sexta-feira, 2 de dezembro de 2016


EXPERIÊNCIA YELLOW


(UM “BEATLES TUPINIQUIM FORÉVIS”.

ou

NÃO HÁ LIMITES PARA O SONHO.)







            Com criança, não se brinca; com adolescentes, menos ainda. Quer dizer, é preciso saber como brincar com eles, o que e como fazer para diverti-los. KAREN ACIOLY e seu filho, CIRO ACIOLI, conhecem bem essa máxima, razão pela qual partiram, com muito empenho e talento, para um espetáculo infanto-juvenil, em cartaz no Teatro OI Futuro Ipanema, onde cumprirá carreira até o dia 18 de dezembro (2016), sempre aos sábados e domingos, às 16 horas.



 



SINOPSE:


“EXPERIÊNCIA YELLOW” é um espetáculo musical, que conta a aventura de um adolescente inquieto, o qual tem sua vida virada do avesso, quando os Beatles aparecem em seu quarto.

No meio de uma crise existencial, típica da adolescência, PAULO (CIRO ACIOLI) está trancado no seu quarto, quando recebe uma visita inesperada da banda que mais ama no mundo: The Beatles.
Sem saber o que fazer com sua paixão por NINA (JÚLIA GORMAN), PAULO se isola em seu quarto, refúgio que chama de “Submarino Amarelo”. Dúvidas, angústias e desejos se multiplicam no seu veloz raciocínio e, como sempre, ele toca, em seu violão, uma versão que compôs para “ I Am The Walrus”.

Poético e rebelde, ele não imaginava que estava prestes a viver a maior aventura de sua vida. Três componentes da banda - RINGO STAR, GEORGE HARRISON e JOHN LENNON – “invadem” seu mundinho, convidam o garoto para fazer um teste, para entrar no grupo, e o encorajam a correr atrás de seus sonhos e a descobrir quem ele é e seu lugar no mundo.

Então, o quarteto embarca em seu “Yellow Submarine” imaginário, rumo a uma viagem inesquecível pelo Rio São Francisco, onde vão viver uma experiência transformadora, a “Experiência Yellow”.




 



O espetáculo marca a primeira parceria entre KAREN e seu filho, CIRO, que, além de ter participado da escritura da peça, interpreta o beatlemaníaco PAULO, protagonista da história.

Segundo KAREN ACIOLY, ‘EXPERIÊNCIA YELLOW’ é um mergulho na busca da identidade de um jovem. Todo adolescente atravessa complexos ritos de passagem, com profundos conflitos existenciais, ao se deparar com o injusto e incompreensível mundo dos adultos. É muito importante que possamos, através da dramaturgia, da música, da experiência teatral, do uso das novas linguagens artísticas, hoje em dia, tão misturadas, chegar perto desse jovem e do adolescente dos nossos dias – por vezes distantes do TEATRO – com temas instigantes e dispositivos digitais que o ajudem a enfrentar suas descobertas para as novas etapas da vida no mundo atual”.

O texto é, ao mesmo tempo, divertido e revestido de tons de seriedade, por trás de algumas falas que podem parecer inconsequentes, porém não o são. O protagonista e seus ídolos/visitantes acabam sendo porta-vozes daquilo em que a plateia pensa e gostaria de dizer.









Adorei as versões, de FRAN PAPATERRA, para as letras de alguns dos grandes “hits” da banda de Liverpool. Logo de cara, dei ótimas gargalhadas com a letra de “I Am The Walrus”, que ganhou o título de “Capivara”, assim como “Eleonor Rigby” virou “Ela Me Inibe” e “When I’m Sisty-Four”, “Se Eu Ficar Gagá”. Muito divertidas. O refrão da canção “Yellow Submarine” (“We all live in a Yellow Submarine, Yellow Submarine, Yellow Submarine”) foi vertido para “Vai por mim, vai ser belo o meu destino / Pintei de amarelo o meu submarino”.

Muito criativo é o cenário, de LÍDIA KOSOVSKI, reproduzindo o quarto “muito louco” de um adolescente, tudo girando em torno da temática do Submarino Amarelo, inclusive a cama.


 


Esse cenário ganha destaque com a iluminação vibrante e frenética, fruto do ótimo desenho de luz, a quatro mãos, dos irmãos FERNANDA MANTOVANI e TIAGO MANTOVANI.



 



Seguindo o critério da criatividade, incluo os divertidos figurinos, de OESTÚDIO, destaque para os paletós, dupla-face, com detalhes ligados ao universo dos Beatles, principalmente à canção “Yellow Submarine” e ao disco Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.

 Não fugindo à regra das modernas montagens, de musicais, principalmente, o espetáculo ganha força com os vários dispositivos digitais inovadores, por meio de videografismos e outros tipos de projeções, que levam as assinaturas de LEO HAAR e LUCAS CANAVARRO, acrescidos de imagens documentais, sob a responsabilidade de GABRIELA ROMEU e AMÉRICO CORDULA.










Por ser mais voltado aos pequenos, as cenas são muito ágeis, dinâmicas, graças ao, como sempre, excelente trabalho de direção de movimento, de SUELI GUERRA.

Por se tratar de um musical, o espetáculo precisa de alguém competente, para assinar a direção musical e a preparação vocal dos atores, sem o que, obviamente, a montagem poderia ser comprometida. Isso não acontece, pois DECO FIORI é um profissional gabaritado, que cuidou dessa parte.

O elenco tem um bom rendimento, com destaque para CIRO ACIOLI, que é bastante carismático, canta bem e consegue uma ótima comunicação com o público. Junto com ele, estão, em cena, EDGAR ARAÚJO (RINGO STARR), JÚLIA GORMAN (NINA), PEDRO SOL (JOHN LENNON) e VICTOR RIBEIRO (GEORGE HARRISON), os quais, além de atuar, cantam e tocam instrumentos musicais.










Faço questão de registrar um profissional, na ficha técnica, que, em geral, não é lembrado nas críticas e que, a meu ver, deveria fazer parte das categorias que envolvem prêmios de TEATRO. Refiro-me a quem cria os programas das peças, o primeiro contato que o espectador tem com o espetáculo. O programa de “EXPERIÊNCIA YELLOW” é lindo, prático, enriquecedor e muito bem elaborado por OESTÚDIO.

Recomendo o espetáculo, com bastante empenho, por se tratar de um projeto muito bem cuidado, que, só por levar a marca de KAREN ACIOLY, um dos nomes mais representativos do TEATRO Infanto-Juvenil Brasileiro, há trinta anos, já é garantia de boa qualidade.

   Para terminar, um recado à produção: terminada a última temporada, eu me candidato a adquirir a maquete que faz parte do cenário. Mas o PAUL tem de fazer parte dela (momento descontração).



 




FICHA TÉCNICA:

Texto: ​Karen Acioly e Ciro Acioli
Direção: Karen Acioly
ELENCO:
Ciro Acioli, como Paulo
Edgar Araújo, como Ringo Starr
Júlia Gorman, como Nina
Pedro Sol, como John Lennon
Victor Ribeiro, como George Harrison

Direção Musical e Preparação Vocal: Deco Fiori
Versões: Fran Papaterra
Direção de Movimento: Sueli Guerra
Desenho de Luz: Fernanda Mantovani e Tiago Mantovani
Cenário: Lidia Kosovski
Figurino e Design Gráfico: OESTÚDIO
​Criações Digitais​ e Projeções: Leo Haar
​Criações Vídeos, ​Registro e Edição: Lucas Canavarro | Cine Fantasma
​Imagens Documentais: Gabriela Romeu e Américo Cordula 
Assistência de Direção: Kiko do Valle
Assistente de Cenografia: Luna Santos
Cenotécnico: Paulo Fernandes e Equipe
Registro Fotográfico: Andréa Nestrea
Assistente de Iluminação e Operador de Luz: Antônio Diniz
Responsável Técnico (Montagem e Gravação de Luz): Luís de Oliva
Pessoal Técnico: Técnico Profissional - Gabriel Prieto; Técnico Auxiliar - Jhenifer Fagundes
Contrarregra: Alessandro Amaral
Direção de Produção: Gregório Tavares
Assistência de Produção: Yves Baeta
Assessoria de Imprensa: PALAVRA
Redes Sociais: Ana Pinto
Assessoria Jurídica: Nehemias Gueiros e Marcelo Rodrigues
Administrativo e Financeiro: Andreia Fernandes
Realização: Borogodó Empreendimentos Culturais
Correalização: Oi Futuro










SERVIÇO:

Temporada: De 15 de outubro a 18 de dezembro de 2016
Dias: Sábados e domingos
Horários: 16h
Local: Oi Futuro Ipanema | Teatro (3º andar)
Endereço: Rua Visconde de Pirajá, 54, Ipanema – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3131-9333
Duração: 60 minutos
Capacidade: 95 lugares
Funcionamento da Bilheteria: De 3ª a 6ª feira e feriados, das 15h às 21h; aos sábados e domingos, das 14h às 21h
Compre ingressos sem sair de casa: ingresso.com ou pelo telefone 4003-2330.
Valor dos Ingressos: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia-entrada)
Classificação Indicativa: Recomendado para crianças acima de 7 anos.




(FOTOS: ANDRÉA NESTREA.

































terça-feira, 29 de novembro de 2016


GUERRA DENTRO

DA GENTE
 

(O CRESCIMENTO SE CONQUISTA COM DORES E PRAZERES.

ou

APRENDER DÁ TRABALHO.)

 
 

 

            Durante muito tempo, um fato extremamente desagradável era responsável pelo desinteresse de muita gente jovem pelo TEATRO. É que havia peças infantis e peças “para adultos”. O que se notava era um grande hiato entre o que era oferecido às duas faixas etárias. Quase não se produziam peças destinadas a um público que já não se interessava mais pelas “bobagens para crianças” nem poderia ter acesso às peças para "gente grande". Isso afastava os adolescentes do TEATRO e eles acabavam perdendo o contato com essa arte e enveredavam por outras, quando não desistiam de todas.

            Felizmente, os tempos mudaram e, hoje, encontramos produções de boa qualidade, voltadas para esse nicho do mercado. São peças bem aceitas pelos pequenos, por seus pais e irmãos mais velhos; para toda a família. O teatro infanto-juvenil ganha destaque e DUDA MAIA é uma das responsáveis por isso.
 
 

 
 

            DUDA assina a direção de um belíssimo espetáculo, em cartaz no Teatro OI Futuro Flamengo. Trata-se de “GUERRA DENTRO DA GENTE”, uma excelente adaptação, para o palco, de RENATO LUCIANO, para a obra do saudoso poeta PAULO LEMINSKI.

            O espetáculo é apresentado pela COMPANHIA HISTÓRIAS PRA BOI DORMIR, unindo animação, teatro e contação de história, embalado por lindas canções, compostas por BETO LEMOS, com letras de RENATO LUCIANO, o qual ainda fez a assistência de direção.

            Um dos maiores destaques desta montagem reside no fato de se juntar a forma mais antiga de que se tem conhecimento, para a perpetuação da cultura humana, qual seja a da tradição oral, dos contadores de histórias, com uma alta sofisticação, hoje, tão presente em muitas produções teatrais, utilizando uma parafernália tecnológica, com destaque para as projeções de videografismos.
 
 
 




 



O que se vê, no palco, com esta peça, é uma história plena de magia e aventura, tão ao gosto de crianças e adolescentes, muito bem contada por um trio de ótimos atores, tendo como herói um menino, BAITA, representado por um simpático boneco, manipulado pelos três.


 
 
 
 

 
SINOPSE:
 
O espetáculo trata de uma fábula sobre a importância de se fazer escolhas e, com isso, amadurecer. O processo de “guerrear”, aqui, passa longe da conotação da violência, mas ressalta que é da natureza humana ser guerreiro, querer e conquistar, através de gestos de amor, e apaziguar a ganância.
 
O texto, baseado na sabedoria oriental, conta a vida de BAITA, menino pobre, filho de lenhadores, que, um dia, encontra o velho KUTALA, o qual se propõe a ensinar-lhe a arte da guerra, sobre a vida e o amor.
 
Os dois partem pelo mundo e BAITA vai viver uma série de experiências, desde aprender a cuidar de animais até ser vendido como escravo.
 
Paralelamente, dois processos estão em curso: aprendizado e crescimento, sendo que a história avança no tempo, desde a infância de BAITA até seu envelhecimento.
 
Enquanto cresce, ele vai aprendendo a lutar e, até mesmo, a trapacear. Acumula poder e prestígio. Chega a chefe dos exércitos. Mas, então, ele deixa de ter o prazer da guerra e volta à sua aldeia, ao recomeço.
 

 
 

 

 

Uma visão da diretora sobre o espetáculo: “Trata-se de mesclar a ideia mais simples de brincar e contar uma história, utilizando o próprio corpo dos atores, sem truques, onde tudo é revelado, com uma encenação mais moderna e tecnológica, que se aproxima da magia do cinema, onde é possível subverter o tempo, o tamanho e o próprio espaço”.

Mais uma vez, saio do teatro, encantado com um espetáculo infanto-juvenil, assinado por DUDA MAIA, e os motivos que me levam a recomendá-lo muito são vários, a começar pela beleza e poesia do texto, pelos ensinamentos que ele passa; pela excelente adaptação de RENATO LUCIANO; pela criativa direção de DUDA; pela ótima interpretação de LAURA TELLES, LEONARDO MIRANDA e VIVIANE NETTO, os quais se alternam, ora como narradores, ora assumindo personagens das aventuras em que BAITA se envolve; pela linda trilha sonora original, composta por BETO LEMOS, sobre letras encantadoras de RENATO LUCIANO, o qual interpreta, magistralmente, todas as canções; pelos bonecos, criados por CLÍVIA COHEN; pela iluminação necessária, de RENATO MACHADO; pelos figurinos, de RODRIGO PÁDUA, simples, explorando formas geométricas; pelo irretocável e mágico trabalho de videografismo, projeções e programação visual de dois gênios, que, de há muito, eu não me canso de elogiar, os irmãos RICO e RENATO VILAROUCA, também responsáveis pela animação, junto com RODRIGO PÁDUA.

 

 

 
 



 
FICHA TÉCNICA:
 
Baseado na obra homônima de Paulo Leminski
Direção e Roteiro: Duda Maia
Adaptação do texto e assistência de direção: Renato Luciano
 
Elenco: Leonardo Miranda, Laura Telles e Viviane Netto
 
Trilha Sonora Original: Beto Lemos
Músicas cantadas: Renato Luciano
Bonecos: Clívia Cohen
Iluminação: Renato Machado
Figurino: Mauro Leite
Ilustrações: Rodrigo Pádua
Videografismo, Projeções e Programação visual: Rico Vilarouca e Renato Vilarouca
Animação: Rodrigo Pádua, Rico Vilarouca e Renato Vilarouca
Fotos: Guga Melgar
Produção: Palavra Z Produções Culturais
Direção de Produção: Bruno Mariozz
Realização: Cia Histórias Pra Boi Dormir
 

 

 
 
 
 

 
SERVIÇO:

Temporada: d 29 de outubro de 2016 a 8 de janeiro de 2017
Local: Oi Futuro Flamengo
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3131-3060
Dias e Horários: sábados e domingos, às 16h
Valor do Ingresso: R$20,00 (inteira); R$10,00 (meia-entrada, para estudantes, seniores acima de 65 anos)
Horário de Funcionamento da Bilheteria: De 3ª feira a domingo, das 14h às 20h
Vendas Online: www.ingresso.com
Duração: 60min
Capacidade: 63 lugares
Classificação Indicativa: Livre
oifuturo.org.br
Acesso para portadores de necessidades especiais.
 

 
 

 

(FOTOS: GUGA MELGAR)
 
 







 



 



 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016


O ESCÂNDALO

PHILIPPE DUSSAERT



(TUDO ELEVADO À MÁXIMA POTÊNCIA.)
 

 


            Faz quase meia hora e há um homem sentado, diante de um computador, uma tela em branco, com um propósito, o de escrever uma crítica a um espetáculo teatral, e ele não sabe o que dizer nem como começar. Esse homem sou eu e a peça é “O ESCÂNDALO PHILIPPE DUSSAERT”, em brilhante carreira no Teatro Maison de France, Rio de Janeiro.

            Desde que assumi o meu lado crítico teatral, raríssimas vezes, vi-me em tal constrangedora situação: ter muito o que expressar e não saber como. O que dizer de um espetáculo em que tudo é superlativo, elevado à máxima potência? Como começar a escrever sobre uma peça que é unanimidade (Burro é quem não pensa igual a todos, com relação a esse espetáculo, Sr. Nélson Rodrigues.)

            De repente, percebo que a tela já não está mais em branco e que, afinal, consegui dar o pontapé inicial ao meu texto. Dois parágrafos escritos. Mas é preciso muita cautela, para não entregar o jogo. Faz-se necessário preservar um grande segredo que o texto nos reserva, no final da peça, que eu jamais deixaria escapar, nem sob tortura.

            É certo que o escrito pelo dramaturgo é ótimo, a direção idem, os elementos técnicos perfeitos, mas a espinha dorsal, que sustenta esta montagem, se chama MARCOS CARUSO, uma unanimidade nacional, quer como artista, quer como pessoa, de uma gentileza e elegância a toda prova, a ponto de receber cada espectador, com um aperto de mão e um agradecimento pela ida ao TEATRO.


 


            São 43 anos de carreira; mais de 35 peças, como ator; 10 textos por ele escritos, sozinho ou a quatro mãos, com Jandira Martini (É dele, por exemplo, o fenômeno teatral “Trair e Coçar é Só Começar, que, este ano, está completando 30 anos em cartaz. A peça integrou várias edições do Guinness Book, como recordista da temporada mais longa.); um retumbante sucesso, de público e de crítica, em todas as mídias, com destaque para a TV. Finalmente, MARCOS CARUSO se apresenta num espetáculo solo, inédito no Brasil, escrito pelo francês JACQUES MOUGENOT, que, também, é ator, com direção de FERNANDO PHILBERT e tradução de MARILU DE SEIXAS CORRÊA.

Após mais de quatro décadas de carreira e convites recebidos por diretores e produtores, para montar seus trabalhos, MARCOS CARUSO brinca que é a primeira vez em que é “escolhido pelo público”, para uma peça. Isto porque foi de um trio de senhoras, que nunca fizeram teatro, mas assistiram, em Paris, à peça e compraram seus direitos, que veio a proposta para o ator fazer o primeiro monólogo na carreira.

            Extraído do “release”, enviado pela assessoria de imprensa (leia-se JOÃO PONTES e STELLA STEPHANY), "O ESCÂNDALO PHILIPPE DUSSAERT" é um texto que investiga, com fino humor, os limites da arte contemporânea e as polêmicas em torno do assunto, através da história de um escândalo do pintor francês Philippe Dussaert. Vencedora do Prêmio Philippe Avron, por esta peça, JACQUES MOUGENOT está, há quase uma década, em cartaz, ultrapassando a marca das 600 apresentações, na França. (...) Nesta peça, o dramaturgo francês usa a figura de um pintor contemporâneo e sua polêmica carreira, para fazer, junto ao público, uma reflexão sobre o que é e o que não é arte – o tema é terreno fértil para infindáveis controvérsias e polêmicas.

            São palavras de MARCOS CARUSO: “Cada vez mais, eu me interesso pelo teatro contemporâneo. Como autor, diretor ou ator, quero, cada vez mais, me debruçar sobre temas contemporâneos. ‘O ESCÂNDALO PHILIPPE DUSSAERT’ permite uma investigação, em que ator e plateia, de maneira divertida e surpreendente, desvendam um dos maiores escândalos da história da arte contemporânea.”.

 


            Faço coro ao que disse CARUSO, e a peça serviu de grande válvula de escape, para eu me assumir, de uma vez por todas, como um grande cético acerca do que se convencionou chamar de arte contemporânea, principalmente no campo das artes plásticas. Tenho muitas restrições ao que se expõe por aí, em nome de uma liberdade de expressão, na forma de “obras”, as quais, absolutamente, não me dizem nada, não me emocionam nem um pouco; ao contrário, na maioria das vezes, me provocam uma grande rejeição e raiva, pela perda de tempo de ter ido até elas, e, tenho a certeza, à grande maioria das pessoas também.

Tenho visto, por aí, no Brasil e fora daqui, exposições das quais saio me perguntando como, por que e para que alguém se propôs a “criar” algo tão bizarro, que acha ser arte. Será que acha mesmo? Muita gente, ainda que não goste – e aqui incluo os críticos de artes plásticas – para não ser diferente, embarca numa de que estão diante de uma espécie de “oitava maravilha do mundo”. Chegam a ser patéticas e ridículas as “explicações” que tentam dar, para justificar tantas aberrações. Posso dizer que lavei a alma, vendo a peça, graças a PHILIPPE DUSSAERT e a MARCOS CARUSO.

            Não sei se procedem duas histórias que me contaram acerca dessas aberrações “mudernas”. Uma delas é a de que um determinado pintor colocou, no chão, uma imensa tela, em branco, pegou algumas galinhas, introduziu-lhes os(as) pés/patas (?) em latas de tintas, de diferentes cores, soltou-as sobre a tela e provocou seus deslocamentos (XÔ! XÔ!), até saírem todas de lá. Imaginem o que ficou “pintado”!!! Dizem que ele fez isso, exatamente, para zombar de alguns críticos, os quais, obviamente, adoraram a “obra de arte”. Seria cômico, se não fosse ridículo, a ser verdade.

            A outra, segundo consta, com o mesmo propósito, por parte do seu “autor”, diz que o pintor encostou uma enorme tela numa parede, molhou o rabo de alguns cavalos, em tintas bem coloridas, e empurrou-os, com o traseiro voltado para a tela, até que quase encostassem nela. Os movimentos pendulares dos rabos eram como “pinceladas” ao acaso, formando outra “grande obra de arte”. Não duvido das duas e penso haver outras histórias semelhantes por aí.


           


            Um dos aspectos que mais me agradam no texto é o fato de o autor não fazer concessões e criticar, sem qualquer parcimônia, críticos, aos quais os tiros parecem ser mais direcionados, artistas, pintores, a imprensa “especializada” e a falsa “intelligentsia” do bloco “Unidos das Vaquinhas de Presépio”, tudo com aquele toque bem-humorado e irônico da velha e boa, e sempre atual, “comédie fraçaise”, o que é garantia de boas gargalhadas, ainda mais quando o texto, de excelente qualidade, é conduzido por um ator do alto (sem piadas ou trocadilhos) do talento de um MARCOS CARUSO.

            E, como eu já disse, tantas vezes, que “o que dá pra rir dá pra chorar / questão só de peso e medida” (plagiando Billy Blanco), não é para se chegar às lágrimas; absolutamente, não! Mas é, também, para fazer pensar, refletir bastante nos conceitos atuais de “arte”. O que você poderia pensar de uma “arte” que se baseia na “significância do não signo” e que prega a “representação do nada” e a “plenitude do vazio”. Chega a ser hilário, para não ser deselegante.



 
 
 
SINOPSE:
 
A peça conta a história do pintor PHILIPPE DUSSAERT, nascido no norte da França, em 1947, que perseguiu, obstinadamente, em sua trajetória, o sentido mais profundo do minimalismo.
 
Sua proposta inicial é inusitada: reconhecido pelo seu talento de exímio copista, reproduz quadros famosos de pintores, como Da Vinci, Manet, Cézanne, Vermeer, porém exclui, da imagem, quaisquer personagens humanos ou animais e preserva, fielmente, o cenário ao seu fundo.
 
Causando surpresa e inquietude no mundo das artes, ele segue, radicalizando sua proposta e, pouco a pouco, vai ganhando o mercado de arte contemporânea - suas obras se tornam, cada vez mais, valiosas e disputadas por grandes museus e colecionadores.
 
A trajetória de DUSSAERT chega ao ápice, quando ele expõe, e vende, ao custo de 8 milhões de francos, sua obra maior. O episódio deflagra uma reviravolta, que ficou conhecida como “O ESCÂNDALO PHILIPPE DUSSAERT”.
 

 
 
 
 

            A proposta cênica da peça é a de que um ator, como numa palestra, vá contando a inusitada trajetória de DUSSAERT, o que pode parecer, a quem não teve ainda o prazer de se deleitar com o espetáculo, que seja algo enfadonho. Mas não! Absolutamente, não o é! Muito pelo contrário!!! Graças ao talento do ator e à correta direção de FERNANDO PHILBERT, melhor a cada novo trabalho como diretor, vemos um ator se movimentando, da forma mais natural possível, apropriando-se de todo o palco do Maison, dirigindo-se à plateia não num tom professoral, mas como alguém que nos estivesse contando uma história na mesa de um bar, por exemplo.

            A direção acertou em cheio em saber aproveitar todo o potencial do ator, deixando-o livre para criar – é a impressão que passa.

            CARUSO tem a capacidade de gerar uma intimidade tal com a plateia, a ponto de, vez por outra – ocorreu no dia em que assisti à peça – algumas pessoas, talvez por ingenuidade ou por exibicionismo, sim, darem pitacos, sem ser nos momentos em que o ator lhes pede que o façam. Fica parecendo uma grande roda de bate-papo.

            No início, a apresentação parece mesmo uma palestra, bem dinâmica, logo de saída, mas, com uns quinze minutos de espetáculo, percebe-se a mudança de comportamento do ator, o qual passa a representar, ainda que, repito, com a maior naturalidade possível.

            Ele vai, com total maestria, contando a progressão das façanhas do personagem protagonista, que não se confunde com o ator protagonista, até a revelação final da peça, que é de surpreender a todos. Duvido de que alguém possa, no decorrer do espetáculo, aguardar um final tão inusitado, inopinado.

            CARUSO parece uma cobra, “hipnotizando” os “sapos” da plateia, não só pelos olhos, mas também pelos ouvidos. É impossível piscar, deixar-se distrair por qualquer outro elemento; apenas o texto e sua irretocável interpretação, digna de prêmios têm sentido, durante 80 minutos. Até os malditos celulares (pelo menos, no dia em que vi a peça), tiveram descanso. Aliás, perdão, celulares! Malditos são os que fazem uso de vocês, durante um espetáculo, qualquer que seja ele.       

            NATÁLIA LANA projetou um cenário, lindo, moderno e funcional, à altura do espetáculo, propondo, apenas, telões, para as várias e interessantíssimas projeções do material de vídeo, criado por RICO VILAROUCA, além de uma mesa e um banco alto, cromados, para o “conferencista".

            É dela, também, o elegante figurino de CARUSO, que se torna mais bonito  e ganha mais destaque, em função da fina postura de um dândi, como ele.

O espetáculo pede uma luz discreta, para os momentos mais “didáticos”, quase nula, em outros, para pôr em destaque as projeções, e, ao mesmo tempo exuberante, por mais que possam ser opostos, nos momentos em que o texto o pede. Isso é o que consegue, com seu ótimo trabalho, VILMAR OLOS.

Também não podem passar sem um bom comentário as musicais incidentais, muito bem selecionadas, por MAÍRA FREITAS, responsável pela trilha sonora. Belas combinações de imagens e sons!

 
 


 
FICHA TÉCNICA:
 
Texto: Jacques Mougenot
Tradução: Marilu de Seixas Corrêa
Direção: Fernando Philbert
 
Interpretação: Marcos Caruso  
 
Cenário e Figurino: Natália Lana
 
Iluminação: Vilmar Olos
Direção Musical: Maíra Freitas
Vídeos: Rico Vilarouca 
Assistente de Direção Vinícius Marins
Fotos: Paula Kossatz
Direção de Produção: Carlos Grun - Bem Legal Produções
Realização: Galeria de Arte Cor Movimento Ltda
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
 


 
 
 
 
 
 
 
 



 
SERVIÇO:
 
Temporada: De 26 de agosto a 18 de dezembro
Local: Teatro Maison de France 
Endereço: Avenida Presidente Antonio Carlos, 58 – Centro / Rio de Janeiro  
Tel: (21) 2544-2533
Dias e horários: 5ª feira e 6ª feira, às 20h; sábado, às 21h; domingo, às 18h
Valor dos Ingressos: 5ª feira e 6ª feira = R$60,00; sábado e domingo = R$70,00 Funcionamento da Bilheteria: De 3ª feira a domingo, a partir das 13h30min
Capacidade: 353 espectadores
Classificação Etária: 12 anos
Duração: 80 minutos
Gênero: Comédia
 



 



Não há o que pensar ou discutir: troque, imediatamente, qualquer programa, qualquer um mesmo, de 5a feira a domingo, por uma ida ao Teatro Maison de France, a fim de assistir a “O ESCÂNDALO PHILIPPE DUSSAERT, com direção, magnífica, de FERNANDO PHILBERT e interpretação insuperável de MARCOS CARUSO.


UM DOS MELHORES ESPETÁCULOS DE 2016!!!


 

 
 
 

 
(FOTOS: PAULA KOSSATZ.)
 
 
 
 
 
 
 
Galeria Particular: com Marcos Caruso e Fernando Philbert.
Foto: Marisa Sá.)