“MÚSICAS
QUE FIZ
EM SEU
NOME”
ou
(UNS APENAS ENTREGAM;
ALGUNS
ENTREGAM MAIS;
E POUCOS
ENTREGAM TUDO.)
É uma
peça teatral? Não! É um “show” musical? Não! É um “show” cênico”, que vem a ser “uma
apresentação que utiliza elementos artísticos, como dança, música, TEATRO e
outras artes, para contar uma história ou transmitir emoções”. Não se trata, propriamente, de um “gênero”, mas um tipo
de apresentação artística, muito comum em outros países, porém nem
tanto por estas bandas.
SINOPSE:
Podemos apagar o passado?
Remover nossas cicatrizes,
nossos defeitos?
É possível excluir apenas as
memórias ruins, para recomeçar uma vida livre de sofrimento e alcançar a
utópica perfeição?
Leide Milene (LAILA
GARIN) acredita que sim.
Prestes a casar, a personagem
decide se submeter ao “Miracle
Former” (Ex-milagre), um procedimento revolucionário, que
promete apagar lembranças dolorosas, antes de seu casamento.
Ela acredita que se tornaria uma
nova mulher, livre das angústias pregressas.
Reescrever a história não seria
transformá-la em uma farsa?
Até que ponto nossas
experiências e cicatrizes nos definem?
Será possível recomeçar sem
carregar o que nos moldou?
Tais questões são tratadas,
com muito bom humor, inteligência e criatividade, no musical “MÚSICAS QUE FIZ EM SEU NOME”, vindo para uma curtíssima temporada,
no Teatro
Copacabana Palace, uma “temporadinha”, que era apenas de quatro
apresentações, mas que, antes mesmo de sua estreia, teve o número de sessões
dobrado, embora ainda seja muito pouco para uma montagem daquela envergadura. Um
temporada tão curta, que lembra as meteóricas aparições, pela Terra,
do cometa Halley.
Nosso TEATRO, graças aos seus “DEUSES”,
capitaneados por Dionísio, é pródigo e prodigioso, em se tratando de artistas
talentosos, e LAILA GARIN é uma
dessas estrelas de enésima grandeza. Todos os grandes atores e atrizes, os “tops”,
entregam sempre o melhor de si, mas LAILA
parece que não dá bola para os limites, na hora de “entregar”. Não bastasse
tudo que já a vi fazendo num palco, desde 2011,
de quando data a nossa amizade, quando me apaixonei pelo seu trabalho e perdi a
conta das vezes em que eu a aplaudi, e a seu colega de cena, Osvaldo
Mil, no espetáculo “Eu Te Amo Mesmo Assim”, ela, aqui,
ainda nos revela facetas antes ocultas em seu trabalho, principalmente o humor.
LAILA me parece se autodesafiar, a cada
novo trabalho, no sentido de se superar. É muito determinada naquilo que faz. E
o melhor de tudo é que sempre o consegue. E, o que é importante -
muito importante mesmo –, sempre em atuações totalmente diferentes umas
das outras, na grande maioria das vezes (quase todas, na verdade), em musicais,
visto que é, inegavelmente, uma das atrizes mais completas de sua geração, uma “cantriz”
dona de uma voz privilegiada, que sai de sua garganta, sem nenhum esforço, ao
que parece, cristalina e possante, rompendo o espaço. São notas que atingem um
alcance a que poucas pessoas conseguem, dentro da afinação.
Desta vez, essa estupenda artista
surpreende até os seus fãs e admiradores, levando para o palco uma LAILA muitíssimo engraçada, dizendo um
texto extremamente bom e inteligente, popular, sem ser vulgar (muito pelo
contrário), escrito por ela e por TAUÃ
DELMIRO, contando com a consultoria de conteúdo e colaboração
de roteiro assinadas pela poeta, psicanalista e filósofa VIVIANE MOSÉ. LAILA se revelando autora, dramaturga.
O espetáculo é muito
divertido, porém também abre um leque de reflexões para o espectador, se ele
topar olhar para dentro de si, mirando-se naquela personagem. O texto
foi criado a partir de uma fala de VIVIANE MOSÉ: “Na
tentativa de não sofrer, terminamos optando por não sentir. Plastificamos nossa
pele. Embalsamamos nossos afetos. (…) Sentir muito e cada vez mais, aprender a
lidar com os excessos, os desequilíbrios e as contradições é a condição para um
ser mais amplo e para uma vida mais ética e sustentável”. Sábias
palavras, tão bem traduzidas no palco, pelas falas e canções de uma trilha
sonora eclética.
O espetáculo é para rir, mas também
provocar reflexões e tomadas de posição. O resultado da montagem converge para
uma “comédia
despudorada”, brincando com todos os anseios e dúvidas do ser humano,
expostos na SINOPSE. A peça “convida o público a uma imersão profunda
nas memórias, na identidade e nos desafios impostos pelas expectativas sociais”.
Está em foco um turbilhão de emoções em que “Nossas lembranças formam a base
da nossa personalidade, influenciam nossas escolhas e determinam como nos
relacionamos com o mundo. A memória nos conecta ao passado, permitindo que
aprendamos com os erros, celebremos conquistas e criemos narrativas sobre nossa
própria história”, nas palavras do super competente e fecundo diretor,
GUSTAVO
BARCHILON, que aqui se apresenta como um vencedor, em potencial, de
mais um prêmio.
A montagem é alicerçada por uma FICHA TÉCNICA de respeito,
da qual fazem parte, dentre outros, a premiada NATÁLIA LANA, que nos brinda com uma excelente cenografia; FABIO NAMATAME, outro artista premiado,
que assina o figurino; e MANECO
QUINDERÉ, responsável por uma iluminação lúdica. Mas ainda há
espaço para aplaudir ANDRÉ BREDA,
pela comprovada qualidade de som (desenho de som).
A parte da música (direção musical) coube a outro premiado artista, TONY LUCCHESI, que preparou ótimos e criativos arranjos para “hits”, verdadeiramente de amplo conhecimento do público, todos relacionados à narrativa. São, ao todo, 18 canções, algumas repetidas, inteiras ou em partes, que ajudam a costurar a história de Leide Milene e se apresentam na forma de baladas, boleros, sertanejo, bossa nova e outros ritmos. Do “set list”, destaco alguns inesquecíveis momentos, de humor, drama e lirismo, da parte de LAILA: “Fera Ferida” (Roberto e Erasmo Carlos), nada melhor para iniciar o espetáculo; “Amor Perfeito” (idem); “Abandonada por Você” (Cristianne Pinheiro), interpretação “lasciva e libertina”; “Chocante” (Eduardo Dussek), hilária letra e interpretação; “Bicho de Sete Cabeças” (Gereldo Azevedo e Renato Rocha), canção feita para se ver, além de ouvir, o intérprete; “Vingativa” (Rita Lee), idem – aqui, LAILA se mostra por inteiro mesmo; “Banho de Piscina” (Clarice Falcão), das partes mais engraçadas da peça, graças ao conteúdo da letra e à interpretação da “cantriz”; “Valsinha” (Chico Buarque e Vinícius de Moraes), um gratíssimo momento de lirismo; “Aguenta, Coração” (José Augusto), um dos maiores sucessos de um “hit maker”; e “Não Me Deixe, Não” (Jacques Brel), versão (desconheço a identidade do versionista) da icônica “Ne Me Quite Pas”, que ficou, indelevelmente, marcada, na voz de Edith Piaf – um dos momentos mais emocionantes do espetáculo. Se me permitem, LAILA e Piaf... Sei não!
Ainda relacionado à parte musical, merece um destaque
o quarteto de excelentes músicos
encarregados de acompanhar, ao vivo, no fundo do palco, LAILA GARIN. São
eles: TONY LUCCHESI (piano e regência), LÉO BANDEIRA (bateria), THAIS
FERREIRA (violoncelo) e JHONY MAIA (guitarra e violão).
Assistindo a este espetáculo, duas memórias vieram à minha cabeça.
Com relação ao conteúdo do texto, não posso fugir à lembrança de uma crônica,
das mais belas que já li em toda a minha vida, escrita por uma mulher fabulosa,
que nos deixou há cerca de dois meses. Seu nome Marina Colassanti. A
crônica? “Eu Sei, Mas Não Devia”. Recomendo sua leitura. A outra, agora
com relação à maneira como LAILA
interpreta as canções, é de uma cantor da “Era do Rádio”, Ivon Curi, um ator-cantor,
ou um cantor-ator, que recebeu dois epítetos, “Le Chansonier” e “O
Ator da Canção”, os quais lhe foram dados pelo radialista César
de Alencar. Desde criança, eu nem piscava, quando o via cantar, no
auditório da Rádio Nacional, "in loco", e, depois, na TV e no cinema. Eu diria que LAILA GARIN é uma reencarnação de Ivon
Curi, de saia; ou melhor, vestida de noiva.
FICHA TÉCNICA:
Texto: Laila Garin e Tauã Delmiro
Direção:
Gustavo Barchilon
Direção
Musical: Tony Lucchesi
Consultotia
de Conteúdo: Viviane Mosé
Interpretação:
Laila Garin
Músicos:Tony
Lucchesi (piano e regência), Léo Bandeira (bateria), Thais Ferreira
(violoncelo) e Jhony Maia (guitarra e violão)
Cenografia:
Natália Lana
Figurino:
Fábio Namatame
Iluminação:
Maneco Quinderé
Desenho
de Som: André Breda
Assessoria
de Imprensa: Alan Diniz
Fotos: Van Brígido Fotografia
Direção
de Produção: Thiago Hofman
SERVIÇO:
Temporada:
De 11 de março a 02 de abril de 2025.
Local:
Teatro Copacabana Palace.
Endereço:
Avenida Nossa Senhora de Copacabana, nº 261, Copacabana – Rio de Janeiro.
Dias e
Horários: 11, 12, 19, 21, 25 e 27 de março, às 19h30min; 01 e 02 de abril, às
19h.
Valor
do Ingressos: A partir de R$ 25 (meia-entrada), variando de acordo com a
localização dos assentos. Plateia VIP: R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada);
Plateia: R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada); e Balcão (Preço Popular): R$
50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada).
Compras
via internet: www.sympla.com.br (com taxa de conveniência).
Vendas
na Bilheteria do Teatro (sem taxa de conveniência): duas horas antes de cada
sessão.
Duração:
90 minutos.
Classificação
Etária: Livre.
Gênero: "Show" Cênico.
Não percam a rara oportunidade
de aplaudir um conjunto de artistas, com o devido destaque a LAILA GARIN, que se juntam para nos oferecer
um espetáculo que defino como um “manjar dos deuses”, motivo pelo
qual EU O RECOMENDO, com muito entusiasmo.
FOTOS: VAN BRÍGIDO FOTOGRAFIA.
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói,
sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que,
juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO brasileiro.
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