quinta-feira, 20 de abril de 2017


O MISANTROPO

 

 

(TEXTO DE MOLIÈRE, INÉDITO, NO BRASIL,

EM EXCELENTE MONTAGEM.)

 

 

           

            Os brasileiros amantes do bom TEATRO somos fãs, incondicionais, da genialidade de MOLIÈRE, que já teve grande parte de sua vasta obra encenada entre nós, por alguns dos nossos melhores diretores, com os personagens interpretados pela nata dos atores e atrizes deste país.

“O MISANTROPO” (“Le Misenthrope”), no entanto, é uma de suas peças que não tínhamos tido, ainda, o prazer e o privilégio de ver encenada. Agora, essa oportunidade ímpar nos chega de São Paulo, onde o espetáculo cumpriu uma longa e vitoriosa temporada, sucesso de público e de crítica.

            A comédia foi escrita há, exatamente, 341 anos (1666) e é impressionante como é atual e toca nas “mutretas oficiais”, praticadas pelos corruptos que dizem governar o Brasil e legislar sobre o povo brasileiro. A contemporaneidade do texto é vista a olho nu. Até a citação dos “homens de preto”, que estariam à procura de um infrator, está em cena.

            O original francês foi traduzido e adaptado, para esta montagem, por WASHINGTON LUIZ GONZÁLES, sob a direção do premiado e reconhecido encenador MÁRCIO AURÉLIO.

Reproduzindo parte do “release” da peça, enviado por JULIE DUARTE (BARATA COMUNICAÇÃO), “A comédia do dramaturgo francês desnuda conceitos filosóficos de visão de mundo e da humanidade, questiona o comportamento social, ditado por convenções comportamentais esvaziadas de sentido, moral e ética, na Versalhes de Luís XIV. Nesta montagem, esses questionamentos são transportados para o Brasil atual, onde o jogo do poder está fundamentado nas aparências e nos interesses particulares dos que movem a máquina da governabilidade, alheios aos princípios, mas preso aos fins”.

        
 
 


 
SINOPSE:
 
É dia de festa no apartamento de cobertura de CELIMENE (PAULA BURLAMAQUI), uma viúva alegre e rica.
 
Amigos, familiares e amores dessa dama da sociedade se reúnem, para confraternizar, beber, dançar, comer e… “praticar o esporte preferido da época”: falar da vida alheia!
 
Nesse ambiente festivo, ALCESTE (WASHINGTON LUIZ), o misantropo, vê-se confrontado pela sua visão de mundo e as convenções sociais dos convidados presentes e de sua amada anfitriã.
 
E, como tudo pode acontecer numa grande festa, o cinismo e a incoerência do que chamamos “bom comportamento” vão se revelando, fazendo-nos reavaliar, sob o olhar preciso da comédia, nossas próprias atitudes e comportamentos sociais.
 
 

 

 

 

            Segundo os dicionaristas, chamamos de “misantropo” o indivíduo que odeia a humanidade ou sente aversão às pessoas; o oposto de “filantropo”. Também pode ser quase equivalente ao sentido de “ermitão”, uma vez que também é aplicável àquele que prefere a solidão, não tem vida social, não gosta da convivência com outras pessoas. No caso da peça em tela, a segunda acepção se aproxima mais do protagonista.

            Falar de MOLIÈRE é, praticamente, dispensável, por se tratar de um dos nomes mais representativos do TEATRO universal, considerado “O Pai da Comédia”. Seu verdadeiro nome era Jean-Baptiste Poquelin (Paris, 15 de janeiro de 1622  Paris, 17 de Fevereiro de 1673).

Além de dramaturgo, foi, também, ator e diretor, considerado um dos mestres da comédia satírica. Teve um papel de destaque na dramaturgia francesa, dando início, praticamente, a um estilo original, próprio, do TEATRO francês.

MOLIÈRE usou as suas obras para criticar os costumes da época. É considerado, indiretamente, o fundador da Comédie-Française.

É dos dramaturgos mais famosos de todos os tempos e viveu no século XVII, convivendo com toda a frivolidade cortesã da corte de Luís XIV. Frequentou-a, na verdade, sendo, portanto, um atento observador dos defeitos morais da sociedade francesa do seu tempo. Captou-lhe os tiques, as fraquezas morais, as modas da classe dirigente, a “entourage” que vivia à sua custa. Sentia-se uma ilha: ele, cercado de hipocrisia por todos os lados. As suas peças são, em sua grande maioria, comédias satíricas, que visam, de modo direto e ferino, aos costumes sociais, quase sempre, muito censuráveis.

Em “O MISANTROPO”, a figura central é um homem, ALCESTE (WASHINGTON LUIZ), que chega a ser “inconveniente”, por seu extremado comportamento antissocial e crítico da humanidade. Para ele, todos tinham os mais profundos defeitos e ele mesmo não conseguia enxergar dois dos seus, que o punham em negativa evidência, que eram o excesso de sinceridade e, o que ele achava uma questão de honra, não fazer concessões a quem quer que fosse, em hipótese alguma. Considerava-se superior a tudo e a todos.

            O original foi escrito em cinco atos, entretanto a ótima tradução e adaptação, de WASHINGTON LUIZ, conseguiu condensá-lo em apenas um, de cerca de 90 minutos, o suficiente para nos divertir à farta e tocar, profundamente, nas feridas expostas e precisando de um tratamento.
 
 
 
 
 

            É admirável - como o são todos - este texto de MOLIÈRE, que parece ter caído nas mãos certas, para se fazer conhecido entre nós. Não me refiro, apenas, à forma como o texto nos chega, excepcionalmente adaptado, com elementos próprios da nossa atual realidade político-social, mas também à inteligente e criativa direção de MÁRCIO AURÉLIO, o qual partiu para uma estética puxada para o “carnavalesco”, no que, a meu juízo, acertou em cheio. O espetáculo tornou-se leve e dinâmico.

            Confesso que, logo na primeira cena, com a entrada dos atores, sob a execução de um “sambão”, animado por uma bateria de escola e samba, diante de, apenas, algumas cadeiras de acrílico, na arena, temi pelo que vinha. Pensei que enfrentaria alguma forma de “heresia”, que pudesse fazer MOLIÈRE se debater no túmulo. Fiquei muito assustado com aquele “novo”, que sempre incomoda um pouco, de início, mesmo a quem vai ao TEATRO todos os dias, praticamente, como eu, e está acostumado a ver de um tudo, em matéria de “novidades”, a maioria de gosto duvidoso. Mas não demorou muito, para eu entrar no jogo da direção e compreender-lhe a intenção e a linha adotada para contar a história. Adorei!!!

            O espectador, após aquele impactante início, fica atento para quaisquer outras “novidades”. Para ser sincero, chega a ansiar por elas. Mas o que mais atrai mesmo, no espetáculo, é o texto e as verdades nele ditas, sob a forma de ironias, sarcasmos e deboches rasgados. Os personagens, principalmente o protagonista, falam por nós, não têm o menor pudor em julgar o próximo e falar aquilo que, no fundo, muitas vezes, é o que desejamos dizer. E fazer.

            Falar mais do texto torna-se desnecessário. O mesmo se aplica à excelente direção, cabendo apenas acrescentar que os propositais exageros gestuais e afetações vocais dão um toque especial à composição dos personagens. É muito interessante a parte final da peça, em que os atores se alternam, entre personagens e narradores, para agilizar e dinamizar o que poderia ser enfadonho e prolongado, se representado como no original. Isso aguça a atenção do público para o desfecho da peça.

            O elenco está muito bem preparado para encarar uma comédia, o que não é fácil, como julgam muitos, tem uma ótima atuação, homogênea, muito bem nivelada, o que me faz optar por não fazer nenhum comentário individual, a fim de não incorrer em injustiças.

Obedecendo à ordem alfabética, os méritos vão para ALEXANDRE BACCI (ACÁCIO), EDUARDO REYES (FILINTO), JOCA ANDREAZZA (ORONTE), PAULA BURLAMAQUI (CELIMENE), REGINA FRANÇA (ARICENE), RENATA MAIA (ELIANE) e WASHINGTON LUIZ (ALCESTE).

 
 


 
FICHA TÉCNICA:
 
 
Texto: Molière
Tradução e Adaptação: Washington Luiz Gonzáles
Encenação: Márcio Aurélio
Assistente de Encenação Lígia Pereira
 
Elenco (em ordem alfabética): Alexandre Bacci (Acácio), Eduardo Reyes (Filinto), Joca Andreazza (Oronte), Paula Burlamaqui (Celimene), Regina França (Aricene), Renata Maia (Eliane), Washington Luiz (Alceste)
 
Cenário: Márcio Aurélio
Figurino: Márcio Aurélio e André Liber Mundi
Iluminação: Márcio Aurélio e Kadu Moratori
Sonoplastia: Márcio Aurélio
Preparação Vocal: Marcelo Boffat
Preparação Corporal: Marize Piva
Assistente de Produção: Roberta Viana
Direção de Produção: Rosí Fer
Produção: Criola Filmes Idealização Ó Artes e Espetáculos
Assessoria de Imprensa: Barata Comunicação
 

 
 
 


 
SERVIÇO:
 
Temporada: De 13 de abril a 7 de maio de 2017.
Local: Sesc Copacabana – Arena.
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ.
Informações: (21) 2547-0156.
Dias e Horários: De 5ª feira a sábado, às 20h30min; aos domingos, às 19h.
Valor dos Ingressos: R$25,00 (inteira); R$12,00 (meia-entrada); R&6,00 (associados do SESC).
Horário de Funcionamento da Bilheteria: De 3ª feira a domingo, sendo de 3ª feira a sábado, das 13h às 21h, e, aos domingos, das 13h às 20h.
Duração: 90 min.
Recomendação Etária: 12 anos
Gênero: Comédia
 

 

 

 
 
            Muito distante de concordar com quem pensa que não se deve fazer intervenções pessoais em textos clássicos, acho que o TEATRO é uma arte que vive da renovação, da reinvenção, do saber ser criativo sobre o que já foi criado, de fazer e refazer, sem descaracterizar, completamente, uma obra original. Achei extremamente válida esta leitura de “O MISANTROPO” e torço para que a curta temporada, no SESC Copacabana, possa ter prosseguimento, em outros teatros do Rio de Janeiro. O lucro maior será de quem puder assistir a esta deliciosa surpresa teatral, numa época tão difícil, para o TEATRO e para as artes, em geral, no Brasil “odebrechtiano”. (Eu não disse “brechtiano”.)

            Recomendo o espetáculo e muito feliz ficarei, se puder encontrar um tempo, na minha agenda, para poder revê-lo.





(FOTOS: DIVULGAÇÃO.)




 

 

 

 

 

 



 

 

segunda-feira, 17 de abril de 2017


TRAGA-ME

A CABEÇA

DE

LIMA BARRETO

 

(FICÇÃO DOCUMENTAL

OU

DOCUMENTO FICCIONAL

DE EXCELENTE QUALIDADE.)



 
 


            De uma cabeça privilegiada, saiu uma ideia, que entrou em outra cabeça, igualmente fértil, a qual lhe deu forma. E, do abstrato, fez-se o concreto, num palco de TEATRO. E que “concreto”!

            A ideia, uma ficção, veio do consagrado ator, autor, diretor, produtor, iluminador, um “faz-tudo”, em TEATRO, HÍLTON COBRA, que teve, em LUIZ MARFUZ, o arquiteto de um belo texto, concretizado, em cena, pelo próprio COBRA.

            Fui à Sala Multiuso, do SESC Copacabana, no dia da estreia deste espetáculo, há três dias, com uma expectativa “x” e saí de lá totalmente encantado com o monólogo, carregando muitos “x”, além da minha expectativa.

            A ideia é excelente; o texto, brilhante, assim como a atuação do ator, muito bem dirigido por FERNANDA JÚLIA.

            A temática, infelizmente, ainda é bastante atual, pois trata de racismo, discriminação racial; aqui, ela é fortemente ampliada, pela teoria da eugenia, uma falsa ciência, surgida à época em que viveu o grande escritor brasileiro, orgulho da nossa literatura, LIMA BARRETO (1881-1922), negro, “pisoteado, sem o devido reconhecimento de sua inovadora obra literária, em vida” (HILTON COBRA).

            “A eugenia (ou eugenismo), é um termo criado, em 1883, por Francis Galton (1822-1911), significando ‘bem nascido’. Galton definiu eugenia como ‘o estudo dos agentes, sob o controle social, que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mentalmente’. 

O tema é bastante controverso, particularmente após o surgimento da eugenia nazista, que veio a ser parte fundamental da estúpida ideologia de ‘pureza racial’, a qual culminou no Holocausto, promovido pelo sanguinário criminoso Adolf Hitler.

Mesmo com a, cada vez maior, utilização de técnicas de melhoramento genético, usadas, atualmente, em plantas e animais, ainda existem questionamentos éticos quanto a seu uso com seres humanos, chegando até o ponto de alguns cientistas declararem que é, de fato, impossível mudar a natureza humana.

Desde seu surgimento, no final do século XVIII, até os dias atuais, muitos historiadores, filósofos e sociólogos declaram que existem diversos problemas éticos sérios na eugenia, como a discriminação de pessoas por categorias (...).” (Wikpédia, com adaptações.)

Muito mais do que isso, trata-se de algo ignóbil, vil, desprovido de qualquer noção de respeito à dignidade do ser humano.

Os fatos encenados não são verídicos, mas bem poderiam ter sido. Só o fato de se imaginá-los como uma verdade já nos indigna, da mesma forma como o teor das frases projetadas, durante o espetáculo, retiradas de publicações de eugenistas, os quais tiveram a insensatez, para dizer o mínimo, de considerar a raça negra como inferior.


 
 

 
 
 
 
SINOPSE:
 
Partindo de um texto fictício, logo após a morte de LIMA BARRETO, os eugenistas exigem a exumação do seu cadáver, para uma autópsia, a fim de esclarecer “como um cérebro inferior poderia ter produzido tantas obras literárias - romances, crônicas, contos, ensaios e outros alfarrábios - se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças superiores?”
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É a partir desse argumento que se desenvolve o espetáculo, com LIMA se defendendo de tal infâmia e, ao mesmo tempo, num tom de deboche, destilando, de forma bem sarcástica, seu veneno contra os opressores, dizendo-lhes o óbvio: a cor da pele é apenas um detalhe racial, genético, que diferencia um ser humano do outro, apenas em termos de raça, igualando-os, porém, na condição de seres humanos.
A partir desse embate com os eugenistas, a peça mostra as várias facetas da personalidade e da genialidade de LIMA BARRETO: sua vida, a família, a loucura, o alcoolismo, sua convivência com a pobreza, sua obra não reconhecida, o racismo, suas lembranças e tristezas...
 
 


 
 


Com este belo espetáculo, HÍLTON COBRA celebra os 135 anos do nascimento de Lima Barreto, os 15 anos da Cia dos Comuns, fundada por ele, e os 40 anos de carreira artística. O espetáculo pode ser, portanto, resumido como uma bela e merecida celebração.

De acordo com o “release” da peça, enviado por MÁRCIA VILELLA (TARGET ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO), “LIMA BARRETO definia sua obra como ‘militante’. Sua produção literária está, quase inteiramente, voltada para a investigação das desigualdades sociais, da hipocrisia. É justamente essa vocação (‘arte militante’) que aproxima COBRA de LIMA BARRETO”, com o que concordo plenamente. Ali, sob os refletores e expondo-se aos olhos e ouvidos críticos de seus espectadores, COBRA se mostra um grande militante da causa negra. Mais que isso, da causa antieugenística; mais ainda, da tolerância, em todas as suas manifestações.

“Hoje, discutir racismo, através de um autor, como LIMA, no TEATRO, é dar uma contribuição extraordinária para esse tema. Também é um carinho que queremos fazer com LIMA BARRETO – um autor tão pisoteado, tão injustiçado, que pensou tão bem esse Brasil, abriu, na literatura brasileira, ‘a sua pátria estética’ (os pisoteados, ou loucos, os privados de liberdade – esses são os personagens de LIMA BARRETO).”, explica COBRA.

O trabalho é apresentado, oficialmente, como um “projeto artístico-investigativo-formativo”, para o que não é necessária qualquer explicação. Basta assistir a ele. Ainda propõe uma imersão na contribuição da obra do provocativo escritor e, certamente, faz com que cada espectador deixe aquela Sala mexido e pronto a mergulhar num mar de reflexões.

O texto é genial, mesclando ineditismo com frases de eugenistas e do próprio LIMA BARRETO. Tudo o que é dito se encadeia muito bem e se apresenta de uma forma meio didática, porém não enfadonha; muito ao contrário, é dinâmico, valorizado pela magnífica e irrepreensível atuação de HÍLTON COBRA, um ator de grandes possibilidades técnicas, que, parecendo imantado, atrai os espectadores, desde sua entrada triunfal em cena, e mantém essa atração até o apagar do último refletor. Dono de um carisma, de um talento e de uma gigantesca presença de palco, HÍLTON nos brinda com uma atuação inesquecível, um convite a voltar àquele espaço, para aplaudi-lo mais e mais...
 
 
 



FERNANDA JÚLIA, do NATA (Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas), assina uma direção brilhante. É ela quem diz, no já citado “release”: “O diálogo crítico e politizado sobre negritude é um disparador potente do fazer cênico do NATA. Esses elementos foram fundamentais, para que eu percebesse quais caminhos trilhar, na construção do espetáculo. Sou uma provocadora e problematizadora, por natureza, e acho que a encenação deve seguir este caminho – provocar a reflexão e problematizar o que está posto. São dois caminhos que sigo e que fundamentam minhas escolhas poéticas e estéticas. Sou uma encenadora negra e afirmativa, desejo sempre colocar, em cena, a beleza, a grandiosidade e as vitórias do meu povo.” Quem for assistir ao espetáculo há de encontrar tudo isso no trabalho de FERNANDA.

Outros elementos contribuem para o sucesso da encenação, como o cenário, simples, mas muito interessante, a serviço do espetáculo, de MÁRCIO MEIRELES; a acertada luz, do grande mestre JORGINHO DE CARVALHO; o simples, despojado e belo figurino, de BIZA VIANNA; a direção de movimento, assinada por ZEBRINHA, e a excelente direção musical, a cargo de JARBAS BITTENCOURT.





 
 
FICHA TÉCNICA:
 
Texto: Luiz Marfuz
Direção: Fernanda Júlia
 
Ator: Hílton Cobra 
 
Cenário: Márcio Meireles
Desenho de Luz: Jorginho de Carvalho
Figurino: Biza Vianna
Direção de Movimentos: Zebrinha 
Direção Musical: Jarbas Bittencourt
Direção de Vídeo: David Aynan
Direção de Produção: Tânia Rocha
Produção Executiva: Afonnso Drumond
Design Gráfico: Bob Siqueira e Ga
Fotografia: João Meirelles e Valmyr Ferreira
Participações especiais (voz em “off”): Lázaro Ramos, Frank Menezes, Harildo Deda,  Hebe Alves,  Rui Mantur e Stephane Bourgade
Assessoria de Imprensa: Márcia Vilella (Target Assessoria
 
 

 

 
 
 
 

 
 
SERVIÇO:
 
Temporada de 14 de abril a 07 de maio de 2017.
Local: SESC Copacabana (Sala Multiuso).
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana – Rio de Janeiro.
Telefone: (21)2547-0156.
Dias e Horários: Às 6ªs feiras e sábados, às 19h, e, aos domingos, às 18h.
Valor dos Ingressos: R$25,00; R$12,00 (estudantes e idosos); R$6,00 (associados Sesc).
Horário de Funcionamento da Bilheteria: 2ª feira, das 8h às 17h; de 3ª feira a 6ª feira, das 8h às 21h; sábados, das 13h às 21h; domingos, das 13h às 20h.
Classificação Etária: 14 anos.
Duração: 60 minutos.
 
 

 
 
 

 


            Recomendo, com empenho, este espetáculo e espero poder encontrar uma oportunidade de revê-lo, tal foi meu encantamento por ele.

 


(FOTOS: JOÃO MEIRELLES
e
VALMYR FERREIRA.)
 
 
 

 

 
 

 

 



 

 

 
 

domingo, 9 de abril de 2017


UBU REI
 

(DE COMO UM CLÁSSICO DA COMÉDIA UNIVERSAL
SE TRANSFORMOU NUMA CHANCHADA,
COM TEMPERO BRASILEIRO.)

 

 

 
     Como preâmbulo a esta crítica, devo, logo, esclarecer, que jamais considerei, pejorativamente, o termo “chanchada”. Muito ao contrário, sou fã delas, pois consigo enxergar suas rasas intenções e pretensões, predominantemente de entretenimento, ainda que, em algumas situações, possamos identificar críticas pessoais ou a instituições. Vivi a infância e a juventude, enfiado nas salas de cinema, deliciando-me com as nossas chanchadas, celeiro de muitos dos maiores atores cômicos brasileiros.

            Feito o esclarecimento, falemos de “UBU REI”, comédia que está em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, até o dia 30 de abril (VER SERVIÇO.).

            Assisti ao espetáculo no terceiro dia da temporada, em sessão dedicada a convidados. Nesse tipo de sessão, é natural que a quase totalidade do público seja constituída de gente da classe artística e amigos dos envolvidos no projeto. Não foi diferente naquela noite.

            Ainda que o espetáculo tivesse sido aplaudido, freneticamente, de pé, saí do Teatro mergulhado numa tristeza profunda, motivo revelado a quem me perguntasse se eu havia gostado da peça, inclusive alguns amigos do elenco e o próprio diretor, o queridíssimo e sempre talentoso DANIEL HERZ.

Eu não gostara do espetáculo. Isso era visível no meu comportamento. Não o aplaudi de pé, porque achei que não o merecia. Talvez eu e o amigo que me acompanhava tenhamos sido os únicos a aplaudir “socialmente”, sentados, levando em conta todo o esforço empreendido na montagem. Estava, porém, longe de eu reconhecer, naquele “UBU REI”, um espetáculo assinado por DANIEL HERZ, feito por sua companhia, CIA. ATORES DE LAURA, uma das melhores do Brasil, com tantos sucessos no currículo, comemorando 25 anos de vida e de bons serviços prestados ao TEATRO BRASILEIRO, e, ainda por cima, uma comédia capitaneada por MARCO NANINI e ROSI CAMPOS, por quem tenho a maior admiração, como profissionais.
 
 
 




            Não acreditei que aquilo estava acontecendo comigo nem consegui entender o porquê, mas saí do Casa Grande soterrado por uma decepção que não tinha tamanho... Poderia eu estar num mau dia? Não! Não estava! Talvez eu tivesse ido com muita sede ao pote, tivesse feito gerar, em mim, uma expectativa muito superior e diferente do que me foi permitido ver.

            Ouvi, posteriormente, comentários sobre esta montagem, MUITOS, totalmente opostos: havia os que “amaram” e os que “odiaram” a peça; estes, inclusive, até de gente que a aplaudiu de pé, por puro corporativismo ou para “não ficar mal na fita”, o que não me move, de jeito nenhum. Banalizaram geral esse tipo de aplauso!!! Então, eu não estava só, o que já começava a me preocupar.

            Achei uma adaptação muito “over”, que LEANDRO SOARES havia pesado a mão, na adaptação, não parecendo a mesma pessoa que eu aplaudi, DE PÉ, várias vezes, quando adaptou um Oscar Wilde, em “A Importância de Ser Perfeito”, espetáculo inesquecível, que devo ter visto umas cinco ou seis vezes, sempre com o maior prazer, e ainda seria capaz de ver mais, se voltasse ao cartaz.

Cheguei à conclusão de que DANIEL HERZ havia abusado nas tintas e que o elenco não estava, ainda, preparado para o início da temporada. Enxerguei detalhes de mau gosto, no meu entendimento (É claro que gosto não é para ser discutido!), algumas “gorduras”, o suficiente para me deixar arrasado, pelos motivos expostos no próximo parágrafo. Não estou exagerando nem querendo ser dramático.
 
 
 


            Como sou um profundo admirador do trabalho do DANI, porque sou fã dos ATORES DE LAURA, porque gosto muito do texto, porque acredito que o espetáculo não estava pronto e que poderia melhorar, dispus-me a revê-lo. E fui de coração aberto, no último dia 1º de abril, o “Dia da Mentira”, para ver um TEATRO DE VERDADE, sabendo, de antemão, que a direção fizera modificações, na encenação, e que, portanto, eu poderia me surpreender positivamente. Nem tudo estava perdido.

            E é com muita alegria que RETIFICO a minha impressão da primeira noite e RATIFICO o pensamento que me levou, novamente, a “UBU REI”.

            Assisti a um outro espetáculo, muito melhor, com muito mais ritmo e com todas as gorduras atiradas ao lixo.

            É assim que se faz TEATRO: fazendo e refazendo, sentindo a reação do público e recriando. É disso que vive o TEATRO: do retorno de quem conhece a arte de representar e só tem um desejo: contribuir para melhorar. Não falo isso para me valorizar, mas porque outras pessoas também manifestaram opiniões idênticas à minha, que também devem ter chegado aos ouvidos da direção, fazendo com que HERZ se mantivesse firme, na sua concepção do espetáculo, porém de forma mais “light”, “pegando mais leve” e transformando-o numa deliciosa versão chanchadesca do clássico da comédia francesa.



 
 
 


 

SINOPSE:

 
MÃE UBU (ROSI CAMPOS) manipula PAI UBU (MARCO NANINI), no sentido de assassinar o REI VENCESLAU (PAULO HAMÍLTON), da Polônia, para obter-lhe a coroa, tornando-se, assim, rainha.
 
De início, PAI UBU reluta em pôr em prática o infame plano, mas acaba cedendo à pressão da terrível mulher.
 
 
 
 
 
Para levar a cabo o plano sinistro, chamou o CAPITÃO BORDADURA (MÁRCIO FONSECA), que aceita participar da traição, depois que PAI UBU lhe promete o título de Duque da Lituânia, como premiação por sua fidelidade e colaboração.
 
O REI manda chamar PAI UBU, que teme ter sido descoberto, e, morrendo de medo e dono de um caráter nada louvável, já pensa em entregar os outros, para livrar a sua pele, contudo, logo, ele se dá conta de que o chamado do REI tinha outro propósito, o de fazer-lhe um convite para acompanhá-lo na inspeção à tropa, o que era considerado um convite muito honroso. O REI gostava de PAI UBU e confiava nele.
 
Começa, então, a conspiração entre MÃE e PAI UBU e o CAPITÃO BORDADURA, que dará fim ao reinado de VENCESLAU, culminando com a coroação do novo REI: PAI UBU.
 
A RAINHA (VERÔNICA REIS), esposa do REI VENCESLAU, está ciente dos planos de PAI UBU, por meio de um sonho, e tenta, em vão, alertar o marido para o perigo iminente que corre e que tomasse cuidado com o PAI UBU. O REI, porém, não lhe deu atenção.
 
Durante a tal revista à tropa, ocorre o plano de conspiração, quando PAI UBU e o CAPITÃO BORDADURA, com seus homens, dão cabo do REI, roubando-lhe a coroa e matando a ele e a dois de seus três filhos, BOLESLAU e LADISLAU.
 
BUGERLAU (TIAGO HERZ), o filho sobrevivente, e sua mãe, a RAINHA, acabam escapando do ataque e se refugiando em uma caverna, nas montanhas. Lá, ela acaba morrendo e BUGERLAU é visitado pelo fantasma do pai, clamando por vingança.
 
Enquanto isso, PAI UBU conquista a simpatia do povo, com uma política de “pão e circo”, contudo isso dura pouco e o REI UBU revela seu lado tirano e sanguinário, condenando à morte a todos os que não concordam com ele, da Família Real ao povo comum, passando pelos ministros, políticos, membros das finanças e magistrados. São todos atirados a um misterioso alçapão, que lhes reserva uma morte enigmática.
 
REI UBU não cumpre a promessa feita ao CAPITÃO BORDADURA e o prende. Este, entretanto, consegue escapar de sua prisão e se rebela contra o tirano UBU.
 
 
 
 
Logo, o regime totalitário do novo REI UBU passa a apresentar problemas. Cai-lhe a popularidade e aprovação, como monarca. Enquanto isso, MÃE UBU conspira, secretamente, para tomar posse do tesouro do REI. Conspiração sobre conspiração.
 
PAI UBU é, então, ludibriado pelo CAPITÃO BORDADURA, que se alia ao czar da Rússia, e acaba destronado, refugiando-se em uma caverna na Lituânia.
 
Coincidentemente, MÃE UBU acaba se refugiando na mesma caverna e, na escuridão do lugar, se passa por um fantasma e convence PAI UBU a perdoar suas roubalheiras, porém este acaba por descobrir, a tempo, os planos da audaciosa MÃE UBU.
 
BUGERLAU chega à caverna, com seus soldados, e encurrala PAI e MÃE UBU, os quais, astutamente, acabam conseguindo fugir.
 
A peça termina num final aberto, com PAI UBU e os seus poucos seguidores fugindo para a França, em um barco.
 
 

 





O texto teve, como embrião, uma outra peça, “Os Poloneses”, que ALFRED JARRY escreveu, aos 15 anos de idade, para satirizar o aspecto rude, grotesco e grosseiro de um professor de Física do jovem JARRY. A peça aqui analisada foi escrita e apresentada em 1896, numa época em que os temas abordados eram pouco aceitáveis, assim como a linguagem nela empregada, cheia de palavrões, o que fez com que a peça, ao que parece, batesse o recorde de menos tempo em cartaz: apenas duas apresentações. Provocou reações de protesto e indignação da audiência, formada pelos membros mais importantes da sociedade local.

É considerado um clássico da comédia universal e seu autor, um ícone do Teatro Moderno, tendo influenciado movimentos que viriam a seguir, como o Surrealismo, o Dadaísmo e o Teatro do Absurdo.
 
 
Alfred Jarry.


Podemos dizer que, como um polvo, a peça tem um tentáculo no “non sense”, outro no escracho; mais um na contemporaneidade; outro mais no inexplicável...

São facilmente reconhecidas, no texto, referências a clássicos da literatura dramática universal, principalmente escritos por Shakespeare, como “MacBeth”, “Hamlet” e “Rei Lear”.

            Segundo DANIEL HERZ, (“UBU REI”) “É uma história de voracidade desenfreada, de personagens sem qualquer freio ético ou equilíbrio. A atualidade do texto é tão grande, que não precisamos fazer qualquer pontuação sobre isso na montagem”. Talvez, aqui, resida o melhor desta montagem: levar o público a uma inevitável analogia a alguns regimes de governo da atualidade, que chega a atingir o Brasil, em alguns aspectos. Uma crítica e a chamada de conscientização do povo, utilizando-se do humor rasgado, sem esconder, embaixo do tapete, aquilo que, por muito tempo, vinha sendo feito.  

Depois da segunda vez em que assisti à peça, passei a entender e a aceitar os recursos utilizados por LEANDRO SOARES, na adaptação do texto, e a valorizar a direção de DANIEL HERZ, embora não a inclua na relação de seus trabalhos “top”.
 
 
 
 
 

Com relação ao desempenho do elenco, agrada-me a atuação de MARCO NANINI, longe de ser a sua melhor, o qual, na primeira vez em que assisti à peça, já começa, com o abrir das cortinas, num tom de interpretação tão “alto”, histriônico, que o personagem não tinha mais como crescer, na minha visão, no decorrer da peça. Sua interpretação ficou linear, do primeiro minuto ao último.

Agora, vi um outro trabalho, bem mais condizente com seu sabido e reconhecido talento. NANINI está representando, “comme il faut”, um personagem desprovido de qualquer positividade de caráter. Um déspota, despudorado, covarde, assassino cruel, mesquinho, mentiroso, ambicioso, desonesto, traidor, monstruoso, corrupto, sem o menor escrúpulo. Que currículo o do personagem!!! Resumindo, um anti-herói, que acaba, com seus exageros e excentricidades, cativando a plateia, que o vê mais como uma estúpida e desprezível metáfora de um grande ditador do que como um real traste humano. A verdade é que amamos PAI UBU, da mesma forma como amamos MACUNAÍMA, o herói sem caráter, e ODORICO PARAGUAÇU, o pai dos pobres e oprimidos. Um belo motivo para comemorar 50 anos de carreira, seja nos palcos, no cinema ou na TV.
 














O mesmo poderia ser dito com relação a ROSI CAMPOS. Sua personagem, agora, continua, como pede o texto, revelando seu péssimo caráter, igual ou pior que o do marido, já que é a grande manipuladora e mentora do desmedido e condenável plano, logo na primeira cena, entretanto ela buscou caminhos para que a MÃE UBU fosse se desenvolvendo, em ritmo crescente, até o final da peça. Antes, a consagrada atriz, de recursos inimagináveis, seguia o tom imprimido por NANINI, e sua interpretação pareceu-me monocórdia. Agora, só me resta dizer: uma bela atuação de ROSI!

Os demais, que fazem parte do elenco, têm atuações bastante corretas, agora. Reconheci, em cada um dos cinco representantes dos ATORES DE LAURA, o seu inegável talento, quer nos personagens fixos ou nos vários em que se desdobram. Parabéns a ANA PAULA SECCO, LEANDRO CASTILHO, MÁRCIO FONSECA, PAULO HAMILTON e VERÔNICA REIS, todos no mesmo nível de atuação.
 
 
 



Resta mencionar o bom trabalho dos outros quatro atores: CADU LIBONATI, JOÃO TELLES, TIAGO HERZ e RENATO KRUEGER, com destaque para o excelente trabalho de THIAGO.
 
 




Desde a primeira vez, elogiei as intervenções cenográficas de BIA JUNQUEIRA, algumas parecendo verdadeiras instalações (As gigantescas tetas de uma vaca, para saciar a fome e a sede dos convivas, num banquete, é uma ideia genial, além de remeter à já tão conhecida expressão “mamar nas tetas do governo”.). A mesma admiração vai para os excêntricos e lúdicos figurinos, de ANTÔNIO GUEDES; a impecável iluminação, de AURÉLIO DE SIMONI; a música original e direção musical, de LEANDRO CASTILHO (Acho que poderia haver menos música na peça. Para mim, há uma overdose desse elemento, que me incomodou um pouco.); o excelente visagismo, de DIEGO NARDES; e a boa direção de movimento, de MÁRCIA RUBIN.

 

 

 
 

 
FICHA TÉCNICA:
 
Texto: Alfred Jarry
Adaptação: Leandro Soares
Direção: Daniel Herz
Diretora Assistente: Clarissa Kahane
Pesquisa e Assistente de Direção: Evelyn Disitzer
 
Elenco: Marco Nanini, Rosi Campos (atriz convidada), Ana Paula Secco, Leandro Castilho, Márcio Fonseca, Paulo Hamílton e Verônica Reis (Atores de Laura),
Cadu Libonati, João Telles, Tiago Herz e Renato Krueger.
 
Cenografia: Bia Junqueira
Figurinos: Antônio Guedes
Iluminação: Aurélio De Simoni
Música Original e Direção Musical: Leandro Castilho
Direção De Movimento: Márcia Rubin
Visagismo: Diego Nardes
Design Gráfico: Gringo Cardia
Fotografia: Caberá
Vídeos: Eloísa Mendes
Desenho de Som: Rodrigo Oliveira
Assessoria de Imprensa: Factoria Comunicação
Realização: Pequena Central
 

 
 
 


 
SERVIÇO:
 
Temporada: Até 30 de abril de 2017.
Local: Teatro OI Casa Grande.
Endereço: Rua Afrânio de Mello Franco, 290 – Leblon (Shopping Leblon) – Rio de Janeiro.
Telefone: (21) 2511-0800.
Dias e Horários: De 5ª feira a sábado, às 21h; domingo, às 20h.
Valor dos Ingressos: 5ªs e 6ªs feiras: R$100,00 (Plateia VIP e Camarote), R$80,00 (Plateia Setor 1), R$60,00 (Balcão Setor 2) e R$50,00 (Balcão Setor 3).
Sábados e Domingos: R$120,00 (Plateia VIP e Camarote), R$100,00 (Plateia Setor 1), R$80,00 (Balcão Setor 2) e R$50,00 (Balcão Setor 3).
Duração: 90 minutos.
Classificação Etária: 14 anos.
Gênero: Comédia
 



 



            A peça é reconhecida por dois títulos, no Brasil: “REI UBU” e “UBU REI”. Gosto mais desta, uma vez que a primeira caberia, se o personagem já nascesse membro da realeza, sucessor natural de seu pai. “UBU REI” me parece mais apropriado à história, já que o personagem não fazia parte da linhagem real e passou à condição de REI, por um ato de usurpação de um reino, que, por direito, jamais lhe pertenceria.

Resumindo, “UBU REI”, na atual montagem, no Teatro OI Casa Grande, é uma farsa anárquica, transformada numa boa chanchada teatral, que eu recomendo. E, na segunda vez, aplaudi DE PÉ.
 
 
 


E, para não perder o bonde do tempo: FORA, UBU REI! (Não a peça, mas o personagem.)
 

MERDRA!!! (Como diria PAI UBU.)
 
 
 



 
(FOTOS: CABERÁ e DIVULGAÇÃO.)
 
 
 
 
 



 GALERIA PARTICULAR: FOTO DE MARISA SÁ.)

 

Eu e Daniel Herz.