“AS IRMÃS PEREIRA”
ou
(UMA MERECIDA
HOMENAGEM
QUE DIVERTE.)
GUIDA VIANNA ocupa um lugar de
destaque no rol das melhores atrizes brasileiras e está completando cinco
décadas de bons serviços prestados às nossas artes cênicas, como uma
atriz eclética e bastante reconhecida por suas atuações. Para registrar e marcar
tal efeméride, o ator, diretor e dramaturgo
PEDRO BRÍCIO houve por bem escrever uma peça teatral, não só para
homenageá-la, como também para ser representada por ela. E o resultado disso é
o espetáculo “AS IRMÃS PEREIRA”, em cartaz na Arena do SESC
Copacabana (VER SERVIÇO.), já nas últimas semanas de sua temporada.
SINOPSE:
“AS IRMÃS PEREIRA” mostra três irmãs, Glória
(GUIDA VIANNA), Edna (CLARISSE DERZIÉ LUZ)
e Dulce (RAQUEL ROCHA), todas entre 60 e 70 anos, que se
reúnem, para decidir o destino das cinzas da mãe, falecida há mais de um ano.
Enquanto debatem, elas conversam sobre o passado e
expõem desejos e urgências da vida atual.
Como conflito central, as irmãs
tentam definir onde jogar aquelas cinzas maternas – Na Baía de Guanabara
ou no Rio Tejo? -, gerando discussões bem-humoradas e afetuosas.
O encontro acontece em uma casa antiga, precisando
de urgentes reformas, no Largo do Boticário, reacendendo
lembranças da juventude.
A peça aborda assuntos como trabalho, sexualidade,
fé, arte e até inteligência artificial.
Num determinado momento, planos e passado vêm à
tona e surge a ideia de uma viagem para Lisboa, para viverem o
resto de suas vidas, remetendo ao antigo colégio de freiras onde estudaram.
Em
forma de agradecimento e recompensa, a singela homenagem de PEDRO BRÍCIO
à sua primeira professora de TEATRO, na escola livre de TEATRO
“O Tablado”, onde GUIDA ministrava aulas de improvisação
teatral, é uma feliz ideia, bonita e bastante pertinente, um preito a
uma mulher, uma grande artista, que reúne, em seu longo currículo, nada menos
do que 41 peças de TEATRO, 35 novelas, minisséries,
casos especiais e novela vertical, além da
participação em 25 filmes e de ter sido ganhadora de cinco
prêmios de melhor atriz, a partir dos anos 2004 (Shell,
Qualidade Brasil, Cesgranrio, APTR e FITA). Em 16 de junho deste
ano, a atriz recebeu o “Prêmio Camila Amado”, criado pela
APTR neste mesmo ano.
Via
de regra, numa COMÉDIA, é muito forte e importante o papel da crítica,
por meio do humor, da ironia e do sarcasmo,
para expor falhas, absurdos e
injustiças de pessoas, costumes ou sistemas de poder, transformando o riso em
um instrumento de reflexão social, permitindo, ao público, questionar regras
estabelecidas, sem a rigidez de um discurso formal. Para o meu gosto, a
preferência recai sobre os textos que expõem a corrupção, a hipocrisia e o
abuso de autoridades, por meio de caricaturas e exageros de figuras públicas.
Também me agradam as histórias que revelam preconceitos, desigualdades e
comportamentos absurdos do cotidiano, fazendo o público rir e, ao mesmo tempo,
repensar suas próprias ações. Da mesma forma, valorizo muito a COMÉDIA
que ridiculariza dogmas, instituições severas ou manias coletivas, diminuindo o
medo ou a excessiva reverência em relação a certos poderes. Vi, nesta COMÉDIA
leve, que ela prima pelo desejo de apenas divertir o público, sem levá-lo a
grandes reflexões, o que também é muito válido.
Não é bem por nenhum desses trilhos que corre a
trama de “AS IRMÃS PEREIRA”, o que, em absoluto, não significa dizer que
a peça não me agradou. O texto explora mais as diferenças nas
relações interpessoais de três irmãs de personalidades intensas, marcantes, com o foco em interesses comuns ou díspares.
Voltar a Lisboa e lá fixar residência? Lançar as cinzas de uma
mãe às águas revoltas da Baía de Guanabara ou à placidez do rio Tejo.
Passado, presente e futuro coexistem nesta história. Revira-se um baú de
memórias e, de lá, são retiradas boas e más lembranças, nenhuma delas, porém,
muito drástica, por pior que seja. O presente está corporificado num desejo
insistente de Glória, de dar fim às cinzas da mãe imediatamente,
sem adiamentos. E o futuro pode ser uma incógnita, envolvendo o como seria
passar a residir em Lisboa, já com a idade um pouco avançada. São
decisões que pululam nas cabeças das três personagens e são muito bem colocadas
na dramaturgia.
Para ser sincero, preferiria ver a peça encenada num palco italiano. Penso
que poderia render mais e fico com essa curiosidade. Por outro lado, em se
tratando deste texto, acredito ter sido um bom desafio e um exercício de
criatividade, para PEDRO BRÍCIO e ALCEMAR VIEIRA, a direção
do espetáculo, que acaba alcançando um bom resultado. E, já que estamos numa arena,
por que não explorar bastante o espaço e transferir uma cena para o meio do
público, com as atrizes ocupando cadeiras previamente reservadas? É boa a ideia
e funciona bem.
“Trialogam” (Vamos apelar para um neologismo.), acertadamente, três dos principais elementos que
ajudam a sustentar um espetáculo teatral: a cenografia (MARIETA
SPADA), o figurino (MARCELO OLINTO) e a iluminação
(TOMÁS RIBAS), simples, porém eficientes e eficazes.
No que concerne à atuação do trio de atrizes, não poderia
dizer nada diferente de que cada uma dá o seu recado de maneira muito
satisfatória, com um ligeiro aval mais acentuado para GUIDA VIANNA,
cuja personagem oferece, talvez, um pouco mais de possibilidades para a sua
construção. É Glória, para mim, quem provoca mais o riso no
público, embora suas irmãs também tenham alguns momentos de brilho, quanto a
isso.
FICHA TÉCNICA:
Idealização do Projeto: Guida Vianna e Pedro Brício
Texto: Pedro Brício
Interlocução de Dramaturgia: Marcia Zanelatto
Direção: Pedro Brício e Alcemar Vieira
Elenco: Guida Vianna, Clarisse Derzié Luz e Raquel Rocha
Cenografia: Marieta Spada
Cenotécnico: André Salles e Equipe
Figurino: Marcelo Olinto
Confecção de Figurino: Ateliê Fátima Léo
Costureira: Maria do Carmo
Cabeças: Flávio Souza
Desenho de Luz: Tomás Ribas
Direção de Movimento: Raquel Karro
Trilha Sonora Original: Jonas Sá e Pedro Mibielli
Contrarregra e Camareira: Lúcia Martinusso
Operador de Som: Gabriel Fomm
Fotos de Divulgação: Nil Caniné
Programação Visual: Thiago Ristow
Assessoria de Imprensa: Meise Halabi
Redes Sociais: Rafael Teixeira
Maquiador de Foto Divulgação: Fernando Ocazione
Assistente de Produção: Aline Monteiro
Diretor de Produção: Celso Lemos
Apoios: Instituto Martim Gonçalves, Pizza Canastra Ipanema e ML Salvio Alimentos
(Foto: Gilberto Bartholo.)
Temporada: De 23 de julho a 16 de agosto de 2026.
Local: SESC Copacabana (Arena).
Endereço: Rua Domingos Ferreira, nº 160 – Copacabana – Rio de Janeiro.
Informações: (21)3180-5226.
Dias e Horários: 5ª e 6ª feira, às 20h; sábado e domingo, às 18h.
Sessões com acessibilidade em libras: 25/7 e 15/8 de 2026.
Valor dos Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 36 (conveniados), R$ 31
(conveniados empresário), R$ 28 (credencial plena Sesc); R$ 20 (meia-entrada) e
Gratuito (público PCG).
Horário de funcionamento da bilheteria: De 3ª feira a 6ª feira, das 9h
às 20h; sábado, domingo e feriado, das 12h às 19h.
Classificação Etária: 12 anos.
Duração: 80 minutos.
Gênero: COMÉDIA.
“AS IRMÃS PEREIRA” é uma justa,
oportuna e linda homenagem a uma atriz, lembrada em vida – Isso é muito
importante! -, à sua altura, ESPETÁCULO
QUE EU RECOMENDO.
FOTOS: NIL CANINÉ
É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que
a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais.
Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de
melhor no TEATRO.
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