sexta-feira, 10 de julho de 2020



NA COXIA, COM... ...ALESSANDRO MARTINS.

Alessandro Martins

            Quase uma década de Firjan e mais de seis anos e meio como Chefe de Setor - Gestor do Teatro Firjan SESI Centro, no Rio de Janeiro, onde faz um trabalho digno de todos os elogios, por sua competência, eficiência e fino trato com seus subordinados, artistas e técnicos que passam pelo Teatro, quando lá estão em cartaz, além de atender ao público, EM GERAL, de uma forma elegante, cortês e empática.

            Estou me referindo a ALESSANDRO MARTINS, de quem muito me orgulho de ser amigo e que espero ver, por muitos anos ainda, na função que exerce hoje, uma vez que, assim, lucramos todos: a Firjan, o “povo do TEATRO e as pessoas que têm o salutar hábito de frequentar aquela simpática e bem situada casa de espetáculos.




            Em seu posto, ALESSANDRO coordena equipes diversas e atua como o curador artístico do espaço, montando pautas, selecionando as montagens e produções culturais, de uma forma geral, que entram na grade de temporada do Teatro.

            Na prática, cabe a ele administrar e coordenar o Teatro Firjan SESI Centro, coordenar a equipe do Teatro, atuar como curador dos espetáculos que lá entram em cartaz, avaliar projetos culturais, criar e fomentar parcerias, além de negociar com produções e iniciar o processo de contratação dos espetáculos.




            Antes de assumir a função atual, na qual o conheci, já havia atuado, dentro da própria Firjan, como Analista de Planejamento e Marketing Cultural, no Rio de Janeiro, produzindo e administrando “shows” e eventos,  na capital e no interior do estado; fazendo cotação e contratação de fornecedores diversos, como nos setores de iluminação, sonorização, “catering”, mobiliário, palco, “transfer”, ornamentação, montadoras; verificando as necessidades dos artistas, diretamente com seus produtores executivos (camarim, “rider” de palco, “rider” de luz e som); organizando e produzindo coquetéis de inauguração de exposições e demais eventos; contratando monitores, para acompanhar visitantes de exposições; organizando visitação escolar, com escolas do SESI RJ a exposições (cronograma de visita, transporte, lanche...); desenvolvendo e gerenciando cronograma de produção; coordenando o projeto “Curta Criativo” e demais projetos especiais da Gerência de Cultura e Arte; coordenando a equipe de produção e fornecedores, em todas as etapas de realização de projetos; e aprovando cenografias, materiais gráficos e logomarcas de projetos especiais.




            E muito mais faz e sabe fazer esse rapaz, por conta de sua força de trabalho, competência e dedicação, pondo em prática os conhecimentos adquiridos na sua formação acadêmica, em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, pós-graduado em “Marketing”.

            Por conta de seu trabalho, sob sua gestão, “o Teatro Firjan SESI Centro ganhou o “Prêmio Referência Nacional & Qualidade Empresarial”, entregue, anualmente, pela Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação (Ancec). O Teatro foi contemplado com o ‘Troféu Nelson Rodrigues’, por sua contribuição e fomento à cultura”.

            Nos últimos anos, o Teatro Firjan SESI Centro foi um dos que nos ofereceram algumas das melhores programações anuais, no Rio de Janeiro. Tudo o que sobe naquele palco, em termos de TEATRO, ou já era consagrado, o que só é ratificado naquele espaço, ou se torna sucesso, quando lá estreia, graças ao “faro” do ALESSANDRO.




            (As ilustrações que escolhi, sem obedecer à cronologia ou a outro critério especial, são as “artes” de alguns dos espetáculos teatrais que ocuparam o palco do Teatro Firjan SESI Centro, nos últimos anos, sob a gestão do ALESSANDRO MARTINS, todos com estrondoso sucesso.)





O TEATRO ME REPRESENTA (OTMR): ALESSANDRO, você é um dos gestores de Teatros mais atuantes que eu conheço no Rio de Janeiro e o “seu” Teatro Firjan SESI Centro é um dos lugares que mais me dão prazer em frequentar, no Rio, por sua generosa maneira, sempre gentil, de receber as pessoas, não só os amigos e conhecidos como o público em geral. Embora eu não veja isso como “falsidade” ou “artificialismo” – muito pelo contrário – eu o sinto quase como um “ator”, que deixa para trás todos os problemas, para desempenhar bem o seu papel, de anfitrião, sem que o público perceba seus problemas e dramas particulares e profissionais. É mais ou menos assim que funciona, com você, levando-se em conta as toneladas de “pepinos” que tem de engolir, diariamente, na administração de um Teatro?

ALESSANDRO MARTINS (AM): Estar à frente do Teatro Firjan SESI Centro, para mim, é, realmente, um prazer. Tenho paixão pelo trabalho que desenvolto, no Teatro, e tenho uma equipe igualmente apaixonada, que trabalha com muito profissionalismo e seriedade. Trabalhei muito tempo no setor de eventos, o que foi, para mim, uma grande escola. Na área de eventos, aprendi que, ao nos depararmos com um problema ou adversidade, é fundamental tentar manter a calma e não transparecer para o público o problema que está acontecendo. Muitas das vezes, ele não vai nem perceber. Acho que trouxe esse aprendizado para a administração do Teatro. Além disso, o fato de se trabalhar com aquilo de que se gosta faz com que os problemas se tornem menores do que, realmente, são, e isso ajuda mundo.




OTMR: Relacionado à pergunta anterior, quais são os problemas mais comuns que você enfrenta no seu dia a dia, no trabalho?

AM: Ah! Esses vou manter em segredo, para não despertar a curiosidade do público, para que continuem, quando possível, não percebendo o problema. Hahahaha!!!




OTMR: Eu o considero um dos maiores pauteiros desta cidade. Acho que o melhor, bem parecido com um tal de Midas. O que é bom e não estreia no “seu” Teatro, mal termina a temporada, em outra casa de espetáculo, se transfere para o Teatro Firjan SESI Centro. Sobre isso, uma pergunta eu gostaria de lhe fazer. Apesar de estar sempre presente na “sua” casa, você encontra tempo de sair correndo dela, para assistir a muitas peças, em outros Teatros. É mais amor pelo TEATRO ou é pelo exercício da função de “olheiro” (e dos ótimos)?

AM: Obrigado pelo elogio! Realmente, tento me condicionar a assistir, pelo menos, a dois espetáculos por semana, e isso é fundamental, para o meu trabalho. Esse é um tempo que preciso ter. Fazer a curadoria de um espaço é uma responsabilidade grande. Tenho que entender o que é importante a ser dito e o que funciona para o Teatro Firjan SESI Centro; ou seja, o que o público do Teatro quer assistir. É claro que é impossível a minha curadoria não passar, também, pelo meu olhar e, de certa forma, pelas minhas preferências, e, por isso, o Teatro acaba por ter criado uma identidade, por abordar temas que me tocam pessoalmente, porém tento pensar, acima de tudo, no público, que o Teatro tem 338 lugares e que, para isso tudo girar, é preciso que o público venha. Tem que funcionar e acho que, no geral, tem funcionado. Acredito estar no caminho certo.




OTMR: Muita gente não tem condições de ir até a zona sul, para assistir a uma peça, e a opção de vê-la exibida no Centro da cidade, com ingressos a preços bem acessíveis e com farta oferta de transporte público é um dos motivos que levam à lotação do SESI, além da programação, de excelente qualidade, é claro. Essa também é uma preocupação sua?

AM: Sem dúvida! Acho que nosso papel fundamental, enquanto parte do Sistema S, no segmento da cultura, é tornar esse acesso do público cada vez mais amplo, é apresentar um espetáculo de ótima qualidade, com preço acessível, democratizando a arte cada vez mais.




OTMR: Por outro lado, sabemos – não podemos negar – que se deslocar, pelo Centro do Rio, à noite, se tornou bastante perigoso, ainda que o horário das sessões, no “seu” Teatro seja bem mais cedo do que é praticado nas casas de espetáculo de outros lugares (Às 19h, durante a semana, e às 18h, aos domingos.). Isso pode ser um motivo para inibir a ida de mais pessoas ainda aos Teatros localizados no Centro, não só com relação ao SESI? Há cerca de 20 casas de espetáculo no Centro do Rio de Janeiro.

AM: Sim. Há quatro anos, decidi antecipar o horário dos espetáculos, que, durante a semana, era às 19h30min, para as 19h, e, aos domingos, que era às 19h, para as 18h. Acho que o público fica mais seguro em não ir para o Teatro num horário tão tarde, principalmente no Centro do Rio. Acho que, no Centro, os Teatros deveriam praticar, mais ou menos, o mesmo horário, pois isso aumenta o fluxo de pessoas nos horários de início e término dos espetáculos. Todos viriam e voltariam, mais ou menos, no mesmo horário. Penso que isso já acontece um pouco e acredito que ajuda na sensação de segurança do público que se desloca para o Centro do Rio.




OTMR: Sem citações, é óbvio, já ocorreu de você apostar numa programação, ou mais de uma, e ela(s) tenha(m) sido um fracasso, no SESI? Saberia dizer o motivo?

AM: Sim. Às vezes, acontece. São vários fatores. Um deles acredito ser um problema de divulgação das produções ou uma divulgação que não atinge o público. Creio que a divulgação deve ser bem intensificada, principalmente no início da temporada; ela tem que “pegar” a tempo, e as temporadas, hoje, são bem curtas, cerca de um mês. Às vezes, a estratégia de divulgação não dá tempo de mobilizar grande parte do público. A produção ter uma boa assessoria de imprensa, no meu ponto de vista, também é fundamental. A escolha do espetáculo pode não ter sido tão acertada; também acontece.




OTMR: E o contrário: você ter pautado algum(ns) espetáculo(s) que esperava ser sucesso, no SESI, e ele(s) ultrapassou(aram) as suas expectativas? Acho que, nesse caso, dá para citar nomes, mas fique à vontade e, em caso de uma resposta afirmativa, a que você atribuiu esse superdimensionamento do espetáculo?

AM: “OBORÓ – MASCULINIDADES NEGRAS” foi um sucesso tão grande, na temporada de agosto de 2019, que convidei o espetáculo para uma segunda, em novembro do mesmo ano. Foi um sucesso arrebatador! Casa lotada, praticamente, todos os dias! Lindo de ver! “TOM NA FAZENDA” começou a lotar na segunda semana. Também foi um sucesso incrível. O espetáculo tinha feito uma temporada linda, no Oi Futuro, também com casa cheia, mas lá é um Teatro pequeno, de 60 lugares. De lá, foi para o SESI, com 338 lugares, e foi uma loucura! Uma temporada linda!




OTMR: É difícil liderar e chefiar, já que o ser humano, por vezes, insiste em complicar o que é simples. Eu sinto um ambiente de harmonia, toda vez que vou ao SESI. As pessoas trabalham por bastante tempo lá, em suas funções, ou há uma rotatividade nas suas equipes?

AM: Tenho uma equipe incrível, que, realmente, trabalha com paixão! Eles são ótimos. Somos todos muito parceiros. Eu sou mais um, na engrenagem, e aprendo muito com eles, com as experiências que eles me trazem e, juntos, tentamos melhorar os processos. Cada um tem consciência do seu papel e somos muito colaborativos, ajudamo-nos, na hora do “sufoco”. Temos pouquíssima rotatividade na equipe do Teatro.






OTMR: Todo mundo – falo de produtores, diretores, elencos – deseja fazer temporada no SESI. Que critérios, além da qualidade, evidentemente, você aplica, nas suas escolhas?

AM: Além da qualidade do espetáculo, da ficha técnica do projeto, acho importante que as abordagens sejam de interesse do público. A arte tem o papel de nos deslocar e de fazer com que ampliemos nosso campo de visão. Ela nos fazer refletir e pensar em possiblidades nas quais não pensávamos antes. Acho que levo muito isso em consideração, na hora de selecionar um projeto para o SESI: entender o que é importante ser abordado para a nossa sociedade.




OTMR: Para quem ama o TEATRO, ele se torna um “vício”, ou a nossa “cachaça”. Durante o seu período, merecidíssimo, de férias, você consegue se desligar, completamente, do trabalho ou sente “falta” dele?

AM: Ih! Esse é meu maior desafio; conseguir me desligar. Confesso que, cem por cento, não me desligo, não. Acompanho as redes sociais do Teatro, vejo a repercussão dos espetáculos em cartaz, mas confio muito na minha equipe e no senso de responsabilidade de cada um deles. Isso me tranquiliza muito. Além disso, durante as férias, vou muito ao Teatro, até mesmo quando viajo. É uma “cachaça” mesmo, mas uma “cachaça” das boas!




OTMR: Cite alguns dos espetáculos que mais sucesso de público fizeram no SESI, aqueles que, para a alegria de todos os envolvidos nos projetos, levam a administração do Teatro a afixar, na bilheteria, aquela maravilhosa plaquinha: “LOTAÇÃO ESGOTADA”.

AM: Adoro essa plaquinha! Hahahaha!!! Isso aconteceu com alguns espetáculos, no Teatro: “SIMPLESMENTE EU, CLARICE LISPECTOR”, “CONTOS NEGREIROS DO BRASIL”, “O ABACAXI”, “A VIDA PASSOU POR AQUI”, “TOM NA FAZENDA”, “O ENCONTRO – MALCOLM X E MARTIN LUTHER KING”, “OBORÓ – MASCULINIDADES NEGRAS”...




OTMR: Você vive no, e do, mundo do TEATRO. Já lhe passou, mesmo que remotamente, pela cabeça trabalhar em outro setor do TEATRO, completamente diferente do administrativo, como elemento de criação, diretor, dramaturgo, ator...?

AM: Atualmente, não, mas, se tivesse que pensar em um setor para atuar, acho que seria como produtor. Tenho produção na veia, já trabalhei produzindo eventos, “shows” e peças, até mesmo no SESI, antes de assumir e gestão do Teatro. É uma área que conheço e de que gosto.






OTMR: Ainda que não esteja sob a sua responsabilidade, creio eu, fale um pouco da importância do “Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI”, criado em 2014, e que peças e autores importantes já revelou.

AM: Sim, o Núcleo de Dramaturgia é viabilizado pela Divisão de Cultura do SESI, mas tenho um papel nesse processo, pois sou um dos jurados que selecionam o espetáculo que estará em cartaz no Teatro, no ano seguinte. Leio os textos e selecionamos (Normalmente, eu e mais duas pessoas.) os projetos que serão publicados e o espetáculo que é montado e faz temporada no Teatro Firjan SESI Centro. Acho o trabalho do Núcleo de Dramaturgia importantíssimo. Formar e revelar novos autores brasileiros e fundamental, para o crescimento da nossa dramaturgia. Destaco o espetáculo “ROSE”, que teve temporada no Teatro, em 2018, e recebeu indicação, para o “Prêmio Shell de Teatro”, de melhor autora, para Cecília Ripoll. “SAIA”, texo de Marceli Torquato, fez uma linda temporada no Teatro, no ano passado. É um projeto lindo!













E VAMOS AO TEATRO (QUANDO HOUVER SEGURANÇA.)!!!


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quinta-feira, 9 de julho de 2020



NA COXIA, COM...

...VICTOR GARCIA PERALTA.


Victor Garcia Peralta


            Vamos conversar hoje com o argentino mais carioca que eu conheço. E olha que conheço alguns, nessa condição, muitos "argentinhocas", com essas características, mas ninguém como VICTOR GARCIA PERALTA, um homem de TEATRO, sem a menor dúvida, embora tenha, também, como paixão, o cinema.

            VICTOR é ator e cenógrafo (Pouca gente sabe disso, creio eu.), tradutor e versionista, às vezes, mas é como diretor de TEATRO que é mais conhecido, admirado e tem sua obra mais que aprovada, fazendo parte dos grandes encenadores em terras brasileiras. Acho que ele já se considera um “brazuca”.





Foto: Rodrigo Castro

            Tenho por ele uma grande amizade, imensa admiração e um incomensurável respeito por toda a sua história nos palcos, inclusive na Argentina, onde, também, é muito respeitado. Sempre pronto a não fugir aos mais complicados desafios, é, constantemente, requisitado, por produtores e atores, envolvido, geralmente, em mais de um projeto, simultaneamente, porque todos confiam no seu talento, bom gosto e criatividade e querem tê-lo, para sempre, junto.

            Merecidamente, já recebeu muitos prêmios, como diretor, e não poderia ser de outra forma. Afinal de contas, é credor de todos os aplausos e reverências quem assinou a direção de espetáculos como “NÃO SOU FELIZ, MAS TENHO MARIDO” (adaptador e diretor), “UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA” (cenário e direção), “MAMÃE” (colaboração artística), “MONSTROS” (tradução, versão e direção), “MORDIDAS”, “TEBAS LAND” (direção e idealização), “NUNCA FUI CANALHA”, “O GAROTO DA ÚLTIMA FILA” (direção e idealização), “EUFORIA”, “A SALA LARANJA: NO JARDIM DE INFÂNCIA” (tradução, direção e idealização), “THE PRIDE”, “NOITE INFELIZ - A COMÉDIA MUSICAL DAS MALDADES”, “QUEIME ISSO”, “UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA”, “QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF?”, “O SUBMARINO”, “TAMBÉM QUERIA TE DIZER - CARTAS MASCULINAS”, “NOVECENTOS” (tradução e direção), “ALUCINADAS”, “TUDO QUE EU QUERIA TE DIZER”, “SEXO, DROGAS E ROCK'N'ROLL” (figurino e direção), “UM MARIDO IDEAL”, “QUARTETT”, “DECADÊNCIA” (direção e idealização), “OS HOMENS SÃO DE MARTE... E É PRA LÁ QUE EU VOU!” e tantos outros sucessos, de público e de crítica.





Foto: Divulgação

Foto: Divulgação


            Sem mais, vamos conversar como PERALTA:


O TEATRO ME REPRESENTA (OTMR): Pergunta bem óbvia, para quem não é jornalista, iniciar uma entrevista: Como tudo começou? Primeiro veio o ator e, depois, o diretor? Quando, onde e como se deu essa transição?

VICTOR GARCIA PERALTA (VGP):  Primeiro, veio a vontade de dirigir cinema. Daqui a pouco, vou realizar essa vontade. Na época, eu morava em Milão, por causa do trabalho de meu pai, que era diplomata, e um colega de escola falou que, se eu queria dirigir cinema, tinha que aprender a dirigir ator. Meus pais não iam me dar dinheiro para estudar TEATRO. Eles queriam outro diplomata. Esse mesmo amigo falou que iam rolar os testes de admissão para a escola do "Piccolo Teatro di Milano”, em que, na época, não se pagava para estudar. Me apresentei aos testes e fui um dos 25 escolhidos daquele ano. Foram 4 anos e meio de aulas diárias, que me despertaram a paixão pelo TEATRO. Até aquele momento, eu só assistia a cinema. Me formei como ator e comecei. Profissionalmente. como ator, mas sempre com o projeto de dirigir, coisa que comecei a fazer, quase simultaneamente, até vir para o Brasil e só trabalhar como diretor.





Foto: Janderson Pires


OTMR: Quando, como e por que o VICTOR veio parar no Brasil?

VGP: Em 1999, vim dirigir “DECADÊNCIA”, no Brasil, que foi um grande sucesso de crítica e público. Começaram, então, a me propor trabalhos muito interessantes aqui e comecei a dividir meu tempo entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires. Eu sou apaixonado por mar, e o Rio, por ser uma grande cidade com mar, ajudou na decisão.





Foto: Cristina Granato

OTMR: São dois lados totalmente distintos e importantes, e um não vive sem o outro: diretor e elenco. De que lado você se sente mais confortável e por quê?

VGP:  Me sinto mais confortável do lado da direção. Quando leio uma peça, inevitavelmente, a visão que tenho é do meu ponto de vista sobre aquele texto. Isso complica um pouco, na hora de ser dirigido.





Foto: Rodrigo Lopes

Foto: billnog.biz

Foto: Ricardo Brajterman

Foto: billnog.biz

OTMR: Como encenador, você deve ter, ainda, a vontade de montar alguns textos clássicos. Isso procede? E qual (quais) seria(m) eles?

VGP: Tenho vontade de encenar Shakespeare, Goldoni, Molière, Pirandello, O’Neill, Miller, Brecht, Williams. A peça vai depender muito do momento que o mundo estiver vivendo.





Fotos: Felipe Panfili e Ricardo Brajterman

OTMR: Num dos espetáculos relacionados no texto de apresentação (“MAMÃE”), o seu nome aparece, na ficha técnica, como “colaboração artística”. O que isso significa?

VGP: Significa que, durante o processo de ensaios, assisti a uma semana deles, a convite do Álamo (Facó) e dei algumas opiniões e fiz provocações, com relação ao que estava assistindo. Álamo chama isso de “atravessadores artísticos”.





Fotos: Rodrigo Turazzi e Duda Paiva

OTMR: Conheço apenas um pouco do TEATRO argentino, gosto dos Teatros de lá e tenho verificado, nos últimos tempos, o surgimento de grandes dramaturgos, produzindo excelentes textos, alguns já encenados no Brasil. Você atribui a algum fator especial esse fenômeno?

VGP: Acho que tem a ver com uma geração de autores surgidos das aulas de dois grandes mestres da dramaturgia: Mauricio Kartun e Ricardo Monti. Esses autores, por sua vez, criaram as suas escolas.     





Foto: Júnior Marins

OTMR: Que características principais de cada público, brasileiro e argentino, os tornam diferentes ou iguais, em relação a seus gostos e interesses e ao que buscam no TEATRO?

VGP: Não vejo grandes diferenças. Talvez o público argentino tenha mais hábito de ir ao TEATRO e o brasileiro, de assistir a “shows”.





OTMR: Como é o seu processo de direção? Você segue um mesmo ritual, técnica, método ou protocolo, ou isso difere de peça para peça, de elenco para elenco, de produção para produção?

VGPComeço estudando o texto, muito tempo antes de começarem os ensaios. Pesquiso muito sobre o autor e sua obra, suas referências e inspirações. Pesquiso filmes, livros, artistas plásticos que tenham universos parecidos com o do texto que vou dirigir, escuto muita música. Começo a imaginar como vou contar essa história. Quando começam os ensaios, toda essa informação da qual me alimentei nos meses prévios, é falada com os atores, cenógrafos, produtores, figurinistas, iluminadores e trilheiros (Pessoas que cuidam das trilhas sonoras.). Essa troca é muito importante para mim. Geralmente, ensaio uma peça durante três meses. O primeiro é de leituras de mesa e para compartilhar o que pesquisei e falar como quero contar a peça. No segundo, levanto a peça inteira e, no terceiro, faço dois "corridos" diários, até chegar aos ensaios gerais.
Tenho a mesma técnica e método, independentemente do tipo de peça e do gênero. Vou trabalhar com o mesmo rigor um clássico ou uma comédia contemporânea.




OTMR: Você acha que fazer TEATRO é, realmente, um ato político e de resistência?

VGP: Acho que sim. Cada vez mais!







Foto: João Caldas

OTMR: Preferência por dirigir um determinado gênero? Por quê?

VGP: Não tenho.




Foto: Theodora Duvivier

OTMR: Você fica muito “bravo”, quando o/a ator/atriz utiliza “cacos” e/ou foge às marcações. Em outras palavras, “não cumpre o combinado”?  

VGP: Nunca me acontece. Tenho a sorte de trabalhar com atores extremamente talentosos e profissionais. Se, durante os ensaios, sinto que pode acontecer o que você me pergunta, falo com o ator e, se ele não muda de atitude, ou ele sai do espetáculo ou eu me retiro da direção. 





Foto: Divulgação

OTMR: O que mais pesa na sua escolha de um trabalho? O que mais é importante, para você, na hora de aceitar dirigir um projeto?

VGP: Em primeiro lugar o texto, o elenco e quem vai ser o produtor.





Foto: Paula Kossatz


OTMR: Você acha que tem uma digital própria, que é o diferencial no seu trabalho de direção?

VGP: Acho que sim.





Foto: Murilo Meirelles

OTMR: De uns tempos para cá, muitos diretores de TEATRO se dedicam a dirigir os atores e, praticamente, deixam para outro profissional o trabalho de marcação, que, via de regra e, até mesmo, incorretamente, recebe o nome de “direção de movimento”, o que, inclusive, confunde muita gente. Você abre mão das marcações ou se considera um diretor pleno, que sabe como extrair o que deseja, de cada ator, e fazê-lo se deslocar no espaço cênico?

VGP: No meu caso, a direção de movimento vai nos ensaios, nos últimos dias, antes da estreia. O espetáculo já foi marcado por mim e o que a direção de movimento faz é trabalhar em cima das minhas marcas e burilar alguma marca. Para mim, a direção não se separa em direção de atores e marcações. É um todo, que depende de mim. No meu estilo de trabalho, a marcação está muito ligada ao meu processo de trabalho com o ator.






Foto: Paula Kossatz

OTMR: Que espetáculo, no Brasil, você considera ter sido seu maior desafio e por quê?

VGP: Vários. A maioria dos espetáculos que dirigi foram e são desafios para mim. No geral, não tenho interesse em dirigir um texto que não represente um desafio.




Foto: Lívio Campos




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