“OLHOS NOS OLHOS”
ou
(UMA BELA E JUSTA HOMENAGEM, EM FORMA DE POESIA, AO MAIOR DOS
COMPOSITORES BRASILEIROS.)
ou
(UMA TRIPLA CELEBRAÇÃO.)
ou
UMA SINGELA AULA POÉTICA DE TEATRO.)
Não é todo dia que uma das maiores damas dos
nossos palcos comemora, em grande estilo, seis décadas de bons serviços
prestados ao TEATRO brasileiro e 80 de vida. Além dessas duas celebrações, há uma terceira,
a da obra poético/musical de um dos nossos gênios, em se tratando
da grande plêiade de artistas brasileiros, o maior compositor da Música
Popular Brasileira, a meu juízo e de milhões de pessoas. A diva em
questão é ANA LÚCIA TORRE, que está em cartaz, até o dia 29 de
março próximo (2026), na Sala B do Teatro BTG Pactual Hall, em São
Paulo. Já o grande homenageado é CHICO BUARQUE DE HOLANDA. Na
verdade, há uma quarta celebração em jogo: da MORENTE FORTE,
que completa 40 anos de intensa atuação na cena teatral
brasileira.
SINOPSE:
Para
celebrar seus 80 anos de vida e 60 de carreira, ANA LÚCIA
TORRE, uma das maiores atrizes brasileiras de sua geração, divide,
com o público, memórias e reflexões, em um espetáculo vibrante, revelador e
cheio de emoção, mesclando histórias de sua trajetória pessoal e profissional
com falas declamativas de letras de diversas músicas icônicas de Chico
Buarque, com participação do pianista DIÓGENES JUNIOR.
A
narrativa, neste solo, traz algumas das mais marcantes letras compostas por CHICO,
no entanto as canções não são cantadas, e sim faladas, ditas como um texto
dramático, revelando novas camadas de interpretação de sua obra e uma sensação
de redescoberta de pérolas de um dos mais importantes compositores brasileiros de
todos os tempos.
Quem
assiste se identifica totalmente com os temas essenciais que compõem a
narrativa, como arte, amores, separações, maternidade, resistência, sociedade e
o tempo.
Letras
de clássicos, como “Meu Guri”, “Beatriz”, “Geni
e o Zepelim”, “Valsinha”, “Atrás da Porta”
e “Olhos nos Olhos”, entre muitas outras, compõem o roteiro
repleto de delicadeza e bom humor.
Como
professor de língua portuguesa e literatura brasileira, sempre me
deixei fascinar pelo conteúdo de muitas das letras do nosso cancioneiro popular,
enxergando-as, antes de tudo, como verdadeiros poemas musicados, dos quais CHICO
BUARQUE é, na minha VISÃO, o maior de todos os letristas, ao
lado de outros que o acompanham bem de perto. Outra coisa que sempre mexeu com
o meu imaginário é o fato de as pessoas se apaixonarem por determinadas canções
e aprenderem a cantá-las, sem nunca terem parado para analisar o teor de suas
letras e o grande potencial poético nelas inserido. De sorte que, logo que
tomei conhecimento do espetáculo “OLHOS NOS OLHOS”, título de uma das
mais belas composições de CHICO – “Quando você me deixou, meu
bem... Olhos nos olhos, quero ver o que você faz...” -, passei a
alimentar o desejo de assistir ao monólogo, para o que não medi esforços e me
desloquei até São Paulo, sem muita esperança de que pudesse
assistir, no caso, agora, pela segunda vez, no Rio de Janeiro. Oxalá
os DEUSES DO TEATRO permitam que o espetáculo faça uma temporada
carioca, que, certamente faria o mesmo grande sucesso que a peça vem fazendo na
capital paulista, já em segunda temporada.
Repetindo
o vitorioso empreendimento que foi a encenação de “Longa Jornada Noite
Adentro”, em 2022, no TUCA de São
Paulo, a FICHA TÉCNICA de “OLHOS NOS OLHOS” reúne,
outra vez, o imenso talento de atriz de ANA LÚCIA TORRE, o não menos
importante trabalho de dramaturgia e direção de SERGIO
MÓDENA, a produção de CÉLIA FORTE e SELMA MORENTE,
a cenografia, de ANDRÉ CORTEZ; o figurino, de
FÁBIO NAMATAME; e a coordenação e comunicação de BETH
GALLO. Não se deve mesmo mexer em time que está ganhando.
O
espetáculo é de uma leveza, de uma singeleza, de uma pureza e poesia
incalculáveis, conduzido pelo talento e carisma de ANA LÚCIA TORRE. Por 80
minutos, ela nos pega pelas mãos e, com sua marcante voz, calma e aveludada, nos conduz pelos corredores e labirintos
intermináveis da obra poético-musical de CHICO, tudo junto e misturado
com memórias de suas vivências artísticas e pessoais, deixando-me, inclusive,
pasmo, diante do relato de seu imbróglio com os milicos do golpe militar de 1964.
Além deste, há tantos outros, interessantes, curiosos e impactantes, que valem
a pena conhecermos. Tudo isso nos é passado com bastante intimidade e
cumplicidade, num ambiente minimalista, construído e enriquecido pelos
trabalhos dos artistas de criação.
A
cenografia, assinada por ANDRÉ CORTEZ, é simples, porém
linda e muito significativa, marcada pela colocação de vários espelhos enormes,
dispostos em semicírculo, que refletem a imagem multiplicada da atriz e que
podem – assim decodifiquei o cenário – ter uma ligação com os
vários “chicos”, mostrar o cantor e compositor em seu potencial “camaleonismo”.
O
espetáculo corre num tom nobre e discreto. FÁBIO NAMATAME entendeu isso
e desenhou e confeccionou um belo e sóbrio traje, em tons pastéis, com um
perfeito caimento, ressaltando a bela e elegante presença física da fabulosa atriz.
Para
que tudo tenha seu momento de destaque e de comedimento, quando necessário,
entra em campo GABRIELE SOUZA, com um desenho de luz
discreto e harmônico.
O
belo texto é um amálgama de algumas das letras escritas por CHICO
BUARQUE, “in totum” ou parcialmente, com pequenos textos
da lavra de SERGIO MÓDENA, que também conduz, com maestria, a direção
do solo. MÓDENA foi simples e delicado em seu trabalho, exatamente como
este pedia, e não teve a menor intenção de “inventar a roda”;
apenas soube se valer da sua própria e potente dramaturgia e do
talento da atriz, para construir uma montagem que nos provoca dois desejos: o
de que nunca termine e de querer rever a obra, como, exatamente, me sinto agora,
além de estar experimentando um imenso prazer em escrever esta modesta crítica.
Apesar
de ser um solo, ANA LÚCIA TORRE, deslumbrante e poderosa em cena, divide
o palco com o excelente pianista DIÓGENES JUNIOR, que é
apresentado pela atriz, no início da peça, e passa a ocupar um lugar numa das
coxias, ficando, discretamente, pouco à mostra da plateia, porém totalmente
necessário à encenação.
Seja
qual for o tema da letra declamada – amor, política, sociedade... – ANA
LÚCIA TORRE assume a postura, de corpo e voz, que sugere o teor da letra, o que ele privilegia, numa demonstração de sua imensa capacidade de se moldar a cada
texto, num espetáculo que “estabelece uma ligação íntima entre a atriz e
o público”. É o título do espetáculo; é o título de uma canção; e é o
modo como atriz e público se veem: “OLHOS NOS OLHOS”. “Ela fala
sobre amor, separação, resistência, esperança, maternidade, a paixão pela arte
e outros tópicos. É o retrato de uma grande atriz, mas também, em certa medida,
do nosso país.”, como diz SERGIO MÓDENA. E não há como não concordar com ele.
FICHA
TÉCNICA:
Dramaturgia:
Sergio Módena
Direção:
Sergio Módena
Assistência
de Direção: Mariana Rosa
Interpretação:
Ana Lúcia Torre
Pianista
Acompanhante: Diógenes Junior
Direção
Musical: Pedro Lobo
Cenografia:
André Cortez
Figurino:
Fábio Namatame
Iluminação:
Gabriele Souza
Contrarregra
e Camareiro: Toninho Pita
Operador
de Som: Valdilho Cruz
Coordenação
de Comunicação: Beth Gallo
Programação
Visual: Gustavo Wabner
Fotos
de Estúdio e Cenas: Priscila Prade
“Social Media”: Isabella Pacetti
Assistência Administrativa: Alcení Braz
Assistência de Produção: Carol Ariza
Administração:
Magali Morente
Coordenação
de Projetos: Egberto Simões
Produtoras
Associadas: Ana Lúcia Torre, Selma Morente e Célia Forte
Uma
produção Morente Forte Produções Teatrais
SERVIÇO:
Temporada:
De 16 de janeiro a 29 de março de 2026.
Local:
Teatro BTG Pactual Hall – Sala B.
Endereço:
Rua Bento Branco de Andrade Filho, nº 722, Santo Amaro - São Paulo.
Capacidade:
240 lugares.
Dias
e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h30; domingo, às 18h30min.
Valor
dos Ingressos: Entre R$ 25 (meia-entrada) e R$ 160 (inteira), a depender da localização do assento.
Venda dos Ingressos: Bilheteria (Atendimento
presencial, sem cobrança de taxa de serviço): de 3ª feira a sábado, das 13h às 20h30min; domingo e
feriado, apenas em dias de espetáculos, até o início da apresentação.
Vendas
“on-line” (Com taxa de serviço.): “Site” da Plataforma SYMPLA.
Duração:
80 minutos.
Classificação
Etária: 12 anos.
Com
acessibilidade em todas as sessões.
Gênero: Monólogo.
Sentir-me-ia
profundamente feliz e gratificado se o espetáculo cumprisse uma temporada no
Rio de Janeiro, não só para que eu pudesse rever esta maravilha de espetáculo,
como também para que os cariocas que apreciam uma excelente montagem teatral
também pudessem sentir a emoção que me atingiu, quando tive o privilégio de
conhecer esta obra. “OLHOS NOS
OLHOS” É UMA PRODUÇÃO DE ALTÍSSIMA QUALIDADE HUMANA, ARTÍSTICA E TÉCNICA.
FOTOS: PRISCILA PRADE
GALERIA
PARTICULAR
(Foto:
Carlos Sabag.)
É preciso ir ao TEATRO,
ocupar todas as salas de espetáculo, visto
que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre
mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que
há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!
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