“2º FESTIVAL
DE TEATRO DO RIO”
“RITA LEE:
A BALADA DA LOUCA”
ou
(UMA GRANDE ARTISTA
A CAMINHO
DA ETERNIDADE.)
Como parte da excelente programação do “2º
FESTIVAL DE TEATRO DO RIO”, sob a profícua e rica curadoria
de MARIA SIMAN, ocupando os palcos do Teatro Riachuelo RJ
e o Teatro TotalEnergies, um espetáculo em final de temporada no Teatro
FAAP, em São Paulo, “RITA LEE: A BALADA DA LOUCA”,
se apresentou como uma das mais concorridas atrações do referido evento. Lotação
esgotada do Teatro. Duas apresentações apenas, mas a montagem,
com toda a certeza, cumprirá temporada(s) no Rio de Janeiro, a
primeira já agendada (de 10 de outubro a 01 de novembro de 2026, no
Teatro Prio), para que milhares de pessoas possam também conferir a
excelência desta produção. Vamos aguardar, com paciência e expectativa.
Tive
a oportunidade e a sorte de poder assistir ao solo, em seu primeiro dia de
exibição no “FESTIVAL...”, como convidado da MNiemeyer (ANA
LUIZA), assessoria de imprensa do Teatro Riachuelo RJ, e
deixei aquele espaço muito feliz, pelo que me foi dado apreciar, e com total
vontade de reassistir a tão importante trabalho teatral.
SINOPSE:
O espetáculo é um monólogo, baseado
no livro “Rita Lee: Outra Autobiografia”, lançado em 2023.
A peça retrata, com humor, irreverência e emoção,
os últimos anos de vida da cantora e sua luta contra o câncer.
O solo companha os dias da rainha do “rock”
brasileiro, após o diagnóstico de câncer de pulmão, em 2021.
Trata de temas como a finitude, o envelhecimento, o
amor e a espiritualidade, sem perder a franqueza crua, a ironia e a leveza,
características peculiares da artista.
Não é a primeira vez que a icônica e
saudosa artista é homenageada no Teatro e penso que nem será a
última. E Rita bem o merece; de verdade. A atriz Mel Lisboa interpretou Rita Lee duas
vezes. A primeira foi em 2014, na peça “Rita Lee Mora ao
Lado”, tendo merecido aplausos e elogios da homenageada, iniciando-se
ali uma forte ligação entre as duas, consolidada mais tarde, dez anos depois,
quando, pela segunda vez, Mel encarnou Rita, no
musical “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”, que estreou em 2024,
em São Paulo, já cumpriu várias temporadas, viajou pelo país, já
foi assistido por dezenas de milhares de espectadores e, ainda hoje, mais de
dois anos após sua estreia, ocupa o palco do Teatro Porto, na
capital paulista.
Em 2021, ao ser
diagnosticada com câncer de pulmão, Rita Lee decidiu registrar,
em um diário, suas reflexões, memórias e vivências, o seu dia a dia na luta
contra a doença. Esse material deu origem a um livro, “Rita Lee:
Outra Autobiografia”, segundo volume de suas memórias, lançado em 2023.
Agora, a obra ganha uma adaptação para o TEATRO, na forma de um instigante,
belo e divertido monólogo, “RITA LEE: A BALADA DA LOUCA”,
que retrata, com coragem e humanidade, os anos finais da artista. Idealizado e
escrito por GUILHERME SAMORA, o espetáculo traz uma das mais importantes
atrizes brasileiras, LILIA CABRAL, no papel da cantora e compositora, sob a direção
de BEATRIZ BARROS.
Fui ao Teatro Riachuelo RJ
um pouco apreensivo, eu diria, achando que chegaria às lágrimas, visto que, durante a
minha leitura do livro que deu origem a esta peça, tão logo ele chegou às
livrarias, chorei muito, ainda que me pegasse, de vez em quando, rindo e, até
mesmo, gargalhando, com as muitas sacadas de um excelente humor, da parte de Rita.
Qual não foi a minha surpresa, quando, ao final da encenação, percebi que, apesar
de muitos momentos de profunda emoção e um forte sentimento de perda, eu não
havia vertido uma lágrima! E a explicação é muito simples. É perfeito o trabalho
de GUILHERME SAMORA, um dos poucos amigos íntimos da homenageada, e BEATRIZ BARROS na transmutação
de um livro numa dramaturgia. O autor do texto
soube preservar a essência da escrita de Rita Lee, marcada pela
franqueza sem filtros, pelo humor afiado e por uma sensibilidade que transita
entre a ironia, a delicadeza e o afeto, poupando, porém, o espectador de
trechos mais tristes e “pesados” da obra autobiográfica.
Apesar de o solo girar em torno
de um período de uma guerra travada contra um inimigo terrível, que se saiu
vencedor, para a nossa tristeza, o espetáculo pode ser considerado uma “celebração”,
marcado pela irreverência, tudo envolvo em muita sensibilidade e bom gosto. Chega
a última cena e tudo acaba “para cima”
Depois de já ter assistido, por
três vezes, ao espetáculo de Mel Lisboa, que, no palco, parece incorporar
Rita, como se uma entidade fosse, custou-me um pouco conseguir
enxergar LILIA CABRAL vivendo a mesma personagem, tão logo vim a saber sobre o
projeto desta montagem. E fiquei muito curioso para conferir tal desafio,
pensando na diferença do biotipo entre a cantora e compositora e a atriz
convidada para interpretar a personagem. Mas nada que um “tantão”
de talento e um bom visagismo não resolvam. Não é, em absoluto,
minha intenção comparar as duas atuações; nada o justificaria. Mas ocorre
que, enquanto Mel interpreta Rita em várias etapas
de sua vida pessoal e artística, cabe a LILIA “ser”
a Rita apenas na sua fase mais madura, por dois únicos anos, da
data de seu fatídico diagnóstico, em 2021, até sua morte, em 08
de maio de 2023. E como LILIA CABRAL se dedicou à personagem!
Com que entrega e verdade ela nos permite “ver” e sentir a Rita
naquele palco!
“Sempre fui
fã da Rita, que, para mim, é uma referência em tudo. Quando recebi esse
convite, cheguei a perder um pouco o rumo — nunca havia pensado nessa
possibilidade. Curiosamente, quando comentei com algumas pessoas, elas se
surpreendiam e diziam que era uma junção de mundos maravilhosa.”, conta
LILIA. E não é que é mesmo?!
A competente direção,
de BEATRIZ BARROS, apostou, e acertou em cheio, na simplicidade
e na excelência; jogou todas as suas fichas na qualidade de um texto,
no talento e competência de LILIA CABRAL e na simplicidade de um cenário
(PEDRO LEVORIN) e de um elegante e sóbrio figurino (WALÉRIO
ARAÚJO), muito apropriado a uma Rita “senhora”, longe da
exuberância e desafio de seus trajes provocantes, quando pisava os palcos como
cantora. Esses detalhes são valorizados por uma belíssima iluminação,
criação de ANA LUZIA MOLINARI DE SIMONI. LEOPOLDO PACHECO e EMI SATO assinam o importante trabalho
de visagismo, para aproximar ao máximo, externamente, Rita
de LILIA. O resto, que não é pouco, fica por conta da formidável “performance”
de uma brilhante atriz, ocupando e preenchendo um espaço cênico e colhendo
muitos aplausos de uma atenta plateia, inclusive, algumas vezes, em cena aberta.
FICHA TÉCNICA:
Idealização:
Guilherme Samora
Texto:
Guilherme Samora
Direção Geral e Adaptação Dramatúrgica: Beatriz Barros
Assistência de
Direção: Sol Menezzes
Direção
Musical: Dani Nega
Assistência de Direção Musical: Rafaela Penteado
Elenco: Lilia
Cabral
Cenografia:
Pedro Levorin
Figurino: Walério Araújo
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
Direção de Movimento
e Preparação Corporal: Sol Menezzes
Visagismo: Leopoldo Pacheco
Peruca: Emi Sato
“Design” e “Social Media”: Malu Francini
Diretor de Palco: Dani Benevides
Técnico de Som: Thiago Silva
Técnico de Iluminação: Rodrigo Palmieri
Camareira: Jacque Vilar
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Fotos: Cauê
Moreno
Produção Executiva: Marta Tramonti
Direção de Produção: Edinho Rodrigues e Vanessa Campanari
Realização: Brancalyone Produções e Pipoca Comunicação
SERVIÇO:
Apresentações:
04 e 05 de agosto de 2026.
Local:
Teatro Riachuelo RJ.
Endereço:
Rua do Passeio, nº 38/40 – Centro – Rio de Janeiro.
Horário: 20h.
Valor
dos Ingressos: Plateia VIP - R$ 190 (inteira) e R$ 95 (meia-entrada; Plateia -
R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia-entrada); Balcão Nobre - R$ 130 (inteira) e R$ 65
(meia-entrada); e Balcão - R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada.
Vendas
dos Ingressos: https://www.ingresso.com/espetaculos/2-festival-de-teatro-do-rio-de-janeiro-rita-lee-a-balada-da-louca?utm_source=trr_site&utm_medium=organico&utm_campaign=trr_festival-rita-lee (com taxa de serviço) ou na bilheteria do Teatro (sem taxa de
serviço).
Horário
de funcionamento da bilheteria: De 3ª feira a sábado, das 12h às 20h; domingo e
feriado, das 12h às 19h.
Classificação
Etária: Livre.
Duração: 70 minutos.
Gênero: Monólogo.
Fiquem atentos, como eu também ficarei,
para a temporada carioca, já expressa no primeiro parágrafo destes escritos. RECOMENDO MUITO ESTE ESPETÁCULO!
FOTOS: CAUÊ MORENO
É preciso ir ao TEATRO,
ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a
arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais.
Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de
melhor no TEATRO.
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