terça-feira, 12 de maio de 2026

 

“34º FESTIVAL DE CURITIBA”

“BRACE”

ou

(DANÇA NA ERA

DA TECNOLOGIA.)



        Começo estes escritos com uma observação muito importante e pertinente. Não tomem estas minhas palavras como uma crítica, já que jamais me considerei um crítico de dança, por total falta de conhecimento técnico para avaliar um trabalho dessa arte. O que ocorre é que, vez por outra, atrevo-me a dissertar, muito “en passant”, sobre algum espetáculo desse jaez que me tenha causado muita admiração e me proporcionado grande prazer, como “BRACE”, um solo do bailarino moçambicano, mundialmente conhecido, EDIVALDO ERNESTO, um trabalho arrebatador, que consolida o bailarino como uma das vozes mais potentes da dança contemporânea mundial.





 

SINOPSE:

    Inspirado no percurso dos Mwene Mutapa e Zulos, EDIVALDO ERNESTO constrói uma narrativa que atravessa memória, ancestralidade e autoficção.

A obra acompanha um viajante que, ao percorrer rastros fragmentados do passado, toma consciência do seu legado e do seu lugar no presente.

Seguir essas pistas torna-se um desafio.

Há lacunas, silêncio e um passado incompleto, ou, talvez, um passado que nunca foi devidamente escrito.


O viajante inventa caminhos, e, para acessar os de seus antepassados, “BRACE” cria a sua própria mitologia, transformando o corpo em território de reconstrução e autoficção.


 




 

   Se me perguntarem o que eu entendi, da SINOPSE supra, extraída da revista-guia do “FESTIVAL DE CURITIBA”, serei muitíssimo franco e honesto: ABSOLUTAMENTE NADA!!! E o que entendeu do espetáculo? IDEM! E, mais ainda, desafio qualquer pessoa que tenha assistido às duas lindas apresentações do balé a me dizer se joga no meu time. Então, por que escrever sobre este espetáculo? A resposta é muito simples e aqui vai. Quando assisto a qualquer balé, na maioria das vezes, não alcanço a dramaturgia do espetáculo e sei que a grande maioria dos espectadores comunga com a minha não percepção do que o coreógrafo deseja passar a um público.






  Em se tratando de um espetáculo teatral, isso é bem diferente. É verdade que não posso dizer que não gostei de uma peça, se não entendi a mensagem, ou as mensagens, do texto. Pode ser um problema só afeto a mim. Ou o “hermetismo” do dramaturgo ganhou proporções extremas. No caso, até procuro rever a peça, para dirimir qualquer dúvida. Os demais elementos da montagem podem até ser interessantes, contudo, sem entender o “plot”, fica difícil emitir um parecer. Por outro lado, quando se trata de um espetáculo de dança, para mim, o que importa é se eu me deixei emocionar com o visual, com a coreografia e os demais elementos de criação que envolvem a “performence”. Sendo assim, com relação a “BRACE”, isso faz toda a diferença, porque vi e gostei muito.






     Ao tomar conhecimento da programação da “Mostra Lúcia Camargo”, a mais importante e concorrida do “FESTIVAL”, não pensei em incluir o balé em tela na minha programação, por haver outros interesses para mim, no campo teatral, todavia, depois de ter participado da entrevista do artista de Moçambique, numa das coletivas de imprensa, fui despertado para o seu espetáculo e me propus a assistir a ele, do que não me arrependo nem um pouco.





   Durante sua entrevista, EDIVALDO ERNESTO falou sobre o que o levou a construir o espetáculo e como se deu esse longo processo, muito interessante, diga-se de passagem. Além de dissecar seu vasto e vitorioso currículo, conversou, também, sobre todas as muitas dificuldades que enfrentou para erguer “BRACE”. Isso também aguçou a minha curiosidade. E lá fui eu ao SESC da Esquina, para conferir o que se formou na minha mente, em termos de expectativa, amplamente alcançada.





  O espetáculo é de fazer arrepiar. Quase todo o tempo de duração da atividade – 55 minutos -, o palco está mais para o escuro; breu total, às vezes, para que possa atingir o seu objetivo a imensa quantidade de laser vermelho, cujas fontes estão pregadas ao figurino do artista ou ao fundo do cenário, atirando dezenas setas luminosas em todas as direções do palco e da plateia. Trata-se de algo que jamais havia visto num palco. Isso ganhava maior relevo, à medida que o bailarino se movimentava e executava a sua coreografia, previamente desenhada, mas que dava a impressão de ser toda calcada na improvisação.






 

FICHA TÉCNICA:

Idealização: Edivaldo Ernesto

Direção: Edivaldo Ernesto

Coreografia: Edivaldo Ernesto

 

“Performance”: Edivaldo Ernesto

 

Desenho de Luz e Técnico (DE): Jörg Bittner

Produção (DE): Melissa Figueiredo

Produção Executiva: Joana Pegorari

Produtor de Elenco: Pedro de Freitas

Técnico de Luz: Nicholas Marchi

Técnico de Som: André Telles

Fotos: Humberto Araújo

Produção Artística (BR): Alex Bartelli

Agenciamento e Produção Brasileira: Azayah


 

 



 

    “BRACE” é um ótimo exemplo de como a tecnologia pode ser colocada a favor da arte. Eu seria capaz de reassistir a este espetáculo.

 

 




 

 

 

FOTOS: HUMBERTO ARAÚJO

 


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