segunda-feira, 25 de maio de 2026

 

“O TALENTOSO

RIPLEY”

ou

(UMA PROVA

CONTUNDENTE

DE QUE O BOM

TEATRO SALVA;

E SE SALVA.)

 

 


 

            Já em final de sua segunda, e última, temporada no Rio de Janeiro, está em cartaz, no Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim, até o dia 31 de maio (2026) (VER SERVIÇO.), um instigante espetáculo. Trata-se de “O TALENTOSO RIPLEY”, que traz, à frente de um afinado elenco, em notável interpretação, HUGO BONÈMER, como o protagonista.







 

SINOPSE Nº 1:

Tom Ripley (HUGO BONÈMER) é um mestre da camuflagem social, um jovem invisível em Nova York, que vê, na fortuna de uma família, a chave para a vida que sempre cobiçou.

Ao se infiltrar no cotidiano luxuoso de Richard Greenleaf (FRANCISCO PAZ), a admiração de Tom transmuta-se, rapidamente, em uma obsessão paranoica e predatória.

Ripley é um sociopata que manobra sua entrada na vida exuberante de um jovem herdeiro, de férias na Itália, neste aterrorizante suspense.

A montagem foca na perspectiva psicológica do protagonista.


 

 



 

SINOPSE Nº 2:

Tom Ripley (HUGO BONÈMER) possui um dom incomum: é capaz de imitar, com perfeição, a assinatura, a voz, o modo de se mexer, ou seja, tudo de cada pessoa.

Graças a um casaco emprestado, conhece o empresário Herbert Greenleaf (CASSIO PANDOLFH), que lhe oferece uma vultosa quantia para ir à Europa, a fim de trazer de volta o seu filho, e herdeiro, Richard (FRANCISCO PAZ).

Ripley aceita a oferta e termina por desfrutar da boa vida e da amizade de Richard e de sua namorada Marge (GUILHERMINA LIBANIO), tornando-se hóspede de ambos.

Desconfianças pairam, entretanto, sobre o passado de Ripley, criando situações contrárias aos seus interesses, o que o leva a matar Richard e assumir a sua identidade.


 

 


 

        Além de protagonizar a trama, HUGO BONÈMER ainda assina a produção artística, a direção, juntamente com KAMILLA RUFINO, e a cenografia da peça, além de “jogar em outras posições”. Trata-se de uma nova e provocadora encenação, que merece muitos aplausos e ser vista pelo maior número possível de espectadores.




    Sobre seu personagem, BONÈMER diz: “Trabalhar um personagem com a estrutura psicológica do Tom exige que eu visite lugares que, em princípio, me causam bastante desconforto. O texto da adaptação da PHYLLIS NAGY opta por uma abordagem que humaniza as motivações dele, dando peso aos traumas e dores que o moldaram. Por isso, em vez de interpretá-lo como um monstro unidimensional, estou investigando o que levou Tom Ripley a esse ponto. É um exercício de empatia perigoso, porque, ao entender as justificativas dele, o público se vê forçado a confrontar o fato de que a distância entre o normal e o extremo é muito mais curta do que gostamos de admitir”.





     Creio que o ar sedutor de BONÈMER, que ele leva para o palco, associado à sua imensa inteligência cênica, não permitem que o público, de uma forma geral, odeie o personagem, como seria de se esperar. Para mim, pelo menos, Tom Ripley funcionou como um certo anti-herói, dos mais complexos da cultura contemporânea.




       O personagem protagonista desperta uma dúvida: é “do mal”, conscientemente e por vontade própria, ou seria ele um ser doentio, refém de um passado que não vem à tona de forma total? O fato é que a plateia chega a se tornar “cúmplice” da lógica do protagonista. A narrativa se constrói a partir de um ponto de vista que busca convencer o espectador a validar as escolhas do personagem, por mais extremas que sejam, dentro do que se pode chamar de “normalidade”.




      “O espetáculo é uma narrativa em primeira pessoa; o tempo todo ele tenta convencer o espectador a acreditar no seu ponto de vista, tentando validar cada escolha, por mais terrível que seja. Acredito que o potencial mais assustador dessa montagem seja o momento em que as pessoas perceberem que estão compreendendo ou até defendendo a perspectiva dele. Acredito que essa proximidade se conecte com as guerras atuais de narrativas”, complementa o intérprete de Tom Ripley. Eu não tenho a menor dúvida de que assim é, de que assim transcorre a peça, até o desenlace desafiador.





             O livro original foi escrito em 1955, já tendo sido adaptado para o cinema, depois da transposição para as tábuas, com grande sucesso, porém é a primeira vez que a obra, em seu formato para o palco, é produzida no Brasil, e em língua portuguesa.




                Ainda que seja classificado, oficialmente, quanto ao gênero, como um “thriller psicológico” ou uma “peça de terror”, não acredito que seja essa a melhor apresentação da peça. Vejo-a como um forte “drama de suspense”, que não chega a assustar tanto nem a provocar arrepios de horror no público. Penso que o que a peça mais faz é provocar uma “reflexão sobre desejo, inveja, mobilidade social e construção de imagem, temas absolutamente contemporâneos”. Há, na peça, uma ideia de “mergulhar nas zonas cinzentas da identidade: até onde alguém acha que pode ir para ser amado, aceito ou reconhecido?”.





           A peça carrega em si tudo o que pode levar alguém, como eu, a recomendá-la: um texto denso, profundo e inteligente; uma direção bastante enxuta e criativa demais, calcada na farsa, no naturalismo e no realismo fantástico; um elenco homogêneo e convincente, com destaque para HUGO BONÈMER, que, salvo engano, não sai de cena em momento algum; e um conjunto de criadores totalmente necessários à encenação: cenografia (HUGO BONÈMER), figurinos (SERGIO MEDINA e JOE NICOLAY), iluminação (RENATO MACHADO) e direção musical e trilha sonora original (TAUÃ DE LORENA e LAURA GABRIELA).




 


FICHA TÉCNICA:

Idealização: Francisco Paz (Unfinished Business)

Adaptação para Teatro: Phyllis Nagy (da obra de Patricia Highsmith)

Tradução: Hugo Bonèmer e Francisco Paz

Adaptação: Hugo Bonèmer

Direção: Hugo Bonèmer e Kamilla Rufino

 

Elenco (por ordem alfabética): Cassio Pandolfh (Herbert Greenleaf e Tenente Roverini), Francisco Paz (Richard Greenleaf), Guilhermina Libanio (Marge e Sophia), Hugo Bonèmer (Tom Tipley), João Fernandes (Marc e Freddie), Laura Gabriela (Emily Greenleaf e Tia Dottie) e Tom Nader (Red, Fausto e Silvio)

 

Cenografia e Adereços: Hugo Bonèmer

Figurino: Sergio Medina e Joe Nicolay

Assistência de Figurino: Rafaela Angelon

Iluminação: Renato Machado

Direção Musical e Trilha Sonora Original: Tauã de Lorena e Laura Gabriela

Operação de Luz: Ingrid Lopasso

Operação se Som: Guilherme Rodrigues

Contrarregra e Camareiro: Leo Nunes

"Design": Guilherme Dias Goulart (Tribbo)

Fotos: Peter Wrede, Luan Rabelo, Roberto Filho e Roberto Carneiro

Tráfego Pago: Danilo Costa

Mídias Digitais: Hugo Bonèmer

Produção de Base: Linda Gomes

Direção de Produção: Hugo Bonèmer (Hmm-Hum Produção)

Assessoria de Imprensa: Grazy Pisacane (GPress)


 

 



 


SERVIÇO:

Temporada: De 03 a 31 de maio de 2026.

Local: Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim.

Endereço: Avenida Vieira Souto, nº 176 - Ipanema, Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h.

Valor dos Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia-entrada).

Vendas: “Site" da Funarj e Bilheteria do Teatro.

Duração: 110 minutos (sem intervalo).

Classificação Etária: 18 anos.

Gênero: Drama (Suspense / Terror).

 

 




          Diante de tudo já exposto, RATIFICO A MINHA RECOMENDAÇÃO DA PEÇA.

 

 



 

FOTOS: PETER WREDE,

LUAN RABELO,

ROBERTO FILHO

E

ROBERTO CARNEIRO

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!

















































































































































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