quarta-feira, 29 de abril de 2026

 

“34º FESTIVAL DE CURITIBA”

“NA MARCA

DO PÊNALTI”

ou

(ENTREGOU TUDO

O QUE PROMETEU;

NADA MAIS,

NADA MENOS.)

 


         Já faz algum tempinho, o “FESTIVAL DE CURITIBA” deixou de ser o “Festival de TEATRO de Curitiba”, a partir do momento em que passou a abraçar diferentes formas de arte, como a dança, por exemplo, as artes circenses e quaisquer outras modalidades de atuação presencial. Diversificou para se tornar, cada vez mais, melhor. E o resultado não poderia ter sido mais positivo. Abriu-se um leque enorme de possibilidades; tornou-se maior ainda o meu interesse pelo colossal evento, que dura duas semanas, a última de março e a primeira de abril de cada ano, já na 34ª edição.




Eu já sabia que o ex-jogador de futebol, e atual comentarista desse esporte, WALTER CASAGRANDE JR. andava fazendo umas “palestras”, Brasil afora, durante as quais falava de sua vida profissional e particular, focando mais na sua gigantesca luta para se ver livre do vício das drogas. Achei muito louvável a iniciativa, mas jamais poderia imaginar que essa experiência pudesse ser trazida ao nosso querido FESTIVAL. Tão logo soube disso, peguei-me a imaginar qual seria o impacto desse encontro no público paranaense e se aquilo faria sentido, dentro de um acontecimento que joga com as artes. Fiquei bastante curioso e aguardando a hora de conferir a proposta; ou não.




Dentro do FESTIVAL, tenho o hábito de cobrir, todas as manhãs, enquanto ele se realiza, as coletivas de imprensa, uma média de cinco por dia, que recebem os artistas que vão se apresentar nas diversas mostras que o FESTIVAL comporta. Sempre acompanhei o craque, como admirador do bom futebol e passei a torcer muito por ele, no sentido de se afastar definitivamente do tenebroso vício. Por outro lado, sem nenhum motivo especial, o que é um absurdo, reconheço, não nutria nenhuma simpatia pessoal pelo homem “CASÃO”, como é tratado carinhosamente. Vá lá explicar uma coisa dessas!!!




Na manhã marcada para o encontro com o atleta, lá estava eu, na primeira fila, como faço todos os dias; o primeiro a chegar. De repente, entra, acompanhado do meu grande amigo e diretor de TEATRO FERNANDO PHILBERT, aquele homem “grandão” que, em poucos minutos de conversa com os jornalistas, se mostrou de uma doçura interior que “não combina com seu avantajado porte físico” (Momento descontração!). Não lhe fiz nenhuma pergunta, mas fiquei muito atento a todas as que lhe foram endereçadas, pelos meus colegas, interessadíssimo nas respostas, todas muito precisas e inteligentes; e cheias de humanismo.




O entrevistado abriu seu coração e falou dos momentos mais cruciais por que passou na sua vida íntima e nos campos de futebol. Foi das entrevistas mais emocionantes, a qual me fez “balançar”, de tanta emoção, e despertou em mim o desejo de assistir à sua apresentação, no Teatro Guaíra, para 2.800 pessoas. Foi uma previa do que aconteceria à noite.




É bom que duas coisas sejam ditas. A primeira é que foram duas apresentações de “NA MARCA DO PÊNALTI”, em dias diferentes, para as quais os ingressos se esgotaram em pouquíssimo tempo. Um sucesso estrondoso! O público recebeu o que viu e ouviu com muita empatia e aplaudiu o “palestrante”, várias vezes, “em cena aberta”. A segunda é que eu não havia, até o momento da entrevista, pensado em fazer parte da plateia de CASAGRANDE. Achava que não valeria a pena. Mas fui e fiquei felicíssimo por não ter perdido aqueles 80 minutos de uma conversa franca, sincera, leve, agregadora e linda.




Durante a entrevista, CASAGRANDE se mostrou muito preocupado com o tanto de gente que pagou ingresso para ouvi-lo falar. Fez questão de dizer que não era ator, não era artista e não iria representar. Disse que fizeram parte, durante seu tratamento, idas constantes ao TEATRO, que a arte também o ajudou a dizer adeus às drogas, graças ao trabalho de uma sua psicóloga, de cujo nome não me lembro, que o levava a espetáculos teatrais e “shows”. Acrescentou que sua fala, à noite, não tinha um texto, para ser decorado, até porque ele não consegue decorar um texto; afirmou que havia, sim, um roteiro, para que não se perdesse, mas que tudo o que falaria seria natural e espontâneo, procurando mostrar a sua verdade. Issso significa que nunca haverá uma sessão igual a uma outra. FOI O QUE PROMETEU; FOI O QUE ENTREGOU. Mostrou-se disposto a “marcar um gol” e “sacudiu a rede com um golaço”! Também entendo de metáforas (Outro momento descontração!)

 



  

SINOPSE:

No decorrer da “partida”, o cidadão WALTER CASAGRANDE JR. atravessa o “espetáculo” como quem atravessa um “final de campeonato”, vivendo a verdade, o risco e o inesperado de cada instante.

CASAGRANDE “entra em campo”.

A plateia é seu “time”.

O palco é o “gramado”, as lembranças são “passes”, e cada reflexão é um “chute ao gol”.

Entre “dribles e bolas divididas” de emoção, CASÃO revisita sua carreira e, também, encara os “clássicos” mais difíceis da vida: a dependência química, as derrotas e as vitórias “fora das quatro linhas”.

O “apito inicial” é dado, e CASÃO encara a história que construiu.

O resultado?

Uma “partida” humana, em que a vida é o “campeonato” mais desafiador de todos.

 


 

A magnífica SINOPSE supra, calcada em formidáveis metáforas, extraída da revista-guia do FESTIVAL, encerra, exatamente, o que o craque leva para o palco, sem maiores pretensões artísticas, porém pleno de pureza e verdade, que emociona, realmente, e muito, qualquer ser humano sensível que se sente, na plateia, para ouvi-lo e abraçá-lo carinhosamente, mesmo de longe.




 

FICHA TÉCNICA:

Idealização: Fernando Philbert

Dramaturgia: André Acioli, Fernando Philbert e Walter Casagrande Jr.

Direção: Fernando Philbert

 

“Performance”: Walter Casagrande Jr.

 

Cenografia: Não informado

Figurino: Não informado

Iluminação: Vilmar Olos

Redes Sociais: Sérgio Mastropasqua

Fotos: Annelize Tozetto

Registro e Edição de Vídeos: Rogério Marques da Silva Leonardo

Coordenação de Comunicação e “Marketing”: Livia Franceschinelli

Assessoria Artística: Vanessa Andrade

Produção Executiva: André Roman – Teatro de Jardim

Direção de Produção: Selene Marinho

Produção: SM Arte e Cultura

 

 


 

Depois daquela grande experiência por mim vivida, de uma noite que ficará indelével na minha memória, passei a admirar, profundamente, o homem, o cidadão WALTER CASAGRANDE JR., mais que o atleta, e torço para que ele possa levar esse seu tão marcante depoimento a todos os rincões do país, dado que considero esses encontros algo de utilidade pública. Aquela noite funcionou como um gatilho para que eu mais me interessasse pelos assuntos por ele abordados.



E pensar que eu achava que deveria escrever algo, não uma crítica, sobre aquele evento, entretanto não sabia como, se renderia um bom texto... Modestamente, acho que me saí bem e estou muito feliz por isso.

 

 

 

 

 


FOTOS: ANNELIZE TOZETTO

 


 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 



 










 



































































































Nenhum comentário:

Postar um comentário