quarta-feira, 15 de março de 2017


REDEMUNHO



(POESIA EM FORMA DE TEATRO.

ou

AMOR + GARRA + COMPETÊNCIA =

TEATRO DA MELHOR QUALIDADE.)

  
 
           




 
Como é GRATIFICANTE ir a um Teatro, para ver TEATRO DE VERDADE!
 
TEATRO feito com amor, garra, dedicação e ajuda de amigos, sem patrocínios ou benesses de qualquer tipo, a não ser a já dita ajuda de amigos.
 
Um espetáculo belíssimo, de uma delicadeza, sensibilidade, competência...
 
Um texto magnífico, de RONALDO CORREIA DE BRITO.
 
Direção impecável, de ANDERSON ARAGÓN.
 
Um trio de excelentes atores: ALEXANDRE DANTAS, ANA CARBATTI e CLAUDIA VENTURA, cada um em seu melhor momento no palco; isso é dito por quem acompanha, há muito, o trabalho deles, ou seja, EU.
 
Um trabalho SEM QUALQUER DEFEITO (já nem vou gastar mais adjetivos; tudo é superlativo nesta montagem): ALFREDO DEL-PENHO (direção musical); SUELI GUERRA (direção de movimento - acho que a melhor dela, que já vi); DÓRIS ROLLEMBERG (cenário); FLÁVIO SOUZA (figurinos); ANDERSON RATTO (desenho de luz - a melhor luz que vi este ano, até agora)...
 
A temporada é muito curta. NÃO PERCAM POR NADA!!!
 
Saí do Teatro Rogério Cardoso (Casa de Cultura Laura Alvim), muito feliz e emocionado.
 

 
 
 
 
 


            Se existisse “sinopse de crítica teatral”, o texto acima, que foi postado por mim, tão logo cheguei a casa, em total estado de graça, após ter assistido ao espetáculo “REDEMUNHO”, seria uma. Praticamente, não há mais nada a dizer, mas vou me estender e ele será o embrião desta crítica.

            REDEMUNHO = “Gíria tradicional do orador de Minas Gerais, que pretendia dizer ‘redemoinho’ ou ‘rodamoinho’”.

            O título da peça pode parecer “estranho”, mas tem tudo a ver com ela. Desde que inicia, o texto nos envolve num rodopiar de emoções sucessivas e surpreendestes. Ele é a transposição, para o palco, de quatro contos do premiado escritor cearense RONALDO CORREIA DE BRITO, publicados em seu livro “Faca”, de 2003.

De acordo com o “release” da peça, enviado por JSPONTES COMUNICAÇÃO (JOÃO e STELLA), “Através de suas ‘memórias inventadas’, como o autor se refere às suas narrativas, o leitor – e agora o espectador - é transportado para as ruínas de um Sertão Nordestino mítico, que já não existe mais”.

            É inacreditável como um escritor do talento de CORREIA DE BRITO não seja tão conhecido e lido no Brasil, ainda que já tenha conseguido espaço no exterior, além de tantos prêmios! Coisas do Brasil!

Para compor o espetáculo, foram selecionados quatro dos contos do livro “Faca”: A Escolha”, “Redemunho”, “Cícera Candoia” e “Mentira de Amor”.

Ainda extraído do “release”: “(...) emergem relatos de origens arcaicas e personagens trágicos, os quais convidam a investigar aqueles segredos próprios do ser humano, de qualquer época ou lugar. Visitada pela literatura regionalista, esta terra remota e desconhecida ganha uma dimensão mítica, transformando-se no território dos terrores mais íntimos e antigos do Homem, quando o regional dá lugar ao universal.

Em sua versão teatral, os contos receberam tratamento contemporâneo, por meio da linguagem narrativa em cena. Sem fazer uso de qualquer artifício, que pretenda transpor para discurso direto a joia narrativa dos contos, o que o público ouvirá são as palavras escolhidas, uma a uma, pelo autor...”.
 
 
 

 



 
SINOPSE:
 
Em um tempo arcaico, quase mitológico, quatro histórias se tocam no centro de um redemoinho de fatalidades. As histórias desenham destinos que não podem ser evitados, colocando suas personagens centrais no momento inexorável de sua caminhada em direção ao trágico.
 
 
OS CONTOS:
   
"REDEMUNHO" reúne mãe e filho, dois últimos remanescentes da, outrora, nobre família Cavalcante de Albuquerque. Em total decadência, vivem apegados a valsas, árvores genealógicas e um piano centenário, mas acabam sendo levados a desenterrar uma antiga e dolorosa rixa do passado.
 
Em "CÍCERA CANDOIA", CIÇA se vê aprisionada aos cuidados de uma mãe entrevada, enquanto todos estão partindo, em fuga da seca. Ambas se sentem despertencidas” da vila em que vivem, por conta de uma peleja familiar, que culminou na morte do pai, e observam a terra secar de gente. Agora, CIÇA tem que decidir pela sua vida ou pela morte das duas.
 
"MENTIRA DE AMOR" relata o cotidiano de uma mulher, aprisionada pelo próprio marido e afogada na culpa pela morte de sua filha mais nova. Vive num mundo imaginário, criado a partir dos ruídos que escuta, vindos da rua. Um dia, chega à cidade um circo, que, aos poucos, desperta nela emoções e desejos nunca vividos. Ela entende que é chegada a hora de cumprir seu destino e romper esse silêncio de anos em sua vida.
   
"A ESCOLHA" conta a história de ALDENORA e LIVINO, casados e assombrados pelo fantasma do primeiro casamento dela com LUIZ SILIBRINO, o qual retorna, depois de dezoito anos. ALDENORA, agora, deve escolher entre a gratidão e a paixão.
 

 
 
 

 



 
FICHA TÉCNICA:
 
Texto: Ronaldo Correia de Brito
Direção: Anderson Aragon
 
Elenco: Alexandre Dantas, Ana Carbatti e Claudia Ventura
 
Direção Musical: Alfredo Del-Penho
Direção de Movimento: Sueli Guerra
Cenografia: Doris Rollemberg
Figurinos: Flávio Souza
“Design” de Luz: Anderson Ratto
Fotos: Silvana Marques
Programação Visual: Humberto Costa – Mais Programação Visual
Produção Executiva: Christina Carvalho
Direção de Produção: Ana Carbatti Produções e Artes e CiaFaláCia Produções
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
 
 

 
 
 
 




 
SERVIÇO:
 
Temporada: De 10 de março até 02 de abril de 2017.
Local: Teatro Rogério Cardoso (Casa de Cultura Laura Alvim).  
Endereço: Avenida Vieira Souto, 176 – Ipanema – Rio de Janeiro.
Tel: (21) 2332-2015.
Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h.
Duração:  80 minutos.
Valor dos Ingressos: R$40,00 e R$20,00 (meia entrada).
Capacidade: 40 espectadores.
Gênero: Drama.
Classificação Indicativa: 16 anos
 








            Embora eu não conheça os contos na íntegra, mas já esteja à cata do livro, sei que eles foram transpostos para o palco, praticamente, na íntegra, com o objetivo de interferir o  mínimo possível na beleza e contundência dos textos de CORREIA DE BRITO. Todas as rubricas e descrições das cenas são ditas por quem interpreta o/a personagem em questão. 

            Fiquei, profundamente, encantado com o estilo do autor (seu vocabulário, sua sintaxe, suas construções frasais, suas histórias) o que me permite, sem nenhum exagero, guardadas as devidas proporções, sentir, no ar, um perfume de Guimarães Rosa, um aroma dos cordelistas e de outros consagrados autores brasileiros, que põem, em suas frases, o olor da terra molhada do sertão, quando a chuva dá o ar de sua graça, e o cheiro de mato.

            O lirismo, quando necessário, cede espaço aos espinhos de algumas palavras que ferem, tudo a tempo e hora, num equilíbrio que nos conduz no rodopio proposto. O texto é belíssimo!!!

            Trata-se de um espetáculo bem intimista, minimilista até, o que justifica o fato de ter sido montado para pequenas plateias e em formato de arena, sendo que, quando não estão atuando – e até, mesmo, em atuação – os atores permanecem sentados, no meio do público, criando uma intimidade e cumplicidade, que facilitam a troca de emoções. Acertou na mosca a direção, não só por isso, mas, também, por todo o conjunto da obra, com destaque para duas, dentre tantas, cenas, quais sejam a do banho de chuva, em forma de arroz, que o personagem de ALEXANDRE DANTAS toma, e toda a longa cena, de CLAUDIA VENTURA, no monólogo relativo ao circo.

            O elenco demonstra ter mergulhado, profundamente, no universo do interior e nas referências da obra do autor. Cada um tem seus momentos de solo e, quando atuam em dupla ou trio, um enriquece o trabalho do outro; há uma grande troca de energia e de talento. Que belo trio de atores!!!

            Como se trata de um espetáculo “franciscano”, tudo teve de ser feito com uma verba curtíssima, e a solução, para se chegar a um espetáculo de tamanha qualidade, foi contar com a colaboração de alguns de nossos melhores profissionais de TEATRO e sua criatividade. Isso está presente no lindo e simples cenário, de DÓRIS ROLLEMBERG e nos singelos figurinos, de FLÁVIO SOUZA.
 
 
 
                        
 
 
 
     
 


            A luz, de ANDERSON RATTO é, disparadamente, a melhor que vi este ano e das mais bonitas e bem feitas, nos últimos tempos, assim como é de emocionar o belíssimo trabalho de direção de movimento de SUELI GUERRA, talvez, como já afirmei, o melhor de sua carreira.

ALFREDO DEL-PENHO assina uma ótima direção musical, tendo preparado uma sugestiva e adequada trilha sonora.

            Se você está procurando uma sugestão de uma boa peça, daquelas que nos marcam, não deixe de assistir a “REDEMUNHO”. Tenho a certeza de que cai me agradecer pela sugestão.

 
 
 




(FOTOS: SILVANA MARQUES.)
 
 


 

 

 

 

 


 

 

 

 
 
 
 
 

 

  

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