“GAIVOTA”
ou
(UNIVERSAL E ATUAL,
APÓS MAIS DE
TREZE DÉCADAS.)
ou
(UM ACERTO TOTAL.)
O mote principal para a escrita desta
crítica é a constatação de que há obras teatrais que foram escritas para serem
eternizadas, como prova a genial montagem de “GAIVOTA”, em cartaz
no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de
Janeiro (CCBB – RJ) (Ver SERVIÇO.), numa arrojada leitura da Armazém
Companhia de TEATRO, sob a ótica de PAULO DE MORAES, um de
nossos mais férteis encenadores, e seu grupo de magníficos atores e atrizes. “O que faz uma peça, escrita há mais de 130 anos,
continuar descrevendo, com tanta precisão, as inquietações do presente?” Assista ao espetáculo e saberá a resposta.
Paulo de Moraes (Diretor).
“GAIVOTA”, ou “A GAIVOTA”, é uma obra, das mais importantes do TEATRO
moderno, escrita pelo dramaturgo russo Anton Tchékhov (1860 - 1904),
concebida, equivocadamente, a meu juízo, pelo autor, como uma COMÉDIA,
embora tenha sido interpretada e tida, por alguns, como um drama ou
uma tragicomédia. Para mim, um belo drama. Começou a ser escrita em
outubro de 1895 e foi encenada, pela primeira vez, em 17 de
outubro de 1896, no Teatro Alexandrinski, em São
Petersburgo, na Rússia, tendo sido um estrondoso
fracasso, de público e crítica, acabando por ser, na
verdade, vaiada na estreia. Tchékhov ficou tão chateado e decepcionado com a
reação da plateia, que saiu do Teatro antes do fim da encenação e
pensou em desistir de escrever para o palco. Além de dramaturgo, foi
um esplêndido contista. Acontece que o cenário mudou
completamente, dois anos depois, em 18 de dezembro de 1898,
quando a peça foi reencenada, daquela vez com enorme sucesso, pelo célebre Teatro
de Arte de Moscou, sob a direção do grande mestre Konstantin
Stanislávski e de Vladimir Nemirovich-Danchenko. Essa
segunda montagem consagrou Tchékhov como um dos maiores
dramaturgos da história, como é considerado até hoje, e fez com que a peça
recebesse uma quantidade incalculável de montagens, ao longo do tempo, até
hoje, inclusive no Brasil. Já assisti a algumas.
SINOPSE:
A trama, passada numa fazenda,
uma casa de campo, no verão, de frente para um lago, narra os conflitos de um
jovem escritor e de outros personagens, divergências estas que criam uma ligação direta com o espectador, ao
mesmo tempo que apresenta uma visão profunda de uma sociedade, cada vez mais,
vulnerável aos males existenciais.
A peça representa uma harmonia
estética natural, algo incompatível com a frustração encarada pelo personagem
central da trama.
A poesia é um dos recursos
mais utilizados no texto.
A figura central da peça, Konstantin
Trepliov (JOPA MORAES), é um rapaz que deseja criar novas formas para o TEATRO,
tenta inovar a arte, numa atitude revolucionária para a época.
Ele é filho de uma atriz
famosa e muito orgulhosa, Irina Arkádina (PATRÍCIA SELONK).
Ao apresentar a sua peça ao
sofisticado círculo social da sua mãe, o jovem dramaturgo fracassa duas vezes: o
texto é terrivelmente rejeitado por Arkádina e pela elite da arte,
e Nina Mikhailovna
Zaretchnaya (LORENA LIMA), uma vizinha da propriedade, que ama o TEATRO,
sonha em ser uma grande atriz e é a paixão de Trepliov,
apaixona-se por Boris Alekseievitch Trigorin (BRUNO LOURENÇO), um
famoso escritor e namorado da mãe de Trepliov, gerando desilusões
e conflitos de amor.
Trepliov é um escritor romântico,
cheio de mudanças de humor e em permanente conflito interior, ridicularizado,
ainda mais, pelo contraste entre os seus ideais utópicos e as roupas simples e
ridículas que usa, para espanto daqueles que viam, na figura do rapaz, um
herói.
Ele se decide por uma drástica
atitude, ao final da trama, quando se ouve o som de um disparo de arma de fogo,
vindo do jardim, e todos pressentem o que se passara.
Antes de iniciar meus modestos comentários críticos sobre esta admirável
encenação, a que tive o prazer de assistir ontem, julgo importante um, ainda
que muito superficial, mergulho no universo tchékhoviano. Anton Pavlovitch Tchékhov (29 de janeiro de 1860, Taganrog – Rússia / 15 de julho de 1904,
Badenweiler – Alemanha) – viveu apenas 44 anos. Foi um médico,
dramaturgo e escritor russo, considerado, como já
dito, um dos maiores contistas de todos os tempos (Escreveu 574 contos.).
Particularmente, sinto dificuldade em dizer se prefiro o dramaturgo ou o
contista. Conheço, consideravelmente, sua obra, desde os bancos da Faculdade
de Letras da UFRJ, no início da década de 1970. Em sua
carreira como autor de TEATRO, criou, além de outras peças, cinco
clássicos: “O Urso” (1888), “Tio Vânia” (1899/1900),
“As Três Irmãs” (1901) e “O Jardim das Cerejeiras” (1904),
além, naturalmente, da peça em tela. Seus contos também têm sido aclamados por
escritores e críticos. Tchékhov foi médico durante a maior parte
de sua carreira literária, e, em uma de suas cartas, ele escreveu a
respeito: “A medicina é a minha legítima esposa; a literatura é apenas
minha amante”. Seu estilo literário, quer nas peças, quer
nos contos, é marcado pela concisão
(Diz muito com pouco, dispensando descrições exageradas.), pela
sutileza e pelo realismo psicológico. Famoso pelo lema
“A brevidade é irmã do talento,”, eliminou o excesso de
melodrama, focando no cotidiano de pessoas comuns, sem heróis ou vilões, e
revelando grandes conflitos humanos nas entrelinhas e no silêncio. É notório
seu antirromantismo, com a rejeição a idealizações.
Seus personagens são falhos, melancólicos e profundamente humanos. Suas tramas, algumas vezes, parecem “não
ter enredo” ou grande desfecho, simulando o fluxo natural e aberto da
vida real. É muito comum, em suas obras, o foco no subtexto, com
o peso dramático residindo nas pausas, nos silêncios e no que fica implícito
nos diálogos truncados. Também é marcante, no que escreveu, o tom
tragicômico, percebido na mistura sutil de melancolia e humor irônico,
diante das frustrações cotidianas.
Sempre é muito bem-vinda alguma montagem de “GAIVOTA”
- quando bem-feita, é lógico -, já que o texto é considerado, pelos acadêmicos que respiram a arte de
representar, um dos maiores clássicos do TEATRO moderno,
atravessando o tempo, ao abordar temas como ansiedade, necessidade de
reconhecimento, crises de pertencimento, relações afetivas e os desafios da
criação artística, questões que permanecem centrais na sociedade contemporânea.
Também engrosso as fileiras dos grandes admiradores desta obra. É tudo isso que
faz com que “GAIVOTA” seja considerada uma obra universal e super
atual. Tão formidável é esta trama, que
é incrível como, mais de um século após sua criação, o texto segue
provocando o público, ao revelar conflitos humanos que atravessam gerações e
permanecem profundamente atuais.
Apesar de o texto original ter merecido uma nova roupagem, dinâmica e super criativa, por meio de uma dramaturgia que, preservando elementos originais do texto, agregou a ele detalhes hodiernos, adaptação muito bem escrita, a seis mãos, por MAURÍCIO ARRUDA MENDONÇA, JOPA MORAES e PAULO DE MORAES, o espetáculo preserva a essência do original, enquanto aproxima os conflitos dos personagens das inquietações do presente. “Em vez de apresentar o clássico como uma obra de época, a encenação evidencia sua capacidade de dialogar com diferentes gerações e convida o público a refletir sobre o papel da arte, das relações humanas e das transformações da sociedade. Mais do que revisitar um clássico, a montagem reafirma a força da dramaturgia de Tchékhov, ao revelar um retrato sensível e provocador da condição humana.” Não considero a dramaturgia como uma “disruptura” ou um ato de “subversão”; antes, para mim, é, isto sim, um ato de coragem e do bom uso de uma liberdade de criação, apoiada numa já estabelecida obra de arte. Não se trata de uma “negação”, mas, sim, de uma “inovação”.
Observamos, no palco, um retrato
sensível das relações afetivas, das inquietações existenciais e da busca
incessante por reconhecimento em uma sociedade marcada pela frustração e pela
solidão. Considerada um marco do TEATRO moderno, “GAIVOTA” rompeu
com os modelos dramáticos tradicionais, ao deslocar o foco das grandes ações
para os conflitos íntimos e silenciosos de seus personagens. Com diálogos
sutis, humor melancólico e forte carga psicológica, Tchékhov
constrói uma obra em que o não dito ganha protagonismo, revelando tensões
emocionais que continuam ressoando no presente. Ao discutir os embates entre
tradição e renovação artística, a obra também lança um olhar sobre os desafios
da criação cultural em tempos de transformação. Sim, porque o mundo não é
estático; vive em, e de, transformações, sendo o “novo” sempre
bem-vindo. O conflito entre diferentes
gerações, linguagens e visões de mundo reforça a atualidade de uma obra que
segue interrogando o papel da arte e das relações humanas diante das incertezas
da sociedade.
Para
a realização deste magnífico e marcante espetáculo, a Armazém Companhia
de Teatro apostou numa arrojada adaptação textual, numa direção limpa e
moderna e num elenco capaz de prender a atenção do espectador por 120
minutos, sem intervalo, da primeira à última cena, reservando, ao
espectador, grandes surpresas e o imenso prazer de aplaudir, em silêncio, cada
novo embate.
Deixei
o Teatro, na noite de ontem, extremamente feliz com o trabalho
que me foi dado conhecer. Em primeiro lugar, pela oportunidade de, mais uma
vez, poder ver aquele texto representado, divinamente adaptado
para o momento presente e como foi levado à cena, conduzido por um hábil e
talentoso diretor, como PAULO DE MORAES, econômico e
eficiente, o qual tem o privilégio de poder contar com um naipe de atores e
atrizes de primeira linha: BRUNO
LOURENÇO (Boris Trigórin), FE BUSTAMANTE (Yevgeny Sergeievich Dorn), ISABEL PACHECO (Maria Ilichna Masha), JOPA
MORAES (Konstantin Trepliov), LORENA LIMA (Nina Mikhailovna Zaretchnaia), PATRÍCIA SELONK (Irina Nikoláievna Arkádina) e SÉRGIO MACHADO (Piotr Nikolaievitch Sórin), nomeados em ordem alfabética. Para qualquer pessoa que tem intimidade
com a arte de representar, torna-se extremamente difícil querer destacar alguém
daquele elenco. Todos têm os seus momentos de maior importância
na trama e, conscientemente, sabem como aproveitar o instante e se destacar na
cena. Assim, temos interpretações memoráveis da parte de todos, o que vem a
reforçar que os artistas da Armazém são fabulosos no seu ofício.
Todos são muito convincentes em suas atuações.
JOPA MORAES brilha, na pele de Konstantin Trepliov, (Kostia, na intimidade), jovem e revolucionário escritor, dramaturgo, hipersensível, idealista e inconformado. Tenta revolucionar a linguagem teatral, com formas vanguardistas e desafiadoras, mas sofre muito com a rejeição da mãe e o fracasso de suas peças. Ama Nina profundamente.
LORENA LIMA atrai luz para a sua Nina Zariétchnaia, uma jovem vizinha do local onde se passa história, e aspirante a atriz, contra a vontade do pai e da madrasta; é doce e sonhadora. No início, é pura e fascinada pela arte, mas acaba iludida pela fama e destruída, emocionalmente, após se envolver com Trigórin.
Como já era de se esperar, PATRÍCIA SELONK sempre mergulha de cabeça em seus personagens, e não é diferente aqui, quando dá vida a Irina Arkádina, mãe de Konstantin, uma atriz famosa, “acomodada” com o sucesso, vaidosa, egocêntrica e avarenta, representando o TEATRO tradicional e superficial - comercial, por excelência -, sentindo-se, constantemente, ameaçada pelo envelhecimento e pela concorrência da juventude. Como é bom ver uma atriz como PATRÍCIA SELONK, cada vez mais madura e plena na sua arte!
BRUNO LOURENÇO está magnífico, como Boris Trigórin, um escritor consagrado, mas que tem dificuldade de conviver com a fama e o sucesso, namorado de Arkádina, bem-sucedido, mas profundamente inseguro e crítico consigo mesmo, vendo a escrita como uma compulsão cansativa; sedutor contumaz, cativa Nina por capricho, destruindo as ilusões da jovem, sem lhe oferecer amor verdadeiro.
SÉRGIO MACHADO, nome sempre presente nas produções da Armazém, sai-se muito bem como Piotr Sórin, irmão de Arkádina e dono da propriedade rural onde a história acontece e que, curiosamente, detesta a vida no campo, longe da poluição, de todos os tipos, que caracteriza os grandes centros urbanos; é um homem idoso, melancólico e frustrado, por sentir que passou a vida inteira sem realizar seus sonhos nem viver de verdade.
ISABEL PACHECO, com seu conhecido talento, valoriza a sua Masha, filha do administrador da propriedade; veste-se sempre de preto e é amarga, consumida por um amor, não correspondido, por Konstantin. “
Last, but not least”, FE BUSTAMANTE também valoriza
bastante seu personagem, Semion Dorn, o médico local, um homem
calmo, observador, racional e bastante realista, que serve de confidente neutro
para os dramas alheios.
Esta
criativa montagem dialoga, diretamente, com questões contemporâneas, que já
foram antigas também, ao abordar temas como ansiedade, necessidade
de validação, crise de pertencimento e pressão por
reconhecimento social e profissional. Não é, exatamente, isso que cruza
nossos caminhos nos dias de hoje? Não é por isso que lutamos no dia a dia? “Em
uma época marcada pela exposição constante, pela competitividade e pela busca
de visibilidade, os personagens de Tchékhov refletem angústias que permanecem
presentes na vida contemporânea.”. A peça acompanha personagens movidos
por desejos interrompidos, ambições artísticas e amores não correspondidos. No
centro da narrativa estão Konstantin Trepliov, um jovem e
perturbado escritor, utopista, que persegue o sonho de transformar a linguagem
teatral, tornando-a mais viva e moderna, longe do que ele considerava “mofado”
e voltado ao lucro monetário, e Nina, ardente aspirante a atriz
famosa, fascinada pela ideia de sucesso e realização artística. Ao redor deles,
figuras consumidas pelo desgaste emocional expõem a fragilidade dos vínculos
humanos. E como são frágeis! Sem sombra de dúvida, este drama permanece como um
retrato profundo da condição humana. Verdadeiramente, trata-se de uma peça que
atravessa o tempo, ao transformar fragilidades íntimas em reflexão coletiva. É
impossível, a cada espectador, não se ver retratado um pouco em algum(ns)
daquele(s) personagem(ns).
Já
vou me estendendo bastante, todavia ainda posso dar um destaque para alguns
elementos de criação, como a cenografia, assinada por CARLA BERRI e PAULO DE MORAES (Quando a peça inicia, o palco está nu e, de
acordo com a necessidade de cada cena, o espaço cênico vai sendo ocupado por
alguns móveis, introduzidos pelo próprio elenco.); os ajustados figurinos,
criados por CAROL LOBATO; a correta iluminação, de MANECO
QUINDERÉ; e a instigante e oportuna trilha sonora, de RICCO
VIANA, que também é o responsável pela direção musical da
peça.
FICHA TÉCNICA:
Apresentação: Ministério da Cultura e Banco do Brasil
Uma montagem da Armazém Companhia de Teatro
Texto: Anton Tchékhov
Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça, Jopa Moraes e Paulo de Moraes, a
partir da obra de Anton Tchékhov
Direção: Paulo de Moraes
Elenco (por ordem alfabética): Bruno Lourenço (BORIS Trigórin), Fe
Bustamante (Yevgeny Sergeievich DORN), Isabel Pacheco (Maria Ilichna MASHA), Jopa Moraes (Konstantin TREPLIOV), Lorena Lima (NINA Mikhailovna Zaretchnaia), Patrícia Selonk (Irina Nikoláievna ARKÁDINA) e Sérgio Machado (Piotr Nikolaievitch SÓRIN)
Direção Musical: Ricco Viana
Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes
Figurinos: Carol Lobato
Iluminação: Maneco Quinderé
Preparação Corporal: Paulo Mantuano
“Designer” Gráfico: Jopa Moraes
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Fotografias e Vídeos: João Gabriel Monteiro
Produção: Armazém Companhia de Teatro
Realização: Governo do Brasil e Centro Cultural Banco do Brasil
SERVIÇO:
Temporada: De 05 de agosto até 13 de setembro de 2026.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (Teatro II).
Endereço: Rua Primeiro de Março, nº 66, Centro, Rio de Janeiro.
Dias e Horários: De 4ªfeira a 6ª feira, às 19h; sábado e domingo, às
18h.
Valor do ingresso: R$ 30 (inteira) e R$15 (meia-entrada).
Ingressos adquiridos na bilheteria do CCBB ou, antecipadamente, pelo
site bb.com.br/cultura.
Estudantes, maiores de 65 anos e Clientes Ourocard pagam meia-entrada.
Duração: 120 minutos.
Classificação Etária: 14 anos.
Gênero: Drama.
Os mais puristas ou conservadores poderão reprovar e, até
mesmo, depreciar esta montagem, mas o fato é que considero esta arrojada
leitura de “GAIVOTA” muito boa, excelente mesmo, e assaz pertinente,
para os dias atuais, um grande desafio para todos os envolvidos no projeto –
Sempre é de comprovada importância e necessidade montar um Tchékhov. -,
motivo pelo qual RECOMENDO, COM TOTAL
EMPENHO, ESTE ESPETÁCULO. Como é gratificante assistir a um
espetáculo de TEATRO que merece ser visto pelo maior número possível de
espectadores!
FOTOS: JOÃO GABRIEL MONTEIRO.
GALERIA PARTICULAR
(Foto: Regina Cavalcanti):
Com Patrícia Selonk e Jopa Moraes.
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que
a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais.
Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de
melhor no TEATRO.
