sexta-feira, 2 de outubro de 2026

 

“PROIBIDO PARA

MENORES DE

 18 ANOS”

ou

(UM DESAFIO

E UM EXERCÍCIO

DE CORAGEM

PARA UM

GRANDE ATOR.)

 


 



 

         Aprendi, bem cedo, duas máximas das quais nunca me esqueci: a primeira é que a embalagem valoriza qualquer produto; a segunda, que se refere a obras de arte, como TEATRO, cinema, literatura e música, principalmente, é que o título vende, sendo, portanto, necessário que ele sintetize, ao máximo, o conteúdo da obra e que seja capaz de chamar a atenção do consumidor. NICOLAS AHNERT e FELIPE HINTZE parece que também acreditam nesta e escolheram, para batizar um texto de TEATRO, escrito a quatro mãos, um título longo e bastante “apelativo”, no melhor sentido de uma opção certeira, em termos de “marketing”: “PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS”. Tenho certeza de que uma boa parte das pessoas que se decidem por assistir à peça o fazem atraídas pelo título, curiosas, e, sem conhecer sua SINOPSE, vão esperando algo muito diferente do que encontram no espaço cênico do Teatro Estúdio, um agradável equipamento teatral da cidade de São Paulo.





Por outro lado, a julgar pelo tempo em que a montagem está em cartaz, sempre com casas lotadas, o que julgo ser fruto da famosa propaganda “boca a boca”, que, até se provar o contrário, ainda é a melhor forma de divulgação de um espetáculo de Teatro, o público recebe muito bem a peça, com efusivos aplausos e comentários muito positivos, pós-peça – Presenciei isso no “foyeur” do Teatro. -, passando adiante a recomendação do monólogo.

 


 


SINOPSE:

A peça nasce da inquietação de seus criadores, diante de uma sociedade, cada vez mais, exposta a conteúdos violentos e sexualizados.

Ao acompanhar a trajetória de um homem que tenta compreender a própria fascinação pelo tema, o espetáculo propõe um mergulho em zonas contraditórias da experiência humana, onde horror e desejo, repulsa e atração convivem lado a lado.

Depois de presenciar um acidente de carro, com uma vítima fatal, um homem enfrenta uma jornada obsessiva pelas possibilidades eróticas da violência.

O que a exposição contínua à violência faz com a nossa capacidade de sentir?

“PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS” é um espetáculo que questiona o consumo erotizado de imagens violentas, na mídia, e suas consequências para uma possível desumanização. 

AVISO DE “GATILHO”: Esta obra contém representações de violência física, psicológica e temas sensíveis que podem causar desconforto.


 

 



Há quem prefira ir a um Teatro sem saber muito sobre aquilo a que vai assistir. De forma diferente, não abro mão de, previamente, conhecer a SINOPSE e a FICHA TÉCNICA do espetáculo. Achei curioso e interessante o título, porém, depois da leitura da síntese da obra, que, a princípio, achei “meio cabeça”, impressão da qual me desfiz depois de ter assistido à encenação, abandonei qualquer hipótese de ver algo com teor puramente erótico ou coisa parecida. Seria “proibido” por outros motivos; não os libidinosos.




O monólogo que, ao lado de NICOLAS AHNERT, nos apresenta FELIPE HINTZE como um incipiente (com “c”) dramaturgo é um espetáculo “fora da curva”, no melhor dos sentidos, com relação à ideia geral que se tem de TEATRO. Foge ao “academicismo”, na falta de um termo melhor. O texto requer a máxima atenção do espectador, para que este não se perca nas mensagens que a dramaturgia se propõe a propagar. Não é simples, de fácil decodificação, mas também não é nada impossível de ser entendido, quando o espectador demonstra interesse pelo que está vendo e consegue associar a palavra aos gestos e ações do ator, assim como aos muitos signos que vão sendo trazidos ao espaço cênico, ao longo do solo.




A peça parte de uma pergunta desconfortável: Quando a violência e o erótico são normalizados no nosso cotidiano, estamos mais suscetíveis à desumanização? É assistir à peça e mergulhar num oceano de reflexões. Trata-se de um espetáculo que não acaba quando se fecham as cortinas – se elas existissem no Teatro Estúdio -, mas é extremamente propício a conversas e debates posteriores, entre uma fatia de pizza e outra, nos intervalos do chopinho; o preto, de preferência, para mim (Momento descontração!). Pode até se tornar um bom exercício para um autoconhecimento.




Extraído do “release” que, a meu pedido, me enviou o próprio FELIPE HINTZE, já que a montagem, por ter sido totalmente sem patrocínio e custeada pelo próprio ator - num gesto de coragem e amor ao TEATRO -, não conta que um(a) profissional que faça as vezes de assessor de imprensa. FELIPE faz, praticamente, tudo. É aquele jogador que “bate o escanteio e corre, para cabecear a bola e fazer o gol”. E o melhor é que consegue: “A peça nasce da inquietação de seus criadores diante de uma sociedade cada vez mais exposta a conteúdos violentos e sexualizados. Ao acompanhar a trajetória de um homem que tenta compreender a própria fascinação pelo tema, o espetáculo propõe um mergulho em zonas contraditórias da experiência humana, onde horror e desejo, repulsa e atração, convivem lado a lado.” A peça é como um semáforo com a luz amarela acesa; é um grito de alerta para quem se reconhece, pelo menos um pouco, na pele do personagem.





NICOLAS AHNERT executa uma brilhante direção, profundamente inventiva e engenhosa, em uma montagem que aposta na intimidade do monólogo, para aproximar o espectador de questões que, normalmente, preferimos manter a distância; porque, talvez, isso provoque um desconforto e, até mesmo, alguma dor.


ATOR E O DIRETOR NICOLAS AHNERT.


Para HINTZE, a experiência de estar sozinho num palco, embora com uma equipe por trás de tudo - Ninguém faz TEATRO sozinho. TEATRO é, e sempre será, uma arte coletiva; até num monólogo. –, é encarada como um grande desafio, com o qual o artista se vê diante da necessidade de romper expectativas e explorar territórios inéditos em sua trajetória como ator. FELIPE HINTZE sentia que era chegado o momento de se colocar em um lugar completamente diferente daquele em que o mercado estava colocando-o, sempre associado a um determinado perfil. Segundo o próprio, “eu senti vontade de me desafiar artisticamente, de investigar um personagem mais sombrio”. E acho que fez muito bem, agindo dessa maneira, dando-nos a feliz oportunidade de ver, em cena, um ator maduro, apesar da pouca idade, e consciente, com uma profunda inteligência cênica e muita garra, imerso nas profundezas de um personagem instigante e difícil de ser representado. FELIPE HINTZE é um dos grandes atores de sua geração. São suas palavras: “‘PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS’ pretende provocar uma reflexão sobre aquilo que consumimos todos os dias, sem perceber o impacto que essas imagens podem ter sobre nossa forma de existir no mundo”.





Por se tratar de uma montagem bastante franciscana, os elementos que dão apoio a uma montagem teatral, a cenografia (NICOLAS AHNERT), o figurino (SILVIO MARCHI) e a iluminação (NICOLAS CARATORI), são comedidos, porém adequados, relevantes e concernentes, além de indispensáveis à encenação. O mesmo comentário pode ser atribuído a PAULO OCANHA, com sua trilha sonora, que enriquece muito o espetáculo.

 




FICHA TÉCNICA:

Texto: Nicolas Ahnert e Felipe Hintze

Direção: Nicolas Ahnert

Direção de Movimento: Fernanda Salla

Interpretação: Felipe Hintze

Participação em Áudio: Débora Falabella


Cenografia: Nicolas Ahnert

Cenotécnica: Rebeca Oliveira

Figurino: Silvio Marchi (Forca Studio)

Assistência de Figurino: Matheus da Maia

Iluminação: Nicolas Caratori

Trilha Sonora: Paulo Ocanha

Criação de Mídia e Conteúdo: Gatu Filmes, Gabriel Metzner e Arthur Rossi

Criação de Vídeo: Carlos Baus

Câmera em Cena: André Voulgaris

Operação Áudio e Vídeo: Gabriel Ferrara

Operação Luz e Montagem: Venício Junior

Assistência de Produção: Lidiane Rosa

Identidade Visual: Biel Gava

Arte Cartaz: Biel Gava e Nicolas Ahnert

“Design” Programa: Deko Mello

Mídia Social: Tiger Comunicação

Fotos: Caio Oviedo e Gatu Filmes

Fotografia Cartaz: Caio Oviedo

“Make” Foto: Maria Antônia Porto

“Head” de Comunicação: Bruno Sabino

Tráfego Pago: Cannal Produções

Direção de Produção: Thomas Marcondes

Realização: F2H produções e Sinthomas Produções


 

 




 

SERVIÇO:

Temporada: De 01 de agosto a 22 de outubro de 2026.

Local: Teatro Estúdio.

Endereço: Rua Conselheiro Nébias, nº 891, Campos Elíseos, São Paulo – SP. (Próximo à Estação Santa Cecília do metrô e ao Terminal Princesa Isabel.).

Dias e Horários: às 5ªs feiras, às 20h30min.

Valor dos ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada).

Venda dos Ingressos: “on-line”, pela plataforma SYMPLA (com cobrança de taxa de serviço) ou na Bilheteria do Teatro.

Horário de funcionamento da bilheteria: De 2ª feira a domingo, a partir das 15h, ou em dias de espetáculo, a partir de 2 a 3 horas antes do início das apresentações.

Duração: 65 minutos.

Indicação Etária: 18 anos.

Gênero: Monólogo.


 

 





        Quem está à procura de um TEATRO apenas para se distrair, como mero lazer, deve escolher outra peça, contudo, se quer ser sacudido, ver e ouvir aquilo que, talvez, não quisesse, para não ser impelido a pensar, refletir e tomar uma atitude, seja ela qual for - continuar na sua zona de conforto ou lutar consigo mesmo, para se livrar de algo que pesa na vida de qualquer um -, “PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS” é a indicação certa, um prato cheio. RECOMENDO MUITO O ESPETÁCULO, que gostaria de rever. Quem sabe no Rio de Janeiro, meu caro FELIPE HINTZE?

 

 









 

FOTOS: CAIO OVIEDO

e

GATU FILMES.



GALERIA PARTICULAR:


Com Felipe Hintze.

 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 

 

















































































































































































































































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