sexta-feira, 17 de julho de 2026

 

“PRA TE VER FELIZ”

ou

(ENTREGA O

QUE PROMETE.)

 


 

 

         Gosto de um TEATRO “honesto”, que entrega o que promete, principalmente quando se trata de alguma coisa que pende mais para a simplicidade, visando a agradar ao público. Assim é o espetáculo a que assisti, ontem, no Teatro SESC Ginástico (VER SERVIÇO.), “PRA TE VER FELIZ”, que tem tudo a ver com o título. Sem mirabolantes pretensões, trata-se de um espetáculo feito com muita garra e bom gosto, que cumpre o seu objetivo maior, de homenagear um dos nossos grandes compositores de samba, Almir Guineto, e levar felicidade a quem se propõe a assistir à peça, na forma de um modesto, mas delicioso, musical.  

 





SINOPSE:

“PRA TE VER FELIZ” é um espetáculo musical que celebra a cultura suburbana carioca e a força do samba como identidade popular.

Costurando suas narrativas, através das canções do saudoso Almir Guineto, a peça entrelaça histórias de amor, humor e superação, durante festas familiares e o cotidiano da cidade.

O espetáculo acompanha personagens do subúrbio, em situações corriqueiras e afetivas, como, por exemplo, uma animada festa de Natal em família; amigos dividindo o espaço em um ônibus lotado, a caminho da praia; um primeiro encontro amoroso, durante a noite de “réveillon”, além de outras histórias, em forma de esquetes, todos ilustrados, após a representação, por uma canção ligada ao tema.

Mais do que apenas trilha sonora, a música conduz as emoções da narrativa, revelando sentimentos que, muitas vezes, ficam subentendidos.

Os compositores(*) são retratados como verdadeiros cronistas sociais, transformando o samba em um refúgio e uma expressão de afeto, união e resistência.


 

 




         (*) Apesar, de o musical ser uma merecida homenagem a Almir Guineto, falecido em 2017, aos 70 anos, ainda que a maioria das canções executadas traga a sua assinatura, como compositor, ao lado de seus parceiros, a peça traz algumas músicas de outros autores. Segue a relação com a trilha sonora desta montagem:

 




 

 MÚSICAS:

“Da melhor qualidade” (Arlindo Cruz, Almir Guineto)

“Caxambu” (Bidubi do Tuiti, Jorge Neguinho, Zé Lobo, Élcio do Pagode)

“Corda no pescoço” (Almir Guineto, Adalto Magalha)

“Perfume de champagne” (Almir Guineto, Adalto Magalhães Gavião)

“Mel na boca” (David Corrêa)

“Insensato destino” (Acyr Marques, Maurício Lins, Chiquinho Vírgula)

“Saco cheio” (D. Fia, Marcos Antônio)

“Lama nas ruas” (Almir Guineto, Dede Paraíso, Ernesto Luverci)

“Tem nada, não” (Almir Guineto, Jorge Aragão, Luverci Ernesto)

“Abençalgueiro” (Almir Guineto, Nei Lopes)

“Jiboia” (Vilani Silva)

“Conselho” (Adilson Bispo, Zé Roberto)

“Brilho no olhar” (Almir Guineto, Celso Leão, Daniel)


 





         O formato da peça é muito simples, como já mencionado na SINOPSE: São vários quadros independentes, em forma de pequenos esquetes, sem uma trama única, com apenas um enredo, como, normalmente, se dá numa peça. Após a conclusão de cada cena, segue-se uma canção, cuja letra ilustra o que foi representado. Acrescente-se que os atores representam vários personagens e interpretam as canções, em grupos ou em solos, seguindo a corretíssima direção musical de MARCELO ALONSO NEVES, acompanhados por um pequeno grupo de ótimos músicos.




“Cada cena é conduzida por canções que traduzem emoções e memórias coletivas, homenageando o samba, como expressão de resistência, afeto e identidade popular. Ao longo da narrativa, o espetáculo dialoga com obras de importantes compositores do gênero, entre eles Almir Guineto (o principal), cujas canções integram a trilha musical e ajudam a construir a atmosfera afetiva das histórias apresentadas em cena”, diz o produtor BRUNO MARIOZZ.




O espetáculo é gostoso de se ver e genuíno, uma vez que é inspirado nas vivências do subúrbio carioca, com toda a sua ingenuidade e cheiro de passado. A montagem é o segundo espetáculo da trilogia “Dá Samba”, iniciada em 2013, com o musical “Quando A Gente Ama”, construído a partir da obra de outro grande mestre do samba, Arlindo Cruz, montagem que fez grande sucesso, de público e de crítica, à época, e que, muito me agradou.




O autor e diretor JOÃO BATISTA compõe cenas do cotidiano carioca e suburbano, revelando a potência dos compositores brasileiros, como cronistas sociais. Ao levar o samba para o palco de um teatro, o diretor resgata sua própria relação com o gênero musical, sempre presente em sua vida. “A música popular brasileira é muito rica, como forma de unir as pessoas, como fundo musical de suas vidas, em momentos de festa de família, aniversários, churrasco na laje, fim de namoro... Tudo isso se relaciona com alguma música.”, diz o diretor. Aprovo o trabalho de JOÃO, tanto na dramaturgia quanto à frente do seu elenco, como diretor.




A cenografia (DORIS ROLLEMBERG), os figurinos (MAURO LEITE) e a iluminação (RENATO MACHADO), três importantes suportes para uma montagem teatral, funcionam a contento e ajudam bastante no desenvolvimento das ações. A cenografia é adequada, com poucos elementos cenográficos, todos, porém, cumprindo a sua função. Quase todas as ações se dão sobre um praticável, para concentrar a atenção dos espectadores. Há um elegante figurino, para cada ator/atriz, que vai recebendo alguns detalhes, para a composição de cada cena/história. E a luz não traz surpreendentes novidades, mas cumpre bem a sua função, no desenrolar da peça, com a utilização de cores alegres, numa diversificada paleta.




Agradou-me muito a atuação dos sete atores/cantores, ALINE BORGES, ELLI FÊRREIRA, JENIFFER DIAS, LUCAS DA PURIFICAÇÃO, THIAGO THOMÉ, UDYLÊ PROCÓPIO VILMA MELO. Como o TEATRO é um fazer coletivo, não se pode apontar nenhum ponto negativo na interpretação de cada um desses artistas, formando um harmonioso conjunto. Eles atuam com muita naturalidade e alegria, requisitos para qualquer intérprete, como se estivessem numa roda de samba. Há bastante entrosamento entre eles. Reservo um aplauso particular, por suas atuações, para VILMA MELO, LUCAS DA PURIFICAÇÃO e UDYLÊ PROCÓPIO. Em meio a rodas de samba e celebrações familiares, as histórias se cruzam, revelando a força da música na vida cotidiana.





“A trilogia ‘Dá Samba’ destaca a composição como parte do nosso cotidiano, da nossa vivência, aquilo que os grandes autores e artistas criam e que está presente no nosso dia a dia, que dá samba mesmo, que é a trilha sonora das nossas vidas. Os personagens criados pelo JOÃO têm muitas sutilezas, com diálogos enxutos, que carregam muitos sentimentos. A peça faz um resgate temporal e nos faz revisitar uma época e espaços, principalmente desse lugar suburbano carioca”, destaca, orgulhosamente, BRUNO MARIOZZ. Assino embaixo das palavras do produtor.




As letras dos sambas merecem uma atenção especial do espectador, já que trazem versos de pura poesia popular, lirismo e verdades.

 




 

FICHA TÉCNICA:

Idealização: Cia. Dramática de Comédia e Bruno Mariozz

Texto: João Batista

Direção: João Batista

Assistência de Direção: Bárbara Abi-Rihan

Direção Musical: Marcelo Alonso Neves

 

Elenco (por ordem alfabética): Aline Borges, Elli Fêrreira, Jeniffer Dias, Lucas da Purificação, Thiago Thomé, Udylê Procópio e Vilma Melo

 

Músicos: Carlos Rufino/Felipe D’Lélis, Fábio D’Lélis, Leo Antunes e Marlon Julio

 

Cenário: Doris Rollemberg

Figurino: Mauro Leite

Iluminação: Renato Machado

Assistência de Iluminação: Diego Diener

Direção de Movimento: Dani Cavanellas

Preparação Vocal: Pedro Lima

Desenho de Som: Thiago Silva

Comunicação, Identidade Visual e Operação de Som: Rafael Prevot

Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha

Fotos: Nil Caniné

Produção Executiva: Natasha Arsenio

Assistência de Produção: Marilene Ribeiro

Microfonista: Luiza Jacinto

Coordenação Financeira: Ingryd Cardozo

Direção de Produção: Bruno Mariozz

Realização: Sesc e Palavra Z Produções Culturais


 






SERVIÇO:

Temporada: De 10 de julho a 09 de agosto de 2026.

Local: Teatro Sesc Ginástico.

Endereço: Avenida Graça Aranha, nº 187 – Centro – Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 5ªs e 6ªs feiras, às 19h; sábados e domingos, às 17h.

Valor dos Ingressos: 5ª feira e domingo: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada), R$ 15 (credencial plena Sesc e conveniados) e gratuito (público cadastrado no PCG); 6ª feira e sábado: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada), R$ 15 (credencial plena Sesc e conveniados) e gratuito (público cadastrado no PCG).

OBSERVAÇÃO: Meia-entrada para casos previstos por lei: idosos, estudantes, PCD e jovens de baixa renda na faixa etária entre 15 a 29 anos, que apresentem carteira jovem ou CadÚnico.

Vendas “on-line”Ingresso.com

Capacidade: 400 lugares.

Acessibilidade: SIM.

Classificação Indicativa: 12 anos.

Duração: 80 minutos.

Gênero: Musical


 





       Feliz e recompensado, por ter assistido a “PRA TE VER FELIZ”, passo a RECOMENDAR O ESPETÁCULO, como um bom motivo de divertimento, via um TEATRO singelo e de muito boa qualidade.

 

 




 




FOTOS: NIL CANINÉ.

 

 


É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.