“PRA TE VER FELIZ”
ou
(ENTREGA O
QUE PROMETE.)
Gosto de um TEATRO “honesto”, que entrega o que promete, principalmente quando se trata de alguma coisa que pende mais para a simplicidade, visando a agradar ao público. Assim é o espetáculo a que assisti, ontem, no Teatro SESC Ginástico (VER SERVIÇO.), “PRA TE VER FELIZ”, que tem tudo a ver com o título. Sem mirabolantes pretensões, trata-se de um espetáculo feito com muita garra e bom gosto, que cumpre o seu objetivo maior, de homenagear um dos nossos grandes compositores de samba, Almir Guineto, e levar felicidade a quem se propõe a assistir à peça, na forma de um modesto, mas delicioso, musical.
SINOPSE:
“PRA TE VER FELIZ” é um espetáculo musical que
celebra a cultura suburbana carioca e a força do samba como identidade popular.
Costurando suas narrativas, através das canções do
saudoso Almir Guineto, a peça entrelaça histórias de amor, humor
e superação, durante festas familiares e o cotidiano da cidade.
O espetáculo acompanha personagens do subúrbio, em
situações corriqueiras e afetivas, como, por exemplo, uma animada festa de Natal
em família; amigos dividindo o espaço em um ônibus lotado, a caminho da praia; um
primeiro encontro amoroso, durante a noite de “réveillon”, além
de outras histórias, em forma de esquetes, todos ilustrados, após a
representação, por uma canção ligada ao tema.
Mais do que apenas trilha sonora, a música conduz
as emoções da narrativa, revelando sentimentos que, muitas vezes, ficam
subentendidos.
Os compositores(*) são retratados como
verdadeiros cronistas sociais, transformando o samba em um refúgio e uma
expressão de afeto, união e resistência.
(*)
Apesar, de o musical ser uma merecida homenagem a Almir Guineto,
falecido em 2017, aos 70 anos, ainda que a maioria
das canções executadas traga a sua assinatura, como compositor, ao lado de seus
parceiros, a peça traz algumas músicas de outros autores. Segue a relação com a
trilha sonora desta montagem:
MÚSICAS:
“Da melhor qualidade” (Arlindo Cruz, Almir Guineto)
“Caxambu” (Bidubi do Tuiti, Jorge Neguinho, Zé Lobo, Élcio do Pagode)
“Corda no pescoço” (Almir Guineto, Adalto Magalha)
“Perfume de champagne” (Almir Guineto, Adalto Magalhães Gavião)
“Mel na boca” (David Corrêa)
“Insensato destino” (Acyr Marques, Maurício Lins, Chiquinho Vírgula)
“Saco cheio” (D. Fia, Marcos Antônio)
“Lama nas ruas” (Almir Guineto, Dede Paraíso, Ernesto Luverci)
“Tem nada, não” (Almir Guineto, Jorge Aragão, Luverci Ernesto)
“Abençalgueiro” (Almir Guineto, Nei Lopes)
“Jiboia” (Vilani Silva)
“Conselho” (Adilson Bispo, Zé Roberto)
“Brilho no olhar” (Almir Guineto, Celso Leão, Daniel)
O
formato da peça é muito simples, como já mencionado na SINOPSE:
São vários quadros independentes, em forma de pequenos esquetes, sem uma trama
única, com apenas um enredo, como, normalmente, se dá numa peça. Após a
conclusão de cada cena, segue-se uma canção, cuja letra ilustra o que foi
representado. Acrescente-se que os atores representam vários personagens e
interpretam as canções, em grupos ou em solos, seguindo a corretíssima direção
musical de MARCELO ALONSO NEVES, acompanhados por um pequeno
grupo de ótimos músicos.
“Cada cena é conduzida por canções que traduzem emoções e memórias
coletivas, homenageando o samba, como expressão de resistência, afeto e
identidade popular. Ao longo da narrativa, o espetáculo dialoga com obras de
importantes compositores do gênero, entre eles Almir Guineto (o principal), cujas canções integram a
trilha musical e ajudam a construir a atmosfera afetiva das histórias
apresentadas em cena”, diz o produtor BRUNO MARIOZZ.
O espetáculo é gostoso de se ver e genuíno, uma vez que é inspirado nas vivências do subúrbio carioca, com
toda a sua ingenuidade e cheiro de passado. A montagem é o segundo espetáculo
da trilogia “Dá Samba”, iniciada em 2013,
com o musical “Quando A Gente Ama”, construído a partir da obra
de outro grande mestre do samba, Arlindo Cruz, montagem que fez
grande sucesso, de público e de crítica, à época, e que, muito me agradou.
O autor e diretor JOÃO BATISTA compõe
cenas do cotidiano carioca e suburbano, revelando a potência dos compositores
brasileiros, como cronistas sociais. Ao levar o samba para o palco de um
teatro, o diretor resgata sua própria relação com o gênero musical, sempre
presente em sua vida. “A música popular brasileira é muito rica, como
forma de unir as pessoas, como fundo musical de suas vidas, em momentos de
festa de família, aniversários, churrasco na laje, fim de namoro... Tudo isso
se relaciona com alguma música.”, diz o diretor. Aprovo o
trabalho de JOÃO, tanto na dramaturgia quanto à frente do
seu elenco, como diretor.
A cenografia (DORIS ROLLEMBERG), os figurinos
(MAURO LEITE) e a iluminação (RENATO MACHADO), três
importantes suportes para uma montagem teatral, funcionam a contento e ajudam
bastante no desenvolvimento das ações. A cenografia é adequada,
com poucos elementos cenográficos, todos, porém, cumprindo a sua função. Quase
todas as ações se dão sobre um praticável, para concentrar a atenção dos espectadores.
Há um elegante figurino, para cada ator/atriz, que vai recebendo
alguns detalhes, para a composição de cada cena/história. E a luz
não traz surpreendentes novidades, mas cumpre bem a sua função, no desenrolar
da peça, com a utilização de cores alegres, numa diversificada paleta.
Agradou-me muito a atuação dos sete atores/cantores,
ALINE BORGES, ELLI FÊRREIRA, JENIFFER DIAS, LUCAS DA
PURIFICAÇÃO, THIAGO THOMÉ, UDYLÊ PROCÓPIO e VILMA
MELO. Como o TEATRO é um fazer coletivo, não se pode apontar nenhum ponto
negativo na interpretação de cada um desses artistas, formando um harmonioso conjunto. Eles atuam com muita
naturalidade e alegria, requisitos para qualquer intérprete, como se estivessem
numa roda de samba. Há bastante entrosamento entre eles. Reservo um aplauso
particular, por suas atuações, para VILMA MELO, LUCAS DA PURIFICAÇÃO
e UDYLÊ PROCÓPIO. Em meio a rodas de samba e celebrações familiares, as
histórias se cruzam, revelando a força da música na vida cotidiana.
“A trilogia ‘Dá Samba’ destaca a composição como parte do nosso
cotidiano, da nossa vivência, aquilo que os grandes autores e artistas criam e
que está presente no nosso dia a dia, que dá samba mesmo, que é a trilha sonora
das nossas vidas. Os personagens criados pelo JOÃO têm muitas sutilezas, com
diálogos enxutos, que carregam muitos sentimentos. A peça faz um resgate
temporal e nos faz revisitar uma época e espaços, principalmente desse lugar
suburbano carioca”, destaca, orgulhosamente, BRUNO MARIOZZ. Assino embaixo das palavras do produtor.
As letras dos sambas merecem uma atenção especial do espectador, já que
trazem versos de pura poesia popular, lirismo e verdades.
FICHA TÉCNICA:
Idealização: Cia. Dramática de Comédia e Bruno Mariozz
Texto: João Batista
Direção: João Batista
Assistência de Direção: Bárbara Abi-Rihan
Direção Musical: Marcelo Alonso Neves
Elenco (por ordem alfabética): Aline Borges, Elli Fêrreira,
Jeniffer Dias, Lucas da Purificação, Thiago Thomé, Udylê Procópio e Vilma Melo
Músicos: Carlos Rufino/Felipe D’Lélis, Fábio D’Lélis, Leo Antunes e
Marlon Julio
Cenário: Doris Rollemberg
Figurino: Mauro Leite
Iluminação: Renato Machado
Assistência de Iluminação: Diego Diener
Direção de Movimento: Dani Cavanellas
Preparação Vocal: Pedro Lima
Desenho de Som: Thiago Silva
Comunicação, Identidade Visual e Operação de Som: Rafael Prevot
Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Fotos: Nil Caniné
Produção Executiva: Natasha Arsenio
Assistência de Produção: Marilene Ribeiro
Microfonista: Luiza Jacinto
Coordenação Financeira: Ingryd Cardozo
Direção de Produção: Bruno Mariozz
Realização: Sesc e Palavra Z Produções Culturais
SERVIÇO:
Temporada: De 10 de julho a 09 de agosto de 2026.
Local: Teatro Sesc Ginástico.
Endereço: Avenida Graça Aranha, nº 187 – Centro – Rio de Janeiro.
Dias e Horários: 5ªs e 6ªs feiras, às 19h; sábados e domingos, às
17h.
Valor dos Ingressos: 5ª feira e domingo: R$ 50 (inteira), R$ 25
(meia-entrada), R$ 15 (credencial plena Sesc e conveniados) e gratuito (público
cadastrado no PCG); 6ª feira e sábado: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada),
R$ 15 (credencial plena Sesc e conveniados) e gratuito (público cadastrado no
PCG).
OBSERVAÇÃO: Meia-entrada para casos previstos por lei: idosos,
estudantes, PCD e jovens de baixa renda na faixa etária entre 15 a 29 anos, que
apresentem carteira jovem ou CadÚnico.
Vendas “on-line”: Ingresso.com
Capacidade: 400 lugares.
Acessibilidade: SIM.
Classificação Indicativa: 12 anos.
Duração: 80 minutos.
Gênero: Musical
Feliz e recompensado, por ter assistido a “PRA TE VER FELIZ”, passo a RECOMENDAR O ESPETÁCULO, como um bom motivo de divertimento, via um TEATRO singelo e de muito boa qualidade.
FOTOS: NIL CANINÉ.
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que
a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais.
Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de
melhor no TEATRO.
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