sexta-feira, 7 de agosto de 2026

 

“AS IRMÃS PEREIRA”

ou

(UMA MERECIDA

HOMENAGEM

QUE DIVERTE.)

 

 

 

         GUIDA VIANNA ocupa um lugar de destaque no rol das melhores atrizes brasileiras e está completando cinco décadas de bons serviços prestados às nossas artes cênicas, como uma atriz eclética e bastante reconhecida por suas atuações. Para registrar e marcar tal efeméride, o ator, diretor e dramaturgo PEDRO BRÍCIO houve por bem escrever uma peça teatral, não só para homenageá-la, como também para ser representada por ela. E o resultado disso é o espetáculo “AS IRMÃS PEREIRA”, em cartaz na Arena do SESC Copacabana (VER SERVIÇO.), já nas últimas semanas de sua temporada.

 


  

SINOPSE:

“AS IRMÃS PEREIRA” mostra três irmãs, Glória (GUIDA VIANNA), Edna (CLARISSE DERZIÉ LUZ) e Dulce (RAQUEL ROCHA), todas entre 60 e 70 anos, que se reúnem, para decidir o destino das cinzas da mãe, falecida há mais de um ano.

Enquanto debatem, elas conversam sobre o passado e expõem desejos e urgências da vida atual.

Como conflito central, as irmãs tentam definir onde jogar aquelas cinzas maternas – Na Baía de Guanabara ou no Rio Tejo? -, gerando discussões bem-humoradas e afetuosas.

O encontro acontece em uma casa antiga, precisando de urgentes reformas, no Largo do Boticário, reacendendo lembranças da juventude.

A peça aborda assuntos como trabalho, sexualidade, fé, arte e até inteligência artificial.

Num determinado momento, planos e passado vêm à tona e surge a ideia de uma viagem para Lisboa, para viverem o resto de suas vidas, remetendo ao antigo colégio de freiras onde estudaram.


 

 

 

       Em forma de agradecimento e recompensa, a singela homenagem de PEDRO BRÍCIO à sua primeira professora de TEATRO, na escola livre de TEATRO “O Tablado”, onde GUIDA ministrava aulas de improvisação teatral, é uma feliz ideia, bonita e bastante pertinente, um preito a uma mulher, uma grande artista, que reúne, em seu longo currículo, nada menos do que 41 peças de TEATRO, 35 novelas, minisséries, casos especiais e novela vertical, além da participação em 25 filmes e de ter sido ganhadora de cinco prêmios de melhor atriz, a partir dos anos 2004 (Shell, Qualidade Brasil, Cesgranrio, APTR e FITA). Em 16 de junho deste ano, a atriz recebeu o “Prêmio Camila Amado”, criado pela APTR neste mesmo ano.



        Via de regra, numa COMÉDIA, é muito forte e importante o papel da crítica, por meio do humor, da ironia e do sarcasmo, para expor falhas, absurdos e injustiças de pessoas, costumes ou sistemas de poder, transformando o riso em um instrumento de reflexão social, permitindo, ao público, questionar regras estabelecidas, sem a rigidez de um discurso formal. Para o meu gosto, a preferência recai sobre os textos que expõem a corrupção, a hipocrisia e o abuso de autoridades, por meio de caricaturas e exageros de figuras públicas. Também me agradam as histórias que revelam preconceitos, desigualdades e comportamentos absurdos do cotidiano, fazendo o público rir e, ao mesmo tempo, repensar suas próprias ações. Da mesma forma, valorizo muito a COMÉDIA que ridiculariza dogmas, instituições severas ou manias coletivas, diminuindo o medo ou a excessiva reverência em relação a certos poderes. Vi, nesta COMÉDIA leve, que ela prima pelo desejo de apenas divertir o público, sem levá-lo a grandes reflexões, o que também é muito válido.  



  Não é bem por nenhum desses trilhos que corre a trama de “AS IRMÃS PEREIRA”, o que, em absoluto, não significa dizer que a peça não me agradou. O texto explora mais as diferenças nas relações interpessoais de três irmãs de personalidades intensas, marcantes, com o foco em interesses comuns ou díspares. Voltar a Lisboa e lá fixar residência? Lançar as cinzas de uma mãe às águas revoltas da Baía de Guanabara ou à placidez do rio Tejo.



  Passado, presente e futuro coexistem nesta história. Revira-se um baú de memórias e, de lá, são retiradas boas e más lembranças, nenhuma delas, porém, muito drástica, por pior que seja. O presente está corporificado num desejo insistente de Glória, de dar fim às cinzas da mãe imediatamente, sem adiamentos. E o futuro pode ser uma incógnita, envolvendo o como seria passar a residir em Lisboa, já com a idade um pouco avançada. São decisões que pululam nas cabeças das três personagens e são muito bem colocadas na dramaturgia.



  Para ser sincero, preferiria ver a peça encenada num palco italiano. Penso que poderia render mais e fico com essa curiosidade. Por outro lado, em se tratando deste texto, acredito ter sido um bom desafio e um exercício de criatividade, para PEDRO BRÍCIO e ALCEMAR VIEIRA, a direção do espetáculo, que acaba alcançando um bom resultado. E, já que estamos numa arena, por que não explorar bastante o espaço e transferir uma cena para o meio do público, com as atrizes ocupando cadeiras previamente reservadas? É boa a ideia e funciona bem.



 “Trialogam” (Vamos apelar para um neologismo.), acertadamente, três dos principais elementos que ajudam a sustentar um espetáculo teatral: a cenografia (MARIETA SPADA), o figurino (MARCELO OLINTO) e a iluminação (TOMÁS RIBAS), simples, porém eficientes e eficazes.



  No que concerne à atuação do trio de atrizes, não poderia dizer nada diferente de que cada uma dá o seu recado de maneira muito satisfatória, com um ligeiro aval mais acentuado para GUIDA VIANNA, cuja personagem oferece, talvez, um pouco mais de possibilidades para a sua construção. É Glória, para mim, quem provoca mais o riso no público, embora suas irmãs também tenham alguns momentos de brilho, quanto a isso.  

 

 


FICHA TÉCNICA:

Idealização do Projeto: Guida Vianna e Pedro Brício

Texto: Pedro Brício

Interlocução de Dramaturgia: Marcia Zanelatto

Direção: Pedro Brício e Alcemar Vieira

 

Elenco: Guida Vianna, Clarisse Derzié Luz e Raquel Rocha

 

Cenografia: Marieta Spada

Cenotécnico: André Salles e Equipe

Figurino: Marcelo Olinto

Confecção de Figurino: Ateliê Fátima Léo

Costureira: Maria do Carmo

Cabeças: Flávio Souza

Desenho de Luz: Tomás Ribas

Direção de Movimento: Raquel Karro

Trilha Sonora Original: Jonas Sá e Pedro Mibielli

Contrarregra e Camareira: Lúcia Martinusso

Operador de Som: Gabriel Fomm

Fotos de Divulgação: Nil Caniné

Programação Visual: Thiago Ristow

Assessoria de Imprensa: Meise Halabi

Redes Sociais: Rafael Teixeira

Maquiador de Foto Divulgação: Fernando Ocazione

Assistente de Produção: Aline Monteiro

Diretor de Produção: Celso Lemos

Apoios: Instituto Martim Gonçalves, Pizza Canastra Ipanema e ML Salvio Alimentos


 




(Foto: Gilberto Bartholo.)


 

 SERVIÇO:

Temporada: De 23 de julho a 16 de agosto de 2026.

Local: SESC Copacabana (Arena).

Endereço: Rua Domingos Ferreira, nº 160 – Copacabana – Rio de Janeiro.

Informações: (21)3180-5226.

Dias e Horários: 5ª e 6ª feira, às 20h; sábado e domingo, às 18h.

Sessões com acessibilidade em libras: 25/7 e 15/8 de 2026.

Valor dos Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 36 (conveniados), R$ 31 (conveniados empresário), R$ 28 (credencial plena Sesc); R$ 20 (meia-entrada) e Gratuito (público PCG).

Horário de funcionamento da bilheteria: De 3ª feira a 6ª feira, das 9h às 20h; sábado, domingo e feriado, das 12h às 19h.

Classificação Etária: 12 anos.

Duração: 80 minutos.

Gênero: COMÉDIA.


 

 


         “AS IRMÃS PEREIRA” é uma justa, oportuna e linda homenagem a uma atriz, lembrada em vida – Isso é muito importante! -, à sua altura, ESPETÁCULO QUE EU RECOMENDO.


 

 



FOTOS: NIL CANINÉ

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 

 



 




 



















































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