segunda-feira, 16 de maio de 2022

 “A CORRIDA 

DO OURO”

ou

(DE COMO SE FAZER UM EXCELENTE TEATRO, 

SEM DINHEIRO, 

MAS COM MUITA GARRA, 

O CORAÇÃO VIBRANDO 

AMOR À ARTE.)



 

     Não estava na minha programação escrever sobre este espetáculo, mesmo antes de ter assistido a ele, o que significa que não seria por não ter gostado do que vi, obviamente, se ainda não o tinha visto. Era, simplesmente, uma questão de excesso de trabalho e falta de tempo, entretanto, depois de ter aceitado o convite de EDUARDO VACCARI, que assina a direção desta montagem, o qual, de forma muito gentil, facilitou minha ida ao Teatro Odylo Costa, filho, dentro da UERJ Maracanã (Universidade do Rio de Janeiro), não posso deixar de escrever, nem que seja pouco, sem a profundidade que caracteriza as minhas críticas, sobre uma excelente montagem, a qual teria terminado sua meteórica temporada, de apenas dois finais de semana, no último sábado, 14 de maio de 2022, quando assisti a ela, mas, felizmente, ganhou mais três apresentações (VER SERVIÇO.).



        Começarei me utilizando muito do “release”, a mim enviado, pelo próprio VACCARI, para dar conhecimento de quem são as pessoas que fazem este belo trabalho, que eu não conhecia, até então, infelizmente, e como se deu o processo, para que chegassem ao encantador, divertido e didático resultado que nos mostraram. Em seguida, farei curtas considerações, porém sinceras, sobre os elementos da montagem. É mesmo para que fique um registro de algo que me agradou muito e que me fez chegar à conclusão de que valeu a pena ter ido ao encontro daqueles grandes artistas.



“O ‘MASCHERE ATELIÊ - PESQUISA EM MÁSCARAS TEATRAIS’, criado em 2017, pelo ator, diretor e professor de TEATRO EDUARDO VACCARI, é um núcleo de estudos, que tem, como princípios de investigação, a teatralidade e o mascaramento. Além de oficinas, o ateliê mantém, desde sua criação, um grupo de estudos, que pesquisa diversos mascaramentos, como a máscara de tecido, a máscara neutra, as máscaras-objetos, as máscaras abstratas, as máscaras larvárias, as meias máscaras balinesas e da ‘commedia dell’arte’. Além disso, desenvolve pesquisas com a musicalidade e com a palavra como possibilidade de mascaramento.



Após três anos de intenso mergulho no universo das máscaras e dos mascaramentos e uma exitosa participação no clipe ‘Gold Spectrum’ da banda norte-americana ‘Fracktura’, dirigido pelo cineasta Diogo Oliveira, nosso coletivo de artistas-pesquisadores desejava, também, colocar em jogo, junto a espectadores, no TEATRO, a linguagem que tanto pesquisamos. Deste desejo, nasceu o espetáculo ‘A CORRIDA DO OURO’, baseado no conto ‘A Nova Califórnia’, de Lima Barreto.


 

SINOPSE:

O conto, escrito em tons de fábula, em novembro de 1910, trata da ambição desmedida de homens e mulheres de Tubiacanga.

Nessa pequena cidade, um misterioso químico, RAIMUNDO FLAMMEL, descobre uma estranha forma de fabricar ouro, e esse fato transforma a vida local.

Antes, vista como uma ofensa moral a todas as religiões e preceitos, a cobiça faz a cidade mudar de opinião e guerrear pela matéria-prima dessa alquimia, ossos humanos.

O poder, representado pelo dinheiro, sempre fala mais alto, porém pode produzir terríveis consequências.

 



Para a realização deste projeto, o “MASCHERE ATELIÊ - PESQUISA EM MÁSCARAS TEATRAIS” se juntou à equipe de produção e à equipe artística do Teatro Odylo Costa, filho, da UERJ Maracanã. Os aplausos merecem, pois, ser divididos e direcionados a todos os envolvidos neste excelente projeto.




Conheço o texto, no original, e acho que foi muito bem adaptado para o palco, numa boa dramaturgia, em trabalho coletivo, capaz de contar uma história, com clareza e simplicidade, utilizando-se de um humor crítico, o que é, praticamente, um pleonasmo. A plateia, incluindo os mais jovens, visto que a indicação etária é de 14 anos, e muitos dessa faixa etária estavam presentes, na sessão a que assisti, não consegue perder o interesse pela trama e aguarda, ansiosamente, a sequência, a próxima cena, sem desconfiar do que acontecerá no final da história. Nada é previsível, com relação a isso, creio eu. Um detalhe importante a acrescentar, com relação ao texto, é que o tema, além de universal, vem se tornando, infelizmente, cada vez mais atual, a julgar pelo “lema” que já virou até titulo de programa de TV: “Tudo por Dinheiro”. A ambição desmedida de muitas pessoas é uma das maiores pragas da sociedade moderna.



Sobre a direção, é preciso enaltecer, ao extremo, o trabalho de EDUARDO VACCARI, assim como registrar que ele investiu, do próprio bolso, para conseguir levar a termo este projeto. VACCARI é uma unanimidade, entre seus alunos, como um homem que se dedica, de corpo e alma, ao seu ofício, de fazer e ensinar a como se faz TEATRO.



VACCARI me marcou bastante, em 2015, quando, como professor da CAL, Casa de Cultura de Laranjeiras, montou, com seus alunos, e assinou a direção, um clássico do TEATRO russo, “O Capote”, de Nikolai Gógol, numa montagem que fez temporada comercial, no Teatro Ipanema (Vi duas vezes.) e ganhou o reconhecimento do público e da crítica. Confesso, humildemente, que foi a partir dali que passei a tê-lo na conta de um magnífico diretor de TEATRO, um grande encenador, o que não havia reconhecido até então. De seus outros trabalhos, lembro-me bem de alguns: “A Carroça dos Desejos”, baseada em “Decamerão”, apresentado, com grande sucesso, no “Festival do Rio de Janeiro”, em 2013, um primor de direção; “Uma Manhã de Sol”, em 2018, no SESC Tijuca, um espetáculo muito comovente; “O Bigode”, apresentado pelo “Grupo Lupa”, não me recordo da data; e uma ótima versão adaptada de “O Alienista”, também apresentado no “Festival do Rio de Janeiro”, pela “A Incrível Companhia de Artes e Entretenimento do Sr. Cosme”, acredito que em 2009.



Seu trabalho de direção é um dos pontos altos deste espetáculo, por sua opção pela interpretação puxada para o estilo “clownesco”, que exige posturas corporais e vozes dos personagens especialmente criadas, com inflexões, tonalidades e projeções que fogem ao padrão clássico de representação. Para isso, pôs em prática mais uma das suas “travessuras”, na condução de um excelente trabalho de direção de movimento.



A opção por um cenário interessantíssimo, em acordo com o cenógrafo (?), sobre quem falarei adiante, proporcionou-lhe criar fantásticas e inventivas resoluções para todas as cenas da peça. Muitos aplausos por tudo: pela direção e por seu amor e entrega ao TEATRO!



Não conhecia o grupo que compõe o “MASCHERE ATELIÊ - PESQUISA EM MÁSCARAS TEATRAIS” e já declaro, aqui, minha total paixão por todos e agradecimento, pelo indescritível prazer que me proporcionaram, e a todo aquele público, com sua arte e seu talento, naquela noite. Salvo engano, de todos em cena, só conhecia os trabalhos de ALINE MAROSA, GABRIEL MOURA e RODRIGO LIMA, de atuações anteriores. Coloco-os, todos, o elenco inteiro, no mesmo nível de excelência, e desejo que cada um deles se fixe e prospere, cada vez mais, na carreira que escolheram, já que demonstraram para ela terem nascido. Como sabem explorar o corpo e a voz! Como demonstram um ótimo “timing” para o humor, bastante comedido, sem exageros! Não tenho condição de destacar o trabalho de ninguém, sob pena de cometer injustiças.




Do que é capaz a mente humana, quando explora a criatividade, para fazer ARTE!!! Estou me referindo à cenografia da peça, assinada por ALICE BODANZKY e EDUARDO VACCARI (Eu já não havia dito, antes, que a direção devia ter estabelecido uma especial ligação com quem elaborou o cenário?). Contando com parcos recursos, a “moeda” que “financiou” tudo o que faz parte da cenografia foi menos o dinheiro e foram mais a inteligência e a criatividade. O cenário é muito simples, porém serve a uma infinita exploração, composto, apenas, por três escadas, de tamanhos diferentes, uma enorme caixa de madei e muitas malas, de todos os tamanhos, modelos, formatos e cores possíveis, espalhadas, estrategicamente, no espaço cênico, para poderem ser utilizadas, de uma forma inacreditável, pela direção, servindo a várias situações e representando inúmeros objetos. Além disso, também estão, às vezes, no palco, alguns instrumentos musicais.



 E, já que falei nos instrumentos musicais, vale, também, dizer que o espetáculo conta com uma excelente trilha sonora, incluída na direção musical, sob a responsabilidade de CHARLES KAHN, toda executada ao vivo e durante, praticamente, toda a duração do espetáculo, formada por canções e inúmeros sons, os quais valorizam todas as cenas.



NIVEA FASO responde pelos corretos figurinos, que incluem detalhes, propositalmente, a meu juízo, exagerados, para juntar, à montagem, um tom caricaturesco. Excelente trabalho!



Dos elementos de criação, falta tecer um comentário sobre a iluminação, a cargo de MAURÍCIO FUZYIAMA e ROMMEU EQUER. Ambos criaram um belo desenho de luz, com muitas variações de cores e intensidades, tudo muito bem ajustado a cada momento e situação.



Por último, mas não menos importante – pelo contrário, um elemento de total destaque nesta montagem –, reservo muitos elogios ao trabalho de confecção das máscaras utilizadas por todos os personagens, sem dúvida, um grande diferencial na encenação. Parabenizo seus criadores pela beleza, expressividade e acabamento de cada uma delas, verdadeiras obras de arte. Foram criadas e confeccionadas por IDA BAGUS ANOM SURYAWAN, MAHENDRA ADIYASA I KADEK, NYOMAN NARANATA e NYOMAN SETIAWAN. E, aqui, já “pego carona”, para, também, fazer alusão à confecção dos bonecos, pelas mãos de FERNANDA KLAYN.

 




 

FICHA TÉCNICA:

 

Dramaturgia: colaborativa, a partir do conto "A Nova Califórnia" de Lima Barreto

Direção: Eduardo Vaccari

Direção Musical: Charles Kahn

Cenografia: Alice Bodanzky e Eduardo Vaccari

Iluminação: Mauricio Fuziyama e Rommel Equer

Figurinos: Nivea Faso

Assistência de Figurinos: Aline Marosa

Confecção de Bonecos: Fernanda Klayn

Programação Visual: Marcio de Andrade

 

Elenco (por ordem alfabética): ALINE MAROSA, ARIANNE FELIX, FERNANDA KLAYN, GABRIEL MOURA, GABRIELA CHECCHIA, JULIA PASTORE, NATHALIA CANTARINO, RODRIGO LADEIRA, RODRIGO LIMA, THIAGO PENNA FIRME E YANI PATUZZO.

 

Fotografias: Kaio Caiazzo

Máscaras: Ida Bagus Anom Suryawan, Mahendra Adiyasa I Kadek, Nyoman Naranata e Nyoman Setiawan

Produção: Maschere Ateliê

Realização: Teatro Odylo Costa, filho / DiTeatro / DECULT SR3 / SR3 UERJ / UERJ

 

 

 




 

SERVIÇO:

Temporada: de 05 a 21 de maio de 2022.

Local: Teatro Odylo Costa, filho – UERJ Maracanã.

Endereço: Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã – Rio de Janeiro

Dias e Horários: de 5ª feira a sábado, sempre às 19h.

Valor dos Ingressos: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia entrada).

Vendas antecipadas, pelo SYMPLA, e, a partir das 17h, nos dias de espetáculo, na bilheteria do Teatro.

Capacidade: 950 lugares.

Indicação Etária: 14 anos.

Gênero: Fábula Musicada.

 

 


 



        É tão bom – vivo repetindo – quando uma determinada expectativa nos leva a um Teatro e, lá, constatamos que ela foi multiplicada muitas vezes, como ocorreu em “A CORRIDA DO OURO”, espetáculo brilhante, que recomendo, com muito prazer, nas suas três últimas apresentações, de acordo com o SERVIÇO supra.

 


ESPERAMOS POR ISTO.

 


FOTOS: KAIO CAIAZZO

 

 

 


GALERIA PARTICULAR:



 

  



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