quarta-feira, 17 de abril de 2024

 

“RAUL SEIXAS - O MUSICAL”

ou

(UMA “METAMORFOSE

AMBULANTE”

NUM PALCO DE TEATRO.)

ou

(E NÃO É QUE,

MESMO MORTO,

O RAUL TOCOU, 

“AO VIVO”?!)

            


 





 

           Primeiro, Renato Russo; agora, RAUL SEIXAS. Quem será o próximo? Haverá um terceiro, um quarto, um quinto, um sexto...? Pode haver quantos ele quiser, desde que seja mantido o mesmo “padrão 'musical biográfico' de qualidade” que caracterizou a primeira experiência, vestiu a segunda e, certamente, não faltará aos futuros homenageados (?). O “ele”, no caso, é BRUCE GOMLEVSKY; o “quantos ele quiser” refere-se aos cantores brasileiros, roqueiros ou não, aos quais o artista deseje prestar um tributo, pelo que representaram, e ainda representam, para a música brasileira e a nossa CULTURA. Num pobre “país sem memória”, quando aparece alguém que não seja “desmemoriado” e que tenha muito talento, é motivo de festa e celebração. Não o seria, se o resultado do musical aqui comentado não satisfizesse ao público, o que não é, absolutamente, o caso. Muito pelo contrário. A prova disso é a sequência de lotações esgotadas, desde sua estreia, com plateias formadas por gente de várias gerações, aqueles que testemunharam o sucesso (e o declínio também) do grande astro da música, em vida, e os jovens que nunca tiveram outra oportunidade de conhecê-lo, a não ser por suas gravações e vídeos de apresentações no palco.

 

 


       “Renato Russo - O Musical”, protagonizado pelo mesmo BRUCE GOMLEVSKY, em cartaz há 18 anos, que combina grandes sucessos do ícone do “rock” nacional com passagens importantes de sua breve vida – Renato “foi ao encontro da luz” em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos de idade -, reunidos numa excelente dramaturgia de Daniela Pereira de Carvalho, com várias temporadas no Rio de Janeiro e que contabiliza 15 anos de estrada, tendo percorrido mais de 40 cidades. Foi visto por acima de 30.000 espectadores, totalizando um excedente de 430 sessões, tendo rendido, a BRUCE e equipe de criadores, indicações a prêmios e a conquista de alguns. Como se fizesse parte de um “repertório” do ator, como ocorria, no passado, com as grandes companhias de TEATRO, o espetáculo estará pronto a ser reencenado, quando e onde a produção o desejar, continuando a lotar, invariavelmente, os espaços por onde passar. Da mesma forma, esta é a primeira temporada de “RAUL SEIXAS – O MUSICAL”, que vem superlotando um Teatro, dentro do Espaço EcoVilla Ri Happy”, no interior do complexo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, desde quando estreou, em 01 de março passado, e assim será até 28 de abril próximo; e tudo indica que RAUL seguirá os passos de Renato.

 

 

 


SINOPSE:

        Celebrando 300 anos de carreira, BRUCE GOMLEVSKY mergulha no universo criativo, poético e crítico do “MALUCO BELEZA”, explorando as complexidades de sua mente artística, a obra de um artista extremamente inquieto.

        O espetáculo se destaca por utilizar manuscritos originais, cedidos pela família Seixas, revelando uma perspectiva íntima e autêntica do icônico músico.

       Durante 100 minutos, aceitamos o convite do anfitrião, BRUCE, e o acompanhamos por uma viagem onírica, inebriante, fascinante e única.

 


 

 

            Quem nunca ouviu falar do “Baú do Raul”, tão repleto de grandes novidades, sob a guarda de uma de suas viúvas, a quarta, Ângela Affonso Costa, conhecida como Kika Seixas? Pois ele está presente na peça, fazendo parte da cenografia, inclusive. Tudo começa e acaba com um foco sobre ele, o “Baú” que contém grandes preciosidades. É de dentro dele que sai o próprio protagonista, na primeira cena, cantando “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”. E é sobre sua tampa que fica depositado um dos símbolos da morte, ao final da peça, quando sua passagem pela Terra finda e o autor do texto, LEONARDO DA SELVA, que também dirige o musical, de forma bem inteligente, suave e, até mesmo, poética, optou por não deixar que o espetáculo terminasse “para baixo”.

 

 


 

          Raul (de todos os) Santos Seixas  nasceu em Salvador, no dia 28 de junho de 1945, e morreu em São Paulo, em 21 de agosto de 1989, vítima de uma parada cardíaca. Seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina, na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. Cantor, compositor, produtor musical e multi-instrumentista, é considerado, por muitos, um dos pioneiros do "rock" brasileiro e até de o Pai do 'Rock' Brasileiro”, epíteto, às vezes, contestado. É apelidado de Maluco Beleza”, “totalmente verdadeiro” (Momento descontração.). Seu estilo musical é tradicionalmente classificado como  “rock" e baião e, de fato, conseguiu unir ambos os gêneros, em músicas como “Let Me Sing, que concorreu a um festival de música popular brasileira. Antes da carreira solo, a partir de quando passou a ganhar notoriedade, fez parte de um grupo de roqueiros, chamado Raulzito e os Panteras” (Consta que gostava de ser chamado, carinhosamente, de Rauzito.). Era identificado como “contestador e místico”, reconhecimento para o qual contribuíram muito as letras de um de seus parceiros musicais, o mais constante, Paulo Coelho. Era cético e agnóstico e, apesar do fracasso como estudante, interessava-se bastante por filosofia – principalmente por metafísica e ontologia -, psicologia, história, literatura e latim. Leu muito sobra tais assuntos. Tornou-se, na idade adulta, um leitor contumaz e, nas histórias que gostava de ler, e reler, encontrou um personagem que o marcou muito, um “cientista maluco” chamado “Melô”, algo como “amalucado”, o qual viajava para diversos lugares imaginários. Segundo Raul, Melô era a sua “outra parte, a que buscava as respostas, o eu fantástico, viajando, fora da lógica, em uma maquinazinha em que só cabia um só passageiro... Melô-eu.”. Pura identificação! (Mais momento descontração.) (Boa parte das informações contidas neste parágrafo foi pesquisada na Wikipédia.)

 

 

 

              No ano de 1974, ele e Paulo Coelho criaram aquilo a que chamaram de "Sociedade Alternativa", baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, praticamente repetindo o chamado “Livro da Lei(“Faz o que quiseres, pois é tudo da lei” – Sociedade Alternativa – Raul Seixas e Paulo Coelho.), o que rendeu, aos dois, problemas sérios com os “gorilões” da ditadura militar, iniciada em 1964, levando-os, em 1987, à prisão, com “direito” a sessões de tortura, e ao exílio, nos Estados Unidos.

 

 

 

              Agradou-me, sobremaneira, o espetáculo, que traz, no “set list”, 22 canções do homenageado e 4 de outros compositores que o influenciaram bastante (Luiz Gonzaga – “Vida de Viajante”, Elvis Presley – “Blue Suede Shoes”, Little Richard – “Lucille”, e The Beatles – “Come Together”) e dramaturgia composta, exclusivamente, por textos do próprio RAUL. Para que chegasse à organização e escrita do texto, o diretor, LEONARDO DA SELVA, foi autorizado pela família do músico, sem o que não teríamos tido a oportunidade de aplaudir um grande trabalho teatral. DA SELVA, um jovem de 35 anos, que tinha cerca de 10, quando RAUL morreu, teve acesso aos manuscritos que expõem as reflexões do artista sobre sua obra, seu país e o papel do artista na sociedade. Todas as canções são executadas ao vivo, sendo o ator/cantor acompanhado por uma competente e animada banda.

 

 

        


“SETLIST”:

“Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”, “Maluco Beleza”, “Paranoia”, “Tente Outra Vez”, “Gita”, “Vida Do Viajante” (Luiz Gonzaga), “Blue Suede Shoes” (Elvis Presley), “Lucille” (Little Richard), “Let Me Sing”, “Rock Do Diabo”, “Metamorfose Ambulante”, “Pluct, Plact, Zum”, "Come Together" (The Beatles), “Rockixe”, “Sessão Das Dez” (trecho), “S.O.S. Disco Voador”, “Ouro De Tolo”, “Sociedade Alternativa”, “Aluga-se”, “Como Vovó Já Dizia (Letra Censurada), “Cowboy Fora Da Lei”, “Prelúdio”, “Trem Das 7”, “Por Quem Os Sinos Dobram”, “Canto Para Minha Morte”, “Mosca Na Sopa (Bis).

 



               Pareceu-me muito bem conduzido o roteiro, que não deixou de fora nenhum detalhe importante da conturbada vida de RAUL, suas vitórias e fracassos, estes não “varridos para debaixo do tapete”. Se é verdade que, a meu juízo, o dramaturgo acertou a mão na escrita, não posso afirmar nada diferente sobre sua direção. Os fatos vão desfilando pelo palco, narrados e representados por um multiartista, como BRUCE GOMLEVSKY, o qual, no decorrer de três décadas de intensa dedicação ao TEATRO, já nos legou excelentes trabalhos, como ator e diretor. Sem fazer distinção entre onde ele atuou em uma ou outra função e também sem obedecer a uma cronologia, em mais de 50 espetáculos, cito, como seus trabalhos que muito me marcaram, “O Homem Travesseiroi”, “Uma Ilíada”, “Festa de Família”, “Um Tartufo”, “Sangue”, “O Diário de Anne Fkrank”, “Memórias do Esquecimento”, “A Revolução dos Bichos”, “Outra Revolução dos Bichos”, “Diário de um Louco” e, obviamente, “Renato Russo – O Musical”. Se me perguntassem se eu prefiro vê-lo e aplaudi-lo, num palco, atuando ou dirigindo, minha resposta viria em forma de uma outra pergunta: “Vale dizer ‘os dois?’. É justo que se faça alusão também à sua vasta atuação em muitos filme e no audiovisual (TV).

 

 

 

              Desnecessário é falar do talento de BRUCE GOMLEVSKY, o que seria uma grande redundância. Mais uma vez, diante de um enorme desafio, para qualquer ator, ele dá conta de sua função de intérprete e compõe o personagem RAUL SEIXAS bem próximo ao comportamento do real, principalmente no gestual, atingindo um interessantíssimo trabalho de corpo, com o auxílio luxuoso de MARINA SALOMON, na direção de movimento. Senti que não houve, por parte da direção e do ator, o desejo de imitar, total e perfeitamente, RAUL, até porque certas pessoas não se permitem ser imitadas. Na voz, nem tanto, quando canta, chega bem próximo à prosódia de um soteropolitano, sem exagero caricatural. No visagismo, pode causar algum estranhamento, ao espectador, o fato de não haver semelhança física entre BRUCE e RAUL. Parece-me que não houve mesmo tal preocupação, entretanto, na cena em que, sobre o famoso “Baú”, é cantada a canção “Roxixe”, o ator se apresenta com uma grande semelhança física com o homenageado, fruto de uma caracterização feita no palco, anteriormente, pelo ator, diante dos espectadores. Aliás, a “metamorfose”, que faz parte do primeiro subtítulo deste texto, se dá, ao longo de toda a peça, da mesma forma, com muitas trocas de figurinos, criados por MARIA CALOU, muito ajustados a cada cena.

 

 


 

            Tão logo me acomodei em minha cadeira, olhei para o palco e vi o que, naquele momento, me pareceu ser uma gigantesca “poluição visual”, por conta de tantos objetos cenográficos, que até pensei que atrapalhariam a movimentação do ator em cena. Confesso que achei “feio e exagerado” ver tanta coisa misturada. No decorrer da peça, percebi, porém, que vários objetos de cena, utilizados pelo ator, assim como as peças do figurino, que ele ia descartando, a cada nova cena, depositados dentro daquele “Baú”, não estavam ali por acaso. Só então, percebi que aquilo que me pareceu um “mau gosto” do cenógrafo, em forma de um espaço na casa de uma pessoa “acumuladora”, era proposital. Aquele “caos” representava o CAOS de uma mente brilhante, mas, até certo ponto, “desgovernada”, uma nau à deriva, num “mar tortuoso”, e todos aqueles objetos de cena eram mesmo necessários. O fato de serem acomodados naquela caixa, o “Baú do Raul”, representava todo o acervo que o artista nos legou. Parabéns a NELLO MARRESE, por mais um precioso trabalho de cenógrafo. Também felicito GABRIEL PRIETO, pela iluminação que não poderia faltar à montagem, acompanhando o clima de cada cena: calma, branca e perene, naquelas em que assim é requisitada,, mais débil ou mais intensa,  e frenética e muito colorida, durante a execução das músicas.   

 

 




FICHA TÉCNICA:

 

Dramaturgia: Leonardo da Selva

Direção: Leonardo da Selva

 

Interpretação: Bruce Gomlevsky

 

Direção Musical: Gabriel Gabriel  

Músicos: (Cantora) Sadili, (Guitarra) Ziel de Castro, (Baixo) Maninho Bass, (Teclados) Junior Monteiro e (Bateria) Carlos Oliveira 

Cenário: Nello Marrese

Figurino: Maria Callou

Iluminação: Gabriel Prieto

Colaboração na Dramaturgia: Bruce Gomlevsky

Colaboração na Primeira Versão da Dramaturgia: Guilherme Bazana

Assistência de Direção: Tássia Leite

Preparação Vocal: Deco Fiori

Direção de Movimento: Marina Salomon

Desenho de Som: João Paulo Pereira

Camareira: Flávia Cotta

Contrarregra: Taú

Fotos: Dalton Valério

“Design” Gráfico: Rita Ariani

Gerenciamento Redes Sociais: Rafael Teixeira

Programação Visual Redes Sociais: Tássia Leite

Consultoria de Mídia: Isabel Caetano

Assessoria Jurídica: Pedro Eichin Amaral

Direção de Produção: Gabriel Garcia

Produtores Associados: Bruce Gomlevsky & Leonardo da Selva

Realização: N.A.V.E & BG ArtEntretenimento Ltda.

Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação - João Pontes e Stella Stephany

 

 

 


 

 

SERVIÇO:

Temporada: De 01 de março a 28 de abril de 2024.

Local: Espaço EcoVilla Ri Happy (dentro do Parque Jardim Botânico).

Endereço: Rua Jardim Botânico, nº 1008, Jardim Botânico/Gávea - RJ.

Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h.

Valor dos Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada) – Consultar sobre quem tem direito ao benefício no "link" 

https://www.eventim.com.br/meiaentrada

Venda de ingressos na bilheteria do Teatro (Sem cobrança de taxa de serviço.), de 4ª feira a domingo, das 9h às 18h, ou pelo “site” EVENTIM.

Duração: 100 minutos.

Classificação Etária: 12 anos.

Gênero: Musical.

 





             Não tenho dúvidas de que vou, e desejo bastante, rever o musical em outras temporadas, já que, certamente, isso é que o grande público também quer e cobrará.

 

 

 


FOTOS: DALTON VALÉRIO

 

  

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