“CARMINA BURANA
BALLET”
ou
(UMA EXPERIÊNCIA
INCRÍVEL, INDESCRITÍVEL
E INESQUECÍVEL.)
Mais uma vez, aqui estou, para “escrever
sobre um espetáculo de balé”, fazendo questão de deixar bem claro que estes
escritos não correspondem a uma “crítica de dança”, visto
que não tenho a menor capacidade para fazê-lo, pelo fato de não entender,
absolutamente, nada da técnica que envolve esta sublime arte. Restringir-me-ei
a tecer alguns comentários sobre a minha emoção, ao ter tido a oportunidade de
assistir, ontem (21 de março de 2026), à montagem de “CARMINA
BURANA BALLET”, atendendo ao generoso convite de GRAZI PISACANE (GPress
Comunicação). Foi no “release” da obra, a mim enviado
pela assessoria de imprensa, que me baseei, e de onde extraí informações, para
traçar estas linhas, além de uma rápida pesquisa na internet.
Não acredito que muita gente saiba, exatamente,
o que vem a ser “Carmina Burana”. Trata-se de uma cantata(*) cênica, composta por Carl Orff,
compositor alemão, entre 1935-1936, baseada em 24
poemas medievais dos séculos XII e XIII, encontrados em 1803,
no mosteiro de Benediktbeuern, Alemanha. Escrita em
latim, alemão e provençal, a obra celebra temas profanos, como a fortuna, o
amor e o vinho, com destaque para o icônico coro “O Fortuna”. (*)A cantata é uma “composição vocal muito extensa, de inspiração profana ou
religiosa, para uma ou várias vozes, com acompanhamento instrumental, e, às
vezes, também, coro, e destinada aos salões, às igrejas, ao concerto; nunca ao TEATRO”. Os textos originais,
conhecidos como “Codex Buranus”, foram escritos por goliardos,
monges errantes e estudantes desiludidos, que satirizavam a Igreja e celebravam
prazeres terrenos.
“Carmina Burana” traduz-se como “Canções de Beuern”,
ou “Canções da Beócia”.
Carl Orff selecionou 24,
dos mais de 300 poemas, organizando-os em um prólogo (“O
Fortuna”) e três partes: “Primavera”, “Na Taberna” e “A Corte do
Amor”.
A música é rítmica, direta e popular, com grande
foco na percussão, o que foi bem recebido na Alemanha da época. O
poema mais famoso, “O Fortuna”, dedica-se à deusa romana da
sorte, representando a roda da fortuna, que gira entre o triunfo e o desastre. A obra alterna entre cenas de danças
enérgicas, na primavera; a embriaguez, na taberna; e o
amor carnal e romântico.
O espetáculo é apresentado pela
companhia portuguesa “VÓRTICE DANCE COMPANY” e chegou ao Rio de
Janeiro, depois de ter cumprido uma vitoriosa e surpreendente temporada,
em São Paulo, tendo sido assistido lá por mais de 10.000
espectadores, resultado que levou à abertura
de sessões extras e à extensão da temporada, no Teatro
Liberdade. O desempenho expressivo reforçou o espetáculo, como um fenômeno recente
no circuito da dança, e abriu caminho para sua expansão por outras capitais
brasileiras.
No Rio, são apenas
três apresentações, na Grande
Sala da Cidade das Artes, um dos palcos mais emblemáticos do país. A
montagem propõe uma experiência sensorial inédita, ao unir dança
contemporânea, música e tecnologia imersiva,
com uso, à farta, de “videomapping”, com tecnologia de última
geração, e projeções, que dialogam, diretamente, com o movimento dos
bailarinos.
A “Carmina Burana Ballet” transcende
o formato tradicional do balé, ao propor uma experiência cênica que mistura
dança contemporânea, música, dramaturgia
corporal e tecnologia de ponta. A “VÓRTICE DANCE
COMPANY” é uma das companhias mais reconhecidas de Portugal e
da Europa, com direção artística e coreografia de
CLÁUDIA MARTINS e RAFAEL CARRIÇO, nomes de destaque no cenário
internacional da dança contemporânea. Reconhecida por sua linguagem autoral e
pelo rigor técnico aliado à emoção, a companhia traz ao Brasil um
trabalho que já conquistou plateias e crítica em diversos países. A “VÓRTICE”,
em colaboração com artistas brasileiros, neste espetáculo, transforma a obra de
Carl Orff em um encontro potente entre tradição e linguagem
cênica atual, pensado para envolver o público muito além da fruição estética.
Fiquei, absurdamente, bem
impressionado com o que vi naquele palco, não só pelas coreografias, como também
pela utilização do “videomapping” e das projeções
de alta qualidade, que dialogam, diretamente, com o movimento dos
intérpretes e ampliam a narrativa visual da obra, criando imagens imersivas e
dinâmicas que potencializam os temas universais de destino, desejo,
instabilidade e força humana, sem falar, obviamente, na música de Orff.
Um dos diferenciais da montagem
brasileira está também na integração com artistas brasileiros,
que passam a ocupar o palco ao lado da concepção europeia da obra. O elenco
nacional imprime novas camadas de identidade, potência física e sensibilidade à
encenação, reforçando o caráter híbrido do espetáculo — ao mesmo tempo
internacional em sua origem e profundamente conectado ao público brasileiro.
No Rio de Janeiro,
o “CARMINA BURANA BALLET” encontra um público, historicamente,
atento às grandes experiências estéticas e propõe um encontro arrebatador entre
tradição e contemporaneidade, música clássica e linguagem atual, rigor técnico
e emoção visceral. Trata-se de um espetáculo que vai além do entretenimento e
se afirma como um grande evento cultural, capaz de mobilizar
diferentes públicos e reafirmar a força da dança no cenário das grandes
produções culturais contemporâneas.
Infelizmente, não disponho da FICHA
TÉCNICA do espetáculo, mas aplaudo a todos, com o maior vigor e
prazer.
SERVIÇO:
Temporada: De 21 a 23 de março de 2026.
Local: Cidade das Artes (Grande Sala).
Endereço: Avenida das Américas, nº 5300 – Barra da Tijuca – Rio de
Janeiro.
Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h30min; domingo, às 19h.
Valor dos Ingressos: R$ b280 m(inteira) e R$ 140 (meia-entrada).
Venda dos Ingressos: Bilheteria Física Local (sem taxa de serviço) e
pela plataforma SYMPLA (com taxa de serviço).
Duração: 70 minutos.
Classificação Etária: 16 anos.
Gênero: Dança (Híbrido).
FOTOS: RITA CARMO.
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!
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