segunda-feira, 21 de setembro de 2026

 

“OLGA”

ou

(UM ESPETÁCULO

DENSO,

EMOCIONANTE

NECESSÁRIO.)

 


         Assisti, ontem, já em final de temporada, ao espetáculo “OLGA”, uma montagem na forma de TEATRO Documental ou Documentário (Prefiro o primeiro.), a mais recente produção da Companhia Ensaio Aberto, capitaneada por LUIZ FERNANDO LOBO. A peça está em cartaz no Teatro Vianinha, no Armazém da Utopia (Armazém 6 do Cais do Porto do Rio de Janeiro), até o final deste mês (28 de setembro de 2026) (VER SERVIÇO.)

 

 




SINOPSE:

A peça resgata a vida e a militância política de Olga Benario Prestes, desde a juventude, na Alemanha, até o seu trágico fim, pelo regime nazista, reconstruindo sua trajetória.

Treinada em Moscou, pela Internacional Comunista, Olga foi enviada ao Brasil, na década de 1930, para garantir a segurança de Luiz Carlos Prestes, na liderança do movimento revolucionário conhecido como Intentona Comunista.

Após o fracasso do levante, em 1935, ambos, Olga e Prestes, foram caçados e presos pelo governo de Getúlio Vargas.

Grávida de sete meses, Olga foi deportada, pelo Estado brasileiro, e entregue, diretamente, à Gestapo, a polícia secreta oficial da Alemanha nazista, durante o poder de Adolf Hitler.

O espetáculo retrata o período em que esteve encarcerada na prisão da Frei Caneca, no Rio de Janeiro, o nascimento de sua filha, Anita Leocádia, na prisão alemã, e o seu assassinato em uma câmara de gás, no campo de concentração de Bernburg, em 1942, pouco depois de completar 34 anos.


 

 



  Já perdi as contas de a quantas inesquecíveis montagens da Companhia Ensaio Aberto eu já assisti e sobre as quais escrevi longas críticas – a quase total maioria -, pelo fato de terem sido esplêndidos trabalhos de TEATRO, que muito me marcaram, como espectador e crítico, dentre as quais, sem obedecer à ordem de em que foram encenadas, das que me recordo, no momento, explorando apenas a minha memória, que, cada vez mais, vem se transformando numa “vaga memória”, devido à idade, sem me utilizar de alguma pesquisa, reservo um aplauso especial a “Morte e Vida Severina”, “O Banquete”, O Dragão” (a minha preferida), “A Exceção e a Regra”, “O Círculo de Giz”, Sacco e Vanzetti”, Cabaré Youkali”, “Missa dos Quilombos” (uma OBRA-PRIMA), “A Mandrágora” e “A Mãe”.




  Extraído do “release”, que me chegou às mãos pela assessoria de imprensa da Companhia (CHRISTINA MARTINS (Armazém Comunicação): A Companhia Ensaio Aberto nasceu no ano de 1992, com a proposta de retomar o TEATRO épico no Brasil e fazer, dos palcos, uma arena de discussão da realidade, resgatando sua vocação crítica e política. Desde que foi fundada, pelo diretor Luiz Fernando Lobo e pela atriz Tuca Moraes, a Ensaio Aberto explora a ideia do ensaio como experimento e busca retomar a função social do TEATRO, transformando a relação palco-plateia.”




  Antes de mais nada, gostaria de falar, com uma riqueza de detalhes, sobre a vida e atuação da “persona” que deu origem a este trabalho, entretanto vou poupá-los disso, visto que precisaria de muito tempo e espaço para tal, o que poderia fazer deste texto – Com certeza, aconteceria. – mais desinteressante do que já possa ser. Por outro lado, aconselho a todos que “deem um Google”, a fim de conhecer melhor o que representou Olga Benario Prestes na vida política deste país. Vou me limitar, isto sim, a reproduzir os dados biográficos de Olga, que constam no referido “release”, citado no parágrafo acima.




“Nascida em Munique, em 1908, Olga Benario Prestes militou no movimento comunista, desde a adolescência, enfrentando, desde cedo, a repressão policial. Treinada como agente do Comintern (Internacional Comunista), em Moscou, veio ao Brasil, nos anos 1930, em missão política, ao lado de Luiz Carlos Prestes. Presa em 1936, foi deportada para a Alemanha nazista, por ordem do governo de Getúlio Vargas, quando estava grávida de sete meses. Em 1942, foi assassinada, na câmara de gás do campo de concentração de Bernburg. Sua filha, Anita Leocádia Prestes, sobreviveu, graças a uma mobilização internacional. Como costuma dizer: “Sou filha da solidariedade internacional.”. Comunista, internacionalista e antifascista, Olga começou a militar aos 16 anos. Era uma mulher de grande coragem e inteligência. Aviadora, paraquedista, exímia atiradora, exímia nadadora, amazona... Com 18 anos, entrou na clandestinidade, por ter realizado uma ação armada, para libertar seu companheiro e mentor político, Otto Braun, de um presídio de segurança máxima. Em 1935, Olga veio para o Brasil, como segurança de Luiz Carlos Prestes, o ‘Cavaleiro da Esperança’, e, em 5 de março de 1936, quando a polícia ‘estourou’ o esconderijo dos dois, já casados, no Méier, ela se colocou na frente de Prestes e o salvou de ser morto pela polícia de Getúlio Vargas. Ela foi assassinada, mas sua luta continua até os dias de hoje.”





  Também fugirei às minhas características, normalmente, exploradas nos meus escritos críticos, por reconhecer, na experiência que me foi apresentada, menos TEATRO e mais “Documental”. E explico: É claro que não deixa de ser TEATRO, porém não se trata de algo como, via de regra, entendemos o que seja um “espetáculo teatral”. É mais um documentário ao vivo. Há, sim, uma dramaturgia; menos verbal e mais imagética, representada por estupendas imagens fotográficas e vídeos, excelentemente garimpados, projetadas no telão diáfano que separa dois espaços cênicos: um à frente e outro atrás do referido telão. Não há, propriamente diálogos; reinam depoimentos e leituras de cartas. Não há, em tese, “representação teatral”, mas transmissão de informações, envoltas em bastante emoção, como no TEATRO convencional.




   Há uma curiosa e engenhosa cenografia, mais uma vez, pensada por J.C. SERRONI, que é mais simbólica – E como! – do que serve, diretamente, à peça, como apoio cênico para as cenas. Os figurinos – leia-se BETH FILIPECKI e RENALDO MACHADO, nomes sempre presentes nos trabalhos da Companhia - são em tons pastéis, dentro do clima do trabalho, lembrando, a maioria deles, trajes de camponeses. CESAR DE RAMIRES assina uma simples e, paradoxalmente, sofisticada iluminação, muito apropriada ao tipo de encenação em pauta.




   A narrativa afasta-se da história oficial, ao apoiar-se em uma extensa pesquisa de documentos primários, correspondências, fotografias, testemunhos de época e arquivos históricos brasileiros, europeus e norte-americanos, um rico material, como já me expressei, de uma qualidade e uma importância histórica que não têm preço. O que vemos, à nossa frente, é uma mistura da linguagem do TEATRO com projeções de cinema e recursos multimídia, o que predomina, durante os 70 minutos de ação, para contextualizar os acontecimentos políticos globais e nacionais da época. Um elenco de 11 atores e atrizes se reveza no palco, dividindo as funções de narradores, personagens históricos e testemunhas dos fatos, provocando uma reflexão crítica na plateia, todos com ótimas participações.




  “OLGA” não é novidade para quem costuma frequentar os teatros cariocas. Vem de uma temporada de sucesso, em São Paulo, e estreou, pela primeira vez, no Rio de Janeiro, em 2006, voltando, agora, à cena totalmente atual, como algo extremamente necessário, no momento em que o país está tão dividido, politicamente, dentro de um preocupante quadro de polemização, sendo urgente que o Brasil continue a existir como um país democrático, numa atmosfera de Estado Democrático de Direito. Aguardemos o resultado das urnas, nas próximas eleições presidenciais, que batem à porta!




  A encenação propõe uma nova leitura da história, ao evidenciar contradições, questionar narrativas consolidadas e lançar novos olhares sobre um dos períodos mais delicados da nossa história. O espetáculo tem dramaturgia e direção de LUIZ FERNANDO LOBO. O elenco é composto pelos atores do núcleo artístico da Companhia Ensaio AbertoTUCA MORAES interpreta Olga e LEONARDO HINCKEL é Luiz Carlos Prestes.

 

 



 

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia: Luiz Fernando Lobo

Direção: Luiz Fernando Lobo 

 

Elenco: Tuca Moraes (como Olga), Ana Clara Assunção, Bibi Dullens, Dani Arreguy, Daniel de Mello, Gilberto Miranda, Kyara Zenga, Leonardo Hinckel (como Luiz Carlos prestes), Luiz Fernando Lobo, Mateus Pitanga, Rossana Rússia e Nicholas Peixoto (estagiário artístico)

 

Cenografia: J.C. Serroni 

Figurinos: Beth Filipecki e Renaldo Machado 

Iluminação: Cesar de Ramires

Assessoria de Imprensa: Christina Martins (Armazém Comunicação)

Fotos: Thiago Gouvea 

Direção Musical e Trilha Sonora Original: Felipe Radicetti 

Produção Executiva: Aninha Barros

Direção de Produção: Tuca Moraes 





 


SERVIÇO:

Temporada: De 16 de agosto a 28 de setembro de 2026.

Local: Teatro Vianinha (Armazém da Utopia) - Armazém 6 do Cais do Porto do Rio de Janeiro.

Endereço: Armazém 6, Boulevard Olímpico, Região Portuária, Rio de Janeiro.

Dias e Horários: De 6ª feira a 2ª feira, às 20h.

Lotação: 120 lugares.

Valor dos Ingressos: Inteira: R$ 60 | Meia-Entrada: R$ 30.

Vendas: www.sympla.com/armazemdautopia.

Abertura da casa: 1h antes do início do espetáculo, com cota de ingressos liberados no dia, por ordem de chegada, sujeito a lotação.

Agendamento de grupos pelo whatsapp (21) 97976-0046.

Classificação Indicativa: 14 anos.

Duração: 70 minutos.

Gênero: TEATRO Documental.





 

        Espero que eu seja bem compreendido, nas minhas assertivas sobre este trabalho, que se apresenta sob um foco estritamente político, denunciando a falta de processos legais na expulsão de militantes, no Brasil, bem como a impunidade histórica de torturadores dos anos 1930, ao mesmo tempo que RECOMENDO “OLGA”.

 

 


 

 


FOTOS: THIAGO GOUVEA

 

 


 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 

 

 

























































































































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