terça-feira, 4 de agosto de 2026

 

“É O FIM! LTDA”

ou

(UMA BOA E MODESTA

COMÉDIA PARA

O DIVERTIMENTO

DA FAMÍLIA.)

ou

(É SIMPLES, 

MAS É BOM.)

 

 


         Quando tenho que fazer um longo deslocamento, dirigindo ou utilizando outros meios de locomoção, para assistir a uma peça teatral, como no último domingo (02/08/2026), de um bairro da zona sudoeste do Rio de Janeiro até outro, da zona norte, não poupo os ouvidos dos DEUSES DO TEATRO, pedindo-lhes que não seja uma viagem e um sacrifício perdidos, principalmente quando o programa é assistir a uma COMÉDIA, já que boas peças desse gênero se tornaram raras, um artigo de luxo, mesmo, nos últimos tempos, salvo algumas raríssimas exceções. Confesso que sou muito rígido e exigente, com relação a peças cujo propósito primeiro é divertir, fazer rir. Piadas e textos que não têm a menor graça me aborrecem, me irritam. A peça sobre a qual, aqui, resolvi escrever algumas considerações chama-se “É O FIM! LTDA”, com um título um pouco estranho, mas que tem tudo a ver com a dramaturgia, em cartaz no Teatro 2 do SESC Tijuca (VER SERVIÇO!). Não vou enganar ninguém: Eu, pelo menos, não gargalhei, mas outras pessoas chegaram a tal estágio do riso. Mas o que importa é que sorri bastante e me diverti, a ponto de ter achado que valeu a pena a minha ida ao Teatro e de ter sido impelido a escrever uma crítica sobre a peça.

 




SINOPSE:

Como seria experimentar o seu próprio velório, antes da derradeira hora?

O espetáculo “É O FIM! LTDA” é uma COMÉDIA musical, que aborda a finitude humana, com humor, música e afeto.

A trama acompanha três empreendedores, que criam uma empresa chamada É O FIM! LTDA, de velórios, especializada em planejar e executar “gurufins” personalizados, mas sofrem um acidente no caminho de lançamento e descobrem que já estão mortos.

No dia do lançamento do negócio, a plateia é recebida como “cliente VIP” e convidada a conhecer o inovador serviço “Teste Drive Gurufim!”, que permite experimentar diferentes modelos de velório, antes de morrer de verdade.

Em uma trama envolvente, repleta de humor, música e situações inusitadas, o espetáculo reserva um final surpreendente.


 



         Antes de entrar, propriamente, em comentários sobre esta montagem, acho muito pertinente falar sobre uma espécie de ritual, citado na SINOPSE, só conhecido pelos mais velhos, como eu, já bastante em desuso, porém ainda encontrado, muito raramente, que é o “gurufim”, uma cerimônia fúnebre festiva e tradicional, comum no mundo do samba e em comunidades afro-brasileiras, que mistura o luto com música, dança, comida e bebida para celebrar a trajetória de quem partiu. A palavra tem origem no idioma quimbundo (de matriz banta, vindo de Angola). É um ritual para honrar a vida e espantar a dor, expressando que a alegria e a memória afetiva também cabem na despedida. Historicamente, envolvia cantorias, contação de histórias e brincadeiras tradicionais, para manter o ambiente desperto e vivo durante a noite toda”, tudo regado a bebidas e comidas, como se daria numa festa. É, por assim dizer, uma versão tupiniquim das celebrações dos mexicanos durante os velórios.



        O espetáculo, que foi agraciado com o edital Pulsar, do SESC Rio de Janeiro, traz dramaturgia de ALEXANDRE DANTAS, direção de ANDRÉ PAES LEME e, no elenco, o próprio ALEXANDRE, ao lado de HUGO GERMANO e SARA HANA. É a sétima peça da “Cia. FaláCia”, criada em 2008, por ALEXANDRE DANTAS e CLAUDIA VENTURA, esta uma consagrada atriz, que, neste espetáculo, assume a assistência de direção. A companhia surgiu para investigar a linguagem narrativa, utilizando-se de obras de importantes autores da literatura em língua portuguesa, como Machado de Assis, Arthur Azevedo, Rubem Fonseca, João de Mancelos e Ronaldo Correia de Brito. Ao longo de sua trajetória, a dupla também expandiu sua pesquisa para outras linguagens, incluindo adaptações de clássicos e o TEATRO musical. A montagem em tela marca um novo momento para o grupo, ao apresentar seu primeiro texto autoral. O espetáculo celebra, ainda, os 36 anos de parceria entre CLAUDIA e ALEXANDRE e os 18 anos de atuação da companhia, reunindo humor, música e forte identidade brasileira.





         Não se trata, propriamente, de um musical, no formato que estamos acostumados a ver, mas sim de uma COMÉDIA musical, feita com muito cuidado e empenho de todos os que fazem parte da FICHA TÉCNICA do espetáculo; modesto, é verdade, contudo atingindo seu objetivo: divertir, brincando com algo bastante sério, que é a morte, transformando o rito de passagem em celebração. O fim da vida, um dos temas mais universais e, ao mesmo tempo, mais evitados da experiência humana, ganha contornos de humor, música e afeto nesta COMÉDIA musical inédita, que combina sátira, ritmos populares brasileiros e uma relação direta com o público, para refletir sobre a finitude, de forma leve e divertida.



 Entre apresentações corporativas, planos funerários e situações inusitadas, o público é conduzido por uma narrativa repleta de humor e surpresas. O que os personagens não sabem é que sofreram um acidente, a caminho do evento, e já estão mortos. Aos poucos, a apresentação da empresa se mistura à própria despedida dos protagonistas, transformando o espetáculo em uma reflexão sensível sobre a vida, os encontros e a inevitabilidade do fim. A montagem alterna diferentes tempos narrativos, cruzando a história dos personagens com os acontecimentos que antecedem o lançamento de um empreendimento, em uma estrutura que se constrói como um quebra-cabeça cênico e musical.



  De longo tempo, sou um grande admirador do trabalho e da garra empreendedora do casal ALEXANDRE DANTAS e CLAUDIA VENTURA. Sobre eles, assim se expressa o diretor da peça, ANDRÉ PAES LEME: Trabalhar com dois profissionais de altíssimo nível, que sabem combinar afeto, dedicação, profissionalismo, firmeza e gentileza é gratificante. ALEXANDRE DANTAS e CLAUDIA VENTURA são parceiros de vida e de uma trajetória profissional muito intensa. São muitos trabalhos juntos e, a cada novo projeto, sinto que aprendo um pouco mais. Sou muito grato pelo convite para integrar este espetáculo e espero que muitos outros venham pela frente.”



  Além de não poupar elogios a toda a equipe, que, realmente, se empenhou bastante por um bom espetáculo, o diretor chama a atenção para a proposta artística da montagem, que aposta em uma COMÉDIA com forte apelo popular e uma relação próxima com a plateia. Diz ele: “É uma COMÉDIA diferente, com uma comunicação muito fluida com o público e que envolve diretamente a plateia.”



  Enganam-se os que pensam ser necessário uma produção nadar em cifrões, para conseguir erguer uma peça de qualidade. Já vi muito dinheiro ter sido gasto em produções duvidosas, no mínimo, ao passo que “É O FIM! LTDA”, uma montagem de poucos recursos financeiros, consegue atingir o público de uma forma direta e positiva. A cenografia (TERESA ABREU) e os figurinos (MARAH SILVA) dialogam com a simplicidade e o ajuste com as exigências da dramaturgia. A iluminação não traz grandes firulas, no entanto é muito bem desenhada pelo comprovado talento de RENATO MACHADO e DIEGO DIENER.



  Merecem aplausos as doze canções inéditas que embalam a peça, todas compostas por ALFREDO DEL-PENHO, que também assina a direção musical do espetáculo. As músicas são apresentadas ao vivo, cantadas pelo elenco, acompanhado por três músicos: o próprio DEL-PENHO (violão), GUINTER VIEIRA (cavaquinho) e GEÓRGIA CÂMARA (percussão).



 Humildemente, aprovo a descomplicada direção de ANDRÉ PAES LEME, assim como o correto desempenho do trio de atores, os quais demonstram um largo prazer em atuar e uma profunda cumplicidade entre si. Eles passam muita leveza e descontração em suas atuações, merecendo os justos aplausos direcionados da pequena plateia (A lotação do espaço gira em torno de apenas 50 lugares.), ao final da encenação. A propósito, a apresentação nesse micro espaço tem um ganho pela aproximação atores/plateia; por outro lado, é justo que este espetáculo mereça ser apresentado em espaços que comportem um número maior de espectadores, por sua qualidade e “honestidade”.  

 

 


 

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia: Alexandre Dantas

Músicas Originais: Alfredo Del-Penho

Direção: André Paes Leme

Assistência de Direção: Claudia Ventura

Direção Musical: Alfredo Del-Penho

 

Elenco: Sara Hana, Hugo Germano e Alexandre Dantas

Músicos: Alfredo Del-Penho (violão), GUINTER VIEIRA (cavaquinho) e GEÓRGIA CÂMARA (percussão)

 

Cenografia: Teresa Abreu

Figurino: Marah Silva

Iluminação: Renato Machado e Diego Diener

Produção Executiva: Christina Carvalho e Natália Dias

Coordenação de Comunicação e Fotografias: Daniel Barboza | incerta

Mídias Sociais e Produção de Conteúdo: Fabiana Bugard

“Design” Gráfico: Allan Brandão

Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa

Idealização e Realização: CiaFaláCia


 



 

SERVIÇO:

Temporada: De 23 de julho a 16 de agosto de 2026.

Local: Sesc Tijuca (Teatro 2).

Endereço: Rua Barão de Mesquita, nº 539, Rio de Janeiro – RJ.

Dias e Horários: De 5ª feira a sábado, às 19h; domingo, às 18h.

Valor dos Ingressos: Grátis (PCG), R$ 21 (habilitado SESC), R$ 15 (meia-entrada), R$ 27 (conveniado) e R$30 (inteira).

Vendas “on-line” através do “site” da Ingresso.com (com taxa de serviço) ou na bilheteria do Teatro (sem taxa de serviço).

Horário de funcionamento da bilheteria: De 3ª feira a 6ª feira, das 8h às 20h; sábado, das 9h às 19h; domingo, das 9h às 18h.

Classificação Indicativa: 16 anos.

Duração: 70 minutos.

Gênero: COMÉDIA Musical


 

 


          Espero que este espetáculo continue fazendo uma boa carreira no Teatro 2 do SESC Tijuca e consiga novas pautas, em outros espaços, para que um número maior de pessoas possa se divertir e aplaudir um bom trabalho de TEATRO, que EU RECOMENDO.

  

 

 

 

 

FOTOS: DANIEL BARBOZA

 

 


É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


















 




















































sexta-feira, 31 de julho de 2026

 

“2º FESTIVAL

DE TEATRO

DO RIO DE JANEIRO”

“COMO UM PALHAÇO

- LIKE A CLOWN”

ou

(UMA ADORÁVEL

DESCONSTRUÇÃO

E UMA DELICIOSA

EXPERIÊNCIA.)

 


         Em 2025, um espetáculo ocupou a Arena do SESC Copacabana e outros espaços, no Rio de Janeiro, arrebanhando um grande público e conseguindo muitos aplausos e a aprovação dos espectadores, por sua enorme qualidade, pelo estupendo trabalho de uma dupla de exímios artistas e pelo grande diferencial, em termos de TEATRO, que ele apresentava. O evento em questão chamava-se “COMO UM PALHAÇO - LIKE A CLOWN”, ao qual eu, muito lamentavelmente, por um excesso de compromissos à época, não consegui assistir, o que me deixou extremamente aborrecido. Quis, porém, o destino (Ou teriam sido os DEUSES DO TEATRO?) que, em abril deste ano da graça de 2026, o espetáculo se apresentasse no “34º Festival de Curitiba”, inserido na principal mostra - “Mostra Lúcia Camargo” -, convidado que fora para aquele grande acontecimento. Foi a ótima oportunidade que tive para conhecer o trabalho de dois grandes artistas: HELENA BITTENCOURT e GOOS MEEUWSEN, dos quais me tornei grande admirador. Por inúmeros motivos, todos alheios à minha vontade, não consegui, à época, escrever e publicar a crítica, mais que positiva, que a montagem merecia. Estava em dívida com HELENA e GOOS. Mais uma vez, agora, por conta do “2º Festival de Teatro do Rio de Janeiro”, com curadoria de MARIA SIMAN, realizado, simultaneamente, no Teatro Riachuelo – RJ e no Teatro TotalEnergies, o espetáculo foi colocado no meu caminho, com apenas duas apresentações, o que me possibilitou rever a peça e reunir, assim, condições para dar forma a estes modestos escritos, deixando muito aliviado o meu coração.

 


 


SINOPSE:

COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOWN” é uma COMÉDIA teatral e uma palestra poética, criada e interpretada pelos palhaços HELENA BITTENCOURT e GOOS MEEUWSEN.

O espetáculo investiga a arte da palhaçaria através dos tempos, misturando humor, ironia e reflexões sobre máscaras sociais e o medo de palhaços (coulrofobia).

Uma “palestra” sobre palhaços.

Uma “performance” contemporânea para aqueles que os amam e para os que os odeiam.

Dois acadêmicos assumem o desafio de apresentar uma palestra, quando as coisas tomam rumos inesperados.

O espetáculo descontrói a imagem do palhaço, pesquisando os diversos significados que a profissão adquiriu ao longo do tempo.

Misturando, em sua dramaturgia, fisicalidade, texto, música ao vivo e imagens projetadas, “COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOWN” revela e distorce arquétipos clássicos da palhaçaria, transitando entre o passado e o presente, misturando influências culturais e técnicas teatrais, para mergulhar na identidade, em constante evolução, do palhaço.


 


 



       A figura do palhaço é das mais lindas e puras que conheço, desde a minha infância, e esse sentimento me acompanha até hoje, aos 76 anos de idade. É o que mais me interessa num programa circense. A criança que habita em mim vem à tona, quando estou diante de um palhaço. Não é exagero: eu rio muito daquele humor puro, ingênuo, e, também, choro; da mais profunda emoção. Eu os adoro. Tenho por eles a maior admiração e respeito. Incomoda-me, sobremaneira, quando o termo “palhaço” é mal-empregado, nas situações em que alguém quer ofender outrem. Ocorre, porém, que, infelizmente, muito diferentemente de como a figura de um palhaço me toca, da paixão como eu o vejo, para outras pessoas, adultos e crianças, os palhaços representam figuras assustadoras e horríficas. Uma simples pesquisa a qualquer “site” de busca pode atestar isso.




       A fobia, mais do que um simples medo, pelo palhaço mereceu que lhe fosse atribuído um termo específico, coulrofobia, cuja etimologia reporta a “coulro-”, derivado do grego “koulrobates”, que significa “aquele que anda sobre pernas de pau”, associando-se aos artistas populares e acrobatas de circo, mais o sufixo “-fobia”, também do grego “phóbos”, que significa medo, pavor, temor. A coulrofobia é estudada e explicada pela ciência, via psicologia, podendo causar reações extremas, como pânico, falta de ar e batimentos cardíacos acelerados. Pode parecer um exagero, mas é a mais pura verdade. Vou parando por aqui, propondo, a quem tiver maior interesse, que pesquise sobre o assunto, para saber por que motivo algumas pessoas são “inimigas” dos palhaços, e passo a me deter no espetáculo.




        Embora, hoje em dia, os números de palhaços possam até ser considerados, por alguns, “chatos” e desnecessários, contra o que eu, peremptoriamente, me coloco, “é quase difícil acreditar que os palhaços já foram artistas aclamados — superestrelas que levavam risos e alegria a pessoas ao redor do mundo” - inclusive com programas na TV -, visto que o riso sempre foi uma parte fundamental da experiência humana. O riso faz bem, causa afagos na alma. O riso nos salva. “Ele nos conecta, proporciona uma fuga e nos espelha em nossos próprios absurdos.” “O rosto pintado, o nariz vermelho e os sapatos enormes tornaram-se, para muitos, ultrapassados ou inquietantes. Essa mudança não se deve apenas a filmes de terror ou tragédias reais da década de 1990, mas parte de uma transformação maior. No entanto, a essência da palhaçaria — riso, brincadeira e ‘performance’ — permanece tão vital como sempre. Das civilizações antigas até os dias atuais, os palhaços assumiram muitas formas. Tribos indígenas, bufões egípcios, artistas romanos, artistas da ‘Commedia dell’Arte’, palhaços de circo, comediantes modernos — todos carregam o espírito do palhaço. Alguns ainda adotam a clássica maquiagem branca e o nariz vermelho, enquanto outros encontram novas maneiras de incorporar sua essência: a brincadeira e o jogar sem medo, emoções humanas cruas e a liberdade de ser ridículo.”





 “Mas este espetáculo não é sobre lamentar a perda do lugar do palhaço na sociedade. Não é um apelo por reconhecimento ou uma reflexão trágica sobre uma imagem ultrapassada. Não! Este espetáculo é sobre riso. É sobre transformação. É sobre de onde viemos, como a sociedade evolui e como algumas emoções permanecem universais. É sobre abraçar a alegria da falta de vergonha — algo que todos nós, secretamente, desejamos. Um espetáculo de palhaços, criado por palhaços, pode parecer simples, mas é cheio de contradições. Palhaços representam liberdade — quebrando regras, desafiando as expectativas sociais — mas também anseiam por amor e reconhecimento. (...) Este espetáculo brinca com a transformação. A imagem do palhaço pode mudar, mas seu espírito permanece vivo. Porque, no final, todos nós rimos. Todos nós choramos. Todos nós nos reconhecemos no palhaço...”. Os textos acima, em negrito, de conteúdo magnífico, foram extraídos de um riquíssimo “release” que me foi encaminhado por ANA LUIZA (MNiemeyer – assessoria de imprensa), a quem muito agradeço.




“COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOWN” é uma agradabilíssima experiência que mexe demais com o nosso emocional, de espectadores, conectando-nos com uma arte milenar, levando-nos a percorrer, numa linha do tempo, o caminho da evolução de uma arte tão sublime, como é a palhaçaria, e tudo relacionado a ela, como, por exemplo, os tipos de “gags”, uma piada rápida, uma “pegadinha” ou um efeito cômico visual, bem como o progresso na maneira de um “clown” esconder seu rosto, quer por trás da menor máscara que existe, o tradicional nariz vermelho, quer pela utilização de pesadas e coloridas maquiagens, que o deixam totalmente irreconhecível. Mostra, ainda, o espetáculo, no que se refere à plasticidade, o avanço nos trajes do palhaço, assim como outros detalhes desta sublime profissão.




 O que HELENA e GOOS fazem no palco é conduzir, brilhantemente, e dividir com a plateia, uma celebração. Ao humor e ao amor; ao riso ingênuo e espontâneo; uma celebração à arte de fazer rir. Os dois formidáveis artistas são palhaços modernos, palhaços de um tempo perigoso, que tanto depende deles, para pesar menos árido e frio; um tempo em que sorrir se tornou, por assim dizer, um “produto de luxo”. E é por isso, que os espectadores deste maravilhoso espetáculo devem agradecer muito à dupla.



  A ideia de realizar este espetáculo sob a forma de uma “palestra poética”, ilustrada, é um grande achado, em que valem tanto as informações acadêmicas sobre o universo dos palhaços e da palhaçaria quanto as ilustrações relacionadas a cada uma daquelas informações. Têm um valor inestimável todas as surpresas que aparecem no decorrer do trabalho, todas vindo de trás de uma espécie de cortina ao fundo. Tudo sai de um “baú de novidades” para abrilhantar a experiência, já tão rica apenas pela presença de HELENA e GOOS.

 


 


FICHA TÉCNICA:

Conceito, Dramaturgia, Direção e Interpretação: Helena Bittencourt e Goos Meeuwsen

 

Interpretação: Helena Bittencourt e Goos Meeuwsen

 

Pesquisa, Colaboração Dramatúrgica e Assistência de Direção: Luisa Espindula

Colaboração Artística e Dramatúrgica: Renato Linhares

Cenografia: Goos Meeuwsen e Marieta Spada

Figurino: Marieta Spada e Geraldine Lodders

Iluminação: Tainã Miranda e Lina Kaplan

Direção Musical: Helena Bittencourt e Rodrigo Marçal

Trilha Sonora Original: Rodrigo Marçal

Fotos: Renato Mangolin e Lina Sumizono (“Festival de Curitiba”)

Arte Gráfica, Conteúdo e Pesquisa em Vídeo: Estúdio Radiográfico

Direção de Produção: Luana Lessa


 




 

SERVIÇO:

Apresentações: 30 e 31 de julho (5ª e 6ª feira) de 2026.

Local: Teatro TotalEnergies.

Endereço: Rua do Russel, nº 804, Glória – Rio de Janeiro.

Telefone: (21)3553-3557.

Capacidade: 359 lugares.

Valor dos Ingressos: Plateia A: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada); Plateia B: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).

Venda dos Ingressos: Na bilheteria física do Teatro (sem cobrança de taxa de serviço) ou pelo “site” INGRESSO.COM (com cobrança de taxa de serviço).

Horários de funcionamento da bilheteria: De 3ª feira a sábado, das 12h às 20h; domingo e feriado, das 12h às 19h.

Duração: 80 minutos.

Classificação Etária: 10 anos.

Acessibilidade: Este espetáculo conta com recursos de acessibilidade, para proporcionar uma experiência mais inclusiva a todos os públicos. Disponibilizamos intérprete de Libras, audiodescrição, legendagem e fones abafadores, garantindo mais conforto e autonomia para pessoas com deficiência e pessoas com sensibilidade sensorial.

Gênero: COMÉDIA, Palestra Poética e TEATRO Físico.


 

 



  “COMO UM PALHAÇO – LIKE A CLOW” não é um espetáculo sobre o qual se possa falar muito. É, sim, antes de tudo, uma grata experiência para ser vivida e sentida, um momento para se reverenciar, e muito, a figura de um artista tantas vezes injustiçado e pouco reconhecido, porém da maior importância para a cultura popular, o palhaço, motivo que me faz RECOMENDAR O ESPETÁCULO.

 

 

 

 

FOTOS: RENATO MANGOLIN

e

LINA SUMIZONO



GALERIA PARTICULAR

(FOTOS AVULSAS)






Eu, no "Festival de Curitiba".

 

 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.