sexta-feira, 16 de outubro de 2026

 

“DESCALÇOS

NO PARQUE”

ou

(UM NEIL SIMON

QUE VALE MESMO

A PENA.)





 

         Embora eu seja meio avesso a estreias, atendi, com alegria, ao gentil convite da amiga ADRIANA BALSANELLI e de NATASHA STEIN (ambas da assessoria de imprensa da peça) e fui ao Teatro Clara Nunes, na noite de 08 de outubro de 2026, para assistir à sessão de abertura da temporada, de certa forma, “meio longa”, para os padrões atuais, infelizmente, de um mês, ou até menos tempo, da peça “DESCALÇOS NO PARQUE” (“Barefoot in the Park”, no original.), uma deliciosa COMÉDIA romântica, um clássico de NEIL SIMON.





         O texto também já havia ganhado uma vitoriosa versão cinematográfica, à qual não assisti, com roteiro adaptado para a telona pelo próprio dramaturgo, em 1967, película protagonizada por dois ícones do cinema norte-americano: Robert Redford e Jane Fonda. Acrescento que a peça também fez enorme sucesso, nos palcos da Broadway, em duas retumbantes montagens: a estreia original, em 1963, e um “revival”, em 2006.




 

 

SINOPSE:

A história acompanha os recém-casados Lara (LARISSA MANOELA) e Edu (ANDRÉ LUIZ FRAMBACH), que voltam de seis dias de lua de mel, no Copacabana Palace, direto para um pequeno apartamento alugado, sem elevador – O detalhe da falta de elevador, num prédio de dez andares, é bastante significativo, uma vez que, enquanto Lara sobe e desce as escadas alegremente, Edu detesta fazê-lo. -, no Catete.

A trama, de época, é ambientada no Rio de Janeiro dos anos 1950.

Eles tentam se encaixar na nova vida de casados.

Enquanto Lara é uma mulher otimista e de espírito livre, uma libertária romântica, que não permite que nada perturbe sua felicidade, Edu é um advogado recém-formado, metódico, polido e introvertido.

O casal precisa aprender que o casamento começa, de verdade, após a festa, precisando lidar com os desafios da convivência, procurando aprender a "comer um quilo de sal, um com o outro".

Entre diferenças de temperamento, um vizinho excêntrico, Sr. Velasco (CLAUDIO MENDES) e a presença da mãe da noiva, Dona Miranda (FLÁVIA REIS) e um técnico de telefone atrapalhado, Paulinho Cuíca (DIEGO DE ABREU), que se intromete na vida do casal, “la nave va” (“o barco segue”).

Lara deseja ver sua mãe casada com o vizinho.

Um encontro às cegas, entre Velasco e Dona Miranda, completa a trama e amplia os conflitos da vida a dois.

A peça acompanha os ajustes de uma nova experiência de vida a dois, com trilha sonora composta de clássicos da época.


 

 




(Marvin) NEIL SIMON (4 de julho de 1927 – 26 de agosto de 2018) foi um premiadíssimo dramaturgo, roteirista e escritor norte-americano, tendo escrito mais de 30 peças teatrais e quase o mesmo número de roteiros para cinema, em sua maioria adaptações de suas peças. Seu estilo variava da farsa à COMÉDIA romântica, como o espetáculo em tela, passando, também, um pouco, pela COMÉDIA dramática, mais séria. Para escrever suas obras, SIMON se inspirava em sua própria vida e experiência, nos conflitos, por exemplo, entre a vida em comum de seus pais. Apesar da seriedade dessas ideias, ele sempre conseguiu “adoçar” o sério, contando as histórias com humor, abraçando tanto o realismo quanto a COMÉDIA, como acontece nesta peça. Suas COMÉDIAS, frequentemente, retratam lutas com dificuldades conjugais ou amores em declínio, levando, às vezes, à separação, divórcio e problemas de guarda dos filhos. Após muitas reviravoltas na trama, os finais, normalmente, mostram a renovação dos relacionamentos, como também acontece aqui.



(Neil Simon.)


O aspecto principal mais consistente no estilo de escrita de SIMON é mesmo a COMÉDIA, situacional e verbal, que apresenta temas sérios, de uma forma que faz o público “rir, para evitar chorar”, conseguindo isso com piadas e trocadilhos rápidos, em uma ampla variedade de cenários e histórias urbanas. Como ocorre nesta peça, SIMON criou conflitos cotidianos, aparentemente simples, em suas histórias, que se tornaram premissas cômicas para problemas que precisavam ser resolvidos.  Outra característica de sua escrita é sua adesão aos valores tradicionais relativos ao casamento e à família. Sempre foi muito fértil na sua  capacidade de combinar, com perfeição, COMÉDIA e drama. “DESCALÇOS NO PARQUE”, por exemplo, é uma COMÉDIA romântica leve, com algumas pitadinhas dramáticas.




Quanto aos seus personagens, são eles, tipicamente, “figuras imperfeitas e não heroicas, que, no fundo, são seres humanos decentes”. Ele usa pessoas comuns, em ambientes domésticos. Os personagens simonianos, frequentemente, divertem o público com “piadas” brilhantes, tornadas verossímeis pela habilidade do autor em escrever seus diálogos. Ele reproduz a fala com tanta agilidade e desembaraço, que seus personagens, geralmente, são plausíveis, e o público se identifica, facilmente, com eles; e ri deles, como se rissem de si próprios. Esses personagens também podem expressar “preocupações sérias e contínuas da humanidade”. As identidades das “personas” criadas por NEIL SIMON estão sempre impacientes “com a falsidade, com a superficialidade, com a amoralidade”, expressando, por vezes, “críticas, implícitas e explícitas, à vida urbana moderna, com seu estresse, sua inanidade e seu materialismo. Também, via de regra, são “simpáticos”. Frequentemente, como nesta peça, eles têm relacionamentos difíceis no casamento, na amizade ou nos negócios, enquanto “lutam para encontrar um senso de pertencimento”.




Em suas peças, há sempre “uma busca implícita por soluções para os problemas humanos, por meio dos relacionamentos com outras pessoas”. SIMON ainda é capaz de abordar temas sérios, de preocupação universal e duradoura, sem deixar de fazer as pessoas rirem.  Uma outra característica marcante de SIMON é a sua grande compaixão pelos seus semelhantes.  Seus temas incluem conflito conjugal, infidelidade, rivalidade entre irmãos, adolescência, luto e medo de envelhecer, todos temas urbanos. O dramaturgo está, simplesmente, interessado em mostrar os seres humanos como eles são, com suas fraquezas, excentricidades e absurdos. As peças de SIMON são, geralmente, semiautobiográficas, frequentemente, retratando aspectos de sua infância conturbada e seus primeiros casamentos, que foram cinco. Acima de tudo, suas peças, que podem parecer simples, para aqueles que nunca olham além do fato de serem divertidas, são, na verdade, frequentemente, mais perspicazes e reveladoras da condição humana do que muitas peças rotuladas como dramas complexos. Seu humor, como não poderia deixar de ser, é bastante crítico.




Aprecio bastante a obra de NEIL SIMON, a partir de apenas quatro de suas peças, que vi encenadas no Brasil, antes de “DESCALÇOS NO PARQUE”: “O Estranho Casal” (“The Odd Couple”), em duas montagens, ambas dirigidas por Jô Soares; “Se Meu Apartamento Falasse” (“Promises, Promises”), em duas versões musicais: uma, que manteve o título original, em 1970, e outra na inesquecível versão, de 2017, de Charles Möeller e Claudio Botelho; “Uma Dupla Desajustada” (“The Sunshine Boys”); e “Sweet Charity”, que manteve o título na versão brasileira, também um espetáculo da inigualável grife Möeller & Botelho, em 2006, ao qual assisti três vezes.




Para encerrar o, já longo, discurso sobre NEIL SIMON, apenas mais duas informações. A primeira é a de que se credita a ele, somando-se as funções de dramaturgo e escritor colaborador, a marca de, pelo menos, 49 peças da Broadway. A segunda é, meramente, uma curiosidade: A partir de 1983, ele se tornou o primeiro dramaturgo vivo a ter um Teatro da Broadway, o Neil Simon Theatre, nomeado em sua homenagem. A quase totalidade das informações acerca do autor da peça foi garimpada numa profunda pesquisa que fiz, pelo interesse que tenho pelo autor, além dos conhecimentos que já havia colecionado sobre ele.




Extraído do rico “release” a que tive acesso, via assessoria de imprensa: “‘DESCALÇOS NO PARQU’ foi inspirada no relacionamento do autor, NEIL SIMON, com a esposa Joan Baim e, rapidamente, consolidou o autor como um dos maiores nomes do TEATRO mundial. (...) o dramaturgo escreveu sobre um incidente em seu jovem casamento, quando sua esposa atirou nele uma costeleta de vitela congelada, porque as palavras não conseguiam mais expressar a paixão de uma amarga discussão que eles estavam tendo. (...) SIMON viu o total absurdo da situação. Esse momento se encaixaria, perfeitamente, em ‘DESCALÇOS NO PARQUE’, uma comédia sobre recém-casados, que, fiéis à época, os anos 1950, ainda não se conhecem de verdade e discutem sobre suas diferenças. Na época, em 1963, o espetáculo teve mais de 1.500 apresentações, tornando-se uma das dez peças não musicais de maior longevidade na história da Broadway, tendo sido alçada ao título de clássico instantâneo da COMÉDIA romântica.”.




O espetáculo sempre encontrou grande aceitação e repercussão em todas as partes do mundo – e não foram poucas - em que foi encenado: França, Austrália, Espanha, Japão, Reino Unido, Romênia, Irã, Argentina, Chile, Itália e Singapura, entre outros países.




A montagem aqui comentada tem produção associada de ANDRÉ LUIZ FRAMBACH, BRUNA DORNELLAS, GUILHERME WEBER, LARISSA MANOELA e WESLEY TELLES. O espetáculo só foi viável graças à Lei Rouanet, tão vilipendiada pelos ignorantes, que não sabem nada sobre ela, e os inimigos da cultura, com realização da Para Todos Produções e correalização de Manbach Produções e WB Produções. O elenco, sobre cujos integrantes dissertarei no momento adequado, é formado por LARISSA MANOELA e ANDRÉ LUIZ FRAMBACH, protagonistas e casados, na vida real, muito bem complementado o naipe de atores por FLÁVIA REIS, CLAUDIO MENDES e DIEGO DE ABREU. A tradução, adaptação e direção é de GUILHERME WEBER. Cabe a BRUNA DORNELLAS e WESLEY TELLES a produção geral do projeto.




O texto é muito engraçado; a trama, bem construída, sempre abrindo espaço para uma nova surpresa, mais hilária ainda que a anterior. Ainda que a ação se passe na década de 1950, GUILHERME WEBER, feita a tradução do original, ocupou-se em inserir, na sua adaptação, algumas piadas e citações bem atuais, que funcionam como um excelente gatilho para divertir a plateia, como a menção a um “date”, termo bem atual, que não existia naquela época, num famoso hospital particular do Rio de Janeiro, bem como o nome de duas gigantescas e conhecidíssimas redes de drogarias da nossa cidade. Não há a menor sofisticação no uso do vocabulário, de sorte que tudo fica muito palatável, acessível a qualquer tipo de público.




Tendo a seu dispor um texto enxuto e um elenco de primeira, para atuar numa COMÉDIA, o que, de certa forma, me surpreendeu um pouco, positivamente, GUI WEBER fez, a meu juízo, uma excelente opção por encenar algo que, em muitos momentos, segue a linha das deliciosas “chanchadas da Atlântida”, gênero de COMÉDIA cinematográfica brasileira, que fez enorme sucesso, entre as décadas de 1930 e 1960 – Diverti-me, à farta, com elas, nas matinês das quintas-feiras. (Entreguei a idade!) –, consagrando nomes da maior relevância da COMÉDIA brasileira, gênios da arte, como Oscarito, Grande Otelo, Violeta Ferraz, Dercy Gonçalves, Ankito, José Lewgoy e tantos outros. O diretor supervaloriza muito bem o humor explícito e explora, com bastante sabedoria, a veia cômica de seu precioso elenco, jogando luzes sobre as verdades que precisam ser ditas. Gostei bastante da ideia de incluir, na montagem, uma pequena cena de um dos atores com a plateia, enquanto técnicos e outros atores trocam o cenário; ou melhor, introduzem móveis e objetos no espaço cênico, até então, carente disso.




E por que me surpreendi, positivamente, repito, com relação ao elenco? Fui para ver uma COMÉDIA. Tinha a certeza absolutíssima de que daria boas gargalhadas com a dupla FLÁVIA REIS e CLAUDIO MENDES, por já conhecer, e admirar, de longa data, o talento da dupla, para nos fazer rir. E, aqui, faço questão de dizer que FLÁVIA, tão à vontade na sua personagem, por vezes, posso afirmar que roubava a cena. Numa delas, que penso ter sido improvisada, a atriz, sentada, atrai, para si, todas as atenções, por meio de hilários movimentos corporais, com as pernas, e os demais do elenco se esforçam para não rir de suas “macaquices”, no melhor dos sentidos; “travessuras” talvez caísse melhor.




FLÁVIA REIS dá vida à Dona Miranda, mãe de Lara. É uma mulher mais velha, viúva, hipocondríaca, tradicional, cautelosa, contida e um tanto preocupada com as convenções sociais. Inicialmente, avessa a qualquer excentricidade e resistente a mudanças, ela acaba se envolvendo na confusão do novo estilo de vida da filha e vivendo uma reviravolta cômica, criada por esta. Representa a visão mais “careta”, ou protetora, da família. A visita ao apartamento da filha e do genro e a oportunidade de conviver com as confusões do casal revelam sua personalidade um tanto “fora da curva”. FLÁVIA é intensa, quando quer fazer rir, e faz muita falta nos palcos, quando o assunto é o tão difícil gênero de ser representado, como é a COMÉDIA.



CLAUDIO MENDES, que também se sai bem em textos sérios, interpreta Victor Velasco, um vizinho excêntrico – E bota “excêntrico” nisso! -, que mora no sótão do mesmo prédio em que reside o casal Lara / Edu, e, extravagantemente, tem acesso à sua “casa”, pela janela do quarto do casal. É um homem mais velho que o casal de novos moradores, cosmopolita e boêmio, que adora comidas exóticas. Foge, totalmente, aos padrões naturais, é “espaçoso”, cheio de histórias de viagens, hábitos peculiares e um charme antigo, que contrasta, fortemente, com a seriedade de Edu. Velasco personifica, exatamente, uma liberdade caótica, que assusta Edu e encanta Lara. CLAUDIO encarna o personagem com total maestria. Tanto ele quanto FLÁVIA são sempre dois excelentes acertos, quando a missão é divertir e levar a plateia às gargalhadas.



DIEGO DE ABREU, ou o popular Paulinho Cuíca, é responsável pela composição de um ótimo personagem cômico de apoio, um técnico da Companhia Telefônica, que vai ao apartamento do casal para a instalação de um anacrônico, nos dias de hoje, “telefone fixo”, grande sonho de consumo, na época, que até tinha que ser declarado, como um bem, no Imposto de Renda (Bons tempos aqueles! Momento nostalgia.). É um gaiato trabalhador, exausto e sarcástico, que, como todos, precisa subir os vários lances de escada do prédio, para ter acesso ao apartamento onde se passa a trama, e acaba testemunhando, involuntariamente, o estresse inicial do casal e participando dele. Tem a péssima mania de contar piadas sem a menor graça, mas que, pela maneira como são contadas, por um “sem-noção”, acabam levando o público às gargalhadas.



Deixei, de propósito, para o final a “cereja do bolo” desta montagem, representada pelo casal Lara / Edu, os protagonistas da trama, ou LARISSA MANOELA e ANDRÉ LUIZ FRAMBACH. Ela, a atriz, é um produto da televisão, mídia extremamente popular, em que desenvolveu, e ainda o vem fazendo, uma sólida carreira, com um imenso público infantil e jovem, principalmente, de uma maneira geral. Confesso que muito pouco, ou quase nada, de seu trabalho na telinha, vi ou conhecia. Do pouco que tomei conhecimento dele, bem mais recentemente, ou só agora recentemente, nada de negativo tenho a dizer; pelo contrário, achei boas as suas atuações, que não tinham nada de engraçado, diga-se de passagem. Ela era uma das minhas dúvidas. Será que me fará rir? Fez. Aprovo, humildemente, por este trabalho, sua capacidade de atuar em COMÉDIAS. Nos palcos, já a havia visto algumas vezes, sem que, em algumas delas, tivesse me dado conta disso, por terem sido em pequenos papéis, de pouca relevância, como em “A Noviça Rebelde”, versão de 2009, como a pequena Gretl von Trapp; a Baby June, de “Gypsy” (também em 2009); a Garotinha, em “As Bruxas de Eastwick”, de 2011; a Liesl von Trapp, na montagem de “A Noviça Rebelde”, de 2018; e a mesma personagem – Aí, sim, notei-a com muita atenção. -, mais uma vez, em 2024, curiosamente, todos os musicais dirigidos pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, os quais apostaram fundo no talento da jovem atriz, no que fizeram muito bem. De “A Noviça Rebelde”, eu sabia que ela entendia; mas não era COMÉDIA; muito pelo contrário. E, agora, o que me esperaria? Encontrei uma atriz bastante madura, preparada para o estrelato em outro nicho, com um ótimo rendimento num espetáculo cômico, sem contar a luz que irradia, do palco, com seu enorme carisma. Sua Lara é perspicaz, extremamente espontânea, sonhadora, romântica, cheia de energia e espírito livre, e defensora de seus sonhos. Adora a ideia de viver uma vida boêmia e fora dos padrões, querendo transformar o pequeno apartamento em um verdadeiro lar de paixão, mesmo que falte aquecedor, que o teto vaze e o prédio não tenha elevador.






Fechando os comentários sobre o quinteto, falemos de ANDRÉ LUIZ FRAMBACH. O ator era o maior enigma, do elenco, para mim. Quem seria ele? Que “santo” incorpora esse “cavalo”? Sem me sentir nem um pouco culpado, confesso que só sabia que ele era um ator, jovem e de bela aparência de galã; “o marido da LARISSA”. Não me lembrava de já tê-lo visto num palco. E não estava enganado, após ter feito uma pesquisa sobre sua carreira artística, que, segundo apurei, começou ainda pequeno, como ator mirim, na televisão, onde atuou em várias produções, que eu desconhecia. Se o vi, raramente, na telinha, não me recordo. Como sua passagem pelo TEATRO, que “é a minha praia”, é bem curta – apenas duas peças, às quais não assisti, antes de ‘DESCALÇOS NO PARQUE” -, não tinha eu a menor obrigação de conhecê-lo. A partir de “DESCALÇOS NO PARQUE”, porém, tenho o prazer de afirmar que me deparei com um ótimo ator, com um alto rendimento numa COMÉDIA, o que dirimiu qualquer dúvida que eu tinha, até então, sobre seu trabalho. Fiquei muito bem impressionado com o ritmo e a verdade cênica que ele e a, “duplamente”, esposa exibem em cena; e parabenizo os dois. Os diálogos entre eles são tão naturalmente representados, que parece não ter sido o texto decorado. Seu Edu é um homem conservador e pragmático, organizado e prudente, um “workaholic”, advogado recém-formado, que leva a vida com muita seriedade, cautela e planejamento. É “certinho”, preocupado com as regras, com a estabilidade profissional, com o teto, que goteja, e com a falta de aquecimento do apartamento, sem falar no “martírio” de ter que chegar ao décimo andar galgando degraus de escadas. É o contraponto racional de Lara. Prefere a segurança, a ordem, a estabilidade e tem dificuldade de lidar com imprevistos e com a falta de conforto prático. Embora seja, profundamente, apaixonado pela esposa, sua rigidez e foco no trabalho geram atritos, quando confrontado com a natureza caótica e livre da mulher.





Para dar apoio a esta excelente produção e engrandecê-la, temos uma recomendada e prática cenografia, assinada por MINA QUENTAL (Atelier da Glória); os sempre elegantes, refinados e muito bem-acabados figurinos, um presente que nos dá KAREN BRUSTTOLIN; a sofisticada e muito bonita iluminação (ADRIANA ORTIZ); uma caprichada direção de movimento, a cargo de TONY RODRIGUES, acrescentando agilidade às cenas; e um visagismo pertinente à época da trama, proposto e executado por RAMON AMORIM.



É sempre um deleite para os olhos o contato com todos os figurinos que são assinados por KAREN BRUSTTOLIN, comprovadamente, uma das mais gabaritadas profissionais no ramo, colecionando muitos prêmios por seu reconhecido trabalho. KAREN está sempre atenta e pronta para desenhar trajes para qualquer personagem, de qualquer classe social ou época, sendo, a meu juízo, as indumentárias de época, tão bem retratadas aqui, o seu forte, peças sempre confeccionadas com o maior apuro, nos míninos detalhes, e com um caimento impecável. 



  A beleza da plasticidade do espetáculo, representada pelo conjunto cenográfico e pela adequação e esmero dos figurinos, é revelada, e muito bem dosada e realçada, por um lindo desenho de luz, obra de ADRIANA ORTIZ, que, a cada novo trabalho, galga mais um degrau na sua já vitoriosa carreira de iluminadora.



Optei por deixar isolado, em destaque, um dos elementos de apoio à montagem, a trilha sonora, que não é original, mas construída com sucessos da época, por sua beleza na peça, trabalho assinado pelo diretor, GUILHERME WEBER, da qual fazem parte pérolas da bossa nova e do samba-canção, ritmos em alta naquela década, com músicas de Tom Jobim, Carlos Lyra e Silvinha Telles, entre outros, que “ampliam o mergulho afetivo e estético na atmosfera dos chamados anos dourados e fazendo da cidade o cenário da história e também uma perspectiva de memória”.



“Astuta e hilária, “DESCALÇOS NO PARQUE” explora os descalabros da intimidade, a distância entre o autoengano e a verdade e quão engraçada é a vida a dois, quando podemos ter uma certa distância, para observá-la. É, também, um profundo elogio ao diálogo, em um mundo tomado por surdez emocional. Esta peça é uma homenagem à COMÉDIA, como forma sublime de refletir sobre o amor.”, fala GUILHERME WEBER.




E voltei para casa, bem leve e feliz, dirigindo e cantarolando a canção “Descalço no Parque”, de Jorge Ben Jor, lançada no fatídico ano de 1964, no álbum “Bem É Samba Bom”, cuja letra recordo até hoje e que fica sendo executada, em “off”, depois de fechadas as cortinas, enquanto os espectadores vão deixando o Teatro Clara Nunes.

  




 

FICHA TÉCNICA:

Texto Original: Neil Simon 

Idealização, Tradução, Adaptação e Direção Artística: Guilherme Weber 

Diretora Residente: Camille Frambach 

 

Elenco: Larissa Manoela, André Luiz Frambach, Flávia Reis, Claudio Mendes e Diego de Abreu 

 

Cenografia: Mina Quental (Atelier na Glória)

Assistência de Cenografia:  Alexander Pereira

Estagiário Cenografia: Hugo Reis

Cenotécnicos: André Salles Cenografia e Equipe

Pintura de Arte: Cassio Pintura de Arte

Figurinos: Karen Brusttolin 

Assistência de Figurino: Maria Dom

Contramestre e Costura: Fátima Félix

Costureiras: Ana Docinho, Sabrina Gomes e Cheila Maria

Contramestre de Alfaiataria: Leonardo Ramos

Aderecista e Bordadeira: Izabele Larraiarra      

Iluminação: Adriana Ortiz 

Assistência de Iluminação: Bernardo Amorim

Direção de Movimento: Toni Rodrigues

Trilha Sonora Selecionada: Guilherme Weber

Produção Musical e Trilha Sonora Original: Max Fernandez

Visagismo: Ramon Amorim 

Assistência de Visagismo: Claudete Bretas

Perucas: Luna Scarlett

Diretora de Palco: Lucia Martinusso 

Contrarregra: Adriana Oliveira

Técnico de Som: Marcelo Farias

Técnico de Luz: Zeca Hermógenes

Camareira: Silvia Oliveira 

Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli, Renato Fernandes e Natasha Stein

Fotos: Flávia Canavarro

Mídia Social: Luis Mousinho e Manuela Prata

Gestão de Comunicação: Bárbara Kuster

Vídeos: Castor

“Designer” Gráfico: Alana Karralrey, Jhon Lucas e Natália Farias 

Coordenação Administrativa: Vianapole Arte e Comunicação 

Assessoria Jurídica: Maia, Benicá & Miranda Advocacia

Produtores Associados: André Luiz Frambach, Bruna Dornellas, Guilherme Weber, Larissa Manoela e Wesley Telles 

Coprodução: WB Produções e Manbach Produções

Produção Executiva: Clarice Coelho 

Gerência de Produção: Deivid Andrade 

Assistência de Produção: Guilherme Balestrero e Letícia Luna 

Produção Geral: Bruna Dornellas e Wesley Telles

Realização: Para Todos Produções 


 

 




 

SERVIÇO:

Temporada: De 08 de outubro a 28 de novembro de 2026.

Local: Teatro Clara Nunes.

Endereço: Rua Marquês de São Vicente, nº 52, Shopping da Gávea (3º Piso), Gávea - Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 5ª e 6ª feira, às 20h; sábado, às 16h e 20h. (No primeiro final de semana, haverá apresentação no domingo, 11 de outubro, às 19h.).

Valor dos Ingressos: Plateia: R$ 220 (inteira) e R$ 110 (meia-entrada); Balcão: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada); Balcão (Ingresso Popular): R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).

Vendas de Ingressos: Pela plataforma SYMPLA (www.sympla.com.br) (com cobrança de taxa de serviço) e na bilheteria do Teatro Clara Nunes (sem cobrança de taxa de serviço).

Horário de funcionamento da bilheteria: De 2ª feira a domingo, incluindo feriados, das 14h às 20h. Em dias de espetáculo, a bilheteria permanece aberta até o início da apresentação.

Classificação Etária: 12 anos.

Duração: 120 minutos (com intervalo).

Gênero: Comédia Romântica.


 

 




         RECOMENDO MUITO ESTA MARAVILHOSA COMÉDIA, principalmente num momento em que precisamos, muitíssimo, rir (“SIM, NÓS VAMOS SORRIR” – Dona Eunice Paiva.), necessitamos de uma válvula de escape, que nos tire desta triste realidade de terror e de pânico em que nos encontramos, os verdadeiros “cidadãos de bem do Brasil, os patriotas”, diante do caos que se desenha e, talvez – QUEIRA DEUS QUE NÃO!!! -, nos espere, em poucos dias, e que só é imperceptível por quem se deixa cegar pelo ódio e a ignorância. E VIVA A COMÉDIA!!! (Em tempo: Esta crítica estava pronta desde o dia seguinte à estreia, e sua publicação ficou na dependência de eu receber as fotos de cena, as quais demoraram muito a chegar às minhas mãos, do que isento, totalmente, de qualquer responsabilidade a assessoria de imprensa.)

 

 



 

 


FOTOS: FLÁVIA CANAVARRO

 

 

GALERIA PARTICULAR

(Foto: Fabio Gnone Graziano.)

 

 







 

 

 É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.