terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

“OLHOS NOS OLHOS”

ou

(UMA BELA E JUSTA HOMENAGEM, EM FORMA DE POESIA, AO MAIOR DOS COMPOSITORES BRASILEIROS.)

ou

(UMA TRIPLA CELEBRAÇÃO.)

ou

UMA SINGELA AULA POÉTICA DE TEATRO.)

 

 


 

         Não é todo dia que uma das maiores damas dos nossos palcos comemora, em grande estilo, seis décadas de bons serviços prestados ao TEATRO brasileiro e 80 de vida.  Além dessas duas celebrações, há uma terceira, a da obra poético/musical de um dos nossos gênios, em se tratando da grande plêiade de artistas brasileiros, o maior compositor da Música Popular Brasileira, a meu juízo e de milhões de pessoas. A diva em questão é ANA LÚCIA TORRE, que está em cartaz, até o dia 29 de março próximo (2026), na Sala B do Teatro BTG Pactual Hall, em São Paulo. Já o grande homenageado é CHICO BUARQUE DE HOLANDA. Na verdade, há uma quarta celebração em jogo: da MORENTE FORTE, que completa 40 anos de intensa atuação na cena teatral brasileira.

 


 

SINOPSE:

Para celebrar seus 80 anos de vida e 60 de carreira, ANA LÚCIA TORRE, uma das maiores atrizes brasileiras de sua geração, divide, com o público, memórias e reflexões, em um espetáculo vibrante, revelador e cheio de emoção, mesclando histórias de sua trajetória pessoal e profissional com falas declamativas de letras de diversas músicas icônicas de Chico Buarque, com participação do pianista DIÓGENES JUNIOR.

A narrativa, neste solo, traz algumas das mais marcantes letras compostas por CHICO, no entanto as canções não são cantadas, e sim faladas, ditas como um texto dramático, revelando novas camadas de interpretação de sua obra e uma sensação de redescoberta de pérolas de um dos mais importantes compositores brasileiros de todos os tempos.

Quem assiste se identifica totalmente com os temas essenciais que compõem a narrativa, como arte, amores, separações, maternidade, resistência, sociedade e o tempo.

Letras de clássicos, como “Meu Guri”, “Beatriz”, “Geni e o Zepelim”, “Valsinha”, “Atrás da Porta” e “Olhos nos Olhos”, entre muitas outras, compõem o roteiro repleto de delicadeza e bom humor.


 


 


              Como professor de língua portuguesa e literatura brasileira, sempre me deixei fascinar pelo conteúdo de muitas das letras do nosso cancioneiro popular, enxergando-as, antes de tudo, como verdadeiros poemas musicados, dos quais CHICO BUARQUE é, na minha VISÃO, o maior de todos os letristas, ao lado de outros que o acompanham bem de perto. Outra coisa que sempre mexeu com o meu imaginário é o fato de as pessoas se apaixonarem por determinadas canções e aprenderem a cantá-las, sem nunca terem parado para analisar o teor de suas letras e o grande potencial poético nelas inserido. De sorte que, logo que tomei conhecimento do espetáculo “OLHOS NOS OLHOS”, título de uma das mais belas composições de CHICO – “Quando você me deixou, meu bem... Olhos nos olhos, quero ver o que você faz...” -, passei a alimentar o desejo de assistir ao monólogo, para o que não medi esforços e me desloquei até São Paulo, sem muita esperança de que pudesse assistir, no caso, agora, pela segunda vez, no Rio de Janeiro. Oxalá os DEUSES DO TEATRO permitam que o espetáculo faça uma temporada carioca, que, certamente faria o mesmo grande sucesso que a peça vem fazendo na capital paulista, já em segunda temporada.



             Repetindo o vitorioso empreendimento que foi a encenação de “Longa Jornada Noite Adentro”, em 2022, no TUCA de São Paulo, a FICHA TÉCNICA de “OLHOS NOS OLHOS” reúne, outra vez, o imenso talento de atriz de ANA LÚCIA TORRE, o não menos importante trabalho de dramaturgia e direção de SERGIO MÓDENA, a produção de CÉLIA FORTE e SELMA MORENTE, a cenografia, de ANDRÉ CORTEZ; o figurino, de FÁBIO NAMATAME; e a coordenação e comunicação de BETH GALLO. Não se deve mesmo mexer em time que está ganhando.



           O espetáculo é de uma leveza, de uma singeleza, de uma pureza e poesia incalculáveis, conduzido pelo talento e carisma de ANA LÚCIA TORRE. Por 80 minutos, ela nos pega pelas mãos e, com sua marcante voz, calma e aveludada, nos conduz pelos corredores e labirintos intermináveis da obra poético-musical de CHICO, tudo junto e misturado com memórias de suas vivências artísticas e pessoais, deixando-me, inclusive, pasmo, diante do relato de seu imbróglio com os milicos do golpe militar de 1964. Além deste, há tantos outros, interessantes, curiosos e impactantes, que valem a pena conhecermos. Tudo isso nos é passado com bastante intimidade e cumplicidade, num ambiente minimalista, construído e enriquecido pelos trabalhos dos artistas de criação.



               A cenografia, assinada por ANDRÉ CORTEZ, é simples, porém linda e muito significativa, marcada pela colocação de vários espelhos enormes, dispostos em semicírculo, que refletem a imagem multiplicada da atriz e que podem – assim decodifiquei o cenário – ter uma ligação com os vários “chicos”, mostrar o cantor e compositor em seu potencial “camaleonismo”.



         O espetáculo corre num tom nobre e discreto. FÁBIO NAMATAME entendeu isso e desenhou e confeccionou um belo e sóbrio traje, em tons pastéis, com um perfeito caimento, ressaltando a bela e elegante presença física da fabulosa atriz.



           Para que tudo tenha seu momento de destaque e de comedimento, quando necessário, entra em campo GABRIELE SOUZA, com um desenho de luz discreto e harmônico.



             O belo texto é um amálgama de algumas das letras escritas por CHICO BUARQUE, “in totum” ou parcialmente, com pequenos textos da lavra de SERGIO MÓDENA, que também conduz, com maestria, a direção do solo. MÓDENA foi simples e delicado em seu trabalho, exatamente como este pedia, e não teve a menor intenção de “inventar a roda”; apenas soube se valer da sua própria e potente dramaturgia e do talento da atriz, para construir uma montagem que nos provoca dois desejos: o de que nunca termine e de querer rever a obra, como, exatamente, me sinto agora, além de estar experimentando um imenso prazer em escrever esta modesta crítica.



               Apesar de ser um solo, ANA LÚCIA TORRE, deslumbrante e poderosa em cena, divide o palco com o excelente pianista DIÓGENES JUNIOR, que é apresentado pela atriz, no início da peça, e passa a ocupar um lugar numa das coxias, ficando, discretamente, pouco à mostra da plateia, porém totalmente necessário à encenação.



                Seja qual for o tema da letra declamada – amor, política, sociedade... – ANA LÚCIA TORRE assume a postura, de corpo e voz, que sugere o teor da letra, o que ele privilegia, numa demonstração de sua imensa capacidade de se moldar a cada texto, num espetáculo que “estabelece uma ligação íntima entre a atriz e o público”. É o título do espetáculo; é o título de uma canção; e é o modo como atriz e público se veem: “OLHOS NOS OLHOS”. “Ela fala sobre amor, separação, resistência, esperança, maternidade, a paixão pela arte e outros tópicos. É o retrato de uma grande atriz, mas também, em certa medida, do nosso país.”, como diz SERGIO MÓDENA. E não há como não concordar com ele.

 

 


 

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia: Sergio Módena

Direção: Sergio Módena

Assistência de Direção: Mariana Rosa

 

Interpretação: Ana Lúcia Torre

Pianista Acompanhante: Diógenes Junior

 

Direção Musical: Pedro Lobo

Cenografia: André Cortez

Figurino: Fábio Namatame

Iluminação: Gabriele Souza

Contrarregra e Camareiro: Toninho Pita

Operador de Som: Valdilho Cruz

Coordenação de Comunicação: Beth Gallo

Programação Visual: Gustavo Wabner

Fotos de Estúdio e Cenas: Priscila Prade

“Social Media”: Isabella Pacetti

Assistência Administrativa: Alcení Braz

Assistência de Produção: Carol Ariza

Administração: Magali Morente

Coordenação de Projetos: Egberto Simões

Produtoras Associadas: Ana Lúcia Torre, Selma Morente e Célia Forte

Uma produção Morente Forte Produções Teatrais


 




 

SERVIÇO:

Temporada: De 16 de janeiro a 29 de março de 2026.

Local: Teatro BTG Pactual Hall – Sala B.

Endereço: Rua Bento Branco de Andrade Filho, nº 722, Santo Amaro - São Paulo.

Capacidade: 240 lugares.

Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h30; domingo, às 18h30min.

Valor dos Ingressos: Entre R$ 25 (meia-entrada) e R$ 160 (inteira), a depender da localização do assento.

Venda dos Ingressos: Bilheteria (Atendimento presencial, sem cobrança de taxa de serviço): de 3ª feira a sábado, das 13h às 20h30min; domingo e feriado, apenas em dias de espetáculos, até o início da apresentação.

Vendas “on-line” (Com taxa de serviço.): “Site” da Plataforma SYMPLA.

Duração: 80 minutos.

Classificação Etária: 12 anos.

Com acessibilidade em todas as sessões.

Gênero: Monólogo.


 


 

 

            Sentir-me-ia profundamente feliz e gratificado se o espetáculo cumprisse uma temporada no Rio de Janeiro, não só para que eu pudesse rever esta maravilha de espetáculo, como também para que os cariocas que apreciam uma excelente montagem teatral também pudessem sentir a emoção que me atingiu, quando tive o privilégio de conhecer esta obra. “OLHOS NOS OLHOS” É UMA PRODUÇÃO DE ALTÍSSIMA QUALIDADE HUMANA, ARTÍSTICA E TÉCNICA.

 

 

 

 

FOTOS: PRISCILA PRADE

 

 

GALERIA PARTICULAR

(Foto: Carlos Sabag.)

  


Com a querida Ana Lúcia Torre.

 



É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!
















































































sábado, 14 de fevereiro de 2026

 

“MULHER EM FUGA”

ou

(UMA PODEROSA

LUTA PELA LIBERDADE

DE SER ALGUÉM

E RESGATAR UMA IDENTIDADE.)





         Nunca é tarde para se aprender e, por mais velhos e maduros que sejamos, temos muito a evoluir com a contribuição da juventude. Não faz nem um ano, por meio de um sobrinho-neto, o ator João Pedro Bartholo, depois de termos assistido, juntos, a uma peça, “Eddy – Violência & Metamorfose”, fui apresentado à obra literária de um fabuloso autor, um fenômeno de comunicação, no mundo inteiro, principalmente entre os mais novos. Já li quatro de seus livros. Falo de um francês, de apenas 33 anos, chamado ÉDOUARD LOUIS, dos mais festejados escritores contemporâneos. A peça era uma adaptação de três de seus fantásticos livros: “O Fim de Eddy”, “História da Violência” e “Mudar: Método”, com dramaturgia de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky. Há poucos dias, tive a gratíssima oportunidade de ter assistido, em São Paulo, três dias antes do encerramento de sua vitoriosa temporada, a outro trabalho teatral de LOUIS, com dramaturgia, de PEDRO KOSOVSKI, apoiado em duas das obras do renomado autor: “Lutas e Metamorfoses de uma Mulher” e “Monique se Liberta”. Ainda que o espetáculo não esteja mais em cartaz na capital paulista, no SESC 14 Bis (Teatro Raul Cortez) eu não poderia deixar de escrever sobre a peça, que tanto impacto me causou, pelo conjunto da obra. Ainda terei a ventura de rever o espetáculo mais duas vezes: uma no Rio de Janeiro, onde já tem estreia marcada para o dia 05 de março próximo (VER SERVIÇO.), e no “Festival de Curitiba”, onde estarei presente, fazendo a cobertura, na primeira quinzena de abril. E não vou deixar escapar mesmo essas duas raras chances.




 

SINOPSE:

A narrativa da peça acompanha Monique (MALU GALLI), a mãe do autor, em diferentes momentos de sua vida: gesto literário ao mesmo tempo, íntimo e político, que expõe as engrenagens sociais que silenciam e subjugam mulheres da classe trabalhadora.

Entre a luta e a libertação, o que vemos é uma mulher que insiste em recomeçar, depois dos 50 anos.

E, nesse gesto, Monique se torna, também, o retrato de tantas mulheres brasileiras que, contra todas as adversidades, assumem a chefia de suas famílias e reinventam suas vidas. 

Édouard Louis (TIAGO MARTELLI) é um personagem presencial e também participa, o autor, da encenação de “MULHER EM FUGA” por meio de voz “off”, na cena em que ele e sua mãe conversam ao telefone.


 

 

 

         Esta é a primeira adaptação nacional de “Lutas e Metamorfoses de uma Mulher” e Monique se Liberta”, obras marcantes do escritor que, até o momento, nunca haviam sido encenadas no país. A dramaturgia inédita é assinada por PEDRO KOSOVSKI, com direção de INEZ VIANA, trazendo a atuação de MALU GALLI e TIAGO MARTELLI, que também é o idealizador do projeto, e contando com a coordenação geral de produção de CICERO DE ANDRADE.



             Diante do tristíssimo panorama que vem sendo observado no Brasil, em que milhares de mulheres vivem sob a chibata cruel de seus companheiros, sem falar no aumento, a cada dia, do número de feminicídios, considero este espetáculo como sendo de “utilidade pública”, por chamar a atenção para o problema, jogando luzes sobre suas consequências, e alertando as vítimas, para que consigam se desprender das garras, se libertar de tal regime de terror e possam, pelo menos, tentar um recomeço, sabendo-se impor, como mulheres, e se amando, se respeitando e se valorizando mais, acima de qualquer coisa.



   “A história da minha mãe é a história de uma vida roubada e, portanto, também, a história de uma juventude roubada, como foi a vida e a juventude de muitas mulheres, e é por isso que me pareceu importante escrever este livro, rebelar-me contra isso.” (Édouard Louis). Pelas palavras do próprio autor, já se pode ter uma ideia do que vamos encontrar no palco: um relato realista, triste e cruel, a história de uma mulher que não conseguia se colocar como ser humano, igual a seus homens (Foram três maridos. Foram três suplícios. Foram três fugas.).



   Juntos, numa dramaturgia só, os dois livros, duas obras literárias centrais na trajetória de ÉDOUARD LOUIS, abordam a vida de sua mãe sob diferentes perspectivas: em “Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher” (2021), o escritor reconstrói a trajetória de sua mãe, a partir do olhar do filho que testemunhou – muitas vezes, à distância, outras de muito perto – um percurso marcado por pobreza, humilhações, trabalho exaustivo e um casamento abusivo. A obra narra o difícil caminho da metamorfose: o momento em que uma mulher decide romper com o ciclo de violência e buscar dignidade, liberdade e reconstrução. “LOUIS transforma a memória íntima em gesto político, revelando como estruturas sociais moldam vidas e limitam possibilidades.”. Já “Monique se Liberta” (2024) amplia essa narrativa, ao devolver a palavra à própria protagonista. “Pela primeira vez, Monique assume a autoria de sua história, descrevendo, com força e lucidez, o que significa sobreviver – e resistir – dentro de um sistema que silencia mulheres da classe trabalhadora. Ao narrar seus medos, perdas, estratégias e conquistas, ela reivindica o direito de existir para além das condições que lhe foram impostas. O livro funciona como um contraponto e uma resposta ao relato do filho, completando o movimento de emancipação, que começou no primeiro volume.”. (Os trechos em negrito foram extraídos do "release" a mim enviado por NEY MOTTA - assessoria de imprensa,)




     Na magnífica adaptação e dramaturgia de PEDRO KOSOVSKI, o dramaturgo cria diálogos entre mãe e filho, mas também apresenta o personagem Pai participando de algumas cenas, também interpretado por TIAGO MARTELLI, além de jogar bastante com o recurso do “flashback”. Na relação entre mãe e filho, ficam registrados tanto o conflito quanto o afeto, a memória e a insurgência presentes na obra de ÉDOUARD LOUIS. Talvez “com pena” do espectador, vez por outra, raramente, KOSOVSKI alivia um pouco a tensão, escorregando para um sutil e superficial humor, como que para nos poupar de um sofrimento maior.



   O conjunto da obra é fascinante, tudo muito bem regido pela sensibilidade e talento de INEZ VIANA, em sua porção diretora. Tendo em mãos um texto tão enxuto e forte e um casal de excelentes atores, a direção comprime o dedo, com precisão e pressão absolutas, sobre as feridas abertas e “incicatrizáveis”, provocando a atenção e o respeito do espectador, que se se entrega a uma total empatia voltada aos dois personagens, visto que são duas vítimas. Segundo a diretora, ao conduzir sua mãe para o centro da narrativa, LOUIS propõe um grito contra o sistema patriarcal, que oprime e faz com que haja a naturalização da violência, que encontramos eco aqui e agora. “Com MALU GALLI e TIAGO MARTELLI conduzindo a narrativa, a direção de INEZ VIANA oferece ao público uma experiência potente, que transforma a história pessoal de Monique em reflexão universal sobre emancipação, violência estrutural e a importância de reivindicar a própria voz.”. (Também extraído do “release” da peça.)




    Que trabalho potente de interpretação! Formidável! A dupla de artistas se apodera de seus personagens com total entrega e verdade e os doma, que nos dá vontade de interromper a tensão de um diálogo com demorados e merecidos aplausos em cena aberta; mas não o fiz e não aconselho que o façam, para não atrapalhar a concentração dos artistas. MALU GALLI, uma das maiores atrizes de sua geração, supera, em qualidade, todos os seus trabalhos anteriores, sempre tão marcantes, e candidata-se a prêmios de TEATRO, ao final da temporada, como melhor atriz. MALU interpreta uma Monique que não nos chega como uma simples figura de ficção, mas como aquela(s) mulher(es) real(ais), que todos nós, infelizmente, conhecemos ou de quem, pelo menos, já ouvimos falar. A MALU que vemos em cena é totalmente diferente da que já aplaudimos em outros trabalhos no palco, “metamorfoseada”, externamente, por um excelente trabalho de visagismo, a cargo de VINI KILESSI.




      Sinto um imenso prazer quando encontro, num elenco, atores a atrizes que não conhecia, até então, e que sabem dizer, com total propriedade, a que vieram, como é o caso de TIAGO MARTELLI. Salvo engano, é a primeira vez que o vejo sobre as tábuas e já me tornei um admirador de seu talento. TIAGO sabe como transmitir toda a dor e frustração de ter testemunhado o sofrimento e o desmantelamento da mãe, procurando salvá-la e trazê-la, de novo, à vida, fazer dela uma Fênix. O personagem faz questão de, sob os protestos de Monique, falar, em seus livros, da sua infância pobre e sofrida, mostrando-se totalmente empático com relação à mãe, porém – achei curioso – não consegue esconder, de todo, uma espécie de certa “vergonha” dela. São palavras de INEZ VIANA, que eu corroboro: “Através de sua ajuda para a terceira fuga de sua mãe, o filho tenta não só recuperar sua relação interrompida com ela, mas entende, e nós também entendemos, que a liberdade e o caminho não percorridos sempre poderão ser retomados, independentemente do tempo.”. O ator cumpre seu papel com total aprovação de minha parte. TIAGO MARTELLI e MALU GALLI enriquecem e valorizam os trabalhos um do outro.



     Dos elementos de criação, todos acertadíssimos, acolho e destaco muito a cenografia, de DINA SALEM LEVY. Ao adentrar a sala de exibição, achei curioso o detalhe de uma mesa gigantesca, que corta, em diagonal, todo o espeço cênico. Com o desenrolar da peça, porém, fui entendendo a sua funcionalidade, na trama, e gostando muito do que vi, de como ela é bem utilizada pela direção.


 

 

FICHA TÉCNICA:

Autor: Édouard Louis

Dramaturgia: Pedro Kosovski

Direção Artística: Inez Viana

 

Elenco: Malu Galli e Tiago Martelli

Voz “off”: Édouard Louis

 

Assistência de Direção: Lux Nègre

Cenografia: Dina Salem Levy

Cenógrafa Assistente: Alice Cruz

Figurino: Ticiana Passos

Desenho de Luz: Aline Santini

Trilha Sonora: Felipe Storino

Colaboração Artística / Orientação de Movimento: Denise Stutz

Visagismo: Vini Kilesse

Assessoria de Imprensa: Ney Motta (Contemporânea Comunicação e Cultura)

Fotografia: João Pacca - Opacca (Estúdio) e Leonardo Bonato (Cena)

“Designer” Gráfico: Fernando Vilarim

Preparador Musical: Marcelo Callado

Operador de Luz: Paulo Maeda

Operador de Som: Cauê Andreassa

“Videomapping” / Assistente de Luz: Ricardo Barbosa

Direção de Produção: Gabriela Morato - Associação Sol.te

Coordenação Geral de Produção: Cícero de Andrade - Mosaico Produções

Produção: Dani Simonassi, Tiago Martelli e Matheus Ribeiro

Idealização: Tiago Martelli

 

 



 







 

 

SERVIÇO:

(OBSERVAÇÃO: Como o espetáculo não está mais em cartaz no SESC 14 Bis (Teatro Raul Cortez), em São Paulo, onde assisti a ele, não caberia a publicação de um SERVIÇO, porém o que se segue já é referente à temporada a ser iniciada no dia 05 de março próximo, no Teatro FIRJAN SESI Centro, no Rio de Janeiro.)

Temporada: De 05 de março até 05 de abril de 2026.

Local: Teatro Firjan SESI Centro.

Endereço: Avenida Graça Aranha, nº 01, Centro - Rio de Janeiro (Próximo ao Metrô Cinelândia).

Dias e Horários: Às 5ªs e 6ªs feiras, às 19h; aos sábados e domingos, às 17h.

Valor dos Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

Classificação Etária: 14 anos.

Duração: 80 minutos.

Gênero: Drama. 


 

 

 

 

              Apesar de ser uma peça que comporta muita dor e sofrimento, não é um espetáculo “para baixo”, e a incrível qualidade desta montagem faz com que eu a RECOMENDE MUITO a todos os que apreciam uma boa peça teatral. Mais do que isso: UMA EXCELENTE PEÇA TEATRAL!

 

 

 

 

 

FOTOS: JOÃO PACCA (ESTÚDIO)

e

LEONARDO BONATO (CENA).

 

 

 

 

GALERTA PARTICULAR

(Foto: Guilherme de Rose.)

 

 

Com a querida Inez Viana.


 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!