terça-feira, 13 de setembro de 2016


PAPAI ESTÁ NA ATLÂNTIDA

 

(OU NO PARAÍSO.

OU EM SHANGRI-LÁ.

OU JÁ NEM ESTÁ MAIS...)

 
 
 

            Quando vi, há cinco dias, o espetáculo “PAPAI ESTÁ NA ATLÂNTIDA”, que, infelizmente, sairá de cartaz nesta semana (ver SERVIÇO), a vontade que tive foi de, imediatamente, postar, na única rede social de que me utilizo, alguma coisa, conclamando o maior número possível de amigos, reais e virtuais, a assistir a este espetáculo, um dos melhores da safra carioca, desde o início do ano, e, certamente, um dos que reúnem condições para figurar, ao final do ano, naquelas listas de TOP 10.

            Assim, postei:

Espetáculo maravilhoso!

Cruzamento de simplicidade, beleza, competência, bom gosto, sensibilidade...

Tudo de bom!

Recomendo MUITO!


 




Agora, ainda que assoberbado de trabalho, encontrei um tempo, para discorrer um pouco sobre a peça, pela primeira vez encenada no Brasil.

Confesso que não conhecia o autor da linda dramaturgia, o mexicano JAVIER MALPICA, de 51 anos, e, muito menos, tinha conhecimento de que o texto já fora premiado, no México e nos Estados Unidos; em 2005, com o Prêmio Victor Hugo Rascón Banda.

Foi muitíssimo feliz o dramaturgo, na escolha do tema, que ele, como mexicano, conhece bem de perto, qual seja a problemática da emigração clandestina, do México para os Estados Unidos, assim como na arquitetura do texto, utilizando dois meninos, de 11 e 8 anos, expressando-se em diálogos simples, profundos e comoventes, mostrando, como num Raio-X, a ingenuidade e a esperança dentro de dois corações infantis, pulsando por um rencontro com o pai, muito improvável. Muito!!!

 
 


 
SINOPSE:
 
Dois irmãos mexicanos vivem sua infância e tentam reorganizar suas vidas, depois da ida do pai para os Estados Unidos. Esse é o ponto de partida do drama.
Os meninos, órfãos de mãe, não sabem, exatamente, para onde o pai fora, e se veem na condição de ter de morar, no interior, com a avó paterna, a quem todos temiam, por seu gênio ruim.
O menor, após ter tido acesso, às escondidas, a uma carta enviada pelo pai, à sua mãe, avó das crianças, confunde a cidade de Atlanta com Atlântida, que seria o paradeiro do pai.
Marcada por muito drama e sofrimento, a convivência com a avó não durou muito, pois esta faleceu e os dois passaram a morar com um casal de tios e dois primos, que os maltratavam muito, vendo-os como um grande estorvo em suas vidas, algo que lembra uma “Cinderela”, em versão masculina e dobrada. As crianças foram retiradas da escola e eram obrigadas a trabalhar, em regime quase escravo, na mercearia do tio.
Não suportando mais tanto sofrimento e esperançosos de encontrar alegria e amor, num reencontro com o pai, os dois meninos decidiram atravessar a fronteira norte do México/Estados Unidos, em sua busca, sem saber que o destino lhes reservava um fim tão trágico.
Uma história comovente e gritante, que toca fundo no coração até dos menos sensíveis.
 

 
 


            O texto de JAVIER MALPICA é um primor de beleza e sensibilidade. Foi escrito, sem que a informação seja muito precisa, em 2005, e o diretor do espetáculo, GUILHERME DELGADO, sempre preocupado em encontrar textos novos, premiados e ainda inéditos no Brasil, o descobriu numa publicação da Escola SESC de Ensino Médio, como parte de um projeto de publicar autores latinoamericanos, chamado “Periférico”.

Uma curiosidade: durante o trabalho de pesquisa sobre a obra e tudo nela envolvido, na fase de produção, GUILHERME teve acesso a um recorte de jornal, que noticiava a descoberta, na Turquia, de um cemitério só para crianças sírias, refugiadas, compartilhando-o com todos os envolvidos no projeto da peça, o que comoveu a todos.

            GUILHERME ainda se deixou emocionar bastante, assim como todo o grupo, nessa mesma época, por um apelo do Papa, pedindo pelas crianças que morriam, sem identificação, no Mediterrâneo.

Também durante o processo anteriormente citado, verificou-se o fatídico encontro macabro de um bebê sírio, semienterrado na areia de uma praia, imagem que, ainda hoje, é difícil de ser apagada de nossas mentes.

Não bastasse isso tudo, ainda nos deparamos, todos os dias, com imagens chocantes de refugiados, que tentam encontrar paz e dignidade em algum país europeu, sofrendo toda sorte de terror e humilhação.
 
 
 

O que não faltou foi motivação para que o diretor e sua equipe se lançassem na montagem de um espetáculo que deveria ser visto por todos os amantes do bom TEATRO e funcionar como a porta de entrada para aqueles que ainda não tiveram a primazia de terem sido apresentados a essa expressão cultural.

A cidade de Atlanta, certamente, não foi escolhida por acaso, pelo autor. Ela é confundida, pelo menino mais novo, com Atlântida, o continente escondido, ou desaparecido, ou perdido, uma inteligente metáfora, empregada no título da peça, relacionada ao desaparecimento de milhares de migrantes mexicanos que, no dia a dia, tentam entrar, clandestinamente, em terras norte-americanas, à procura de um futuro melhor, pagando fortunas aos chamados “coiotes”, em tentativas infrutíferas, na grande maioria das vezes.

Os protagonistas da peça são anônimos.  Os pequenos, um de 11 anos e outro de 8, se tratam como “MANO”. Aliás, o pai e a avó, assim como os tios, também não recebem nomes, podendo representar milhares de outros seres humanos, que passam pelas mesmas situações, um monte de “mais um na multidão”. Parecem não ter importância, não ser importantes. As únicas referências nominais, na peça, vão para os dois primos, HEITOR e FELIPE.  

“PAPAI ESTÁ NA ATLÂNTIDA” faz uso do universo bem humorado e lúdico da infância para trazer à tona um dos assuntos mais importantes da atualidade, em várias partes do mundo: a migração, principalmente daqueles que fogem dos horrores das guerras e seus massacres.

A montagem deve ser vista por vários motivos. Um deles é a excelente atuação de DANIEL ARCHANGELO , o MANO mais velho, e RICARDO GONÇALVES, o MANO mais novo. Ambos, em interpretações viscerais, arrebatam o espectador, atraem a plateia ao palco, levam as pessoas a viver, com eles, o drama da sobrevivência no deserto, principalmente à noite, quando o frio maltrata os dois inocentes.
 
 


Os atores interpretam duas crianças de uma forma genuinamente natural, sem excessos, sem estereótipos, ser caricaturas. Percebe-se, desde a primeira cena, que se trata de duas crianças, de idades diferentes, pela postura e por outros recursos de interpretação empregados pelos atores, sem nenhum ranço de idiotização, como é comum se ver em adultos interpretando crianças.

Duas marcas bastante visíveis, nos dois trabalhos, é o tom “professoral” empregado pelo personagem de DANIEL, demonstrando um saber e uma “esperteza” superior à do irmão, pela diferença de idade, o que desaparece no final da peça, quando os dois se igualam em dor e fragilidade. O medo iguala todos. Já o personagem de RICARDO destaca-se pela ingenuidade, pela pureza, quase angelical, que se deixa proteger pelo irmão mais velho. Ambos exploram o universo lúdico da criança e usam e abusam da imaginação, nas brincadeiras, como, por exemplo, a ótima cena da partida de beisebol, na qual o menor, como um dos “jogadores”, ainda acumula a função de “locutor”, que transmite a “partida”, um grande ponto também para a direção. Dois belíssimos trabalhos, irretocáveis!!!

E já que estamos falando de direção, esta merece os maiores elogios. O grande mérito de GUILHERME DELGADO é saber contar uma história, que mexe, profundamente, com a emoção do espectador, sem ser piegas, tendo atingido o tom exato para emocionar e levar o público a uma reflexão sobre o semelhante, a luta pela sobrevivência e o reconhecimento de uma situação de cidadania.

Sua criatividade está presente, por exemplo, na utilização dos elementos cênicos, poucos, diga-se de passagem, já que se trata de uma produção modesta, sem patrocínios. Três longos bancos de madeira, em cena, mudam de posição e são sobrepostos, uns aos outros, pelos próprios atores, transformando-se em ônibus, móveis diversos e uma mercearia.

Além dos referidos bancos do cenário, também de GUILHERME e de RICARDO ROCHA, são objetos de cena um velho rádio de pilha e uma bola de beisebol.
 
 


            Agradaram-me bastante os cortes bruscos de uma cena para outra, feitos em detalhes sutis e facilmente perceptíveis pelo espectador atento. Esse detalhe confere à peça mais ritmo, não permitindo que as ações passadas, durante muito tempo, num mesmo lugar pudessem tornar as cenas monótonas. Grande acerto da direção!!!

            RICARDO ROCHA assina, ainda, os corretos figurinos, que, além de vestirem os atores, servem de soluções, em algumas cenas, assim como LUIZ PAULO BARRETO faz um bom trabalho na iluminação, que varia de acordo com a “temperatura” das cenas.

 
            Este espetáculo deve fazer parte da “cesta básica” de quem procura uma boa peça de TEATRO para assistir.

 
 
 


 
FICHA TÉCNICA:
 
Autor: Javier Malpica
Direção: Guilherme Delgado

Elenco: Daniel Archangelo e Ricardo Gonçalves

Cenografia: Guilherme Delgado e Ricardo Rocha
Figurino: Ricardo Rocha
Iluminação: Luiz Paulo Barreto
Realização: Tentáculos Espetáculos
Comunicação: Aline Peres
Art Designer: not.a.pipe
Fotos: Luiz Luz
 

 

 

 

 
SERVIÇO:
 
Temporada: De 11 de agosto a 17 de setembro de 2016
Local: Teatro Eva Herz (Rua Senador Dantas 45 – Centro / Dentro da Livraria Cultura).
Capacidade: 178 lugares (4 lugares para cadeirantes)
Dias e Horários: De 5ª feira a sábado, sempre às 19h
Telefone Bilheteria: (21) 3916-2600
Valor do Ingressos: R$60,00 (inteira), R$ 30 (meia-entrada, para os casos previstos em lei)
Duração: 80 minutos
Classificação Etária: 12 anos
 
Mais informações:
Tentáculos Espetáculos: facebook.com/tentaculosespetaculos
Aline Peres: (21) 988633003/ papainaatlantida@gmail.com
 

 
 












 


(FOTOS LUIZ LUZ)
 








 

domingo, 11 de setembro de 2016


BOA NOITE, PROFESSOR
 

(PURO REALISMO NUMA SITUAÇÃO LIMITE.)

 
 

 

 

            TEATRO se faz, sobretudo, com paixão. E não deve ser pouca. MUITA PAIXÃO! E paixão é o que não falta, no espetáculo “BOA NOITE, PROFESSOR”, em cartaz no Teatro O TABLADO (Ver SERVIÇO.). PAIXÃO, escapando por todos os poros, por parte de todos os envolvidos no projeto.

            Este ano de 2016, quando O TABLADO comemora 65 anos de EXCELENTES SERVIÇOS PRESTADOS AO TEATRO BRASILEIRO, um espetáculo, para adultos, ficará marcado nos anais daquele celeiro de grandes nomes do nosso TEATRO. Trata-se de “BOA NOITE, PROFESSOR”, uma curiosa e interessante experiência, por meio de uma parceria entre pai e filha, ambos professores de lá. Falo de LIONEL FISCHER e JÚLIA STOCKLER, que escreveram e dirigem, juntos, o espetáculo.
 
 

 
Ricardo Kosovski e Nina Reis.
 
 
 
SINOPSE:
 
A peça narra a história de um respeitado professor, PAULO (RICARDO KOSOVSKI) e sua brilhante candidata a orientanda, VERÔNICA (NINA REIS), que se encontram, para falar do tema que os une, a psicopatia, sem se darem conta de quantas camadas podem estar submersas neste oceano, em que a pesquisa científica é apenas a ponta do iceberg.
 
Quais são os limites entre sanidade e loucura? Do que é feita esta zona limítrofe? Até onde pode ir um jogo de sedução?
 
Nesse encontro singular e potente, questões do passado vêm à tona, numa estória instigante e cheia de surpresas. Uma peça que fala sobre afetos, armadilhas, desejo e culpa, desnudando um relacionamento único e comum, como tantos que existem.
 
PAULO, cinquenta e poucos anos, é um psiquiatra brilhante e professor emérito. Mas será que ele seria apenas isso? VERÔNICA, vinte e poucos anos, cabelos presos de forma curiosa, óculos de grau. Ela é aluna de PAULO e pediu sua orientação para sua dissertação de mestrado, cujo tema é a possibilidade dos psicopatas sentirem alguma coisa por seus objetos de desejo, o que transcenderia a mera perversão. Mas será que ela está ali apenas por razões estritamente acadêmicas?
 
Com o desenrolar da trama, as aparências vão, pouco a pouco, cedendo espaço a uma realidade impregnada de brutalidade e poesia,  encantamento e ódio, e o espectador começa a perceber que aluna e professor talvez estejam empreendendo um inadiável ajuste de contas.
 
Mas o que teria acontecido? Talvez um crime, jamais elucidado. No entanto, a verdade precisa vir à tona e, por isso, alternando-se nos papéis de algoz e vítima, os personagens empreendem uma dilacerada jornada que se encerra com uma revelação aterradora.
 

 
 
 


Segundo o “release” do espetáculo, enviado pela assessoria de imprensa (DANIELLA CAVALCANTI) “a ideia do espetáculo surgiu a partir de uma outra peça de LIONEL FISCHER, de mesmo nome, bastante diversa, pois, além de possuir muitos personagens, o protagonista era um “serial killer”, um psicopata típico. “Agora, são apenas dois personagens, e o foco gira em torno da possibilidade de um psicopata nutrir algum tipo de sentimento por seu objeto de desejo. E, também, procuramos investigar a validade da clássica definição do conceito de psicopatia”,  conta LIONEL.

“É sobre esta plataforma que FISCHER e STOCKLER se debruçam, para tratar a psicopatia, este mal tão em voga atualmente, cujos desdobramentos ainda desafiam as teorias científicas mais arrojadas, no mundo todo.” (Ainda extraído do “release”).

Gosto de conhecer a sinopse de uma peça, antes de assistir a ela, mas procuro não ler nenhuma crítica ao espetáculo, por vários motivos. Com relação a este, infelizmente, não consegui saber de que tratava, mas, por curiosidade, li uma crítica, exibida num pequeno cartaz, afixado numa das paredes externas do teatro, o que não aconselho ninguém a fazer, uma vez que, nela, já está revelado, enfaticamente, o final da peça. Arrependi-me bastante de tê-lo feito.

Por outro lado, apesar de ser um espetáculo que pode ser classificado como “teatro psicológico” e, como tal, recheado de elementos de suspense, este não me parece ter sido o grande trunfo dos autores do texto. Penso que eles se preocuparam com algo além, e que não fica, propositalmente, claro, para os leigos no assunto – psicopatia -, uma vez que, à medida que a trama vai se desenvolvendo, o espectador atento já vai percebendo, com certa facilidade, qual é a real intenção daquela visita, o que buscava VERÔNICA, indo ao encontro do professor, e quem seria o verdadeiro PAULO.
 
 
 

Há um mistério no ar e uma verdade, ou confissão, buscada por VERÔNICA, que não mede esforços para atingir seu objetivo, arriscando-se, sozinha, no apartamento de alguém que ela pouco conhecia e que buscava conhecer mais, mesmo que tal conhecimento lhe pudesse causar um irreversível prejuízo, do ponto de vista físico e interior. Trata-se de uma situação limite entre aqueles dois, cujos desdobramentos seriam uma incógnita.

A aluna vai ao apartamento do professor, de frente para o mar, e, até se provar o contrário, seu objetivo seria "tirar algumas dúvidas" e convidá-lo a ser seu orientador de tese, do que ele tenta fugir, uma vez que está em vias de se aposentar. Ou não seria esse o real motivo da recusa?

No meios de livros, papéis e fotos, que VERÔNICA carrega, há, também, um diário, escrito por sua mãe, cujas páginas finais encerram a motivação daquela visita/busca.

O público começa, então, e se orientar pelas atitudes e falas de VERÔNICA e a montar um quebra-cabeça, a caminho do desfecho (ou não) da trama, a partir do momento em que ela começa a mostrar a PAULO fotos de sua falecida mãe, ex-aluna dele, assassinada, à noite, numa praia deserta, e a ler trechos daquele diário, o que o leva a uma situação de total desconforto e agitação.  

            Ela inicia um ritual de sedução, em relação a ele, o qual faz uma força imensa, para não ceder à tentação. O que estaria desejando com aquilo? Há um forte embate entre os dois, inevitável, quando se cruzam opressor e oprimido. E a psicopatia está ali corporificada? Na figura de PAULO apenas? Ou está presente nos dois? Quem é o mais doente?
 
 

 


VERÔNICA invade uma privacidade, remexe, literalmente, nas fotos guardadas pelo professor (ambos se interessavam por fotografia) e nos “escaninhos” da memória de PAULO, para poder resgatar uma verdade; mais ainda, ratificar o que já lhe parecia certo.     

            O tema da peça é bastante forte e pode ser considerada uma grande e feliz ousadia de LIONEL e JÚLIA o seu desenvolvimento. Trabalhar num texto que trata de psicopatia, como tema, depois de tantos bons textos já escritos, girando em torno dele, não é tarefa para principiantes. Primeiro, é preciso um mergulho no assunto, para evitar deslizes e falsas verdades. Parece-me que ambos mergulharam bem fundo e mostraram, aos leigos, como eu, a postura de um psicopata, que não consegue enxergar o outro como um igual, menos ainda se condói pela dor alheia, culminando com o não reconhecimento da culpa por algum ato merecedor da aplicação de uma pena, pelas leis dos homens. Ele é incapaz de reconhecer seu erro, porque a possibilidade de errar não existe para ele. Por mais condenável que seja um ato seu, ele sempre o verá como natural, numa atitude ingênua, até de favorecimento à sua vítima. Quando encurralado, porém, é capaz de reagir, até de forma mais violenta que a praticada anteriormente, em algum momento de surto.

            Os grandes pontos de destaque da peça vão para alguns detalhes.

Em primeiro lugar, para o ótimo texto, bastante enxuto e objetivo, a ponto de, em apenas 50 minutos, desenvolver, a fundo, a proposta da peça, ainda que o tema seja bastante árduo.

Acrescentem-se as brilhantes interpretações de RICARDO KOSOVSKI e NINA REIS, esta, indiscutivelmente, em seu melhor trabalho, como atriz. Quando falei em “paixão”, no início destes escritos, o meu referencial maior, com relação a “BOA NOITE, PROFESSOR”, me veio pelo trabalho de interpretação da dupla. Poucas vezes, vi tanta verdade em cena, expressa, inclusive, magistralmente, numa cena de agressão física, mútua, que chega a “incomodar” o espectador, o qual fica a dois ou três passos dos atores, já que o espetáculo é feito no palco do teatro, transformado numa pequena arena, comportando cerca de cinquenta espectadores. Há uma total intimidade entre atores e público. Confesso que, na hora da brutal cena, oscilei entre sair correndo daquele lugar ou tentar apartar a briga, pesando mais, na minha balança, a primeira opção. Mas, felizmente, me mantive firme, na minha cadeira. Parecia real, mas era TEATRO.



 


Por oportuno, vale dizer que o excelente trabalho dos atores, deixando de lado a competência profissional de ambos e a “paixão” que aplicam a seu ofício, chega ao ponto de ser considerado, por mim, magnífico, graças à ótima direção de pai e filha, LIONEL e JÚLIA, os quais souberam sugar toda a energia dos atores, física e interior. 

JOSÉ DIAS foi econômico nos elementos do cenário, nem por isso causando algum prejuízo à montagem. Pelo contrário, considerando-se as circunstâncias que envolvem a encenação, ou seja, a correta opção de ser utilizado o palco de O TABLADO, como um teatro de arena, fez uso de poucos recursos cênicos, os necessários para o desenvolvimento da trama: uma poltrona, uma mesinha de centro/bar, garrafas de bebidas e copos; num dos cantos, uma pilha desordenada de caixas de papelão, que pode ser decodificada como “qualquer coisa” (um armário, talvez), criando um tom meio caótico para aquele ambiente.

O figurino, de ANA CAROLINA LOPES, não tem nada a ser destacado, a não ser que são discretos e bem próximos à identidade dos dois personagens.

O mestre da iluminação, AURÉLIO DE SIMONI, também fez um trabalho discreto, sem grandes variações, utilizando, se não me equivoco, todos os pontos de luz acesos, durante toda a ação, variando, apenas, e muito raramente, na gradação da luz.

Um excelente elemento, nesta montagem, que ajuda bastante, na criação do suspense, por exemplo, é a trilha sonora, a cargo do premiado TATO TABORDA, com destaque para uns sons “estranhos”, que pensamos ser o barulho do mar, mas que, posteriormente, fiquei sabendo, por LIONEL FISCHER, que eram ruídos gravados no interior de uma baleia. Fantástico efeito, além de curioso!

            Encerro minhas considerações sobre “BOA NOITE, PROFESSOR”, recomendando o espetáculo e aplaudindo a iniciativa da formação da dupla FISCHER & STOCKLER, na esperança de que este primeiro texto seja o primeiro de muitos outros, certamente tão bons quanto o aqui analisado. 

 
 
 




 
FICHA TÉCNICA:
 
Texto e Direção: Lionel Fischer e Júlia Stockler
 
Elenco: Ricardo Kosovski e Nina Reis
 
Cenário: José Dias
Figurino: Ana Carolina Lopes
Trilha Sonora: Tato Taborda
Iluminação: Aurélio de Simoni
Direção de Movimento: Renato Linhares
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti
Fotos Divulgação: Guga Melgar
Produção Executiva: João Sant’Anna
Direção de Produção: Fernando do Val
Realização: Teatro O TABLADO
 




 
Ensaio. Ao fundo, Lionel Fischer.



 
SERVIÇO:
 
Temporada: De 06 de agosto a 25 de setembro
Local: Teatro O Tablado (Avenida Lineu de Paula Machado, 795 – Lagoa – Rio de Janeiro)
Telefone: (21) 2294-7847
Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 21h; domingo, às 20h
Valor do Ingressos: R$30,00
Capacidade: 50 espectadores
Gênero: Drama
Duração: 50 minutos
Horário de Funcionamento da Bilheteria: De 6ª feira a domingo, duas horas antes do início do espetáculo
Vendas antecipadas: www.ingresso.com
Classificação Etária: Recomendada para pessoas a partir de 14 anos
 

 

(FOTOS GUGA MELGAR)
 
 
 
 
 













 



 



 




 







 



 



 



 















 
 

 

 












domingo, 4 de setembro de 2016


TÃOTÃO

 

(TÃO BOM!

TÃO CRIATIVO!

TÃO INTELIGENTE!

TÃO MARIA CLARA MACHADO!
 
TÃO PEDRO KOSOVSKI!

TÃO CACÁ MOURTHÉ!

TÃOTÃO!

TÃO...!)


 

 


            TÃO = advérbio indicador de grau de intensidade.

            Apesar de ser empregado em comparações (tão...como, quanto), todo adjetivo precedido por ele se reveste de um valor superlativo. Não poderia ser outro o título deste excelente espetáculo infantil, que, de início, já recomendo, com muito empenho.

 
 
 
            Uma peça infantil deve, em primeiro lugar, agradar ao seu público-alvo, as crianças, obviamente, para que elas se interessem, cada vez mais, por essa atividade cultural e venham a ser as futuras plateias nos “teatros para adultos”. Mas é importante, também, que cative os pais e outros acompanhantes, a “gente grande”, para que estes também se divirtam e que lhes possa servir de estímulo, para levar suas crianças, mais e mais vezes, ao TEATRO.

            “TÃOTÃO” presta-se a isso. Não há quem assista ao espetáculo e não goste dele, sejam os pequenos, sejam os adultos.
 

 


            Para mim, apesar de não ser cria de O TABLADO, cruzar aquele portão me causa uma grande emoção, todas as vezes que posso assistir a algum espetáculo lá. Não consigo explicar o motivo, mas algo me toca bem dentro da alma, como se, em vidas passadas eu lá vivesse, o que não é o caso, pois O TABLADO é um ano mais novo que eu.

            Neste ano de 2016, aquele “templo do TEATRO”, de onde saíram alguns dos maiores talentos do Teatro Brasileiro, comemora 65 anos e, pela primeira vez, desde sua fundação, recebe, em seu palco, um espetáculo infantil de outro autor que não da sua fundadora MARIA CLARA MACHADO, um nome que ocupa todas as galerias dos gênios do TEATRO, um nome para ser reverenciado “ad aeternum”, por sua incomensurável contribuição para o nosso TEATRO, em especial, o infantil.


 


            “TÃOTÃO” deve ter sido concebido muito pela ação do DNA: o O TABLADO foi fundado por MARIA CLARA MACHADO e, após sua morte, passou a ser dirigido e administrado por CACÁ MOURTHÉ (e seus colaboradores), sua sobrinha e diretora do espetáculo, escrito por PEDRO KOSOVSKI, filho de CACÁ e, por consequência, sobrinho-neto de CLARA. Tudo em família. E que família!!!  


 



 
SINOPSE:
O espetáculo, baseado no mito de Narciso, conta a história do menino TÃOTÃO, interpretado por RODRIGO TRINDADE, que passa grande parte do dia brincando, sozinho, no seu quarto, em frente ao espelho.
 
O que TÃOTÃO vê refletido é um verdadeiro mundo mágico, um teatro da imaginação.
 
Diante do espelho, ele brinca e se diverte com seus amigos imaginários, que compõem a LIGA DOS SUPER-EUS: HIPER-EU (JOÃO SANT'ANNA), um menino um tanto hiperativo; EU IDEAL (VICTOR MELLO), o menino que gosta de fazer tudo certinho; EU BEBÊ (JOANA CASTRO), uma criancinha doce e indefesa; ELA EU (MANUELA LLERENA), a menina do grupo; e NÃO EU (VINICIUS MAIA), aquele que é sempre do contra.
 
Um dia, TÃOTÃO recebe a visita surpresa de sua amiga TINA (JÚLIA STOCKLER), que aparece sem avisar e acaba descobrindo por que TÃOTÃO nunca sai de casa: ele fala e brinca com o espelho.
 
TINA começa a provocar o amigo, quando, por acidente, eles caem sobre o espelho, que se quebra e os puxa para dentro.
 
Lá, num mundo estranho e cheio de mistérios, TÃOTÃO reencontra seus amigos imaginários, mas, para sua surpresa, descobre que todos estão presos no espelho. Eles são vítimas do vaidoso NARCISO (SAULO ARCOVERDE), que os transformou em meros reflexos do mundo real, criados para servi-lo.
 
TÃOTÃO e TINA, porém, ainda não foram transformados, definitivamente, em reflexos e têm uma chance de reverter a situação: eles contam com algumas poucas horas, até o amanhecer, para elaborar um plano e libertar o grupo do domínio de NARCISO e, finalmente, voltar para o mundo real.
 




 


            É a primeira vez que CACÁ dirige uma peça escrita por PEDRO, seu filho, um texto inédito e o primeiro que ele escreve para crianças. PEDRO, nos últimos anos, vem colecionando prêmios, por peças por ele escritas, tendo sido o ano de 2015 marcante, em sua carreira de dramaturgo, graças, principalmente, ao estrondoso sucesso de seu “Caranguejo Overdrive”, que jamais deveria sair de cartaz, por ser uma obra-prima. No momento em que escrevo esta crítica, PEDRO e seus (nossos) amigos de elenco, estão levando o "Caranguejo" para fora do Brasil, apresentando-se na Colômbia. 

Como diretora artística de O TABLADO, CACÁ vem promovendo importantes realizações durante os últimos quinze anos, em que se vê no leme do barco, destacando-se a retomada dos Cadernos de Teatro (Novos Cadernos de Teatro), uma revista de teatro, lançada em 1956, que completa 60 anos este ano. Particularmente, sou muito grato por essa iniciativa, já que colecionava esses “cadernos”, quando impressos, e me senti meio órfão, quando deixaram de circular. Comemorando a retomada da revista, em fase de pesquisa, a publicação ganhará novas edições, em plataforma digital, e teve todo o seu acervo digitalizado e disponibilizado, gratuitamente, para “download” no “site” de O TABLADO.
 
 
 
 
 

            De acordo com o “release”, enviado por JSPontes Comunicação (João e Stella) e pelo diretor de produção, Fernando do Val, O texto (...) tem como elemento chave o espelho’, esse multiplicador de imagens, que tanto pode remeter ao ato de se enxergar, como ao de se contemplar. A peça fala, ainda, sobre uma questão na ordem do dia: o quanto podemos ser hipnotizados pelas múltiplas imagens que nos chegam a todo momento e acabar vivendo isolados, em nossas pequenas ilhas, os celulares, ‘tablets’ e afins, ausentando-nos do mundo ao redor”

"Uma das coisas que me mobilizou neste trabalho foi a relação com a imaginação da criança, nesse mundo já com tanta imagem. O espelho é meio Iphone, meio Ipad, esse espelho que não reflete a gente, mas abre essas mil janelas. Estou com um filho pequeno e fico pensando como é esse mundo da imaginação, da ilusão, que é tão importante para a infância, como esse lugar ainda fica vivo dentro dessa avalanche de imagens.", diz PEDRO.

O texto da peça é lindo, escrito numa linguagem acessível às crianças, mesmo as mais novinhas, sem idiotizá-las, que é algo que muito me irrita, em algumas peças infantis. O autor coloca, na boca dos personagens, diálogos entre crianças perfeitamente normais, utilizando o humor, com ponderação, já que este é ingrediente necessário à receita de uma boa peça infantil (para adultos talbém), porém divertir, fazer rir, apenas, não é o objeto-fim de uma peça infantil. Há, nesse texto, dicas e muito ensinamento, que podem ser trabalhados e ampliados, depois, pelos pais, em sua lida cotridiana com as crianças.
 
 
 
 

Um dos detalhes mais interessante deste texto, na minha visão, se volta para os nomes dos personagens, para lá de adequados e significativos, principalmente os que representam os “alter egos” de TÃOTÃO. HIPER EU é o retrato da “superioridade”, do poder, que o menino pensa ter sobre os demais, o que não é característica só dele; ELA EU pareceu-me uma ideia, muito interessante, de fazer menção ao não-preconceito, referente à questão de “gênero”, que tantos problemas e discussões desperta, sendo a "porção mulher" do menino (“Um dia, vivi a ilusão de que ser homem bastaria” – Gilberto Gil, em “Super-Homem, a Canção”); EU BEBÊ pode servir para “justificar” as “bobagens” cometidas pelo protagonista, servindo de “desculpa” para elas, uma vez que bebês não têm discernimento sobre as coisas do seu mundo; EU IDEAL resume a “perfeição” procurada e que deveria haver em cada um de nós, sob todos os aspectos, principalmente aos olhos dos outros; NÃO EU é a rejeição aos defeitos, às imperfeições, aos erros pessoais, a todo o “mal feito”.

É excelente a direção de CACÁ MOURTHÉ, e nem se poderia esperar algo diferente, a julgar por seus brilhantes trabalhos em montagens anteriores.
 
 
 
 

Quanto ao elenco, de atores jovens e não ainda conhecidos do público de TEATRO, mesmo por mim, eu que sou considerado “rato-de-teatro”, só tenho a dizer que, de cara, se percebe que são formados naquela casa, pela disciplina e pelo talento em cena. Todos se apresentam homogeneamente, na criação de seus personagens, com um pequeno destaque para o protagonista, RODRIGO TRINDADE (TÃOTÃO) e JÚLIA STOCKLER (TINA), e para o antagonista, SAULO ARCOVERDE (NARCISO).

Além dos três nomes já citados, fazem, ainda, parte do elenco JOÃO SANT'ANNA, MANUELA LLERENA, JOANA CASTRO, VINICIUS MAIA e VICTOR MELLO, todos crias da casa, "como rege a tradição".

Há, ainda, em cena, já que trata de um musical, uma ótima banda, formada por quatro jovens e talentosos músicos: LEONARDO VALOR (teclado)VICENTE BARROSO (bateria)ENZO MASTRANGELO (guitarra)VINÍCIUS NESI (baixo).
 
 




Apesar de não ser uma superprodução, em termos de orçamento, o talento, a criatividade e o empenho de todos os envolvidos no projeto são responsáveis por um espetáculo corretíssimo, em todos os aspectos.

O cenário e os figurinos são assinados por LÍDIA KOSOVSKI e são dois elementos que causam impacto na peça.

Quanto ao cenário, a sua peça-chave, o espelho, “é apresentada em duas escalas: em tamanho natural, ao fundo do palco, e uma réplica gigante, que circunda a toda a boca de cena, transformando a caixa cênica neste mundo mágico, dentro do espelho. Em ambos, o jogo de luzes esconde ou revela cenas e personagens por trás do misterioso espelho. A sua moldura, como num objeto de estilo rococó, é coberta por múltiplas aplicações e entalhes – que, neste caso, são super-heróis, soldadinhos, carrinhos, aviõezinhos, formando um minucioso painel de ícones dos 'brinquedos de meninos'. Por sua riqueza de detalhes, a moldura foi carinhosamente batizada pela equipe de "moldura rocopop" (extraído do “release”). Fiquei muito bem impressionado com a ideia do cenário, assim como seu acabamento.

Os figurinos também chamam a atenção do espectador, de qualquer idade, pelo que apresentam de coloridos e lúdicos. E aqui, também, cabe um comentário à questão do acabamento das peças. Percebe-se que, além da genialidade da artista, na concepção dos trajes, há um rigor no acabamento das roupas, todas bastante adequadas à personalidade de cada um que as veste.
 
 


Quanto às músicas, especialmente compostas para a peça, por FELIPE STORINO (melodia) e PEDRO KOSOVSKI (letras), executadas, ao vivo, não se pode dizer nada menos do que lindas, de fácil apelo popular, levando as pessoas a saírem com partes delas na cabeça, terminado o espetáculo.

Interessantes e bem afins com a montagem são as coreografias, de BRUNO CEZÁRIO; a preparação vocal, de ISADORA MEDELLA; e a iluminação, de FELIPE LOURENÇO.

"TÃOTÃO" é um daqueles espetáculos infantis, voltados para toda a família e assistir a ele é um excelente programa para um final de semana.

Imperdível!


 

 

 

 
FICHA TÉCNICA:
 
TEXTO: Pedro Kosovski
DIREÇÃO: Cacá Mourthé
 
ELENCO / PERSONAGENS: Rodrigo Trindade: Tãotão, Júlia Stockler: Tina, Saulo Arcoverde: Narciso, João Sant'Anna: Hiper Eu, Manuela Llerena: Ela Eu, Joana Castro: Eu Bebê; Victor Mello: Eu Ideal, Vinícius Maia: Não Eu, Letícia Spiller: voz em ‘off’, mãe de Tãotão 
 
MÚSICOS: Leonardo Valor – teclado, Vicente Barroso – bateria, Enzo Mastrangelo – guitarra, Vinícius Nesi – baixo, Vítor Niskier – bateria (sub), Pablo Paleólogo – teclado (sub) 
CENÁRIO, FIGURINO E CONCEPÇÃO DE ADEREÇOS: Lídia Kosovski
MÚSICAS ORIGINAIS: Felipe Storino
LETRAS: Pedro Kosovski
DIREÇÃO MUSICAL: Pedro Nêgo
EFEITOS SONOROS: André Chalhoub
COREOGRAFIAS E LIMPEZA DE MOVIMENTO: Bruno Cezário
ILUMINAÇÃO: Felipe Lourenço
PREPARAÇÃO VOCAL: Isadora Medella
ADEREÇOS DE CENOGRAFIA, ‘LAYOUT’ E CONFECÇÃO DE MOLDURAS BARROCAS: Derô Martin e Alexandre Guimarães
VISAGISMO: Mona Magalhães
FOTOS: Jackeline Nigri
DESIGN: Maurício Grecco e Lygia Santiago 
ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO: Laura Araújo
ASSISTÊNCIA DE CENOGRAFIA E FIGURINO: Júlia Marina
SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO DE FIGURINO: Kika de Medina
ASSISTÊNCIA DE VISAGISMO: Júlia Bravo
CENOTÉCNICO E EQUIPE: Zé Maranhão, José Djavan, Paulo Fernandes e equipe
EQUIPE DE MONTAGEM DE LUZ: Gabriel Prieto, Leandro Alves, Maurício Cardoso
COSTUREIRAS: Maria de Jesus e Zezé Gomes
ALFAIATE: Macedo Leal
ADEREÇOS DE FIGURINO: Cláudia Taylor
CHAPÉUS: Denis Linhares
CONTRARREGRAS: Danilo Lobo, Felipe Zava, Luiz Madalena e Natan Rockenbach
OPERADOR DE LUZ: Gabriel Prieto
OPERADOR DE SOM: Luana Valentim
CAMAREIRA: Luiza Pignaton 
BILHETERIA: Luisa Marques
ADMINISTRAÇÃO: Mônica Nunes
CONTROLLER FINANCEIRO: Heloísa Lima
ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA: Cristina Rocha
ASSISTÊNCIA DE PRODUÇÃO: Kelson Succi
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Luana Manuel
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Fernando do Val
REALIZAÇÃO: M.C.M. MARIA CLARA MACHADO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA. e O  T A B L A D O  65 anos
 



 



 
SERVIÇO:

TEMPORADA: De 11 de junho a 27 de novembro
LOCAL: Teatro O Tablado - Avenida Lineu de Paula Machado, 795 – Lagoa – Rio de Janeiro
DIAS e HORÁRIOS: sábados e domingos, às 17h
VALOR DOS INGRESSOS: R$40,00 e R$20,00 (meia entrada)
DURAÇÃO: 55 minutos
CAPACIDADE: 147 espectadores
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DA BILHETERIA: sábados e domingos, das 15h às 17h30min
VENDAS ANTECIPADAS: www.ingresso.com
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: Livre e recomendada para a partir de 03 anos
 



 
 
 
 
 
 
 
 
(FOTOS: JACKELINE NIGRI)