quinta-feira, 17 de setembro de 2020

                                 NA COXIA, COM...

...GISELE MACHADO

e

BRUNO MORAIS.


Gisele Machado



Bruno Morais


       O “Velho Guerreiro” é autor de tantas frases que caíram no gosto popular e passaram a fazer parte do imaginário coletivo do povo brasileiro, até mesmo para quem não gostava dele ou não tinha o hábito de assistir aos seus programas. Dizia Abelardo Barbosa, pela boca de seu personagem “Chacrinha”: “QUEM NÃO SE COMUNICA SE TRUMBICA!”. E isso é a mais pura verdade. Essa frase está, intimamente, ligada a uma outra, de cuja autoria não faço a menor ideia: “A PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO.”. (Quando é bem feita, é claro!)

               Como é que eu vou saber que um determinado fabricante de sorvete lançou um picolé de tamarindo (Nunca entendi por que a árvore é “tamarineira”, e não “tamarindeira”. Melhor é deixar para lá!), se ninguém me disse isso, via mídias? Como é que eu posso adivinhar que tal loja está em liquidação, vendendo produtos caríssimos “a preço de banana”, se a mídia não faz a ponte entre o lojista e o consumidor em potencial?

                  Como é que eu vou saber, principalmente como crítico e jurado de prêmios de TEATRO – mas vale para todas as pessoas –, que um determinado espetáculo teatral, “show” ou qualquer outra atividade cultural vai acontecer e de que se trata, de quem faz parte dela, de quais são seus objetivos, de onde  e em que dias e horários acontecerá tal evento, se não houver quem me informe isso?

             Na área cultural, esse trabalho começa no assessor de imprensa, uma função da maior relevância, infelizmente, ignorada ou pouco prestigiada, por muita gente, de uma maneira geral, mas que eu valorizo demais. Para mim, assessores de imprensa são pessoas da maior importância, na engrenagem que faz mover o TEATRO, uma arte coletiva, sem os quais a coisa pode não dar muito certo. Já vi excelentes espetáculos com casas vazias, por falta de uma correta e eficiente assessoria de imprensa. Quem ia assistir a eles, normalmente, era levado pela ação do eficiente método de divulgação a que se convencionou chamar de “boca a boca”.



                As funções de um assessor de imprensa, em termos de divulgação, estão voltadas para dois destinatários, basicamente: os críticos e jurados de prêmios, em geral, e a imprensa, para que esta multiplique as informações, via seus veículos de mídia: jornais, revistas, televisão, rádio... E, aqui, incluo as redes sociais, de extrema importância, hoje em dia, em termos de divulgação de eventos culturais.

   Se o trabalho de um assessor de imprensa é bom, bem executado, as chances de um espetáculo de TEATRO, sobre o que falo, especificamente, dar certo são muito grandes, se a peça não for um “desastre”, evidentemente, até porque assessores de imprensa não foram, ainda, canonizados, impossibilitados, portanto, de fazer milagres. Caso ocorra o contrário, o trabalho de divulgação deixar a desejar, haverá prejuízos de diversos tipos.

              Uma boa assessoria de imprensa fortalece uma produção teatral e é fundamental para “vender o produto”. Moro e atuo, como crítico e jurado de prêmios de TEATRO, no Rio de Janeiro, mas, faz bastante tempo, faço algumas viagens, por ano, a São Paulo, a fim de assistir a espetáculos teatrais e escrever críticas sobre eles, principalmente, os que, de antemão, sei que não virão para o Rio. Então, o que falarei agora se aplica apenas a essas duas capitais.


Gisele Machado


     Tanto aqui, no Rio de Janeiro, como em São paulo, existem excelentes assessores de imprensa, a grande maioria, que agregam valores aos espetáculos que divulgam. Não vou citar nomes, embora sinta vontade de fazê-lo, para não cometer a indelicadeza de me esquecer de algumas pessoas, das quais – um considerável número – já até me tornei amigo pessoal. No Rio, então, a minha “casa”, não é diferente e, pelo mesmo motivo, não destacarei ninguém. A grande maioria é constituída de ótimos profissionais e alguns eu incluo na minha lista de queridos amigos pessoais. Que vontade de citar nomes! Mas vou resistir à tentação. Eles sabem que é deles mesmo que estou falando e espero que compreendam que só poderia ter feito uma escolha, embora tantos merecessem me dar a honra de uma entrevista. Ciúmes à parte, por favor. (Risos. Momento descontração.)

             Infelizmente, há alguns, porém, poucos (ainda bem), que deveriam ter escolhido outra profissão ou, como dizia minha avó, “a cigana os enganou”. Um ou outro “profissional” erra muito mesmo; está na profissão errada. E isso não é só opinião minha; é queixa de vários colegas, críticos e jurados. Outros, porém, são unanimidade, em termos de correção profissional, como as duas pessoas que convidei para este bate-papo, nesta primeira entrevista em dupla, para o blogue. Confesso que, se pudesse, entrevistaria muita gente, mas tive de fazer uma “escolha de Sofia”.

              Falar de uma e falar do outro significa, praticamente, a mesma coisa. Diferenças? Uma é mulher e o outro, homem; uma é negra, o outro, branco; uma mora aqui, o outro, lá; uma prefere isto, o outro, aquilo... Mas nada disso importa. Absolutamente nada! Coincidências? Uma bastaria: competência. Os dois parecem uma entidade, uma só pessoa, quando o assunto é trabalho. Eles se entendem muito bem e formam uma dupla de assessores de imprensa, dos melhores, no Rio de Janeiro, na empresa em que atuam, a “MARROM GLACÊ – ASSESSORIA & AGENCIAMENTO”.

      Refiro-me a GISELE MACHADO e BRUNO MORAIS, dois queridos amigos e competentíssimos profissionais. Farei perguntas que serão respondidas pelos dois e algumas direcionadas a cada um deles, especificamente. Pelo excesso de (Risos.), dá para se perceber quão felizes e bem-humorados são os dois; brincalhões, entretanto seriíssimos no trabalho.


Bruno Morais

 

1) O TEATRO ME REPRESENTA: (Pergunta que mais parece um testamento. Risos.) Considerando-se que um assessor de imprensa precisa escrever “releases”, atualizar mídias sociais, relacionar-se com a imprensa, é de se esperar que ele tenha um domínio da língua portuguesa, no nosso caso, estando no Brasil, não cometa erros crassos, o que, infelizmente, muitos “coleguinhas” parecem ignorar. Como professor de língua portuguesa, fico muito aborrecido, e envergonhado, quando recebo “releases” ou vejo, nos programas das peças de TEATRO, erros “gritantes”, o que jamais poderia acontecer. Quero deixar bem claro que não é o caso de vocês. De tanto incômodo que isso me causa, já me ofereci, inclusive, várias vezes, para fazer, de graça, a título de colaboração, revisões nos textos do material de divulgação e dos programas, entretanto, até hoje, apenas uma assessora teve a humildade de me solicitar esse favor, que prestei com o maior prazer. Vocês contam com alguma “assessoria” (Risos.), antes de lançar o material de divulgação, ou se preocupam, por fazer, vocês mesmos, as devidas revisões, visando a um texto claro e gramaticalmente correto?

 

BRUNO MORAIS: Todo nosso material é produzido e revisado por nós mesmos. Seja um “release”, um “e-mail”, as sugestões enviadas à imprensa, os “posts” nas redes sociais, enfim... É tudo nosso (Risos)! Eu sempre tive bastante facilidade com a escrita e interesse nas particularidades da língua portuguesa. E percebi, durante a faculdade de jornalismo, que a graduação não ensinaria ninguém a escrever ou a se comunicar, exatamente – ela te situa, te dá ferramentas, orientações técnicas, ensina a história e as teorias da comunicação, a adequação de linguagens para os variados meios de comunicação, te ensina formatos e dá, até, aulas de português. Mas o talento e estilo da escrita é de cada um, mesmo, não tem jeito! Infelizmente, muitos alunos entram na faculdade com um arcabouço pouco desenvolvido. E descobrem, já lá dentro, que ali não é exatamente uma continuação da escola e que não lhes serão fornecidos o que deveria ter sido aprendido naquele período. Porém nunca é tarde para aprender. Então, quando um aluno busca o conhecimento, acredito que ele o encontre e que isso colabore, assim, com seu aperfeiçoamento profissional. 


 

2) OTMR: O curso de Comunicação Social abre vários leques para os estudantes: jornalismo, rádio e televisão, produção editorial e multimídia, fotografia, audiovisual, publicidade e propaganda, relações públicas, cinema, mídias digitais e eletrônicas... Nas minhas pesquisas, não encontrei a rubrica “assessoria de imprensa”. Pergunta para os dois: Considerando que ambos cursaram uma faculdade de Comunicação Social (suponho), ao ingressar na universidade, vocês já tinham em mente a escolha do ramo da assessoria de imprensa? Como chegaram até lá? E é possível ser assessor de imprensa sem uma formação universitária?


BM: Sim, eu me formei em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Entrei bem cru e, relativamente, novo, mas nunca imaginei que trabalharia com assessoria (Risos.). Com o descobrimento das teorias da comunicação, pelas quais eu me apaixonei, pensei em seguir um caminho que fosse mais ao encontro da pesquisa. Por fim, quando concluí o curso e já com o leque da comunicação aberto, as múltiplas possibilidades apresentadas e a vida reforçando a realidade do mercado de trabalho, entendi que seria interessante trabalhar em qualquer parte da engrenagem da comunicação – mas sempre preferi a área cultural. No meu curso, especificamente, Assessoria de Imprensa foi oferecido como uma das disciplinas obrigatórias. Então, aprendíamos o básico: o que é, como funciona e para que serve uma assessoria de imprensa, bem como sua rotina – entendimento da necessidade do cliente, elaboração de “releases”, press kits” (que, hoje, já nem é algo tão usual), follow up”... Mas você só descobre o que é trabalhar com isso, mesmo, na prática. Conheço muita gente que não se adaptou ou não gosta, mesmo, porque não é uma atividade fácil, como se pressupõe.


 

GISELE MACHADO: Jamais me vi trabalhando com assessoria de imprensa. Sou formada em Relações Públicas e Jornalismo, pela Universidade Gama Filho. Quando tive a disciplina Assessoria de Imprensa, admito que não entendi, absolutamente, nada. Achava um serviço difícil, sem garantia e de muita responsabilidade. Sempre quis cursar Comunicação Social, nunca tive dúvidas disso, mas não sabia, diretamente, em que área atuar, dentro das habilitações oferecidas pelo curso. Publicidade nunca foi meu forte. Então, no período em que precisei escolher a área, quis conhecer mais sobre o universo de Relações Públicas, que vai muito além de cuidar de listas de convidados, em grandes eventos (Risos.). Fiquei encantada com o curso de RP, mas achei necessário aprimorar meu conhecimento e emendei em Jornalismo, no qual vivi experiências incríveis. Meu primeiro contato com assessoria de imprensa foi no estágio no Centro Cultural da Gama Filho. Ali, conheci, na prática, a função de um assessor, me despertou o desejo de me tornar uma assessora de imprensa. Sobre ser um assessor de imprensa sem formação universitária, acho possível, pois há muita gente exercendo a função, sem diploma. Talvez não seja um profissional completo, que entenda o real trabalho da profissão, mas está aí no mercado.


("PARA NÃO MORRER" - Fotos: Marcelo Almeida, Elenize Dezgeniski, Lídia Ueta e Raquwel Rizzo.)

 

3) OTMR: A assessoria de imprensa atua em diversos segmentos, trabalhando com artistas, em geral, peças de TEATRO (meu interesse maior nesta entrevista), cinema, eventos culturais, projetos... E vocês jogam em todas essas posições e em outras. A qual delas cada um se dedica mais e por quê?

 

BM: Meu começo, em assessoria de imprensa, foi na Moda, segmento no qual nunca me imaginei trabalhando. Mas aprendi os mecanismos, entendi as demandas, me adaptei bem, me desenvolvi como profissional, trabalhei com grandes marcas e desfiles, cresci, aprendi até a me vestir melhor e permaneci no ramo por oito anos. Em seguida, trabalhei, diretamente, assessorando atores, e até gosto, porque envolve cuidado com a imagem, mas, às vezes, acho a rotina meio repetitiva. O meu “barato”, mesmo, são as peças de TEATRO e os produtos culturais. Adoro assistir aos ensaios, entender, junto com a equipe, o que é aquela história, pensar como aquele produto pode ser trabalhado, mergulhar nos mais variados assuntos e universos, a cada trabalho. É eletrizante, há horas em que a gente “pira”. Já virei noite, escrevendo “release”, mas somos felizes. Fico super feliz com a ida de cada crítico/jurado às peças que assessoramos e, quando rola indicação para prêmio, então, nossa! A gente vibra, como se o prêmio fosse nosso. Eu acho muito gratificante participar, de alguma maneira, de algo que potencialize sentimentos e até mude a vida de tantas pessoas.

 

("PARA NÃO MORRER" - Fotos: Marcelo Almeida, Elenize Dezgeniski, Lídia Ueta e Raquwel Rizzo.)


GM: Quando abri a “MARROM GLACÊ ASSESSORIA” queria trabalhar, exclusivamente, com ator, uma assessoria direcionada aos atores. Depois, os atores começaram a me indicar para suas peças e produções culturais. Foi assim que a “MARROM...” chegou a todas as áreas. Indicações e relações de confiança. Eu jamais imaginaria que a “MARROM...”, um dia, fosse para a área do Terceiro Setor ou fazer um show do Paulinho da Viola com Criolo e Velha Guarda da Portela. São coisas distintas, “mailings” e contatos diferentes, mas que nos envolve, nos dá prazer em trabalhar. A “MARROM...” tomou um caminho muito bonito, em que tivemos, e temos, projetos sólidos, diferenciados, prósperos e prazerosos. Eu amo trabalhar com TEATRO. Participar de todo o processo é muito enriquecedor, é uma troca muito produtiva. Vibramos em cada processo e em cada pauta aprovada. Eu não tenho uma área de que gosto mais. Gosto de trabalhar com bons projetos, com uma equipe sólida e respeitosa, que nos permita trabalhar com liberdade e confia no nosso trabalho.

 


4) OTMR: Desde que vocês se iniciaram na profissão até os dias atuais, talvez, em termos de evolução, no campo das comunicações, o mundo tenha evoluído cinquenta anos em dez. Em função disso, pergunto: Como ser um bom assessor de imprensa na atualidade? De uma forma bem concisa, gostaria de que vocês me dissessem em que consiste, exatamente, o trabalho de um assessor de imprensa, hoje.

 

BM: Vou deixar a parte técnica para a GI falar (Risos.)! Mas é preciso muito jogo de cintura, flexibilidade, criatividade, dedicação, resiliência, contato e atualização constante com os profissionais de imprensa (para saber como e onde encontrar quem), adequação individual no trato, linguagem e abordagem, gentileza, educação... Enfim, são muitas as habilidades requeridas. E entender que você não terá muitos finais de semana e feriados, mas estará na presença daquilo que faz seu coração vibrar. Então, compensa.


("GIZ 9" - Fotos: Gabriela Furlan e Bernardo Martins.)

 

GM: Acredito que ser um bom assessor de imprensa, na atualidade, é saber jogar limpo, ser honesto com o cliente. Agir com ética é primordial. Explicar, com clareza, ao cliente qual é nossa real função e como funciona o processo, até a publicação de uma matéria.  Há muito profissional vendendo sonhos, e a realidade não é essa. Perdemos muitos espaços, emplacar matérias e notas está cada dia mais difícil. Ter bons contatos é fundamental, isso facilita a nossa entrada no veículo, mas não quer dizer que teremos aprovação ou que tudo que formos sugerir será aprovado. Ser criativo, na hora de pensar nas estratégias, no plano de comunicação e na venda da pauta. Acreditar no projeto, também, faz toda a diferença, pois, como trabalhamos com venda, temos que acreditar no nosso produto.


 

5) OTMR: Vocês diriam que a profissão de assessor de imprensa está em alta, no Brasil, a ponto de recomendá-la aos jovens que ainda não se decidiram por uma profissão?

 

GM: Tenho andado bem dividida em relação a isso. As redes sociais têm se tornado um canal muito fiel para a imprensa. Muitos jornalistas, hoje, se alimentam das mídias dos artistas, de uma forma geral, de onde eles consomem todas as informações.  O assessor, neste momento, é um profissional que orienta os que vivem da Arte sobre seu posicionamento, sua imagem e postura. Acredito que o assessor não esteja em alta e, sim, o analista das mídias sociais. Recomendo aos jovens fazerem aquilo no que eles tenham prazer, amor e dedicação, pois é isso que faz um profissional ter sucesso.

 

("O HÉTERO" - Foto: Jonathan Manezes.)


BM: Eu não diria isso, não. Com o advento da internet e a volumosa quantidade de redes sociais, a maneira de consumir informação vem mudando muito. A área da comunicação é a que mais tem sofrido constantes alterações. O enxugamento das redações e a extinção de muitos veículos é um complicador para todos os profissionais da área; inclusive para nós, que precisamos de espaço para divulgar. Eu tenho amigos que se formaram comigo, fizeram pós-graduação, são apaixonados pelo meio e nunca conseguiram inserção na área. É muito triste, isso. Sem querer entrar no mérito do talento, eu me considero um “cara” de sorte, porque as coisas aconteceram para mim. Mesmo com todo “perrengue”, eu trabalho na área desde que estava no 4º período da faculdade. Há, mais ou menos, um ano, a minha afilhada resolveu cursar Jornalismo e veio me consultar, e eu recomendei que ela repensasse a escolha (Risos.). Porque a gente sabe o quanto é difícil a inserção e a permanência no mercado e o quanto ele encolheu. Eu tenho 13 anos de formado e o mercado não parou de mudar, desde então. Mas, se a pessoa quer muito, faça. Porque nada está fácil, mesmo. Então, busque aquilo que te dê prazer, mas sem ignorar as dificuldades e desafios que virão.

 

("O HÉTERO" - Foto: Jonathan Manezes.)


6) OTMR: Vocês poderiam traçar, em poucas palavras, o perfil de um bom assessor de imprensa, nos dias atuais, contando com os recursos tecnológicos de que dispõem?

 

GM: É tão difícil traçar o que é bom e ruim nos dias de hoje. Eu acredito na ética, no respeito, estudo, comprometimento, prática e bons contatos.  Se aprofundar nos recursos das mídias sociais e ter acesso a conteúdo de qualidade, pois eles são fundamentais. 

 


7) OTMR: Li, numa matéria, que “o assessor de imprensa deve ser proativo”. Isso procede? Como vocês decodificam essa afirmação?

 

GM: Com toda certeza. Ele tem que ir pra cima. Não adianta ter todo material do cliente e o material não chegar à imprensa. Temos que saber extrair boas histórias, apurar bem as informações e buscar fontes confiáveis.   

 


(Lançamento do livro com o texto da peça "40 ANOS ESTA NOITE".)


BM: Totalmente! Não basta criar um “release” e enviar um “e-mail”, acreditando que o trabalho está feito. É preciso criar laços, ter muitas habilidades, entender a possibilidade de cada cliente, usar bem os ganchos e ter um distanciamento bem psicanalítico, para entender que, mesmo com o melhor “release”, fotos e trocas, nada nunca depende apenas de você. E acho que essa é uma das maiores frustrações e desgastes da atividade.

 


8) OTMR: Com todo aparato tecnológico de hoje, o trabalho do assessor de imprensa, atualmente, deve diferir muito do que era praticado em outros tempos. Aliás, também li que a função - não a profissão reconhecidamente, que nem sei se é, oficialmente, regulamentada - existe, no Brasil, há mais de cem anos. Hoje, o conhecimento profundo sobre as diferentes mídias e canais de comunicação é essencial, para o exercício da profissão. Vocês dominam bem essas mídias e até que ponto elas facilitam o trabalho de vocês?

 

BM: Esse é um dos desafios, porque tudo, na comunicação, tem mudado muito, quase que o tempo todo. Seja a criação/extinção de um veículo de comunicação até a constante troca de repórteres. E nós precisamos conhecer o maior número de veículos possíveis, para abranger e diversificar, assim, o resultado do nosso trabalho. São muitas minúcias, que fazem toda a diferença, e, analisando, com calma, é um trabalho hercúleo, se você pensar na quantidade de veículos (jornais, revistas, “sites”, canais de TV, rádios etc.) que existem. E todos passando por mudanças contínuas. Um veículo de comunicação pode ter um bom caderno de cultura, mas, dentro dele, a linha editorial mudar e não ter mais tanto espaço para TEATRO, por exemplo. E, aí, você se desdobra, para pensar de que maneira vai conseguir acessar aquele veículo, para incluir a montagem que você está assessorando. Em meio à pandemia, com muitos profissionais trabalhando de casa, obviamente, não se conseguia encontrá-los nas redações. Então, se você não tiver o celular do repórter, pode não conseguir falar da sua pauta com ele a tempo. E, ainda que tenha o celular, você pode não ser atendido, não receber resposta no WhatsApp ou receber um corte de que aquele telefone é pessoal e as pautas devem ser enviadas por “e-mail”, que nem sempre são lidos e/ou respondidos. Colocando-se na pele do repórter, imagina a loucura que não deve ser a quantidade de mensagens diárias na caixa de “e-mail”. É, humanamente, impossível ler e responder tudo. Por isso é que eu falo no bom senso, porque é preciso entender todos os lados e termos, ambos, muita versatilidade, boa vontade, empatia, perseverança e malemolência. Até porque o editor de hoje pode ser o assessor de imprensa de amanhã – e vice-versa. E ainda contar com altas doses de suco de maracujá – um dos meus relaxantes usuais (Risos.).

 

("40 ANOS ESTA NOITE" - Foto: Dalton Valério.)


9) OTMR: Fazer uso da tecnologia, para trabalhar, significa que vocês não sofreram muita perda de rendimento, quando se viram obrigados a fazer seu trabalho em casa, obedecendo à necessidade de um isolamento social, deixando de ir ao escritório, durante esta pandemia de COVID-19?

 

GM: Sempre trabalhei de casa. Nunca achei interessante ter escritório, acho uma despesa desnecessária. Criando uma rotina saudável, dá pra estabelecer uma relação profissional muito produtiva em home office”. Quando temos que marcar reunião, recorremos aos espaços de “coworking”, cafés ou o espaço solicitado pelo cliente.  Nesse sentido, para mim, não sinto muita diferença.

 

("40 ANOS ESTA NOITE" - Foto: Dalton Valério.)


BM: Eu costumo brincar, dizendo que a humanidade está vivendo, agora, o que eu já vivo desde 2015, ano em que comecei a trabalhar no esquema home office”. Trabalhando de casa, a rotina muda completamente - em tudo! Se, por um lado, é confortável, por outro, pode ser limitador. É confuso, porque você está em casa e no trabalho. Então, é preciso disciplina e organização, para nem procrastinar e nem viver 24 horas para o trabalho. Como tudo na vida, há os aspectos bons e ruins. É uma rotina bastante dinâmica, digamos (Risos.). O mais difícil, neste período da pandemia, com o fechamento dos Teatros, suspensão de eventos, espetáculos e adiamento das estreias no audiovisual, está havendo a redução de trabalho e, consequentemente, de rendimentos.


("40 ANOS ESTA NOITE" - Foto: Dalton Valério.)

 

10) OTMR: É óbvio que, para exercer a profissão de assessor de imprensa, é preciso gostar de se comunicar e se relacionar com pessoas. Vocês fazem isso com a maior naturalidade, prazer e eficiência, a meu juízo. Foram sempre assim, antes do exercício da profissão, em termos de comunicação interpessoal?

 

GM: Muito obrigada por nos ver dessa forma. Sempre fui assim.  Gosto de conhecer pessoas. Essa troca é muito prazerosa pra mim. Me relacionar com o outro é uma forma de crescimento pessoal. Desde pequena, sempre gostei de me comunicar. Sou aquela que faz amigos na fila do banco (Risos.). A minha profissão só potencializou o que eu já praticava na vida. 

 

("40 ANOS ESTA NOITE" - Foto: Dalton Valério.)


BM: Que ótimo essa sua visão sobre nós! É uma honra, agradeço a generosidade! Acho que sempre me comuniquei bem, escrevendo e falando. Mas, hoje, prefiro escrever, porque organizo melhor as ideias e acho que me comunico melhor. A diferença, para mim, é que o que, antes, eu fazia com naturalidade, sem saber que era um talento, exatamente, hoje, faço consciente disso e das responsabilidades que isso acarreta. Eu sou bem tranquilo e cordial com as pessoas e, como me comunico o tempo todo com muita gente, em função do trabalho, quando não estou trabalhando, muitas vezes, prefiro aquietar, ficar na minha, silenciar.

           


11) OTMR: Vocês são ou se consideram jornalistas? Ser jornalista é exigência para exercer a função de assessor de imprensa?

 

GM: Sou formada em Jornalismo e me considero jornalista, mas sempre me apresento como assessora de imprensa (Risos.) e vivo com a sensação de que só sou assessora. Bem, na minha época de faculdade, aprendi que, para ser assessor de imprensa, o profissional precisava ser jornalista. Atualmente, e na prática, a gente sabe que não é assim que funciona. Há muita gente trabalhando como assessor sem ser jornalista. Acredito que o importante é cada um respeitar o espaço do outro e seguir em frente.

 


BM: Sou formado e me considero, sim, porque a curiosidade e o interesse pelas coisas é algo inerente a mim, tanto como cidadão, quanto como profissional. Tenho interesse em saber o funcionamento das pessoas e não ficar no raso.

 


12) OTMR: Além de cursos oficiais de graduação, existem cursos livres, para a formação de assessores de imprensa? Em caso afirmativo, qual a opinião de vocês sobre eles?

 

GM: Existem muitos. Vejo-os de uma forma positiva. Eu mesma já fiz vários, antes e depois de me formar. Queria aprender mais e conhecer a disciplina fora do meio acadêmico. Conhecimento é sempre bem-vindo. 

 

("PROCÓPIO" - Foto: DIVULGAÇÃO.)


BM: Existem, sim, não sei se, exatamente, cursos, mas “workshops”, como um que fiz, há alguns anos, para me atualizar e ver o que eu poderia aprender. Mas, no fundo, queria mais era estreitar relação com os profissionais que o aplicaram (Risos). Acho que todo movimento neste sentido é válido, porque você sempre tem a oportunidade de aprender algo novo, trocar, conhecer pessoas do meio e se reciclar.

 

("PROCÓPIO" - Foto: DIVULGAÇÃO.)


13) OTMR: De uma forma geral, quem são os maiores “clientes” dos assessores de imprensa?

 

GM: Maiores clientes, para mim, são os que respeitam nosso trabalho, entendem como funciona o serviço na prática e torcem junto a cada vitória conquistada. Esses eu quero ter sempre por perto.


 

BM: Concordo com a GI. E isso é muito relativo. Depende do lugar que cada profissional deseja ocupar no mercado de trabalho. Eu conheço pessoas que atenderam grandes empresas, em nível nacional, ganhavam bem e não eram exatamente felizes. Viviam consumidos pelo trabalho, estressados, numa cobrança doentia, muitas reuniões, horas extras, uma vida louca. Eu nunca quis viver assim, não. Claro que existe ambição de crescer, ampliar possibilidades, ter bons clientes e gerar mais visibilidade, mas viver consumido pelo que quer que seja não me parece algo sedutor.

 

("IROKO - MEU UNIVERSO" - Foto: DIVULGAÇÃO.)


14) OTMR: Na minha pesquisa, para esta entrevista, encontrei a seguinte afirmação, com relação a um bom assessor de imprensa: “Manter um relacionamento estreito com a mídia, conhecer as atualidades do mercado digital e trabalhar a comunicação são características essenciais para o sucesso.”. Vocês devem concordar, plenamente, com ela, mas teriam algo a acrescentar?

 

GM: Concordo perfeitamente.


("IROKO - MEU UNIVERSO" - Foto: DIVULGAÇÃO.)

 

BM: Concordo, mas complemento com muitas coisas que já falei em respostas anteriores.


 

 

15) OTMR: A assessoria de imprensa não é uma atividade “solitária”. Os profissionais da área costumam trabalhar em equipes; no mínimo, duplas. Há mais alguém trabalhando com vocês, na empresa? Há algum tipo de cooperação entre os colegas de empresas diferentes e, também, qual é a importância de um bom “networking”, para um profissional de assessoria de imprensa? Foram três perguntas numa só.

 

GM: Durante cinco anos, no começo da “MARROM GLACÊ...”, trabalhei, durante muito tempo, sozinha. Eu gostava, “me virava nos 30”, achava prazeroso, me sentia produtiva. Depois, trabalhei com estagiário e, em seguida, freelancer”. São experiências distintas, eu sempre acabava me sobrecarregando, para não os incomodar (Risos.). Existia a troca, mas eu sempre segurava o peso maior da responsabilidade. Por aqui, tudo mudou, com a chegada do BRUNO. Nossa relação vai além da assessoria e isso, de certa forma, ajuda muito. Temos comprometimento um com o outro. Tudo que fazemos aqui decidimos juntos: dos clientes a valores, de pautas a estratégias. É muito bom ouvir o BRUNO. Ele é muito inteligente, é calmo, detalhista e muito atencioso.  Temos parceiros na área de mídias sociais e de outras assessorias também. “Networking” é a chave do negócio; sem ele, somos invisíveis.


("ISSO QUE VOCÊ CHAMA DE LUGAR" - Foto: DIVULGAÇÃO.)

 

BM: A gente se adapta, né? Eu comecei trabalhando em equipe, já trabalhei sozinho e, hoje, trabalho numa dupla muito funcional, com a GI. Mas é claro que, se você faz algo sem compartilhar, você se sobrecarrega. Hoje, somos só nós dois, cuidando de tudo, mas temos trocas com outros profissionais do meio. A cooperação com outros colegas não é regra, dado que é um mercado competitivo, mas existem, sim, muitos colegas generosos e dispostos a boas trocas e até parcerias. A importância do networking’ é absoluta. Mesmo trabalhando sozinho, você precisa conhecer e ser conhecido.

 

("ISSO QUE VOCÊ CHAMA DE LUGAR" - Foto: DIVULGAÇÃO.)


16) OTMR: Parece-me que a vida de um assessor de imprensa não obedece muito a rotinas, a mesmices, e, pelo contrário, é cheia de surpresas. Estou certo na minha observação?

 

BM: Totalmente! É tudo muito dinâmico, mesmo, sobretudo dependendo do cliente que você assessora. Você pode ter mais ou menos reuniões, saídas, demandas de trabalho... Pra cada trabalho ou segmento, existe uma demanda específica.

 


17) OTMR: Uma das principais e mais comuns funções de um assessor de imprensa é produzir “releases”. Por favor, GISELE, para quem não sabe, diga o que é um “release”, e, a você, BRUNO, peço-lhe que nos diga quais são os passos, as providências para se escrever um.

 

GM: “Release” é um texto informativo, redigido pelo assessor de imprensa, que deve conter as informações mais importantes do cliente, para apresentá-lo à imprensa.  Este texto precisa ser escrito de forma clara, explicativa, atrativa e objetiva, para que o jornalista possa ter o entendimento do que estamos vendendo.

 

("DEMÔNIO" - Foto: DIVULGAÇÃO.)


BM: Eu adoro escrever “releases”! É um exercício difícil comunicar, numa única página, tudo que é preciso, porque você precisa conhecer o que está divulgando, adequar à linguagem do segmento e afinar isso com o cliente. Além das estratégias para cada trabalho, é importante ter vocabulário, conhecer alguns jargões, pesquisar o que você não conhece e sempre buscar ter boas referências culturais, porque você conta ali uma história.


("DEMÔNIO" - Foto: Rubens Cerqueira..)

 

18) OTMR: GISELE, qual a diferença entre assessorar artistas e espetáculos teatrais?

 

GM: Assessorar artista é um processo mais demorado, detalhado, de construção de imagem, em que as estratégias são traçadas de médio a longo prazo. Entender o que o cliente deseja, como ele quer ser visto na mídia, compreender seu posicionamento e direcionar isso aos veículos de comunicação são alguns dos caminhos.  Divulgar o trabalho do ator não é somente divulgá-lo na mídia. Antes disso, é necessário entender o que ele pretende com o serviço. Temos que orientar o ator nas entrevistas, com produção de “looks”, em estreias, blindá-lo, quando for necessário, e atendê-lo de forma personalizada. Espetáculo teatral é uma divulgação pontual, mais direcionada e com menos tempo de trabalho, porque, geralmente, as temporadas não ultrapassam dois meses. Mesmo assim, muitos processos são bem parecidos, não tendo uma diferença tão grande.

 

Ju Colombo (Atriz assessorada - foto: portfólio "MARROM GLACÊ) 


19) OTMR: BRUNO, normalmente, em que fase de uma produção teatral uma assessoria de imprensa é contratada?

 

BM: Para o assessor, é importante que seja ainda na fase dos ensaios, para termos tempo de acompanhar e entender a peça. Mas nem sempre temos essa possibilidade (Risos.). Tudo depende de várias coisas, mas o mínimo que pedimos, até pela questão de conseguir desenvolver material e organizar uma estratégia de divulgação, é um mês antes da estreia, o que já é super em cima. Já tivemos que optar em perder oportunidades, por termos sido procurados em cima da estreia, e aí não daria tempo de trabalhar como necessário. E, se é para fazer o trabalho de qualquer maneira, a gente prefere não fazer, porque sempre existe uma expectativa de resultado e ainda está em jogo o nome que vimos construindo.


Fernando Rubro (Ator assessorado - foto: portfólio "MARROM GLACÊ) 

 

20) OTMR: Li, durante a minha pesquisa, uma matéria em que uma determinada pessoa, uma mulher, estaria ministrando um “curso” (?), com 3 horas de duração, mesmo admitindo, a própria, que “Assessores de imprensa, normalmente, são formados em Jornalismo ou Relações Públicas, dentro da área de ‘shows’ e eventos” e que “em situações mais informais, não há obrigatoriedade com relação à formação deste profissional. O que ele precisa é ter bons contatos e ser bem relacionado”. Segundo ela, “O curso é rápido e bem objetivo, dando, ao participante, um melhor entendimento a respeito da profissão, com relatos de uma assessoria eficaz, dicas do dia a dia e casos reais”. E que o tal “curso” (?) seria indicado, principalmente, aos que já atuam na área, como forma de reciclagem, e para os iniciantes, que estariam “conhecendo as principais dicas para a boa execução do ofício”. Não levei a menor fé. E vocês, sem fugir à ética profissional, é óbvio, o que têm a dizer sobre isso?

 

BM: Isso é muito delicado; só mesmo participando, para entender do que se trata. Como reciclagem ou uma rápida apresentação a um universo que traz inúmeras possibilidades, pode funcionar, sim, e ainda deixar uma sensação de que nem tudo foi aprendido ali, porque não há como aprender o que é um ofício com todas as suas particularidades em 3h de aula. Eu mesmo conheço pessoas que não são formadas em nenhuma esfera da Comunicação e atuam na área, com Assessoria de Imprensa ou Relações Públicas. Como é um trabalho que precede a criação de uma cadeira no ensino superior, vivemos um constante debate acerca do tema, e temos profissionais da antiga que não são formados em Jornalismo, mas sabem tanto quanto ou mais do que muito profissional formado, porque aprenderam fazendo. Mal comparando, é tipo um curso para atores. Quantos dos atores excelentes que temos tiveram que cursar Artes Cênicas? Existem pessoas que possuem o dom, mas encontram, na faculdade, um conteúdo que as aperfeiçoa mais – e oficialmente. Falando de um lugar de formado, de quem dedicou tempo e dinheiro para, posteriormente, ocupar um posto profissional, acho importante a obrigatoriedade do diploma, porque, para ser conquistado, vai exigir de você uma gama de conhecimento, que só a faculdade te oferece. A faculdade, realmente, é um divisor de águas na vida das pessoas, porque te propicia crescimento e lapidação em muitos âmbitos. Mas não posso desqualificar quem aprendeu fazendo e não tem o seu “canudo de papel”.

 

Larissa Nunes (Atriz assessorada - foto: portfólio "MARROM GLACÊ) 


21) OTMR: Às vezes, percebo – pode ser impressão minha – quando recebo material de divulgação, por parte de alguns assessores, que há, em certos trechos, a sensação de que houve um trabalho de “copiar e colar”, “de lá para cá”. Isso pode existir de verdade?

 

BM: Olha, isso depende. Às vezes, existem formulações, no projeto de uma peça, que são tão bem feitas, que nem precisamos mexer. Até porque quem escreve um projeto artístico já o elabora muito, porque precisa saber o que quer oferecer e como vai vendê-lo, seja para uma pauta num Teatro ou para uma empresa patrocinar. É um trabalho que se aproxima do nosso, nesse sentido, porém sempre adequamos o conteúdo “copiado” de um projeto ao nosso texto, porque ele não pode ser inserido de forma avulsa e destoar do resto. E, por outro lado, já nos deparamos com situações tão “intraduzíveis”, que amamos, quando dá para extrair, do material do projeto, algo que nos oriente para o "release" (Risos.).

 

Mariana Nunes (Atriz assessorada - foto: portfólio "MARROM GLACÊ) 


22) OTMR: Poderíamos dizer, GISELE, que “Cabe ao assessor transformar o seu cliente em notícia”, frase que penso resumir, da forma mais concisa possível, a função de um assessor de imprensa?

 

GM: Cabe ao assessor dar visibilidade ao seu cliente na mídia; automaticamente, ele será notícia. O objetivo é que seja sempre de forma positiva.  Nossa função é intermediar toda relação do cliente com a imprensa e vice-versa. Somos responsáveis por esta ponte. Um serviço de grande responsabilidade, uma falha pode ser fatal.

 

Bruce Gomlevsky (Ator assessorado - foto: portfólio "MARROM GLACÊ) 


23) OTMR: E, para você, BRUNO, reservei esta outra frase, que encontrei nas minhas pesquisas: “Mais do que administrar informações, para torná-las relevantes, é necessário saber para quem direcioná-las.”. Isso também é outro ponto determinante para um bom assessor de imprensa?

 

BM: Com certeza! Me faz lembrar logo da expressão popular “jogar pérolas aos porcos” (Risos.). Por isso a estratégia de comunicação e o conhecimento de cada espaço na mídia são tão importantes, porque você entende o perfil dos espaços e já direciona o que é cabível para cada um, delineando variadas maneiras para falar do mesmo tema e formatando a sugestão de acordo com o espaço pretendido. Também por isso este ofício é tão trabalhoso.


 

Elisa Lucinda (Atriz assessorada - foto: portfólio "MARROM GLACÊ) 


24) OTMR: Esta é para os dois. O que dizer sobre a afirmação de que “O assessor de imprensa é uma ferramenta de credibilidade.”?

 

GM: No meu entendimento, o assessor é uma ferramenta de credibilidade. Para mim, enquanto profissional, não vejo muito sentido em se ter uma assessoria para divulgar inverdades. É preciso que se tenha transparência na venda de uma pauta e veracidade na divulgação do nosso cliente. Quando sugerimos uma pauta para um veículo, é muito antiético vender uma mentira, uma farsa. Você perde a credibilidade com o jornalista e ninguém ganha com isso; nem o cliente, nem o assessor. A imagem do nosso cliente tem que estar atrelada à verdade, ao real, ao crédito; é isso que vendemos. Trabalhamos para que nosso cliente tenha um espaço espontâneo e, para isso, é preciso ter credibilidade.

 


Antônio Pitanga (Ator assessorado - foto: DIVULGAÇÃO.) 


BM: Eu não sei o contexto desta frase, mas acredito que a afirmação possa ter duas leituras. Uma é a afirmação (nem sempre correta) de que, se a empresa tem assessoria, ela tem credibilidade. Porque uma coisa não tem relação com a outra. Muita gente e empresa boa não têm assessoria, pelo fato de não ter como investir. E isso não faz daquele trabalho pior do que o que tem assessoria. A outra, e mais provável, é que a assessoria trabalha a inserção natural do que quer que seja na imprensa, diferentemente do espaço da publicidade, que é pago. Você pode ver um anúncio de página inteira de uma peça e ele vai te chamar atenção, mas você vai entender que aquilo foi bem pago para estar ali. Já uma matéria de página inteira gera um reforço na credibilidade do que quer que seja, porque o veículo topou fazer por ter curtido a ideia da pauta, não tendo recebido nada por isso. Em suma, nós trabalhamos para propiciar uma divulgação espontânea, que possa ocupar um bom espaço na mídia e que gere a credibilidade reiterada pelo bom jornalismo.

 


25) OTMR: Na ficha técnica de muitos espetáculos, encontramos duas rubricas diferentes: “assessoria de imprensa” e “mídias sociais”, algumas vezes atividades exercidas por uma única pessoa, porém, na maioria das vezes, por nomes diferentes. Qual é a diferença entre as duas, GISELE? E você, BRUNO, gosta de exercitar as duas tarefas ou só se dedica a uma delas?

 

GM: O profissional de mídias sociais é aquele que produz conteúdo para as redes (Instagram, Facebook, YouTube etc.). Ele cria as estratégias, produz vídeos, fotos, sabe o melhor horário de publicação, engajamento com público, harmonização no “layout”, e traça o perfil dos seguidores, para poder alimentá-los com conteúdo relevante.  O assessor trabalha a divulgação, com o foco na imprensa e nos críticos. Tudo que se refere à mídia é responsabilidade do assessor.


 

BM: Eu acho que praticar as duas pode ser tão interessante quanto enlouquecedor, porque cada uma possui suas demandas e desgastes. Então, assumir ambas pode ser um super desafio. Você pode até ganhar mais, fazendo isso, mas vai se esfalfar de trabalhar, correndo o risco de deixar alguma delas sem a atenção e o desenvolvimento necessários. Eu não faria junto, não. Aqui a gente já “pira”, gerando conteúdo para a nossa rede social e fazendo o trabalho de divulgação para os clientes... Imagina acumulando mais esta função (Risos nervosos.)!



("AGOSTO" - Foto de Silvana Marques.)

 

26) OTMR: Vocês investem bastante, para dominar bem a tecnologia moderna, em prol do sucesso do trabalho de vocês?

 

GM: Gostaria de investir mais. A tecnologia é muito dinâmica. A cada dia, surge algo novo e, na maioria das vezes, o que a gente aprendeu há cinco meses já se torna obsoleto. O estudo requer tempo e disciplina. Às vezes, me pego direcionando meus esforços para outras áreas.



("AGOSTO" - Foto de Silvana Marques.)

 

BM: Interessante falar disso, sobretudo neste momento da pandemia, que é quando tivemos mais tempo livre e pudemos aprender mais coisas. Eu me inscrevi em quatro cursos, estou me virando, para dar conta de tudo, além da rotina diária. A tecnologia é ferramenta crucial no nosso trabalho e, embora tente não ser refém dela, busco conhecer o máximo que posso e de que preciso.



("AGOSTO" - Foto de Silvana Marques.)

 

27) OTMR: Sem, evidentemente, citar o nome do espetáculo ou das pessoas envolvidas, vocês poderiam nos falar acerca de alguma “saia justa” pela qual já passaram? Na estreia de uma peça de TEATRO, por exemplo, ou em outra atividade?

 

BM: Ah! “Saia justa” sempre há, né (Risos.)?! Tenho amigos assessores de vários segmentos que dizem que cliente nunca está satisfeito, mas, graças aos Deuses do Teatro, temos trabalhado com muita gente bacana, ótimos profissionais, pessoas que confiam na gente, no nosso empenho, e entendem o tempo, o processo e o funcionamento do nosso trabalho. Até porque a gente já começa o trabalho jogando muito limpo sobre como as coisas funcionam, como o mercado está naquele momento. Mas já aconteceu, sim, de ver pessoas perdendo a linha sem motivo, potencializando situações que eram perfeitamente contornáveis. E viver isso é algo que gera desgaste, tira um pouco o viço no trabalho e, invariavelmente, a admiração. O cliente precisa entender que o sucesso deles também é o nosso, até porque muitos dos nossos trabalhos chegam por indicação. Então, é importante entender que estamos jogando no mesmo time, pelo sucesso comum, para que todos saiamos felizes de cada experiência.

 


28) OTMR: Conheço dois termos que me confundem; ou melhor, não sei se fazem referência à mesma função ou se são coisas distintas: “assessor de imprensa” e “assessor de comunicação”. Por favor, tirem-me da ignorância!

 

BM: São diferentes, sim, e, às vezes, atuamos neste lugar, trazendo para o trabalho outros braços. Por isso é muito importante o cliente entender que, dependendo da necessidade que ele apresenta, o custo do serviço precisa ser diferente. Ao contrário do trabalho específico de Assessoria de Imprensa, quando você contrata uma Assessoria de Comunicação é porque a sua demanda é maior. Então, você precisa de uma equipe mais completa, com profissionais tão variados quanto suas funções, não ficando restrito apenas à lida com a imprensa. Pode incluir um profissional de “marketing”, outro de mídias digitais; às vezes, um publicitário, um relações públicas, além do jornalista/assessor de imprensa, fazendo com que essa equipe trabalhe junta, mas se dividindo, para atuar de maneira mais abrangente, sendo o porta-voz do cliente para as mais variadas situações. Para ilustrar melhor, é como se fosse um setor de Comunicação dentro de uma empresa. E este setor não vai apenas tratar da lida da empresa com a imprensa, mas da comunicação como um todo, inclusive da imagem e, num caso de empresa, pode incluir até a comunicação interna e externa.

 


29) OTMR: O que vem a ser, exatamente, um “press-kit”, GISELE?

 

GM: É um “kit” para a imprensa, com materiais de divulgação de determinado cliente (“show”, empresa, ator, eventos, filmes etc.). Ele é enviado, pela assessoria, para os profissionais da imprensa, geralmente, para anunciar algum lançamento ou coletiva de imprensa. Geralmente, ele é preparado com algum produto/brinde que se identifique com o cliente, e ainda o “release” e uma mídia, com fotos e vídeos.


 

30) OTMR: Como costumam ser os contatos, o seu relacionamento, BRUNO, com a imprensa? É fácil “vender o seu peixe”?

 

BM: Sinceramente, eu acho que fácil nunca é. Eu fiz amigos na imprensa, pessoas cujas casas eu frequento, encontro em festas, pulo carnaval... Enfim, mas, mesmo com elas, cada trabalho é uma abordagem. Nunca existe certeza no nosso trabalho. Porque também não depende apenas das pessoas que a gente conhece. Existem os editores, a questão física dos veículos impressos, as cronométricas nas TVs... Às vezes, entra uma publicidade ou uma pauta urgente e a matéria cai ou é adiada, encolhida. Mas, mesmo para sugerir e emplacar, não é fácil. Eu corro atrás, sim, procuro, ao máximo, conseguir os espaços e vibro muito, muito mesmo, quando dá certo, porque cada espaço é uma luta e a gente sabe que nem sempre as coisas saem como precisamos.

 


31) OTMR: Vez por outra, pode ocorrer de a imagem do assessorado, seja pessoa física ou jurídica, ser afetada, por qualquer motivo, comprometendo, um pouco ou muito, a sua credibilidade. Como um assessor de imprensa lida com uma situação dessas?

 

BM: Isso é o que a gente chama, no meio, de “gerenciamento de crise”. Eu já passei por algumas situações delicadas, mas nada que não desse pra ser resolvido, graças a Deus. Porque deve ser horrível ter que fazer o papel de advogado do diabo. Mas acho que o nosso modo de trabalhar já colabora muito pra evitar isso. É quase unânime as pessoas falarem a mesma coisa com a gente, elogiando o modo como a gente trabalha e cuida, literalmente, dos nossos clientes. Então, para evitar “gerenciar uma crise”, lançamos mão de muita troca e de um bom media training, que é preparar o cliente para saber responder, em entrevistas, de forma sincera, mas cuidadosa, e saber lidar com situações inusitadas que possam acontecer ao vivo, quando não temos como intervir para resolver.


("O CÃO QUE SONHAVA LOBOS" - Foto: Renato Mangolin)

 

32) OTMR: Antes da “MARROM GLACÊ ASSESSORIA & AGENCIAMENTO”, comandada pelos dois, há 11 anos, vocês trabalharam como “freelancers”? Em caso positivo, isso lhes trouxe muito ganho em termos de experiência?

 

GM: Trabalhei bem pouco, pois, quando saí do Centro Cultural Gama Filho, fiquei alguns meses procurando emprego e, logo depois, me veio o desejo de abrir a empresa, em 2009. Depois, já com a empresa, trabalhei junto com o BRUNO, como freela”, num evento. Em alguns casos, temos parceiros de outras assessorias que nos chamam para trabalharmos juntos. Eu acho isso muito bacana. Eu aprendo sempre, tudo, a vida, é um aprendizado. Uns bons e outros ruins.

 


BM: Eu conheci a GI quando a “MARROM GLACÊ...”, criada por ela, estava no comecinho. Rolou uma amizade imediata, várias identificações, foi um reencontro de almas, mesmo. Desde então, não nos largamos mais. Chegamos até a fazer um “freela” juntos e, por ter dado tão certo, desejamos trabalhar unidos de forma definitiva, o que só rolou há quase três anos. Mas tudo acontece na hora certa, né? E, nesse ínterim, enquanto eu ainda trabalhava com moda, tirei férias, para fazer um “freela”, a convite da Sabrina Korgut, que eu conheço há muitos anos. E fui o assessor de imprensa da primeira temporada do musical “Fascinante Gershwin”, uma montagem linda, super delicada e bem executada. E foi ótimo, porque realizei um desejo antigo, já com um trabalho incrível, com uma equipe fantástica e, de lambuja, ainda trabalhei com a Marília Pêra, que supervisionava o espetáculo. Era algo que nunca imaginei acontecer: ligar para a casa da Marília, para agendar pautas. Eu era muito novo, sabia da responsabilidade de trabalhar com algo que eu amo e, ainda por cima, estando sozinho, pela primeira vez. Aquilo gerava uma grande pressão, mas acho que fiz direitinho. Com certeza, hoje, faria muito melhor, dada a maturidade, o conhecimento e a experiência com o meio. Mas, para a realidade daquele momento, do jovem profissional que eu era, acho que foi bem legal.


 

33) OTMR: No meio de tantas peças de TEATRO que passaram pela assessoria de vocês, eu selecionei quatro e gostaria de que cada um falasse um pouco sobre elas. De uma forma bem sucinta, o que elas representaram para vocês ou algum detalhe específico, relativo a uma ou a outra. São elas: “40 ANOS ESTA NOITE”, “O HÉTERO”, “PARA NÃO MORRER” e “O ENCONTRO DE MALCOM X E MARTIN LUTHER KING”.

 

BM: Gente, só peça que eu amo muito! Que seleção! Eu poderia passar horas aqui, falando de tudo que vivemos com cada uma dessas montagens e da alegria de ter nosso nome atrelado a elas. “PARA NÃO MORRER” foi a prova de fogo do que eu poderia fazer como assessor. É uma montagem importantíssima, que já era premiada, no sul, e estava aterrissando no Rio. Só de chegar com essa bagagem, já dá um frio na espinha. O curioso é que eu trabalhei muita coisa até a estreia, sem sequer ter visto a peça, mas deu muito certo. Eu amo muito essa montagem. que rendeu, além da parceria linda com a grande Nena Inoue, o “Prêmio Shell” de Melhor Atriz, para ela, no Rio de Janeiro. Aquela vitória eu senti como minha, foi um dia marcante na minha trajetória. Foi, aliás, um dos espetáculos que fiz como “freela”, a convite da produtora Damiana Inês, sendo que, nas duas últimas temporadas cariocas, já contei com o toque especial da GI e fizemos dentro da “MARROM GLACÊ...”. “O ENCONTRO...” marca, inclusive, o nosso encontro definitivo profissional. Foi quando eu cheguei à “MARROM...”, já me deparando com um projeto daquele porte e importância. Foi incrível ver o Teatro sempre lotado, com filas na porta, a cada sessão, muitas pessoas tendo que comprar seus ingressos com antecedência, outras voltando para casa... Um sonho de qualquer pessoa que ama o TEATRO! Igualmente prazerosos e importantes foram “40 ANOS ESTA NOITE” e “O HÉTERO”, pela importância da abordagem da temática LGBTQIA+ e por serem montagens memoráveis, que ainda nos uniram a profissionais que seguem conosco, como os talentosos e amadíssimos Felipe Cabral e Zé Wendell.


 

34) OTMR: GISELE, fale-nos sobre o trabalho de vocês no projeto “POR TELAS”.

 

GM: “POR TELAS” foi desafiador. Conheci Cecilia Rabello, filha do Paulinho da Viola, através do Rocco Pitanga. Ela era uma das responsáveis pelo projeto. Quando ela me apresentou o que seria, falei na hora: “Quero muito trabalhar nele.”. Sempre gostei de trabalhar com projetos sociais, fora que, além do projeto social, assessoramos o “show” de Paulinho da Viola, Marisa Monte e Velha Guarda da Portela. Oh, sorte! (Risos.) “POR TELAS” foi o primeiro projeto audiovisual realizado numa quadra de escola de samba, no caso a Portela, em Madureira. Alunos oriundos de comunidades aprendiam direção, fotografia, roteiro, produção e edição. Era lindo ver aquela galera com sangue nos olhos, cheios de ideias, querendo produzir. A cada entrevista, eu ouvia histórias de superação que enchiam meu coração de esperança. A verba arrecadada no “show” era destinada ao curso. Ao final do projeto, todos os alunos filmaram seus curtas-metragens e apresentaram seus trabalhos na quadra da Portela, para amigos e familiares. Precisamos de mais projetos como esses. É uma honra ter este trabalho no currículo.


(Projeto "POR TELAS". Foto: DIVULGAÇÃO.)


 

35) OTMR: GISELE, também gostaria de que nos falasse sobre como é trabalhar para a ONG “CONEXÃO DO BEM” e como ela atua.

 

GM: “CONEXÃO DO BEM” é um projeto social que lançou um modelo de intervenção hospitalar, combinando expressões artísticas. O projeto se vale da banda de TEATRO, ações de múltiplas possibilidades originadas da música e do TEATRO, que inspiram, assim, o resgate da energia vital, através desses meios. Os atores realizam um cortejo, durante o qual cantam, dançam, interpretam e interagem com os pacientes, de uma forma lúdica, divertida e leve. Trabalhar com eles é um ensinamento de vida. O trabalho, realizado nos hospitais públicos, levando música, alegria e humanização, muda a vida dos pacientes e dos profissionais de saúde. Participei de um cortejo, no HEMORIO, e saí de lá muito reflexiva. Como um trabalho desses, tão simples, pode proporcionar a melhora e, às vezes, até a cura de um paciente? Há gente que mora no hospital, não tem contato com ninguém; só televisão e celular. Daí, entra um grupo, cantando e dançando para você. Olha que felicidade! Gestos e ações a que não damos valores aqui fora. Me emociono só de falar. Foi uma experiência única e marcante.


(ONG "CONEXÃO DO BEM" - Foto: DIVULGAÇÃO.)

 

36) OTMR: Uma curiosidade, GISELE: Como nasceu o nome da empresa: “MARROM GLACÊ...”?

 

GM: Quando pensei em abrir a empresa, queria sair do óbvio. Não queria usar “Gisele Machado Comunicação”, nem “Gisele Assessoria e Comunicação”, “Gisele Machado Assessoria”; nada disso!  Queria algo que remetesse à leveza, doçura, feminino - e que fosse inédito. Sempre gostei de doces e achava que poderia aproveitar isso. Achava “MARROM GLACÊ” um doce “chique”. (Risos meus.) E arrisquei. Deu muito certo, todo mundo adora esse nome. Quero que as pessoas pensem na “MARROM GLACÊ...” sempre de uma forma leve e prazerosa.

 


37) OTMR: GISELE, qual é a “missão” da “MARROM GLACÊ...”?

 

GM: A “MARROM GLACÊ...” tem como missão se tornar referência no segmento artístico-cultural e corporativo, criando e fortalecendo a imagem de nossos clientes, por meio de estratégia de comunicação e conquistando um espaço permanente na imprensa. Construir valores é o nosso comprometimento. Somos uma das primeiras empresas direcionadas e especializadas em oferecer visibilidade na mídia ao artista negro, respeitando sua história e trajetória, com intuito de valorizar sua imagem e resgatar sua autoestima nos meios de comunicação. A empresa se destaca no mercado pelo trabalho direto, humanizado, personalizado e diferenciado com seus clientes, voltado, sobretudo, para atores negros e eventos afro-brasileiros. Nossa missão não é somente divulgar o trabalho do artista nas grandes mídias, mas contribuir na construção da sua imagem, destacando sua importância, relevância e proporcionando a devida visibilidade nos meios de comunicação, evidenciando sua arte, cultura e tradição.

 


38) OTMR: Já constatei a praga das “fake news” em material que recebi, ultimamente, por parte de uma ou outra assessoria. Nunca de vocês! O termo aqui empregado (“fake news”), talvez de forma não muito precisa, se refere ao fato de o conteúdo de um “release” “não bater” com o que se vê num palco de Teatro. Felizmente, aconteceu pouquíssimas vezes, mas o suficiente para que eu passasse a desconfiar do trabalho da assessoria responsável pelo material. Vocês podem arriscar um palpite quanto às intenções de quem divulga a(s) informação(ões) “imprecisa(s)” sobre um evento cultural?

 

BM: Acho essa pergunta muito interessante, porque, nesse sentido, a gente trabalha com percepções e subjetividades. Então, é difícil conseguir ser cirúrgico. A gente, mesmo (Né, GI?) já sentiu isso, da peça não corresponder, exatamente, ao que o nosso “release” fala sobre ela, porque, às vezes, a gente só vê parte do espetáculo, por qualquer que seja o motivo, mas precisa escrever, entregar e ter aprovado o “release”, para poder trabalhar, já que a divulgação tem deadlines”. Precisamos considerar tanto o “timing” dos veículos, quanto da estreia em si. E, aí, quando você assiste ao produto final, pensa: “Nossa! Vendemos bem a peça, o ‘release’ valorizou a montagem!”. Pode acontecer, porque uma coisa é você ver a peça toda e escrever, amparado pelas informações do projeto e pela experiência de ver a montagem no palco. E isso, partindo do pressuposto de que somos pessoas que amam o TEATRO e entendem dele, o que pode não acontecer com todos os assessores. Uma segunda possibilidade é você escrever sem ver e a peça não corresponder àquilo que foi escrito, mas não intencionalmente. Ainda existe uma terceira possibilidade, que eu não duvido que aconteça, de o assessor saber que o produto não é tão bom e, justamente por isso, dar uma “floreada” pra conseguir “vender” a peça, conquistando espaço e presenças de críticos. Talvez tenha sido isso que ocorreu com o seu exemplo. Eu quase poderia considerar isso um mérito do assessor (Risos meus.), se não fosse o fato desse desajuste causar incoerência, pelo fato de a experiência teatral não corresponder, exatamente, ao que o “release” apresenta. Mas isso tudo é tão subjetivo, né? Acho difícil conseguir mensurar, porque o contrário também pode acontecer, realizando, aí, a quarta alternativa: o “release” estar aquém da montagem. Acredito que isso nunca tenha acontecido com a gente, modéstia à parte, até porque o cliente precisa aprovar o material, antes de o enviarmos – mas pode acontecer. Porém, nesse caso, cabe ao cliente ponderar sobre aquilo de que ele sente falta naquele material, uma vez que será aquele texto que apresentará a peça dele a críticos e imprensa, no geral, e aí a assessoria o refaz, até ficar ao gosto do cliente. E a quinta, e derradeira, possibilidade é a pessoa receber o “release” e não gostar do material. Porém, é preciso, nesse caso, ter o distanciamento de entender que aquilo foi o melhor que o profissional contratado para a função conseguiu fazer. Mas, obviamente, isso não impede que a crítica ao material seja feita.


 


39) OTMR: Normalmente, vocês fazem mais de um trabalho simultaneamente. Duas perguntas: Quantos trabalhos, em média, vocês fazem por ano? Há algum “cliente” mais fiel, com o qual vocês quase que têm uma “exclusividade”?

 

BM: Ah! Isso é muito relativo. Se contabilizar o ano de 2020, por exemplo, parece que não trabalhamos tanto. Porém, estamos num estado de exceção e, ainda assim, tivemos trabalho em, praticamente, todos os meses. Já 2019 foi um ano considerado ruim, por muitas pessoas, enquanto nós trabalhamos bastante e encerramos o ano super gratos, realizados e felizes pelo resultado obtido. Essas coisas oscilam muito, é difícil mensurar. Em junho/2019, se não me engano, tivemos sete estreias (isso só falando em peças) e isso, em se tratando de TEATRO, é um volume enorme, para um único mês. Mal comparando, quantos profissionais realizam tantos trabalhos nesta área em um único mês? Então, por si só, este fator já nos ajuda. É possível fazer sete estreias teatrais num mês: pergunte-nos como! (Risos


 

GM: Temos clientes fiéis, sim. Desses que falam que só querem trabalhar com a gente. Com ator, isso é muito recorrente. Acho que é porque criamos uma relação de confiança, que faz com que ele não procure outro assessor. Acho essa fidelidade muito bonita, mas também respeitamos quando o cliente deseja procurar outra assessoria, para mudar, trabalhar com alguém novo. Cada caso é um caso. Gosto muito de trabalhar com quem já conheço. A gente se sente mais à vontade, na hora da troca. 2019 foi um ano maravilhoso para a gente. Trabalhamos muito e assessoramos projetos de altíssima qualidade, com clientes extremamente talentosos.





OBRIGADO, Gisele e Bruno!

 

E VAMOS AO TEATRO (QUANDO HOUVER SEGURANÇA.)!!!

 

OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO DO BRASIL (QUANDO HOUVER SEGURANÇA.)!!!

 

A ARTE EDUCA E CONSTRÓI!!!

 

RESISTAMOS!!!

 

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TEATRO BRASILEIRO!!!