“2º FESTIVAL
DE TEATRO
DO RIO DE JANEIRO”
“COMO UM PALHAÇO
- LIKE A CLOWN”
ou
(UMA ADORÁVEL
DESCONSTRUÇÃO
E UMA DELICIOSA
EXPERIÊNCIA.)
Em 2025, um espetáculo
ocupou a Arena do SESC Copacabana e outros espaços, no Rio
de Janeiro, arrebanhando um grande público e conseguindo muitos
aplausos e a aprovação dos espectadores, por sua enorme qualidade, pelo
estupendo trabalho de uma dupla de exímios artistas e pelo grande diferencial,
em termos de TEATRO, que ele apresentava. O evento em questão
chamava-se “COMO UM PALHAÇO - LIKE A CLOWN”, ao qual eu, muito
lamentavelmente, por um excesso de compromissos à época, não consegui assistir,
o que me deixou extremamente aborrecido. Quis, porém, o destino (Ou teriam
sido os DEUSES DO TEATRO?) que, em abril deste ano da graça de
2026, o espetáculo se apresentasse no “34º Festival de
Curitiba”, inserido na principal mostra - “Mostra Lúcia Camargo”
-, convidado que fora para aquele grande acontecimento. Foi a ótima
oportunidade que tive para conhecer o trabalho de dois grandes artistas: HELENA BITTENCOURT e GOOS MEEUWSEN, dos
quais me tornei grande admirador. Por inúmeros motivos, todos alheios à minha
vontade, não consegui, à época, escrever e publicar a crítica, mais que
positiva, que a montagem merecia. Estava em dívida com HELENA e GOOS.
Mais uma vez, agora, por conta do “2º Festival de Teatro do Rio de
Janeiro”, com curadoria de MARIA SIMAN, realizado,
simultaneamente, no Teatro Riachuelo – RJ e no Teatro
TotalEnergies, o espetáculo foi colocado no meu caminho, com apenas
duas apresentações, o que me possibilitou rever a peça e reunir, assim,
condições para dar forma a estes modestos escritos, deixando muito aliviado o meu
coração.
SINOPSE:
“COMO UM
PALHAÇO – LIKE A CLOWN” é uma COMÉDIA
teatral e uma palestra poética, criada e interpretada pelos palhaços HELENA
BITTENCOURT e GOOS MEEUWSEN.
O
espetáculo investiga a arte da palhaçaria através dos tempos, misturando humor,
ironia e reflexões sobre máscaras sociais e o medo de palhaços (coulrofobia).
Uma “palestra” sobre palhaços.
Uma “performance” contemporânea para
aqueles que os amam e para os que os odeiam.
Dois acadêmicos assumem o desafio de apresentar uma
palestra, quando as coisas tomam rumos inesperados.
O espetáculo descontrói a imagem do palhaço,
pesquisando os diversos significados que a profissão adquiriu ao longo do
tempo.
Misturando, em sua dramaturgia, fisicalidade,
texto, música ao vivo e imagens projetadas, “COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOWN”
revela e distorce arquétipos clássicos da palhaçaria, transitando entre o
passado e o presente, misturando influências culturais e técnicas teatrais,
para mergulhar na identidade, em constante evolução, do palhaço.
A figura do
palhaço é das mais lindas e puras que conheço, desde a minha infância, e esse
sentimento me acompanha até hoje, aos 76 anos de idade. É o que
mais me interessa num programa circense. A criança que habita em mim vem à tona,
quando estou diante de um palhaço. Não é exagero: eu rio muito daquele humor puro, ingênuo, e, também, choro; da mais profunda emoção. Eu os adoro. Tenho
por eles a maior admiração e respeito. Incomoda-me, sobremaneira,
quando o termo “palhaço” é mal-empregado, nas situações em que
alguém quer ofender outrem. Ocorre, porém, que, infelizmente, muito
diferentemente de como a figura de um palhaço me toca, da paixão como eu o vejo,
para outras pessoas, adultos e crianças, os palhaços representam figuras
assustadoras e horríficas. Uma simples pesquisa a qualquer “site”
de busca pode atestar isso.
A
fobia, mais do que um simples medo, pelo palhaço mereceu que lhe
fosse atribuído um termo específico, coulrofobia, cuja etimologia
reporta a “coulro-”, derivado do grego “koulrobates”,
que significa “aquele que anda sobre pernas de pau”,
associando-se aos artistas populares e acrobatas de circo, mais o sufixo “-fobia”,
também do grego “phóbos”, que significa medo, pavor, temor. A coulrofobia
é estudada e explicada pela ciência, via psicologia, podendo
causar reações extremas, como pânico, falta de ar e batimentos cardíacos
acelerados. Pode parecer um exagero, mas é a mais pura verdade. Vou parando por
aqui, propondo, a quem tiver maior interesse, que pesquise sobre o assunto,
para saber por que motivo algumas pessoas são “inimigas” dos
palhaços, e passo a me deter no espetáculo.
Embora,
hoje em dia, os números de palhaços possam até ser considerados, por alguns, “chatos”
e desnecessários, contra o que eu, peremptoriamente, me coloco, “é quase difícil acreditar que os
palhaços já foram artistas aclamados — superestrelas que levavam risos e
alegria a pessoas ao redor do mundo” - inclusive com programas na TV -, visto que o riso sempre foi uma parte fundamental
da experiência humana. O riso faz bem, causa afagos na alma. O riso nos salva. “Ele
nos conecta, proporciona uma fuga e nos espelha em nossos próprios absurdos.”
“O rosto pintado, o nariz vermelho e os sapatos enormes tornaram-se, para
muitos, ultrapassados ou inquietantes. Essa mudança não se deve apenas a filmes
de terror ou tragédias reais da década de 1990, mas parte de uma transformação
maior. No entanto, a essência da palhaçaria — riso, brincadeira e ‘performance’
— permanece tão vital como sempre. Das civilizações antigas até os dias atuais,
os palhaços assumiram muitas formas. Tribos indígenas, bufões egípcios,
artistas romanos, artistas da ‘Commedia dell’Arte’, palhaços de circo,
comediantes modernos — todos carregam o espírito do palhaço. Alguns ainda
adotam a clássica maquiagem branca e o nariz vermelho, enquanto outros
encontram novas maneiras de incorporar sua essência: a brincadeira e o jogar
sem medo, emoções humanas cruas e a liberdade de ser ridículo.”
“Mas este espetáculo não é sobre
lamentar a perda do lugar do palhaço na sociedade. Não é um apelo por
reconhecimento ou uma reflexão trágica sobre uma imagem ultrapassada. Não! Este
espetáculo é sobre riso. É sobre transformação. É sobre de onde viemos, como a
sociedade evolui e como algumas emoções permanecem universais. É sobre abraçar
a alegria da falta de vergonha — algo que todos nós, secretamente, desejamos.
Um espetáculo de palhaços, criado por palhaços, pode parecer simples, mas é
cheio de contradições. Palhaços representam liberdade — quebrando regras,
desafiando as expectativas sociais — mas também anseiam por amor e
reconhecimento. (...) Este espetáculo brinca com a transformação. A imagem do
palhaço pode mudar, mas seu espírito permanece vivo. Porque, no final, todos
nós rimos. Todos nós choramos. Todos nós nos reconhecemos no palhaço...”. Os textos acima, em
negrito, de conteúdo magnífico, foram extraídos de um riquíssimo “release”
que me foi encaminhado por ANA LUIZA (MNiemeyer – assessoria de
imprensa), a quem muito agradeço.
“COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOWN” é uma agradabilíssima
experiência que mexe demais com o nosso emocional, de espectadores, conectando-nos
com uma arte milenar, levando-nos a percorrer, numa linha do tempo, o caminho da
evolução de uma arte tão sublime, como é a palhaçaria, e tudo
relacionado a ela, como, por exemplo, os tipos de “gags”, uma piada rápida, uma “pegadinha” ou um efeito cômico
visual, bem como o progresso na maneira de um “clown” esconder
seu rosto, quer por trás da menor máscara que existe, o tradicional nariz vermelho,
quer pela utilização de pesadas e coloridas maquiagens, que o deixam totalmente
irreconhecível. Mostra, ainda, o espetáculo, no que se refere à plasticidade, o
avanço nos trajes do palhaço, assim como outros detalhes desta sublime
profissão.
O que HELENA e GOOS fazem no palco é conduzir,
brilhantemente, e dividir com a plateia, uma celebração. Ao humor
e ao amor; ao riso ingênuo e espontâneo; uma celebração à arte de fazer rir.
Os dois formidáveis artistas são palhaços modernos, palhaços de um tempo
perigoso, que tanto depende deles, para pesar menos árido e frio; um tempo em
que sorrir se tornou, por assim dizer, um “produto de luxo”. E é
por isso, que os espectadores deste maravilhoso espetáculo devem agradecer
muito à dupla.
A ideia de realizar este espetáculo sob a forma de uma “palestra
poética”, ilustrada, é um grande achado, em que valem tanto as
informações acadêmicas sobre o universo dos palhaços e da palhaçaria quanto as
ilustrações relacionadas a cada uma daquelas informações. Têm um valor
inestimável todas as surpresas que aparecem no decorrer do trabalho, todas
vindo de trás de uma espécie de cortina ao fundo. Tudo sai de um “baú de
novidades” para abrilhantar a experiência, já tão rica apenas pela
presença de HELENA e GOOS.
FICHA TÉCNICA:
Conceito, Dramaturgia, Direção e
Interpretação: Helena
Bittencourt e Goos Meeuwsen
Interpretação: Helena
Bittencourt e Goos Meeuwsen
Pesquisa, Colaboração Dramatúrgica e Assistência de Direção: Luisa Espindula
Colaboração Artística e Dramatúrgica: Renato Linhares
Cenografia: Goos Meeuwsen e Marieta Spada
Figurino: Marieta Spada e Geraldine Lodders
Iluminação: Tainã Miranda e Lina Kaplan
Direção Musical: Helena Bittencourt e
Rodrigo Marçal
Trilha Sonora Original: Rodrigo Marçal
Fotos: Renato Mangolin e Lina Sumizono (“Festival
de Curitiba”)
Arte Gráfica, Conteúdo e Pesquisa em
Vídeo: Estúdio Radiográfico
Direção de Produção: Luana Lessa
SERVIÇO:
Apresentações: 30 e 31 de julho (5ª e 6ª feira) de
2026.
Local: Teatro TotalEnergies.
Endereço: Rua do Russel, nº 804, Glória – Rio de
Janeiro.
Telefone: (21)3553-3557.
Capacidade: 359 lugares.
Valor dos Ingressos: Plateia A: R$ 120 (inteira) e
R$ 60 (meia-entrada); Plateia B: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).
Venda dos Ingressos: Na bilheteria física do Teatro
(sem cobrança de taxa de serviço) ou pelo “site” INGRESSO.COM (com
cobrança de taxa de serviço).
Horários de funcionamento da bilheteria: De 3ª
feira a sábado, das 12h às 20h; domingo e feriado, das 12h às 19h.
Duração: 80 minutos.
Classificação Etária: 10 anos.
Acessibilidade: Este espetáculo conta com recursos
de acessibilidade, para proporcionar uma experiência mais inclusiva a todos os
públicos. Disponibilizamos intérprete de Libras, audiodescrição, legendagem e
fones abafadores, garantindo mais conforto e autonomia para pessoas com
deficiência e pessoas com sensibilidade sensorial.
Gênero: COMÉDIA, Palestra Poética e TEATRO Físico.
“COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOW” não é um espetáculo sobre o qual se possa falar muito. É, sim, antes de tudo, uma grata experiência para ser vivida e sentida, um momento para se reverenciar, e muito, a figura de um artista tantas vezes injustiçado e pouco reconhecido, porém da maior importância para a cultura popular, o palhaço, motivo que me faz RECOMENDAR O ESPETÁCULO.
FOTOS: RENATO
MANGOLIN
e
LINA SUMIZONO
GALERIA PARTICULAR
(FOTOS AVULSAS)
Eu, no "Festival de Curitiba".
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a
arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais.
Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de
melhor no TEATRO.
Nenhum comentário:
Postar um comentário