“ROCKY –
O MUSICAL”
ou
(DO MEIO MORNO
À FERVURA TOTAL.)
Recentemente, fiz uma maratona teatral, a primeira de
algumas que virão no decorrer deste ano, em São Paulo, assistindo
a 8 espetáculos em 5 dias, e, para a minha alegria, todas são excelentes
montagens, sendo, portanto, merecedoras da minha atenção, em forma de críticas,
as quais serão escritas e publicadas aos poucos, em virtude do volume de trabalho
e de pouco tempo disponível, de minha parte. Obedecerei à ordem em que as
temporadas vão terminando. Dessa forma, inicio meu trabalho, comentando o
espetáculo “ROCKY – O MUSICAL”, a última
a que assisti, em cartaz no “033Rooftop”, em curta temporada, para
uma montagem de seu porte.
SINOPSE
Apaixonado por Adrian (LOLA FANUCCHI), funcionária de um “pet shop”, Rocky
Balboa (DANIEL HAIDAR) é um
boxeador talentoso, mas com resultados irregulares, que ganha a vida cobrando
dívidas para um agiota.
Por conta de um golpe de sorte (e “marketing”), ele é desafiado pelo campeão dos pesos-pesados, Apollo Creed (HECTOR MARKS), para uma chance de ouro, única na vida.
O azarão treina, corre pelas ruas da Filadélfia e vira um “popstar” da noite para o dia.
O
musical é inspirado no sucesso de 2012, da Broadway, cuja adaptação
da tela para o palco é assinada por THOMAS MEEHAN e SYLVESTER
STALLONE, com música de STEPHEN
FLAHERTY e letras de LYNN AHRENS.
Assim como na tela, o “033Rooftop”, um agradável “prolongamento”
do “Teatro
Santander”, virou palco para um centro de treinamento de boxe, onde
ocorrem as competições de um dos lutadores mais conhecidos e referenciados da cultura
pop no mundo: Rocky Balboa. A trama mostra uma história
de superação, resiliência, disciplina e paixão de Rocky, mostrada no cinema
em uma vitoriosa produção de 1976, encabeçada por Sylvester
Stallone, que escreveu e protagonizou o longa, ganhador de três “Oscars”
nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor
Edição, além de ter concorrido em outras sete, incluindo Melhor
Ator e Melhor Roteiro Original, ambos para Stallone.
Não sei como foi encenado na Broadway
–
imagino que num palco italiano; não sei -, mas trata-se de um musical
imersivo muito interessante, que eu considero um grande desafio para qualquer
diretor, tarefa da qual ZÉ HENRIQUE DE
PAULA deu conta, com seu enorme talento, optando por utilizar uma arena. O
primeiro ato, para mim, pelo menos, não chegou a empolgar. Percebi que era um
bom trabalho e que poderia, no total, me agradar, porém, ainda, sem aquele “plus”
que, já no início, começa a prender a nossa atenção, até nos arrebatar. Ocorre
que aquilo que senti meio “morno”, durante a primeira metade, “pega
fogo e ferve”, na segunda. Que segundo ato vibrante, intenso, que
já começa no alto – para mim, o ápice da encenação-, com ALINE CUNHA (Glória) soltando
sua poderosa voz, interpretando o “hit” “Eye of the Tiger”, que leva
a plateia ao delírio! E não poderia ser de outra forma.
Durante 120 minutos, com um intervalo
de 15, o público toma conhecimento de momentos “icônicos e nostálgicos”
da vida do lutador, com destaque para o seu combate contra Apollo Creed (HECTOR MARKS), além de cenas com
músicas marcantes, como “Gonna Fly Now”, faixa-tema do
filme, e a já citada “Eye of the Tiger”, canção que se
tornou um hino de superação, atravessando gerações.
Gostei demais da bela direção
de ZÉ HENRIQUE DE PAULA, muito
econômica, na mesma proporção que extremamente criativa, abrindo mão da cenografia
–
apenas um ou outro móvel (cadeira)-, que tem um fantástico
aproveitamento em cada cena. A “carência” de cenário leva o público
a imaginar cada ambiente – identifiquei todos-, com o auxílio
de algumas ótimas projeções em telas de “led”.
Todas as canções são apresentadas ao vivo,
os atores acompanhados por uma excelente banda, de 12 músicos, sob o comando
de FERNANDA MAIA. Merecem ainda
destaque os figurinos (ÙGA AGÚ)
e a iluminação
(FRAN BARROS).
Quanto ao elenco, só me resta dizer
que cada um, dos 15 atores e atrizes, que pisa naquela arena o faz com muita determinação,
empenho e talento, com os merecidos focos mais expressivos voltados para o
protagonista, DANIEL HAIDAR; a já
citada ALINE CUNHA; bem como HECTOR MARKS, LOLA FANUCCHI e CLEOMÁCIO
INÁCIO.
FICHA TÉCNICA:
Texto: Thomas Meehan e
Sylvester Stallone
Música: Stephen Flaherty
Letras: Lynn Ahrens
Versão Brasileira:
Rafael Oliveira
Direção Geral: Zé
Henrique de Paula
Assistência de Direção e
Direção Residente: Mafê Alcântara
Direção Musical: Fernanda
Maia
Assistência
de Direção Musical e Preparação Vocal: Rafa Miranda
Direção de Movimento: Gabriel
Malo
Idealização
e Produção Geral: Adriana Del Claro
ELENCO: Rocky - Daniel Haidar, Adrian - Lola Fanucchi, Apollo - Hector Marks, Gloria - Aline Cunha, Paulie - Cleomácio Inácio, Mickey - Eduardo Silva, Joanne (Cover Glória)
– Larissa Carneiro, Angie
(Cover Adrian) - Vanessa Espósito,
Linda (Cover Angie/Joanne) - Mari Rosinski, Gazzo (Cover de Mickey) - Eduardo Leão, Jergens (Cover Paulie)
- Bruno Sigrist, Empresário
e alternante de Apollo - Renato
Caetano, Ensemble (Cover Jergens) - Davi Novaes, Ensemble (Cover de Apollo) - Tiago Dias e Ensemble (Cover Rocky)
- Bruno Ospedal
Prerparadora
de Corpo e Movimento: Inês Aranha
Cenografia:
César Costa
Figurino:
Ùga agÚ
Desenho
de Luz: Fran Barros
Desenho
de Som: Fernanda Wada
Desenho
de Som Associado: Cauê Palumbo
Direção
Audiovisual e Projeções Video Mapping: Laerte Késsimos
Visagismo:
Jô Sant’Ana
Perucaria:
Adriana Almeida
Identidade
Visual: Gus Perrella
Fotos: Stephan Solon
Apresentado pelo Ministério
da Cultura e Zurich
Santander.
Patrocínio de Esfera, Venum e Philco.
Apoio de Return, Clínica Muzy e Santander Brasil.
Realização da Del
Claro Produções.
(Assessoria
Esportiva: Dr. Paulo
Muzy) e Movimentos de Boxe: Filipe Gomes)
SERVIÇO:
Temporada: Estreia: 14 de março de 2025. Término da
Temporada: não divulgado.
Local: 033Rooftop (Teatro Santander).
Endereço: Avenida Presidente
Juscelino Kubitschek, nº 2041 - Itaim Bibi - São Paulo.
Dias e Horários: 6ª
feira, às 20h30min; sábados e domingos, às 15h30min e às 19h30min.
Valor dos Ingressos:
Preços variando entre R$ 21,18 e R$ 350, de acordo com a localização dos
assentos e na dependência de descontos (Consultar o “site” do Teatro Santander.).
Ingressos à venda na
bilheteria do Teatro Santander (sem taxa de conveniência) ou pelo “site” www.sympla.com.br (com taxa de conveniência).
Horário de funcionamento
da bilheteria: Todos os dias, das 12h às 18h. Em dias de espetáculos, a
bilheteria permanece aberta até o início da apresentação. A bilheteria do
Teatro Santander possui um totem de autoatendimento, para compras de ingressos,
sem taxa de conveniência, 24h por dia.
Duração: 120 minutos (com
intervalo de 15 minutos).
Classificação Etária: 12
anos.
Gênero: Musical.
Ainda que não me agrade nem um pouco o boxe
(Na verdade, abomino-o!) – nem qualquer outra
luta marcial ou esporte de combate, cujo objetivo é golpear o adversário, até
que este vá ao chão (Estupidez total!) -,
o musical utiliza o universo daquele tipo de luta para pregar valores morais,
como confiança, disciplina, resiliência e superação, regados a muita adrenalina,
embora saibamos que as lutas em cena sejam totalmente – bem - coreografadas,
ainda contando a trama com um molho de romance, que não faz mal a ninguém. O público,
principalmente os mais jovens, são chamados a seguir o exemplo construtivo de Rocky.
O conjunto de suas irrepreensíveis qualidade como homem levam o público a enxergá-lo
como um personagem carismático. Sempre que sobe ao ringue, a assistência “luta
com ele”, “vai na fé”, sente junto os duros golpes sofridos, vibra a cada
“jab”,
gancho ou direto de direita, desferidos, com sucesso, no oponente.
Pelo conjunto da obra e pelo brilhante
desempenho do elenco, com realce maior para DANIEL
HAIDAR, RECOMENDO O ESPETÁCULO.
FOTOS: STEPHAN SOLON
GALERIA PARTICULAR
(Fotos: Guilherme De Rose)
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO brasileiro.
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