geral, até, pode ser um pouco desprovido de inteligência. O ator HUMORISTA nunca! O redator HUMORISTA jamais! Quem faz o bom HUMOR em tempo nenhum!!!

            Mas voltemos a falar do “PRÊMIO DO HUMOR”.

Tendo atingido o sucesso logo na sua primeira versão, há três anos, no Rio de Janeiro, PORCHAT estendeu a premiação a São Paulo, onde aconteceu, na semana passada, sua primeira edição. Sempre há a escolha de alguém para ser homenageado. Este ano, em São Paulo, a honraria coube a Jô Soares, enquanto, no Rio, a homenagem foi prestada à atriz BERTA LORAN, às vésperas de completar 93 anos de vida.

Um pouco sobre a homenageada BERTA LORAN: Nascida em Varsóvia, Polônia, em 26 de março de 1926, judia, mudou-se para o Brasil, com a família, em 1939, antes da invasão alemã. Estreou no cinema, como atriz, no Brasil, em 1955. Era a época das chanchadas brasileiras. E ela se tornou comediante, pois foi o que fez melhor a vida inteira. Quem a encaminhou foi Watson Macedo, e o filme foi "Sinfonia Carioca”. Fez mais dois filmes, logo a seguir: “Papai Fanfarrão” e “Garotas e Samba”, ambos dirigidos por outro grande nome do cinema nacional, Carlos Manga. Na década de 60, fez o programa: "Oh! Que Delícia de Show”, no qual se apresentou em um espetáculo memorável, com Cy Manifold. Era um dueto de sapateado. Depois, DONA BERTA (É assim que trato as divas.) entrou para a televisão, fazendo grandes programas humorísticos, como "Balança, Mas Não Cai”, "Planeta Dos Homens”, "Escolinha Do Professor Raimundo” e "Zorra Total”. Trabalhou, ainda, em "Satiricom”, "Viva O Gordo”, “Humor Livre” e "Estados Unidos De Chico City”, todos grandes sucessos de audiência, que marcaram o HUMOR na televisão brasileira. Em 1984, surpreendeu o público e a crítica, com sua “performance” de atriz, em "Amor Com Amor se Paga”, novela de Ivani Ribeiro, em que fez dobradinha histórica com Ary Fontoura. Participou, ainda, da minissérie "Chiquinha Gonzaga” e das novelas "Torre de Babel” e “Ciranda de Pedra” (2008); e das novelas “Cama de Gato” (2009) e "Cordel Encantado" (2011). Em cinema, fez mais de quinze filmes, tendo começado em 1955, como já foi dito. O mais recente longa-metragem de que participou foi “Canta Pra Subir”, ano passado, COMÉDIA assinada por Caroline Fioratti. A atriz sempre fez muito sucesso, pois suas atuações marcaram um estilo próprio e ganharam o respeito do público.












O “PRÊMIO DO HUMOR” abarca cinco categorias, que passo a enumerar, na ordem em que foram anunciadas, com os nomes dos indicados e seus respectivos vencedores, destacados em vermelho:

MELHOR TEXTO: HENRIQUE FONTES e PABLO CAPISTRANO, por “A INVENÇÃO DO NORDESTE”; Leandro Muniz, por “A Vida Não É um Musical — O Musical”; Pedro Brício, por “O Condomínio”; e Zéu Britto, por “Delírios da Madrugada”. A entrega do troféu foi feita por Luiz Fernando Guimarães, uma atração à parte, na cerimônia.



(Foto: Alexandre Pomazali.)



(Foto: Alexandre Pomazali.)



CATEGORIA ESPECIAL: FABIANO KRIEGER, pelas músicas da peça “A VIDA NÃO É UM MUSICAL – O MUSICAL”; Miguel Falabella, pela adaptação, em versos, da peça “Mordidas”; e Zéu Britto, pelas músicas da peça “Delírios da Madrugada”. Quem entregou o troféu, e divertiu muito a plateia, foi Nany People, com seu humor inteligente e suas ágeis improvisações.







(Foto: Alexandre Pomazali.)



MELHOR DIREÇÃO: João Fonseca e Leandro Muniz, por “A Vida Não É um Musical — O Musical”; QUITÉRIA KELLY, por “A INVENÇÃO DO NORDESTE”; e Pedro Brício e Alcemar Vieira, por “O Condomínio”. Foi um dos momentos mais emocionantes da festa, uma vez que quem foi convidado para entregar o troféu foi um grande mestre do TEATRO e do HUMOR, especificamente, Amir Haddad, que fez um lindo e comovente discurso, tendo sido ovacionado e reverenciado por todos os presentes.



(Foto: Alexandre Pomazali.)



MELHOR PERFORMANCE: Daniela Fontan, por “A Vida Não É um Musical — O Musical”; Isabelle Marques, por “Tô de Graça”; Izabella Van Hecke, por “Super Moça”; Marcelo Nogueira, por “A Vida Não É um Musical — O Musical”; Mateus Cardoso, por “A Invenção do Nordeste”; PEDROCA MONTEIRO, por “O Condomínio”; Rodrigo Sant’Anna, por “Tô de Graça”; e Zéu Britto, por “Delírios da Madrugada”. O troféu foi entregue por Jefferson Schroeder, vencedor, nessa mesma categoria, no ano anterior.



(Foto: Alexandre Pomazali.)



Foto: Alexandre Pomazali.)



MELHOR ESPETÁCULO: “O Condomínio”; “Delírios da Madrugada”; “A INVENÇÃO DO NORDESTE”; e “A Vida Não É um Musical — O Musical”. Para entregar o troféu, foi chamado ao palco o ator Pedro Paulo Rangelum dos ídolos de PORCHAT,  Pepê, como, carinhosamente, é chamado, pelos amigos o ator, também nos brindou com lindas palavras sobre a profissão que abraçou e sua importância para uma vida saudável e harmônica.



(Foto: Alexandre Pomazali.)



(Foto: Luiz Maurício Monteiro.)



Para finalizar a cerimônia, a premiação de GRANDE HOMENAGEADA da noite a uma das mais dignas e antigas representantes femininas no HUMOR: BERTA LORAN, a qual, ainda que visivelmente emocionada, pela homenagem, divertiu-nos, à larga, contando uma sequência de piadas, que arrancaram muitas gargalhadas dos presentes. A entrega do troféu coube a duas grandes atrizes HUMORISTASHeloisa Perissé e Maria Clara Gueiros, velhas amigas, as quais, em discursos breves e bastante emotivos, embora leves, homenagearam os grandes mestres do HUMOR da emblemática “Escolinha do Professor Raimundo”, um dos clássicos do HUMOR, na TV brasileira, programa por meio do qual seu idealizador e condutor “âncora” do HUMORÍSTICOChico Anysio, homenageava os grandes nomes do HUMOR brasileiro, os veteranosiniciado no rádio, oferecendo-lhes um emprego digno e a oportunidade de serem conhecidos e admirados por gerações mais novas.



(Foto: Alexandre Pomazali.)






O grande vencedor da noite foi o espetáculo "A INVENÇÃO DO NORDESTE", indicado em quatro, das cinco categorias, e vencedor em três delas.

O júri do “PRÊMIO DO HUMOR – 2019 – RJ é formado por Aloísio de Abreu, Cláudio Torres Gonzaga, Bemvindo Sequeira, Sura Berditchevsky e Rafael Teixeira.

Foi uma noite divertidíssima e inesquecível, por tudo de bom que a festa nos ofereceu: a alegria de encontrar tantos amigos e fazer novas amizades; a delícia das comidas e bebidas servidas; o animado DJ, que nos “obrigava”, praticamente, a correr para a pista de danças; a generosidade de FÁBIO PORCHAT, que recebia cada um dos convidados com um sorriso largo e que demonstrou, do início ao fim da festa, uma felicidade contagiante; e, sobretudo, o “PRÊMIO” em si, por sua existência e importância.

E, parafraseando o velho, saudoso e bom Dorival Caymmi, quem não gosta de HUMOR bom sujeito não é.



(FOTOS OFICIAIS - sem legenda: 
RICARDO CASSIANO.)




E VAMOS AO TEATRO!!!

OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO DO BRASIL!!!

A ARTE EDUCA E CONSTRÓI!!!

RESISTAMOS!!!

E VIVA O HUMOR E OS HUMORISTAS!!!

COMPARTILHEM ESTE TEXTO, PARA QUE, JUNTOS,
POSSAMOS DIVULGAR O QUE HÁ DE MELHOR NO
TEATRO DE COMÉDIA BRASILEIRO!!!




GALERIA PARTICULAR:


Mais feliz que pinto no lixo 
ou 
político brasileiro que sempre consegue se livrar da cadeia.


Com o anfitrião FÁBIO PORCHAT, em plena pista de dança. 
(Selfie feita pelo FÁBIO.)



Foto oficial, registrada e oferecida pela produção do evento. 
Com meus amigos Wagner Corrêa de Araújo e Alexandre Pomazali.



Com o querido amigo Marcelo Nogueira.


Com a querida amiga Daniela Fontan.



OBSERVAÇÃO: estou aguardando fotos da entrega dos prêmios, para adição.




































































































terça-feira, 19 de março de 2019


MENINES
(LÚDICO, DE LUDUS = JOGO;
OU LUDES, NÃO NUDES.
ou
VAMOS “BRINCAR”
DE FALAR DE GÊNERO?)




            Em tempos sombrios, de polarização radical, quando tentam que nos curvemos a uma ditadura social, retrógrada, como, aliás, é toda ditadura, chegando ao extremo absurdo de tentar nos impor que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”, o TEATRO, que sempre salvou, salva e continuará salvando, lutando contra os mais poderosos inimigos, surge, com alguns espetáculos, para tratar de assuntos muito importantes, ligados à causa LGBT+, como um grito de alerta e uma forma de resistência a essa hipocrisia de uma parte da sociedade, que insiste em que os que pertencem àquele universo (LGBT+) são pessoas inferiores, “do mal”, e não seres humanos, como todos somos, cidadãos, que pagam seus impostos e têm seus direitos, e que, portanto, merecem todo respeito, de todos, simpatizantes ou não da causa.






            A peça motivo desta crítica é “MENINES” e estreou, recentemente, para uma curtíssima temporada, no Teatro FIRJAN SESI Centro (VER SERVIÇO.).

         O texto é da consagrada dramaturga MARCIA ZANELATTO, que também dirige a montagem, junto com CESAR AUGUSTO, outro bom diretor e ator, com quem MÁRCIA já vem mantendo uma vitoriosa parceria faz um bom tempo.




Por meio de, exatamente, seis esquetes, carregados de humor e leveza, com forte apelo lúdico, a autora explora o atrito entre afetos e tabus num mundo balizado pelo binarismo, através de cenas curtas – casuais, porém reveladoras –, que se passam entre enamorados, como em “ROMIET E JULIEU”; entre amigos, como em “CASAL GRÁVIDO”; entre pais e filhos, como em “NO ARMÁRIO” e “EM FAMÍLIA”; diante de autoridades, como em “EXPLIQUE-SE”. Na cena “DRAG”, o espetáculo faz uma homenagem a Shakespeare que, segundo estudiosos, teria inventado esta palavra (DRAG), ao usá-la como sigla para a rubrica “DRESSED AS A GIRL” – em português, “VESTIDO COMO UMA GAROTA”, como consta no “release”, enviado por JSPONTES COMUNICAÇÃO (JOÃO PONTES e STELLA STEPHANY).








SINOPSES:

ROMIET E JULIEU”: O enamoramento entre duas pessoas não-binárias, aquelas cuja identidade de gênero não é nem inteiramente masculina nem inteiramente feminina, revela a beleza do amor acima de qualquer tabu.

EM FAMÍLIA”: Uma mãe "paternal" e um pai "maternal" estão às voltas com seus filhos, um menino superprotegido e uma menina empoderada, liberando a filha e prendendo, em casa, o filho. contrariando o “natural”.

CASAL GRÁVIDO”: Dois casais se encontram para um jantar. Um dos casais está grávido e a barriga está… no homem. Ainda assim, os quatro têm que lutar muito, para tentar se livrar dos grilhões das convenções binárias, que se revelam na escolha das cores do enxoval do bebê. (NOTA: Este texto foi escrito em 2016, bem antes do recente episódio público, ocorrido acerca das cores “apropriadas” para meninos e meninas).

DRAG”: Um certo SR. WILLIAM e uma certa trupe de TEATRO estão às voltas com um problema de época: a Lei do Pudor, que, durante a Inglaterra do Século XVII, proibiu que mulheres subissem aos palcos. O primeiro ator da trupe discorda sobre a estratégia do autor, para driblar a lei: fazer com que atores homens se vistam de mulher.

NO ARMÁRIO”: LUCA tem um mundo mágico, porém secreto: o armário de sua mãe, no qual vive trancado e de onde a mãe quer que ele saia. Comovidos com os conflitos de LUCA sobre “que peças do vestuário pode ou não usar”, em dado momento, o SAPATO DE SALTO e a PERUCA resolvem contar-lhe suas próprias e verdadeiras histórias.

 EXPLIQUE-SE”: Num interrogatório surreal, PEDRO se vê diante da possibilidade de ser acusado de ter cometido um crime mais surreal ainda. As autoridades em vigor acabam de determinar que só se pode comer laranjas em cubos e não admitem que PEDRO possa gostar de chupar laranjas.

           






O texto foi escrito sob encomenda, o que MARCIA já fez outras vezes, e sempre muito bem, para o projeto “Conexões de Fomento à Dramaturgia Jovem”, criado pelo National Theatre / Londres, no qual a querida dramaturga, para orgulho nosso, foi premiada, recentemente, como autora e realizadora, pelo International Brazilian Press Awardna categoria Perfomance Arts, pela ocupação “Brazil Diversity – LGBT+ short plays”, no Theatre503, em Londres / Inglaterra, 2018.

ISSO JÁ É UMA BOA CREDENCIAL, PARA QUE SE ASSISTA À PEÇA AQUI ANALISADA.

Além disso, MARCIA vem escrevendo seu nome no exterior, já tendo participado de debates internacionais (Women Playwrights International Conference / Chile, 2018; Female Voices from Brazil, Martin E. Segal Center Theatre, Nova York, 2018; Pen Word Voices, Martin E. Segal Center Theatre, Nova York, 2017; Outburst Queers Arts Festival / Irlanda do Norte, 2017; Birth Debate, Royal Exchange Theatre / Inglaterra, 2016) e outros fóruns ligados à causa LGBT+.

“MENINES” é um texto inédito, que costura seis esquetes, ainda que independentes, mas voltados para a mesma temática, todos em cenas curtas e com muito dinamismo, já no corpo da escrita, ampliado pelo trabalho de direção. “Com ‘MENINES’, eu percebi que é preciso sonhar e lutar por um futuro melhor”, diz CESAR AUGUSTO, diretor convidado por MARCIA ZANELATTO. São esquetes muito bem humorados, que montam um jogo de desconstruir certezas e provocar novas perguntas”.




            Segundo a autora e codiretora, MENINES é uma brincadeira de dar três voltas em tornos das convenções binárias, rindo. Nada resiste ao riso, confio nele para nos dizer para onde o mundo deve ir. Nunca é demais lembrar que, através do humor, chega-se, mais facilmente, à crítica. O espectador ri e reflete, em seguida, sobre o que o motivou a achar graça de algo que, no fundo, é muito sério. Acho que um dos maiores méritos do espetáculo reside no humor e na leveza do texto, nas boas soluções encontradas pela direção e no elenco de jovens e talentosos atores, os quais, além de interpretar, cantam, dançam e, alguns, tocam instrumentos musicais. Trabalho completo.

            Quer em cenas nas quais se destacam mais, como “protagonistas” (Não se pode falar em “protagonismo”, propriamente dito, nesta peça.), quer em trabalhos em conjunto, todos os atores demonstram talento e estar muito conscientes de suas funções no espetáculo. Além se SIMONE MAZZER, atriz e cantora, das boas, especialmente convidada para esta temporada de lançamento da peça (Espero que jamais deixe o elenco.), todos merecem destaque: (em ordem alfabética) AGNES LOBO, BRUNO MARIA TORES, ELISA CALDEIRA, IAN BELISÁRIO, MAÍRA GARRIDO, PEDRO MARQUEZ e ZANE. “O elenco, escolhido nas peças das novas gerações e nas salas das escolas de TEATRO, coloca em cena um grupo de novos talentos de 20 a 25 anos, o que renova, também, a plateia do TEATRO carioca, dando voz e representatividade a uma geração que, raramente, vê suas questões nos palcos profissionais.”.









            Pela sucessão dos (Ou das; prefiro o vocábulo no masculino.) esquetes, vamos aos destaques:

            “ROMIET E JULIEU” – Uma excelente ideia de inverter os papéis, para abordar o amor do amantes de Verona. Se viva, ainda, fosse, talvez, uma determinada senhora, crítica afamada, profunda conhecedora e admiradora da obra do bardo inglês, ficasse chocada. Ou não. ROMIET é vivido por PEDRO MARQUEZ (excelente ator, com um ótimo “timing” para o humor) e o papel de JULIEU cabe a AGNES LOBO, também em boa atuação. Há, na cena, um toque de deboche, “do bem”, uma sátira muito bem feita às convenções estabelecidas pela sociedade, que não se diferenciam muito, as daquela época, das de hoje.








            “EM FAMÍLIA” é outra ideia sensacional. Talvez seja a minha cena preferida. A inversão dos papéis e das situações é o ponto alto da cena, nas quais os dois casais de atores têm um rendimento totalmente nivelado; para cima. O pai, BRUNO MARIA TORRES, comporta-se como a mãe, e esta, vivida por MAÍRA GARRIDO, age como um pai, tradicionalmente falando. Ambos impõem cortes às asas do filho (ZANE), não o liberando para as “baladas”, com a justificativa de que “é muito perigoso” – o “menino” pode se perder” ou “ser, facilmente, “corrompido” pelas meninas – (mais a mãe), ao mesmo tempo que “liberam geral” a filha (ELISA CALDEIRA). O lema da mãe, diante do empoderamento da filha, é “Prendam seus bodes, que a minha cabra está solta!”, numa “subversão” total quanto ao que dizem os pais (homens) machistas.






“CASAL GRÁVIDO” – Também bastante interessante, este esquete apresenta, logo de cara, o insólito de, num casal, quem está, literalmente, “de barriga” é o pai. Entre eles, gira uma acalorada discussão acerca de ir contra os padrões estabelecidos, as convenções sociais a respeito do que pode ou não pode um menino e uma menina, o que cabe, ou fica melhor, a um e a outro. Chega às raias do patético, provocando muitas gargalhadas na plateia. O destaque maior vai para as cores que as crianças devem vestir: azul, para meninos, e rosa, para meninas. O curioso é que a cena é atualíssima, ainda que tenha sido escrita antes de uma certa senhora, que ocupa um ministério, neste (DES)governo federal pífio, de chanchada (de terror), ter apresentado, sua opinião, sua “tese”, catastrófica, sobre o assunto, em ampla divulgação, no Brasil e no exterior, para a nossa vergonha do alheio. Achei genial a ideia de chamar o grávido, PEDRO MARQUEZ, de PÃE e AGNES LOBO, a mulher do casal, de MAI. Além deles, estão, nesta cena, IAN BELISÁRIO (ELE) e ELISA CALDEIRA (ELA).

“DRAG” pega o espectador, aquele que é apaixonado pelo TEATRO, pela emoção e pela afetividade, pois põe em cena um personagem, um certo SENHOR WILLIAM, facilmente identificado, por um adereço, uma gola, como Shakespeare, um mito, um gênio da dramaturgia universal de todos os tempos, e faz alusão a um fato real, “de certa forma”, já abordado num excelente filme, “Shakespeare Apaixonado”, título com o qual foi batizada, no Brasil, a película britano-estadunidense, de 1998, “Shakespeare in Love”, indicado a vários prêmios e vencedor de muitos. Era vedado a mulheres atuar no TEATRO e, caso houvesse lugar para uma personagem feminina, coisa rara, o papel deveria ser feito por um homem, devidamente caracterizado de mulher. (Releia os primeiros parágrafos desta crítica e a sinopse.). BRUNO MARIA TORRES, em excelente interpretação, é o SENHOR WILLIAM; os atores da companhia são AGNES LOBO, PEDRO MARQUEZ, MAÍRA GARRIDO e ZANE, este o ator que se recusa a se travestir.


















“NO ARMÁRIO” é uma cena muito criativa, em que o jovem LUCA (ELISA CALDEIRA), metaforicamente, nega-se a “sair do armário”, por não saber o que vestir, no que é pressionado por um SAPATO DE SALTO (MAÍRA GARRIDO) e por uma PERUCA (SIMONE MAZZER), ícones da padronização de um travesti, que “dialogam” com o personagem indeciso. É bem interessante ver o comportamento de alguém diante do medo de se assumir “gay” e de como seria a reação da sociedade em que vive, a começar pela família.






 “EXPLIQUE-SE” – cena totalmente construída sobre uma metáfora, é bem interessante e muito bem escolhida, para encerrar o espetáculo. Por trás do surreal que o esquete apresenta, está a cobrança social, a não-aceitação do diferente, que não se encaixa nos padrões de gênero estabelecidos pela sociedade, a “punição” a quem “sai da caixinha”, a quem prefere “chupar” laranja a “comer” a fruta. Não é preciso desenhar; é?. É preciso, sim, ir logo ao Teatro FIRJAN SESI Centro, para assistir ao espetáculo.

A direção da peça optou por um palco livre e poucos elementos cenográficos: ao fundo, alguns instrumentos musicais; tapadeiras de fitas largas, ao fundo e dos lados; uma pequena escadaria; uma arara de roupas; uma bola de pilates e um ou outro material de cena. Esse é o resumo cenográfico, idealizado por CESAR AUGUSTO e BELI ARAÚJO.

A iluminação, de ADRIANA ORTIZ, os figurinos, de MARIA DUARTE, e o visagismo, de MÁRCIO MELLO / ESPAÇO RIO e BRUNO MARIA TORRES, jogam a favor da montagem.

LAVÍNIA BIZOTTO faz um simples e bom trabalho de direção de movimento, trazendo frescor à peça, e a direção musical, a cargo de LUIZA TOLEDO e MAIRA GARRIDO, também agrega valores ao espetáculo. Vale a pena lembrar que as canções da trilha sonora são originais, compostas por alguns dos atores, como consta na ficha técnica, assim como MARCIA ZANELATTO aproveitou dois poemas incidentais, no texto, também presentes da ficha técnica.








FICHA TÉCNICA:

Texto: Marcia Zanelatto
Direção: Cesar Augusto e Marcia Zanelatto
Diretor Assistente: Pedro Uchôa
Consultoria Intelectual: Prof. Guilherme Almeida

Elenco (em ordem alfabética): Agnes Lobo, Bruno Maria Torres, Elisa Caldeira, Ian Belisário, Maíra Garrido, Pedro Marquez e Zane
ATRIZ CONVIDADA: Simone Mazzer

CENA / TERSONAGEM / ATOR / ATRIZ:

ROMIET E JULIEU”: Romiet – Pedro Marquez; Julieu – Agnes Lobo

EM FAMÍLIA”: Pai – Bruno Maria Torres; Mãe – Maíra Garrido; Irmã – Elisa Caldeira; Irmão – Zane

CASAL GRÁVIDO”: Mai – Agnes Lobo; Pãe – Pedro Marquez; Ele – Ian Belisário; Ela – Elisa Caldeira

NO ARMÁRIO”: Luca – Pedro Marquez / Elisa Caldeira; Sapato de Salto - Maíra Garrido; Peruca - Simone Mazzer

EXPLIQUE-SE”: Pedro – Zane; Norma - Pedro Marquez; Guerra - Bruno Maria Torres

DRAG”: William – Bruno Maria Torres; Paul Grahan – Zane; Trent Douglas – Agnes Lobo; Roger Briggs – Pedro Marquez; John Pack – Maíra Garrido

Poemas incidentais: TRANSORAÇÃOde Bruno Maria Henríquez; QUEBRA-CABEÇASde Ian Belisário
Músicas: PODE AMAR, letra e música de Maíra Garrido;TRANS-ORAÇÃOletra de Bruno Maria Torres e música de Maíra Garrido; DESARMÁRIOletra e música de Maíra Garrido; COMO EU QUISER, letra e música de Isadora Cecatto e Maíra Garrido; RITO, letra de Bruno Maria Torres e música de Maíra Garrido
Direção Musical: Luiza Toledo e Maíra Garrido
Espaço Cênico: Cesar Augusto e Beli Araújo
Iluminação: Adriana Ortiz
Figurinos: Maria Duarte
Direção de Movimentos: Lavínia Bizzotto
Visagismo: Marcio Mello / Espaço Rio e Bruno Maria Torres
Programação Visual: Thiago Ristow
Fotos: Renato Mangolin
Vídeo e “Teasers”: Bruna Leal
Conteúdo para Transmídias: Bruna Leal e Marcia Zanelatto
Mídias Sociais: Marina Rattes
Assistência de Produção: Glauco Deris
Produção Executiva: Renata Campos
Direção de Produção: Juliana Mattar
Idealização: Marcia Zanelatto
Realização: Transa Arte e Conteúdo
Apoio Cultural: Teatro Firjan Sesi
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany










SERVIÇO:

Temporada: De 14 de março a 14 de abril de 2019.
Local: Teatro FIRJAN SESI Centro.
Endereço: Avenida Graça Aranha, nº 1 – Centro – Rio de Janeiro.
Telefone: (21) 2563-4163.
Dias e Horários: De 5ª feira a sábado, às 19h; domingo, às 18h.
Valor dos Ingressos: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia entrada).
Classificação Indicativa: 14 anos.
Duração: 70 minutos.
Gênero:Comédia. 








A encenação de ‘MENINES’ busca a estética da expressão corporal no século XXI, em que os papéis atribuídos a meninos e meninas se renovam e se fundem nos espaços de trabalho, de estudo e de lazer; nas ruas e nas casas. ‘MENINES’ é um espetáculo feito por jovens, para todas as plateias, e pretende ser uma celebração da alegria de ser e de viver.

Acho que os objetivos da peça são alcançados e ela deverá fazer uma boa temporada.

Recomendo-a e espero que a divulgação “de boca em boca” consiga lotar o Teatro FIRJAN SESI Centro, uma vez que são muito parcos os recursos da produção, para a divulgação deste bom espetáculo na grande mídia.



 



FOTOS: RENATO MANGOLIN.)


E VAMOS AO TEATRO!!!

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A ARTE EDUCA E CONSTRÓI!!!

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TEATRO BRASILEIRO!!!