domingo, 6 de junho de 2021

“MINHA MÃE NUNCA FOI UMA PEÇA, COMO A DO PAULO GUSTAVO;

JAMAIS VOTEI EM BRUNO COVAS;

MAS SEMPRE AMEI E APLAUDI DEMAIS DONA EVA WILMA.”

(ou)

“UM TÍTULO LONGO E  ‘NONSENSE’, QUE ESCONDE MUITO SENTIMENTO.”





Passou-se a “comoção”, ficou a “emoção”.

Do ponto de vista semântico, ambos os substantivos guardam extrema relação de sentido, entretanto há, entre eles, uma pequena diferença.

Dizer que sentimos “comoção” por alguém ou algo é o mesmo que afirmar termos desenvolvido uma “extrema emoção”, derramando lágrimas, a ponto de experimentar o sentimento da compaixão. É algo que vai se estendendo, ocupando todos os espaços, num frenesi coletivo. É contagiante e catártico.

A “emoção” é uma experiência subjetiva, controlável, até certo ponto, mais comedida, podendo, até, ser um pouco reprimida ou “domesticada”, até o limite da tensão do elástico esticado, sempre associada ao temperamento individual, à personalidade e a uma determinada motivação, a qual bate diferente, para cada ser humano, em cada distinto coração, por cada diferente situação.

A palavra “emoção” vem do latim “emovere”, na qual o “e-” (variante de “ex-”) significa “fora”, e “movere”, “movimento”. Emocionar-se é, pois, “mover-se para fora”, é não ocultar nem reprimir o que não cabe mais dentro do peito e que precisa ganhar o mundo, despudoradamente, desavergonhadamente, expandir-se, quase que se tornar etéreo, volátil. “Não dá mais pra segurar! / Explode, coração!” (Gonzaguinha).

O termo relacionado “motivação” é, assim, derivado de “movere”. E precisamos, sempre, de uma, para transformar pensamentos e sentimentos em palavras, ditas ou escritas. Optei pela segunda forma.

Deixei passar algum tempo, “pós-comoção”, para escrever um pouco sobre, “apenas” “emoção”, o que já é muito. E “gratidão”, também, lá pelo final do texto.

Aqui, reúno três momentos de adeus, uma despedida a três pessoas, que me bateram em intensidades diferentes, porém foram três afluentes de um mesmo rio,  que corre na mesma direção: vida eterna e saudade.

Três nomes: BRUNO COVAS, PAULO GUSTAVO e EVA WILMA.











BRUNO "caiu de paraquedas", neste blogue, que trata de TEATRO, mas houve, para isso, uma “motivação” especial, que será tocada, de forma um tanto leve, meio rápida (O problema é que eu não sei ser conciso.) e sutil, totalmente oposta à intensidade como aquela determinada e indelével cena me tocou. Já direi qual.

Sem obedecer a qualquer hierarquia ou ordem cronológica, começando, inclusive pelo último, dos três, a falecer, quero falar um pouco do BRUNO, de quem tomei conhecimento de pouco tempo para cá.

Nunca soube se foi um bom político e administrador, pouco sei do gestor, mas tenho a certeza de que, por um fenômeno que não sei como explicar, me parecia “da família”, “de casa”. “O BRUNO”. “Íntimo”. Talvez excesso de empatia, da minha parte, o que nem considero um defeito, como podem alguns julgar.



Não gosto de política, menos ainda a partidária, embora não consiga deixar de, vez por outra, soltar meus impropérios contra essa corja de políticos que grassa no país: uns mais calhordas, criminosos, ladrões, corruptos; outros sabendo melhor disfarçar sua falta de vergonha na cara.

Sempre tive uma simpatia por seu avô, Mário Covas, sem conhecer, de perto, seu trabalho e sua personalidade; simpatia, apenas. Tenho certeza de que foi por conta de sua participação na campanha pelas “Diretas Já!”. Simpatia por ele e por todos os que lideravam o movimento, do qual participei, intensamente, em prol da redemocratização do país.



Vim a saber da existência do BRUNO há cerca de dois anos, quero crer, e não foi por conta de sua administração à frente da maior cidade deste país, porém, por meio da mídia, em função da sua doença. Grave e cruel doença. Hoje, menos vilã que em outros tempos, mas só para uma parte dos que lhe são, infelizmente, apresentados. Não foi o caso do BRUNO. Para ele, ela foi um terrível algoz e o nocauteou, ainda que tenha levado alguns “rounds”, até a contagem final do árbitro. BRUNO lutou como um titã, mas acabou saindo perdedor.

A distância, pela telinha e pelas redes sociais, acompanhei sua batalha pela vida, sua coragem de lutar para manter viva e unida uma dupla, na qual me chamava a atenção a figura do pequeno Tomás, seu filho adolescente. Ambos tão agarrados. Eu quis dizer “AMIGOS AMADOS”.



Via-os, invariavelmente, juntos, o menino, sempre ao seu lado, dando-lhe força e levando-lhe aqueles suspiros e respiros de esperança. Não sei da vida privada do BRUNO, o que não me interessa nem um pouco; soube, por curiosidade, via pesquisa, para escrever este texto, que era separado da mãe de Tomás. Nunca vi, salvo engano, a presença de uma mulher ao seu lado, acompanhando-o nos seus compromissos de prefeito de São Paulo; mas o Tomás era “figurinha carimbada e premiada”. “Arroz de festa”. Até o último suspiro do seu "herói"; seu "super-herói".

E o BRUNO, aos 41 anos de idade, muito jovem, perdeu a luta para o câncer, e depois de ter sido contaminado, também, pelo coronavírus.



Não chorei (até a página cinco). Não havia, para mim, “motivo” para tal. Afinal de contas, parece que, infelizmente, a morte se tornou algo “normal”, “corriqueiro”, nos dias de hoje, para os brasileiros; passou a caminhar ao nosso lado, pelas calçadas da vida, estendendo-nos a mão, a julgar pelo fato de, diariamente, ao abrir minha página no “Facebook”, eu ser levado a prestar minha solidariedade a cerca de uma dezena de amigos, em média, os quais perderam alguém da família ou um amigo próximo, pela crueldade desse monstro, chamado COVID-19

Apenas lamentei, e muito, como sinto todas as mortes, principalmente de pessoas muito jovens (Ninguém deveria morrer antes de completar um centenário! Mas dançando, namorando e bebendo; não entrevado, demente e dependente de terceiros. É assim que desejo chegar lá.).



Fiquei emocionado com a notícia do falecimento, já tão esperada; triste e emocionado, apenas. Mas só até assistir, pela TV, à cena de despedida do Tomás, de 15 anos, debruçado, por um bom tempo, sobre o corpo frio, inerte e extremamente abatido, cadavérico, dentro de uma urna funerária, do seu amado pai e companheiro, aquele que, talvez, o estivesse preparando para seguir na vida pública, ser um político; para seguir a tradição da família.

Isso não tem a menor importância. O que me fez passar da “emoção” à “comoção” foi uma profunda empatia, foi o ter me projetado no jovem Tomás, que, ainda por cima, tem o mesmo nome do meu neto mais velho e, praticamente a mesma idade (O “meu” Tomás completará 15 anos daqui a cerca de dois meses.) e constatar a certeza de uma grande perda, a da referência masculina, tão importante na formação de um menino, um adolescente, um rapaz, um homem.



Chorei, copiosa e quase compulsivamente, durante uns dez ou quinze minutos. Cheguei a tremer, deitado na cama, olhos fixos na TV; e não estou exagerando. Foi uma catarse, confesso. Eu estava precisando chorar, e muito, acho, e "o Tomás do BRUNO" acionou o botão.




= /// =



Não era amigo do PAULO GUSTAVO. Muito vagamente, lembro-me de termos sido, meteoricamente, apresentados, por um amigo comum, numa festa, há uns seis ou sete anos, talvez. Fui levado a ele, ou ele trazido a mim, não me lembro bem, como “um amigo nosso, crítico de TEATRO”, ao que ele respondeu, com um sorriso comum e um breve aperto de mão: “Prazer! Paulo!”.

Senti como se ele não tivesse dado a mínima para aquele “crítico de TEATRO”, se é que devesse dar, o que, em nada, me incomodou. Passou-me a impressão, muito justa, por sinal, de que, ali, vindo de uma sessão de um de seus vitoriosos espetáculos, ele desejasse ser apenas o “Paulo”, um simples conviva, naquele “rega-bofe” (Entreguei a idade.), ainda que ninguém que fosse PAULO GUSTAVO pudesse caber num simples “Paulo”.



Não houve conversinha, bate-papo. Sem tempo nem oportunidade para nada disso. Confesso que adoraria ter dado uns dedinhos de prosa com ele e dizer-lhe o quanto eu admirava o seu trabalho, como artista.

Até a sua morte, acho que eu não tinha tomado consciência de sua importância na vida de um batalhão de pessoas, uma multidão incalculável, de sua luta, ainda que da forma mais discreta possível, por exigir respeito a todas as diversidades, e não somente à causa “gay”, condição da qual ele tinha o maior orgulho e que é motivo do total respeito de todos.



Ele, extremamente requisitado, por amigos e jornalistas, saiu a falar com todos, esbanjando alegria e simpatia. Algumas pessoas me pareciam querer abraçar e beijar o PAULO GUSTAVO e fazer a sua "selfie"; outros, talvez, só desejassem uma pequena atenção do “Paulo”.

E eu, sentado no mesmo lugar, segui-o, com o olhar, lembrando-me da primeira vez em que o vi em cena, no acanhado espaço do Teatro Candido Mendes, em Ipanema, nos idos de 2005, e, com o meu “faro”, modéstia à parte, bastante “apurado” profetizei – ou constatei: Esse cara é bom! Vai dar muito caldo! O outro também! (O “outro”, a título de curiosidade, para quem não sabe, era, simplesmente, meu amigo Fábio Porchat, em “INFRATURAS”.).





Não consegui, infelizmente, por algum motivo de que não me recordo, ter visto PAULO GUSTAVO dar o seu primeiro passo, profissionalmente, um ano antes, numa pequena participação em “SURTO”, num outro formato, diferente da hilária comédia que vi, incontáveis vezes, depois, com outro elenco.

De 2005 para cá, não deixei de assistir a um de seus trabalhos no TEATRO. Para ter certeza de tal afirmação, fiz uma pesquisa sobre sua vida profissional, desde o início e em todas as mídias. Chequei espetáculo por espetáculo e constatei que, graças a Deus, fui plateia em todos. Nunca, o crítico.



Como minha “praia” é o TEATRO, falarei bem menos – espero – de seus trabalhos nas outras duas mídias: TV e cinema.

Na televisão, confesso que não o via muito, atuando. Em primeiro lugar, porque me sobra pouco tempo para engrossar a audiência da TV, visto que vou ao TEATRO (Ia, antes da pandemia.) todos os dias, e, também, porque, respeitando todos os gostos e tendo grandes e queridos amigos, ganhando, da forma mais honrada e honesta possível, seu dinheiro nos elencos dos humorísticos em que o PAULO atuava, para mim, aquele tipo de humor tem passagem livre. Repararam como eu escrevi “o PAULO”? Outro “da família”. “Íntimo” também.




Faço questão de frisar que tenho o maior respeito por todos os grandes artistas de TEATRO, em várias funções (atores, diretores, redatores...), meus queridos amigos, muitos deles, que trabalharam, e ainda trabalham, nos muitos programas de televisão em que o nome do PAULO GUSTAVO encabeçava os elencos, mas tais programas não eram, nem são, compatíveis com o meu gosto (Respeito o de todos e sei que tais programas são líderes de audiência na grade do canal Multishow, por exemplo. Eu não sou nem quero ser parâmetro de nada, e deve haver, sim, nas grades das emissoras de TV, uma programação que agrade a todos.). Faço uma exceção a “220 VOLTS” e ao quadro “SENHORA DOS ABSURDOS”, com um humor muito inteligente e cáustico, que eu adorava.





O cinema também não me tem como frequente espectador, entretanto, contrariando a opinião de muita gente, coloco o cinema nacional como prioridade, quando penso em sair de casa para ir a um cinema, a não ser quando se trata de um filme estrangeiro daqueles ditos “imperdíveis”, os quais, muitas vezes, eu percebo que poderia ter perdido.




E não me importo com os estilos, desde que não lhes faltem qualidade e bom gosto. Adoro boas comédias. Vi, na telona, algumas delas em que PAULO GUSTAVO teve participações, maiores ou mais discretas, porém, sem sombra de dúvidas, com relação ao cinema nacional, a despeito de tantos “momentos, movimentos e tendências divisores de água” que a ele são atribuídos, desde seus primórdios, não se pode negar que uma parte da sua história, vista por que prisma for, fecha um ciclo e inicia outro com “MINHA MÃE É UMA PEÇA - O FILME”.



Embora, para os padrões brasileiros, outros grandes filmes nacionais tenham arrastado multidões de cinéfilos às salas de exibição, sobrepondo-se recordes sobre recordes, em termos de arrecadação, foi com aquele filme que houve a grande primeira explosão de bilheteria do cinema brasileiro, salvo engano, o que levou à filmagem das versões 23.




E foi uma grande pena que a precoce partida de PAULO GUSTAVO tenha motivado a "morte", também, pelo menos nas películas, daquela que era a grande responsável por um público de até mais de doze milhões de pagantes, por um único filme: DONA HERMÍNIA, uma espécie de seu “alter ego”, encarnando sua verdadeira mãe.  



PAULO GUSTAVO, vivo, significaria que DONA HERMÍNIA, a fabulosa e hilária personagem, com a qual ele homenageava, e sacaneava também, com muito respeito e carinho, Dona Déa Lúcia, sua adorada mãe, continuaria a fazer das suas por aí, até quando só Deus soubesse, com suas extravagâncias e irreverência, doce e ácida, ao mesmo tempo. E superlotando os cinemas do Basil inteiro. Por merecimento; puro merecimento.




Não sei dizer, de coração, qual dos três filmes, da “série”, me agrada mais, porém afirmo que, antes mesmo de PAULO GUSTAVO ter sido mais uma das vítimas desse maldito vírus, do qual poderia, como milhares de outras pessoas, anônimas ou famosas, ter-se livrado, não fosse o descaso, a ignorância, o negacionismo e o ideal de genocídio de um (des)governo federal, vi, no cinema, os três, e revi todos, pela TV, duas ou três vezes. Ou mais. E não me canso de ver e rir das mesmas cenas, das mesmas piadas. E, repito, vamos deixar bem claro: isso antes de ele ter deixado de existir, fisicamente.





E reverei sempre. Sempre que a saudade bater e eu me lembrar de que houve, nesta Terra, REDONDA, neste país, que é, no triste momento atual, um barco desgovernado, à deriva, batendo nas rochas e nos ameaçando, a todos, de um tenebroso naufrágio, um GRANDE ATOR CÔMICO, que nasceu para provocar o riso, veio ao mundo para fazer as pessoas felizes, que, assim como já aconteceu comigo, tirou muita gente da “fossa”, levantou o nosso astral, com um humor gostoso, irreverente e subversivo (E não teria a menor graça, se não o fosse.).




Lembro-me de que, numa noite bem fria, do, nem tão severo, inverno carioca, o qual, porém, naquele ano, naquele dia do início de julho de 2013, exatamente, resolveu que atingiria a sua temperatura mínima, havia muito tempo não registrada por estas bandas, eu, morador do Recreio dos Bandeirantes, próximo ao mar, estava em casa, "torto de frio" – eu que não sou friorento - muito mal da cabeça, cheio de problemas interiores para resolver, quase batendo um desespero, quando pensei em pegar o carro, depois de me agasalhar, mais ainda, e sair, para dar uma volta, sem rumo, para aliviar o peito e a mente.





Eram quase dez horas da noite e eu me lembrei de que, em algum lugar, vira que, num dos cinemas do Shopping Recreio, estava sendo exibido “MINHA MÃE É UMA PEÇA - O FILME” e resolvi que seria o meu programa solitário, na última sessão, a das 22h, a qual, por sinal, já estava com a lotação quase completa. E acabou lotando; lotação esgotada.

Foi a sessão de terapia mais barata pela qual já paguei em toda a minha vida. Parafraseando o bardo, gargalhei, gargalhei, até ficar com dó de mim; pelas dores, nas bochechas e nos maxilares.




O filme acabou em torno de meia-noite e eu queria beber. Para comemorar; não sei o quê. Talvez um "renascimento". Mas eu queria beber um pouco, porque estava feliz. E eu só fazia rir muito, mesmo depois do término do filme, esperando subir o derradeiro crédito e sendo o último a deixar a sala de exibição, quase “expulso” pela equipe de limpeza. E não parava de gargalhar, sozinho, pelos desertos corredores do “shopping”, até o seu, também, ermo estacionamento. Ria sozinho, e muito; gargalhava, como um louco, ao me lembrar das cenas; de algumas, em particular.



E fui assim, dirigindo, até chegar à minha casa, a uns três quilômetros de lá, sem encontrar, no caminho, num dia de semana, vazio, todos fechando suas portas, um bar que me servisse alguma coisa. E o jeito foi abrir uma garrafa de vinho, na varanda, enrolado num cobertor, e tomá-la quase inteira, sem me lembrar mais dos problemas nem de quem eu gostaria de que estivesse esvaziando aquela garrafa comigo, debaixo daquele cobertor.


Isso eu devo a ele: a PAULO GUSTAVO.




Houve uma época em que – talvez, agora, eu seja mal interpretado por alguns – cheguei a “me aborrecer” com ele, como se ele soubesse da minha existência, pelo fato de “só fazer personagens femininas”. Mas durou pouco tempo a minha “bronca”, a minha “birra”. Qual era o problema? Que mal havia naquilo? Nenhum, respondendo, eu mesmo, às duas perguntas!

Ele fazia outros personagens, masculinos, também, mas era naquelas “personas” femininas que ele se encontrava melhor, como intérprete; era com elas que ele se identificava mais e dava o seu melhor, em termos de composição de um tipo, de uma personagem. E fazia isso da maneira mais estupenda possível, a começar pela escrachada DONA HERMÍNIA, circulando por outras, até as exuberanes mulheres de alguns de seus mais icônicos “shows”, pelos palcos do Brasil afora. E viva as “beyoncés” da vida!!!



PAULO GUSTAVO era conhecido, aplaudido, querido, amado e admirado, um incomensurável sucesso, em qualquer minúsculo rincão deste país. E tanto era um grande artista para plateias pequenas, no início da carreira, como para gigantescos estádios lotados.

Não vou fazer nenhuma análise técnico-crítica de seu trabalho de ator, porque julgo uma perda de tempo, algo completamente desnecessário, uma repetição de tudo o que já foi dito sobre seu incomensurável talento, todavia sempre é oportuno lembrar que todo ator cômico pode vir a se tornar bom num papel dramático, entretanto o contrário é quase, praticamente, impossível.



Para ser um bom ator cômico, é necessário que o candidato seja dono de uma inteligência acima do normal; tenha um raciocínio rápido, safo, para o improviso; seja, naturalmente, engraçado; e que domine o “timing” da comédia, sem o que estará fadado ao fracasso. E esse quadripé, que sustenta o trabalho de um bom ator de comédia e lhe garante um espaço em qualquer calçada da fama, e em qualquer parte do mundo, PAULO GUSTAVO dominava como ninguém. Essa era a razão de seu enorme sucesso. Era por isso que ele foi, é e sempre será o PAULO GUSTAVO.




Quando foi confirmada a sua morte, já aguardada para qualquer momento, apesar de, por diversas vezes, eu ter achado que ele venceria o vírus, para mim, foi como se ele fosse um “irmão do BRUNO”, também, que partia; “da família”, repetindo. E tem sido assim até hoje.



Chorei muito, pela morte de um ser humano, muito digno, que estava vivendo o mais lindo e feliz momento de sua vida, no auge do sucesso profissional, ao lado de um grande amor, que ele bem merecia, e de dois filhos, amados e tão desejados, uma conquista indescritível, incomensurável, servindo de inspiração e coragem para muita gente e dando uma bela bofetada, com luvas de pelica, nas caras do(a)s hipócritas e do(a)s mal-amado(a)s de plantão. HOMOFOBIA NUNCA MAIS!!!




Antes de dormir, todas as noites - vem sendo assim há algumas - procuro, no YOUTUBE, pela TV, alguma coisa sobre ele: trechos de programas ou entrevistas (E há material “às toneladas”.), aciono o “timer”, para o aparelho ser desligado depois de eu ter adormecido, e, assim, meu sono, que vinha muito agitado, ultimamente, está ficando mais leve, mais sereno, mais reparador...




Nasce um PAULO GUSTAVO de tempos em tempos, no Brasil. É coisa fina; produto raro no mercado. De exportação.




= /// =



VIVINHA!!!



Esteve, ainda está e, para sempre, estará VIVINHA, entre nós.



O terceiro adeus vai para DONA EVA WILMA. O “DONA” é como trato todas as grandes divas do TEATRO BRASILEIRO, quando atingem uma idade mais avançada e “muitos anos de janela”, independentemente de nossa relação pessoal, de amizade.



DONA EVA era, carinhosamente, chamada pelos seus amigos, de VIVINHA, mas “reza uma lenda”, a ser conferida, dita, recentemente, pelo querido amigo Ivan Cabral (Também já ouvi de outras fontes.), que só teria direito a tratá-la pelo carinhoso apelido os que lhe eram mais íntimos. E a condição para isso, a concretização dessa “intimidade”, se daria se o candidato a “amigo íntimo” tivesse tomado chá com ela, algumas vezes. Não bastava uma. Ou duas.



Infelizmente, nem lhe servir um chá a mim coube, entretanto assisti à maior parte de seus trabalhos nos palcos. Poderia, por isso, eu ser considerado um "quase íntimo"? E mais não vi por um problema geográfico: quatrocentos e alguns quilômetros nos separavam: ela em São Paulo e eu no Rio de Janeiro.



Em Sampa, assisti a umas três ou quatro peças dela, uma ou outra que não veio para o Rio. Aqui, fui plateia em quase todas, desde quando a idade me permitiu frequentar o TEATRO para adultos. Sim, os espetáculos eram “permitidos” para determinadas faixas etárias, antigamente, de acordo com os "humores" das "otoridades". E, aqui, confesso que já falsifiquei a carteirinha estudantil, “por uma boa causa”; não para pagar meia entrada, mas para poder ter acesso aos espetáculos que eu queria ver e "não tinha idade para tal".



Gostaria muito de ter sido amigo íntimo de DONA EVA WILMA, conhecer as suas histórias, saídas de sua própria boca, porém o máximo que consegui foi, a convite da produção de “Möeller & Botelho”, ter ido a São Paulo, para conferir a montagem da dupla, no aprazível Teatro Porto Seguro, da peça “O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE?”, até porque não se tinha a certeza de que a montagem viria para o Rio, e, ao final do espetáculo, que contava com um excelente elenco, em que ela dividia o protagonismo com outra queridíssima diva, também recém-falecida, DONA Nicette Bruno, a produção da peça e os queridos administradores do “Porto” me levaram ao camarim, ou melhor, à confortabilíssima sala de imprensa, para uma conversinha rápida com o elenco, no qual havia outros amigos.



Apresentado aos poucos que eu não conhecia ainda, foram todos, um a um, tomando seus rumos, após uma meia dúzia de palavras minhas com cada um, mas as duas divas fizeram questão de que nos sentássemos e conversássemos um pouco sobre o trabalho e a função de um crítico de TEATRO. E queriam saber a minha opinião sobre a peça. Disse-lhes o óbvio, o mínimo que lhes poderia ter dito: que havia amado o espetáculo, sem ter usado apenas essas palavras.



Eu não esperava por aquela. Quando vi os funcionários do “Porto”, os quais são de uma gentileza inquestionável, demonstrando que estavam cansados e doidos para voltarem às suas casas, o que era muito justo, foi que me dei conta de que já “papeávamos” havia cerca de meia hora. Nós três. Eu e as duas divas. Acrescente-se o detalhe de que ela, DONA EVA, não estava muito bem de saúde, meio indisposta, naquele dia. Imaginem se não estivesse...


(Fotos feitas pelo querido amigo Leo Ladeira, no Teatro Porto Seguro, São Paulo.)


Quando a peça veio para o Rio, no ano seguinte, tive a oportunidade de assistir ao excelente texto de Henry Farrel, com tradução de Cláudia Costa Chaves e Claudio Botelho, dirigido pela dupla Möeller & Botelho, duas vezes, no Theatro NET Rio, hoje “Claro” (Mas, sem a intenção de fazer trocadilho, é claro que, para mim, será sempre NET!): no dia da sessão para convidados, que eu me recuso a chamar de “sessão VIP”, porque “VIPs” somos todos nós, e num outro dia, meio de supetão.

Adorável peça! Aqui, no Rio, o papel de Blanche Hudson, que era interpretado por DONA Nicette foi vivido por outra diva dos palcos: nada menos que DONA Nathalia Thimberg.


(Foto feita pelo querido amigo Leo Ladeira, no Teatro CLARO/NET  Rio, Rio de Janeiro.) 

(Nós e nossas taças, para um brinde.)


Mas, neste momento, o foco vai para DONA EVA WILMA, que aprendi a admirar, desde pré-adolescente, na TV, ao lado de seu primeiro marido, naquilo que, naquela época, dos anos 60, já poderia, creio, ser chamado de um “sitcom”, “ALÔ, DOÇURA!”. Programa leve, divertido, para toda a família.


(TELEVISÃO: "ALÔ, DOÇURA".)


Embora já tenha dito que não me sobra, em tempos sem pandemia, muito disponibilidade para a TV, não posso negar que já fui um grande amante das nossas telenovelas – as mais antigas, principalmente – e sempre ficava feliz, quando o nome EVA WILMA era anunciado no elenco da próxima produção, nas chamadas que antecediam as estreias.


(TELEVISÃO: "A VIAGEM")


(TELEVISÃO: "VERDADES SECRETAS")


Embora, em poucas vezes, eu tenha tido a oportunidade de tê-la visto como protagonista, menos do que ela merecia, suas personagens eram marcantes e, sem desmerecer qualquer ator/atriz que com ela contracenava, se DONA EVA estava na cena, roubava todas. Tanto em papeis dramáticos como nas personagens que puxavam para o humor. Ela jogava tão bem na defesa quanto no ataque.


(TELEVISÃO: "PLUMAS E PAETÊS")


(TELEVISÃO: "MULHERES DE AREIA")


Poderia ter dedicado um bom tempo de pesquisa, para me deter na sua carreira televisiva, principalmente nos folhetins, mas não julgo necessário, uma vez que todo mundo sempre haverá de se lembrar de algumas de suas personagens marcantes na telinha; todas icônicas.


(TELEVISÃO: "RODA DE FOGO")


Não é meu propósito escrever a minha versão “wikipédia” centrada em tão importante nome das artes cênicas brasileiras, mas, apenas escrever algo que deixe bem clara toda a minha admiração por essa artista “formidável”, como diriam Nelson Rodrigues e DONA Fernanda Montenegro.


(TELEVISÃO: "SASSARICANDO")



(TELEVISÃO: "A INDOMADA")


Tendo sido, também, bailarina, iniciou sua carreia de atriz em 1952, fazendo uma participação, como figurante, no filme "UMA PULGA NA BALANÇA". No cinema, participou de três dezenas de filmes, dos quais me lembro bem de “SÃO PAULO,  SOCIEDADE ANÔNIMA”, “A ARTE DE AMAR BEM”, “ASA BRANCA – UM SONHO BRASILEIRO” e “FELIZ ANO VELHO”. Já disse que não sou muito de cinema.


(TELEVISÃO: "COMEÇAR DE NOVO")


(TELEVISÃO: "O TEMPO NÃO PARA")


 Como atriz de TV, iniciou-se na extinta TV Tupi de São Paulo, tendo, também, atuado nas, igualmente, extintas TV Record e TV Excelsior, ambas paulistas; cerca de vinte anos, nas três emissoras.

Com a força da TV Globo, no Rio de Janeiro, ingressou na emissora, em 1980, onde atuou em dezenas de novelas, especiais e seriados, tendo ficada marcada, na minha mente, a perversa personagem Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque, na novela "A INDOMADA"; a nordestina, “metida a falar ingrês”, a vilã, que, como Odorico Paraguaçu, nos fazia dar boas gargalhadas.


(TEATRO: "BOING-BOING")


(TEATRO: "BOING-BOING")


(TEATRO: "BOING-BOING")


(TEATRO: "PATO COM LARANJA")


Foi apresentada às tábuas em 1953, pelo diretor José Renato, e nunca mais parou. A primeira vez em que a vi, num palco, foi de forma clandestina, dentro da cabina de som do, infelizmente, extinto Teatro Copacabana, onde trabalhava um amigo do meu pai, na comédia “BOING-BOING”. Imaginem o que representou, para um garoto de 14 anos, já apaixonado por TEATRO, ver reunidos, num só elenco, gente do nível de Ilka Soares (Belíssima, deixou o adolescente “perturbado”.), John Herbert, Adolfo Celi, Jardel Filho, Francisco Cuoco e Berta Loran, dentre outros, além de DONA EVA WILMA, evidentemente!


(TEATRO: "UM BONDE CHAMADO DESEJO")


(TEATRO: "ESPERANDO GODOT")


(TEATRO: "O PREÇO")


(TEATRO: "BLACK-OUT")


(TEATRO: "A MEGERA DOMADA")


(TEATRO: "QUERIDA MAMÃE")



(TEATRO: "AZUL RESPLENDOR")


(TEATRO: "AZUL RESPLENDOR")


(TEATRO: "QUARTA-FEIRA, LÁ EM CASA, SEM FALTA")


Devo ao TEATRO as melhores recordações dela e de seu trabalho. Foram incontáveis montagens, entretanto lembro-me bem de algumas, como “BOING-BOING”“A MEGERA DOMADA”, “OH! QUE DELÍCIA DE GUERRA!”, “BLACK-OUT” (Essa me impressionou muito.), “INFIDELIDADES”, “UM BONDE CHAMADO DESEJO” (Montagem impecável!), “DOIS MIL ANOS DE TEATRO”, “O LEOPARDO”, “PATO COM LARANJA” (Que elenco!), “DESENCONTROS CLANDESTINOS”, “VIAGEM SEM VOLTA”, “QUANDO O CORAÇÃO FLORESCE”, “O PREÇO”, “QUERIDA MAMÃE” (Emocionante demais.), “MADAME”, “O MANIFESTO”, “AZUL RESPLENDOR” (Espetáculo belíssimo e inesquecível!) e “O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE” (Dispensa maiores comentários.). Lamento, profundamente, não ter podido assistir a “QUARTA-FEIRA, SEM FALTA, LÁ EM CASA”, seu último trabalho no TEATRO, salvo engano, em 2018.


(CINEMA: "SÃO PAULO, SOCIEDADE ANÔNIMA")


Creio que DONA EVA WILMA tenha sido uma das mais premiadas atrizes do TEATRO BRASILEIRO, sem falar nas inúmeras premiações relacionadas ao cinema e à televisão. Uma vez indicada (E foram tantas as indicações...), raramente, perdia o prêmio. Também foi merecedora de muitas homenagens, que lhe foram prestadas, no Brasil e no exterior.


(Aqui, em janeiro de 2020, homenageada pelo professor Carlos Alberto Serpa, 

no "Prêmio CESGRANRIO de Teatro"


Sem ter sido panfletária, no sentido mais amplo da palavra, sempre foi uma atriz/cidadã, representando, com muita garra e dignidade, seus pares, em reivindicações profissionais ou por um Estado Democrático de Direito.



Tornou-se célebre uma foto em que aparece, em fevereiro de 1968, à frente de uma passeata, de tantos manifestos dos quais participou, que foi a culminância de uma manifestação, na Cinelândia, a qual ficou conhecida como “A Cultura Contra a Censura”, ao lado de algumas colegas de trabalho e de luta, como Tônia Carrero, Odete Lara, Norma Bengell, Eva Todor, Leila Diniz e Cacilda Beckeralém de outras. Essa foto, tirada por Evandro Teixeira, fotojornalista do "Jornal do Brasil", à época, é “vendida”, erroneamente, pela mídia, em geral, como tendo sido tirada durante a icônica “Passeata dos Cem Mil”, ocorrida em 26 de junho daquele mesmo ano, 1968.




FOTOS DA PEÇA "O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE?", FEITAS POR DARYAN DORNELLES, MARCOS MESQUITA E DE DIVULGAÇÃO, A MIM, GENTILMENTE, CEDIDAS PELO QUERIDO AMIGO LEO LADEIRA.















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O BRUNO COVAS, o político, não existe mais, no entanto a saudade que o BRUNO deixa é para seus familiares e amigos; para seus correligionários e eleitores também, menos. Já o PAULO GUSTAVO e DONA EVA WILMA mexeram muito com os corações de milhões de brasileiros, que, durante muito tempo, abriram as portas de suas casas para os dois ou foram ao seu encontro, nos cinemas e nos Teatros.

O BRUNO político deixou de existir com a morte do BRUNO cidadão, porém Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros e Eva Wilma Riefle Buckup Zarattini, dois nomes, dois CPFs, foram cancelados, pela morte, mas ficarão, eternamente, na saudade de seus familiares e amigos, mas, também na nossa, de seus fãs e admiradores, de uma forma mais simples e bastante afetiva, traduzida apenas em dois nomes de dois magníficoas e inesquecíveis artistas: PAULO GUSTAVO e EVA WILMA.

            Esse “apenas” ganha muita robustez, aqui...

Aos três – no meu caso, especificamente, aos dois últimos – os nossos agradecimentos por terem feito nossas vidas mais felizes e por tantos ensinamentos que nos legaram!

Descansem em paz!


Observação: À exceção das fotos referentes à peça "O QUE TERÁ ACONTECIUDO A BABY JANE?", todas as demais foram recolhidas na imprensa, de uma forma geral, sendo difícil, ou impossível, atribuir os créditos a seus autores, aos quais, de antemão, fico muito agradecido.

 

 


E VAMOS AO TEATRO, 

TÃO LOGO SEJA POSSÍVEL!!!

 

DIVULGUEMOS TUDO O QUE,

EMBORA NÃO SEJA TEATRO,

VEM SENDO FEITO, 

COM MUITA GARRA,

DURANTE A PANDEMIA, 

VIA “ON-LINE”!

 

A ARTE SALVA!

 

“RIR É UM ATO DE 

RESISTÊNCIA”.

(PAULO GUSTAVO)











14 comentários:

  1. Maravilhosa e comovente homenagem a três ícones que partiram juntos na plataforma eterna.
    Gil você descreve nossos sentimentos . Parabéns pelo brilhante texto .

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  2. O texto é longo, mas nem um pouco cansativo. Gostava do Bruno Covas. Sempre me recusei à discutir com alguém, sobre o Bruno, político. Fiz isso, porque era apaixonante e incrível a força como ele se levantava, quando outros talvez permanecessem caídos, na primeira prova. Acho que o amor pelo seu filho o fortalecia e ele voktava de sorriso aberto, como se nada estivesse axontecendo, embora o seu físico mostrasse o contrário. Não combinava essa terrível doença com as suas falas, disposição e sorrisos. Acredito que ele devia ter muita fé e isso o ajudava a viver o hoje, com muita força, embora fraco por dentro.
    Demorei pra ir assistir às peças do Paulo Gustavo. Não, porque não gostasse, mas sempre que me programava, não conseguia ir. Um dia, eu o vi anunciando que iria apresentar as duas,em um só dia, na Barra. Eu nem pisquei, comprei os ingressos pela internet e foi só alegria. No discurso da Dona Déa, lá no Cristo, houve um momento em que olhei pra ela e vi o Paulo caracterizado. Isso foi emocionante pra mim, porque sempre achei muito parecido, mas naquela hora, parecia que eu estava vendo os dois rostos em um. Incrível.
    Eva Vilma era rainha, no teatro, na TV,Eu fico imaginando o quão perfeita ela foi como bailarina.
    Gosto muito da Nathalia Timberg,mas queria ter assistido à " O que terá acontecido a Baby Jane,com a Eva e não com ela.
    Um trio que foi embora quase ao mesmo tempo,fato que me causou muita tristeza. Obrigada, Gilberto, por eternizar em seu blog, toda essa preciosidade. Parabéns!!!

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    1. Obrigado, Esatela. Você sempre tão querida!

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    2. Por nada. Eu me identifiquei muito com o texto. Gosto muito da maneira como vc expressa os seus sentimentos.
      Felicidades e sucesso sempre!!!!

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  3. Muito intenso o texto!
    Parabéns 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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  4. parabéns pelo texto querido Gilberto. Tudo Perfeito apesar de que o Bruno Covas era uma ovelha em pele de lobo. Parabéns pelo texto

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  5. Salve, Bartholo!
    O seu texto nos presenteia com informação e emoção. Creio até que sejamos mais disponíveis à emoção no que se refere à Dona Eva (como você a trata) e ao Paulo, já que ambos se fizeram íntimos a todos nós brasileiros - porém foi surpreendentemente bacana no caso do B. Covas, ao se deixar tocar pelo fato, sem se importar com o julgamento do sujeito (eu também não tenho referências quanto ao seu caráter político ou social, e igualmente me emocionei)
    Obrigado!

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  6. Mil vezes parabéns! Seus textos são sempre viscerais. Tocam um lugar muito especial em que está lendo, concorde com ele ou não. Aplausos 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾

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  7. Gilberto, visceral e empático. Você traduziu com perfeição o sentimento de uma nação ou maioria dela, que inclusive atravessa um dos piores momentos de sua história. Parabéns por sua devoção aos seus sentimentos, esses sendo evidenciados através de suas palavras escritas, palavras que ratificam a sua nobreza como ser humano.

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