“34º FESTIVAL DE CURITIBA”
“NA MARCA
DO PÊNALTI”
ou
(ENTREGOU TUDO
O QUE PROMETEU;
NADA MAIS,
NADA MENOS.)
Já faz algum tempinho, o “FESTIVAL DE CURITIBA” deixou de
ser o “Festival de TEATRO de Curitiba”,
a partir do momento em que passou a abraçar diferentes formas de arte, como a
dança, por exemplo, as artes circenses e quaisquer outras modalidades de
atuação presencial. Diversificou para se tornar, cada vez mais, melhor. E o
resultado não poderia ter sido mais positivo. Abriu-se um leque enorme de
possibilidades; tornou-se maior ainda o meu interesse pelo colossal evento, que
dura duas semanas, a última de março e a primeira de abril de cada ano, já na 34ª
edição.
Eu já sabia que o ex-jogador de futebol, e
atual comentarista desse esporte, WALTER CASAGRANDE JR. andava fazendo
umas “palestras”, Brasil afora, durante as quais
falava de sua vida profissional e particular, focando mais na sua gigantesca luta
para se ver livre do vício das drogas. Achei muito louvável a iniciativa, mas
jamais poderia imaginar que essa experiência pudesse ser trazida ao nosso
querido FESTIVAL. Tão logo soube disso, peguei-me a imaginar qual
seria o impacto desse encontro no público paranaense e se aquilo faria sentido,
dentro de um acontecimento que joga com as artes. Fiquei bastante curioso e
aguardando a hora de conferir a proposta; ou não.
Dentro do FESTIVAL, tenho o
hábito de cobrir, todas as manhãs, enquanto ele se realiza, as coletivas de imprensa,
uma média de cinco por dia, que recebem os artistas que vão se apresentar nas diversas
mostras que o FESTIVAL comporta. Sempre acompanhei o craque, como
admirador do bom futebol e passei a torcer muito por ele, no sentido de se
afastar definitivamente do tenebroso vício. Por outro lado, sem nenhum motivo
especial, o que é um absurdo, reconheço, não nutria nenhuma
simpatia pessoal pelo homem “CASÃO”, como é tratado
carinhosamente. Vá lá explicar uma coisa dessas!!!
Na manhã marcada para o encontro com o atleta,
lá estava eu, na primeira fila, como faço todos os dias; o primeiro a chegar.
De repente, entra, acompanhado do meu grande amigo e diretor de TEATRO
FERNANDO PHILBERT, aquele homem “grandão” que, em poucos
minutos de conversa com os jornalistas, se mostrou de uma doçura interior que “não
combina com seu avantajado porte físico” (Momento descontração!). Não
lhe fiz nenhuma pergunta, mas fiquei muito atento a todas as que lhe foram endereçadas,
pelos meus colegas, interessadíssimo nas respostas, todas muito precisas e
inteligentes; e cheias de humanismo.
O entrevistado abriu seu coração e falou dos
momentos mais cruciais por que passou na sua vida íntima e nos campos de
futebol. Foi das entrevistas mais emocionantes, a qual me fez “balançar”,
de tanta emoção, e despertou em mim o desejo de assistir à sua apresentação, no
Teatro Guaíra, para 2.800 pessoas. Foi uma previa
do que aconteceria à noite.
É bom que duas coisas sejam ditas. A primeira
é que foram duas apresentações de “NA MARCA DO PÊNALTI”, em dias
diferentes, para as quais os ingressos se esgotaram em pouquíssimo tempo. Um
sucesso estrondoso! O público recebeu o que viu e ouviu com muita empatia e
aplaudiu o “palestrante”, várias vezes, “em cena aberta”.
A segunda é que eu não havia, até o momento da entrevista, pensado em fazer parte
da plateia de CASAGRANDE. Achava que não valeria a pena. Mas fui e fiquei
felicíssimo por não ter perdido aqueles 80 minutos de uma
conversa franca, sincera, leve, agregadora e linda.
Durante a entrevista, CASAGRANDE
se mostrou muito preocupado com o tanto de gente que pagou ingresso para
ouvi-lo falar. Fez questão de dizer que não era ator, não era artista e não
iria representar. Disse que fizeram parte, durante seu tratamento, idas
constantes ao TEATRO, que a arte também o ajudou a dizer adeus às
drogas, graças ao trabalho de uma sua psicóloga, de cujo nome não me lembro,
que o levava a espetáculos teatrais e “shows”. Acrescentou que
sua fala, à noite, não tinha um texto, para ser decorado, até
porque ele não consegue decorar um texto; afirmou que havia, sim, um roteiro,
para que não se perdesse, mas que tudo o que falaria seria natural e
espontâneo, procurando mostrar a sua verdade. Issso significa que nunca haverá
uma sessão igual a uma outra. FOI O QUE
PROMETEU; FOI O QUE ENTREGOU. Mostrou-se disposto a “marcar
um gol” e “sacudiu a rede com um golaço”! Também entendo
de metáforas (Outro momento descontração!)
SINOPSE:
No decorrer da “partida”, o cidadão WALTER
CASAGRANDE JR. atravessa o “espetáculo” como quem atravessa
um “final de campeonato”, vivendo a verdade, o risco e o
inesperado de cada instante.
CASAGRANDE “entra em campo”.
A plateia é seu “time”.
O palco é o “gramado”, as lembranças
são “passes”, e cada reflexão é um “chute ao gol”.
Entre “dribles e bolas divididas” de
emoção, CASÃO revisita sua carreira e, também, encara os “clássicos”
mais difíceis da vida: a dependência química, as derrotas e as vitórias “fora
das quatro linhas”.
O “apito inicial” é dado, e CASÃO
encara a história que construiu.
O resultado?
Uma “partida” humana, em que a vida é
o “campeonato” mais desafiador de todos.
A magnífica SINOPSE supra, calcada em
formidáveis metáforas, extraída da revista-guia do FESTIVAL,
encerra, exatamente, o que o craque leva para o palco, sem maiores pretensões
artísticas, porém pleno de pureza e verdade, que emociona, realmente, e muito,
qualquer ser humano sensível que se sente, na plateia, para ouvi-lo e abraçá-lo
carinhosamente, mesmo de longe.
FICHA TÉCNICA:
Idealização: Fernando Philbert
Dramaturgia: André Acioli, Fernando Philbert e
Walter Casagrande Jr.
Direção: Fernando Philbert
“Performance”: Walter Casagrande Jr.
Cenografia: Não informado
Figurino: Não informado
Iluminação: Vilmar Olos
Redes Sociais: Sérgio Mastropasqua
Fotos: Annelize Tozetto
Registro e Edição de Vídeos: Rogério Marques da
Silva Leonardo
Coordenação de Comunicação e “Marketing”: Livia
Franceschinelli
Assessoria Artística: Vanessa Andrade
Produção Executiva: André Roman – Teatro de Jardim
Direção de Produção: Selene Marinho
Produção: SM Arte e Cultura
Depois daquela grande experiência por mim
vivida, de uma noite que ficará indelével na minha memória, passei a admirar,
profundamente, o homem, o cidadão WALTER CASAGRANDE JR., mais que o
atleta, e torço para que ele possa levar esse seu tão marcante depoimento a
todos os rincões do país, dado que considero esses encontros algo de utilidade
pública. Aquela noite funcionou como um gatilho para que eu mais me interessasse
pelos assuntos por ele abordados.
E pensar que eu achava que deveria escrever
algo, não uma crítica, sobre aquele evento, entretanto não sabia como, se
renderia um bom texto... Modestamente, acho que me saí bem e estou muito feliz
por isso.
FOTOS: ANNELIZE TOZETTO
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto
que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre
mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que
há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!
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