terça-feira, 12 de maio de 2026

 

“MUDANDO DE PELE”

ou

(O DIABO VESTE PRADA E MAYAH VESTE DIGNIDADE.)


 

 

          Com casas lotadas, desde a estreia, lotações esgotadas até o final da temporada, se não me equivoco – mas sempre há uns poucos ingressos para quem chega na hora de uma sessão -, está em curso a vitoriosa montagem de um solo, realmente, deveras interessante, de um texto da dramaturga, atriz e cantora/compositora britânica AMANDA WILKIN, bastante contemporânea e negra – este detalhe é muito importante -, com tradução de DIEGO TEZA e direção de YARA DE NOVAES, “MUDANDO DE PELE”, no Teatro SESC Ginástico, trazendo, como a grande e única protagonista, TAÍS ARAÚJO, depois de algum tempo afastada dos palcos, numa peça que acompanha uma mulher em busca de sua verdadeira identidade.







 

 

SINOPSE:

Mayah (TAÍS ARAÚJO) é uma mulher de quase 40 anos, que, em uma súbita fúria, rompe com um ciclo em que precisava se encaixar, para manter um trabalho e sustentar um relacionamento desgastado.

Livre de suas antigas prisões, ela encontra um novo lar e um novo emprego.

Nessa busca, encontra Mildred, uma senhora jamaicana, de 90 anos, que lutou pelos direitos civis, e Kemi, uma jovem que não pede licença para existir.

A partir dessas uniões - e de alguns desencontros -, Mayah vai se transformando, enquanto reconhece seu próprio valor e identidade.

 


 




 

          O texto é contundente e atual. Não conheço o original, mas nem é preciso isso, para saber que é excelente a tradução de DIEGO TEZA, que tem, como uma espécie de “hobby”, o hábito de garimpar ótimos textos de dramaturgos internacionais, mormente ingleses e norte-americanos, traduzi-los e guardá-los em seu “banco de peças”, pronto para atender a alguém lhe encomende um.







A montagem do espetáculo é fruto do desejo de TAÍS ARAÚJO de pesquisar e contar histórias originais sobre mulheres. São palavras da atriz: “Estou, há anos, em busca de um texto que fale sobre histórias de mulheres e mulheres pretas, que não passe pela questão da sobrevivência ou da dor. ‘MUDANDO DE PELE’ é uma reflexão com temas universais, que dialoga com o público em geral e com a artista que sou”.








Fala o texto sobre quanto alguém já se adaptou para estar em algum lugar; quantos incômodos vivenciou, por não se sentir pertencente; e qual o significado de se reconhecer em sua pele e identidade. Essa é a busca constante da personagem à procura de si mesma, do seu ser real, verdadeiro, traduzida, metaforicamente, no título da peça: alguém à procura de uma mudança de pele. Há, infelizmente, os que se conformam e não conseguem se despir nunca de suas vestes impropriadas.








          Muito tendo a ver com o título da peça, TAÍS ARAÚJO é uma atriz camaleônica, sempre se transformando em uma nova personagem, de características bem diferentes das anteriores, em seus mais de 30 anos de uma sólida carreira nos palcos e em outras mídias. A atriz está muito à vontade “na pele” desta Mayah, dosando, acertadamente, a emoção em uma ou outra cena, contida e extravagante, quando isto se faz necessário. “MUDANDO DE PELE” é seu primeiro solo, o qual a credencia a interpretar outros vindouros.





          Mayah, representando várias mulheres, muitas das quais na plateia, é uma criatura de quase 40 anos, que se sente inconformada em ter que reproduzir acordos sociais, emocionais e identitários. Movida por um desejo de ruptura profunda, ela inicia uma travessia de autoconhecimento e transformação, que se realiza a partir do encontro com outras mulheres. E viva a sororidade!





          TAÍS acertou bem no centro do alvo, ao convidar YARA DE NOVAES, premiadíssima, para dirigi-la no espetáculo, a qual contou com a luxuosa colaboração de IVY SOUZA, como sua assistente de direção. Juntas, trouxeram um ritmo célere à montagem e propuseram uma espécie de “solo coletivo”, já que, no palco, TAÍS é acompanhadas, como coadjuvantes, por duas esplêndidas musicistas: DANI NEGA, que também assina a direção musical, e LAYLA, responsável por tocar, ao vivo, instrumentos exóticos, como a kora africana, uma harpa pouco conhecida no Brasil, mas bastante utilizada pelos povos da África Ocidental, de uma sonoridade agradabilíssima aos ouvidos mais sensíveis. A história ganha brilho e frescor graças às músicas originais apresentadas.








          Os elementos de apoio, nesta montagem – cenografia, figurino e iluminação -, dão o seu recado positivamente, com um maior destaque para o segundo. Isso, porque o figurino, muito original, diga-se de passagem, também faz parte da contação da história. Ao idealizá-lo, TERESA NABUCO procura revelar o estado da personagem em camadas, primeiramente desencaixado, para, então, “mudar de pele”, na busca pela plenitude. Mais sobre ele não devo falar, para não roubar a surpresa que causa ao espectador, uma jogada muito interessante da diretora e da artista figurinista.








          Passo a falar de um detalhe, quase imperceptível, mas que não passa despercebido a este crítico, também professor das línguas portuguesa e inglesa. O original da peça é Shedding a skin”. Reparem que o verbo aparece com a desinência do gerúndio em inglês (-ing). O tradutor bem poderia ter transformado o verbo num substantivo: “mudança” (de pele), entretanto isso reportaria a algo que aconteceu e terminou. O gerúndio (terminação -ndo) é uma forma nominal que indica, principalmente, uma ação em andamento, contínua ou inacabada no momento da fala ou em relação a outro tempo. É uma forma nominal do verbo que expressa o processo de uma ação, como em “mudando”. O processo de transformação da personagem se deu de maneira lenta e gradual, caindo e aprendendo, reinventando-se paulatinamente.







 

 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Amanda Wilkin

Tradução: Diego Teza

Dramaturgismo: Nathalia Cruz

Direção: Yara de Novaes

Assistência de Direção: Ivy Souza

 

Elenco: Taís Araújo

Participações: Dani Nega e Layla

 

Direção de Movimento e Colaboração Artística: Cristina Moura

Direção Musical, Arranjos Eletrônicos e Criação Musical: Dani Nega

Arranjos para Kora e Steel Pan: Layla

Preparação Vocal e Fonoaudiologia: Janaína Pimenta

Cenografia: André Cortez

Figurinos: Teresa Nabuco

Design de Luz: Gabriele Souza

Design de Som: Arthur Ferreira e Gabriel Salsi

Videografismo: Alice Cruz e Letícia Leão

Visagismo: Adriana Teixeira

Direção Técnica: Ricardo Vivian

Coordenação de Palco: Antônio Lima

Contrarregra: Nivaldo Vieira

Coordenação de Comunicação: Antonio Trigo (Trigo Casa de Comunicação)

Assessoria de Imprensa: Laís Gomes e Renata Ramos

Conteúdo digital: Digimakki

Identidade Visual: Fábio Arruda e Rodrigo Bleque (Cubículo)

Fotos: Nanna Moraes

Arte Finalização: Marcos Nascimento

Direção de Produção: Verônica Prates

Coordenação de Projetos: Valencia Losada

Produção Executiva: Camila Camuso

Assistência de Produção: Ellen Miranda

Assessoria jurídica: Bruno Mros

Produção Geral: Quintal Produções e AXIC'S

 

 





 

 

SERVIÇO:

Temporada: De 23 de abril a 24 de maio de 2016.

Local: Teatro SESC Ginástico.

Endereço: Avenida Graça Aranha, nº 187 – Centro – Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 5ªs e 6ªs feiras, às 19h; sábados e domingos, às 17h.

Valor dos Ingressos: R$ 60 (inteira); R$ 30 (meia-entrada); R$ 15 (credencial plena Sesc e conveniados); Gratuito (público cadastrado no PCG).

Ingressos: www.ingresso.com ou na Bilheteria do Teatro.

Duração: 80 minutos.

Classificação Etária: 14 anos.

Gênero: Monólogo.

 







 

          Este espetáculo, que já está com estreia agendada em São Paulo, tão logo se encerre a temporada carioca, TEM QUE SER RECOMENDADO por qualquer pessoa sensível e que aprecia uma excelente peça teatral.

 

 

 

 

 

FOTOS: NANA MORAES

 

 

 

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