quinta-feira, 14 de novembro de 2019


NASTÁCIA

(UM POTENTE GRITO
CONTRA A OPRESSÃO À MULHER.
ou
“NÃO É NÃO!!!”)









            Prezo muito a inteligência e a criatividade, quando elas se fazem representar por boas ideias, como a que levou PEDRO BRÍCIO a escrever o texto de “NASTÁCIA”, espetáculo que está em cartaz no Teatro III, do CCBB – Rio de Janeiro (VER SERVIÇO), tomando por base a história de vida, sofrida, da principal personagem feminina de uma obra-prima da literatura universal, “O Idiota”, romance escrito por Fiódor Dostoiévski, entre 1867 e 1869. Parti para o Teatro com muita expectativa, de tanto que ouvira falar bem do espetáculo, o que é bom, por um lado, porque serve de motivação, porém pode ser negativo, quando o resultado do que se vê não condiz com a expectativa criada, gerando frustração e arrependimento por ter ido. No caso, o resultado final foi mais que satisfatório, muito proveitoso, pois a montagem superou, em muito, todas as minhas, já boas, perspectivas de assistir a um bom espetáculo de TEATRO.
     










SINOPSE:

Baseado em NASTÁSSIA FILÍPPOVNA, heroína do clássico “O Idiota”, de Fiódor Dostoiévski – o espetáculo “NASTÁCIA” une o TEATRO a outras linguagens artísticas, como instalação e videoarte, para contar a história de uma das mais instigantes personagens femininas da literatura universal.

A peça se passa no apartamento de NASTÁCIA (FLÁVIA PYRAMO), na noite do seu aniversário.

Ela deve anunciar seu casamento com GÁNIA (ODILON ESTEVES), união articulada pelo oligarca TOTSKI (JÚLIO ADRIÃO), homem que a transformou em concubina, desde a adolescência, e a submete a um verdadeiro leilão naquela noite.

Já na mocidade, era uma mulher culta, de boas maneiras e com uma notável presença de espírito, porém, mais tarde, por conta de tudo por que passou na vida, mudou, radicalmente, o seu comportamento.

Foi a grande paixão do príncipe Míchkin, mas o amor dos dois não chegou a bom termo.

Era filha de um aristocrata falido, sem dinheiro, e, devido à morte trágica de seus pais, foi, ainda na sua meninice, acolhida por TÓTSKI, um homem desonesto, inescrupuloso, que visava ao dinheiro que ela ainda pudesse ter, juntamente com sua irmã, a qual veio a falecer, também, pouco tempo depois dos pais.

Foi submetida a vários cuidados, mas também a abusos e torturas psicológicas, durante a juventude.

Concluída a sua educação, tornou-se uma mulher de grande beleza e de forte poder de sedução.

Prometia muito o seu futuro, contudo, a partir do pedido de casamento do príncipe Míchkin, transformou-se numa mulher completamente diferente, enigmática.

            Seu final, na trama, é trágico.








            O espetáculo foi idealizado por FLÁVIA PYRAMO, a qual se diz “arrebatada” pela personagem, desde que a descobriu, em “O Idiota”. E é muito fácil, mesmo, que isso aconteça. Não li o livro, porém assisti, por duas vezes, a uma excelente adaptação teatral, para o romance, a qual durava sete horas, que o público não sentia passar, e confesso que foi por NASTÁCIA que suspirei, foi por NASTÁCIA que me encantei, a despeito do brilhante trabalho de todos do elenco e da riqueza interior de todos os personagens, os “mocinhos’ e os “bandidos”, fortes, positiva ou negativamente, como seres humanos.






            Nesta peça, a personagem já surge adulta, entretanto sabe-se que a bela órfã, desde a adolescência, fora abusada, física e moralmente, por homens, que controlavam sua vida, ignorando suas escolhas. Exatamente por isso, podemos afirmar que a peça é extremamente atual, uma vez que, mesmo sendo levadas em consideração as conquistas das mulheres – falo apenas da brasileira - nos últimos tempos, ainda hoje, infelizmente, no Brasil, a violência contra elas é uma triste realidade, “um século e meio depois do lançamento do livro”.  Segundo o “realese” da peça, enviado por PAULA CATUNDA – ASSESSORIA DE IMPRENSA, FLÁVIA PYRAMO idealizou esta montagem, “Movida pelo desejo de uma sociedade justa, para as mulheres, e inspirada na criatividade do autor russo (...)”.






            Como mera ilustração, vejamos alguns dados, extraídos do portal G1 (com supressões de alguns trechos), com relação aos números da violência praticada, por homens, contra as mulheres, no Brasil, num trabalho de Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, diretores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Pule a leitura do trecho em negrito abaixo, se o seu interesse for apenas a análise técnica do espetáculo.







           
Os dados divulgados pelo Monitor da Violência, neste 8 de março (2019), indicam que a violência contra a mulher permanece como a mais cruel e evidente manifestação da desigualdade de gênero no Brasil. A sociedade, cada vez mais entregue à hipocrisia política e populista daqueles que estimulam a violência, como resposta pública ao medo e ao crime, ignora que não há lugar seguro para as mulheres no país. Não há separação entre espaço público e privado para elas – a morte está à espreita dentro das casas, no transporte público, nas ruas e nos espaços de educação e lazer. A violência compõe um cotidiano perverso, sustentado por relações sociais profundamente machistas.

(...) permanecemos como um dos países mais violentos do mundo para as mulheres. Estudo divulgado, em novembro de 2018, pelo UNODC (Escritório das Nações Unidas para Crime e Drogas) mostra que a taxa de homicídios femininos global foi de 2,3 mortes para cada 100 mil mulheres em 2017. No Brasil, segundo os dados divulgados hoje, relativos a 2018, a taxa é de 4 mulheres mortas para cada grupo de 100 mil mulheres, ou seja, 74% superior à média mundial.

Já os registros de feminicídio apresentaram um crescimento esperado, lembrando que, neste mês de março, a lei 13.104, conhecida como “lei do feminicídio”, que tipifica o homicídio doloso contra a mulher, por sua condição de sexo feminino ou decorrente de violência doméstica, completa apenas quatro anos. Há, do ponto de vista estatístico, uma tendência de aumento neste tipo de registro e de migração do que, antes, estava invisível no conjunto das mortes de mulheres.

(...) Nos últimos 15 anos, a violência contra a mulher passou a fazer parte do debate público, como prática que não deve ser tolerada ou legitimada. Nesse período, o arcabouço legal, com foco no enfrentamento aos diferentes tipos de violência contra a mulher, foi se consolidando, a exemplo da Lei Maria da Penha, em 2006, da mudança na lei de estupro, em 2009, da lei do feminicídio, em 2015, e da mais recentemente lei de importunação sexual, de 2018.

Se os avanços legislativos são uma grande conquista dos movimentos de mulheres, as políticas públicas implementadas para garantir seu cumprimento ainda se mostram frágeis. Não à toa, uma média de 4 mil mulheres foram assassinadas todos os anos na última década. Permanece o enorme desafio em garantir que as mulheres em situação de violência, de fato, tenham acesso à Justiça.

E, apesar de episódios de feminicídios ocuparem diariamente as páginas dos principais veículos de imprensa, as políticas desenvolvidas pelos Poderes Executivos seguem dando pouca ou nenhuma prioridade às ações de enfrentamento à violência contra as mulheres. Este é um enorme indicativo de que a tragédia brasileira, na segurança pública, não se resume à leniência das leis penais e processuais penais. O poder público tem falhado, todos os dias, ao não ser capaz de garantir a vida de milhares de mulheres.

(...) Como se o cenário não fosse suficientemente preocupante, o decreto que flexibiliza a posse de armas de fogo pode funcionar como combustível em um incêndio. Ao ampliar, sobremaneira, as possibilidades de um cidadão ter uma arma de fogo em sua casa, o Estado está oferecendo um instrumento mais eficiente para que homens agressores acabem com a vida de mulheres. (...) O feminicida, não raro, preenche todos os requisitos do estereótipo do cidadão de bem.

A covardia da violência doméstica fica facilitada com mais armas de fogo e também com a proposta de aceitar o gigantesco retrocesso do “escusável medo ou forte emoção” como critério de absolvição por legítima defesa de responsáveis por matar outras pessoas.

Mas isso parece não sensibilizar muitos daqueles que deveriam formular políticas de segurança no país. Evidências importam menos do que convicções pessoais e cruzadas morais estimuladas por exércitos virtuais, que invadem as redes sociais dão o tom da política atualmente.

É mais do que hora de a segurança pública deixar de reforçar estereótipos de masculinidades que, no limite, naturalizam a violência como linguagem e dificultam sua prevenção e sua repressão. Ética, decoro e liturgia pública são conceitos que, para terem algum significado prático, devem considerar que cabe ao Poder Público conter as emoções, e não aceitar a violência em nenhuma de suas manifestações.”.








Um dado estatístico, e estarrecedor, a mais: Segundo o Datafolha, no ano passado (2018), 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil; e 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio.”.






            Terminada a longa digressão supra, passemos a dissecar o espetáculo, em seus elementos artísticos, fazendo, antes, um único comentário, qual seja o de que a peça vem à luz  num momento em que, mais que nunca, urge falar sobre essa questão da violência contra as mulheres, com um foco maior na problemática do feminicídio, reivindicando-se, para elas, todo o respeito que merecem, na condição de seres humanos.







            Começando pelo texto, afirmo que, sob a minha óptica, estamos diante de um dos melhores, se não for o melhor, trabalho de PEDRO BRÍCIO, como dramaturgo, e um dos melhores textos encenados no Rio de janeiro, neste ano de 2019.  Na estruturação da dramaturgia, PEDRO foi muito feliz, conseguindo captar, do original, tudo o que seria, realmente, necessário abordar sobre a alma da personagem central e dos outros personagens. NASTÁCIA se torna, aqui, protagonista, função que não exerce no romance, embora seja de bastante relevância na narrativa dostoievskiana. PEDRO manteve a linguagem clássica da obra, com o cuidado de reproduzir um fino e apurado vocabulário, que não descaracterizasse a posição sociocultural do trio de personagens, bem como uma sintaxe que foge à rotina do dia a dia. Um belo acerto!






Já que a ação toda se passa numa única noite, nos momentos de expectativa da chegada dos convidados, para a festa de aniversário de NASTÁCIA, no seu decorrer e logo após o final do evento, o autor teve a brilhante ideia de fazer, de cada espectador, um conviva, criando um tom intimista, reforçado pela competentíssima direção, de MIWA YANAGIZAWA. Os atores, por vezes, se dirigem a pessoas da plateia e contracenam com elas, indiretamente, na grande maioria das vezes, o que faz com que nos sintamos, realmente, na festa de aniversário de NASTÁCIA, vivendo a experiência de misturar realidade com ficção. Parece que fazemos parte do círculo de amigos da aniversariante. Assim, pelo menos, foi como me senti, uma vez que embarquei, de corpo inteiro, na proposta. E temos, também a impressão de que outros personagens citados estão, realmente, na cena.






            De forma muito espirituosa, BRÍCIO se coloca como “fiel em sua transgressão da obra original”, mantendo diálogos e monólogos, entretanto, como num ato falho, põe, numa das cenas, alguém – não lembro qual personagem – dizendo estar no Rio de Janeiro, em 2019, seguindo-se, imediatamente, um “pedido de desculpas” e um “conserto”: “...em São Petersburgo, do século XIX...”. Como essa, há outras passagens em que há sutis toques de humor, satírico e irônico, que servem como uma válvula de escape, para as tensões que a peça apresenta. A opção pelo emprego da primeira pessoa do plural também é uma forma de integrar o público à ação.






            Mas não é só de violência contra as mulheres que o texto trata. Isso é apenas a “pièce de résistence”, o prato principal do enredo. Giram, à sua órbita, outros temas, como, por exemplo, críticas acerca do dinheiro, da posição social, da ganância e do poder.






            MIWA YANAGIZAWA, que, além de atriz, também é uma ótima diretora de TEATRO, ratifica sua competência, como uma correta “regente”, à frente de um ótimo elenco. Totalmente identificada com a adaptação de PEDRO BRÍCIO, MIWA faz um belo trabalho de valorização do  texto e dos atores, explorando, a fundo, as fraquezas e os defeitos de cada um, ajustando, na medida certa, o empoderamento da personagem feminina - até a página 5, é verdade -, uma vez que, sem querer dar “spoiler”, mas considerando quão popular e conhecida é a obra, o final de NASTÁCIA não é o que ela merecia. A diretora conseguiu atualizar um texto escrito há um século e meio, de forma a refrescar a memória das pessoas, com relação àquilo que é mostrado, diariamente, nas mídias, sobre violência contra a mulher. Nota-se, nitidamente, um perfeito trabalho de direção de atores, cada um sendo conduzido, pela direção, a um caminho acertado de interpretação, sem falar no fato de a proposta da diretora se estender ao público, “convidado a participar das cenas, da festa”. Segundo MIWA, a arte é um espaço em que o artista pode, como mediador, reumanizar estatísticas devastadoras como essas”, referindo-se aos números sobre os quais já falei. “Propomos uma aproximação com o espectador, para que possamos reativar os afetos”, explica a diretora.






            Passemos ao elenco, começando pela grande protagonista, NASTÁCIA, aqui vivida por FLÁVIA PYRAMO, atriz de inquestionável talento, cujo trabalho, num palco, que muito me chamou a atenção, infelizmente, eu não conhecia, até então, salvo engano ou graças ao comprometimento da minha memória. FLÁVIA se apropriou de tal forma de NASTÁCIA, que nem parece estar representando. Atriz de grandes recursos interpretativos, consegue nos mostrar uma mulher de personalidade forte, não, porém, a ponto de se salvar de um assassinato, vítima, desde os 12 anos de idade, de todos os tipos de violência física e moral, abusos e humilhações. Mesmo assim, “ela se torna exemplo de luta diária por dignidade”. Que sirva de exemplo, para todas as mulheres, principalmente as oprimidas e cerceadas na sua condição humana, no seu direito de exercer a sua cidadania, pelo fato de ter transformado sua fragilidade em força, lutou, bravamente, até onde conseguiu, por sua dignidade, com muita coragem, “mesmo vivendo um turbilhão interno e uma violência terrível”.




            A ideia de FLÁVIA, de partir de uma personagem, de um romance emblemático, pela qual se apaixonou, para a construção de uma peça, na qual todos os holofotes convergem sobre ela, NASTÁCIA, me pareceu genial, principalmente porque uma heroína como aquela é, no TEATRO, de certa forma, um pouco rara, um vez que os dramaturgos, regra geral, reservam os melhores personagens, os protagonistas, para os homens: dramaturgicamente forte, corajosa, à frente de seu tempo. Sobre ela, diz, acertadamente, a atriz: Penso nesse ser humano como a mulher de hoje. Ela vive num mundo que tem prazer com a desonra, num círculo vicioso, e não consegue se libertar. Muitas mulheres passam por isso e sucumbem, suicidam-se. Muitas vezes, não conseguem superar a culpa, a dor. NASTÁCIA também morre. A gente deixa isso bem claro e entende a morte dela, praticamente, como suicídio. Porém, ela publica sua história. O fato de ela narrar e entregar essa experiência tem a ver com a nossa vontade de que esse final não se repita mais.”.




            NASTÁCIA fora vítima de um ardil, durante sua festa de aniversário, uma vez que, para se livrar dela, porque intencionava se casar com uma mulher da sociedade, filha do general Epantchin, seu amigo e aliado na trama contra NASTÁCIA, TOTSKI (JÚLIO ADRIÃO) parte para aplicar-lhe um golpe, querendo que ela se case com GÁNIA (ODILON ESTEVES), visando, unicamente, ao polpudo dote que este poderia lhe pagar, pela mão da moça. NASTÁCIA se sentiu uma mercadoria, posta à venda e se rebelou contra tal infâmia. A partir de então, seu destino estava traçado. Todas as características interiores da personagem vêm à tona, com a brilhante interpretação de FLÁVIA PYRAMO.




            Os dois personagens coadjuvantes, importantes, todavia, na trama, também são muito bem defendidos pelos atores JÚLIO ADRIÃO (TOTSKI) e ODILON ESTEVES (GÁNIA). JÚLIO se entrega na construção de um homem sórdido, inescrupuloso, conservador e bem-sucedido, proprietário de numerosas terras. Seu personagem falha, como tutor de NASTÁCIA FILÍPPOVNA, pelo modo abusivo como a tratava e, ao perceber que ela “estava extremamente sozinha, na vida”, quando lhe atribuiu um dote no valor de 75.000 rublos, embora casar não estivesse nos planos da moça. Ele achava que o único a quem NASTÁCIA aceitaria, como marido, seria GÁNIA, também aquele, além de nenhum outro, que seria capaz de desembolsar a alta quantia que ele havia estabelecido como dote.






            ODILON ESTEVES, em boa atuação, dá vida a GÁNIA, também amigo e secretário do general Epantchin. Procura valer-se dos laços de amizade entre o general e TOTSKI, para se aproximar de NASTÁCIA e se casar com ela, desde que esta o aceitasse como cônjuge. Vejo-o com uma espécie de “fantoche”, nas mãos de TOTSKI.






            O cenário da peça é uma atração à parte. Na verdade, não estamos diante, apenas de uma cenografia, uma vez que “o projeto em torno da obra de Dostoiévski transcende a linguagem teatral”. O artista responsável pela instalação, aberta ao público do CCBB, para visitação, grátis, durante o dia e até um pouco antes do início da peça, é o diretor de arte, o estilista RONALDO FRAGA, que também assina os lindos e requintados figurinos, de época, da peça. “O tema está ligado à descrição dos rostos dos personagens de ‘O idiota’”. São dezenas de molduras, fixadas nas paredes ou penduradas, dos mais variados tamanhos e tipos, todas belíssimas, à espera de um rosto. Do seu, por exemplo. A instalação também recebe a participação do cineasta CAO GUIMARÃES, com uma interessante videoarte, da mesma forma, relacionada à personagem NASTÁCIA e à obra “O Idiota”. Completam o cenário móveis requintados, clássicos, como poltronas, sofás, cadeias artísticas, de fino acabamento e uma grande mesa coberta por uma infinidade de objetos de cena, alguns meio excêntricos, nos nossos dias, porém totalmente dentro do contexto da época. Um belo lustre também faz parte da cenografia/instalação.






            CHICO PELÚCIO e RODRIGO MARÇAL criaram uma ótima iluminação que parece ter sido especialmente desenhada em consonância com a cenografia, o que deveria sempre acontecer, proporcionando-nos lindas e marcantes imagens.






            O espetáculo também ganha brilho, por meio da trilha sonora, de bom gosto, e a composição original, de GABRIEL LISBOA.






           A direção de movimento, a cargo de TUCA PINHEIRO, acrescenta um frescor à encenação, tornando aquilo que poderia ser monótono em algo bem vivo, movimentado, dinâmico.

            Um elemento que, via de regra, não é citado – muitas vezes, nem observado – pelos críticos e pelo público, de forma geral, é o trabalho de programação visual. Aplaudo o lindo programa da peça, criado por PAOLA MENEZES.   


 









FICHA TÉCNICA:

Baseado no romance “O Idiota”, de Fiódor Dostoiévski
Dramaturgia: Pedro Brício
Tradução: Paulo Bezerra
Direção: Miwa Yanagizawa

Elenco: Flávia Pyramo, Julio Adrião e Odilon Esteves

Direção de Arte (Instalação Artística e Figurinos): Ronaldo Fraga
Videoarte: Cao Guimarães
Iluminação: Chico Pelúcio e Rodrigo Marçal
Trilha Sonora e Composição: Gabriel Lisboa
Direção de Movimento: Tuca Pinheiro
Consultoria Teórica: Paulo Bezerra e Flávio Ricardo Vassoler
Programação Visual: Paola Menezes
Fotografia: Ana Colla, Cao Guimarães, Guto Muniz e Janderson Pires
Visagismo: Sophia Clementino
Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Produção Executiva - Rio de Janeiro: Monique Franco
Equipe de Produção - Rio de Janeiro: Alex Nunes e Ártemis Amarantha
Direção de Produção: Sérgio Saboya
Coordenação Geral: PyrAmo ProArte













SERVIÇO:

Temporada: De 23 de outubro a 22 de dezembro de 2019.
Local: CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) – Rio de Janeiro - Teatro III
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro (Candelária) – Rio de Janeiro
Dias e Horários: De 4ª feira a domingo, às 19h30min.
Valor dos Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia entrada).
Venda de Ingressos: De 4ª a 2ª feira, das 9h às 21h, na bilheteria do CCBB, e pelo “site”: www.eventim.com.br
Informações: (21) 3808-2020.
Lotação: 70 lugares.
Classificação: 16 anos.
Duração: 100 minutos.
Gênero: Drama.

Instalação Artística:
Período de Visitação: De 4ª feira a domingo, das 9h às 17h.
Local: Teatro III.
Classificação: Livre.
Entrada Franca.













Extraído do “release”, por eu ter achado importante fazer parte desta crítica: “Principal tradutor da obra de Dostoiévksi, para o português, PAULO BEZZERA destaca que a história de NASTÁCIA, como tudo em Dostoiévski, é de uma espantosa atualidade. ‘Primeiro ela é vítima de um grão-senhor e "gentleman" pedófilo, que se vale do repentino estado de miséria dela e do muito dinheiro que possui e a transforma em concubina, aos 12 anos de idade, sem sofrer qualquer censura da sociedade: é o poder do dinheiro falando mais alto. Depois, já adulta, é vítima de um amante paranoico, que, por não conseguir conquistar seu amor, simplesmente a mata. Portanto, duas formas de crime contra a mulher: o crime alicerçado no dinheiro e o crime derivado da impossibilidade de conquistar o coração e a mente da mulher. Ou seja, o crime motivado pelo sentimento de posse, pela tentativa de coisificação da mulher”.








Já era um grande admirador de Dostoivévski e, em especial, de “O Idiota” e confesso que já havia conseguido enxergar, com a profundeza que merece, o papel de NASTÁCIA, na trama, porém não com a ênfase como ela é mostrada neste espetáculoGostei, profundamente, desta montagem teatral, uma vez que ela nos provoca, nos instiga a uma reflexão sobre as questões relacionadas a gênero e moral. Recomendo-o, com todo o meu empenho, e, mais uma vez, agradeço a todos os que me indicaram a peça. Um amigo, que parece conhecer bastante o meu gosto teatral, chegou a me dizer, ao fazer a indicação, que achava que eu a classificaria como OBRA-PRIMA. Tenha, agora, essa certeza, meu querido amigo, que prefiro manter no anonimato. Essas indicações só me fizeram antecipar minha ida ao CCBB, para ver “NASTÁCIA”. Faça-o também!



E VAMOS AO TEATRO!!!


OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO DO BRASIL!!!


A ARTE EDUCA E CONSTRÓI!!!


RESISTAMOS!!!


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PARA QUE, JUNTOS, POSSAMOS DIVULGAR

O QUE HÁ DE MELHOR NO

TEATRO BRASILEIRO!!!







CENSURA NUNCA MAIS!!!




 










(FOTOS: ANA COLLA, CAO GUIMARÃES,
GUTO MUNIZ e JANDERSON PIRES.)