terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 

“A CUCA”

ou

(UM ESPETÁCULO

TRANSMÍDIA E

PSICODÉLICO.)

 

 

 

         Por que um “espetáculo transmídia”? Porque “se expande por múltiplas plataformas (...), em que cada meio oferece uma parte única e complementar da história, em vez de apenas repetir o conteúdo. Essa abordagem cria uma experiência imersiva e interativa”.



              E por que uespetáculo psicodélico”? Porque “é uma experiência sensorial imersiva, desenhada para alterar a percepção do público e evocar alucinações ou estados de consciência ampliados, combinando música, visuais e tecnologia, para criar uma atmosfera onírica, caótica e, muitas vezes, meditativa”.



        Esse é o espetáculo “A CUCA”, em cartaz no Teatro Futuros, experiência da qual fiz parte recentemente. Reparem que não empreguei o verbo “assistir”, e sim “experiência da qual fiz parte”, porque quem se propõe a ir àquele Teatro não vai se sentir como um mero espectador, passivo, mas vai, isto sim, se perceber “dentro da obra”, participante dela, um ser ativo, numa fantástica experiência imersiva inesquecível.

 

 


SINOPSE:

“A CUCA” é uma performance” que invoca a personagem icônica da cultura brasileira em uma obra sensorial que reflexiona sobre que mundo deixaremos para as próximas gerações.

A concepção do novo espetáculo teatral de RENATO ROCHA, um multiartista, de carreira internacional, parte de uma pergunta provocante: “Papai, quando eu crescer, o mundo ainda vai existir?”.

O que acontece, quando uma filha pergunta isso a um pai?

O que um artista faz, quando percebe que o futuro deixou de ser uma abstração e passou a ter nome, rosto e voz?

Que o futuro, na verdade, é o agora?

E esse futuro se chama Julieta; 3 anos, à época da pergunta.


 


 

     Após 14 anos afastado do palco, como ator, este espetáculo marca a “rentrée” de RENATO ROCHA como “performer”, de uma forma intensa e muito bonita. E ele nos traz uma Cuca que não assusta. Ela chama. Ela guarda. Ela pergunta. E nos obriga a escutar. Está muito distante da bruxa aterrorizante das cantigas de ninar: “Nana, nenê, que a Cuca vem aí...”. Também não é a tão conhecida e temida Cuca de Monteiro Lobato (“O Sítio do Pica-Pau Amarelo). Muito menos, é um dos mitos mais temidos da cultura popular brasileira. “Ela é guardiã. É um ‘VISAGE’ - entidade ancestral presente em diversas culturas indígenas, invocada em rituais de transmissão de saber e memória. Guardiã da floresta, jacaroa, figura feminina demonizada pela cultura ocidental, a Cuca é ressignificada como elo entre tempos, gerações, mundos, corpos e linhagens. Convoca o passado para imaginar futuros possíveis e modificar o agora.”.



   A concepção do espetáculo surgiu em 2020, quando, durante a pandemia de COVID-19, RENATO estava à frente do “Projeto Casa Comum”, reunindo, em encontros virtuais, artistas indígenas de diferentes regiões da Amazônia, “para refletir sobre o planeta como território e lar compartilhado entre todos os seres viventes”. No meio de uma dessas reuniões, subitamente, sua única filha, Julieta, de 3 anos, à época, lhe dirigiu uma pergunta: “Papai, quando eu crescer, o mundo ainda vai existir?”. Não me admiro de essa pergunta ter saído de uma criança, visto que, da forma como o número de mortos se avolumava, a cada dia, até eu, do alto dos meus 71 anos, à época, também passei a pensar que estávamos nos aproximando do final da nossa “aventura humana na Terra”.



     A pergunta atravessou a sala, a tela do computador e o corpo do artista “— e nada mais foi o mesmo”. “É desse abalo íntimo que nasce ‘A CUCA’, projeto multilinguagem que transforma angústia em rito, e rito em obra. Um trabalho que cruza ‘performance’, TEATRO, carnaval, ancestralidade, artes visuais, literatura, vídeo e música, para imaginar — com urgência poética — quais mundos ainda podem ser deixados para as próximas gerações.”.



         “A pergunta da filha transforma-se em motor ético e estético da obra: existirá um mundo habitável daqui a 30 anos ou estamos nos aproximando do fim? Mais do que um personagem, a Cuca é um organismo artístico em expansão. Já realizou duas aparições públicas no carnaval do Rio de Janeiro (...). As imagens dessas aparições — entre rito, cortejo e insurgência poética — integram o material audiovisual do projeto.”. (...) RENATO ROCHA constrói, em ‘A CUCA’, uma síntese radical de sua pesquisa artística: uma obra que nasce do afeto, atravessa o mito e desemboca na urgência política do nosso tempo.”.



      Não me esquivo de dizer que é bastante difícil escrever sobre este espetáculo. Ele é para ser sentido, vivenciado como uma experiência, a qual se apropria, escancaradamente, de dois dos nossos sentidos – visão e audição –, provocando, em cada espectador, um “caos” de emoções, um “tsunâmi” de sentimentos; e isso é quase impossível ser codificado em signos, em palavras de qualquer idioma.



       Talvez com um pouco de exagero (Não se trata de uma analogia ao pé da letra.), sem nunca ter experimentado qualquer tipo de droga, não tendo, porém, nada contra os que dela se utilizam, atrevo-me a dizer que o espetáculo provoca um “efeito lisérgico”. (Retiro o “Talvez”; é um pouco de exagero, sim. Mas pode chegar perto?).



      Contribuem, largamente, para a beleza plástica do espetáculo, a iluminação (PAULO DENIZOT), todas as projeções/videografismos (PLÍNIO HIT), e os figurinos da Cuca (TARSILA TAKAHASHI). É de se louvar a trilha sonora, também criada por RENATO ROCHA.


 

 

FICHA TÉCNICA:

Criação Cuca, Dramaturgia, Direção e “Performance”: Renato Rocha

Interlocução artística: Valéria Martins e Márcio Vito

Trilha Sonora: Renato Rocha (A partir de músicas de Daniel Castanheira e Felipe Habibi.)

Iluminação: Paulo Denizot

Videografismo: Plínio Hit

Colaboração Videografismo: Breno Buswell

Assistência de Videografismo: Crísia

Participação em Vídeo: Xauãna Pataxó

Operação Multimídia: Arthur Souza

Captação de Imagens e Edição de Vídeo: Breno Buswell e Pedro Guaraná

Registro em Vídeo: Breno Buswell

Colaboração Trajes e Indumentárias: Tarsila Takahashi

Adereços Luminosos: O Aramista

Direção de Produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela

Produção: Galharufa Produções Artísticas

Assistência de Produção: Karina Campos

Fotos e “Teasers”: Bruna Zaccaro

“Design” Gráfico, Mídias Sociais, “Marketing” Digital e Parceria Institucional: Lead Performance

Assessoria de Imprensa: Contemporânea Comunicação e Cultura (Ney Motta)

Coordenação Geral do Projeto: Renato Rocha

Realização: RR Produções Artísticas

Correalização: Futuros – Arte e Tecnologia


 

 



 

 

SERVIÇO:

Temporada: De 06 de fevereiro a 29 de março de 2026.

Local: Futuros - Arte e Tecnologia (Teatro Futuros).

Endereço: Rua Dois de Dezembro, nº 63, Flamengo, Rio de Janeiro (próximo ao Metrô Largo do Machado).

Informações: (21) 3131-3060.

Dias e Horários: De 5ª feira a domingo, às 19h.

Valor dos Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada).

Lotação: 63 lugares (Espaços acessíveis para PCDs.).

Classificação Etária: 16 anos.

Duração: 55 minutos.

Gênero: Espetáculo Transmídia.


 


 

 

       “A CUCA” é um espetáculo muito diferente de tudo quanto estamos acostumados a ver num palco de TEATRO, totalmente imersivo, e, por isso mesmo, por sua beleza plástica e pela mensagem que passa ao público, vai aqui RECOMENDADO POR MIM.

 

 



FOTOS: BRUNA ZACCARO

 

 

 

GALERIA PARTICULAR:

(Foto: Karina Campos.)



Com Renato Rocha.


É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!











































































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