domingo, 26 de julho de 2026

 

“EU MATEI SHERAZADE,

CONFISSÕES DE UMA

ÁRABE EM FÚRIA”

ou

(UM GRITO CONTRA

A HIPOCRISIA PATRIARCAL

E A DISCRIMINAÇÃO

CONTRA A MULHER.)

 

 



         Fico bastante aborrecido e decepcionado, quando, por qualquer motivo, deixo de assistir a algum espetáculo pelo qual tinha interesse, mas, vez por outra, consigo o que desejava, quando, em outra temporada ou em apresentações avulsas, a peça volta a ser apresentada, como é o caso de “EU MATEI SHERAZADE, CONFISSÕES DE UMA ÁRABE EM FÚRIA”, com apenas três apresentações, nos dias 24, 25 e 26 do mês em curso (julho / 2026), no Teatro TotalEnergies (VER SERVIÇO.).

 


 

SINOPSE:

O espetáculo narra as confissões de uma árabe enfurecida pela maneira como a mulher é vista por seu próprio povo e pelo olhar preconceituoso do Ocidente.

Ela descobre, através da literatura, o caminho para se libertar da hipocrisia patriarcal e, assim, escolher o que, realmente, deseja ser e criticar a forma como a personagem Sherazade, do livro “As Mil E Uma Noites”, é exaltada, em todo o mundo, por ser uma referência de “insubmissão feminina”.

Segundo JOUMANA HADDAD, autora do livro homônimo que deu origem à peça, Sherazade não rompe com o sexismo.

Pelo contrário, perpetua-o, por trás de uma transformação maquiada.

A autora enaltece a importância de as mulheres conquistarem o protagonismo sobre suas vidas, para a construção de uma nova consciência do feminino.


 

 


Antes de, propriamente, dar início aos meus modestos comentários analíticos sobre a peça, considero muito pertinente que se diga alguma coisa sobre uma mulher corajosa e destemida, chamada JOUMANA HADDAD, autora do livro quer deu origem a este espetáculo. Ela é poeta, jornalista e ativista de direitos humanos. Foi selecionada como uma das 100 mulheres mais poderosas do mundo, pela Arabian Business Magazine, por conta de seu ativismo cultural e social. Em 2021, estava na lista da ONG inglesa “Apolitical”, como uma das 100 pessoas mais influentes na política de gêneroJOUMANA é fundadora da “Jasad”, uma revista erótica trimestral, em língua árabe, especializada em artes e literaturas do corpo. A escritora lançou um novo programa de TV, em novembro de 2018, na estação de televisão libanesa Alhurra, destacando os temas da liberdade de expressão e do pensamento crítico. Em setembro de 2019, fundou uma ONG centrada na juventude, em Beirute, no Líbano, chamada “Joumana Haddad Freedoms Center”. Em fevereiro de 2020, em parceria com o “Institut Français”, do Líbano, lançou o primeiro “Festival Internacional de Feminismos no Oriente Médio”, junto a um grupo de coorganizadores locais e internacionais.




         Todos sabemos, em termos culturais, quão distantes estão as mulheres árabes das brasileiras, principalmente em termos de liberdade. Da mesma forma, tenho certeza de que este espetáculo se comunica diretamente com as nossas mulheres, muito embora estas não conheçam os horrores por que passam aquelas. Penso que os homens também conseguem ser bastante atingidos pelos relatos da personagem. Eu, pelo menos, fiquei muito tocado pelo ótimo texto, um livro homônimo “best-seller”, adaptado por CAROL CHALITA e MIWA YANAGIZAWA. O questionamento dessa distância é o ponto de partida para esta delicada e contundente encenação, que estreou, no Rio de Janeiro – estreia nacional – em novembro de 2024, no Teatro Ziembinski, e que rendeu a CAROLINA CHALITA indicações a prêmios.




      Pode-se dizer que a montagem reúne simplicidade, beleza, poesia e, paradoxalmente, muito vigor, por conta do trabalho de CHALITA, de ascendência libanesa, a qual, no palco quase nu, pode-se dizer, narra, com muita propriedade e garra, as confissões de uma árabe, enfurecida pela maneira como a mulher é vista por seu próprio povo e pelo olhar preconceituoso do Ocidente. A atriz reproduz, com muita verdade, tudo o que vai na alma de JOUMANA HADDAD, talvez a melhor porta-voz não só das mulheres libanesas, mas, sim, de todas as que são oprimidas, em sua liberdade de existir como seres humanos, pelo patriarcado.



      Segundo CAROLINA CHALITA, acerca da adaptação da obra de JOUMANA HADDAD, feita, a quatro mãos, com MIWA YANAGIZAWA, que também responde pela delicada direção do espetáculo, “Desenvolvemos uma dramaturgia que oferece a possibilidade de investigar as fronteiras entre os olhares árabe e ocidental sobre as mulheres. JOUMANA HADDAD nos apresenta um caminho para a libertação da hipocrisia da cultura patriarcal”. E eu acrescento: É só seguir a trilha e o exemplo de JOUMANA, que se apropria do direito de fazer uma curiosa crítica à forma como é apresentada a personagem Sherazade, no livro “As Mil E Uma Noites”, obra que compilou histórias populares originárias do Oriente Médio e do sul da Ásia, em língua árabe, a partir do século IX.




         Extraído do “release” a mim enviado por CARLOS PINHO (assessoria de imprensa): “Sherazade sempre foi exaltada, especialmente sob o olhar ocidental, como uma referência de ‘insubmissão feminina’, ao utilizar sua imaginação, para sobreviver aos abusos de um sultão. Segundo JOUMANA HADDAD, no entanto, ela não rompe com o sexismo. Pelo contrário, perpetua-o por trás de histórias que ludibriam e que maquiam uma transformação do sultão, um assassino de mulheres.”. “O sultão, que, a cada noite, matava uma virgem de seu reino, como vingança, por ter sido traído por sua primeira esposa, fica curioso com as fábulas de Sherazade, o que, para o mundo ocidental e para os próprios árabes, significa que a personagem não é submissa. É exatamente isso que JOUMANA questiona”, nas palavras de CAROLINA CHALITA.




     Quem, motivado(a) pelos meus escritos, se propuser a assistir ao espetáculo, vá na certeza de encontrar um bom TEATRO, feito por pessoas – “cada um no seu quadrado” – que deram o seu melhor, para a construção de uma montagem que merece ser recomendada. Na relação dos que se destacam, na FICHA TÉCNICA, além, obviamente de CAROLINA CHALITA, na comovente e convincente interpretação, e de MIWA YANAGIZAWA, na direção, reúno MARIA CLARA VALLE, uma brilhante musicista, que sublinha as cenas, com seu contrabaixo (Ou seria um cello? Não tenho bem certeza.), executando a trilha sonora original, composta por BETO LEMOS, que também assina a direção musical da peça; CONSTANZA DE CÓRDOVA, pela simples e delicada cenografia; TEREZA FOURNIER, pelo elegante figurino; e NINA BALBI e PEDRO CARNEIRON, responsáveis por uma onírica iluminação.

 





 

FICHA TÉCNICA:

Idealização: Carolina Chalita

Livre adaptação do livro homônimo, de Joumana Haddad 

Dramaturgia: Carolina Chalita e Miwa Yanagizawa 
Direção: Miwa Yanagizawa 

Atuação: Carolina Chalita 

Musicista: Maria Clara Valle


Direção Musical e Trilha Sonora Original: Beto Lemos 

Cenografia: Constanza de Córdova 

Figurino: Tereza Fournier 

Costureira: Georgina Moallak Loureiro 

Iluminação: Nina Balbi e Pedro Carneiro 

Operador de Luz: João Gaspary  

Interlocução de Movimento: Laura Samy 

Preparação Vocal: Sonia Dummont 

Fotos: Juliana Chalita

Assessoria de Imprensa: Carlos Pinho

Produção Executiva: João Eizô Yanagizawa Saboya 

Direção de Produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela 

Realização: M S Documenta Produções Artísticas e Jornalísticas

  

 

 



 

SERVIÇO:

Temporada: De 24 a 26 de julho de 2026.

Local: Teatro TotalEnergies (Sala Adolpho Bloch) (antigo Teatro Manchete).

Endereço: Rua do Russel, nº 804 – Glória – Rio de Janeiro.

Telefone: (21) 3553-3557.

Acessibilidade: Sim.

Lotação: 359 lugares.

Valor dos Ingressos: Plateia A: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia-entrada); Plateia B: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).

Vendas e mais informações pelo site https://www.ingresso.com/espetaculos/eu-matei-sherazade-confissoes-de-uma-arabe-em-furia.

Horário de funcionamento da bilheteria do Teatro: De 2ª feira a sábado, das 12h às 20h; domingo, das 12h às 19h.

Duração: 60 minutos.

Classificação Etária: 14 anos.

Gênero: Monólogo.


 

 




        

ALÉM DAS APRESENTAÇÕES NO TEATRO TOTALENERGIES, ESTÃO PREVISTAS OUTRAS, A SABER:

PROGRAMAÇÃO - SESC RJ:

SESC TERESÓPOLIS – 08/08, sábado, horário em breve.

Endereço: Av. Delfim Moreira, nº 749 - Várzea, Teresópolis - RJ.

Ingressos: informações em breve.

SESC QUITANDINHA – 28/08, sexta-feira, horário em breve.

Endereço: Av. Joaquim Rolla, nº 02, Quitandinha, Petrópolis - RJ.

Ingressos: informações em breve.

SESC SÃO JOÃO DE MERITI – 12/09, sábado, horário em breve.

Endereço: Av. Automóvel Clube, nº 66 - Centro, São João de Meriti – RJ.

Ingressos: informações em breve.

SESC NOVA FRIBURGO – 26/09, sábado, horário em breve.   

Endereço: R. Cadete Xavier de Alencar, nº 01, Vila Nova, Nova Friburgo – RJ.

Ingressos: informações em breve.

SESC CAMPOS – 23/10, sexta-feira, horário em breve.

Endereço: Avenida Alberto Torres, 397 - Centro – Campos.

Ingressos: informações em breve.

 

APRESENTAÇÕES no CCPJ-RJ:

Endereço: Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) - Av. Erasmo Braga, nº 115 - Centro, Rio de Janeiro.

Sessões: dias 06, 07, 13 e 14 de outubro, terças e quartas-feiras, às 18h.

Ingressos: informações em breve.


 


 

         Só me resta, com muita alegria, RECOMENDAR ESTE ESPETÁCULO.

 

 

 

 

 

FOTOS: JULIANA CHALITA.

 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.























































































































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