“34º
FESTIVAL DE CURITIBA”
“BRACE”
ou
(DANÇA NA ERA
DA TECNOLOGIA.)
Começo estes escritos com uma
observação muito importante e pertinente. Não tomem estas minhas palavras
como uma crítica, já que jamais me considerei um crítico de dança, por
total falta de conhecimento técnico para avaliar um trabalho dessa arte. O que
ocorre é que, vez por outra, atrevo-me a dissertar, muito “en passant”,
sobre algum espetáculo desse jaez que me tenha causado muita admiração e me
proporcionado grande prazer, como “BRACE”, um solo do bailarino
moçambicano, mundialmente conhecido, EDIVALDO ERNESTO, um trabalho
arrebatador, que consolida o bailarino como uma das vozes mais potentes da
dança contemporânea mundial.
SINOPSE:
Inspirado no percurso dos Mwene
Mutapa e Zulos, EDIVALDO ERNESTO constrói uma
narrativa que atravessa memória, ancestralidade e autoficção.
A
obra acompanha um viajante que, ao percorrer rastros fragmentados do passado,
toma consciência do seu legado e do seu lugar no presente.
Seguir
essas pistas torna-se um desafio.
Há
lacunas, silêncio e um passado incompleto, ou, talvez, um passado que nunca foi
devidamente escrito.
O
viajante inventa caminhos, e, para acessar os de seus antepassados, “BRACE”
cria a sua própria mitologia, transformando o corpo em território de
reconstrução e autoficção.
Se me perguntarem o que eu entendi, da SINOPSE supra,
extraída da revista-guia do “FESTIVAL DE CURITIBA”, serei
muitíssimo franco e honesto: ABSOLUTAMENTE NADA!!! E o que
entendeu do espetáculo? IDEM! E, mais ainda, desafio qualquer
pessoa que tenha assistido às duas lindas apresentações do balé a me dizer se
joga no meu time. Então, por que escrever sobre este espetáculo? A resposta é
muito simples e aqui vai. Quando assisto a qualquer balé, na maioria das vezes,
não alcanço a dramaturgia do espetáculo e sei que a grande maioria
dos espectadores comunga com a minha não percepção do que o coreógrafo deseja
passar a um público.
Em se tratando de um espetáculo teatral, isso é bem diferente. É verdade que não posso dizer que não gostei de uma peça, se não entendi a mensagem, ou as mensagens, do texto. Pode ser um problema só afeto a mim. Ou o “hermetismo” do dramaturgo ganhou proporções extremas. No caso, até procuro rever a peça, para dirimir qualquer dúvida. Os demais elementos da montagem podem até ser interessantes, contudo, sem entender o “plot”, fica difícil emitir um parecer. Por outro lado, quando se trata de um espetáculo de dança, para mim, o que importa é se eu me deixei emocionar com o visual, com a coreografia e os demais elementos de criação que envolvem a “performence”. Sendo assim, com relação a “BRACE”, isso faz toda a diferença, porque vi e gostei muito.
Ao tomar conhecimento da programação da “Mostra Lúcia Camargo”,
a mais importante e concorrida do “FESTIVAL”, não pensei em
incluir o balé em tela na minha programação, por haver outros interesses para
mim, no campo teatral, todavia, depois de ter participado da entrevista do
artista de Moçambique, numa das coletivas de imprensa, fui
despertado para o seu espetáculo e me propus a assistir a ele, do que não
me arrependo nem um pouco.
Durante sua entrevista, EDIVALDO ERNESTO falou sobre o que o
levou a construir o espetáculo e como se deu esse longo processo, muito interessante,
diga-se de passagem. Além de dissecar seu vasto e vitorioso currículo,
conversou, também, sobre todas as muitas dificuldades que enfrentou para erguer
“BRACE”. Isso também aguçou a minha curiosidade. E lá fui eu ao SESC
da Esquina, para conferir o que se formou na minha mente, em termos de
expectativa, amplamente alcançada.
O espetáculo é de fazer arrepiar. Quase todo o tempo de duração da
atividade – 55 minutos
-, o palco está mais para o escuro; breu
total, às vezes, para que possa atingir o seu objetivo a imensa quantidade de
laser vermelho, cujas fontes estão pregadas ao figurino do artista ou ao fundo do cenário, atirando
dezenas setas luminosas em todas as direções do palco e da plateia. Trata-se de
algo que jamais havia visto num palco. Isso ganhava maior relevo, à medida que
o bailarino se movimentava e executava a sua coreografia, previamente desenhada,
mas que dava a impressão de ser toda calcada na improvisação.
FICHA TÉCNICA:
Idealização:
Edivaldo Ernesto
Direção:
Edivaldo Ernesto
Coreografia:
Edivaldo Ernesto
“Performance”: Edivaldo
Ernesto
Desenho
de Luz e Técnico (DE): Jörg Bittner
Produção
(DE): Melissa Figueiredo
Produção
Executiva: Joana Pegorari
Produtor
de Elenco: Pedro de Freitas
Técnico
de Luz: Nicholas Marchi
Técnico
de Som: André Telles
Fotos: Humberto Araújo
Produção
Artística (BR): Alex Bartelli
Agenciamento
e Produção Brasileira: Azayah
“BRACE” é um ótimo exemplo de como a tecnologia
pode ser colocada a favor da arte. Eu seria capaz de reassistir a
este espetáculo.
FOTOS: HUMBERTO ARAÚJO
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