quarta-feira, 26 de agosto de 2026

 

“FESTA NO ARRAIAL,

O MUSICAL”

ou

(PARECE TEATRO

INFANTIL, 

MAS NÃO É.)

ou

(E SHAKESPEARE

PULOU A FOGUEIRA.)

 

 


 


         No último sábado (22/08/2026), assisti, no Teatro Clara Nunes, Shopping da Gávea (VER SERVIÇO.), em horário alternativo, a um belo, leve e alegre espetáculo musical, que levanta discussões quanto ao seu gênero. Na verdade, não, propriamente, quanto a isto – É claro que se trata de um musical! -, mas, verdadeiramente, a quem ele é direcionado, a que faixa etária. Seria um musical infantil? À primeira vista, pode parecer, mas não o é. "'FESTA NO ARRAIAL, O MUSICAL' não é uma peça exclusivamente infantil; é classificada como um espetáculo para toda a família.", como consta no "release" que recebi de CARLOS PINHO, assessor de imprensa do espetáculo. E eu concordo com isso, apesar de ter me aborrecido bastante com duas criancinhas, dos seus dois ou três anos, no máximo, sentadas atrás de mim, que, por não estarem entendendo, absolutamente, nada – Até porque isso não era mesmo possível a elas, naquela faixa etária. – não paravam de tagarelar, e muito alto, sem que as respectivas mães conseguissem contê-los ou com isso se preocupassem. E o pior é que eu estava na primeira fila e eles, obviamente, na segunda, e as falas dos pequenos estavam, como não poderia deixar de ser, chegando ao palco, o que poderia interferir no trabalho dos atores. Embora a montagem chegue a encantar as crianças, pelo clima lúdico e colorido, a trama, a história em si, é para atrair e divertir os adultos. Os pré-adolescentes podem reagir de outra forma, acredito, mas não os menores que estes. Mas nem mesmo aqueles dois “pequenos papagaios” (Momento fofura!) conseguiram interferir na minha boa apreciação do espetáculo. Gostei da peça, e a prova disso é que me propus a escrever sobre ela.

 

 




SINOPSE:

FESTA NO ARRAIAL, O MUSICAL” é uma adaptação livre do clássico Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, ambientada em uma vila nordestina, durante os festejos juninos.

Em uma pequena vila nordestina, tomada e iluminada pela magia das festas juninas, na noite mais brilhante do ano, quando o céu se ilumina, para celebrar o “Dia de São João”, nasce uma história de amor, guiada pelas forças da Natureza encantada.

Dois jovens apaixonados, Hérmia (LORENA TUCCI) e Lisandro (BERNARDO MESQUITA), sonham em se casar durante a grande noite do arraial.

Mas, quando algo inesperado surge em seus caminhos, no momento em que imprevistos e conflitos se fazem presentes, para atrapalhar o desejo do jovem casal, seus planos mudam drasticamente e tomam rumos imprevisíveis.

O amor dos dois é colocado à prova, e o destino de todos ao seu redor começa a se transformar.

Entre fogueiras acesas, quadrilhas animadas e canções que embalam a festa, a trama ganha novos contornos, quando a floresta revela seus mistérios e o mundo dos encantados atravessa o caminho dos personagens, com a interferência das forças da Natureza e de criaturas e seres encantados da mata, personagens mágicos inspirados no folclore e no universo de fadas da peça original, que interferem nos romances e destinos dos humanos, na floresta, transformando a vida de todos na vila.

Em meio a encontros e desencontros, cada um será levado a entender o que, realmente, significa amar.

“FESTA NO ARRAIAL, O MUSICAL” é um espetáculo vibrante, emocionante e divertido, que mistura romance, COMÉDIA e fantasia, em uma grande celebração da cultura brasileira, para toda a família.

A história adapta os arquétipos shakespearianos para o universo caipira e nordestino do São João.

Trata-se, no fundo, de uma história cheia de aventuras, bom humor, reviravoltas, encontros e desencontros, na qual o amor precisa enfrentar tradições, interesses e até forças encantadas da Natureza.


 

 




O espetáculo é um musical autoral brasileiro, escrito, a quatro mãos, por THEREZA FALCÃO e MARIANA MESQUITA, dirigido pela primeira, interpretado por um numeroso elenco de 14 atores/cantores dançarinos – coisa rara, nos dias de hoje -, o que, por si só, já merecia nossos aplausos, montagem que se resume num grande acerto de uma equipe, para os olhos de todos os espectadores e o coração dos mais românticos. Tomando por base um clássico da dramaturgia internacional, escrito em meados da década de 1590, com a estimativa mais provável entre 1594 e 1596, as duas autoras fizeram nascer uma história de amor, capaz de conquistar a aprovação e os aplausos dos espectadores. A montagem aporta no Rio de Janeiro, após ter cumprido uma temporada de sucesso, de público e de crítica, na capital paulista. E tudo converge para uma celebração da cultura brasileira, em uma experiência única para toda a família.




“‘FESTA NO ARRAIAL’ é um convite para que o público volte a acreditar na força dos encontros, dos sonhos e do amor. É uma história que celebra nossas raízes, nossa cultura e tudo aquilo que faz o coração bater mais forte. Queremos que cada pessoa saia do Teatro com a sensação de ter vivido uma noite mágica.”, diz THEREZA FALCÃO.




Bem diferente do estilo shakespeariano, o qual apresenta uma dose de rebuscamento estético formal, o texto, aqui, prima pela simplicidade e flui com bastante facilidade, atingindo, sem muito esforço, o público adulto, principalmente, e os adolescentes. As crianças se deleitam com o visual da peça, que impressiona bastante pelo colorido do cenário, dos figurinos e da iluminação, o que também encanta os maiores.




Penso que o maior mérito da dramaturgia é ter trazido, para um palco, toda a beleza e os mistérios da cultura popular brasileira, encontrados na floresta; sua magia e encantamento. A presença do Caipora, por exemplo, muito bem interpretado por RAFAEL CANEDO, com suas travessuras e “mancadas”, é um grande achado na trama, bem como as pertinentes intervenções do Uirapuru (BENJI IULER) e da Mãe da Mata (ERIKA AFONSO). Além dos três, todos os demais do elenco abraçam seus personagens como devem, e o resultado é harmonioso. De uma forma geral, todos dão o seu recado, interpretando, seguindo as orientações de uma diretora (THEREZA FALCÃO) que se ocupou em dar, à peça, bastante movimento e agilidade, e executando, acertadamente, os passos da coreografia, traçados pelo coreógrafo, RENATO VIEIRA, porém, uns mais que outros, deixando um pouco a desejar no quesito canto, não chegando, contudo, a comprometer, substancialmente, o espetáculo. Aqui, um registro que se faz necessário: Na sessão em que estive presente, CLAUDIA OHANA, titular do papel de Tânia Flores, por algum motivo que desconheço, foi muito bem substituída por MARIANA BRAGA, sua “stand-in”.





A direção musical da peça é um trabalho de MARCELO ALONSO NEVES, um premiado veterano nesta seara. Na trilha sonora, canções bastante conhecidas do público levam este, em vários momentos, a cantá-las, junto com os atores, e a acompanhá-las, com a marcação de palmas, resultado que prova comunicação com a plateia, que funciona bem.




Tão importante quanto nos lembrar de que "o amor verdadeiro não se impõe, e sim floresce, naturalmente", o espetáculo é muito bem cuidado, do ponto de vista estético, plástico, com uma cenografia (MAURO LEITE) exuberante e colorida, assim como o conjunto de figurinos, também criados pelo mesmo artista, discípulo, principal assistente e braço direito da consagrada carnavalesca e artista plástica Rosa Magalhães, de saudosa lembrança. Toda essa festa para as nossas retinas sobressai sob a bela e variadíssima iluminação, assinada por ADRIANA ORTIZ, a qual dá, ao musical, o exato toque onírico que ele pede.

 

 




 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Thereza Falcão e Mariana Mesquita

Direção: Thereza Falcão

Assistente de Direção: Luiz Fernando Bruno

 

Elenco (por ordem de entrada em cena): Lorena Tucci (Hérmia), Bernardo Mesquita (Lisandro), Benji Iuler (Uirapuru / Coro) Erika Afonso (Naiza / Mãe da Mata), Caio Padilha (Padre / Delegado / Coro), Nestor Fonseca (Irineu / Queixada), Rafa Canedo (Papagaio / Caipora), Jude Fontenelle (Coroinha / Soldado / Tatu Bola), Cadu Libonati (Demétrio), Claudia Ohana (Tania Flores), Danilo Dal Farra (Oberdão), Sofie Orleans (Helena), Mariana Braga (“stand-in” de Claudia Ohana / Onça / Coro), Julia Perré (Sereia do Rio / Coro)

 

Cenário: Mauro Leite

Figurino: Mauro Leite

Iluminação: Adriana Ortiz

Coreografia: Renato Vieira

Direção Musical: Marcelo Alonso Neves

Pesquisa Musical: Rodrigo Faour

“Marketing” e Comercial: Mauricio Tavares

Produção de Elenco: Felipe Ventura

Direção de Produção: Filomena Mancuzo

Produção Executiva: Neco Fx

Assessoria de Imprensa: Carlos Pinho

Fotografia: Vinícius Marinho

Produção e “Marketing”: Inova Brand

Realização: Everybody Entretenimento

Idealização e Produção Geral: Sérgio Lopes

Ministério da Cultura - Governo Do Brasil – Ao Lado Do Povo Brasileiro


 


 



 

 

SERVIÇO:

Temporada: De 21 de agosto a 27 de setembro de 2026.

Local: Teatro Clara Nunes (Shopping da Gávea).

Endereço: Rua Marquês de São Vicente, nº 52, (Shopping da Gávea - 3º Piso) - Gávea, Rio de Janeiro.

Dias e Horários: Sexta-Feira, às 20h; sábado, às 17h30min; domingo, às 16h.

Valor dos Ingressos: De R$ 25 (meia-entrada) a R$ 140 (inteira).

Venda de Ingressos: Na bilheteria do Teatro (sem a cobrança de taxa de serviço) e pela plataforma SYMPLA, no “site” https://bileto.sympla.com.br/event/121805/d/390981 (com cobrança de taxa de serviço).

Horário de funcionamento da bilheteria: De 2ª feira a domingo, das 14h às 20h.

Classificação Etária: Livre.

Duração: 90 minutos.

Gênero: Musical.


 

 




“FESTA NO ARRAIAL, O MUSICAL”, que EU RECOMENDO, COMO UM PROGRAMA PARA TODA A FAMÍLIA (Conselho meu: Evitem levar crianças das primeira e segunda idades.) é um musical inédito, brasileiro e feito para divertir, encantar e emocionar, porque, “nessa festa, o coração também entra na dança”.

 

 


 

 

 

FOTOS: VINÍCIUS MARINHO.

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 

 

 

 

 

 

 

 




































































































































terça-feira, 25 de agosto de 2026

 

“DORA”

ou

(O BOM HUMOR

SALVA. 

E COMO!!!)






         Jamais escondi que sou apaixonado por boas COMÉDIAS, muito embora, infelizmente, estas sejam artigo de luxo no TEATRO carioca; creio que em outras praças brasileiras também. Exatamente por ser um gênero difícil de ser escrito, dirigido e interpretado, muito o valorizo e sou bastante exigente, quando me proponho a assistir a espetáculos que têm por objetivo, pelo menos na intenção, fazer rir e divertir. Para ser sincero, para mim, fica um saldo negativo, depois de ter assistido a muitas “comédias”, com todas as minúsculas, visto que a maioria delas é, no mínimo, de qualidade duvidosa, chegando, algumas, a me provocar o sentimento de vergonha alheia. Como tenho me aborrecido por sair de casa para assistir a “comédias” ruins! Também é por isso que não poupo elogios, quando tenho o enorme prazer de assistir a montagens cômicas de comprovada qualidade, como é o caso de “DORA”, em cartaz no Teatro dos 4, Shopping da Gávea, em excelentes horários alternativos (VER SERVIÇO.), que nos dão a oportunidade de assistir a mais de uma peça num mesmo dia.  

  



SINOPSE:

“DORA” é uma COMÉDIA sensível e muito bem-humorada, sobre recomeços, identidade e a coragem de mudar de direção.

A trama, em forma de monólogo, acompanha Dora (GRACE GIANOUKAS), uma mulher na casa dos 60 anos, espirituosa, com uma maneira muito particular de enxergar o mundo e cheia de “certezas”, que passou grande parte da vida cuidando dos outros, dedicando-se à família e adiando seus próprios desejos.

Ela é o que se pode chamar de uma “acumuladora”, uma espécie de guardiã, em sua casa, de bens materiais, alguns bizarros, que pertenceram a seus familiares falecidos.

Ela vive numa espécie de "museu familiar".

Quando as “certezas” que sustentavam sua rotina começam a desabar, Dora se vê diante de lembranças, conflitos familiares e situações inesperadas.

Navegando por temas como luto, envelhecimento, solidão e culpa, de forma muito bem-humorada, a mulher percebe que, talvez, conheça a si própria menos do que imaginava — e que nunca é tarde para escolher a si mesma e dar um novo rumo à sua vida.

Entre lembranças, relações familiares e situações inesperadas, ela percebe que a vida ainda pode guardar grandes surpresas.


 

 



Na peça, GRACE GIANOUKAS interpreta, como ninguém, uma mulher que acreditava que sua história já estava escrita, motivo pelo qual acredito que muita gente, na plateia, se identifica com a personagem, por serem pessoas acomodadas, sem maiores ambições na vida, sem enxergar amplos horizontes. Assim é Dora. Só que, para ela – que, ainda bem, conseguiu descobrir a tempo -, a vida provou que ainda faltavam alguns capítulos a serem escritos, depois de ela ter se anulado, conscientemente, durante décadas, cuidando dos outros. Dedicou-se à família, preservou suas histórias, assumiu responsabilidades e adiou desejos que pareciam poder esperar, mas que são efêmeros e não devem ser desperdiçados. A solteirona acreditava conhecer, perfeitamente, a mulher que havia se tornado e as razões que determinaram cada uma de suas escolhas, até que as certezas que sustentavam sua existência começam a perder o lugar. É, exatamente, desse ponto de partida que a COMÉDIA se desdobra, é disso que o texto se alimenta e isso, também, ele nos provê, transitando, com extrema naturalidade, entre o riso e a emoção, para falar sobre aquilo que todos carregamos: as escolhas que fazemos, as versões que construímos sobre nós mesmos e a possibilidade de transformar o próprio destino. Esse foi o gatilho para que THEREZA FALCÃO escrevesse um texto enxuto e  tão gostoso de se ouvir, tão cheio de um humor sadio, que abre espaço, num determinado momento da peça, uma mudança de chave, totalmente incrível e inesperada, pegando o público de supetão, “spoiler” que, em maiores detalhes, jamais eu daria, para não interferir na reação dos espectadores.










É uma COMÉDIA, e das boas, sem a menor sombra de dúvidas, mas, talvez, pudesse ser mais bem encarada como uma “tragicomédia”, ou quase isso, partindo-se do princípio de que, como escreveu o poeta Billy Blanco, “O que dá pra rir dá pra chorar: / Questão só de tempo e medida; / Problema de hora e lugar. / Mas tudo são coisas da vida. / O que dá pra rir dá pra chorar”.







“DORA” é o tipo de COMÉDIA que merece ser vista e recomendada, porque reúne, favoravelmente, três grandes nomes do TEATRO brasileiro, na forma de quem escreve, dirige e interpreta, num felicíssimo encontro. O texto até poderia ser muito bom, engraçado, como é este, mas não o acharíamos tão gozado, não fosse ele dirigido por alguém que também gostasse da escrita da autora e se empenhasse para fazê-la sobressair, como se comportou GILBERTO GAWRONSKI e, mais ainda, se não tivesse alguém para dizer esse texto, acrescentando, ao que lhe sai da boca, máscaras faciais hilárias, entonações e pausas perfeitas, obedecendo àquilo que é exigido pelo “timing” da COMÉDIA, como o faz GRACE GIANOUKAS, uma referências no universo da COMÉDIA, desde 2001, tempo de início da inesquecível “Terça Insana”, uma atriz fartamente premiada por seus trabalhos.







THEREZA FALCÃO, que sempre tem uma escrita simples, de fácil decodificação, sem perder o nível de qualidade, criou uma deliciosa dramaturgia, explorando, com muita sabedoria, na dose exata, subtemas do nosso viver diário, como luto, pertencimento, culpa, envelhecimento, solidão e desejo, de tamanha importância para todas as pessoas. THEREZA tem grande facilidade para criar seus tipos, suas personas, com verossimilhança, deixando-se, porém, acertadamente, diga-se de passagem, escorregar, aqui ou ali, para comportamentos “estranhos” ou exagerados, de um ou outro personagem, como no caso de Dora, pelo simples fato de que, afinal de contas, o que se vê, no palco ou nas telas, é uma obra de ficção. É uma competente artesã na arte de criar ganchos para atrelar uma situação a outra. Nada, no texto deste solo, fica perdido, solto no espaço. THEREZA escreve e GRACE se incumbe de colar uma situação na outra. A autora é dramaturga, roteirista e diretora teatral, com mais de 30 anos de atuação no TEATRO e no audiovisual, mais propriamente na televisão, onde, durante mais de duas décadas, integrou o núcleo de dramaturgia da TV Globo, tendo assinado, como autora titular, as novelas “Novo Mundo”, “Nos Tempos do Imperador” e “Elas por Elas”, ainda, também, como coautora de “Cordel Encantado” e “Joia Rara”, e colaboradora de “Avenida Brasil”, todos eles folhetins líderes de audiência, quando foram exibidos.




Thereza Falcão.



Foi muito acertada a escolha do nome de GILBERTO GAWRONSKI para dirigir este monólogo. Com um texto de comprovada qualidade e uma irretocável atriz para incorporar uma ótima personagem, fica bastante fácil fazer a regência de um espetáculo. GAWRONSKI tinha consciência disso e foi muito generoso no exercício de seu ofício, sabendo aproveitar, ao máximo, o talento de GRACE e suas contribuições espontâneas. Não se percebe nada de monótono no palco, por conta, também, das acertadas marcações e mudanças no ritmo do espetáculo, com adequadas e oportunas variações no tom e no volume de voz da atriz, em determinados momentos. Uma direção bem dinâmica nos oferece o diretor, que também é ator, e cenógrafo, um dos nomes mais premiados do TEATRO brasileiro, tendo construído uma trajetória marcada pelo rigor artístico, pela valorização do texto teatral e por montagens que unem refinamento estético e investigação da condição humana. Como ator, jamais me esquecerei de seu precioso trabalho em dois solos: “Ato de Comunhão” e “A Ira de Narciso”.




Gilberto Gawronski.



E o que dizer sobre GRACE GIANOUKAS? Premiada atriz, autora e criadora, ao lado de outros nomes, do emblemático “Terça Insana”, projeto que ficou anos em cartaz e transformou a linguagem do humor no país, além de revelar uma geração de talentos da cena teatral de São Paulo, no campo do humor, GRACE é, indubitavelmente, uma das grandes referências da COMÉDIA brasileira. A despeito da existência de grandes atrizes cômicas por aqui, não consigo enxergar outra atriz dando vida à nossa Dora, neste solo escrito para explorar diferentes registros de interpretação, uma vez que, além da protagonista, a atriz dá corpo e voz às pessoas que atravessam suas lembranças – pai, mãe, tios – construindo, em cena, um universo de gestos, afetos e conflitos familiares, tudo dentro de uma precisão cômica invejável e nem sempre vista sobre as tábuas, unindo-se a uma dimensão íntima e sensível, em uma atuação que transforma observação humana em humor e aproxima a personagem do público. GRACE faz com que sua Dora chegue até o espectador como uma velha amiga ou conhecida, semeando muita cumplicidade entre palco e plateia. É deveras difícil sustentar um monólogo, entretanto GRACE GIANOUKAS o faz com muita sabedoria e experiência, já comprovadas em trabalhos anteriores, como “Nasci Para Ser Dercy”, espetáculo recente, que, merecidamente, lhe rendeu muitos prêmios e que ainda está na estrada, cumprindo apresentações em festivais de TEATRO.







Dos artistas de criação, puxo calorosos aplausos para o excelente trabalho de NELLO MARRESE, que assina a cenografia da peça, um dos melhores cenários a que tive acesso nos últimos tempos, extremamente criativo.





 


 


FICHA TÉCNICA:


Texto: Thereza Falcão

Direção: Gilberto Gawronski

Assistência de Direção: Wesley May

 

Interpretação: Grace Gianoukas

 

Cenografia: Nello Marrese

Assistência de Cenografia: Avner

Figurino: Rosina Lobosco

Costureira: Railda Costa

Aderecista: André Wonder

Iluminação: Vilmar Olos

Direção Musical e Trilha Sonora: Rodrigo Marçal

Vídeos: Rico Vilarouca

Visagismo: Vitor Martinez

Direção de Arte Gráfica: Mauricio Tavares

“Designer” Gráfico: Ramon Silva

Assessoria de Imprensa: Carlos Pinho

Fotos de Divulgação: Dalton Valério

Produtor de Elenco: Felipe Ventura

Assistência de Produção: Michele Spindola e Thaisa Azeredo

Coordenação de Produção: Filomena Mancuzo

Direção de Produção: Sergio Lopes

“Marketing”, Comercial e Coordenação de Projeto: Mauricio Tavares


 


 





 


SERVIÇO:


Temporada: De 07 a 30 de agosto de 2026.

Local: Teatro dos 4 (Shopping da Gávea).

Endereço: Rua Marquês de São Vicente, nº 52 (Shopping da Gávea, 2º piso) – Gávea - Rio de Janeiro.

Capacidade: 400 lugares (sujeito a lotação).

Dias e Horários: Sexta-Feira e sábado, às 18h; domingo, às 17h.

Abertura ao público: 30 minutos antes do início do espetáculo.

Valor dos Ingressos: De R$ 25 (meia-entrada) a R$ 140 (inteira).

Venda dos ingressos: Disponíveis na bilheteria do Teatro (sem a cobrança de taxa de serviço) e no “site” https://www.eventim.com.br/artist/teatro-dos-4/dora-4205387/ (com cobrança de taxa de serviço).

Horário de funcionamento da bilheteria: De segunda-feira a domingo, das 14h às 20h (até o início do evento).

Classificação Etária: 14 anos.

Duração: 60 minutos.

Gênero: COMÉDIA.


 


 



"DORA" faz o público rir, enquanto propõe questionamentos que permanecem depois que as luzes do Teatro se apagam: Quantas escolhas fizemos para atender aos outros? Quantos sonhos chamamos de impossíveis, apenas porque tivemos medo de vivê-los? E quem seríamos se, pela primeira vez, nos permitíssemos escolher livremente? Vale a pena sacrificar a própria vida, renunciar à felicidade e abortar nossos desejos por outrem? Mais do que uma história sobre aquilo que ficou para trás, “DORA” é uma celebração de tudo o que ainda pode começar. RECOMENDO, COM MUITO EMPENHO ESTE ESPETÁCULO.

 


 

 



 

 




 

FOTOS: DALTON VALÉRIO.

 

 

GALERIA PARTICULAR:

 

 




Com Grace Gianoukas
e
Gilberto Gawronski.



 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.