segunda-feira, 11 de maio de 2026

 

“QUERIDA MAMÃE”

ou

(SENSÍVEL E CONTUNDENTE ACERTO DE CONTAS.)

 

 

 

          Gosto muito de assistir a peças que já foram montadas anteriormente, às quais eu já tenha assistido. Não para estabelecer comparações, mas para perceber se as mensagens e intenções dos autores ainda estão frescas, se ganharam mais pertinência, com relação ao momento atual, ou se já não representam muito para o espectador de hoje. Uma das vezes em que isso aconteceu foi recentemente, quando assisti, no Teatro dos 4, Rio de Janeiro (VER SERVIÇO.), a um excelente espetáculo, que vai aqui comentado: “QUERIDA MAMÃE”, com texto de MARIA ADELAIDE AMARAL, belamente interpretado por NÍVEA MARIA e REGIANE ALVES, sob a direção de PEDRO NESCHLING.


Maria Adelaide Amaral (Fonte: desconhecida.)


Pedro Neschling (Foto: Facebook.)


          Na verdade, tive a primazia de ter assistido a duas montagens desse primoroso texto, antes. A primeira vez se deu em 1994, quando as duas personagens da peça foram interpretadas por Eva Wilma e Eliane Giardini, mãe e filha, respectivamente. A segunda foi quase duas décadas depois, em 2014, quando Ruth, a mãe, foi vivida por Stella Freitas, enquanto a filha, Helô, coube a Cássia Linhares. Assim como a atual montagem, as duas anteriores foram formidáveis, e todas as seis atrizes se saíram muito bem, ao vivenciar a relação extremamente conflituosa entre uma mãe conservadora e sua filha insegura.


 

SINOPSE:

Em “QUERIDA MAMÃE”, Ruth (NÍVEA MARIA), mãe e dona de casa, e Helô (REGIANE ALVES), filha médica, se veem diante de um reencontro, atravessado por memórias, mágoas e afeto.

Entre conflitos do presente e marcas deixadas pelo passado, mãe e filha expõem suas diferenças, fragilidades e tentativas de reconexão, em uma história, sensível e profunda, sobre os laços familiares, os silêncios que afastam e o amor que insiste em permanecer.


  


                                           


             Desde o primeiro contato com o texto, já por ele me apaixonei. Gosto de ver o choque de ideias, tão natural, na vida real, longe das teclas, das telas e dos algoritmos, entre uma mãe, que nutre ideias um tanto antiquadas a respeito do mundo, defendidas não sem certa intransigência, e uma filha, que tem um caráter meio autodestrutivo, o qual a impede de se realizar plenamente na vida. A relação entre ambas é de embate, com um desfecho surpreendente, após uma revelação da mãe. Com o desenrolar do texto, percebemos que as duas são lados opostos da mesma moeda e têm mais em comum do que gostariam de admitir. É justamente nos momentos em que a virulência abre espaço para as afinidades entre mãe e filha, que o texto cresce, possibilitando até rasgos de humor leve e agradável.



            Não vejo a atual montagem como melhor ou pior que as duas anteriores; as três se equivalem em alta qualidade, contudo sinto que o texto da produção em tela, com adaptações atualíssimas, por parte da autora, faz dela muito mais atemporal do que já era antes; e universal também.


             Como, muito acertadamente, diz o “release” da peça, a mim enviado por MÁRIO CAMELO (assessoria de imprensa), “Há relações que se constroem no amor, mas também nas ausências, nos desencontros e nas palavras que nunca foram ditas.”. É exatamente assim que conviveram e convivem mãe e filha, as quais, em suas contendas, não apontam, diretamente, o dedo, uma para outra, mas o fazem de forma sutil, o que pode causar mágoas maiores, em uma e outra, mas que são cacos que podem ser colados. E o são, por parte de ambas.



    “Em cena, o conflito ganha forma no encontro entre duas mulheres atravessadas por diferenças profundas: de um lado, uma mãe marcada por valores conservadores e pela dureza da vida; de outro, uma filha que busca existir com mais liberdade, inclusive em sua maneira de amar.” (Extraído do já citado “release”.)



   “Em “QUERIDA MAMÃE”, MARIA ADELAIDE AMARAL transforma a intimidade entre mãe e filha em matéria dramática de alta voltagem emocional, revelando, com delicadeza e contundência, as contradições de um vínculo forte e capaz de acolher e ferir na mesma medida.” (Idem.). Isso, a dramaturga o faz com uma profunda dose de sensibilidade, comprimindo os dedos sobre as feridas ainda abertas entre ambas, de uma forma sensibilíssima e na proporção exata, sem cair no pieguice, que poderia jogar abaixo toda a montagem. MARIA ADELAIDE é uma sábia artesã das palavras, o que é totalmente percebido, e seguido, pelo jovem diretor, PEDRO NESCHLING, em ótimo trabalho, e pela dupla das experientes atrizes, em interpretações irretocáveis.


   O texto, já tão premiadíssimo, desde a sua primeira montagem, é inspirado na própria relação da autora com a sua mãe e mergulha, com profundidade, nas camadas do universo feminino, reafirmando uma das suas marcas mais potentes: a criação de mulheres fortes, complexas, contraditórias e profundamente humanas, tão abundantes nas suas obras, para o TEATRO, o cinema e a TV. Talvez o exemplo maior disso seja o seriado televisivo "A Casa das Sete Mulheres", de grande sucesso.


      As ações, em dias diferentes, acontecem no apartamento da mãe, um espaço povoado por lembranças, ressentimentos e afetos mal resolvidos. Fala o texto, com rara clareza e sensibilidade, sobre heranças emocionais, incompreensões e tentativas de reparo. 



    Ao mesmo tempo que é denso, o texto também passa sua densidade de uma forma mais leve e racional, muito bem dirigido por PEDRO NESCHLING, sem grandes parafernálias, o que leva o público a uma profunda identificação com a história – não só as mulheres, mas também os homens sensíveis -, tão bem contada, por duas atrizes que se mostram vivas e totalmente entregues às suas personagens. Ambas merecem os calorosos aplausos que lhes são dirigidos, ao final da peça, calcada esta no amor e na sororidade.



 A encenação, facilmente, poderia descambar para o melodrama lacrimoso, o que não permitem a direção e as intérpretes, mantendo-se as duas, o tempo todo, contidas e seguras, dosando suas emoções.



   Discretos, mas totalmente a serviço da montagem, cito a cenografia, de BELI ARAÚJO; os figurinos, de ANTÔNIO ROCHA; o desenho de luz, de FERNANDA MANTOVANI; e a trilha sonora original, de RODRIGO MARÇAL, quatro competentes artistas de criação.


  


 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Maria Adelaide Amaral

Direção: Pedro Neschling

Assistência de Direção: Isabela Faleiro

 

Elenco: Nívea Maria e Regiane Alves

 

Direção de Movimento e Coreografia: Toni Rodrigues

Cenografia: Beli Araújo

Figurino: Antônio Rocha

Desenho de Luz: Fernanda Mantovani

Trilha Sonora Original: Rodrigo Marçal

Assessoria de Imprensa: Prisma Colab (Mário Camelo)

Fotos: Leo Aversa 

Comunicação e “Marketing”: Lucas Sancho e Fernando Gouvêa

Mídias Sociais: Fernanda Piloto

Tráfego Pago: Rodrigo Gonzaga

SAC: Carinne Namba

Produção Executiva: Xandy

Direção de Produção: Miçairi Guimarães e Sandro Chaim

Realização: Magic Arts


 

 

 

 

SERVIÇO:

Temporada: De 01 a 31 de maio de 2026.

Local: Teatro dos 4 – Shopping da Gávea.

Endereço: Rua Marquês de São Vicente, nº 52 – Gávea (2º piso do Shopping da Gávea) – Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h.

Valor dos Ingressos: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia-entrada).

Vendas: Sympla e Bilheteria do Teatro.

Informações: (21) 2239-1095 / (21) 97309-6234.

Antecipados: https://bileto.sympla.com.br/event/118586/d/375659/s/2506492 

Duração: 75 minutos.

Classificação Indicativa: 12 anos.

Gênero: Comédia Dramática.   


 

 


 

          PELO CONJUNTO DA OBRA, RECOMENDO ESTE ESPETÁCULO!!!

 

 

 

FOTOS: LEO AVERSA

 

 

 

 

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