terça-feira, 25 de março de 2025

 

“DOIS DE NÓS”

ou

(UMA “DR” DE RESPEITO.)

 






         Este é um espetáculo de, e com, ANTONIO FAGUNDES, o que me leva a iniciar estes escritos pela advertência com que começa o “release” da peça e está presente no ingresso impresso, com respeito à questão da pontualidade, o que sempre me levou a aplaudir muito o FAGUNDES:



 

IMPORTANTE: Acerte o seu relógio pelo horário oficial de Brasília.

Nosso espetáculo começa, RIGOROSAMENTE, no horário marcado e não é permitida a entrada após o início, não havendo troca de ingressos e/ou devolução do dinheiro.

 


 


         Sempre apoiei o ator e produtor, achando que ele deveria servir de exemplo, para que todos iniciassem seus espetáculos no horário previsto, em respeito ao público que obedece à hora certa de início da peça - a gigantesca maioria -, sem nenhuma concessão de atraso. “DOIS DE NÓS” foi a terceira peça a que assisti na minha recente maratona de Teatro em São Paulo e, como todas as outras, me agradou muito.

 

 


 

SINOPSE:

Dois casais de gerações diferentes se encontram em um quarto de hotel.

Segredos e mentiras começam a ser revelados e trazem à tona um divertido turbilhão de sentimentos, com muita emoção e desafios, que mudarão a vida deles para sempre.


 

 


 

A SINOPSE supra resume, ao máximo, uma trama que apresenta várias camadas, envolvendo Pedro Paulo (ANTÔNIO FAGUNDES), Maria Helena (CHRISTIANE TORLONI), Pepê (THIAGO FRAGOSO) e Leninha (ALEXANDRA MARTINS) ("Desde quando eu deixei de te chamar de Pepê?" "Desde quando eu deixei de te chamar de Leninha?") Sem medo de dar “spoiler”, acho que, propositalmente, há um “engano” bem no início do texto da SINOPSE. “Um erro que não deixa de estar certo”, mas que sugere uma outra interpretação. Mais do que isso, não posso dizer. Só vou até aqui: os personagens de THIAGO e ALEXANDRA recebem nomes no diminutivo afetivo, correspondentes aos de FAGUNDES e TORLONI. E paro por aqui. O resto já sacaram.


 


A arquitetura do texto me leva a dizer que, a despeito da excepcionalidade do elenco e dos demais elementos que entram na construção de um espetáculo teatral, a dramaturgia é a “cereja do bolo” e dá margem a que a direção, do experiente e premiado JOSÉ POSSI NETO, execute um trabalho comedido – o “mais” poderia não funcionar – e bastante limpo, imaculado, e o elenco a dar o seu melhor, para distrair as plateias, que lotaram o mesmo TUCA, na temporada de 2024 (mais de 40 mil espectadores, de setembro a dezembro, já chegando à casa dos 55 mil) e continuam a fazê-lo. 


 

Não titubeio para dizer que o magnífico texto, de GUSTAVO PINHEIRO, só não é melhor do que aquele que considero, até hoje, sua OBRA-PRIMA, “A Tropa”, há quase 10 anos em cartaz, seu primeiro texto, vencedor de um concurso de textos dramatúrgicos inéditos, escrito por jovens escritores, numa iniciativa do Centro Cultural Banco do Brasil.


 

O que vemos no palco é um jogo muito prazeroso e divertido para os atores e, mais ainda, para a plateia”, diz FAGUNDES, “há 22 anos sem encenar um texto de autor brasileiro”, afirmação – a primeira - que eu endosso, falando como espectador. Aos poucos, pelos diálogos entre os quatro personagens, vamos conhecendo detalhes que justificam aquele momento, aquele encontro. A cada cena, o espectador vai se prendendo, mais e mais, ao texto, sempre ávido por novas revelações, por conta das surpresas que vão desfilando no palco. Não há, exatamente, “flashbacks”, mas algo que pode, de certa forma, se aproximar deles. E JOSÉ POSSI NETO não precisa provar mais nada do seu talento de diretor. Aqui, ele, de forma muito interessante, se vale da técnica do espelhamento, que o texto já sugere.



 

Nada mais a dizer sobre a corretíssima direção do espetáculo, já pulo para o elenco, sobre o qual pouco tenho a escrever. É totalmente desnecessário tecer comentários sobre o quarteto de intérpretes, mormente com relação a FAGUNDES e TORLONI, dois grandes veteranos dos palcos e das telas, a “-inha” e a “-ona”, que estabelecem uma generosa troca mútua, digna de respeito, em cena. Muito de perto, acompanha-os o casal THIAGO e ALEXANDRA; ele também com um currículo expressivo e ela se superando a cada novo trabalho. É muito gostoso, extremamente prazeroso, ver os quatro atuando.


 

Durante uma hora e meia de espetáculo, são abordados, poeticamente e na forma de um humor inteligente e sadio, assuntos comuns aos casais, como rotina, filhos, dinheiro, tempo, realização profissional, desejo sexual, frustrações e mágoas, “tudo à luz das mudanças velozes de comportamento, características da atualidade”. Entra em jogo o temor de uma exposição de intimidades, as questões mal resolvidas, as implicâncias, erros e acertos, mas também as cumplicidades. Afinal de contas, nenhum casal é totalmente feliz ou infeliz o tempo todo. É um espetáculo que faz o espectador rir muito e, quase na mesma proporção, se emocionar, quando praticada a empatia. Toda a ação se passa numa única noite.



 

      Para colaborar com o sucesso desta empreitada, entram em campo, ou melhor, no palco, com seus indiscutíveis talentos FABIO NAMATAME, com os requintados figurinos e um lindo cenário, e WAGNER FREIRE, no preciso desenho de luz.



 

 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Gustavo Pinheiro
Direção: José Possi Neto
Assistência de Direção: Antonio Fagundes

Elenco: Antonio Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins


Cenário: Fábio Namatame

Figurino: Fábio Namatame

Desenho de Luz: Wagner Freire

Produção: Antonio Fagundes

Produção Executiva: Alexandra Martins e Gustavo de Souza

Assistência de Produção: Vanessa Campos

Fotos: Renata Casagrande

Assessoria de Jurídica: Murillo Onesti | Onesti Advogados

Redes Sociais: @doisdenosteatro / @fafacultural


 

 




SERVIÇO:

Temporada: De 16 de janeiro a 27 de abril de 2025.

Local: TUCA (Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Endereço: Rua Monte Alegre, nº 1024, Perdizes – São Paulo.

Capacidade: 672 Lugares.

Dias e Horários: 5ª e 6ª feira, às 21h; sábado, às 20h; domingo, às 17h.

Valor dos Ingressos: R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia-entrada); Bastidores: R$ 120,00.

Venda dos ingressos: Bilheteria do Teatro (sem taxa de conveniência) ou pela plataforma Sympla (com taxa de conveniência).

Horário de funcionamento da bilheteria: De 3ª feira a sábado, das 14h às 20h; domingo, das 14h às 18h.

Duração: 90 minutos.

Classificação Etária: 12 anos.

Gênero: COMÉDIA dramática.


 

 



      Este é mais um dos muitos espetáculos que levam a marca de ANTONIO FAGUNDES, a merecer a minha RECOMENDAÇÃO.

 

 

 



FOTOS: RENATA CASAGRANDE

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO brasileiro.

 














































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