sexta-feira, 31 de julho de 2026

 

“2º FESTIVAL

DE TEATRO

DO RIO DE JANEIRO”

“COMO UM PALHAÇO

- LIKE A CLOWN”

ou

(UMA ADORÁVEL

DESCONSTRUÇÃO

E UMA DELICIOSA

EXPERIÊNCIA.)

 


         Em 2025, um espetáculo ocupou a Arena do SESC Copacabana e outros espaços, no Rio de Janeiro, arrebanhando um grande público e conseguindo muitos aplausos e a aprovação dos espectadores, por sua enorme qualidade, pelo estupendo trabalho de uma dupla de exímios artistas e pelo grande diferencial, em termos de TEATRO, que ele apresentava. O evento em questão chamava-se “COMO UM PALHAÇO - LIKE A CLOWN”, ao qual eu, muito lamentavelmente, por um excesso de compromissos à época, não consegui assistir, o que me deixou extremamente aborrecido. Quis, porém, o destino (Ou teriam sido os DEUSES DO TEATRO?) que, em abril deste ano da graça de 2026, o espetáculo se apresentasse no “34º Festival de Curitiba”, inserido na principal mostra - “Mostra Lúcia Camargo” -, convidado que fora para aquele grande acontecimento. Foi a ótima oportunidade que tive para conhecer o trabalho de dois grandes artistas: HELENA BITTENCOURT e GOOS MEEUWSEN, dos quais me tornei grande admirador. Por inúmeros motivos, todos alheios à minha vontade, não consegui, à época, escrever e publicar a crítica, mais que positiva, que a montagem merecia. Estava em dívida com HELENA e GOOS. Mais uma vez, agora, por conta do “2º Festival de Teatro do Rio de Janeiro”, com curadoria de MARIA SIMAN, realizado, simultaneamente, no Teatro Riachuelo – RJ e no Teatro TotalEnergies, o espetáculo foi colocado no meu caminho, com apenas duas apresentações, o que me possibilitou rever a peça e reunir, assim, condições para dar forma a estes modestos escritos, deixando muito aliviado o meu coração.

 


 


SINOPSE:

COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOWN” é uma COMÉDIA teatral e uma palestra poética, criada e interpretada pelos palhaços HELENA BITTENCOURT e GOOS MEEUWSEN.

O espetáculo investiga a arte da palhaçaria através dos tempos, misturando humor, ironia e reflexões sobre máscaras sociais e o medo de palhaços (coulrofobia).

Uma “palestra” sobre palhaços.

Uma “performance” contemporânea para aqueles que os amam e para os que os odeiam.

Dois acadêmicos assumem o desafio de apresentar uma palestra, quando as coisas tomam rumos inesperados.

O espetáculo descontrói a imagem do palhaço, pesquisando os diversos significados que a profissão adquiriu ao longo do tempo.

Misturando, em sua dramaturgia, fisicalidade, texto, música ao vivo e imagens projetadas, “COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOWN” revela e distorce arquétipos clássicos da palhaçaria, transitando entre o passado e o presente, misturando influências culturais e técnicas teatrais, para mergulhar na identidade, em constante evolução, do palhaço.


 


 



       A figura do palhaço é das mais lindas e puras que conheço, desde a minha infância, e esse sentimento me acompanha até hoje, aos 76 anos de idade. É o que mais me interessa num programa circense. A criança que habita em mim vem à tona, quando estou diante de um palhaço. Não é exagero: eu rio muito daquele humor puro, ingênuo, e, também, choro; da mais profunda emoção. Eu os adoro. Tenho por eles a maior admiração e respeito. Incomoda-me, sobremaneira, quando o termo “palhaço” é mal-empregado, nas situações em que alguém quer ofender outrem. Ocorre, porém, que, infelizmente, muito diferentemente de como a figura de um palhaço me toca, da paixão como eu o vejo, para outras pessoas, adultos e crianças, os palhaços representam figuras assustadoras e horríficas. Uma simples pesquisa a qualquer “site” de busca pode atestar isso.




       A fobia, mais do que um simples medo, pelo palhaço mereceu que lhe fosse atribuído um termo específico, coulrofobia, cuja etimologia reporta a “coulro-”, derivado do grego “koulrobates”, que significa “aquele que anda sobre pernas de pau”, associando-se aos artistas populares e acrobatas de circo, mais o sufixo “-fobia”, também do grego “phóbos”, que significa medo, pavor, temor. A coulrofobia é estudada e explicada pela ciência, via psicologia, podendo causar reações extremas, como pânico, falta de ar e batimentos cardíacos acelerados. Pode parecer um exagero, mas é a mais pura verdade. Vou parando por aqui, propondo, a quem tiver maior interesse, que pesquise sobre o assunto, para saber por que motivo algumas pessoas são “inimigas” dos palhaços, e passo a me deter no espetáculo.




        Embora, hoje em dia, os números de palhaços possam até ser considerados, por alguns, “chatos” e desnecessários, contra o que eu, peremptoriamente, me coloco, “é quase difícil acreditar que os palhaços já foram artistas aclamados — superestrelas que levavam risos e alegria a pessoas ao redor do mundo” - inclusive com programas na TV -, visto que o riso sempre foi uma parte fundamental da experiência humana. O riso faz bem, causa afagos na alma. O riso nos salva. “Ele nos conecta, proporciona uma fuga e nos espelha em nossos próprios absurdos.” “O rosto pintado, o nariz vermelho e os sapatos enormes tornaram-se, para muitos, ultrapassados ou inquietantes. Essa mudança não se deve apenas a filmes de terror ou tragédias reais da década de 1990, mas parte de uma transformação maior. No entanto, a essência da palhaçaria — riso, brincadeira e ‘performance’ — permanece tão vital como sempre. Das civilizações antigas até os dias atuais, os palhaços assumiram muitas formas. Tribos indígenas, bufões egípcios, artistas romanos, artistas da ‘Commedia dell’Arte’, palhaços de circo, comediantes modernos — todos carregam o espírito do palhaço. Alguns ainda adotam a clássica maquiagem branca e o nariz vermelho, enquanto outros encontram novas maneiras de incorporar sua essência: a brincadeira e o jogar sem medo, emoções humanas cruas e a liberdade de ser ridículo.”





 “Mas este espetáculo não é sobre lamentar a perda do lugar do palhaço na sociedade. Não é um apelo por reconhecimento ou uma reflexão trágica sobre uma imagem ultrapassada. Não! Este espetáculo é sobre riso. É sobre transformação. É sobre de onde viemos, como a sociedade evolui e como algumas emoções permanecem universais. É sobre abraçar a alegria da falta de vergonha — algo que todos nós, secretamente, desejamos. Um espetáculo de palhaços, criado por palhaços, pode parecer simples, mas é cheio de contradições. Palhaços representam liberdade — quebrando regras, desafiando as expectativas sociais — mas também anseiam por amor e reconhecimento. (...) Este espetáculo brinca com a transformação. A imagem do palhaço pode mudar, mas seu espírito permanece vivo. Porque, no final, todos nós rimos. Todos nós choramos. Todos nós nos reconhecemos no palhaço...”. Os textos acima, em negrito, de conteúdo magnífico, foram extraídos de um riquíssimo “release” que me foi encaminhado por ANA LUIZA (MNiemeyer – assessoria de imprensa), a quem muito agradeço.




“COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOWN” é uma agradabilíssima experiência que mexe demais com o nosso emocional, de espectadores, conectando-nos com uma arte milenar, levando-nos a percorrer, numa linha do tempo, o caminho da evolução de uma arte tão sublime, como é a palhaçaria, e tudo relacionado a ela, como, por exemplo, os tipos de “gags”, uma piada rápida, uma “pegadinha” ou um efeito cômico visual, bem como o progresso na maneira de um “clown” esconder seu rosto, quer por trás da menor máscara que existe, o tradicional nariz vermelho, quer pela utilização de pesadas e coloridas maquiagens, que o deixam totalmente irreconhecível. Mostra, ainda, o espetáculo, no que se refere à plasticidade, o avanço nos trajes do palhaço, assim como outros detalhes desta sublime profissão.




 O que HELENA e GOOS fazem no palco é conduzir, brilhantemente, e dividir com a plateia, uma celebração. Ao humor e ao amor; ao riso ingênuo e espontâneo; uma celebração à arte de fazer rir. Os dois formidáveis artistas são palhaços modernos, palhaços de um tempo perigoso, que tanto depende deles, para pesar menos árido e frio; um tempo em que sorrir se tornou, por assim dizer, um “produto de luxo”. E é por isso, que os espectadores deste maravilhoso espetáculo devem agradecer muito à dupla.



  A ideia de realizar este espetáculo sob a forma de uma “palestra poética”, ilustrada, é um grande achado, em que valem tanto as informações acadêmicas sobre o universo dos palhaços e da palhaçaria quanto as ilustrações relacionadas a cada uma daquelas informações. Têm um valor inestimável todas as surpresas que aparecem no decorrer do trabalho, todas vindo de trás de uma espécie de cortina ao fundo. Tudo sai de um “baú de novidades” para abrilhantar a experiência, já tão rica apenas pela presença de HELENA e GOOS.

 


 


FICHA TÉCNICA:

Conceito, Dramaturgia, Direção e Interpretação: Helena Bittencourt e Goos Meeuwsen

 

Interpretação: Helena Bittencourt e Goos Meeuwsen

 

Pesquisa, Colaboração Dramatúrgica e Assistência de Direção: Luisa Espindula

Colaboração Artística e Dramatúrgica: Renato Linhares

Cenografia: Goos Meeuwsen e Marieta Spada

Figurino: Marieta Spada e Geraldine Lodders

Iluminação: Tainã Miranda e Lina Kaplan

Direção Musical: Helena Bittencourt e Rodrigo Marçal

Trilha Sonora Original: Rodrigo Marçal

Fotos: Renato Mangolin e Lina Sumizono (“Festival de Curitiba”)

Arte Gráfica, Conteúdo e Pesquisa em Vídeo: Estúdio Radiográfico

Direção de Produção: Luana Lessa


 




 

SERVIÇO:

Apresentações: 30 e 31 de julho (5ª e 6ª feira) de 2026.

Local: Teatro TotalEnergies.

Endereço: Rua do Russel, nº 804, Glória – Rio de Janeiro.

Telefone: (21)3553-3557.

Capacidade: 359 lugares.

Valor dos Ingressos: Plateia A: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada); Plateia B: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).

Venda dos Ingressos: Na bilheteria física do Teatro (sem cobrança de taxa de serviço) ou pelo “site” INGRESSO.COM (com cobrança de taxa de serviço).

Horários de funcionamento da bilheteria: De 3ª feira a sábado, das 12h às 20h; domingo e feriado, das 12h às 19h.

Duração: 80 minutos.

Classificação Etária: 10 anos.

Acessibilidade: Este espetáculo conta com recursos de acessibilidade, para proporcionar uma experiência mais inclusiva a todos os públicos. Disponibilizamos intérprete de Libras, audiodescrição, legendagem e fones abafadores, garantindo mais conforto e autonomia para pessoas com deficiência e pessoas com sensibilidade sensorial.

Gênero: COMÉDIA, Palestra Poética e TEATRO Físico.


 

 



  “COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOW” não é um espetáculo sobre o qual se possa falar muito. É, sim, antes de tudo, uma grata experiência para ser vivida e sentida, um momento para se reverenciar, e muito, a figura de um artista tantas vezes injustiçado e pouco reconhecido, porém da maior importância para a cultura popular, o palhaço, motivo que me faz RECOMENDAR O ESPETÁCULO.

 

 

 

 

FOTOS: RENATO MANGOLIN

e

LINA SUMIZONO



GALERIA PARTICULAR

(FOTOS AVULSAS)






Eu, no "Festival de Curitiba".

 

 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 






 

 



 

 




 

 
















































































































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