“VICTOR OU VICTORIA”
ou
(COMO SE CONSTRUIR
UMA BOA COMÉDIA?)
Com simplicidade, bom gosto e, principalmente, competência, consegue-se atingir um excelente resultado na construção de uma boa COMÉDIA. Foi com esses ingredientes que CLAUDIO BOTELHO, numa brilhante direção, montou seu espetacular musical “VICTOR OU VICTORIA”, em cartaz, em curtíssima temporada, no Teatro Claro Mais do Rio de Janeiro.
SINOPSE:
Victoria
Grant (ALESSANDRA VERNEY) é uma cantora
desempregada, que, na Paris dos anos 30, precisa se
reinventar, para sobreviver no meio artístico.
Quando assume uma
identidade masculina, ela experimenta um sucesso instantâneo, ao se transformar em Victor, um homem que se apresenta como mulher, no palco, e
conquista as plateias com sua potente voz feminina.
A partir dessa farsa, “VICTOR
OU VICTORIA” dá origem a uma série de tramas e situações hilárias e, também,
debate temas como gênero, liberdade e preconceito.
Sempre que parto para assistir a alguma montagem da grife
MÖELLER & BOTELHO, faço-o com a melhor das expectativas e,
quase sempre, elas são superadas, como ocorreu quando assisti ao musical aqui
comentado. Desta vez, os méritos maiores da montagem vão para CLAUDIO
BOTELHO, que, sozinho, sem Charles Möeller,
assume a direção geral do espetáculo, porém essas virtudes também
podem ser divididas com o excelente elenco e todos os artistas
de criação envolvidos na produção.
Mesmo sem ter visto o filme homônimo, que foi grande
sucesso no Brasil, já conhecia o enredo da peça, por já ter
assistido, em 2001, a uma outra montagem, igualmente sensacional,
que trazia a grande Marília Pêra como protagonista. Em nada, a
versão atual fica a dever àquela, enriquecida por algumas pequenas adaptações
para o momento atual.
Lançado
pelo diretor Blake Edwards em 1982, o filme
homônimo teve uma bem-sucedida trajetória mundial, recebeu sete
indicações ao Oscar e passou a fazer parte do imaginário
de diversas gerações. Em 1995, o longa ganhou a sua versão no Teatro
Musical e seguiu uma jornada de imenso sucesso na Broadway,
em montagem estrelada por Julie Andrews (Ela também fez o
filme.), que chegou a incríveis 734 apresentações.
Este
espetáculo marca o retorno da parceria CLAUDIO BOTELHO com MIGUEL
FALABELLA e ALESSANDRA VERNEY, após o estrondoso sucesso que foi “Kiss
Me, Kate – O Beijo da Megera”, de Cole Porter, que selou
o reencontro dos gigantescos artistas em 2023.
Com os
olhos, os dedos e a cabeça voltados para o bom gosto e a inteligência cênica, BOTELHO
acerta, mais uma vez, na função de diretor geral do espetáculo,
apostando suas fichas num delicioso texto, num elenco de
primeira e na reunião de grandes artistas de criação,
alguns dos quais já de uma parceria constante com o diretor, e o
resultado é um espetáculo delicioso, hilário, que diverte e agrada os
espectadores, os quais retribuem tal qualidade do musical com muitos aplausos
ao final da encenação.
O humor
da peça é simples, sem grandes sofisticações, com divertidíssimos momentos de
um bom “vaudeville”, com seus quiprocós saltando aos olhos e
criando memoráveis momentos de humor ingênuo e bem construídos, até meio que “à
la” “Os Trapalhões”, sem o menor indício de demérito. Ressalte-se
que, nesta excelente versão brasileira, de CLAUDIO BOTELHO,
o versionista inseriu algumas ótimas piadas internas e outras da
contemporaneidade, o que provoca muitas gargalhados do público.
O
melhor do humor cai no colo de MIGUEL FALABELLA e MARIA CLARA GUEIROS,
os dois, cada um ao seu estilo, provocando muitas gargalhadas. ALESSANDRA
VERNEY brilha, mais uma vez, na pele da protagonista, interpretando e
cantando lindamente, numa atuação impecável. A personagem parece ter sido
escrita para ela. JUNNO ANDRADE também se sustenta muito bem, ao lado de
premiados colegas de cena, formando o quarteto dos principais personagens da
peça. Os demais do elenco executam suas participações com igual esmero.
Complemento
minhas felicitações e festejos com os nomes de ANDRÉ GUERRA, pela ótima cenografia;
CAROL LOBATO, que assina os vistosos figurinos; VINÍCIUS
ZAMPIERI, criador do ajustado desenho de luz; MARCELO CASTRO,
pela correta direção musical, novos arranjos e regência,
à frente de uma excelente banda; MARIANA BARROS, pela criativa coreografia;
ANDRÉ BREDA, pelo operoso desenho de som; e FELICIANO
SAN ROMAN, pelo perfeito visagismo.
FICHA TÉCNICA:
UM ESPETÁCULO DE
CHARLES MÖELLER E CLAUDIO BOTELHO
Texto: Blake Edwards
Música: Henry Mancini
Letras: Leslie Bricusse
Música e Letras
Adicionais: Frank Wildhorne
Versão Brasileira,
Adaptação e Supervisão Geral: Claudio Botelho
Direção Geral: Claudio
Botelho
Direção Associada:
Guilherme Logullo
Direção Musical, Novos
Arranjos e Regência: Marcelo Castro
Elenco: Alessandra
Verney, Miguel Falabella, Maria Clara Gueiros, Junno Andrade, Ricca Barros,
Rafael Aragão, Hamilton Dias, Wagner Lima, Frederico Reuter, Danilo Barbieri, Fernanda
Biancamano, Carol Botelho, Vitor Veiga, Alvinho de Pádua, Bruno Ospedal e
Estêvão Souz
Coreografia: Mariana
Barros
Cenografia: André
Guerra
Figurinos: Carol
Lobato
Desenho de Luz:
Vinícius Zampieri
Desenho de Som: André
Breda
Visagismo: Feliciano
San Roman
Coordenação Artística:
Tina Salles
Assessoria de
Comunicação: Pedro Neves
Fotos: Annelize
Tozetto
Direção de Produção:
Carla Reis
Produção: Opus
Entretenimento e Möeller & Botelho
Realização: Instrituto
Cultural Opus
SERVIÇO:
Temporada: De 04 a 28
de junho de 2026.
Local: Teatro Claro Mais
– RJ.
Endereço: Rua Siqueira
Campos, nº 143 – 2º piso – Copacabana – RJ.
Dias e Horários: 5ª e
6ª feira, às 20h; sábado, às 16h e 20h; domingo, às 15h e 19h.
OBSERVAÇÃO: Não haverá sessões
nos dias 13 e 19 de junho, devido aos jogos da Copa do Mundo. Essas sessões
serão realocadas nos dias 11, 18 e 25 de junho, às 16h.
Valor dos Ingressos: R$
450 (plateia VIP), R$ 350 (plateia), R$ 250 (frisa) e R$ 50 (balcão), com
direito a meia-entrada nos casos previstos pela Lei.
Capacidade: 659
lugares.
Classificação Etária:
12 anos.
Duração: 120 minutos (com
intervalo de 15 minutos).
Gênero: COMÉDIA Musical.
É de se lamentar muitíssimo que um espetáculo tão perfeito,
extremamente interessante e hilário, cumpra uma curtíssima temporada, para o
seu padrão de qualidade, o que me leva a RECOMENDAR, COM URGÊNCIA, ESTA DELICIOSA COMÉDIA MUSICAL. Vão logo ao Teatro
Claro Mais! Garantam logo seus ingressos, visto que as sessões têm
estado esgotadas, com muito merecimento.
FOTOS: ANNELIZE TOZETTO