terça-feira, 14 de julho de 2026

 

“VINDOS DE LONGE”

ou

(UM VIBRANTE

E EMOCIONANTE ESPETÁCULO;

UM SUPERMUSICAL.)

 

 


            É impressionante a falta de limite que cerca a criatividade humana! Como pode, a partir de um terrível fato real, extremamente trágico, alguém conseguir criar um espetáculo teatral e, mais ainda, na forma de um musical, que não é um simples musical; é um super musical, como, há muito tempo, eu não via encenado?! Estou me referindo a “VINDOS DE LONGE”, “Come From Way”, no original, grande sucesso da Broadway, que emocionou o mundo e que está em cartaz no Teatro Ruth Escobar – Sala Dina Sfat, na sua reabertura (VER SERVIÇO.).

 




SINOPSE:

“VINDOS DE LONGE” narra a história real de cerca de 7.000 passageiros que foram desviados para o Aeroporto Internacional de Gander, no Canadá, durante os ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

O espetáculo acompanha o que acontece quando o espaço aéreo dos Estados Unidos é, subitamente, fechado, forçando 38 aviões comerciais e 4 outros, militares, a pousarem em uma pequena e remota cidade canadense.

Sem entender bem a situação, os habitantes locais acolhem esses milhares de viajantes, de diversas partes do mundo, de culturas e religiões diferentes, preocupados com tudo e com o bem-estar de todos.

O que se desenrola a seguir é um emocionante relato sobre solidariedade, empatia e a capacidade humana de criar conexões profundas, diante do desconhecido e do caos.

O musical explora o choque cultural, o medo coletivo do momento e, acima de tudo, os laços de amizade e amor que floresceram entre os moradores e os “estrangeiros” durante aqueles dias de profunda tristeza e incertezas.


 

 



  Por oportuno, faz-se necessário esclarecer que Gander é uma pequena vila canadense, com uma população estimada em 12.000 habitantes, segundo o censo oficial local de 2021, localizada na Ilha de Terra Nova, província de Terra Nova e Labrador, que se tornou, mundialmente, famosa, por sua solidariedade histórica, a partir do que trata o “plot” desta peça, que também foi documentado numa produção de vídeo, chamada, originalmente, de “You Are Here: A Come From Story”.



  Diante do caos instaurado, quando os habitantes de Gander viram que o número de seres humanos - e alguns animais domésticos também - na Ilha, praticamente, fez dobrar a sua população, todos se deram as mãos, para acomodar, da melhor forma possível, os passageiros e tripulantes das aeronaves desviadas, e é, justamente, sobre esse feito que gira toda a ação desta montagem, todos lutando e se esforçando, para tornar menos desastroso, para os inesperados “visitantes”, aquele momento, que durou cinco dias, até que as coisas se arranjassem e cada avião pudesse seguir o seu destino.




  “VINDOS DE LONGE” é um musical totalmente diferente do que, normalmente, se faz no gênero, muito difícil de ser erguido, por conta de uma partitura muito sofisticada e de difícil execução, para os músicos e atores, quero crer. É, também, um grande desafio para qualquer diretor, elenco e artistas de criação. Mas nada que o enorme talento dos artistas brasileiros não pudesse dar conta.



  Num momento de rara felicidade, o espetáculo chega a São Paulo para reabrir as portas do icônico Teatro Ruth Escobar, num dos seus três espaços, a Sala Dina Sfat, fechado por bastante tempo, para uma reforma geral, e, agora, sob os cuidados e a gestão da VME, “Vinícius Munhoz Entretenimento”, que tem à frente, como CEO, o próprio Vinícius, que promete trazer de volta o “glamour” e a importância daquele importantíssimo espaço teatral, inaugurado em 1963, por uma das grandes damas do TEATRO brasileiro, levando o seu nome, um equipamento cultural que já abrigou algumas das mais importantes produções do nosso TEATRO. Acrescente-se que VINÍCIUS MUNHOZ também é o produtor desta fabulosa montagem.




  São 100 minutos de TEATRO musical na veia, e é preciso que o espectador esteja muito atento à representação, visto que a música está presente da primeira à última cena, sem parar, praticamente, e as letras cantadas fazem parte, 100 %, do texto da peça. É destacável a agilidade do texto, assim como a movimentação do elenco em cena, quer cumprindo os passos de uma excepcional coreografia, desenhada milimetricamente, cujo nome do(a) responsável, infelizmente, não consta na FICHA TÉCNICA, quer em, apenas, desenvolver os muitos deslocamentos sobre as tábuas, num palco nu, que, aos poucos, vai sendo preenchido por bancos com um “design” moderno e cadeuras bem "hi-tech", acompanhando a linha do espetáculo.




  A cenografia, simples e muito pertinente e funcional, é de responsabilidade de WAGNER ANTÔNIO, que também assina o melhor trabalho de iluminação que conheci este ano e nos últimos tempos. A reforma do Teatro fez com que todo o sistema de luz se tornasse das coisas mais modernas, em teremos de tecnologia, para os teatros, que existem no momento. Ocorre, contudo, que, se, por um lado, isso enriquece, sobremaneira, a montagem, também pode representar um fator, relativamente, negativo, por impedir, acredito eu, que os magníficos efeitos do desenho de luz possam ser atingidos em outros teatros Brasil afora. Isso, talvez, seja um fator decisivo para que este formidável musical não possa mesmo ser apresentado em outros espaços, a não ser que o desenho de luz receba modificações. A iluminação é um dos maiores destaques da peça.





  JEMIMA TUANY e MARCO PACHECO assinam os figurinos de “VINDOS DE LONGE”, com total direcionamento das peças de vestuário de acordo com as características de cada personagem. Como o elenco se reveza em mais de um personagem, por vezes, uma única peça ou adereço serve para que surja um personagem novo na trama.



  É brilhante a direção de RAFAEL GOMES, um dos nossos mais talentosos diretores, tanto em musicais quanto em TEATRO declamado. O diretor garante uma ação frenética, da primeira à última cena, cobrando, de seu elenco, muita agilidade no ato de representar. RAFAEL soube distribuir as cenas entre mais (a grande maioria) e menos dinâmicas, criando momentos inesquecíveis neste espetáculo, sabendo valorizar cada anticlímax e o arco dramático da peça e, ainda, se fixou numa estrutura ativa, enérgica, vigorosa e desafiadora, tornada uma das marcas registradas do espetáculo nos palcos internacionais.




  O elenco de “VINDOS DE LONGE” é um verdadeiro luxo e vem embalado em suntuosa embalagem para presente. Reúne o que há de melhor do TEATRO Musical Brasileiro, trazendo diversas gerações de grandiosos artistas - no canto, na dança e na interpretação -, numa troca tão impecável, que fica difícil, para este crítico, estabelecer, em termos de distinção, um critério de qualidade e merecimento entre os seus trabalhos. Sem nenhuma dúvida, afirmo que há, tecnicamente, protagonismo na história, sim, todavia enxergo os 12 atores/personagens como protagonistas desta obra, cada um mais empenhado que os colegas de cena em oferecer o que há de melhor na sua preparação e bagagem técnica e artística. E quem acaba lucrando, e muito, é o público. São eles SAULO VASCONCELOS, NEUSA ROMANO, NÁBIA VILLELA, THAIS PIZA, BRUNO NARCHI, ANDREZZA MASSEI, LUIZA PORTO, ANDREA MARQUEE, ISAAC BELFORT, RODRIGO MIALLARET, DAVI NOVAES, EDUARDO LEÃO, ENRICO VERTA, RUPA, ANA ARAÚJO e BIA CASTRO. O grupo consegue, na medida, passar ao público todos os sentimentos de que os personagens comungavam naquela situação.





  “Trazer ‘VINDOS DE LONGE’ para marcar a reabertura do Teatro Ruth Escobar tem um significado muito especial. É uma obra que fala sobre acolhimento, empatia e transformação, valores que dialogam com a história do TEATRO e com o novo momento que queremos construir para esse espaço, recolocando-o como um importante palco da cultura paulistana.”, afirma VINICIUS MUNHOZ, CEO e fundador da VME, além de produtor do musical, como já mencionado, a quem devemos, em primeiro lugar, o deleite de assistir a este espetáculo.



  A elogiável atitude da população de Gander merece ser muito celebrada. Em meio a uma das maiores crises da história recente, quando um país tão poderoso, como os Estados Unidos, mergulhava numa situação de extremíssima gravidade, com milhares de vítimas fatais, a comunidade de uma pequena vila transformou um gesto coletivo de solidariedade em uma história real de empatia, esperança, desapego e humanidade, que conquistou plateias ao redor do mundo; e outras ainda há de conquistar.




  “O que mais me emociona em “VINDOS DE LONGE” é que ele mostra como, mesmo em um dos momentos mais difíceis da história recente, pessoas comuns foram capazes de transformar medo em acolhimento. Nosso desafio foi construir uma montagem que preservasse essa emoção e aproximasse essa história do público brasileiro.”, afirma RAFAEL GOMES, diretor do espetáculo. Não tenha a menor dúvida, meu caro, de que seu objetivo foi plenamente alcançado.

 



 

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia Original (Libreto, Músicas e Letras: Irene Sankoff e David Hein

Versão Brasileira: Mariana Elisabetsky

Direção: Rafael Gomes

Assistência de direção: Victor Delboni

Direção Musical: Gui Leal

 

Elenco (em ordem alfabética): Ana Araújo, Andrea Marquee (Hannah e Outras), Andrezza Massei (Diane e Outras), Bia Castro, Bruno Narchi (Kevin T. e Outros), Davi Novaes (Kevin J., Ali e Outros), Eduardo Leão (Oz e Outros), Enrico Verta (Claude e Outros), Isaac Belfort (Bob e Outros), Luiza Porto (Janice e Outras), Nábia Villela (Bonnie e Outras), Neusa Romano (Beulah e Outras), Rodrigo Miallaret (Nick e Outros), Rupa, Saulo Vasconcelos (Claude e Outros) e Thais Piza (Beverly e Outras)

OBSERVAÇÃO: O elenco é formado por 16 atores, porém apenas 12 atuam em cada sessão, em revezamento. Os nomes em vermelho são os daqueles que performaram na sessão a que assisti.

 

Cenografia: Wagner Antônio

Figurino: Jemima Tuany e Marco Pacheco

Iluminação: Wagner Antônio

Direção de Movimento: Fabrício Licursi

Desenho de Som: Gaston Brisky

Fotos: João Caldas Filho

Produção: VM Entretenimento (Vinícius Munhoz)


 

 



 

SERVIÇO:

Temporada: De 26 de junho a 02 de agosto de 2026.

Local: Teatro Ruth Escobar (Sala Dina Sfat).

Endereço: Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista – São Paulo.

Telefone: (11) 32892358.

Acessibilidade PCDs: SIM.

Capacidade: 390 lugares.

Dias e Horários: 5ªs e 6ªs Feiras, às 20h30min; sábados, às 17h e 20h30min; domingos, às 17h.

Valor dos Ingressos: Os valores variam de R$ 40 (meia-entrada) a R$ 350 (inteira), de acordo com a localização dos assentos. (Consultar os preços de cada setor.)

Venda dos Ingressos: TICKETMASTER Brasil (com taxa de serviço) ou na Bilheteria do Teatro (sem taxa de serviço).

Abertura da Casa: 1 hora antes do início do espetáculo.

Horário de Funcionamento da Bilheteria do Teatro: De 3ª feira a domingo, das 14h às 20h ou até o início da última sessão do dia.

Duração: 100 minutos (sem intervalo).

Classificação Etária: 10 anos.

AVISO AO PÚBLICO: Este espetáculo contém o uso de efeitos de iluminação com luzes intermitentes (efeitos estroboscópicos), além de fumaça cênica e sons em volume elevado, em determinados momentos. Pessoas com histórico de epilepsia fotossensível, sensibilidade à luz, enxaquecas ou outras condições médicas que possam ser desencadeadas por estímulos luminosos intensos devem avaliar sua participação e, em caso de dúvida, consultar um médico. Caso necessite de assistência durante a apresentação, procure nossa equipe.

Gênero: Musical

 

 



  Mais do que um musical sobre um evento histórico, “VINDOS DE LONGE” é uma celebração da bondade e do acolhimento. É uma experiência teatral transformadora que convida o espectador a rir, se emocionar e renovar sua fé na humanidade. Num momento tão conturbado e perigoso por que passa o planeta, um espetáculo como este é um alento para as nossas almas. Prepare-se para descobrir por que esta história real continua a encantar multidões ao redor do mundo e garanta seu lugar nesta jornada inesquecível. É com muita emoção e orgulho que RECOMENDO ESTE ESPLENDOROSO ESPETÁCULO, que carrega premiações como o “Tony” e o “Laurence Olivier Awards”.

 

 



 

 

 

FOTOS: JOÃO CALDAS FILHO

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 



































































































































domingo, 12 de julho de 2026

 

“ÉDIPO

- A PARTIR DE SÓFOCLES”

ou

(O TEATRO É UMA ENCANTADORA

CAIXINHA

DE SURPRESAS.)

 

 





 

         Nunca se pode dizer que já se viu tudo, em TEATRO, visto que ele sempre nos surpreende com algo jamais pensado por nós. Muito mais do que se diz sobre o futebol, o TEATRO, sim, é uma encantadora caixinha de surpresas, a maioria delas agradabilíssimas, como ocorre com a peça “ÉDIPO - A PARTIR DE SÓFOCLES”, em cartaz no Auditório do MASP (VER SERVIÇO), para cuja chamada “Sessão VIP” (“Vips”, para mim, são todos os espectadores.), no último dia 06 de julho, fui convidado.



         É impossível o cálculo de quantas montagens de “ÉDIPO”, o modelo clássico de tragédia grega, escrita por Sófocles e encenada, pela primeira vez, no ano 427 a.C, já foram produzidas mundo afora e, também, a quantidade de peças que, das mais variadas formas, foram montadas baseadas no original grego. Já perdi a conta de a quantos espetáculos versando sobre a trama desta peça eu já assisti, entretanto sou levado a dizer que nunca tivera, antes, tido contato com algo tão fascinante e surpreendente como esta versão, do grande dramaturgo britânico ROBERT ICKE, já conhecido dos brasileiros, principalmente por duas produções mais recentes: “Mary Stuart” e “A Médica”, ambas adaptações do autor, dois modelos de obras-primas da literatura dramática, às quais assisti, em São Paulo, e das quais guardo indeléveis recordações, da mesma forma como tenho a certeza de que acontecerá com este “ÉDIPO”.

 

 



 

         SINOPSE:

ÉDIPO” é uma adaptação contemporânea, do dramaturgo britânico ROBERT ICKE, para a clássica tragédia de Sófocles.

A montagem transforma a história em um suspense policial frenético, ambientado nos bastidores da campanha de um político prestes a vencer uma grande eleição majoritária.

A narrativa se passa inteiramente dentro de um escritório/comitê de campanha onde o candidato Édipo (SERGIO MASTROPASQUA) e sua esposa Jocasta (CLARISSE ABUJAMRA) estão reunidos com a família e a equipe de assessores e funcionários, para celebrar a iminente vitória.

O clima de festa é interrompido pela chegada de um investigador/vidente, que traz à tona revelações sombrias sobre o passado do político.

Enquanto tenta desvendar essas verdades, Édipo acaba desencadeando uma crise vertiginosa, que expõe relações familiares doentias e segredos trágicos, culminando em sua própria ruína.


 

 


 

         Tudo, neste espetáculo, é surpreendente, a começar pela ideia do autor, de trazer, para a contemporaneidade, uma milenar tragédia grega clássica, transformando-a num fantástico e contundente drama, na forma de um “thriller” político-policial, de modo a prender a atenção dos espectadores, por quase duas horas, o auditório num silêncio sepulcral, saboreando cada cena e cada fala dos personagens.



A peça pode chegar ao público de duas formas. Para os que já conhecem o original, cada revelação no palco reporta às ações do “Édipo” de Sófocles, inclusive porque são utilizados os mesmos nomes dos personagens originais. Cada nova associação é um deleite. Mas não é preciso conhecer a trama da tragédia grega para entender a história. Os neófitos e insipientes, em termos de “Édipo”, também saboreiam a narrativa, tanto quanto os íntimos da obra. E isso é maravilhoso, porque tudo decorre de uma fluidez constante do magnífico texto.



         CLARA CARVALHO, grande conhecedora da obra de ROBERT ICKE, operou uma formidável tradução e atuou como uma competente maestrina, na condução de um irretocável trabalho de direção, muito atenta a como construir os anticlímax e a não permitir que algum espectador pudesse ser traído pela falta de atenção. Suas marcações são cirúrgicas e todas as resoluções de cenas convergem para a maestria. A utilização da parafernália tecnológica e digital caiu como uma luva numa montagem de cunho bem moderna.




         No palco, algo já meio raro de se ver: um elenco de dez atores/atrizes, cada um mais cônscio de sua função que o outro, todos totalmente entregues a seus personagens. São, a maioria, artistas fixos da Cia. Teatral Círculo de Atores, fundada em 2013, e alguns convidados para esta produção. Em comum, todos talentosos e grandes profissionais. Ainda que, na minha visão, o conjunto de atores esteja nivelado bem por cima, incluindo os artistas que representam papéis de menor importância na trama, não posso deixar de engrandecer os trabalhos de SERGIO MASTROPASQUA, que protagoniza o espetáculo, no papel-título, e CLARISSE ABUJAMRA, que se apresenta como Jocasta, numa função de coprotagonista, nesta versão, ganhando maior destaque, em relação à tragédia original de Sófocles. O casal construiu uma química tal, a ponto de valorizar, ao máximo, as cenas entre os dois.




         A produção geral – leia-se a pesquisadora ROSALIE RAHAL HADDAD – não economizou nem poupou esforços para garantir uma montagem com graduação máxima de qualidade em qualquer escala. Todos os artistas criativos puderam fazer com que seus trabalhos rendessem o máximo e garantissem uma infraestrutura de excelência para a peça.



  São esplêndidos e funcionais todos os ricos elementos que entram na cenografia da peça, numa criação de CHRIS AIZNER. Além de ocupar o palco, o cenário se projeta um pouco para o auditório, criando uma ambientação que envolve a plateia, como se correligionários ela fosse do candidato, como se todos também estivessem naquele comitê, assistindo a tudo de perto. Há bastante refinamento, elegância e um toque de modernidade nos móveis utilizados em cena.



(FOTOS: GILBERTO BARTHOLO)


  Hão de ser muito bem notados, com o devido destaque, os figurinos, assinados por MARICHILENE ARTISEVSKISN, todos dentro no maior requisito de fineza, requinte e sobriedade, adequados a cada um dos personagens.



  GABRIELE SOUZA, em mais um de seus elogiados trabalhos, se encarregou de criar um desenho de luz que só faz favorecer tudo o que há e se passa no espaço cênico. A luz varia, ao ponto, de acordo com a intensidade das ações.



  Um detalhe que jamais poderia passar despercebido, por ser um dos muitos pontos altos do espetáculo, é a música original, a cargo de GREGORY SLIVAR.



 “Conservando as unidades clássicas de tempo, espaço e ação, a peça traz, além do suspense e de um painel intrincado de relações familiares, uma profunda sondagem existencial e um mergulho no inconsciente. Assistimos à crise vertiginosa de um político, que, sem saber, transgrediu leis civilizatórias e que, por excesso de autoconfiança e orgulho, engendra a própria ruína.” (Trecho extraído do “release” que me foi encaminhando por ANDRÉ ROMAN.)




“Não é que ‘Édipo Rei’ precise ser atualizado. É uma tragédia tão perfeita e tão interessante, que, 2.500 anos depois, continua impecável, em sua dimensão universal. O que ROBERT ICKE faz é um exercício muito interessante de releitura, usando todas as linhas mestras da peça. Na montagem, Édipo é o candidato que vai ganhar a eleição. Todas as pesquisas mostram que ele está, praticamente, eleito, todavia um personagem chega, para dizer que tudo aquilo em que ele acredita, sobre si mesmo, pode não ser verdade. Existe essa relação entre poder, sucessão e a construção de narrativas.”, enfatiza CLARA CARVALHO.



(CLARA CARVALHO)


  Um aspecto interessante deste trabalho é que o autor transforma Jocasta em uma mulher dos dias atuais, consciente de seu papel e profundamente envolvida nos acontecimentos que a cercam. “É um acerto enorme da adaptação colocar Jocasta nesse lugar de protagonismo. Ela deixa de ser, apenas, uma figura da tragédia, para se tornar uma personagem complexa e viva. A sensação é de acompanhar uma investigação em que, a cada cena, uma nova informação muda, completamente, o rumo da história. Esse lado ‘thriller’ que o autor imprime à tragédia é um dos seus principais ingredientes.”, acrescenta CLARISSE ABUJAMRA, a titular do papel.




  Também extraído do já referido “release”, com cortes e adaptações: A parceria entre a pesquisadora ROSALIE RAHAL HADDAD e o “Círculo de Atores” já resultou em produções como “A Profissão da Sra. Warren” (2018), “O Dilema do Médico” (2023) — ambas de Bernard Shaw — e “Hedda Gabler” (2024), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Em 2025, essa união originou um diálogo próximo com a obra de ROBERT ICKE, na montagem de “A Médica” (adaptação de “Professor Bernardi”, de Arthur Schnitzler), espetáculo com direção de Nelson Baskerville e protagonismo de CLARA CARVALHO.

 



 

FICHA TÉCNICA:

Idealização: Rosalie Rahal Haddad

Texto: Robert Icke

Tradução: Clara Carvalho

Direção: Clara Carvalho

Assistência de Direção: Thiago Ledier

 

Elenco: Sergio Mastropasqua, Clarisse Abujamra, Oswaldo Mendes, Chris Couto, João Bourbonnais, Thalles Cabral, Thaina Muniz, Márcia Teodoro, Marisa Mainarte, Rodrigo Scarpelli, Thomas Huszar e Roberto Borenstein

 

Música Original: Gregory Slivar

Cenografia e Arquitetura Cênica: Chris Aizner

Cenotécnico: Alício Silva / Casa Malagueta

Produção de Objetos: Jorge Luiz Alves e Luiza Meira Alves

Figurino: Marichilene Artisevskis

Assistência de Figurino: Lilian Pessoa

Costura: Judite Gerônimo de Lima

Iluminação: Gabriele Souza

Direção de Imagem: Ícarus Filmes

Operação De Som: Valdilho Oliveira

Operação de Luz: Nicolas Marchi

Direção de Palco: André Di Peroli, Henrique Pina e Jonathan Capobianco

Camareira: Elisa Galdino

Visagismo para Fotos: Loeni Mazzei

Fotos: Ronaldo Gutierrez

Vídeo para Redes Sociais: Paula Davanço

Registro em Vídeo: Ícarus Filmes

“Designer” para Elementos Cênicos: Dalua Criações

Identidade Visual: Sergio Mastropasqua

Redes Sociais e Gestão de Tráfego: Lead Performance

Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes

Produção: SM Arte Cultura

Direção de Produção: Selene Marinho

Coordenação de Produção: Sergio Mastropasqua

Produção Executiva: André Roman / Teatro de Jardim

Realização: Círculo De Atores

Produção Geral: Rosalie Rahal Haddad


 

 


 

 

SERVIÇO:

Temporada: De 04 de julho a 06 de setembro de 2026.

Local: Auditório do MASP.

Endereço: Avenida Paulista, nº 1578 (subsolo) – Bela Vista – São Paulo.

Capacidade: 344 lugares.

Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h; domingo, às 18h.

Valor dos Ingressos: 6ª feira = R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada); sábado e domingo: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada).

Venda de Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/121617/

Classificação Etária: 16 anos.

Duração: 110 minutos.

Gênero: Drama (A partir de uma tragédia).


 

 

        

         É com muita alegria e agradecimento pelo convite que RECOMENDO ESTE IMPERDÍVEL E IRRETOCÁVEL ESPETÁCULO, ao qual, certamente, eu reassistiria, caso tivesse tal chance.

 

 

 

 

FOTOS: RONALDO GUTIERREZ

 

 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.