sexta-feira, 14 de março de 2025

“MÚSICAS

QUE FIZ

EM SEU NOME”

ou

(UNS APENAS ENTREGAM;

ALGUNS

ENTREGAM MAIS;

E POUCOS

ENTREGAM TUDO.)

 


         É uma peça teatral? Não! É um “show” musical? Não! É um “show” cênico”, que vem a ser “uma apresentação que utiliza elementos artísticos, como dança, música, TEATRO e outras artes, para contar uma história ou transmitir emoções”. Não se trata, propriamente, de um “gênero”, mas um tipo de apresentação artística, muito comum em outros países, porém nem tanto por estas bandas.



  

SINOPSE:

Podemos apagar o passado?

Remover nossas cicatrizes, nossos defeitos?

É possível excluir apenas as memórias ruins, para recomeçar uma vida livre de sofrimento e alcançar a utópica perfeição?

Leide Milene (LAILA GARIN) acredita que sim.

Prestes a casar, a personagem decide se submeter ao “Miracle Former” (Ex-milagre), um procedimento revolucionário, que promete apagar lembranças dolorosas, antes de seu casamento.

Ela acredita que se tornaria uma nova mulher, livre das angústias pregressas.

Reescrever a história não seria transformá-la em uma farsa?

Até que ponto nossas experiências e cicatrizes nos definem?

Será possível recomeçar sem carregar o que nos moldou?


 

 

 

Tais questões são tratadas, com muito bom humor, inteligência e criatividade, no musical “MÚSICAS QUE FIZ EM SEU NOME”, vindo para uma curtíssima temporada, no Teatro Copacabana Palace, uma “temporadinha”, que era apenas de quatro apresentações, mas que, antes mesmo de sua estreia, teve o número de sessões dobrado, embora ainda seja muito pouco para uma montagem daquela envergadura. Um temporada tão curta, que lembra as meteóricas aparições, pela Terra, do cometa Halley.


 

Nosso TEATRO, graças aos seus “DEUSES”, capitaneados por Dionísio, é pródigo e prodigioso, em se tratando de artistas talentosos, e LAILA GARIN é uma dessas estrelas de enésima grandeza. Todos os grandes atores e atrizes, os “tops”, entregam sempre o melhor de si, mas LAILA parece que não dá bola para os limites, na hora de “entregar”. Não bastasse tudo que já a vi fazendo num palco, desde 2011, de quando data a nossa amizade, quando me apaixonei pelo seu trabalho e perdi a conta das vezes em que eu a aplaudi, e a seu colega de cena, Osvaldo Mil, no espetáculo “Eu Te Amo Mesmo Assim”, ela, aqui, ainda nos revela facetas antes ocultas em seu trabalho, principalmente o humor.


 

LAILA me parece se autodesafiar, a cada novo trabalho, no sentido de se superar. É muito determinada naquilo que faz. E o melhor de tudo é que sempre o consegue. E, o que é importante - muito importante mesmo –, sempre em atuações totalmente diferentes umas das outras, na grande maioria das vezes (quase todas, na verdade), em musicais, visto que é, inegavelmente, uma das atrizes mais completas de sua geração, uma “cantriz” dona de uma voz privilegiada, que sai de sua garganta, sem nenhum esforço, ao que parece, cristalina e possante, rompendo o espaço. São notas que atingem um alcance a que poucas pessoas conseguem, dentro da afinação.


 

Desta vez, essa estupenda artista surpreende até os seus fãs e admiradores, levando para o palco uma LAILA muitíssimo engraçada, dizendo um texto extremamente bom e inteligente, popular, sem ser vulgar (muito pelo contrário), escrito por ela e por TAUÃ DELMIRO, contando com a consultoria de conteúdo e colaboração de roteiro assinadas pela poeta, psicanalista e filósofa VIVIANE MOSÉ. LAILA se revelando autora, dramaturga 


 

O espetáculo é muito divertido, porém também abre um leque de reflexões para o espectador, se ele topar olhar para dentro de si, mirando-se naquela personagem. O texto foi criado a partir de uma fala de VIVIANE MOSÉ: “Na tentativa de não sofrer, terminamos optando por não sentir. Plastificamos nossa pele. Embalsamamos nossos afetos. (…) Sentir muito e cada vez mais, aprender a lidar com os excessos, os desequilíbrios e as contradições é a condição para um ser mais amplo e para uma vida mais ética e sustentável”. Sábias palavras, tão bem traduzidas no palco, pelas falas e canções de uma trilha sonora eclética.



 

      O espetáculo é para rir, mas também provocar reflexões e tomadas de posição. O resultado da montagem converge para uma “comédia despudorada”, brincando com todos os anseios e dúvidas do ser humano, expostos na SINOPSE. A peça “convida o público a uma imersão profunda nas memórias, na identidade e nos desafios impostos pelas expectativas sociais”. Está em foco um turbilhão de emoções em que “Nossas lembranças formam a base da nossa personalidade, influenciam nossas escolhas e determinam como nos relacionamos com o mundo. A memória nos conecta ao passado, permitindo que aprendamos com os erros, celebremos conquistas e criemos narrativas sobre nossa própria história”, nas palavras do super competente e fecundo diretor, GUSTAVO BARCHILON, que aqui se apresenta como um vencedor, em potencial, de mais um prêmio.







 

A montagem é alicerçada por uma FICHA TÉCNICA de respeito, da qual fazem parte, dentre outros, a premiada NATÁLIA LANA, que nos brinda com uma excelente cenografia; FABIO NAMATAME, outro artista premiado, que assina o figurino; e MANECO QUINDERÉ, responsável por uma iluminação lúdica. Mas ainda há espaço para aplaudir ANDRÉ BREDA, pela comprovada qualidade de som (desenho de som).




 

A parte da música (direção musical) coube a outro premiado artista, TONY LUCCHESI, que preparou ótimos e criativos arranjos para “hits”, verdadeiramente de amplo conhecimento do público, todos relacionados à narrativa. São, ao todo, 18 canções, algumas repetidas, inteiras ou em partes, que ajudam a costurar a história de Leide Milene e se apresentam na forma de baladas, boleros, sertanejo, bossa nova e outros ritmos. Do “set list”, destaco alguns inesquecíveis momentos, de humor, drama e lirismo, da parte de LAILA: “Fera Ferida” (Roberto e Erasmo Carlos), nada melhor para iniciar o espetáculo; Amor Perfeito” (idem); “Abandonada por Você” (Cristianne Pinheiro), interpretação “lasciva e libertina”; “Chocante” (Eduardo Dussek), hilária letra e interpretação; “Bicho de Sete Cabeças” (Gereldo Azevedo e Renato Rocha), canção feita para se ver, além de ouvir, o intérprete; “Vingativa” (Rita Lee), idem – aqui, LAILA se mostra por inteiro mesmo; “Banho de Piscina” (Clarice Falcão), das partes mais engraçadas da peça, graças ao conteúdo da letra e à interpretação da “cantriz”; Valsinha” (Chico Buarque e Vinícius de Moraes), um gratíssimo momento de lirismo; Aguenta, Coração” (José Augusto), um dos maiores sucessos de um “hit maker”; e “Não Me Deixe, Não” (Jacques Brel), versão (desconheço a identidade do versionista) da icônica “Ne Me Quite Pas”, que ficou, indelevelmente, marcada, na voz de Edith Piaf – um dos momentos mais emocionantes do espetáculo. Se me permitem, LAILA e Piaf... Sei não!








Ainda relacionado à parte musical, merece um destaque o quarteto de excelentes músicos encarregados de acompanhar, ao vivo, no fundo do palco, LAILA GARIN. São eles: TONY LUCCHESI (piano e regência), LÉO BANDEIRA (bateria), THAIS FERREIRA (violoncelo) e JHONY MAIA (guitarra e violão).




 

Assistindo a este espetáculo, duas memórias vieram à minha cabeça. Com relação ao conteúdo do texto, não posso fugir à lembrança de uma crônica, das mais belas que já li em toda a minha vida, escrita por uma mulher fabulosa, que nos deixou há cerca de dois meses. Seu nome Marina Colassanti. A crônica? “Eu Sei, Mas Não Devia”. Recomendo sua leitura. A outra, agora com relação à maneira como LAILA interpreta as canções, é de uma cantor da “Era do Rádio”, Ivon Curi, um ator-cantor, ou um cantor-ator, que recebeu dois epítetos, “Le Chansonier” e “O Ator da Canção”, os quais lhe foram dados pelo radialista César de Alencar. Desde criança, eu nem piscava, quando o via cantar, no auditório da Rádio Nacional, "in loco", e, depois, na TV e no cinema. Eu diria que LAILA GARIN é uma reencarnação de Ivon Curi, de saia; ou melhor, vestida de noiva.





 

 

 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Laila Garin e Tauã Delmiro

Direção: Gustavo Barchilon

Direção Musical: Tony Lucchesi

Consultotia de Conteúdo: Viviane Mosé

 

Interpretação: Laila Garin

 

Músicos:Tony Lucchesi (piano e regência), Léo Bandeira (bateria), Thais Ferreira (violoncelo) e Jhony Maia (guitarra e violão)

 

Cenografia: Natália Lana

Figurino: Fábio Namatame

Iluminação: Maneco Quinderé

Desenho de Som: André Breda

Assessoria de Imprensa: Alan Diniz

Fotos: Van Brígido Fotografia

Direção de Produção: Thiago Hofman


 

 








 

 


SERVIÇO:

Temporada: De 11 de março a 02 de abril de 2025.

Local: Teatro Copacabana Palace.

Endereço: Avenida Nossa Senhora de Copacabana, nº 261, Copacabana – Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 11, 12, 19, 21, 25 e 27 de março, às 19h30min; 01 e 02 de abril, às 19h.

Valor do Ingressos: A partir de R$ 25 (meia-entrada), variando de acordo com a localização dos assentos. Plateia VIP: R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada); Plateia: R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada); e Balcão (Preço Popular): R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada).

Compras via internet: www.sympla.com.br (com taxa de conveniência).

Vendas na Bilheteria do Teatro (sem taxa de conveniência): duas horas antes de cada sessão.

Duração: 90 minutos.

Classificação Etária: Livre.

Gênero: "Show" Cênico.

 

 

 

         Não percam a rara oportunidade de aplaudir um conjunto de artistas, com o devido destaque a LAILA GARIN, que se juntam para nos oferecer um espetáculo que defino como um “manjar dos deuses”, motivo pelo qual EU O RECOMENDO, com muito entusiasmo.

 

 

 

 

 

FOTOS: VAN BRÍGIDO FOTOGRAFIA.

 

 



É preciso ir ao TEATRO, ocupar
 todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO brasileiro.










































































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