“JOB”
ou
(EXCELENTE MODELO
DE UM MODERNO “THRILLER” PSICOLÓGICO.)
Está
em cartaz no antigo Teatro Adolpho Bloch, atual TotalEnergies
(Jamais me acostumarei com esse ridículo nome.),
um espetáculo que vem ratificar a minha opinião de que a temporada teatral de 2026,
no Rio de Janeiro, começou com uma excelente safra de
espetáculos. Falo de “JOB”, um “thriller”
psicológico da melhor qualidade, escrito pelo jovem dramaturgo norte-americano MAX WOLF FRIEDLICH, de apenas 30 anos, uma feliz
realidade, entre os de sua contemporaneidade. Sua notoriedade vem, exatamente,
da escrita de seu texto “JOB”, que aborda saúde mental, ética e o submundo
do universo digital,
peça aclamada na Broadway.
FRIEDLICH é reconhecido como uma das vozes proeminentes da nova geração
de dramaturgos dos Estados Unidos, focado em temas intensos da
cena atual. “JOB” estreou no Soho
Playhouse Off-Broadway, em 2023, com total aprovação da
crítica, sendo transferida para o Connelly Theatre, para cumprir
uma temporada estendida. O espetáculo marca a estreia do dramaturgo na Broadway,
no Helen Hayes Theatre.
Depois de um grande sucesso na
capital paulista, a peça desembarca no Rio, numa marcante tradução
de ALEXANDRE TENÓRIO. A direção caiu nas mãos de FERNANDO
PHILBERT, um dos mais conceituados encenadores brasileiros, e a montagem
traz BIANCA BIN e EDSON FIESCHI na interpretação do
casal de personagens.
SINOPSE:
Jane (BIANCA BIN) é especialista em filtrar
conteúdo impróprio, na internet, funcionária exemplar de uma grande empresa de
tecnologia.
Após acumular anos e anos, sendo testemunha do
ambiente extremamente tóxico das redes sociais, ela tem um colapso na firma em
que trabalha, acaba sendo afastada de seu cargo e obrigada a frequentar o
consultório de um terapeuta, o Dr. Loyd (EDSON FIESCHI).
A partir desse encontro, a trama de “JOB” se
desenrola em um “thriller” psicológico com um final totalmente
imprevisível e aberto.
Assistindo
à peça, é fácil entender por que ela foi tão bem recebida pela crítica e pelo
público norte-americano e muito aplaudida pelos brasileiros. Toda a ação se dá no tempo de uma sessão de
psicoterapia, quando a personagem Jane é encaminhada, pela cúpula
de uma importantíssima empresa à qual ela prestava serviço como uma grande
especialista no atendimento ao usuário, tendo como foco laboral ser uma “moderadora
de conteúdos”.
Por conta
de seu trabalho, a jovem sofria uma incomensurável pressão psicológica,
provocada pelo conteúdo pleno de toxidade com que travava contato, nos subterrâneos da internet.
Foi o ter que lidar com toda a sorte de abusos digitais, das mais diversas
origens, que a levou a uma situação crítica de colapso – entrou em surto
-, o que a fez ser afastada de sua função, até que apresentasse um laudo,
de um psiquiatra, dizendo que ela estava apta a continuar na sua lida diária.
A ação da
peça, tão logo após o terceiro sinal, já surpreende o espectador pelo modo como
se trava o primeiro contato entre médico e paciente (Não darei “spoiler”).
A posição de Jane, de “autoproteção”, já poderia
ser considerada um falso clímax, que vai se repetir por mais vezes. A moça,
praticamente, não larga uma bolsa que carrega, por um motivo óbvio, facilmente
perceptível no decorrer da peça.
Toda a
dialogação se dá num clima de muito mistério e suspense, que, aos poucos, vai
se descortinando e levando o espectador, ao final da peça, a uma quase incredulidade, ante as
revelações, entre momentos de diálogos calmos e outros nervosos e, até mesmo,
agressivos, numa “montanha- russa” sem fim.
Considero
deveras interessante um detalhe no título da peça, mantido do
original, visto que ele se reveste de um curioso pormenor, qual seja o de poder
ser, dubiamente, compreendido como “trabalho, emprego, tarefa, serviço, ocupação”,
numa tradução literal da língua inglesa para o português, ao mesmo tempo que é
a mesma grafia do nome de um patriarca bíblico, “Job”, em inglês,
e Jó, em português, aquele que se tornou conhecido por sua
extrema fé e paciência, sentimentos exercitados, mutuamente, pelos dois personagens.
A manutenção do original inglês, no título, intencionalmente ou não, é um
detalhe que, realmente, me chamou a atenção.
Acostumado
a trabalhar com uma equipe de grandes profissionais de criação,
mais uma vez, PHILBERT se valeu de seus nomes de confiança, para dar
forma à sua magnífica montagem. Assim, temos uma bela cenografia,
assinada por NATÁLIA LANA, que reproduz, bem e com muito bom gosto, o ambiente de uma sala de
consultas psicológicas ou psiquiátricas, com pontuais e belos detalhes de
decoração; figurinos discretos (RONALD TEIXEIRA), bem ao
molde dos personagens; uma luz bem “intervencionista”,
de VILMAR OLOS, seguindo o clima de tensão das cenas; e uma sucessão de
sons que acompanham essas tensões, um ótimo trabalho de trilha sonora,
a cargo de MARCELO ALONSO NEVES. É interessantíssimo o diálogo travado entre iluminação e sonoplastia, no decorrer do espetáculo.
A psiquê dos
personagens é bastante difícil de ser construída, correndo o risco, se não for
bem executada, de os tornar falsos e piegas, entretanto o resultado final dos
embates entre a dupla é totalmente positivo, mérito de BIANCA BIN e EDSON
FIESCHI, os quais sabem dosar cada emoção de seus personagens, mantendo uma
sucessão constante de altos e baixos, no que diz respeito às reações de cada um
deles: um “dominador” e um “dominado”, um “mais
forte” e outro “mais frágil”, sendo que Jane
leva uma real vantagem sobre Loyd, no aspecto “autotensional”
(Perdão pelo neologismo.).
Acredito que, num patamar mais discreto, a
peça também critica os usuários das redes sociais, para o perigo a que estamos
expostos, quando, ao se fazer uso delas, não sejam considerados o bom senso e a
empatia, chamando-lhes a atenção para tais carências.
FICHA TÉCNICA:
Texto: Max Wolf Friedlich
Tradução: Alçexandre Tenório
Direção: Fernando Philbert
Elenco: Bianca Bin e Edson Fieschi
Cenografia: Natália Lana
Figurinos: Ronald Teixeira
Iluminação: Vilmar Olos
Trilha Sonora: Marcelo Alonso Neves
“Design” Gráfico: Bárbara Lana
Assessoria de Imprensa: Pedro Neves (Clímax)
Fotos: Robert Schwenck (estúdio) e Annelize Tozetto (cena)
Direção de Produção: Lilian Bertin
Coordsenação Geral de Produção: Luciano Borges
Realização: Borges & Fieschi Produções
Culturais
SERVIÇO:
Temporada: De 10 de janeiro a 22 de fevereiro de
2026.
Local: Teatro TotalEnergies (Sala Adolpho Bloch).
Endereço: Rua do Russel, nº 804 – Glória – Rio de
Janeiro.
Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h;
domingo, às 18h.
OBSERVAÇÕES:
1) Sessões duplas nos sábados, dias 24 e 31/01 – às
18 e 20h.
2) Não haverá sessão nos dias 13, 14 e 15/02 (Carnaval).
Valor dos Ingressos: Plateia Central: R$ 150 (Inteira)
/ R$ 75 Meia-entrada): Plateia Lateral: R$ 50 (Inteira) / R$ 25 (Meia-entrada).
– CONSULTAR POSSIBILIDADE DE DESCONTOS.
Duração: 65 minutos.
Classificação Etária: 14 anos.
Gênero: Drama.
Reúnam-se um sofisticado e muito bem escrito texto, uma
direção minuciosa e extremamente segura e atores assaz comprometidos com o seu
ofício, e estamos diante de um espetáculo de indiscutível excelente qualidade,
como “JOB”, que RECOMENDO MUITO.
FOTOS: ROBERT SCHWENCK (estúdio) e
ANNELIZE TOZETTO (cena).
É preciso ir ao TEATRO,
ocupar todas as salas de espetáculo, visto
que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre
mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que
há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!
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