“EU MATEI SHERAZADE,
CONFISSÕES DE UMA
ÁRABE EM FÚRIA”
ou
(UM GRITO CONTRA
A HIPOCRISIA PATRIARCAL
E A DISCRIMINAÇÃO
CONTRA A MULHER.)
Fico bastante aborrecido e
decepcionado, quando, por qualquer motivo, deixo de assistir a algum espetáculo
pelo qual tinha interesse, mas, vez por outra, consigo o que desejava, quando,
em outra temporada ou em apresentações avulsas, a peça volta a ser apresentada,
como é o caso de “EU MATEI SHERAZADE, CONFISSÕES DE UMA ÁRABE EM FÚRIA”,
com apenas três apresentações, nos dias 24, 25 e 26 do mês
em curso (julho / 2026), no Teatro TotalEnergies (VER SERVIÇO.).
SINOPSE:
O espetáculo narra as confissões de uma árabe
enfurecida pela maneira como a mulher é vista por seu próprio povo e pelo olhar
preconceituoso do Ocidente.
Ela descobre, através da literatura, o caminho para
se libertar da hipocrisia patriarcal e, assim, escolher o que, realmente,
deseja ser e criticar a forma como a personagem Sherazade, do
livro “As Mil E Uma Noites”, é exaltada, em todo o mundo, por ser
uma referência de “insubmissão feminina”.
Segundo JOUMANA HADDAD, autora do livro
homônimo que deu origem à peça, Sherazade não rompe com o
sexismo.
Pelo contrário, perpetua-o, por trás de uma
transformação maquiada.
A autora enaltece a importância de as mulheres
conquistarem o protagonismo sobre suas vidas, para a construção de uma nova
consciência do feminino.
Antes de, propriamente, dar início aos meus modestos comentários
analíticos sobre a peça, considero muito pertinente que se diga alguma coisa
sobre uma mulher corajosa e destemida, chamada JOUMANA HADDAD, autora do
livro quer deu origem a este espetáculo. Ela é poeta, jornalista e ativista de
direitos humanos. Foi selecionada como uma das 100 mulheres mais
poderosas do mundo, pela Arabian Business Magazine, por
conta de seu ativismo cultural e social. Em 2021, estava na lista
da ONG inglesa “Apolitical”, como uma das 100
pessoas mais influentes na política de gênero. JOUMANA é
fundadora da “Jasad”, uma revista erótica trimestral, em língua
árabe, especializada em artes e literaturas do corpo. A escritora lançou um
novo programa de TV, em novembro de 2018, na
estação de televisão libanesa Alhurra, destacando os temas da
liberdade de expressão e do pensamento crítico. Em setembro de 2019,
fundou uma ONG centrada na juventude, em Beirute,
no Líbano, chamada “Joumana Haddad Freedoms Center”.
Em fevereiro de 2020, em parceria com o “Institut Français”,
do Líbano, lançou o primeiro “Festival Internacional de
Feminismos no Oriente Médio”, junto a um grupo de coorganizadores
locais e internacionais.
Todos sabemos, em termos culturais,
quão distantes estão as mulheres árabes das brasileiras, principalmente em
termos de liberdade. Da mesma forma, tenho certeza de que este espetáculo se
comunica diretamente com as nossas mulheres, muito embora estas não conheçam os
horrores por que passam aquelas. Penso que os homens também conseguem ser
bastante atingidos pelos relatos da personagem. Eu, pelo menos, fiquei muito
tocado pelo ótimo texto, um livro homônimo “best-seller”,
adaptado por CAROL CHALITA e MIWA YANAGIZAWA. O questionamento dessa
distância é o ponto de partida para esta delicada e contundente encenação, que
estreou, no Rio de Janeiro – estreia nacional – em novembro
de 2024, no Teatro Ziembinski, e que rendeu a CAROLINA
CHALITA indicações a prêmios.
Pode-se dizer que a montagem reúne simplicidade, beleza, poesia e, paradoxalmente, muito vigor, por conta do trabalho de CHALITA, de ascendência libanesa, a qual, no palco quase nu, pode-se dizer, narra, com muita propriedade e garra, as confissões de uma árabe, enfurecida pela maneira como a mulher é vista por seu próprio povo e pelo olhar preconceituoso do Ocidente. A atriz reproduz, com muita verdade, tudo o que vai na alma de JOUMANA HADDAD, talvez a melhor porta-voz não só das mulheres libanesas, mas, sim, de todas as que são oprimidas, em sua liberdade de existir como seres humanos, pelo patriarcado.
Segundo
CAROLINA CHALITA, acerca da adaptação da obra de JOUMANA HADDAD,
feita, a quatro mãos, com MIWA YANAGIZAWA, que também responde pela
delicada direção do espetáculo, “Desenvolvemos uma
dramaturgia que oferece a possibilidade de investigar as fronteiras entre os
olhares árabe e ocidental sobre as mulheres. JOUMANA HADDAD nos apresenta um
caminho para a libertação da hipocrisia da cultura patriarcal”. E eu
acrescento: É só seguir a trilha e o exemplo de JOUMANA, que se apropria
do direito de fazer uma curiosa crítica à forma como é apresentada a personagem
Sherazade, no livro “As Mil E Uma Noites”, obra que
compilou histórias populares originárias do Oriente Médio e do sul
da Ásia, em língua árabe, a partir do século IX.
Extraído
do “release” a mim enviado por CARLOS PINHO (assessoria de
imprensa): “Sherazade sempre foi exaltada, especialmente sob o
olhar ocidental, como uma referência de ‘insubmissão feminina’, ao utilizar sua
imaginação, para sobreviver aos abusos de um sultão. Segundo JOUMANA HADDAD, no
entanto, ela não rompe com o sexismo. Pelo contrário, perpetua-o por trás de
histórias que ludibriam e que maquiam uma transformação do sultão, um assassino
de mulheres.”. “O sultão, que, a cada noite, matava uma virgem de
seu reino, como vingança, por ter sido traído por sua primeira esposa, fica
curioso com as fábulas de Sherazade, o que, para o mundo ocidental e para os
próprios árabes, significa que a personagem não é submissa. É exatamente isso
que JOUMANA questiona”, nas palavras de CAROLINA CHALITA.
Quem,
motivado(a) pelos meus escritos, se propuser a assistir ao espetáculo, vá na
certeza de encontrar um bom TEATRO, feito por pessoas – “cada
um no seu quadrado” – que deram o seu melhor, para a construção de uma montagem
que merece ser recomendada. Na relação dos que se destacam, na FICHA
TÉCNICA, além, obviamente de CAROLINA CHALITA, na comovente e
convincente interpretação, e de MIWA YANAGIZAWA, na direção,
reúno MARIA CLARA VALLE, uma brilhante musicista, que sublinha as cenas,
com seu contrabaixo (Ou seria um cello? Não tenho bem certeza.),
executando a trilha sonora original, composta por BETO LEMOS,
que também assina a direção musical da peça; CONSTANZA DE
CÓRDOVA, pela simples e delicada cenografia; TEREZA
FOURNIER, pelo elegante figurino; e NINA BALBI e
PEDRO CARNEIRON, responsáveis por uma onírica iluminação.
FICHA TÉCNICA:
Idealização: Carolina Chalita
Livre adaptação do livro homônimo, de Joumana Haddad
Dramaturgia: Carolina Chalita e Miwa
Yanagizawa
Direção: Miwa Yanagizawa
Atuação: Carolina Chalita
Musicista: Maria Clara Valle
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Beto Lemos
Cenografia: Constanza de Córdova
Figurino: Tereza Fournier
Costureira: Georgina Moallak Loureiro
Iluminação: Nina Balbi e Pedro Carneiro
Operador de Luz: João Gaspary
Interlocução de Movimento: Laura Samy
Preparação Vocal: Sonia Dummont
Fotos: Juliana Chalita
Assessoria de Imprensa: Carlos Pinho
Produção Executiva: João Eizô Yanagizawa Saboya
Direção de Produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela
Realização: M S Documenta Produções Artísticas e Jornalísticas
SERVIÇO:
Temporada: De 24 a 26 de julho de 2026.
Local: Teatro TotalEnergies (Sala Adolpho Bloch) (antigo Teatro
Manchete).
Endereço: Rua do Russel, nº 804 – Glória – Rio de Janeiro.
Telefone: (21) 3553-3557.
Acessibilidade: Sim.
Lotação: 359 lugares.
Valor dos Ingressos: Plateia A: R$ 90 (inteira) e R$ 45
(meia-entrada); Plateia B: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).
Vendas e mais informações pelo site https://www.ingresso.com/espetaculos/eu-matei-sherazade-confissoes-de-uma-arabe-em-furia.
Horário
de funcionamento da bilheteria do Teatro: De 2ª feira a sábado, das 12h às 20h;
domingo, das 12h às 19h.
Duração: 60 minutos.
Classificação Etária: 14 anos.
Gênero: Monólogo.
ALÉM DAS APRESENTAÇÕES NO TEATRO TOTALENERGIES, ESTÃO PREVISTAS OUTRAS, A SABER:
PROGRAMAÇÃO - SESC RJ:
SESC TERESÓPOLIS – 08/08, sábado, horário em breve.
Endereço: Av. Delfim Moreira, nº 749 - Várzea, Teresópolis - RJ.
Ingressos: informações em breve.
SESC QUITANDINHA – 28/08, sexta-feira, horário em breve.
Endereço: Av. Joaquim Rolla, nº 02, Quitandinha, Petrópolis - RJ.
Ingressos: informações em breve.
SESC SÃO JOÃO DE MERITI – 12/09, sábado, horário em breve.
Endereço: Av. Automóvel Clube, nº 66 - Centro, São João de Meriti – RJ.
Ingressos: informações em breve.
SESC NOVA FRIBURGO – 26/09, sábado, horário em breve.
Endereço: R. Cadete Xavier de Alencar, nº 01, Vila Nova, Nova
Friburgo – RJ.
Ingressos: informações em breve.
SESC CAMPOS – 23/10, sexta-feira, horário em breve.
Endereço: Avenida Alberto Torres, 397 - Centro – Campos.
Ingressos: informações em breve.
APRESENTAÇÕES no CCPJ-RJ:
Endereço: Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) - Av. Erasmo Braga,
nº 115 - Centro, Rio de Janeiro.
Sessões: dias 06, 07, 13 e 14 de outubro, terças e quartas-feiras, às
18h.
Ingressos: informações em breve.
Só
me resta, com muita alegria, RECOMENDAR ESTE ESPETÁCULO.
FOTOS: JULIANA CHALITA.
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a
arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais.
Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de
melhor no TEATRO.