“HAMLET 16 X 8”
ou
(AUGUSTO BOAL
VIVE.)
Quem cultua e reverencia quem o merece
é digno da minha admiração. É por isso que aplaudo CECÍLIA BOAL e JULIAN
BOAL, respectivamente, viúva e filho de AUGUSTO BOAL, ambos à frente
do Instituto Augusto Boal, por serem responsáveis pelas
homenagens que vêm sendo prestadas ao grande multiartista, falecido em 2009,
deixando-nos um precioso legado, que merece, de verdade, ser divulgado e
aplaudido “ad aeternum”, para que os jovens e as gerações que
virão também possam se orgulhar do grande brasileiro AUGUSTO BOAL.
Há, em curso, um tributo a BOAL, compreendendo três grandes eventos. Um deles é uma remontagem de sua peça “Revolução na América do Sul”, em cartaz no Teatro Poeirinha, excelente espetáculo ao qual já assisti e que mereceu uma crítica deste modesto crítico. A quem possa interessar – RECOMENDO MUITO O ESPETÁCULO” -, aqui vai o “link” da crítica: http://oteatromerepresenta.blogspot.com/2026/09/revolucao-na-america-do-sul-ou-que-bom.html. Nela, além dos comentários críticos, obviamente, agreguei muitas informações acerca da vida e da obra do homenageado. Os outros dois eventos são a peça “HAMLET 16x8”, motivo destes escritos, e uma “Exposição Augusto Boal”, ambos à disposição do público, somente até 27/09/2026, respectivamente, no Teatro Municipal Domingos de Oliveira, dentro do complexo do Planetário da Gávea, e no “foyeur” do mesmo Teatro (VER SERVIÇOS.).
SINOPSE:
“HAMLET 16X8” é um “monólogo dialogado”, que
homenageia e revive a vida e a obra de Augusto Boal, o criador do
Teatro do Oprimido.
A peça parte da autobiografia de Boal,
“Hamlet e o Filho do Padeiro: Memórias Imaginadas”.
O espetáculo mistura a trajetória pessoal de Boal,
passando por sua infância, a época áurea do Teatro de Arena, a
perseguição política, a prisão, o exílio e a carreira internacional, com
reflexões sobre a obra de Shakespeare.
A encenação cria um duelo entre o TEATRO
vivo e a tela de um celular (medindo 16x8 cm), criticando o
isolamento das redes sociais e exaltando o TEATRO como ferramenta
urgente de resistência política e diálogo coletivo.
O solo foi apresentado, pela primeira
vez, em São Paulo, em 2021, após o triste e
inesquecível período em que “deixamos de viver”, por quase dois
anos, em virtude da terrível pandemia de COVID-19, tendo sido indicada, na categoria Melhor Espetáculo,
ao “Prêmio APCA” (Associação Paulista de Críticos de Arte). Já passou por outras cidades paulistas. Esta é a segunda
temporada da peça no Rio de Janeiro. A primeira se deu em julho
deste mesmo ano de 2026, no Teatro Municipal Sergio Porto,
tendo sido muito bem recebida pelo público, o que motivou a atual. E queiram os
Deuses do TEATRO que a montagem cumpra novas temporadas, no Rio
de Janeiro e pelo Brasil afora, porque bem o merece, fruto de sua excelente qualidade. A peça integra a “Mostra Ocupa Boal”, um projeto
dedicado à trajetória multifacetada do teatrólogo AUGUSTO BOAL
(1931-2009) - dramaturgo, diretor teatral, ensaísta -,
que também apresenta uma exposição com cartazes, fotografias e registros
históricos de montagens dirigidas pelo homenageado, no Brasil e
no exterior.
As
“peças-chave” desta montagem são MARCO ANTONIO RODRIGUES, dramaturgo
e diretor, e ROGÉRIO BANDEIRA, dramaturgo e ator. RODRIGUES constrói a encenação, ao lado de BANDEIRA, ator com trajetória
ligada à pesquisa teatral. “A cena vai peneirando os achados, os ditos e
os quereres de BOAL, representando toda uma geração do TEATRO brasileiro,
refundada no Teatro de Arena.” (Extraído do “release” a mim
endereçado por PAULA CATUNDA - assessoria de imprensa da peça).
Não
precisarei de muitas palavras para afirmar, categoricamente, que o que vi,
ontem, me deixou transbordando de felicidade e que “HAMLET 16X8” corresponde
ao melhor monólogo a que assisti este ano, até agora e, quiçá, um dos melhores
nos últimos tempos, um espetáculo que deveria ser filmado e, se não for considerado, por quem me lê, uma utopia ou exagero de minha parte, ser apresentado em todas as escolas brasileiras, como
forma de passar adiante tudo de bom, na história do TEATRO brasileiro,
deixado, a futuras gerações, por AUGUSTO BOAL, um nome reconhecido e respeitado
até no exterior. Ou que a exibição desse espetáculo filmado, um
precioso documento, chegasse, pelo menos, a todos os estudantes de TEATRO
deste “Brasilzão de meu Deus”.
Deixo-me
encantar, facilmente, por projetos como o que abarca esta montagem teatral.
Fascinaram-me a ideia de sua realização e da montagem; a incrível qualidade do
texto; o acerto da direção; a falta de elementos extravagantes ou estrambólicos,
como elementos de criação (cenário, figurino e iluminação); e a fluidez e o
prazer como o recado é dado por um ator pouco conhecido pelo público carioca,
já, há algum bom tempo, afastado das tábuas, com uma atuação mais presente nas
telas, telonas e telinhas, porém, indubitavelmente, um profissional da melhor
estirpe na arte de representar. ROGÉRIO BANDEIRA é um estupendo ator de TEATRO!!!
Trata-se
esta peça de uma montagem bastante franciscana, em termos de custos de produção,
mas que se encaixa naquele dito popular que diz que, “se melhorar, piora”.
Quero dizer com isso que a simplicidade que envolve a encenação se basta, para
que o público, ao final do solo, aplauda o trabalho do ator, de pé, sob gritos
de “BRAVO!”, puxados, na noite de ontem, por mim, na primeira
fila do Teatro. A emoção com que lamentei o término da peça –
Queria mais, porque estava muito bom de se ouvir o que saía da boca do ator. –
me acompanhou na volta à minha casa, e fui dormir pensando no espetáculo e me
lastimando por não ter conseguido assistir a ele antes. Ainda bem que o consegui.
Não li e não conhecia o livro que é a grande “célula mater” para a realização
do espetáculo, todavia já me apressei em pensar na compra virtual de um de seus
exemplares. Quero saborear essa leitura, da mesma forma como me lambuzei,
assistindo ao espetáculo. Faltam-me condições para avaliar o grau de veracidade
e verossimilhança entre o original, escrito em 1999, e a adaptação,
representada pela magnífica dramaturgia, de MARCO ANTONIO
RODRIGUES e ROGÉRIO BANDEIRA, respectivamente, também, diretor
e ator da peça, cuja escrita remonta a 2021.
O
texto, que mistura fatos vividos por BOAL (Reais ou
fictícios? Quem vai lá saber?!) – Afinal, trata-se de uma
autobiografia. - com lembranças da vida do ator, é admirável.
As “coincidências” que há entre as vidas dos dois desfilam pelo
espaço cênico. Tudo é relatado em minúcias, não para “encher linguiça”,
mas para aproximar, ao máximo, o “leitor”/espectador das emoções
contidas em cada momento narrado. E como a dramaturgia o consegue!
A linguagem é bastante acessível, mesmo aos menos privilegiados pela cultura
teatral. Cada história inserida numa das sete “estações” em que o
solo é dividido, além de um “prólogo”, é mais interessante que a
outra e prende, totalmente, a atenção dos espectadores, a despeito de a peça
durar 100 minutos, quase duas horas, o que,
convenhamos, não é nada recomendável a quem escreve um monólogo e, muito menos,
a quem o interpreta. O tempo de duração, para um espetáculo desse gênero, é
bastante longo, quando o indicado é que não ultrapasse muito os 60
minutos. É preciso, pois, para que tudo dê certo e o espectador se
sinta feliz e recompensado, ao deixar o Teatro, que o texto
seja muito bom, algo acima do “normal”; a direção, profundamente,
inventiva, criativa, mais do que os padrões “normais”; e que, acima de
tudo, o(a) ator(atriz) tenha mais “garrafas vazias para
vender” que a maioria der seus pares. Isso tudo existe em “HAMLET
16X8”. De sobra!!!
O
espetáculo se sustenta, de forma irretocável, do primeiro minuto ao derradeiro,
mesmo com uma cenografia franciscana (ROGÉRIO BANDEIRA),
um figurino elegante, mas sem detalhes que chamem a atenção (CASSIO
BRASIL), e uma luz bastante simples e descomplicada (FABIAN
BOAL). Tudo se apoia e se concentra no tripé texto/direção/interpretação.
E não precisava nada mais mesmo.
Mesmo
considerando de extrema qualidade a dramaturgia e a direção, a meu juízo, a
grande “cereja deste bolo”, aqui, tem nome e sobrenome: ROGÉRIO
BANDEIRA, ator paulista, que deu seus primeiros passos nos palcos de um
dos grandes celeiros de extraordinários atores e atrizes do Brasil,
o Teatro Escola Célia Helena, iniciados em 1991. O ator construiu construir uma carreira que se estende por mais de três décadas, destacando-se por sua
versatilidade e dedicação nas artes cênicas. Após sua formação, naquela Escola,
aprimorou suas habilidades no icônico Centro de Pesquisa Teatral (CPT),
sob a magistral orientação de um dos mais importantes nomes do nosso TEATRO,
o mestre Antunes Filho. Também é digna de destaque a sua atuação, por mais de uma década, na excelente "Cia. do Latão". Com uma carreira repleta de realizações,
o ator continua a inspirar outros com sua paixão pela arte, deixando sua marca
nos palcos, na tela da TV e nas telas de cinema. Seu trabalho, em “HAMLET
16X8” é irrepreensível, sem a menor falha, merecedor de todos
os elogios e, para se fazer justiça, deveria ter seu nome, pelo menos, indicado
a prêmios de TEATRO, por este trabalho.
FICHA TÉCNICA (PEÇA):
Realização: Instituto Augusto Boal
Dramaturgia: Marco Antonio Rodrigues e Rogério Bandeira
Direção: Marco Antonio Rodrigues
Assistência de Direção: Tiago Cruz
Atuação: Rogério Bandeira
Concepção de Cenário: Rogério Bandeira
Figurino: Cassio Brasil
Assistência de Figurino: Carlos Escher
Iluminação: Fabian Boal
Operação de Luz: Marcelo Sabat
Assessoria Executiva: Constança Carvalho
Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Fotografia: Pio Figueiroa
Filmes Curtos para Divulgação: David Costa e Tiago Cruz
Programação Visual: Thiago Tostes
Assistência de Produção: Marcelo Sabat
Direção de Produção: Jessica Rodrigues
Coordenação de Produção Ocupa Boal: Thaís Paiva
Produção: Rodri Produções Artísticas
SERVIÇO (PEÇA):
Temporada: De 04 a 27 de setembro de 2026.
Local: Teatro Municipal Domingos Oliveira.
Endereço: Avenida Padre Leonel Franca, nº 240, Gávea - Rio de Janeiro.
Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h.
Valor dos Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada).
Vendas de Ingressos “on-line”: www.sympla.com.br (com cobrança de taxa de serviço).
Vendas de
Ingressos Presencial, na bilheteria do Teatro (sem cobrança de taxa de
serviço): De 3ª a 6ª
feira, das 15h às 20h; sábado: das 10h às 11h e das 15h às 20h. Nos dias de
espetáculo, a bilheteria costuma funcionar até o horário de início da
apresentação.
Duração: 100 minutos.
Classificação Etária: 14 anos.
Gênero: Monólogo.
A “Exposição Augusto Boal”
reúne itens variados, como cartazes, fotografias e registros históricos de
montagens dirigidas por AUGUSTO BOAL, no Brasil e no
exterior, e evidencia o papel fundamental do artista, como divulgador da
dramaturgia íbero-latino-americana e reafirma sua importância e legado para a
história do TEATRO brasileiro e mundial. A mostra ressalta,
também, a importância do Teatro de Arena, grupo fundamental da
cena brasileira, a partir dos anos 1950. Sob direção
de BOAL, o Arena consolidou uma dramaturgia voltada à
realidade social brasileira e revelou autores, atores e encenadores que
marcariam a história do TEATRO nacional. O grupo circulou por vários
países, como Estados Unidos, México, Peru
e Argentina, tornando-se referência artística e política na América
Latina e no mundo.
FICHA TÉCNICA (EXPOSIÇÃO):
Realização: Instituto Augusto Boal
Curadoria: Cecília Boal e Daniela Camargo
Coordenação de Produção: Thaís Paiva
Produção: Daniela Camargo
Audiovisual: Fabian Boal
Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Programação Visual: Thiago Tostes
Montagem: Marcello Camargo
Assessoria Executiva: Constança Carvalho
SERVIÇO (EXPOSIÇÃO):
Período: De 04 a 27 de setembro de 2026.
Local: Teatro Municipal Domingos Oliveira.
Dias e Horários: De 3ª feira a domingo, das 15h às 20h.
Entrada franca.
Os cariocas, ou quem esteja de passagem pelo Rio
de Janeiro, têm mais três únicas oportunidades (o próximo fim de
semana), para conferir as minhas palavras sobre este formidável espetáculo,
que, sem titubear, RECOMENDO MUITO.
FOTOS: PIO FIGUEIROA
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que
a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais.
Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de
melhor no TEATRO.