quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

 

“COYOTE”

ou

(O QUE OS OLHOS

NÃO VEEM

O CORAÇÃO SENTE.)

 


            A temporada teatral de 2026, no Rio de Janeiro, começou com o sarrafo colocado a uma altura muito elevada e expressiva. Ratifica essa observação o espetáculo “COYOTE”, em cartaz no Teatro Poeirinha, no Rio de Janeiro.





         A peça chega ao Rio depois de algumas apresentações na capital paulista, como uma espécie de “esquenta”, onde foi muito bem recebida, o mesmo acontecendo desde sua recém-estreia na temporada carioca. E tudo indica quer se tornará um dos maiores sucessos teatrais desta temporada.





 

SINOPSE:

Dois jovens solitários, em uma grande metrópole, narram como tiveram suas vidas profundamente transformadas, após a misteriosa aparição de um animal selvagem na escadaria do prédio onde vivem.

Sem qualquer entusiasmo, Melinda (KAREN COELHO) trabalha, durante a madrugada, em uma fábrica de impressão e segue sua rotina mecânica, sem muita interação social.

Tony (RODRIGO PANDOLFO) está desempregado e desiludido, mal consegue arcar com as contas da casa e questiona sua motivação para viver.

Certa madrugada, os dois vizinhos avistam, a partir de diferentes pontos de vista, um coiote na escadaria do prédio e ficam, absolutamente, fascinados.

Os dois esperam, noite após noite, que o animal reapareça, até que, alguns dias depois, Tony observa Melinda levando carne crua para o visitante.

A partir de então, eles se tornam cúmplices e parceiros dessa experiência peculiar, enquanto tentam compreender por que um animal selvagem estaria invadindo a área urbana.


 




           O original do texto, em inglês (“MY BARKING DOG”), é do premiado dramaturgo escocês ERIC COBLE, autor, até então, inédito no Brasil, muito bem traduzido, por DIEGO TEZA, tendo recebido a direção da própria dupla de intérpretes, KAREN COELHO e RODRIGO PANDOLFO.





           Tenho um interesse especial por textos como o desta peça, que flerta com o realismo fantástico e o “non sense”, misturando humor e absurdo, em situações improváveis e poéticas. Estamos, portanto, diante de um texto nada convencional, que convida o espectador a refletir sobre a urgência de repensar nossa relação com a natureza, sendo, portanto, uma proposta bastante em consonância com a atualidade. Um fato improvável e o saber como conviver com ele disparam o gatilho para uma deliciosa narrativa, obrigando o público a perder o vínculo com o real e se deixar levar por uma “fantasia” utópica, distópica e alegórica.





         O espetáculo poder ser dividido em duas partes. A primeira, bem mais curta que a outra, em que os dois personagens se deixam conhecer ao público, para que possamos entender o que vem depois, e a segunda, durante a qual Melinda (KAREN COELHO) e Tony (RODRIGO PANDOLFO) contam à plateia o seu comportamento e relacionamento, os passos que deram, na tentativa de atrair um animal selvagem que foi encontrá-los, furtivamente, num corredor de um prédio numa “urbis”.





 “Diante de uma sociedade hiperconectada e, cada vez mais, predatória, “COYOTE” propõe uma discussão sobre as consequências danosas do capitalismo e da devastação do meio ambiente para a saúde física e mental das pessoas.” A maneira como a história é contada vem plena de um potencial de divertir - por suas situações absurdas – e, também, de sensibilizar para a urgência de repensar nossa relação com a natureza”.





       A força de 25 anos de uma estreita relação de amizade e de trabalho entre KAREN e PANDOLFO, alicerçada por um talento ímpar da dupla, é de suma importância nesta peça, visto que é precioso mesmo algo muito forte para fazer gerar a cumplicidade que existe entre os dois no palco, mais ainda reforçada por um trabalho mútuo de direção. É um texto de difíceis resoluções cênicas, mas que, pelas mãos do casal de artistas, parece ter sido muito fácil. Tudo flui com naturalidade e vigor, além de criatividade, e o espectador se sente atraído pela narrativa, da primeira à última cena.





  A montagem sustenta-se, principalmente, pela solidez das duas interpretações brilhantes para um texto inquietante e muito inteligente, que fala da “necessidade de criação de um novo mundo, no qual a natureza possa ocupar, novamente, seu lugar entre os humanos”. Esse é um tema urgente, que cai como uma luva, quando pensamos nos desacertos e descaminhos que o ser dito “humano” vem cometendo contra o planeta, em forma de uma gratuita agressão. “‘COYOTE’ nos traz questionamentos a respeito da direção que esse sistema nos tem conduzido. (...) O que estamos fazendo, ao longo da evolução humana, é justamente nos afastar da natureza. E as consequências disso são devastadoras, tanto para o meio ambiente, quanto para a nossa saúde física e mental”, comenta a atriz e codiretora KAREN COELHO.





   Como se não bastasse, a peça ainda joga bastante luz sobre o problema da solidão, ideia passada pelo teor do texto e, também, pela interessante cenografia, assinada por CASSIO BRASIL, que, a princípio, parece ser, praticamente, inexistente, mas que nos reserva uma agradável surpresa, a qual vai se descortinando a partir da primeira metade da peça (“Cada um no seu quadrado.” – Quem assistir à peça irá me entender.). Os demais elementos plásticos do espetáculo não chamam muito a atenção, embora cumpram, com louvor, seu propósito: figurinos, também de CASSIO BRASIL, e iluminação, de NEY BONFANTE. Um destaque também vai para a sonoplastia / direção musical, mais um brilhante trabalho de um craque no ramo: MARCELO H.

 

 






 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Eric Coble
Tradução: Diego Teza

Direção e Atuação: Karen Coelho e Rodrigo Pandolfo

Interlocução Artística: Jefferson Miranda
Cenário e Figurino: Cassio Brasil
Iluminação: Ney Bonfante
Direção Musical: Marcello H.
Direção de Movimento: Toni Rodrigues
“Design” Gráfico: Patricia Cividanes
Fotos: Victor Pollak e Rodrigo Pandolfo
Vídeos: @icarus.filmes
Operador de Luz: Bruno Araújo
Operador de Som: Gabriel Lagoas
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
Produção Executiva: João Eizo Y. Saboya
Coordenação de Produção: Ártemis
Direção de Produção: Sergio Saboya e Silvio Batistela


 

 








 

SERVIÇO:

Temporada: de 08 de janeiro a 01 de março de 2026.

Local: Teatro Poeirinha.

Endereço: Rua São João Batista, nº 104 – Botafogo – Rio de Janeiro.

Tefefone: (21) 2537-8053.

Dias e Horários: De 5ª feira a sábado, às 20h; domingo, às 19h.

Valor dos ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada).

Ingressos à venda pela plataforma SYMPLA (com taxa de serviço) – www.sympla.com.br - ou na bilheteria do Teatro (sem taxa de serviço.), de 3ª feira a sábado, das 15h às 20h, e domingo, das 15h às 19h.

Duração: 70 minutos.

Classificação Indicativa: 14 anos.

Capacidade: 50 espectadores.

Gênero: Comédia.


 







           Parabenizo KAREN COELHO e RODRIGO PANDOLFO pela coragem de se jogar neste projeto e levá-lo adiante, empreitada que resultou num esplêndido espetáculo, o qual engrandece a atual temporada de TEATRO, no Rio de Janeiro, e que eu RECOMENDO COM TODO O MEU EMPENHO!

 








 

FOTOS: VICTOR POLLACK

e

RODRIGO PANDOLFO

(a partir de “frames”)

 

 

GALERIA PARTICULAR:



(Com Karen Coelho)



(Com Rodrigo Pandolfo)


 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!

 

 

 

 

 

 






















































































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