“O CÉU DE
BIBI FERREIRA”
ou
(A BELEZA DA
SIMPLICIDADE)
ou
(A SIMPLICIDADE
DO BELO)
Nada
como começar o ano teatral de 2026 assistindo a um esplêndido
espetáculo musical, como “O CÉU DE BIBI FERREIRA”, em cartaz no recém-reinaugurado
Teatro SESC Ginástico, no Rio de Janeiro, após
alguns anos em reforma.
SINOPSE:
O musical é um tributo que atravessa o tempo, honrando o
passado de Bibi Ferreira, transformando-o em presente, através da
performance de atrizes que já a interpretaram em outras ocasiões (sic).
A proposta não é uma biografia linear, mas uma homenagem que destaca
a versatilidade da artista, seu impacto na dramaturgia brasileira e
mundial e a herança artística que ela deixou para as novas gerações.
A peça explora o fato de como Bibi Ferreira ensinou
gerações a respeitar o ofício e a se arriscar no desconhecido.
Em cena, quatro diferentes atrizes interpretam “várias Bibis”,
simbolizando a continuidade de sua arte e a forma como sua história e
versatilidade se imortalizam através do tempo e de quem dá prosseguimento ao
seu trabalho.
O espetáculo busca mostrar a importância de conhecer a própria história cultural do Brasil, através da vida e obra de uma das grandes damas do TEATRO brasileiro: Dona Bibi Ferreira.
Ainda que o “release” que
recebi diga que as quatro atrizes que atuam neste inesquecível espetáculo já
tenham representado a homenageada, só tenho lembrança de ter assistido à
atuação de uma, LUÍSA VIANNA, na pele de Bibi Ferreira,
como alternante da protagonista, no musical “Bibi, Uma Vida em Musical”,
com direção de Tadeu Aguiar, sem dúvida, um dos melhores
espetáculos musicais autorais a que já assisti em toda a minha vida.
Embora seja vendido como um “musical”,
o diretor de “O CÉU DE BIBI FERREEIRA”, o premiadíssimo GUSTAVO
BARCHILON, que, mais uma vez, deixa a sua digital de grande diretor nesse
gênero, rotula-o como um “show cênico”, e eu me arrisco e me
atrevo a classificá-lo como um exuberante e magnífico “show musical”,
costurado com um poético texto, criado, com maestria, por GABRIEL
CHALITA.
“O
CÉU DE BIBI FERREIRA” integra
a programação da recente reabertura do Teatro SESC Ginástico, na
forma de uma inesquecível montagem inédita, que celebra a vida e a obra de uma
das maiores artistas do país e marca a chegada de um novo título à agenda do Teatro
SESC Ginástico, em sua fase renovada.
O
espetáculo não está sendo apresentado naquele espaço por acaso, visto que, em 1983, quando ainda
se chamava apenas Teatro Ginástico, nele, Bibi Ferreira
produziu e protagonizou a superprodução “Piaf”, um dos seus
mais emblemáticos espetáculos, tendo permanecido, bem diferente dos dias de
hoje, um ano em cartaz, marcando, de forma indelével, a sua
trajetória artística. Quatro décadas se passaram e ninguém melhor do que Bibi,
uma das maiores damas do nosso Teatro, para ser cultuada na
inauguração daquele palco modernizado, recebendo uma homenagem como bem a
merece uma das grandes damas do TEATRO brasileiro, ampliando o
simbolismo dessa retomada.
Artistas
há que brilham durante um tempo, até bastante, merecidamente, e, infelizmente,
acabam caindo no ostracismo, mormente após a sua morte. Há outros, porém, que
se perpetuam no imaginário popular; são os que sempre serão lembrados e incensados
por todo o legado que deixaram, por meio de sua magistral obra, muito embora o Brasil,
de ordinário, seja um país de “memória curta”. Bibi
Ferreira é um desses nomes, reconhecida e aplaudida por gente de muitas
gerações, por seu incomensurável talento, quer como atriz ou diretora, quer
como produtora ou cantora.
Não
vou entrar em detalhes sobre seus notáveis trabalhos no TEATRO,
no cinema e na TV, seu currículo, ao longo de décadas, de uma vida, contudo,
principalmente para as gerações mais novas, indico uma boa pesquisa sobre sua
carreira artística. Não sei se, no Brasil, existiu, ou ainda existe,
quem a suplante em trabalhos, tanto em números quanto em qualidade.
O
espetáculo é de uma beleza superlativa e profundamente comovente. Todo um
coletivo de artistas de criação se juntou para criar uma obra que há de ficar
marcada na memória e no coração de todos os amantes da arte, com destaque para
o TEATRO e a música. Uma artista tão intensa, tão
máxima, tão plena de talento e sensibilidade não poderia ser representada por
uma só atriz, além do que Bibi pode ser “decomposta”
em muitas, cada uma delas com uma carga de verdade maior que a outra. Assim, foram
escaladas quatro de nossas mais representativas “cantrizes” para
dividir, entre si, a gigantesca responsabilidade de ser uma Bibi,
por algum tempo. E as quatro (pela ordem alfabética), BÁRBARA
SUT, FERNANDA BIANCAMANO, GIULIA NADRUZ e LUÍSA VIANNA,
não economizaram talento, empenho e trabalho, para nos fazer chegar à Bibi
Piaf, à Bibi Amália Rodrigues, à Bibi Aldonza
(de “O Homem de La Mancha”) à Bibi Joana (de “Gota D’Água”)
e mais outras. BÁRBARA, FERNANDA, GIULIA e LUÍSA
merecem todos os aplausos que lhes são dirigidos, inclusive em cena aberta. E
não fazem sucesso apenas em seus solos; coletivamente, também agradam uma
enormidade. Que felicíssima escolha de elenco!
Não se trata de um espetáculo
sofisticado, todavia não faltam marcas de requinte, na cenografia,
de NATÁLIA LANA; nos figurinos, de KAREN BRUSTTOLIN;
e no desenho de luz, assinado por ANA LUZIA DE SIMONI. O
trabalho de ROBERTA SERRADO, na direção de movimento e nas
coreografias acrescenta valor à montagem, da mesma forma como destaco
o precioso dedo de CARLOS BAUZYS, na direção musical. Por (mais
que) oportuno, ponho em evidência o texto, de GABRIEL
CHALITTA, tão lindo e cheio de poesia, e a comedida e correta direção
artística de GUSTAVO BARCHILON, mais uma marcante em sua
carreira. “A dramaturgia costura canções em diversos idiomas, trechos de
peças, relatos íntimos e reflexões sobre o amor, a arte e o feminino — um
espetáculo que transita entre o real e o simbólico, entre o aplauso e o
silêncio, entre o Brasil e o mundo.”
“Last,
but not least”, não posso deixar de lembrar o
nome de GUILHERME LOGULLO, à frente da “Luar de Abril Produções Ltda.”,
como diretor de produção deste imenso e importantíssimo projeto.
FICHA
TÉCNICA:
Texto: Gabriel
Chalita
Direção: Gustavo Barchilon
Direção Musical: Carlos Bauzys
Elenco
(por ordem alfabética): Bárbara Sut, Fernanda Biancamano, Giulia Nadruz e Luísa
Vianna
Cenografia: Natália Lana
Figurino: Karen Brusttolin
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Direção de Movimento: Roberta Serrado
Coreografia:
Roberta Serrado
Desenho
de Som: Gabriel D’Angelo
Fotos: Erbs Jr. e Guilherme Logullo
Direção de Produção: Guilherme Logullo
Realização: Luar de Abril Produções Ltda.
SERVIÇO:
Temporada:
De 08 de janeiro a 08 de fevereiro.
Local:
Teatro Sesc Ginástico.
Endereço:
Avenida Graça Aranha, nº 187 – Centro - Rio de Janeiro - RJ.
Dias
e Horários: 5ªs e 6ªs feiras, às 19h; sábados e domingos às 17h.
Venda
“online”: Plataforma Ingresso.com (com taxa de serviço).
Venda
presencial: Bilheteria do Teatro Sesc Ginástico (de 3ª a 6ª feira, das 11h
às 20h; sábado e domingo, das 10h às 18h) (sem taxa de serviço)
Valor
dos Ingressos: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia-entrada) | R$ 15 (credencial
plena Sesc e conveniados) | Gratuito (público cadastrado no PCG).
Classificação
Etária: Livre.
Duração: 70
min.
Gênero:
Musical.
E por
que o meu leitor precisa – tem que – assistir a este espetáculo?
Porque vai se emocionar, da primeira à última cena, e se deliciar com quatro
belíssimas vozes, além de conhecer muito sobre uma multiartista e uma mulher à
frente de seu tempo, que transformou a arte em ofício sagrado e a vida em
espetáculo. A peça é uma verdadeira celebração dessa mulher, que, embora de
pequena estatura, foi muitas em uma só. RECOMENDO O ESPETÁCULO E ESPERO PODER REVÊ-LO.
FOTOS: ERBS JR.
e
GUILHERME LOGULLO.
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto
que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre
mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que
há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!
