sexta-feira, 21 de agosto de 2026

 

“MAR DE GIRASSÓIS”

ou

(HONESTIDADE E PROFISSIONALISMO

ACIMA DE TUDO.)

 



 

            Espetáculos de TEATRO há que dispõem de um alto orçamento para a sua produção, seja por via leis de incentivo e fomentos – a grande maioria -, seja por meio de recursos próprios dos produtores, conseguindo ocupar grandes espaços na mídia e, consequentemente, arrebanhando um estupendo número de espectadores, principalmente quando a FICHA TÉCNICA é recheada de nomes e ídolos “globais”. Por outro lado, também existem aquelas produções modestas, quase “franciscanas”, em que os envolvidos no projeto precisam matar uma alcateia de leões por dia (Podem achar estranho, mas o coletivo está correto.), para dar visibilidade a um trabalho teatral e atrair público. Não faço distinção entre os dois. Respeito todos. Levo em consideração, além da parte artística, evidentemente e em primeiro lugar, o grau de honestidade na proposta e o nível de profissionalismo dos envolvidos na montagem. É por isso que me dispus a escrever sobre o espetáculo a que assisti ontem (20/08/2026), em cartaz no Teatro dos 4: “MAR DE GIRASSÓIS”.


 



 


SINOPSE:

Ambientada na casa de uma família multicultural carioca, a trama acompanha Eduardo (GIUSEPPE ORISTANIO), um médico recém-recuperado de um infarto, que passa a ser confrontado com a própria fragilidade; Helena (IZABELA BICALHO), ex-bailarina do Theatro Municipal, que inicia um novo capítulo profissional; Gabriela (NATASHA JASCALEVICH), artista visual, que retorna de Nova York, após uma cirurgia bariátrica que transformou seu corpo, mas não resolveu seus conflitos internos; Ana (ROSANE GOFMAN), a governanta, que carrega segredos familiares e uma profunda espiritualidade; além de Marcelo (FELIPE LEIBOLD) e Rafael (CIRO A. NOGUEIRA), personagens que aparecem para movimentar os afetos, as memórias e as escolhas decisivas dos personagens.


Entre reencontros, despedidas, paixões interrompidas e sonhos adiados, “MAR DE GIRASSÓIS” convida o público a refletir sobre temas universais, como pertencimento, envelhecimento, identidade, espiritualidade e a busca de sentido em um mundo em constante transformação.


Com humor, delicadeza e poesia, o texto coloca em cena questões contemporâneas, como os conflitos geracionais, o êxodo entre cidade e campo e a dificuldade de habitar o próprio corpo, em uma era digital, marcada peça exposição permanente e pelos padrões impostos.


 




 

         CLAUDIA KOOGAN BREITMAN debuta, no universo teatral, com “MAR DE GIRASSÓIS” e, a meu juízo, pode e merece se desafiar em alçar outros voos, pela qualidade de sua escrita. Sou um admirador fervoroso da obra do grande dramaturgo e contista Anaton Tchékhov, seu estilo e seus personagens, e, coincidentemente, na véspera do dia em que assisti ao espetáculo aqui comentado, tive o imenso prazer de ter tido acesso a uma montagem daquela que considero sua melhor peça, “Gaivota”, em cartaz no Teatro II do CCBB – RJ, cujo “link” para acesso dos interessados à minha crítica, já publicada, aqui está: http://oteatromerepresenta.blogspot.com/2026/08/gaivota-ou-universal-e-atual-apos-mais.html. E o que isso, que pode parecer uma divagação, teria a ver com “MAR DE GIRASSÓIS”? Um motivo muito simples e fácil de responder. Durante todo o tempo de duração da peça de CLAUDIA, por mais de uma vez, me perguntei se a dramaturga não teria bebido da fonte do consagrado autor russo, visto que reconheci, no palco do Teatro dos 4, muitas pinceladas tchékhovianas, quer na abordagem dos temas aludidos, quer na construção dos personagens. E isso é muito bom. Se é para se inspirar em alguém, que seja naqueles que o merecem.


CLAUDIA KOOGAN BREITMAN

(Autora)





          Agradaram-me, sobremaneira, nesta montagem, o bom desenrolar de uma trama que envolve vários problemas pessoais e existenciais, como também a atuação de um afinado elenco, no qual todos os intérpretes sabem aproveitar cada momento em que o texto privilegia cada um, dos personagens principais aos de menor peso na trama. Misturam-se, sobre as tábuas, nomes de atores e atrizes de comprovado talento, depois de tantos anos de bons serviços prestados à arte de representar, como  e ROSANE GOFMAN, com dois outros, com grandes atuações, principalmente em musicais, como IZABELA BICALHO e NATASHA JASCALEVICH, sobrando, também, espaço para dois outros mais “bissextos”, nos palcos, e bons atores, como CIRO A. NOGUEIRA e FELIPE LEIBOLD. O sexteto se comporta, em cena, com toda a dignidade profissional que o TEATRO exige.


GIUSEPPE ORISTANIO


ROSANE GOFMAN


IZABELA BICALHO


NATASHA JASCALEVICH


CIRO A. NOGUEIRA


FELIPE LEIBOLD


         O estopim que leva todos ao encontro de um ponto de virada de suas vidas é o retorno à sua casa da personagem Gabriela, depois de ter sido submetida a uma cirurgia bariátrica, em Nova Iorque e de lá ter passado dois anos. Pode ser bastante curioso esse detalhe, entretanto tive acesso a uma informação de que a autora do texto deu início à escrita da peça, ao fazer parte de uma turma de mestrado em dramaturgia, no “The Actors Studio”, em Nova Iorque, partindo de um acontecimento pessoal, qual seja a experiência de sua própria cirurgia bariátrica.











          O texto provoca, nos espectadores, reflexões sobre temas abrangentes e afetos a todos, seja por aqui, seja em qualquer parte do mundo, como a tão almejada ideia de pertencer, ser notado e respeitado, assim como a questão do etarismo, o registro de identidades, espiritualidade e, sobretudo, a constante e ferrenha busca de sentido para a existência, diante um mundo ameaçador, em constantes transformações. A escrita de CLAUDIA é temperada à base um humor delicado, com pinceladas de ingênua poesia, para tratar de partidas e reencontros, ruptura de paixões e possibilidades de novas, súbitas revelações e omissões planejadas e, finalmente, sonhos abortados, varridos para debaixo do tapete.










         Também deve ser lembrada a criativa direção de KAREN ACIOLY, que andou afastada, por quatro anos, do movimento teatral carioca, por conta de estudos de doutorado, na cidade do Porto, Portugal, a qual assim se expressa, num trecho do “release” que recebi de ANACRIS MONTEIRO: “Em uma época mediada pelas redes sociais e pela lógica da exposição permanente, o olhar do outro parece, muitas vezes, sobrepor-se ao olhar que lançamos sobre nós mesmos.”. KAREN optou por um trabalho que engloba, no mesmo ambiente, TEATRO, música, vídeo, artes visuais e recursos digitais.




KAREN ACIOLY


(Diretora)







         É impossível não notar, nesta obra, a curiosa e interessante metáfora contida nos girassóis, que surgem como “símbolo da vida, da renovação e da capacidade humana de continuar buscando luz, mesmo diante da vulnerabilidade. E, acima de tudo, seguem todos dispostos e recomeçar e florescer novamente.”. Julgo ser do conhecimento de todos o aspecto do “heliotropismo” que acompanha esse tipo de flor: Na fase de crescimento e amadurecimento, o botão do girassol acompanha o movimento do sol, de leste a oeste, durante o dia, como se, da luz daquele astro celeste, dependesse sua vida, sua manutenção. Após a flor desabrochar, ela costuma ficar fixa voltada para a direção leste, até sucumbir totalmente. O amarelo vibrante representa calor, vitalidade, felicidade e a energia positiva, tudo associado ao sol. É visto como símbolo de lealdade, por “seguir” a luz, e de força interior para superar dificuldades, assim como cada um dos personagens da peça.











           Não faria nenhum comentário especial, quanto aos principais artistas de criação (cenografia, figurino e iluminação), a não ser me congratular com BIA JUNQUEIRA, pelo cenário criativo e operacional.  












 

 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Claudia Koogan Breitman

Direção: Karen Acioly

Assistência de Direção: João de Mello

 

Elenco: GIUSEPPE ORISTANIO (Eduardo), IZABELA BICALHO (Helena), NATASHA JASCALEVICH (Gabriela), ROSANE GOFMAN (Ana), CIRO A. NOGUEIRA (Rafael) e FELIPE LEIBOLD (Marcelo)

 

Cenografia: Bia Junqueira

Figurino: Paula Acioli

Iluminação: Fernanda Mattos

Trilha Sonora Original e Direção Musical: Mario Ferraro e Marcos Lucas

Direção de Movimento: Toni Rodrigues

Preparação Vocal: Rose Gonçalves

Caracterização: Cora Marinho

“Video Designer”: Visões Filmes - Crísia e Plínio Hit

Projeto Gráfico: Beto Martins

Imagens de Referência: Michael Milburn Foster, Jenny Saville, Lucian Freud

Supervisão Técnica de Som: Fernando Capão

Microfonista: Ingrid Procópio

Direção de Palco: Alessandro Santos e Renato Silva

Camareira: Paty Ripol

Assessoria de Imprensa: Clímax Conteúdo

Relações Públicas: Evandro Rius

Gestão de Redes e Tráfego: Daruma Comunicação e Marketing - Guiga Narcizo e Luan Dutra

Fotografia: Annelize Tozetto, Renata Duarte e Liliane Miranda

Registro Videográfico: Mário Meirelles

Coordenação de Produção: Vivi Borges

Assistentes de Produção: Denize Vieira e Liliane Miranda

Coordenação de Projeto e Gestão Administrativa: Anacris Monteiro

Produção Executiva: Bachianas Cultura e Sustentabilidade - Cristiana Gurgel

Assessoria Jurídica: Ângela Moss

Realização: Ouro Verde Cultura


 

 





 

SERVIÇO:

Temporada: De 22 de julho a 17 de setembro de 2026.

Local: Teatro dos 4.

Endereço: Rua Marquês de São Vicente, nº 52, 2º piso (Shopping da Gávea), Gávea – Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 4ª feira e 5ª feira, às 20h.

Valor dos Ingressos: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada).

Vendas “on-line”, pelo site da Eventim (com cobrança de taxa de serviço) ou na bilheteria do Teatro (sem cobrança de taxa de serviço)

Horário de funcionamento da bilheteria: Todos os dias, das 14h às 20h, inclusive nos feriados. Em dias de apresentações, a bilheteria permanece aberta até o início do evento.

Duração:90 minutos.

Classificação Indicativa|: 16 anos (Menores entram acompanhados de pais ou responsáveis.).

Gênero: Drama.


 

 





 

         É preciso que se possa conferir o teor das minhas palavras, indo assistir à peça.

 

 

 

 



FOTOS: ANNELIZE TOZETTO,

RENATA DUARTE

e LILIANE MIRANDA.

 

 

GALERIA PARTICULAR

(Fotos: Anacris Monteiro.)


Com Claudia Koogan Breitman.


Com Rosane Gofman, Izabela Bicalho e Ciro A. Nogueira.


Com Claudia Koogan Breitman, Mário Camelo 

e Anacris Monteiro.


 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 

 

 

 



 




















 
























































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