“O TALENTOSO
RIPLEY”
ou
(UMA PROVA
CONTUNDENTE
DE QUE O BOM
TEATRO SALVA;
E SE SALVA.)
Já em final de sua segunda, e última,
temporada no Rio de Janeiro, está em cartaz, no Teatro
da Casa de Cultura Laura Alvim, até o dia 31 de maio (2026)
(VER SERVIÇO.), um instigante espetáculo. Trata-se de “O
TALENTOSO RIPLEY”, que traz, à frente de um afinado elenco, em notável
interpretação, HUGO BONÈMER, como o protagonista.
SINOPSE Nº 1:
Tom Ripley (HUGO BONÈMER) é um mestre da camuflagem social, um jovem
invisível em Nova York, que vê, na fortuna de uma família, a
chave para a vida que sempre cobiçou.
Ao se infiltrar no cotidiano luxuoso de Richard Greenleaf (FRANCISCO
PAZ), a admiração de Tom transmuta-se, rapidamente, em uma
obsessão paranoica e predatória.
Ripley é um sociopata que manobra sua entrada na vida exuberante de um jovem
herdeiro, de férias na Itália, neste aterrorizante suspense.
A
montagem foca na perspectiva psicológica do protagonista.
SINOPSE
Nº 2:
Tom Ripley (HUGO
BONÈMER) possui um dom incomum: é capaz de imitar, com perfeição, a
assinatura, a voz, o modo de se mexer, ou seja, tudo de cada pessoa.
Graças a um casaco emprestado,
conhece o empresário Herbert Greenleaf (CASSIO PANDOLFH),
que lhe oferece uma vultosa quantia para ir à Europa, a fim de trazer de
volta o seu filho, e herdeiro, Richard (FRANCISCO PAZ).
Ripley aceita a
oferta e termina por desfrutar da boa vida e da amizade de Richard
e de sua namorada Marge (GUILHERMINA LIBANIO), tornando-se
hóspede de ambos.
Desconfianças pairam, entretanto,
sobre o passado de Ripley, criando situações contrárias aos seus
interesses, o que o leva a matar Richard e assumir a sua
identidade.
Além de protagonizar a trama, HUGO
BONÈMER ainda assina a produção artística, a direção,
juntamente com KAMILLA RUFINO, e a cenografia da peça,
além de “jogar em outras posições”. Trata-se de uma nova e provocadora encenação, que merece muitos
aplausos e ser vista pelo maior número possível de espectadores.
Sobre seu personagem, BONÈMER
diz: “Trabalhar um personagem com a estrutura psicológica do Tom exige
que eu visite lugares que, em princípio, me causam bastante desconforto. O
texto da adaptação da PHYLLIS NAGY opta por uma abordagem que humaniza as
motivações dele, dando peso aos traumas e dores que o moldaram. Por isso, em
vez de interpretá-lo como um monstro unidimensional, estou investigando o que
levou Tom Ripley a esse ponto. É um exercício de empatia perigoso, porque, ao
entender as justificativas dele, o público se vê forçado a confrontar o fato de
que a distância entre o normal e o extremo é muito mais curta do que gostamos
de admitir”.
Creio que o ar sedutor de BONÈMER,
que ele leva para o palco, associado à sua imensa inteligência cênica, não
permitem que o público, de uma forma geral, odeie o personagem, como seria de
se esperar. Para mim, pelo menos, Tom Ripley funcionou como um
certo anti-herói, dos mais complexos da cultura contemporânea.
O personagem protagonista desperta uma dúvida: é “do mal”, conscientemente e por vontade própria, ou seria ele um ser doentio, refém de um passado que não vem à tona de forma total? O fato é que a plateia chega a se tornar “cúmplice” da lógica do protagonista. A narrativa se constrói a partir de um ponto de vista que busca convencer o espectador a validar as escolhas do personagem, por mais extremas que sejam, dentro do que se pode chamar de “normalidade”.
“O
espetáculo é uma narrativa em primeira pessoa; o tempo todo ele tenta convencer
o espectador a acreditar no seu ponto de vista, tentando validar cada escolha,
por mais terrível que seja. Acredito que o potencial mais assustador dessa
montagem seja o momento em que as pessoas perceberem que estão compreendendo ou
até defendendo a perspectiva dele. Acredito que essa proximidade se conecte com
as guerras atuais de narrativas”, complementa o intérprete de Tom Ripley. Eu não
tenho a menor dúvida de que assim é, de que assim transcorre a peça, até o
desenlace desafiador.
O
livro original foi escrito em 1955, já tendo sido
adaptado para o cinema, depois da transposição para as tábuas, com grande
sucesso, porém é a primeira vez que a obra, em seu formato para o palco, é
produzida no Brasil, e em língua portuguesa.
Ainda
que seja classificado, oficialmente, quanto ao gênero, como um “thriller
psicológico” ou uma “peça de terror”, não acredito que
seja essa a melhor apresentação da peça. Vejo-a como um forte “drama de
suspense”, que não chega a assustar tanto nem a provocar arrepios de
horror no público. Penso que o que a peça mais faz é provocar uma “reflexão
sobre desejo, inveja, mobilidade social e construção de imagem, temas
absolutamente contemporâneos”. Há, na peça, uma ideia de “mergulhar
nas zonas cinzentas da identidade: até onde alguém acha que pode ir para ser
amado, aceito ou reconhecido?”.
A
peça carrega em si tudo o que pode levar alguém, como eu, a recomendá-la: um texto denso, profundo e inteligente; uma direção
bastante enxuta e criativa demais, calcada na farsa, no naturalismo e no realismo fantástico; um elenco homogêneo e convincente,
com destaque para HUGO BONÈMER, que, salvo engano, não sai de
cena em momento algum; e um conjunto de criadores totalmente
necessários à encenação: cenografia (HUGO BONÈMER), figurinos
(SERGIO MEDINA e JOE NICOLAY), iluminação (RENATO
MACHADO) e direção musical e trilha sonora original
(TAUÃ DE LORENA e LAURA GABRIELA).
FICHA TÉCNICA:
Idealização: Francisco Paz (Unfinished Business)
Adaptação para Teatro: Phyllis Nagy (da obra de Patricia Highsmith)
Tradução: Hugo Bonèmer e Francisco Paz
Adaptação: Hugo Bonèmer
Direção: Hugo Bonèmer e Kamilla Rufino
Elenco (por ordem alfabética): Cassio Pandolfh (Herbert Greenleaf e
Tenente Roverini), Francisco Paz (Richard Greenleaf), Guilhermina Libanio
(Marge e Sophia), Hugo Bonèmer (Tom Tipley), João Fernandes (Marc e Freddie),
Laura Gabriela (Emily Greenleaf e Tia Dottie) e Tom Nader (Red, Fausto e
Silvio)
Cenografia e Adereços: Hugo Bonèmer
Figurino: Sergio Medina e Joe Nicolay
Assistência de Figurino: Rafaela Angelon
Iluminação: Renato Machado
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Tauã de Lorena e Laura Gabriela
Operação de Luz: Ingrid Lopasso
Operação se Som: Guilherme Rodrigues
Contrarregra e Camareiro: Leo Nunes
"Design": Guilherme Dias Goulart (Tribbo)
Fotos: Peter Wrede, Luan Rabelo, Roberto Filho e Roberto Carneiro
Tráfego Pago: Danilo Costa
Mídias Digitais: Hugo Bonèmer
Produção de Base: Linda Gomes
Direção de Produção: Hugo Bonèmer (Hmm-Hum Produção)
Assessoria de Imprensa: Grazy Pisacane (GPress)
SERVIÇO:
Temporada: De 03 a 31 de maio de 2026.
Local: Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim.
Endereço: Avenida Vieira Souto, nº 176 - Ipanema, Rio de Janeiro.
Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h.
Valor dos Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia-entrada).
Vendas: “Site" da Funarj e Bilheteria do Teatro.
Duração: 110 minutos (sem intervalo).
Classificação Etária: 18 anos.
Gênero: Drama (Suspense / Terror).
Diante de tudo já exposto, RATIFICO
A MINHA RECOMENDAÇÃO DA PEÇA.
FOTOS: PETER WREDE,
LUAN RABELO,
ROBERTO FILHO
E
ROBERTO CARNEIRO
É preciso ir ao TEATRO,
ocupar todas as salas de espetáculo, visto
que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre
mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que
há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!
Nenhum comentário:
Postar um comentário