domingo, 10 de fevereiro de 2019


PERFUME
DE
MULHER



(AGRADÁVEIS ODORES TEATRAIS.)



  

            Depois de três adiamentos, todos alheios à minha vontade, finalmente, consegui assistir a um espetáculo pelo qual ansiava bastante: “PERFUME DE MULHER”, em cartaz no Teatro PetroRio das Artes (VER SERVIÇO.). É a primeira montagem mundial, para o TEATRO, de uma história que percorreu a seguinte trajetória: livro > tela > palco. O espetáculo é uma idealização do ator, produtor, roteirista e diretor SILVIO GUINDANE, que adquiriu os direitos da obra, para transformá-la numa peça teatral, e, também, a protagoniza.

Para os que me conhecem, é sabido que não sou cinéfilo. Vou pouco ao cinema, embora o considere uma bela arte, e, muito raramente, me encanto com algum filme. Não li o livro, porém assisti à versão cinematográfica de “PERFUME DE MULHER”, no início dos anos 90 - 1992, para ser mais exato - e dela guardava poucas lembranças, ainda que me lembre de, na época, ter gostado do filme, de cuja história, agora, nem me lembrava mais. Dois detalhes, porém, ficaram guardados na minha retina e, indelevelmente, registrados na minha memória afetiva; a brilhante atuação de Al Pacino, um dos meus favoritos atores (Seu trabalho, na fita, lhe rendeu seu primeiro Oscar e o Globo de Ouro, como melhor ator.), e a “cena do tango”. Até hoje, forçando a memória, “vejo” um pouco daquele momento, que me arrebatou.








SINOPSE:

           FAUSTO (SILVIO GUINDANE) é um militar reformado, que se entregou à solidão, depois de ter ficado cego, num acidente, enquanto estava no Exército. Ele vive isolado, num quarto escuro, na casa da tia, em Turim.

Com viagem marcada, para passar um final de semana em outra cidade, ela resolveu colocar um anúncio, no jornal, para contratar alguém que tomasse conta do sobrinho, durante sua ausência. O jovem CICCIO (EDUARDO MELO) é o único candidato que apareceu para a vaga.

Depois de um estranhamento inicial, o militar tentou expulsar o rapazinho. CICCIO, porém, decidiu ficar e enfrentar aquele desafio.

A partir de então, ele descobriu os planos de FAUSTO para os próximos dias: viajar, de trem, por sete dias, para Gênova, Roma e Nápoles. Seu desejo era o de vivenciar momentos inesquecíveis, uma grande celebração, antes de pôr fim à sua vida.

No roteiro, viagem de trem, hospedagem em um hotel luxuoso, passeio de Ferrari, uma noite com uma prostituta, sempre degustando as melhores bebidas. Dias e noites de intenso prazer, antes do seu grand finale.

FAUSTO, no entanto, não esperava reencontrar SARA (GABRIELA DUARTE), seu grande amor, nem contava com a sabedoria de CICCIO, fatos que promoveram uma grande reviravolta em seus planos.







Para mim, é sempre motivo de muita curiosidade, ver, no TEATRO, como são feitas as adaptações de livros e filmes. Instiga-me bastante essa quase magia de transformar uma história, traduzida numa mídia que conta com tantos recursos técnicos, como o cinema, sob a ótica de outra. Acho que era o que mais me moveu, logo que tomei conhecimento da peça e recebi o convite para assistir a ela. Essa curiosidade se acentuou, quando soube que a direção estava a cargo de um diretor de cinema, por excelência, que, de vez em quando, dirige um espetáculo teatral: WALTER LIMA JR.. Vale a pena registrar que, muito longe de ser considerado um amante do cinema, dou preferência a filmes nacionais e, desse diretor, marcaram-me, sobremaneira, “Menino de Engenho”, “Brasil Ano 2000” (Genial! Tenho o vinil, com a trilha sonora, que adoro.), “A Lira do Delírio”, “Chico Rei”, “Ele, o Boto” e “A Ostra e o Vento” (Admiráveis interpretações de Lima Duarte, Fernando Torres e Leandra Leal).

Sabendo-se que o cinema pode valer-se de inúmeras locações, de estúdio e externas, e que tudo, no TEATRO, tem de acontecer sobre um palco, limitado num espaço físico, creio ser uma tarefa difícil a adaptação de um filme para uma peça teatral, de boa qualidade, preservando-se, o máximo possível, o que se vê na telona, como é o caso da peça em análise.






E lá fui eu, cercado de expectativas, como sempre, boas. E não me decepcionei com o que vi. Muito pelo contrário; gostei bastante da encenação, que mistura paixão, sedução, emoção, um pouco de mistério, também, e, como “ninguém é de ferro”, humor, leve e, por vezes meio cáustico, para contar a história de um tenente-coronel, que não vê, denotativa e conotativamente falando, mais sentido na vida, desde que ficou cego, e está se preparando para morrer. Antes, porém, como já dito na sinopse, contida no “release”, enviado por FABÍOLA BARBOSA (PALAVRA – ASSESSORIA EM COMUNICAÇÃO), ele resolve fazer uma viagem, na companhia de um “cuidador”, e acaba reencontrando o grande amor de sua vida, de quem, covardemente, desistira, depois do acidente que lhe tirou a visão. Toda a trama se passa na Itália.









A história pode ser considerada uma ode à amizade e à superação, pois, “Até conhecer CICCIO, o melhor amigo do solitário FAUSTO é sua garrafa de uísque. Quando os dois se encontram, a vida de ambos dá uma reviravolta. Surge uma amizade surpreendente, que resiste às diferenças de idades e rotina. O que sobra em um, falta no outro.” (Extraído do “release”.). “No primeiro contato, o velho militar expulsa o estudante, mas o garoto não desiste e, aos poucos, desvenda as amarguras e escolhas de Fausto.”. (Idem).

O texto ganhou forma pelas mãos de PEDRO BRÍCIO, SÍLVIO GUINDANE e WALTER LIMA JR., responsáveis por uma boa adaptação, que conta a história de uma forma enxuta e clara.

Experiente homem de cinema, LIMA JR. encontrou soluções muito interessantes para as cenas em ambiente externo, com destaque para o famoso “test drive”, numa Ferrari, sonho de consumo de FAUSTO, fazendo uso de projeções, o que não é nada tão original assim, em TEATRO, mas é um recurso que, quando bem utilizado, como nesta peça, funcionam muito bem.






O elenco comporta-se de maneira muito satisfatória, com destaque, evidentemente, para SÍLVIO GUINDANE, nem tanto pelo fato de interpretar um protagonista, mas por este ser cego (Recuso-me a usar o “politicamente correto” “deficiente visual”.), o que todos sabemos ser bastante difícil de ser representado por alguém que enxerga. SÍLVIO se sai muito bem, embora, talvez, exagere um pouco nos movimentos da cintura para cima, meio “bambo”, quando, perece-me, a indecisão maior de equilíbrio, para um cego, deva ser da cintura para baixo. Mas isso é apenas um detalhe, que, em nada, desabona sua boa atuação. A estrutura psicológica do personagem ajuda o ator, facilita-o, na utilização de alguns recursos que põem em evidência seu protagonismo. FAUSTO é uma homem sedutor e amargurado, que tem a necessidade de se mostrar forte, impor-se aos outros, abusando de um autoritarismo, que torna quase insuportável uma convivência salutar com ele. Também se apresenta com um ser melancólico, cínico, irônico, farto da rotina em que é obrigado a viver, por suas limitações. Isso faz dele um homem arrogante e, até mesmo, cruel. Aproveita de sua condição “privilegiada” (cegueira) para zombar da dissimulação e do fingimento da sociedade, com desdém pelas convenções de compaixão, das quais também é refém. Esse caráter ambíguo, de admiração e repulsa por um personagem, de uma grandiosidade, que, por vezes, nos faz até esquecer sua limitação física, mas que também é desagradável, amargo e sarcástico, reflete sua personalidade conflituosa, mas, ao mesmo tempo, carismática.”. (Extraído de um comentário de fonte desconhecida.). Além de mulherengo, vive mergulhado no álcool. Como é quase natural, entre os que apresentam algum tipo de deficiência física, sua cegueira acentuou-lhe os outros sentidos, sobretudo o apurado olfato.






GABRIELA DUARTE cumpre sua parte, na trama, com correção e parcimônia, na pele de SARA, uma jovem apaixonada por FAUSTO, a qual não se conforma com a sua enfermidade. Ela demonstra conhecer bem o temperamento do protagonista, parecendo nunca ter perdido a esperança de que ele voltaria, um dia, para, juntos, viverem o grande amor idealizado e interrompido pela explosão de uma granada. Ainda que um pouco insegura, a personagem se julga muito importante na vida de seu grande amor, como se ela fosse indispensável à sobrevivência deste, uma sua metade, no dia a dia do militar. GABRIELA também interpreta a prostituta MIRKA, numa cena inesquecível, quando os dois dançam um tango, muito bem coreografado, diga-se de passagem.

Fiquei extremamente feliz com a atuação do jovem e incipiente ator EDUARDO MELO, que interpreta CICCIO, o “cuidador” e fiel escudeiro de FAUSTO, naquela viagem. EDUARDO compôs muito bem o seu personagem, num contraponto com o de SÍLVIO. Ao contrário de FAUSTO, que se sobressai por sua experiência, uma suposta, por ele, invulnerabilidade, segurança, e todos os adjetivos já expressos, dois parágrafos acima, CICCIO reúne, inexperiência, ingenuidade, insegurança, doçura, afabilidade, mas, também, vai aprendendo a enfrentar o “Todo-Poderoso-FAUSTO”, “comendo pelas beiradas", não se permitindo ser mais uma vítima nas mãos do patrão. À medida que a viagem segue seu curso, o jovem vai aprendendo lições de vida, como saber distinguir entre aparência e realidade, amor e fraude, palavras e ações.




Completa o competente elenco SAULO RODRIGUES, em dois personagens: o PADRE FAUSTO e a “drag queen” MARILYN MAZZONI, com ótimo rendimento nos dois papéis.

Dos elementos técnicos, JOSÉ DIAS faz um bom trabalho de cenografia, muito importante na encenação de uma peça adaptada de um filme; CÁSSIO BRASIL desenhou figurinos bem ajustados aos personagens, todos de bom gosto; e DANIEL GALVÁN trabalhou uma interessante iluminação, que privilegia, em determinadas cenas, as sombras, com muito acerto.


 






FICHA TÉCNICA:

Baseado na obra de Ruggero Maccari e Dino Risi 
Idealização: Sílvio Guindane
Dramaturgia: Pedro Brício, Sílvio Guindane e Walter Lima Jr.
Direção Artística: Walter Lima Jr.
Assistente de direção: Isabel Guerón

Elenco: Sílvio Guindane, Gabriela Duarte, Eduardo Melo e Saulo Rodrigues

Direção de Arte e Cenografia: José Dias
Figurino: Cássio Brasil
Iluminação: Daniel Galván
Projeção Videográfica: Dado Marietti
Cenotécnico: Anderson Dias
Direção de Produção: Gustavo Nunes
Fotos: Jairo Goldflus e Dalton Valério
Designer: Márcio Oliveira
Designer / Manutenção: Julliana Costa
Prestação de Contas: Helber Santa Rita
Produção Executiva: Valéria Alves e Luiz Claudio Gomes
Produtores Associados: Gustavo Nunes e Sílvio Guindane
Produção: Vira Lata Produções e Turbilhão de Ideias Entretenimento
Patrocínio: Renner, FURNAS
Copatrocínio: PetroRio
Apoio: Carolina Herrera






 






SERVIÇO:

Temporada: De 03 de janeiro a 27 de fevereiro de 2019.
Local: Teatro PetroRio das Artes.
Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea – Rio de Janeiro (Shopping da Gávea – 3º piso).
Telefone da Bilheteria: (21) 2540-6004.
Dias e Horários: De 5ª feira a sábado, às 21h; domingo, às 20h.
Valor do Ingresso: às 5ªs feiras, R$80,00 (inteira) e R$40,00 (meia entrada); de 6ª feira a domingo, R$90,00 (inteira) e R$45,00 (meia entrada); Ingressos Populares (?): R$50,00 (inteira) e R$25,00 (meia entrada). 
Duração: 90 minutos.
Classificação Etária: 14 anos.
Capacidade do Teatro: 417 lugares.
Gênero: Drama.








            Talvez o que de mais importante o texto deseje mostrar seja o que um ser humano é capaz de fazer, para ocultar seus verdadeiros sentimentos, por medo ou orgulho, sob uma falsa capa de força, segurança e independência. No fundo, FAUSTO tem consciência de sua fragilidade e precisa saber como se comportar na relação com os que com ele convivem e dos quais ele depende. A maneira agressiva e, ao mesmo tempo, até, compreensível, de rejeitar os sentimentos de compaixão e piedade transborda para uma igual rejeição do amor e do afeto que alguém demonstre, sinceramente, por ele.

A viagem de sete dias, metaforicamente, representa, a meu juízo, uma “viagem interior”, do personagem, em busca de uma identidade, de si próprio, a auto-aceitação e, acima de tudo, da capacidade de “enxergar” o sentimento do respeito e da afeição que os outros demonstram por ele. Com isso, FAUSTO acabou por criar o personagem FAUSTO. Resta saber quando se está diante de um ou de outro. Ou é um só, o tempo todo? Assistindo à peça, fique atento a esse detalhe.

A temporada carioca vai até 24 de fevereiro. Na sequência, “PERFUME DE MULHER” segue em turnê pelo país, de março a junho: São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto, Porto Alegre, Vitória e Fortaleza. Em setembro, estreia em Portugal.

Recomendo bastante o espetáculo!!!







(FOTOS: JAIRO GOLDFLUS
e
DALTON VALÉRIO)







E VAMOS AO TEATRO!!!



OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO DO BRASIL!!!



A ARTE EDUCA E CONSTRÓI!!!



RESISTAMOS!!!



COMPARTILHEM ESTA CRÍTICA, PARA QUE, JUNTOS,


POSSAMOS DIVULGAR O QUE HÁ DE MELHOR NO


TEATRO BRASILEIRO!!!












































quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019


6º PRÊMIO CESGRANRIO 
DE TEATRO


(SOBRA TALENTO, 
SOBRA ALEGRIA, 
SOBRA ‘GLAMOUR’!!!
ou
O TEATRO EM NOITE 
DE GRANDE GALA!!!

 










           Por motivos totalmente alheios à minha vontade, pois não dependia só de mim, esta matéria só pôde ser concluída e publicada agora, mais de duas semanas após o evento do qual ela trata, que aconteceu no dia 21 de janeiro de 2019, porém sempre é tempo para uma louvação e um agradecimento. De antemão, agradeço à Assessoria de Imprensa do Centro Cultural Cesgranrio, na pessoa de FABÍOLA BLAISO, pelo material a mim enviado.

Não encontro um jeito de substituir, por outros melhores, os subtítulos deste artigo e acho que os terei de usar em todas as próximas edições.






Mais uma vez, estive presente à grandiosa festa de premiação dos melhores do TEATRO BRASILEIRO, na 6ª edição do PRÊMIO CESGRANRIO DE TEATRO, referente ao ano teatral de 2018, criado e organizado pela Fundação Cesgranrio, na figura de seu fundador, presidente e grande mecenas das artes, no Brasil, principalmente do TEATRO, o Professor CARLOS ALBERTO SERPA.



O Professor Carlos Alberto Serpa e sua esposa, Dona Beth Serpa,
os grandes anfitriões da noite.



          O júri do PRÊMIO, que conta com sete nomes intimamente ligados ao TEATRO e de notório conhecimento e bom gosto, formado por CAROLINA VIRGÜEZDANIEL SCHENKERJACQUELINE LAURENCELIONEL FISCHERMACKSEN LUIZRAFAEL TEIXEIRA e TÂNIA BRANDÃO, escolheu o que considerou o melhor em cada uma das doze categorias previstas.

  Como sempre, o evento aconteceu nas dependências do emblemático Golden Room do Copacabana Palace Hotel, no Rio de Janeiro, o qual, já há algum tempo, teve seu nome trocado para Belmond Copacabana Palace, o que “não emplaca”, de jeito nenhum. O espaço principal em que se realiza a festa foi a primeira casa de espetáculos da América Latina, e, na sua história, de 95 anos, teve a honra e o privilégio de já ter sido palco para apresentações de alguns dos maiores nomes do “show business” mundial, como Marlene DietrichMaurice ChevalierRay CharlesEdith Piaf , Ella Fitzgerald Nat King Cole, entre outros.






            A premiação teve como apresentadores, JÚLIA LEMMERTZ, uma das grandes atrizes do TEATRO BRASILEIRO, e o ator JÔNATAS FARO, os quais conduziram a premiação com alegria, leveza e competência, como dois grandes artistas que são.



       A cada ano, o PRÊMIO homenageia um grande nome do TEATRO. Já foram alvo de homenagens Glória Menezes e Tarcísio Meira (2012, ano de lançamento do PRÊMIO)Mílton Gonçalves (2013)Ney Latorraca (2014)Nathália Thimberg (2015), Nicette Bruno (2016) e Antônio Fagundes (2017). Nesta 6ª edição, a honraria coube a uma das maiores damas dos palcos, a atriz FERNANDA MONTENEGRO, a “DONA FERNANDONA”, que fez um belíssimo e comovente discurso de agradecimento, uma verdadeira aula, principalmente para os que se iniciam no ofício de representar, tendo sido ovacionada, de pé, durante muitos minutos, por todos os presentes, e recebeu uma condecoração, das mãos do Professor SERPA, a Medalha do Mérito Cesgranrio, honraria da qual poucos desfrutam.

Falar da importância da Fundação Cesgranrio para a cultura brasileira, e, em especial, a carioca, já se torna desnecessário por tudo quanto ela vem fazendo, nos últimos anos, fomentando as artes, em vários segmentos, suprindo, com total sucesso, o vazio deixado pelos governos, nos três âmbitos. Sugiro, ou melhor, peço a todos que acessem o site oficial da Fundação Cesgranrio, para conhecer todos os benefícios que ela oferece a crianças, jovens e adultos, no campo da educação, da cultura e das artes, mormente o TEATRO (www.cesgranrio.org.br).






Vou repetir, aqui, uma frase, dita pelo Professor SERPA, há dois anos, na mesma celebração, que serve de norte para as realizações da Fundação: “Já ressaltamos nossa convicção de que o TEATRO é o ‘locus’ preferencial de vivenciar emoções memoráveis, que transformam as pessoas e as preparam para o cotidiano da vida”. Assinamos embaixo, Professor.

A organização do PRÊMIO fica a cargo do competente Secretário Executivo de Cultura da Fundação CesgranrioLEANDRO BELLINI, o qual, no programa da festa, diz que “O caminho para dar a este projeto a dimensão e o reconhecimento que, em tão pouco tempo, ele conquistou não foi simples nem fácil (...) Vários foram os desafios que encontramos, mas tínhamos a obrigação de ser coerentes com aqueles a quem queríamos premiar e, dessa forma, não vacilamos (...) Estamos orgulhosos! Enche-nos de alegria ver que, apesar de novo, nosso Prêmio retrata a credibilidade típica dos projetos desenvolvidos pela Fundação Cesgranrio, seja na área da educação ou da cultura.”.

É preciso dizer mais alguma coisa? LEANDRO também é o responsável pelos textos lidos pelos apresentadores, ou seja, o roteiro.



Leandro Bellini.



Todos os anos, a cada nova edição do PRÊMIO, nossos corações são mais testados do que no ano anterior, uma vez que tudo é preparado para que não consigamos conter as lágrimas, em vários momentos. Frequento, com a maior honra, alegria e prazer, o evento, desde a primeira edição, e estou sempre pronto para mais e mais emoção, ou pela revelação dos nomes dos premiados, ou, principalmente, pelos discursos, de quem quer que seja. Neste ano, quem contribuiu para a minha quase desidratação, foram a homenageada, DONA FERNANDONA, com toda a sua sabedoria e sensibilidade, o iluminador RUSSINHO, ao contar sua trajetória de menino humilde do subúrbio até seu atual “status” profissional, e o ator, dramaturgo e diretor, LEONARDO NETTO, ao falar da atual crise por que passa o TEATRO BRASILEIRO e a conclamar todos os presentes a resistir, não permitindo que a grande arte milenar desapareça, pisoteada por canalhas, insensíveis e desejosos de que o povo permaneça desinformado, prato cheio para os seus golpes e desmandos.


Material (com cortes, adaptações e acréscimos) cedido por FABÍOLA BLAISO, da Assessoria de imprensa do Centro Cultural Cesgranrio:



Ao som de “Beatriz”, de Chico Buarque e Edu Lobo, belissimamente interpretada por MALU RODRIGUESestrela de musicais, como "Beatles Num Céu De Diamantes" e "A Noviça Rebelde", dentre tantos outros, começou a 6ª edição do PRÊMIO CESGRANRIO DE TEATRO. MALU, acompanhada por parte dos integrantes da Orquestra Sinfônica Cesgranrio, adentrou o Golden Room e atravessou-o, entre o público convidado, entoando, como uma cotovia, a belíssima canção, num oferecimento à grande homenageada da noite, sentada na primeira fila do auditório. Chegou à sua frente, quase ao término do número, fitando-a, docemente, enquanto cantava, numa reverência que era, também, o desejo de todos ali presentes. Quase ao final do número musical, a apresentadora da festa, JÚLIA LEMMERTZ, entrou e se pôs ao lado de MALU, para, ao final da interpretação, emendar, com um poema, escrito por LEANDRO BELLINI, em homenagem à DONA FERNANDA MONTENEGRO, sem título:














Venho de outras eras,
De outras esferas,
E o que trago na alma pode preencher toda uma vida,
Ou várias, se preciso for.

Atravesso o tempo.
Tenho pacto com a eternidade.
Sim, eu sou dessas que vagam pelo passado,
Que esbarram no futuro
E se entregam aos presentes que a vida deu.
Eu invento os presentes que a vida não soube dar.

Quando subo ali, naquele palco,
Flerto e seduzo os sonhos dos homens,
Mas, também, sei ser espelho e falo dos pesadelos
Que esses homens não ousam confessar.

Eu me alimento do que é fugaz.
Namoro as palavras e posso até devorar.
Meu apetite vai além do que é dito.
Para o não dito, eu trago um olhar.
É assim que traduzo a alma impura do mundo.

Meu nome? Me chamam de atriz.
E ser o que sou faz de mim do tamanho da vida.
Sei ser cada esquina que você cruzar.

Eu sou você!
Somos uma, somos a mesma e somos várias; somos todas!
Somos qualquer uma e podemos ser uma qualquer.
Basta que haja, sempre, um espaço vazio na alma,
Aguardando pelo novo.

Vejam bem, todos vocês!
Aqui, na minha frente, há alguém que me obriga a parar,
Eu olho para ela, olho para esses olhos que já percorreram a humanidade,
E gosto dessa ousadia que eles trazem.
Reconheço, nesses olhos, a mesma ousadia que me inquieta,
Desde os primeiros dias.

Vejam bem, todos vocês!
Aqui, na minha frente, há alguém que ousou passar a vida
Transbordando.
E, vendo essa mulher, eu também ouso transbordar.
Sou como ela, sou como você.
Somos atrizes e temos a audácia de passar pela vida
E mudar tudo de lugar.

Atenção! Por favor, todos vocês, olhem com muita atenção!
Aqui, na minha frente, há uma FERNANDA,
E há tanta gente, que eu nem sei contar.
Pois cabem quantas dentro dela?
Não! Não serão números que darão conta dessa resposta.
Para saber quantas ela guarda, é preciso mais que matemática.
É preciso abertura, entrega; é preciso TEATRO.
Senhoras e senhores, eis aqui, na minha frente, um tal de TEATRO,
Do qual eu não posso me esquivar.
Salve o TEATRO BRASLEIRO!
Salve FERNANDA MONTENEGRO!


















A declamação emocionou a todos. E não havia, apenas, uma declamação ali. JÚLIA o fez despudoradamente emocionada e agradecida, por ser a portadora de milhões de vozes espalhadas por este Brasil. Eu sou uma das maiores. Beijo os pés dessa diva e não ouso poupar-lhe o tratamento de “DONA”, quando a ela me refiro ou me dirijo.

Em seguida, os músicos presentes, da Orquestra Sinfônica Cesgranrio, tocaram os primeiros acordes da canção “Roda Viva”, de Chico Buarque, enquanto JÔNATAS FARO entrava, do fundo do auditório, cantando a música, acompanhado por um coro, de 30 cantores, do Coral Cesgranrio, até então, espalhados pela plateia, na condição de público, que iam se levantando, um a um, em pequenos intervalos. Outra belíssima surpresa daquela inesquecível noite.

E deu-se início às premiações, que se seguem. Cada vencedor, além de um lindo troféu, criado pelo artista plástico Yutaka Toyoya, levou, para casa, um prêmio no valor de R$25.000,00. O valor total das premiações é de R$300.000,00, o maior pago no país.









MELHOR FIGURINO (prêmio entregue por Cissa Guimarães e Mouhamed Harfouch): JOÃO PIMENTA, por “ROMEU + JULIETA AO SOM DE MARISA MONTE”





MELHOR CENOGRAFIA (prêmio entregue por Sérgio Marone): DINA SALÉM LEVY, por "CÉREBROCORAÇÃO" 





MELHOR ILUMINAÇÃO (prêmio entregue por Zezé Motta e Guilherme Fontes): RUSSINHO, por "MEMÓRIA DO ESQUECIMENTO"





MELHOR ATOR (prêmio entregue por Rodrigo Simas): DANIEL DANTAS, por "O INOPORTUNO"


João Polessa Dantas recebe o prêmio, pelo pai.

                              
MELHOR ATOR EM MUSICAL (prêmio entregue por Gottsha e Lúcio Mauro Filho): CLÁUDIO GALVAN, por "ROMEU + JULIETA AO SOM DE MARISA MONTE"









MELHOR ATRIZ (prêmio entregue por Antônio Calloni): MARIANA LIMA, por "CÉREBROCORACAO" 


Renato Linhares, um dos diretores da peça, recebe o prêmio, por Mariana Lima.


MELHOR ATRIZ EM MUSICAL (prêmio entregue por Letícia Sabatella, a qual, antes de anunciar a vencedora, interpretou “Rien de Rien”): AMANDA ACOSTA, por "BIBI - UMA VIDA EM MUSICAL" 









MELHOR TEXTO NACIONAL INÉDITO (prêmio entregue por Rômulo Estrela): LEONARDO NETTO, por "A ORDEM NATURAL DAS COISAS" 








(Aqui, a premiação sofreu um rápido intervalo, para uma homenagem póstuma a todos os artistas falecidos em 2018. Ao som de uma canção, executada pela Orquestra Sinfônica Cesgranrio, foram exibidas fotos de todos os queridos artistas de TEATRO que nos deixaram no ano passado, mas que deverão ser, sempre, lembrados por todos nós.).






         A cerimônia prosseguiu com a homenagem, programada, a FERNANDA MONTENEGRO, no ano em que completa 90 anos de idade e 75 de carreira. Após um longo e muito bem produzido vídeo sobre a homenageada, com momentos importantes e marcantes de sua trajetória no TEATRO e depoimentos de grandes amigos, ela foi chamada ao palco, de onde, profundamente emocionada, agradeceu a homenagem e proferiu, de improviso, um lindo discurso, parabenizando os artistas mais jovens, do qual extraímos um trecho: “O momento dessa geração mais jovem é de resistência, de fazer um ofício com o qual não pode se manter. Tem que viver que nem mendigo, pedindo aqui e ali, submetendo-se a comissões, que são direcionadas, com um caminho ideológico, de atendimento político. Eu respeito esses jovens atores, todos que estão aqui batalhando, diante da destruição de uma arte eterna.”. A atriz também ressaltou que não é possível separar cultura da educação. "A cultura é a carnificação deste esqueleto, que é a educação.", disse.

      Depois disso, o Professor SERPA subiu ao palco, para condecorar FERNANDA, com a Medalha do Mérito Cesgranrio, não deixando, evidentemente, também, de registrar, numa fala, seu agradecimento à homenageada, por tudo o que elas representa para o Brasil e faz por ele.





















            E a premiação continuou:


CATEGORIA ESPECIAL (prêmio entregue por Luís Miranda): ELENCO DE “ELZA”







MELHOR DIREÇÃO MUSICAL (prêmio entregue por Zélia Duncan): JULES VANDYSTADT, por "O HOMEM NO ESPELHO", "PIPPIN" e "70? DÉCADA DO DIVINO MARAVILHOSO"











MELHOR DIREÇÃO (prêmio entregue por Gabriela Duarte e Caio Paduan): DUDA MAIA, por "ELZA”









MELHOR ESPETÁCULO (prêmio entregue por Débora Bloch e Ney Latorraca): "A INVENÇÃO DO NORDESTE"










FICHA TÉCNICA:

Um projeto idealizado pelo Professor Carlos Alberto Serpa

Roteiro e Direção: Leandro Bellini
Coordenador de Produção: Mariana Schmidt, Marília Nogueira, Marcus Brandão e Roberto Padula
Coordenação de Produção Audiovisual: Alexandre Machafer
Coordenação de Produção Musical: Priscila Melo
Design Gráfico e Comunicação: Welton Moraes
Produção: Hellen Carso, Pedro Borba, Raphael Maciel, Victor Zott e Welton Moraes
Produção Audiovisual: Paulo Miguez e Ricardo Soares
Produção Musical: Felipe Marcelino e Renan Ferreira Brito
Assessoria Administrativa: Urbano Lopes e Nilclécia Lira
Assessoria Jurídica: Eliane Chantre
Equipe de Audiovisual: Alberto de Moraes, Carlos Augusto, Carlos Alberto Santa Rita, Jorge Niny, Luís Araújo Simpson, Nilson Queiroz e Raphael Nogueira
Cenografia: Marisa Monteiro, Rogério Madruga e Michel Sant’Anna
Decoração: Eugênia Guerrera
Assessoria de imprensa: Cláudio Pompeu, Fabíola Blaiso, Letícia Koeler e José Renato Antunes
Assessoria de Imprensa / Convidados: Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho
Arranjos e Trilha Sonora: Mário Ferraro
Locução: Carlos Alberto Santa Rita
Colaboração: Aline Santos, Ana Carla de Mendonça, Dulce Pirajá, Ricardo Delgado e Samara Silveira
Realização: Centro Cultural Cesgranrio

  


Cissa Guimarães e João Velho, seu filho.



           Não importa se os nomes dos vencedores foram, ou não, aprovados por todos. Aliás, tenho a certeza de que não foram, da mesma forma como, para mim, TODOS SÃO VENCEDORES. Não porque, segundo Nelson Rodrigues, “Toda unanimidade é burra.”. Jamais concordei com ele, e a prova maior disso é o nome da querida homenageada, DONA FERNANDA MONTENEGRO. O que importa, de verdade, é que o PRÊMIO CESGRANRIO DE TEATRO é, sem dúvida, um evento aguardado, com ansiedade, pela classe artística e por todos os amantes do TEATRO, e, mal termina uma premiação, já começam os preparativos para a próxima e a curiosidade de todos, aguardando o próximo janeiro, e que todos nos sentimos vitoriosos e com a alma lavada, após o balanço final da festa, que, a cada ano, se aprimora.

Ney Latorraca

Zezé Motta

           Esperamos que se perpetue este evento.

Gottsha e Lúcio Mauro Filho

(FOTOS CEDIDAS PELA ASSESSORIA DE IMPRENSA DO CENTRO CULTURAL CESGRANRIO (a maioria) 
e
outras, de arquivos pessoal e/ou particulares, 
extraídas de redes sociais, com ou sem créditos.)



(GALERIA PARTICULAR -
FOTOS DE ALEXANDRE POMAZALI.)









 









Com Alexandre Pomazali e Roberto Amaral



E VAMOS AO TEATRO!!!


OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO DO BRASIL!!!


A ARTE EDUCA E CONSTRÓI!!!


RESISTAMOS!!!


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POSSAMOS DIVULGAR O QUE HÁ DE MELHOR NO

TEATRO BRASILEIRO!!!