domingo, 24 de maio de 2026

 

“A PEDIATRA”

ou

(UM DRAMA QUE FAZ RIR, PARA 

NÃO CHORAR.)


 


 

          Está em cartaz, no Teatro FIRJAN SESI Centro, com a temporada prorrogada até o dia 31 de maio (2026), devido ao enorme sucesso, a peça “A PEDIATRA, sobre a qual o mínimo que se pode dizer é que se trata de um espetáculo instigante e muitíssimo interessante. “A PEDIATRA” chega ao Rio de Janeiro depois de um enorme sucesso alcançado em São Paulo. O texto é da premiada escritora ANDRÉA DEL FUEGO, com adaptação e direção de INEZ VIANA, trazendo, como protagonista, DEBORA LAMM, muito bem coadjuvada por LUIS ANTONIO FORTES.

 




SINOPSE:

A trama acompanha Cecília (DEBORA LAMM), uma médica pediatra que, paradoxalmente, odeia crianças e suas mães e, a partir de uma prática clínica aparentemente ética e racional, passa a se envolver em uma série de decisões que tensionam, de forma radical, os limites entre cuidado, controle e violência, incluindo um romance adúltero com Celso (LUIS ANTONIO FORTES).

A obra constrói um relato perturbador, no qual a frieza do discurso científico contrasta com a brutalidade dos atos descritos.


 


 

            Esta é uma admirável adaptação, para o palco, do romance homônimo que consagrou ANDRÉA DEL FUEGO, vencedora do cobiçado “Prêmio José Saramago”, idealizada por INEZ VIANA e LUIS ANTONIO FORTES. O livro, publicado em 2021, já foi traduzido para sete idiomas e foi considerado “uma das melhores leituras de 2022” pelos críticos literários.




   DEBORA LAMM interpreta uma pediatra que, paradoxalmente, odeia crianças e suas mães, assim como seria absurdo um jardineiro detestar plantas, um escritor abominar livros e um professor execrar alunos. Descrita como uma “vilã de humor vil”, ela é uma mulher privilegiada, classista e amoral, cuja má conduta profissional e falta de empatia a levam a conflitos éticos e humanitários.



     Considero DEBORA uma das melhores atrizes de sua geração, o que ratifica a autora do livro que deu origem à peça: “Uma personagem como a Cecília encontrar uma atriz como DEBORA LAMM, é como um astronauta que, finalmente, encontra o planeta do seu destino. É raro. A personagem foi escrita para uma atriz como DEBORA LAMM, que pilota os polos humanos na mesma intensidade.” Realmente, fica difícil imaginar outra atriz no papel.



   Cecília, que estudou medicina contra a sua vontade, para agradar ao pai, é uma mulher “privilegiada, classista, cheia de preconceitos”. Ela “não percebe que sua má conduta se volta contra si e, obviamente, contra todas as pessoas à sua volta, perdendo uma oportunidade de praticar a medicina de forma mais humanizada”. Os trechos em negrito são ditos pela diretora, INEZ VIANA.



   Fazendo um contraponto com a protagonista, temos um Celso muito bem composto por LUIS ANTONIO FORTES. O personagem é um homem de caráter duvidoso e amante de Cecília, a pediatra neonatologista, que fez o parto de seu filho, Bruninho, uma criança por quem ela se vê encantada, assim como Celso também se encanta por Cecília.




  Embora o humor ácido e absurdo dos diálogos, por parte da protagonista, empane um pouco, disfarce, o que vai nas entrelinhas, a obra constrói um relato perturbador e desumano. Isso ocorre porque a protagonista é uma mulher instruída, bem-sucedida e, socialmente, integrada, mas cuja relação com crianças, mães e corpos infantis revela um desejo profundo de poder e manipulação. Ao se apropriar do vocabulário médico e da autoridade institucional da medicina, Cecília legitima ações que desafiam qualquer noção humanista de cuidado.



   O texto trata de temas como maternidade compulsória, biopolítica, misoginia e abuso de poder. A autora constrói essa personagem sem recorrer a explicações psicológicas fáceis ou a julgamentos morais explícitos, o que intensifica o desconforto do espectador, constantemente colocado diante de um dilema ético sem mediações. A plateia ri de nervoso, a maioria das vezes, sem poder ter outra reação, bastante justificável, inclusive.




    INEZ VIANA conduz a trama com maestria, colocando em embalagem para presente elementos que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, a escolha de uma profissão sem paixão, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Dessa forma, o espetáculo envolve o público de maneira cúmplice, em que Cecília contará sua história, o que a ajudará a entender seus conflitos e anseios. A montagem ainda promove debates sobre papéis sociais e temas urgentes, como aborto e ética profissional. O público deixa o Teatro com esses questionamentos, após um final surpreendente.




             Estrutural e tecnicamente, a peça pode ser considerada uma montagem simples, com cenografia (AURORA DOS CAMPOS), figurinos (CARLA COSTA) e iluminação (ANA LUZIA MOLINARI DE SIMONI) bem econômicos, porém bastante apropriados à moderna proposta de direção.




 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Andréa Del Fuego

Adaptação Dramatúrgica e Direção Artística: Inez Viana

Assistência de Direção: Lux Nègre

 

Elenco: Debora Lamm e Luis Antonio Fortes

 

Cenário: Aurora dos Campos

Figurino: Carla Costa

Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni 

Direção Musical: Navalha Carrera

Colaboração Artística: Denise Stutz 

Direção de Produção: Bem Medeiros e Luis Antonio Fortes 

Produção Executiva: Matheus Ribeiro

Assessoria de Imprensa: Ney Motta

Fotografia: Rodrigo Menezes

“Design”: Laryssa Ramos 

Idealização: Inez Viana e Luis Antonio Fortes

Produção: Fortes Produções, Eu + Ela e Suma Produções


 

 


 

 

SERVIÇO:

Temporada: De 01 a 31 de maio de 2026.

Local: Teatro Firjan SESI Centro.

Endereço: Avenida Graça Aranha, nº 1 - Centro, Rio de Janeiro (Próximo ao Metrô Cinelândia).

Dias e Horários: 5ª e 6ª feira, às 19h; sábado e domingo às 17h, com sessão dupla no dia 23 de maio às 15h e 17h.

Valor dos Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

Vendas Antecipadas: https://bileto.sympla.com.br/event/118884/d/377495

Classificação Etária: 12 anos.

Duração: 60 minutos.

Gênero: Drama Cômico.


 



          Ainda que, oficialmente, o espetáculo seja classificado como um “drama”, arrisco-me a dizer que se trata de um “drama cômico”, em função do forte tom de COMÉDIA ácida e humor mordaz, explorando, ao extremo, as ambiguidades da protagonista. RECOMENDO BASTANTE A PEÇA!

 

 


 

 

 

FOTOS: RODRIGO MENEZES

 

 

 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!

 

 


























































































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