sábado, 25 de julho de 2026

 

“O BEIJO NO ASFALTO”

ou

(QUEM NÃO GOSTA

DO BOM TEATRO

DE VERDADE?)




         Teatro superlotado; muitas cadeiras extras; lotação esgotada, em todas as sessões; abertura de sessões extras; funcionários do Teatro e da produção tentando acomodar, da melhor forma possível, a multidão que deseja assistir a uma peça... Tudo isso acontecendo no Teatro Glaucio Gill, na noite de anteontem (23/07/2026), onde está sendo encenado, em curtíssima temporada, infelizmente, um dos mais emblemáticos textos de NELSON RODRIGUES: “O BEIJO NO ASFALTO”, 65 anos depois de sua estreia, no Rio de Janeiro, e de tantas encenações Brasil afora, agora numa moderna releitura, do diretor MARCO ANDRÉ NUNES, idealização de RAFAEL RAPOSO, trazendo, num elenco estelar, nomes de peso do TEATRO brasileiro. E que alegria isso me dá!!! E como é bom, extremamente gratificante, assistir a uma verdadeira montagem de um bom TEATRO, em meio a tantos equívocos nos palcos cariocas!!!

 



 

SINOPSE: 

Praça da Bandeira, Rio de Janeiro, uma tarde no início da década de 60

Um homem, na calçada, perde o equilíbrio e cai na frente de um lotação, veículo coletivo da época, que o atira longe.

A primeira pessoa a socorrê-lo é Arandir (EDUARDO STERBLICHT)

Ao se debruçar sobre o moribundo, este lhe pede um último desejo: um beijo. 

Arandir o beija; na boca.

E, logo depois, o rapaz morre. 

O gesto, essencialmente humano, é imediatamente distorcido por um repórter sensacionalista e por interesses da polícia, desencadeando uma sucessão de mentiras, suspeitas e julgamentos públicos, que destroem sua reputação.

O episódio é presenciado por Aprígio (EDSON CELULARI), sogro de Arandir e pelo jornalista Amado Ribeiro (ANDRÉ MATTOS), o referido jornalista. 

    O astuto repórter policial, do jornal Última Hora, vislumbra, no acontecimento, a possibilidade de estampar, na primeira página, do dia seguinte, uma história de manchete bombástica: “O BEIJO NO ASFALTO”

Para isso, convence o delegado Cunha (ERNANI MORAES) a ajudá-lo na coação de testemunhas e na comprovação de “fatos”, que pouco terão a ver com a realidade.

O que importa é vender jornal. 

E, assim, os dias subsequentes se tornam um inferno na vida do pacato Arandir, um funcionário de escritório, recém-casado com a sonhadora Selminha (LUÍSA ARRAES)

Namorados, desde a infância, os dois moram ainda com a irmã mais nova de Selminha, Dália (NINA TOMSIC), e recebem sempre a visita do pai das meninas, Aprígio

Levam uma vida morna e feliz de uma família de subúrbio carioca, mas, a partir da bombástica reportagem de capa, publicada no jornal Última Hora, a masculinidade de Arandir é posta à prova, publicamente. 

Os fatos se confundem com uma ficção rocambolesca e Arandir passa a sofrer com a maledicência moral, que vem de todos os lados: da imprensa, da polícia, da vizinhança, dos colegas de trabalho...

Até chegar ao ponto de a própria família passar a acreditar mais no jornal do que nele. 

O desfecho é bastante trágico e revela um segredo que abala o público.

 

 




         Já assisti a algumas montagens do texto - profissionais, amadoras e acadêmicas -, a última das quais foi em 2015, quando Cláudio Lins teve a brilhantíssima ideia de transformar o icônico texto num dos melhores musicais a que assisti em toda a minha vida, o sucesso teatral daquele ano, no Rio de Janeiro; de público e de crítica. Confesso que fui ao Teatro Glaucio Gill já na certeza de que iria encontrar uma impecável encenação, mas deixei o Teatro realizado, depois de ter assistido a um espetáculo que conseguiu superar as minhas, já imensas, expectativas.



Correndo um grande risco de ser “cancelado” – Respeitem a minha opinião, por favor!!! -, nunca escondi de ninguém que não vejo, no dramaturgo NELSON RODRIGUES, o gênio que quase todo mundo considera, embora seja um dos meus cronistas preferidos. Não mudei de opinião, entretanto, “O BEIJO NO ASFALTO”, das 17 peças que escreveu, é uma das 5 dele que mexem com o meu emocional. Incensado (não por mim), com o epíteto de “maior dramaturgo brasileiro”NELSON RODRIGUES é, também, considerado um dos pais do TEATRO moderno, o homem que elevou a arte teatral a uma categoria superior e que revolucionou essa arte, quando seu “Vestido de Noiva” chegou aos palcos. Considerado como dono de um olhar profundo sobre a fragilidade da natureza humana, com o que concordo, plenamente, NELSON legou à posteridade uma série de clássicos do TEATRO brasileiro, dos quais “O BEIJO NO ASFALTO” é, sem dúvida, um dos maiores destaques.




Há textos que atravessam o tempo. Não porque envelhecem bem, mas porque a realidade insiste em alcançá-los. Escrito há 65 anos, “O BEIJO NO ASFALTO” reafirma a impressionante atualidade de uma obra que antecipa discussões sobre manipulação da informação, linchamento moral, espetacularização da notícia e o poder devastador das narrativas, tão atuais nos dias de hoje. Escrita em 1960, num tempo recorde de apenas 21 dias, a peça foi encomendada por Fernanda Montenegro, para o histórico “Teatro dos Sete”, e estreou no ano seguinte, tornando-se uma das obras fundamentais da dramaturgia brasileira. Ao transformar um gesto de solidariedade em tragédia pública, NELSON RODRIGUES construiu um retrato contundente de uma sociedade movida pelo preconceito, pelo voyeurismo e pela necessidade de condenar, antes mesmo de conhecer os fatos.




Desde então, a peça teve inúmeras montagens e duas adaptações para o cinema. A primeira, em 1963, com direção de Flávio Tambellini, tinha Reginaldo FariasNorma BlumXandó Batista e Jorge Dória nos papéis principais. A segunda, em 1981, com direção de Bruno Barreto, era estrelada por Ney LatorracaChristiane TorloniTarcísio MeiraDaniel Filho e Lídia Brondi.



Apesar dos percalços e de muita polêmica, a primeira montagem de “O BEIJO NO ASFALTO” acabou se tornando o maior sucesso de NELSON RODRIGUES, até então. O sucesso só não foi maior, devido à renúncia de Jânio Quadros, quando a peça completava cerca de um mês e meio de temporada. Obviamente, o fato fez o Brasil parar por quase 10 dias, ficando à beira de uma guerra civil. E não foi um sucesso tranquilo. Muitos espectadores se sentiram ultrajados com a montagem, o que fez com que o próprio autor fosse para o saguão do Teatro, para interpelar os espectadores que saíam no meio do espetáculo, quase sempre, convencendo-os a voltar.



A história de “O BEIJO NO ASFALTO” é baseada em fatos reais, ocorridos na época. O repórter Pereira Rego, do jornal “O Globo”, foi atropelado por um “arrasta-sandália” (espécie de ônibus antigo) e, antes de morrer, pediu um beijo para uma jovem que tentava socorrê-lo. A personagem do repórter policial Amado Ribeiro também existiu e era colega de NELSON, na redação do jornal Última Hora”. Aliás, NELSON gostava de colocar seus colegas como personagens de suas obras.



Peçam-me alguns motivos para sair de casa e assistir a “O BEIJO NO ASFALTO” e eu os darei – nem darei todos -, sem precisar pestanejar, começando pelo texto, um dos melhores de NELSON RODRIGUES. Pode ser classificado como uma tragédia contemporânea, que apresenta um enredo nem um pouco simples, motivado por um fato surpreendente e nada convencional, gerador de toda uma trama, que só faz ir crescendo e complicando, cada vez mais, a urdidura. É tudo muito bem encaixado, minuciosamente pensado. Nele, fica patente a força da imprensa, a manipulação, o poder que ela exerce sobre tudo e sobre todos, chegando a desmoralizar pessoas e instituições, como a Polícia, principalmente a chamada “imprensa marrom”, aquela do jornal que, “se espremer, escorre sangue”, a que planta fatos, cria situações, forja flagrantes, coage, corrompe, usa e abusa das, hoje, chamadas “fake news”, em nome de um bom faturamento.




Quanto à linguagem empregada por NELSON, esse detalhe sempre foi um dos fortes na sua dramaturgia; na sua obra, em geral. Ele sabe colocar a palavra certa na boca de cada personagem, no momento exato. Além disso, trata-se de uma linguagem que apresenta termos pitorescos, que marcaram uma época e nos oferecem farto material para uma pesquisa sociolinguística, que eu fiz, como “É batata!” (não falhar, não deixar de ocorrer)“espírito de porco” (pessoa cruel, ranzinza, que se especializa em complicar situações ou em causar constrangimentos)“fazer uma boquinha” (comer alguma coisa)“É uma ova!” (De jeito nenhum!)“Meus para-choques!” (Meus parabéns!)“Não tenho nada a ver com o peixe!” (Não tenho nada a ver com isso!)“Nossa Amizade!” (tratamento dispensado a pessoa íntima ou a desconhecido, por simpatia, e que corresponde a “amigo”)“distrito” (delegacia)“lotação” (tipo de coletivo)“Amigo da Onça” (indivíduo que se mostra amigo e, ao mesmo tempo, é alguém em quem não se pode confiar, pois é uma pessoa falsa, que trai as amizades; hipócrita e infiel)“pra chuchu”“pra burro” (equivalem a uma locução adverbial, demonstrando intensidade)“Seu vigarista!” (xingamento, equivalente a “Safado!”, “Trapaceiro!”, “Desonesto!” ou algo semelhante)“Chispa!” (“Cai fora!”, “Vai embora!”), “Sai daqui imediatamente!”)“É o escularinho!” (com diversas equivalências atuais impublicáveis, mas que podem, facilmente, ser entendidas)... Nem todas estão presentes na obra aqui analisada, mas povoam as páginas de NELSON. No que se refere aos diálogos, são ágeis e cheios de interrupções, o que concede, ao espetáculo, um ritmo bastante acelerado, dinâmico, frenético, em alguns momentos.




         Para falar sobre a direção, preciso dizer que considero MARCO ANDRÉ NUNES um dos melhores diretores de sua geração, premiado e com uma enorme bagagem de sucesso em seu currículo. O que ele fez nesta montagem pode ser considerado como um trabalho refinado e desprovido de qualquer defeito. Primeiro, por ter conseguido manter toda a carga emotiva que o texto impõe, mantendo-se fiel ao universo rodriguiano; segundo, por saber definir atores e personagens (Isso é fundamental.); em terceiro lugar, por criar situações e encontrar soluções, para as cenas, totalmente criativas, de excelente bom gosto e expressiva criatividade. As mudanças de cenas são muito rápidas, e ótimas, criando um dinamismo que impossibilita uma piscada. “Sem buscar atualizar o texto artificialmente, MARCO ANDRÉ NUNES faz justamente o contrário: deixa que a própria obra revele sua contemporaneidade. Em tempos de redes sociais, ‘fake news’, cultura do cancelamento e julgamentos instantâneos, ‘O BEIJO NO ASFALTO’ parece ter sido escrito para o presente. A encenação aposta na força do elenco e na precisão dramatúrgica de Nelson Rodrigues, para colocar o espectador diante de uma pergunta que permanece urgente: até que ponto uma mentira repetida pode destruir uma vida?”




E o que falar do elenco? O sucesso do trabalho de um bom diretor começa pela escolha de um ótimo texto, continua na definição da proposta de como contar aquela boa história e, logo em seguida, vem, como já disse anteriormente, a parte crucial de sua tarefa: a escalação do elenco, que tem de ser muito bem feita e não pode obedecer a nenhum outro critério, a não ser o de competência e qualidade, de acordo com o seu “feeling”. Nada pior do que figuras decorativas em cena. Nem sempre o diretor acerta. Aqui, porém, ninguém poderia estar melhor no lugar de cada profissional convidado, ou testado, por ele. É um elenco harmonioso; é “o elenco”; competente ao extremo. Comentários especiais sobre os atores que representam os principais personagens a seguir.



EDUARDO STERBLICHT (Arandir), uma agradabilíssima surpresa, para mim, executa um trabalho merecedor de premiações. Acostumado a vê-lo em destaque na COMÉDIA, é muito gratificante aplaudi-lo num papel extremamente dramático. A paixão como ele se entrega ao personagem é comovente e facilmente percebida, mesmo por quem não é “habitué” de TEATRO. O seu Arandir é lindo, convincente, comovente, da primeira à última cena. Com a maior facilidade, toca o coração de cada espectador e conta com a piedade de todos, além de uma torcida, para que consiga provar que não é o monstro que fizeram dele. Seu personagem passa por uma metamorfose, ao longo da peça, que o vai aniquilando, transformando-o num trapo humano, vítima de preconceitos, intolerâncias e, acima de tudo, maledicências gratuitas. E o ator vai performando essa transformação com muita habilidade. Foi tomado como “o pato”, para as escusas intenções de um repórter canalha, que conta com a cumplicidade de policiais corruptos, com o firme, e único, propósito de lucrar, com a venda de um “pasquim”. De um homem honesto, trabalhador, bom marido, um perfeito cidadão, é alçado à figura de um pervertido, um homossexual, numa época em que a homofobia ainda era muito pior do que se verifica hoje, e, ainda por cima, assassino, visto que não bastava manchar a sua reputação de homem; ainda lhe imputaram um crime que ele jamais cometeu nem teria coragem de cometer; menos, ainda, motivos para tal. No fim, acaba sendo erradamente julgado por uma sociedade hipócrita.





LUÍSA ARRAES (Selminha) abraça a jovem esposa de Arandir com muita verdade, uma constante nas suas construções de personagens. Por vezes, temos a impressão de que o papel foi escrito para ela, tão convincente é o seu desempenho. Selminha, certamente, é uma personagem muito boa, desejada por qualquer atriz, um sonho de consumo, mas, ao mesmo tempo, é bastante “traiçoeira”, no sentido de que exige uma interpretação muito comedida, para não se tornar caricata. Em outras palavras, tem de ser interpretada por uma grande atriz, que consiga passar uma ingenuidade, de uma dona de casa, uma esposa dedicada, nascida para o casamento, fiel e apaixonadíssima pelo marido, e, ao mesmo tempo, uma certa insegurança, uma incredulidade muito bem dosada, quanto à atitude de Arandir e suas consequências. Tudo isso LUÍSA ARRAES faz. Sofre uma transformação, chegando ao ponto de se recusar a encontrar o marido, no hotel vagabundo em que ele se hospedara, para fugir ao assédio da imprensa e à prisão, e nega-se a beijá-lo na boca, por nojo. Ela é um ser frágil, mas tem de ser forte, para suportar a pressão que pesa sobre seus ombros. Embora não fique bem claro, fica uma sugestão de que tenha sido estuprada pelo inescrupuloso jornalista e pelo irresponsável delegado, como castigo, por não ter revelado o paradeiro do marido. Será que a dupla chegou a tal baixeza?




           EDSON CELULARI, que andava um pouco distante das tábuas, vive o atormentado Aprígio, que esconde muito bem um grande segredo, revelado na última cena da peça. Que prazer enorme, que imenso privilégio é ver CELULARI em cena, representando, com tanto vigor e paixão, um personagem riquíssimo, para qualquer ator, mas que também depende muito de quem o represente, para ganhar, na peça, a dimensão que o autor lhe concedeu. O personagem nunca chamara Arandir pelo nome, uma jura que fizera, a não ser depois de este morto. Ao personagem, é reservada a grande revelação da peça, valorizada pela belíssima interpretação do ator. Aprígio carrega ressentimentos, silêncios e desejos reprimidos, que tornam ainda mais complexa a tragédia vivida pela família, conduzindo a história a um dos desfechos mais contundentes do TEATRO brasileiro.




NINA TOMSIC é Dália, um dos exemplos de uma boa escalação de elenco. Como a atriz valoriza a personagem! Ela consegue captar todas as características da personagem, das mais explícitas e evidentes às que demandam bastante acuidade por parte do espectador. A convivência com o casal Selminha e Arandir, embora não seja explicada no texto, sugere o desejo da jovem de querer estar junto ao cunhado, por quem nutre uma paixão arrebatadora, que não consegue ocultar totalmente. Na flor da sua juventude, é insinuante, sensual, tem os hormônios do sexo à flor da pele, porém sem ser vulgar, promíscua. Seu amor por Arandir parece bastante ingênuo, de mocinha leitora de fotonovela pelos galãs das histórias em quadrinho. É a única que acredita, piamente, na inocência do cunhado, talvez pela cegueira que a paixão causa aos olhos. Demonstra uma certa perspicácia ou, até mesmo, uma fraqueza de caráter, ao sonegar à irmã o endereço certo do hotel em que o cunhado se hospedara, indo, ela mesma, em seu lugar, justificando-se, ao dizer que, como a irmã se recusara a ir, ela a “substituiria”, assumiria o papel de esposa e companheira. E se declara; e se oferece ao cunhado.




A ANDRÉ MATTOS, coube interpretar Amado Ribeiro, o jornalista sem-caráter, o grande estopim para a trama acontecer, o grande articulador de tudo. ANDRÉ é um grande ator não tenho como poupar elogios ao seu magnífico trabalho como o cafajeste Amado, que, de “amado” não tem nada. Sem o seu “mau-caratismo”, não haveria peça. Sem a atuação do titular do papel, a peça perderia muito. Além de todo o mal que causa ao protagonista e aos que o cercam, ainda chega ao cúmulo de sugerir ao sogro que mate o genro, como forma de “salvar a honra da família”. Suas intenções, porém, eram outras. Nos seus olhos, apenas cifrões.



ERNANI MORAES interpreta, de forma irretocável, o delegado Cunha. Tudo o que foi dito sobre a atuação de ANDRÉ MATTOS também se aplica ao veterano ERNANI, na pele de Cunha, o delegado corrupto, que, da forma mais errada possível, “investiga” um simples fato e, exercendo o abuso do poder, vai aos limites da corrupção e do mau exercício de sua função, que seria a de proteger o cidadão e fazer justiça, infernizando a vida de um homem e sua pacata família. O personagem ganha bastante relevo por conta do trabalho do ator.



Em papéis secundários, porém todos, sem exceção, muito bem em cena, o elenco, de primeira, ainda conta com VINÍCIUS TEIXEIRA (Werneck), PEDRO FRANÇA (Aruba), LAURA DE CASTRO (Viúva), FERNANDA DIAS (Matilde), ALCIDES PEIXE (Comissário Barros / Vizinho), DANILO CANINDÉ (Pimentel) e QUIGA CAMARATE (D. Judith).



A cenografia, não muito exuberante, mas bastante criativa e totalmente a serviço da montagem, foi criada por AURORA DOS CAMPOS, uma excelente profissional, de volta ao Brasil, depois de uma longa temporada morando fora do país. O cenário associa a necessidade de criar o ambiente correto para que as cenas aconteçam com o não esquecimento de proporcionar conforto aos atores, para uma boa mobilização no palco. Ocupando um palco quase nu, com alguns móveis ao fundo, deslizam pequenos praticáveis, com grandes painéis acoplados, nos quais são projetadas imagens, formando os diversos espaços cênicos exigidos pelo texto. Tudo muito harmonioso.



  São muito acertados e de bom gosto, nada muito complicado, os figurinos de RONALD TEIXEIRA. O figurinista veste os personagens obedecendo aos padrões da época, com bastante sobriedade, sem, contudo, deixar de dar, a cada modelo, um leve toque de contemporaneidade. O resultado disso é um grande acerto.



  RENATO MACHADO concebeu uma iluminação que valoriza as cenas, dialoga com elas, separa-as, quando há mais de uma, simultaneamente, no palco, utilizando poucas cores, marcantes para cada situação; enfim, concede à montagem uma beleza plástica e, ao mesmo tempo, expressiva e sóbria.



         Um belo trunfo para o espetáculo é a trilha sonora, a cargo de FELIPE STORINO. Além de algumas canções já conhecidas do público, com destaque para “De Frente Pro Crime”, de João Bosco e Aldir Blanc, todas as músicas com letras ligadas à trama, o espetáculo agrega à montagem, como uma forma de sublinhas as cenas, uma excelente sonoplastia, executada por dois musicistas, que utilizam um contrabaixo acústico e objetos e instrumentos de percussão.



        Não poderia deixar de reservar um espaço para elogiar o trabalho de direção de movimento, categoria bem importante numa produção teatral, executado por DANI CAVANELLAS. Todo o trabalho de corpo dos atores e seus deslocamentos em cena são muito bem ajustados.



“Idealizador do projeto, RAFAEL RAPOSO reúne uma equipe artística de excelência, para revisitar um dos maiores clássicos do TEATRO nacional. A montagem aposta na potência da palavra, na densidade das relações humanas e na atualidade da obra, para apresentar uma leitura que dialoga tanto com o legado de Nelson Rodrigues quanto com os dilemas do Brasil contemporâneo.”

 



 

FICHA TÉCNICA:

Idealização: Rafael Raposo

Texto: Nelson Rodrigues

Direção: Marco André Nunes

Assistência de Direção: Gabriel Flores e Gabriela Ruppert

Elenco: Eduardo Sterblitch (Arandir), Luísa Arraes (Selminha), Nina Tomsic (Dália), Edson Celulari (Aprígio), André Mattos (Amado Ribeiro), Ernani Moraes (Cunha), Vinícius Teixeira (Werneck), Pedro França (Aruba), Laura de Castro (Viúva), Fernanda Dias (Matilde), Alcides Peixe (Comissário Barros / Vizinho), Danilo Canindé (Pimentel) e Quiga Camarate (D. Judith)

 

Cenografia: Aurora dos Campos

Assistência de Cenografia: Rachel Merlino

Figurino: Ronald Teixeira

Assistência de Figurino: Pedro Stamford

Desenho de Luz: Renato Machado]

Iluminador Assistente: Paulo Denizot

Trilha Sonora: Felipe Storino

Direção de Movimento - Dani Cavanellas

Direção de Produção: Beta Leporage

Produção Executiva: Renato Bavier

Assistência de Produção: Thiago Menezes

Fotos: Lucio Luna

Projeções: Júio Parente

Assessoria de Comunicação - Dobbs Scarpa

Realização TGG


 

 


 

 

SERVIÇO:

Temporada: De 16 de julho a 03 de agosto de 2026.

Local: Teatro Glaucio Gill.

Endereço: Praça Cardeal Arcoverde, s/nº - Copacabana – Rio de Janeiro.

Dias e Horários: De 5ª feira a 2ª feira, às 20h.

Valor dos Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).

Venda de Ingressos: Na bilheteria física do Teatro ou pelo “site” de vendas da FUNARJ.

Horário de funcionamento da Bilheteria: Diariamente, das 16h às 21h.

Duração: 80 minutos.

Indicação Etária: 14 anos.

Gênero: Tragédia Moderna / Drama Psicológico e Social.


 


 

FICHA TÉCNICA desta obra teatral é uma das melhores que já vi e explica o porquê de nada falhar em cena, justifica o profissionalismo que há nesta montagem e comprova o quanto de amor, dedicação e energia foi depositado neste trabalho, que reputo como algo que vai marcar o panorama do TEATRO brasileiro, motivo que me leva a RECOMENDAR ESTE ESPETÁCULO, que merecia uma longa temporada. “O BEIJO NO ASFALTO” é daqueles espetáculos que não precisam de um tempo para aquecimento. Ele já começa no alto, superaquecido, e se mantém assim durante todo o tempo, até a derradeira cena.

  


 

 

 

FOTOS: LUCIO LUNA

 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 













 

 

 



 

 

 



 
















































































































































































Um comentário:

  1. Montagem perfeita 🤩
    Elenco fantástico !
    Amei Laura de Castro na percursão em cena! É a cereja do bolo 🍒

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