domingo, 28 de junho de 2026


                                          “FILIPA”

ou

(UMA HISTÓRIA

SEM FIM.)

 

 

 

         Esta é mais uma crítica sobre um espetáculo que, praticamente, já terá cumprido sua temporada, a segunda, quando estes escritos forem publicados, o que, para mim, não tem importância. Que fique apenas para registro, pelo meu reconhecimento da qualidade da peça. No finalzinho de março deste ano de 2026, assisti, no Teatro Glaucio Gill, a uma montagem que me impactou bastante, quando eu, confesso, nem tanto esperava dela. Fui levado pelo interessante tema, após ter lido o “release” que me fora enviado por STELLA STEPHANY (assessoria de imprensa) e foi uma agradabilíssima surpresa. Isso aconteceu às vésperas da minha viagem anual, de duas semanas, ao Paraná, para acompanhar o “Festival de Curitiba”, o que me impossibilitou escrever sobre o espetáculo. Prometi, a mim mesmo, que, caso a peça voltasse ao cartaz, em outra temporada, eu iria me empenhar para revê-la, com o intuito de escrever a crítica que ela merece. Destarte, fui, no penúltimo dia da nova temporada, por falta de condições de ir antes, ao Centro Cultural Justiça Federal, para reassistir a “FILIPA”, uma contundente história de uma mulher portuguesa, acusada, pela Inquisição portuguesa, de “práticas nefandas” (lesbianismo), na Bahia da segunda metade do século XVI. Filipa de Sousa (1556/1600).

 


 

SINOPSE:

A ação se passa durante o julgamento de Filipa, em que a atriz WALESKA ARÊAS dá vida à personagem, a seu inquisidor e a uma narradora.

Vinda do Algarve, Portugal, Filipa de Sousa, alfabetizada, fato extraordinário para a época, viajou para Salvador em data desconhecida.

Trabalhava como costureira, teve dois maridos e não tinha filhos.

Aos 35 anos, foi denunciada por Paula Siqueira, sua amante, numa espécie de delação premiada: pressionada pela descoberta, em sua casa, do livro “Diana”, de Jorge de Montemayor, proibido pela Igreja, sobre as aventuras amorosas de duas pastoras, tornou-se a principal acusadora de Felipa, por assédio sexual e coação.

Filipa não escondeu, do tribunal, o seu amor pelas mulheres, afirmando que era natural e sem pecado.

Revelou detalhes de seus romances, incluindo Paula Siqueira, com quem se relacionou por mais de três anos.

Na época, das 29 mulheres acusadas de lesbianismo na Capitania da Bahia, sete foram julgadas e condenadas, sendo Filipa de Sousa a mais severamente punida, apesar de ter sido poupada da pena de morte na fogueira por “seus actos sexuais não envolverem penetração”.

Filipa foi condenada ao açoite, prisão, pagamento de todas as custas e degredo perpétuo, enquanto Paula, sua acusadora, teve pena mais branda, condenada a apenas seis dias de prisão e ao pagamento de 50 cruzados de multa e algumas penalidades espirituais.


 


 

 

         A peça aborda um tema da maior importância, e cada vez maior mesmo, justamente por explorar um tema que nos atravessa de maneira brutal, a LGBTQIAPN+fobia, que, no Brasil, já é considerado crime, desde 2019, com pena de 1 a 3 anos de prisão, sem fiança e imprescritível, muito embora nosso país siga sendo o que mais mata indivíduos LGBTQIAPN+ no mundo, além de enfrentar altos índices de violência de gênero. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher sofre violência a cada quatro horas, e quase 50% já vivenciaram agressões físicas, sexuais ou psicológicas.



         Filipa é reconhecida como uma das primeiras vítimas de homofobia no Brasil e um ícone do movimento LGBTQIAPN+ no país. Seu julgamento é considerado o primeiro caso de perseguição sexual e de condenação da prática de lesbianismo, pelo Tribunal do Santo Ofício em terras de Vera Cruz.



         Encantei-me pela peça porque ela traz, totalmente perfeitos, os três principais elementos que sustentam uma produção teatral: o texto, a direção e a interpretação, nesta ordem, posso dizer, a meu juízo. É claro que outros detalhes também agregam valores à montagem, como a curiosa cenografia, de ANDRÉA RENCK, que também responde pelo figurino simples, e a iluminação, de LARA CUNHA, responsável por belos momentos da plasticidade do espetáculo.



         O texto foi escrito por GABRIELA AMARAL e é um primor de simplicidade e, ao mesmo tempo, de sofisticação, atingindo, de forma muito fácil, os espectadores, que seguem atentos às narrativas e aos diálogos. Diz a autora ter-se apaixonado por Filipa em 2000, quando teve acesso a um pequeno verbete de um dicionário sobre mulheres no Brasil, que passou a ser o pontapé inicial para uma profunda pesquisa acerca da personagem, “para decifrá-la” e apresentá-la aos que não a conheciam. Foram 26 anos de um amor profundo por aquela mulher, agora escancarado, que resultou num texto brilhante e necessário. Vivemos tempos terríveis, embora menos nublados do que os da Inquisição que Filipa de Souza enfrentou. Contar a história de Filipa me pareceu urgente. Assim, minha história de amor virou texto. A história de Filipa - dentro e fora dos palcos - é uma história de amor em tempos difíceis. Porque amar é mesmo revolucionário.”, afirma a autora.



         MARIA CLARA GUIM assume a direção, a condução do barco; e o leva a singrar águas calmas, num irretocável exemplo de como ser a “maestrina” numa montagem teatral. A direção é magnífica, coalhada de soluções inteligentíssimas e super criativas, por meio do uso de novelos de um grosso fio elástico, na cor vermelha, que a atriz vai, metaforicamente, distribuindo no espaço cênico, enquanto faz sua narração, esticando-os, em diferentes ângulos, em direção às quatro extremidades do palco, os quais vão sendo abandonados pela cena, como pontas soltas de uma história sem fim e sobre a qual ainda se desconhece muita coisa. Certamente, um dos melhores trabalhos de direção que testemunhei este ano, até o presente momento. “Encenar a história de Filipa de Sousa, hoje, é uma urgência, pois nos convoca a refletir sobre violência, poder e apagamentos históricos. Este espetáculo também nasce do encontro com uma equipe dos sonhos, formada, em sua maioria, por mulheres, cuja presença, escuta e força criativa afirmam, no próprio processo de criação, outras formas possíveis de existir, trabalhar e contar histórias.”, celebra MARIA CLARA GUIM.



         E o que dizer de WALESCA ARÊAS, uma estupenda atriz, que, como tantas, não frequenta as mídias, mas que sabe tudo sobre sustentar um monólogo, com seu precioso talento e seu enorme carisma. A atriz, de quem me tornei um ardoroso fã e que espero rever em outros trabalhos, se divide entre ela mesma, a atriz contadora de uma história, a protagonista e os que com esta dialogam, marcando, principalmente com sua voz, cada um dos referidos. Seu trabalho é digno de premiação. WALESCA parece ter sido talhada para resgatar a trajetória real de Filipa de Sousa (1556-1600), condenada pela Inquisição Portuguesa, em 1592, pelo “pecado” de amar outras mulheres. Viúva, alfabetizada, apaixonada e ousada, Filipa foi humilhada, açoitada e degredada por “pecado nefando”, nome que o Santo Ofício dava ao lesbianismo. “Este espetáculo me atravessou em um lugar muito sensível. Ao ler o processo de Filipa de Sousa, fui tomada por um medo antigo e por uma identificação que não consegui afastar. Estar em cena é a minha tentativa de dar corpo a esse encontro, de tocar feridas abertas e de dizer, mesmo com tremor, que existir e amar não deveriam exigir coragem.”, conta a atriz WALESKA ARÊAS.



Extraído do já citado “release”: Mais de quatro séculos depois, sua história ecoa como símbolo da resistência lésbica e da luta LGBTQIAPN+ no Brasil e no mundo. A peça, para além de reverenciar o ícone, quer descobrir quem foi essa mulher por trás do julgamento, dos documentos e cartas de amor. A história de Filipa, depois de mais de 400 anos, ainda diz muito sobre a sociedade contemporânea, em que amar e expressar-se ainda são atos políticos.”



É importante lembrar que a luta organizada pelos direitos das mulheres e da população LGBTQIAPN+, no Brasil, é recente, mas sua opressão tem raízes profundas. A Inquisição, entre os séculos IV e XVIII, perseguiu pessoas com crenças e práticas contrárias às da Igreja Católica, impondo repressão religiosa, política e sexual. A Igreja e o Estado também reprimiam o corpo feminino, tratando o desejo e o prazer das mulheres como demoníacos. Nesse contexto, a história de Filipa de Sousa se torna ainda mais impactante. Mesmo condenada pela Inquisição, em 1592, em Salvador, recusou-se a se submeter às regras do patriarcado e encorajou outras mulheres a fazerem o mesmo. Sua existência desafiava o que a Igreja via como ameaçador: prazer, inteligência, emoção e liberdade de espírito. Mesmo perseguida, Filipa continuava sendo um símbolo poderoso da resistência feminina e da luta pelos direitos das mulheres, lésbicas e não-lésbicas.

 

 


 

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia: Gabriela Amaral

Direção: Maria Clara Guim

 

Elenco: Waleska Arêas

 

Cenário Andréa Renck

Figurino: Andréa Renck

Iluminação: Lara Cunha

Trilha Original: Paula Leal

Direção de Movimento: Daniela Cavanellas

Visagismo: Alex Palmeira

Fotografia: Valéria Martins

Identidade Visual: Clarice Pamplona

Gestão de Mídias Sociais: Fernanda Portella

Produção Executiva: Tatjana Vereza

Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação - Stella Stephany e João Pontes


 

 

         Ainda que pouco possa adiantar, como divulgação, para a atual temporada, que termina hoje, domingo, 28 de junho de 2026, vai aqui o SERVIÇO da peça:

 

 

SERVIÇO:

Temporada: de 05 a 28 de junho de 2026.

Local: Centro Cultural Justiça Federal (CCJF).

Endereço: Avenida Rio Branco, nº 241, Cinelândia, Centro – RJ (Ao lado da estação Cinelândia do Metrô).

Telefone: (21) 3261-2550.

Capacidade: 141 lugares.

Dias e Horários:  sextas-feiras e sábados, às 19h; domingos, às 18h.

Valor dos Ingressos: R$ 50 e R$ 25 (meia-entrada), em www.sympla.com.br e na Bilheteria, duas horas antes da sessão.

Duração: 60 minutos.

Classificação Etária: 16 anos.

Acessibilidade: SIM.

Gênero: Drama Histórico.

ATENÇÃO: Devido aos jogos do Brasil, pela Copa do Mundo, não haverá sessões nos dias 13 e 19 de junho. E nos dias 21 e 28, as sessões acontecerão às 16h e 18h.


 

 


         RECOMENDO MUITO O ESPETÁCULO e espero que ainda possa haver, pelo menos, mais uma temporada desta peça, para os que me leem possam conferir a veracidade das minhas palavras.

 

 

 

 

 

FOTOS: VALÉRIA MARTINS

 


É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 



 

 

 

 


































































sábado, 27 de junho de 2026

 

“INCONDICIONAIS”

ou

(UMA LUZ SOBRE A INVISIBILIDADE.)

 


 

 

         E o Amok Teatro, uma das mais importantes companhias de TEATRO do Brasil, retorna à forma de TEATRO documental com o seu mais recente espetáculo, “INCONDICIONAIS”, em cartaz, em curta temporada, na Arena do SESC Copacabana (VER SERVIÇO.). A peça mergulha, sem dó nem piedade, no universo de mulheres carcerárias. A montagem é baseada em fatos reais, apresentando-se a partir da escuta de suas próprias vozes. Trata-se de um retrato sensível e contundente sobre culpa, opressão, memória e cuidado, num convite ao público a pousar o olhar sobre um mundo invisível: o sistema carcerário, com os desafios da reintegração social e da violência estrutural. Mais do que uma peça “sobre prisão”, esta montagem do Amok traz uma investigação sobre escuta, abandono, invisibilidade, maternidade, raça, pobreza e humanidade em situações-limite.



 

SINOPSE:

“INCONDICIONAIS” mergulha no universo prisional feminino, para explorar as relações de cuidado que emergem em contextos de violência e privação de liberdade.

Baseado em depoimentos e fatos reais, o espetáculo faz uma incursão na jornada de quatro mulheres encarceradas, em uma penitenciária brasileira.

O tempo é regulado por grades, códigos próprios e pela longa espera.

Nesse contexto, um pequeno gabinete de atendimento transforma-se em espaço de escuta, confronto e humanidade.

Entre relatórios, laudos e decisões judiciais, psicólogas e assistentes sociais de “jaleco branco” recebem mulheres marcadas pela pobreza, pela violência estrutural, pela maternidade interrompida e pelo abandono social.

Ao dar voz a essas mulheres, a peça constrói um diálogo com a realidade contemporânea, refletindo sobre o impacto do sistema prisional feminino no Brasil e sobre a busca por sentido e dignidade em meio às adversidades.


 



         O TEATRO tem várias funções, embora muita gente pense que ele só existe como um vetor de entretenimento, mas esta é apenas uma delas. Quem assim pensar, certamente, não vai gostar do espetáculo em tela, visto que, aqui, mais que tudo, o TEATRO se mostra como um elemento de denúncia de uma situação que abrange todo o território nacional e é um alerta para que todos tenhamos mais empatia por umas criaturas tão desgraçadas pela vida e para aquilo de que elas mais necessitam: escuta e acolhimento.   


    

A peça, que tem texto e direção da premiada dupla ANA TEIXEIRA e STEPHANE BRODT é inspirada nos livros “Cadeia – Relatos Sobre Mulheres”, de Debora DinizPrisioneiras”, de Dráuzio VarellaPresos Que Menstruam”, de Nana Queiroz; e Prisioneiras – Vida E Violência Atrás Das Grades, de Bárbara Musumeci Soares e Iara Ilgenfritz, e é o resultado de um intenso e doloroso processo de pesquisa documental e, aproximadamente, seis meses de ensaios. A dramaturgia foi construída a partir de entrevistas, depoimentos, artigos e estudos diversos. Para isso, o Amok Teatro mergulhou em um universo complexo, marcado por estigmas, violência e abandono. “A cadeia surge como etapa final de um percurso que, muitas vezes, se inicia ainda na infância, na casa ou na rua. A cadeia é a linha final de um grande rito do abandono, iniciado bem antes de chegarem ali. Os nomes e os rostos são diferentes, mas, no final, todas se parecem nessa “máquina do abandono”. (Extraído do “release” enviado por NEY MOTTA – assessoria de imprensa.)



“Ao aproximar o público daquelas que a sociedade mantém à margem, o TEATRO reafirma seu papel como espaço de escuta, espaço em que podemos manter aceso o interesse pela complexidade dos seres humanos, sem o qual viver perde o sentido e o encanto.”, afirma ANA TEIXEIRA.



Os autores colocam, lado a lado ou frente a frente, dois tipos de mulheres em atendimentos: detentas, cujas trajetórias revelam marcas profundas da pobreza, da violência estrutural, da maternidade interrompida e do abandono, o que as levou a cometer os mais variados crimes, e “cuidadoras do sistema prisional”, as chamadas “jalecos brancos”, profundamente empáticas, que escutam e buscam aliviar a dor daquelas pobres infelizes. Nesses atendimentos, as presas são, temporariamente, apenas “mulheres” e os “jalecos brancos” representam uma válvula de alívio e escape, por meio de uma breve suspensão das regras hegemônicas do espaço policial. Ali, as carcerárias são tratadas com respeito e amor, carinho e compreensão. É nesse contexto que se cruzam as trajetórias de quatro personagens detentas. Histórias de mulheres e, sobretudo, de mães, o que torna a situação muito mais difícil e triste.



Talvez o que de mais importante a peça deseja passar é a potência transformadora da escuta, infelizmente, de uma forma geral, tão em baixa no mercado, em qualquer ambiente. Naqueles encontros, são expostos as fissuras e os cacos de um sistema que “reduz vidas a processos” e prega a “lei pela lei”. Entre atendimentos e momentos de convivência, as internas constroem redes frágeis de sororidade, solidariedade, um fiapo de humor e muita resistência, enquanto revelam a complexa engrenagem que organiza a vida prisional.



A estrutura dramatúrgica se apresenta na forma de cenas semi-independentes, como fragmentos, tal qual uma colcha de retalhos; “pedaços de vida daquelas pobres mulheres”, como diz STEPHANE BRODT. São 90 minutos de ação, que passam num “átimo”, do ponto de vista dos tempos cronológico e psicológico, sem que o percebamos, de tão ligados que ficamos ao espaço cênico.



O espetáculo chega em boa hora, visto que muito pouco se fala da situação das mulheres encarceradas, principalmente no Brasil, que possui a terceira maior população carcerária do mundo, ultrapassando a marca de 900 mil pessoas privadas de liberdade. Elas chegam à cadeia, em sua extrema maioria, na forma de jovens, pobres, com baixa escolaridade, dependentes de drogas, negras e mães, numa vulnerabilidade total. Embora representem uma minoria no universo dos indivíduos encarcerados, cerca de 5% da população prisional, é motivo de preocupação o fato de que tem aumentado bastante, nos últimos 15 anos, a população prisional feminina: um aumento de mais de 560%, só em uma década e meia. E o pior é que sabemos que, ao contrário daquilo a que foi destinado o cárcere, ou seja, um período voltado à ressocialização, na maioria das vezes, o(a) detento(a), após cumprir sua pena, é jogado à rua invisibilizado(a), cum uma mácula muito difícil de ser apagada e com poucas oportunidades de poder voltar ao convívio social.



“Quando pensamos em encarceramento, é comum a ideia de que todos os presos devem ser tratados de forma igual. Mas a isonomia é injusta, quando consideramos as diferenças. O sistema prisional feminino envolve gestantes, bebês nascidos no chão das cadeias, mulheres privadas de acesso à saúde e às visitas íntimas (permitida a elas 17 anos após os homens terem conquistado esse direito) e envolve também os filhos.” (Trecho também extraído do já citado “release”.)



Para os que ainda não o conhecem, creio ser interessante falar um pouco sobre a trajetória do Amok Teatro, por meio de informações extraídas do “site” da companhia. O Amok Teatro vem desenvolvendo, regularmente, projetos de criação, pesquisa, formação e circulação, realizando numerosas turnês, apresentando espetáculos e ministrando oficinas em mais de 170 cidades de todas as regiões do Brasil e em países como Escócia, Sérvia, Argentina e China. Realizou os projetos “Trilogia da Guerra” (envolvendo a criação de 3 espetáculos, mais de 80 horas de debates, apresentações em 68 cidades brasileiras e 1 publicação) e “África” (envolvendo 3 espetáculos, mais de 280 horas de atividades formativas voltadas para artistas de baixa renda, intercâmbios com mestres de tradição e ações culturais em comunidades quilombolas). Desenvolve, ainda, uma pesquisa continuada sobre a arte do ator, mantendo um núcleo permanente: o LIAD (Laboratório de Investigação Artaud-Decroux), dirigido por ANA TEIXEIRA (integrante do Centro Internacional de Pesquisas Artísticas e Acadêmicas sobre Antonin-Artaud). A Cia também mantém uma intensa atividade pedagógica, ministrando oficinas em sua sede, em festivais, universidades e em renomadas Instituições culturais nacionais e internacionais.




Voltando à peça, os elementos cenografia, figurinos e iluminação são bem simples e funcionam a contento, cedendo o foco maior ao ótimo texto e ao excelente trabalho de interpretação de um quinteto de atrizes negras, quatro delas em mais de um personagem, todas merecedoras de muitos aplausos.



Notamos que o espetáculo “não pretende representar a totalidade do sistema prisional, mas lançar luz sobre algumas de suas camadas mais invisibilizadas”. Mais do que um retrato social, “‘INCONDICIONAIS’ é um mergulho na complexidade da experiência humana”.

 

 


 

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia: Ana Teixeira e Stephane Brodt

Direção: Ana Teixeira e Stephane Brodt

 

Elenco (por ordem alfabética): Dai Ramos, Luciana Lopes, Sirlea Aleixo, Taty Aleixo e Thay Aleixo

 

Cenário: Ana Teixeira

Figurinos: Stephane Brodt

Iluminação (criação): Renato Machado

Edição de Som: Gabriel Petitdemange

Operação de Luz: João Gaspary         

Operação de Som: Anderson Ribeiro

Cenotécnico: Beto Almeida

Produção: Gabriel Garcia

Assessoria de Imprensa: Ney Motta

Fotos de Divulgação: Renato Mangolin

“Designer” gráfico: Dila Puccini

Mídias sociais: Mariã Braga


 

 



 

SERVIÇO

Temporada: De 25 de junho a 19 de julho de 2026.

Local: Teatro Arena do Sesc Copacabana.

Endereço: Rua Domingos Ferreira, nº 160, Copacabana, Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 5ªs e 6ªs feiras, às 20h; sábados e domingos, às 18h.

Datas de sessões com acessibilidade: 27/06 e 11/07.

Valor dos Ingressos: R$ 30 (inteira); R$ 27 (conveniados), R$ 21 (credencial plena Sesc); R$ 15 (meia-entrada para casos previstos por lei - idosos, estudantes, PCD e jovens de baixa renda na faixa etária 15 a 29 anos que apresentem carteira jovem ou CadÚnico; professores e classe artística com registro profissional, convênio e programa Mesa Brasil); Gratuito (público cadastrado no PCG).

Horário de funcionamento da Bilheteria: De 3ª a 6ª feira, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 14h às 20h.

Informações: (21) 3180-5226.

Lotação: 155 lugares.

Classificação Etária: 16 anos.

Duração: 90 minutos.

Gênero: Drama Documental.


 

 

 

         Depois de todo este arrazoado crítico, seria até desnecessário dizer que RECOMENDO MUITO ESTE ESPETÁCULO, EXTREMAMENTE NECESSÁRIO.

 

 

 

 

 

FOTOS: RENATO MANGOLIN



GALERIA PARTICULAR:



Com Sirléa Aleixo.


 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.