quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

 “DIGNIDADE”

ou

(DIGNITAS, DIGNITATIS =

O QUE É DIGNO,

O QUE TEM VALOR.)

ou

(QUANDO A DIGNIDADE HUMANA

ESTÁ NA IMINÊNCIA

DE UM 

XEQUE-MATE.)


 

    É com uma alegria imensa que escrevo sobre o espetáculo “DIGNIDADE”, em cartaz na Arena do SESC Copacabana, surgido ao quase apagar das luzes do ano em curso, para fechá-lo com chave de ouro. Estou preparado para enfrentar um duplo grande desafio, de sintetizar, ao máximo, tudo o que preciso dizer sobre a montagem, tomando o maior cuidado para não dar “spoilers” e tirar, dos que ainda assistirão à peça, a mesma grata surpresa e o incomensurável prazer de que fui tomado, na noite do último domingo, dia 4 de dezembro de 2022. A verdade é que saí, totalmente, arrebatado, em profundo “estado de graça”, do Teatro e cônscio de que o que menos interessa, no espetáculo, é o fator “lazer” ou “entretenimento”. “DIGNIDADE” parece ter sido escrita (Não o foi.) e montada (Certamente, também, não.) para pressionar, fortemente, com o dedo, as chagas ainda muito “frescas” que trazemos na nossa alma – refiro-me aos brasileiros -, principalmente durante os quatro últimos anos de “trevas” a que fomos submetidos (Ainda estamos; falta pouco para o pesadelo acabar.). Embora tenha sido escrita por um dramaturgo catalão, IGNASI VIDAL, em 2014, trata-se de um texto que pode ser considerado universal e totalmente atual. A peça foi encenada, pela primeira vez, em Barcelona, nos anos de 2016 e 2017, cidade em que nasceu VIDAL, em 27 de janeiro de 1973, hoje, portanto, com 47 anos de idade. Sua atividade principal é como ator, premiado, em consagrados musicais. Nessa primeira encenação de “DIGNIDADE”, IGNASI participou como ator. Na verdade, apurei que ele escreveu a peça já pensando em interpretar o personagem Alex, aqui vivido, brilhantemente, por CLAUDIO GABRIEL. Logo após esta temporada carioca, que se encerra no próximo dia 18, a peça já está agendada para uma segunda, em São Paulo, no início do próximo ano. O texto também já conheceu outros palcos: na Romênia (De 2017 até hoje.), no Equador (2017 a 2019), em Buenos Aires (2017), no Panamá (2018), novamente em Barcelona (2018), em Madri (2019), no Peru (2019), no México (2019) e nas Ilhas Canárias (2019). IGNASI VIDAL foi indicado como Melhor Autor Espanhol Vivo, no “Prêmio Teatro de Rojas”, em 2016, e a peça, como Melhor Texto, no mesmo “Prêmio”, em 2015.



      Em função da extrema qualidade do texto e sua arquitetura dramática, fiquei bastante frustrado, quando me decidi por uma profunda pesquisa sobre VIDAL, na "internet", e encontrei pouquíssimo material sobre ele, como autor; bem mais como ator. É preciso, contudo, que conheçamos este grande dramaturgo e que fiquemos atentos a futuras novas encenações de outros textos de sua lavra.




SINOPSE:

O cerne do texto de “DIGNIDADE” é debater a ética na política.

Endossa a análise, tendo a ética como centro da discussão, remetendo a reflexões profundas, necessárias em nossa sociedade, extremamente individualista e polarizada, principalmente nos dias de hoje.

A cena mostra a relação de dois amigos, figuras públicas, que, através de um diálogo preciso e arrebatador, nos apresenta um tópico que, mais do que nunca, precisa ser discutido, nos dias de hoje: o limite tênue entre o certo e o errado, e até onde deve ir a ambição, se confrontada com limites éticos inexoráveis.

Sozinhos, em uma sala, na sede de um importante partido político, que pode ser qualquer um (Cada espectador, dependendo de suas convicções político-partidárias, fará a leitura que melhor lhe aprouver.), às vésperas da convenção que decidirá o nome que vai concorrer à presidência da República, nas próximas eleições, dois personagens se encontram: Francisco / Fran (THELMO FERNANDES), líder do partido, seu presidente, promissor político, símbolo de mudança para o país, e o seu "braço direito", Alexandre / Alex (CLAUDIO GABRIEL), o assessor que sabe tudo, e mais alguma coisa, a respeito da vida de Fran.

Depois de anos caminhando juntos, eles, finalmente, estão prestes a chegar ao mais alto cargo do país.

A intenção de Alex – e ele não esperava outra coisa – era de que Fran o incluísse, na chapa do partido, como seu vice-presidente, já visando a futuras elevações na vida pública.

Mas será que ambos merecem ocupar tais postos de relevadíssima importância para um país?

O que parece ser um descontraído encontro, entre velhos amigos, pouco a pouco, vai-se revelando um tenso jogo, cheio de surpresas e segredos, que "põe em xeque" a relação de amizade e parceria de tantos anos, expondo diferentes pontos de vista e dilemas éticos.

Resumindo: O espetáculo realiza um mergulho nas entranhas da política, nos seus "proibidos subterrâneos", revelando detalhes de seus "podres" bastidores, enquanto confronta uma antiga amizade e seus ideais individuais. 









       A SINOPSE fala muito em “ética”, e o título da peça – que não poderia ser outro – é “DIGNIDADE”, o que até pode confundir alguns mais desavisados, que acham serem sinônimas as duas palavras. A origem do vocábulo “ética” está no grego “ethos”, que quer dizer “o modo de ser, o caráter”. Os romanos traduziram o “ethos” grego para o latim “mos”, ou, no plural, “mores”, significando “costume”, de onde vem a palavra “moral”. Já “DIGNIDADE” vem do latim “dignitas”, que significa “o que tem valor”; de “dignus”, “digno, valioso, adequado, compatível com os propósitos”. Torna-se fácil, pois, entender que a ética é condição “sine qua non” para se dizer que alguém deve ser respeitado por sua “DIGNIDADE”.





       O fato de o brilhante texto já ter sido apontado, por mim, como  universal e atual oferece, ao seu tradutor, duas possibilidades: a de, simplesmente, se preocupar com a tradução de um idioma para outro ou de, também, proceder a algumas pequenas adaptações, as quais, em nada, comprometem o original, e sim, a meu juízo, o enriquecem consideravelmente. É claro que a ação poderia nos ter sido apresentada como se estivesse acontecendo na Espanha, país que não está livre da corrupção e de todas as "obscuridades" de que o texto trata. Basta que nos lembremos do episódio recente - 2020 -, envolvendo o seu rei, de 84 anos, à época, Juan Carlos I, o qual governou o país por 40 anos e foi obrigado a transferir a "dignidade" do trono a seu filho, Felipe VI, e a buscar novo endereço, em Abu Dhabi, acusado de transações ilícitas com a Arábia Saudita. Penso que a trama poderia ocorrer - e ocorre - em qualquer outro país do planeta Terra, REDONDO, porque, infelizmente, como diz o filósofo Luiz Felipe Pondé, "O ser humano pode não ser corrupto, por natureza, mas a carne é fraca.". Há os que afirmam ser a corrupção algo intrínseco a todo "homo sapiens". DANIEL DIAS DA SILVA achou por bem centralizar tudo no Brasil, pelo que conta com toda a minha aprovação, visto que nosso país apresentou, e ainda está apresentando, no ano em curso, a política ocupando um lugar de protagonismo, nos debates sociais, como poucas vezes visto.








      DANIEL DIAS DA SILVA, idealizador do projeto, tradutor do texto e diretor do espetáculo, teve acesso ao original de “DIGNIDADE” durante o período de maior “pico” da pandemia de COVID-19 e ficou totalmente arrebatado por ele, quando enxergou, na obra, quão era ela “pertinente e atual”. O espectador é levado a uma posição de “vouyer”, “de um espectador privilegiado, uma testemunha dos bastidores da política, daquilo que acontece longe dos holofotes e das câmeras, mas que afeta a todos nós. E, também, lembrar da nossa responsabilidade, como cidadãos, questionando cada espectador sobre em qual posição ele quer estar nesse jogo: como uma mera peça que vai sendo movimentada ou como aquele que está no comando dos rumos do país e que contribui, de forma ativa, para o destino da sociedade?”, diz o diretor.








Este espetáculo tinha tudo, mesmo, para dar certo. A descoberta dessa joia de texto, um dos melhores que conheci, nos últimos tempos, por DANIEL DIAS DA SILVA. O seu competente papel de tradutor e de diretor. A concretização de um desejo, alimentado, fazia muitos anos, por THELMO FERNANDES e CLAUDIO GABRIEL, dois grandes amigos, que comemoram 30 anos de carreira e uma amizade que se iniciou, há mais de três décadas, na Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena, no Rio de Janeiro. A convocação de um “escrete de craques”, para criar todos os importantes elementos exigidos para uma montagem teatral de alto nível. A pertinência do tema, no momento atual, quando vivemos “num cenário em que as relações duvidosas e espúrias do submundo da política ficam, cada vez mais, transparentes, trair princípios e provocar ressentimentos que destroem são algumas questões apontadas no texto. A ideia do projeto é, portanto, mostrar, ao espectador, um reflexo claro de nossa sociedade e a relação contaminada e, na maior parte, nociva entre o interesse público e o pessoal, atropelando os limites éticos e morais.” – está escrito no “release”, que me chegou às mãos via BRUNO MORAIS e GISELE MACHADO (Marrom Glacê Assessoria).





O espírito coletivo, imprescindível, numa montagem teatral, aqui está, visivelmente, presente, no fato de o diretor não se considerar o “rei da cocada preta” (Ou “branca”, tanto faz, para os que veem, na expressão, um exemplo de "racismo estrutural". É, simplesmente, porque prefiro as cocadas feitas com coco queimado.), ouvindo sugestões e participando de todas as etapas de criação, como, de fato, deve sempre ocorrer, dialogando com seus colaboradores. Para isso, para atingir o que desejava, como “maestro” desta encenação, DANIEL pensou, partindo do princípio de que a peça não seria encenada num palco italiano, e sim na configuração de arena, em uma analogia com o jogo de xadrez, no qual jogadas inesperadas acontecem e “destroem” outras peças, porque é assim que os dois personagens se apresentam: como dois competidores, numa partida do referido jogo, o qual requer muita inteligência e astúcia. Em seu corretíssimo trabalho, tudo milimetricamnete executado, o diretor faz com que os dois atores se desloquem, o tempo todo, por entre peças “estilizadas” de um jogo de xadrez, por sobre um tabuleiro. Já disse que a arquitetura dramática me deixou encantado com o texto, não só pela linguagem empregada, como também, ou principalmente, pelos “ganchos” que o autor cria e as pistas que ele nos dá, muitas vezes, não percebidas no momento em que se revelam. Sem querer, absolutamente, dar qualquer tipo de “spoiler”, repito, chamo a sua atenção para a postura dos dois personagens, que vai sendo modificada, ao longo de 90 minutos, tempo de duração do espetáculo, assim como certas falas, que justificarão, ou explicarão, o final, totalmente inesperado. Quem “domina” e quem é “dominado”? Quem é o “dono da situação”? Quem “está com a faca e o queijo na mão”? Quem conquistará o “cinturão de vencedor” e qual dos dois será o “nocauteado”? Fran? Alex? Os dois? Ou nenhum deles? VIDAL nos “engana”, com a maior “desfaçatez”, e todos ficamos perplexos, com a cena final, a qual, poderia não ter existido, se acontecesse o desenlace que, realmente, gostaríamos de ter visto (Eu, pelo menos.). A plateia recebe um “direto no estômago”, porque não levou em consideração que há uma grande relatividade sobre o que pode ser considerado certo ou errado, moral ou imoral, e que o ser humano, a tudo, se presta e, de tudo, é capaz, quando seus interesses pessoais estão em jogo ou quando percebe que não tem mais saída e quer arrastar o seu inimigo para o mesmo “buraco”, como um ato de “vingança”.





Basta adentrar o espaço da Arena e deparar-se com o cenário / instalação, de NATÁLIA LANA, para que iniciemos o trabalho de tentar entender aquela OBRA-PRIMA de cenografia. Em total harmonia, trabalharam NATÁLIA e DANIEL, até que ela criasse um “tabuleiro de xadrez”, que ocupa todo o espaço cênico, sobre o qual, como já falei, há a “sugestão” de peças utilizadas no referido jogo de mesa, seguindo, toda a cenografia, o estilo da “Bauhaus”, a escola de "design", arquiterura e artes plásticas mais importante e conhecida no mundo, criada, em 1919, pelo célebre arquiteto Walter Gropous, na Alemanha, que foi perseguida pelo governo nazista e acabou sendo desativada, em 1933. Como se pode ver, a perseguição aos artista é coisa de "nazistas e fascistas" e está muito próxima a nós, no Brasil do último quatriênio, prestes a terminar, felizmente. Propõe esse estilo que o "design devia ser, primordialmente, simples e neutro, sempre focado na funcionalidade. É  considerada uma das mais importantes precursoras do modernismo, na arquitetura do século XX, servindo como referência obrigatória para artistas de todos os campos, incluindo a cenografia. Há, ainda, neste trabalho, a presença de mesas e cadeiras com formas retas ou geométricas. Também pendem, do teto, alguns fios (cordéis) com pedaços quadrados de um material que não consegui identificar, como – perdão pela grosseira comparação, mas não sabia como fazer a sua descrição; as fotos falam mais que todas as comparações – um “espetinho de churrasco” (Que vergonha! Momento descontração.) Esse elemento cênico tanto pode sugerir colunas dos templos e prédios públicos do Império Romano, citado numa determinada parte do texto, ou fazer uma alusão à “burocracia” (pilhas de papel) na política. Talvez você, que me lê, possa fazer outra decodificação disso, o que acho ótimo. Um preciosíssimo trabalho de NATÁLIA – mais um, em seu extenso e premiado currículo -, executado, com o maior esmero, pelo cenotécnico ANDRÉ SALLES  e sua equipe de construção e montagem. O acabamento do cenário é impecável.


(Foto: Gilberto Bartholo.)


      VILMAR OLOS, em mais uma “dobradinha” com a premiada cenógrafa, criou um desenho de luz, sem muitas variações, pertinente, em todos os sentidos, que ganha maior ou menor intensidade, de acordo com a tensão ou “descontração”, esta aparente, de cada momento. Essa luz, indiscutivelmente, valoriza toda a “arquitetura plástica”.




(Foto: RB.)



  VICTOR GUEDES não poderia ter vestido de forma mais adequada os dois personagens: ternos elegantes e bem talhados, em cores sóbrias, como os que usa esse tipo de gente, a qual se vale da "excrescência" do chamado "auxílio paletó".

   



(Foto: RB.)


Há de se destacar, ainda, nesta montagem, a excelente trilha sonora, também assinada por DANIEL DIAS DA SILVA, com destaque para a canção que fica sendo executada, tão logo termina a última cena, enquanto o público vai evacuando o espaço, num silêncio revelador de que foi muito “mexido” pelo que viu. Trata-se de “GOLPISTAS”, composta e interpretada por Caio Prado, cuja letra aqui está, na íntegra, para a sua reflexão:




(Foto: RB.)


 


Caio Prado.

(Foto: autoria desconhecida.)



 

“GOLPISTAS”

(Caio Prado) 

Enquanto você dorme,
Eles planejam um novo golpe, golpe.
Dão armas aos fascistas.
Eles são falsos moralistas, golpistas.

Enquanto você ri.
Eles dão curso ao retrocesso, golpe.
Conspiram ministérios.
Eles sustentam privilégios, golpistas.

Transformam o oprimido em opressor bandido,
Legislam pela redução da idade penal,
Reprimem manifestações com militares,
Iludem, livremente, em rede nacional.

Precisamos falar de política.
A todo custo, a praça pública ocupar.
Precisamos falar de política.
A nossa luta é pela resistência popular.

Enquanto você dorme,
Eles planejam um novo golpe, golpe.
Grampeiam o seu sono.
Eles são ratos desumanos, golpistas.

Enquanto você ri,
Eles torturam o seu passado, golpe.
E, se você não pensa,
E, se você não pensa,
Os mortos não estão na imprensa.

Massacram, todo dia, pobre nas favelas,
Defendem morte, como pena pra marginal,
Revogam previdências de trabalhadores,
Governam para a exploração do capital.

Precisamos falar de política.
A todo custo, a praça pública ocupar.
Precisamos falar de política.
A nossa luta é pela resistência popular.

Precisamos falar de política.
A todo custo. a praça pública ocupar.
Precisamos falar de política.
A nossa luta é pela resistência,

Resistência,
Resistência,
Resistência,
Resistência.


A nossa luta é pela resistência popular.
 






(Foto: RB.)



Merece um destaque e o aplauso merecido RENATA BLASI, por ser uma das idealizadoras do projeto e por seu trabalho na direção de produção, em que também devem ser lembrados os nomes de JULIA DE AQUINO (direção de produção) e JULIANA TRIMER (assistência de produção). Para se erguer um espetáculo teatral, um grupo de profissionais se junta, até que ele seja considerado “pronto para o consumo”, entretanto, para que isso possa acontecer, a cada sessão, o trabalho da equipe de produção é fundamental. Se esta falha, o espetáculo não acontece.




(Foto: RB.)


Se me perguntassem o que eu considero “a cereja desse bolo”, nesta montagem, eu diria que é o texto, mas a resposta não viria “de chofre”, uma vez que sentiria vontade de, também, apontar as atuações de THELMO FERNANDES e CLAUDIO GABRIEL, dois magníficos atores, que demonstram uma “simbiose” total, na interpretação de seus personagens, o que é fundamental para os que contracenam entre si. Ambos são protagonistas, no mais elevado grau de interpretação da palavra, e “batem bola” como dois grandes “craques”, para o que age, a favor, como “mocinho”, a velha amizade que há entre eles e o imenso talento da dupla. Ambos vão se moldando, à proporção que as situações desfilam, aos olhos do público, apresentado-se mais favoráveis a um e desfavoráveis a outro, em alternâncias. Um belíssimo trabalho de interpretação, merecedor de prêmios.  




 (Foto: RB.)



 

 

FICHA TÉCNICA:

 

Idealização: Daniel Dias da Silva, Renata Blasi e Thelmo Fernandes

Texto: Ignasi Vidal

Tradução: Daniel Dias da Silva

Direção: Daniel Dias da Silva

Assistência de Direção: Sávio Moll

 

Elenco: Thelmo Fernandes e Claudio Gabriel

 

Cenografia: Natália Lana

Iluminação: Vilmar Olos

Figurino: Victor Guedes

Trilha Sonora: Daniel Dias da Silva

Projeto Gráfico: Raquel Alvarenga

Fotografia: Rafael Blasi - Vida Longa Audiovisual

Vídeos: Vida Longa Audiovisual

Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Assessoria – Gisele Machado & Bruno Morais

Gestão de Redes Sociais: Ana Lobo

Assistência de Produção: Julia de Aquino

Produção Executiva: Juliana Trimer

Direção de Produção: Renata Blasi e Ana Paula Abreu

Produção: Diálogo da Arte Produções Culturais

Realização: Blasi & Fernandes Produções Artísticas – Diálogo das Artes Produções Culturais

 

 

 





(Foto: RB.)






SERVIÇO:

 

Temporada: De 25 de novembro a 18 de dezembro de 2022.

Local: Sesc Copacabana (Arena).

Endereço: Rua Domingos Ferreira, nº 160 - Copacabana - Rio de Janeiro.

Dias e Horários: De quinta-feira a domingo, sempre às 20h.

Valor dos Ingressos: R$7,50 (associado do Sesc), R$15,00 (meia entrada) e R$30,00 (inteira).

Informações: (21) 2547-0156.

Horário de Funcionamento da Bilheteria: De terça a sexta-feira, das 9h às 20h; aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 20h.

Classificação Indicativa: 12 anos.

Duração: 90 minutos.

Gênero: Drama.


 




(Foto: RB.)



Muito mais, ainda, se pode falar sobre o sentido do vocábulo “dignidade”. Na Roma Antiga, uma pessoa possuía “dignitas”, quando ganhava o respeito dos outros, por seu comportamento ético. Com essa denominação, fazia-se alusão a seu prestígio, sua honra e sua reputação social. Para o político e filósofo Cícero, “‘dignitas’ é um dos valores humanos mais elevados, pois se encontra em um nível muito superior aos interesses pessoais”. Quando um político deixava de fazer jus a tal mérito, reconhecido(s) o(s) seu(s) erro(s), preferia perder a vida, por suas próprias mãos, a enfrentar a vergonha de um julgamento e a execração pública. Ainda hoje, com extrema raridade, num passado não tão distante, no Japão, por exemplo (Trago essa imagem “fresca”, na minha mente, quando a vi pela TV.), um político, após ter pedido desculpas, em público, por um grave erro de conduta, cometido por ele, deu um tiro na boca, em frente às câmeras.




(Foto: RB.)



Na “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, apresentada na “Assembleia Geral das Nações Unidas”, no final de 1948, em seu preâmbulo, pode ser lido que “os ideais de paz, liberdade e justiça estão baseados na ‘dignidade’ que todo ser humano possui”. Será mesmo que todos os humanos podem ser considerados “dignos”?




(Foto: RB.)


“Uma pessoa ‘digna’ possui princípios íntegros e inflexíveis, adotando comportamento calmo e equilibrado, de respeito próprio e pelos demais. Outra característica que acompanha a ‘dignidade’ é uma perceptível elevação de caráter, que ocasiona boa reputação, renome e estima devidos ao decoro com conduz seus assuntos.” Uma pessoa perde a “dignidade”, quando perde a honestidade, a honra de ser quem ela era, uma pessoa digna, que procedia com decência. “A pessoa que vive uma vida ‘digna’ tem valores morais e éticos bem definidos. É independente, generosa e não espera por recompensas ou reconhecimento externo. ‘Digna’ é a pessoa que busca a verdade em todos os assuntos relativos ao empreendimento humano...”.


(Foto: RB.)


No texto, os personagens trocam farpas e falam sobre propinas, falta de lisura no trato com o dinheiro público, improbidade parlamentar, falta de decoro, ética, mordomias, locupletações, ambições desmedidas e injustificáveis... Assistam à peça e apontem o dedo, ou não, para Fran ou Alex. Ou para os dois. Ou para nenhum deles.


(Foto: RB.)


ESTE ESPETÁCULO É DIGNO DA MINHA MAIS EFUSIVA RECOMENDAÇÃO.



Ignasi Vidal - o autor do texto

(Foto: autoria desconhecida.)




Daniel Dias da Silva - o diretor.
(Foto: autoria desconhecida.)




Parte da Equipe.


 

 

FOTOS: RAFEL BLASI

(Oficiais)

e

RICARDO BRAJTERMAN

(RB - Convidado)

 

 


GALERIA PARTICULAR:

 

 

Com Daniel Dias da Silva.

("Selfie".)


Com Thelmo Fernandes.

(Foto: Juliana Trimer.)


Com Claudio Gabriel.

(Foto: Juliana Trimer)

 

 

VAMOS AO TEATRO,

COM TODOS OS CUIDADOS!!!

 

OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO

 DO BRASIL,

COM TODOS OS CUIDADOS!!!

 

A ARTE EDUCA E CONSTRÓI, SEMPRE!!!

 

RESISTAMOS, SEMPRE MAIS!!!

 

COMPARTILHEM ESTE TEXTO,

PARA QUE, JUNTOS,

POSSAMOS DIVULGAR

O QUE HÁ DE MELHOR NO

TEATRO BRASILEIRO!!!

 

 

 

 

 


 

 
















































































sábado, 3 de dezembro de 2022

 

“NEVA”

ou

(O VIRTUOSISMO DE UMA COMPANHIA DE TEATRO

QUE SE SUPERA, 

A CADA NOVO ESPETÁCULO.)

ou

(A METALINGUAGEM, NO TEATRO, MUITO ME AGRADA.)

 

 


Para comemorar o seu 35º aniversário de fundação, a ARMAZÉM COMPANHIA DE TEATRO escolheu um excelente texto, de um dramaturgo chileno, chamado GUILLERMO CALDERÓN. Trata-se de “NEVA”, considerada sua OBRA-PRIMA. Confesso que não conhecia a produção dramatúrgica de CALDERÓN, e, por conta disso, tão forte sua obra me tocou, parti para uma pesquisa sobre ele.



GUILLERMO CALDERÓN Labra, nascido em Santiago do Chile, além de dramaturgo premiado, é ator, roteirista e diretor teatral. Estudou interpretação na “Escola de Teatro da Universidade do Chile e completou estudos de pós-graduação no "Actor's Studio", em Nova York, na “Dell'Arte School of Physical Theatre”, na Califórnia, e um mestrado em Teoria do Cinema, pela "City Univeresity" de Nova York”. Atualmente, é professor de interpretação, na "Escola de TEATRO da Universidade Católica do Chile". Um currículo “de peso”, para um homem de 51 anos. O viés em que ele mais atua, na produção de textos para o palco, é o TEATRO político, como é o caso da peça em tela, a primeira de várias, escrita em 2005 e encenada, pela primeira vez, em 2006. Interessei-me, e o farei, em breve, por ler os textos de “Clase”, “Dezembro”, “Vila + Discurso”, “Drink”, “Escuela”, “Metaluna”, “Feio” e “Dragão”. A ser confirmada, nessas peças, a mesma qualidade, ou próxima a ela, de “NEVA”, ficará fácil concordar com os que veem, em CALDERÓN, um dos mais representativos dramaturgos latino-americanos.


Guillermo Calderón.

(Foto: autoria desconhecida.)


 

SINOPSE:

“NEVA” se passa em São Petersburgo, então capital do Império Russo, em um dia de 1905.

Não um dia qualquer, mas em 9 de janeiro de 1905, que ficou conhecido como “Domingo Sangrento”, quando manifestantes que marchavam para entregar uma petição ao Czar, pedindo-lhe melhores condições de trabalho nas fábricas, foram fuzilados pela Guarda Imperial.

A ação se passa dentro de um Teatro, onde um ator e duas atrizes, que iriam se encontrar, para ensaiar “O Jardim das Cerejeiras”, do consagrado dramaturgo russo Anton Tcheckhov, acabam, meio sem querer, se abrigando do massacre que acontece nas ruas e que será o estopim da revolução que acontecerá, posteriormente, no país, em 1917. 

Uma das atrizes, trancada no Teatro, é a alemã Olga Knipper (PATRÍCIA SELONK), primeira atriz do famoso “Teatro de Arte de Moscou” e que foi casada com Tchekhov.

Sentindo-se incapaz de representar, depois da morte do marido, por tuberculose, acontecida havia seis meses, e na tentativa de seguir vivendo, enquanto, lá fora, a cidade desabava, Olga instiga Masha (ISABEL PACHECO) e Aleko (FELIPE BUSTAMANTE) a uma encenação, repetidamente, junto com ela, da morte de Tchekhov.

A partir desse desassossego, entre incertezas artísticas e embates políticos, a pergunta que mais se impõe é “Para que serve o teatro?”.

A discussão proposta pelos personagens oscila entre a afirmação da absoluta necessidade da arte (“Temos que fazer TEATRO. Temos que fazer uma peça que nos cure a alma.”) e da sua total irrelevância (“Pra que perder tempo, fazendo isso? O TEATRO é uma merda. Querem fazer algo que seja de verdade? Saiam às ruas!”).

 

 


Foto: Gilberto Bartholo.

 

     Ainda que a ação da peça se dê há quase 118 anos, sua SINOPSE nos leva a tirar algumas conclusões que têm a ver com uma época mais próxima a nós, chegando, até mesmo, aos dias atuais. E podemos, ainda, encontrar, no decorrer da trama, elementos capazes de nos levar a analogias com o mundo de hoje e dados simbólicos. CALDERÓN faz uso de um humor feroz, para escreve sobre uma Rússia conflagrada, politicamente, no início do século XX, mas, também, reflete sobre o seu Chile da década de 1970, após o golpe militar de 1973, que derrubou o regime democrático constitucional, encabeçado pelo general Augusto Pinochet, um traidor golpista, e que levou à morte o presidente eleito Salvador Allende. Há quem diga que Allende praticou suicídio, mas o que tudo indica é que foi, sumariamente, executado, por tentar resistir ao golpe. Além disso, podemos fazer uma leitura da obra que nos traga ao Brasil desses últimos quatro anos, obscuros, tempos onde “tudo o que tem água está congelado, inclusive os homens”.


Foto: Gilberto Bartholo.


     Os três personagens, que protagonizam o espetáculo, são atores à espera do resto do elenco, que não chega, sem que se saiba se não o fizeram por dificuldade de chegar até o Teatro, local de ensaio, ou se já haviam sido, também, mortos pela repressão. Um elenco que jamais se completará. De um rol numeroso de artistas, que “O Jardim das Cerejeiras” exige (17 personagens), restaram, apenas, três, que podem simbolizar a resistência, assim como o prédio físico de um Teatro tem a sua interpretação ampliada, metaforicamente, para aquela frase, tão repetida e, na minha visão, extremamente verdadeira, de que “O TEATRO SALVA”. A proposta de Olga, aparentemente, uma ideia estapafúrdia e desprovida do menor senso de “lucidez”, levada de forma tão obsessiva, pode ser encarada como a alma do artista - ou a sua “alienação” -, que sonha sem limites e supera tudo, por seu amor e dedicação à ARTE. "Dizem que sou louco por pensar assim / Se eu sou muito louco por eu ser feliz / Mas louco é quem me diz / E não é feliz, não é feliz" (Arnaldo Baptista e Rita Lee). GUILLERMO CALDERÓN, no fundo, tem por objetivo, com este texto, levar o público a refletir sobre a importância, ou não, do TEATRO, da necessidade, ou não, dele, na vida e na formação de um ser humano. A bem da verdade, “NEVA” propõe, aos espectadores, um desfio sobre tal importância ou necessidade, a questão que mais prende a plateia ao palco.



      Num depoimento, parte do “release” da peça, que recebi de NEY MOTTA (Contemporânea Comunicação – Assessoria de Imprensa), o diretor desta montagem, PAULO DE MORAES, se diz “encantado” com a proposta de “NEVA”, pelo fato de o autor nos apresentar um TEATRO eminentemente político, “mas que se propõe a mergulhar em uma linguagem poética cortante e num humor extremamente ácido”, algo como “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura” (Ernesto Che Guevara). Creio que, da mesma forma, essa combinação também é o motivo de um “encantamento” que me atingiu, tornado muito mais “robusto” com o acréscimo, ao texto, de todos os elementos que devem entrar numa boa encenação teatral.



     A tradução do texto original foi feita por CELSO CURI e, embora eu não o conheça, no idioma em que foi escrito, percebi que deve ter havido, por parte do tradutor, muito cuidado em manter características do estilo do dramaturgo. Há certas particularidades de sintaxe e o uso de um vocabulário, o qual, ao mesmo tempo que guarda um ar aristocrático, recebe lufadas de um leve frescor, que a língua portuguesa proporciona. As ações sucedem-se de modo a prender a atenção da plateia, ávida por saber a que destino levará aquele triálogo.



     Tenho PAULO DE MOARES na conta de um dos nossos melhores encenadores, mérito atingido em todas as montagens da AMNAZÉM COMPANHIA DE TEATRO a que assisti. E foram muitas, iniciando-se não sei bem quando nem com qual espetáculo, passando pelos que mais me marcaram: “Alice Através do Espelho”, “Casca de Noz”, “Toda Nudez Será Castigada”, “Mãe Coragem E Seus Filhos”, “Inveja dos Anjos”, “A Marca da Água”, “O Dia Em Que Sam Morreu”, “Inútil A Chuva”, “Hamlet” e “Angels In America”. Criativo, aberto a novas experiências e sem medo das novas tecnologias, que podem, e devem, ser incorporadas à linguagem teatral, PAULO nos brinda com uma direção bastante “solta” e “inovadora”, fazendo uso de muitos microfones, de tipos e tamanhos variados, espalhados pelo espaço cênico, como se a determinar as marcações a que o trio de atores precisa obedecer. Não há uma frase desse texto que não mereça ser valorizada. Aqui, ao lado do virtuosismo de cada um dos três artistas, entra o dedo de PAULO DE MORAES, apontando a melhor forma de atingir o que pretende passar, com sua assinatura para a obra do dramaturgo. Prepare-se para embarcar na excelente estética adotada pela direção. O contemporâneo também se faz presente nas notas da guitarra, executada pelo ator FELIPE BUSTAMANTE, sendo, aqui, o instrumento musical, quase um “actante”, em cena, “contracenando” e “dando o seu texto”, sem dúvida, uma brilhante ideia de PAULO DE MORAES.


Paulo de Moraes.

(Foto: autoria desconhecida.)


       Em quase todas as suas encenações, PAULO também chama a si a responsabilidade de preencher o espaço da representação com suas cenografias, cada uma mais arrojada e interessante que as outras. Lembro-me, perfeitamente bem, dos detalhes de todas, verdadeiras instalações plásticas, algumas. Em “NEVA”, optou por um cenário minimalista e que atraísse o público ao “palco”, o que consegue fazer com a utilização dos já citados microfones, além de uma cadeira, uma poltrona e uma bela maquete, réplica do “Teatro de Arte de Moscou”, além de alguns tapetes clássicos. Importante é dizer que nenhum dos elementos de cena marca uma determinada época, sendo, então, considerado, o cenário, como algo atemporal.


Maquete do "Teatro de Arte de Moscou"

(Foto: Gilberto Bartholo.)


       Acostumada a assinar os figurinos da COMPANHIA, CAROL LOBATO também se desprendeu da “obrigatoriedade” de criar peças clássicas, próprias do início do século XX, e partiu para uma proposta de escolher um guarda-roupa descontraído, sem o menor rebuscamento, trajes do dia a dia hodierno; “roupa de ensaio”.



     Um dos mestres da área de iluminação, MANECO QUINDERÉ também optou por uma luz bem comedida, totalmente a serviço de cada cena.



    Uma das marcas das encenações da ARMAZÉM COMPANHIA DE TEATRO, mormente nos últimos anos, é a presença de uma trilha sonora “ousada”, ora executada ao vivo, ora por meio de gravações, levando a assinatura de RICCO VIANA, sempre explorando o som metálico das guitarras, instrumento que domina, entre outros ruídos mais “leves”. Essa mistura é muito “saborosa” e sempre combina bem com as ideias da direção. Não seria diferente agora.



 PATRÍCIA SELONK e ANA LIMA cuidaram da preparação corporal do trio em cena, atingindo um excelente resultado.



Há um perfeito entrosamento entre os três atores. PATRÍCIA SELONK, que considero uma das melhores atrizes de TEATRO de sua geração, imprime, à sua Olga, um tom melancólico, em função da perda do amor de sua vida, a quem ela, diante de uma também possível proximidade com a morte, deseja homenagear, de forma bastante obsessiva, como já disse, mas merece ser realçado, e, por vezes, agindo, a personagem, como uma válvula de escape, no texto, para aquela situação quase limite, por meio de pequenas falas inseminadas por uma certa dose de humor cáustico e deboche. A ISABEL PACHECO, também em excelente momento de sua carreira, cabe, na pele de Masha, fazer uma espécie de contraponto às ações e à proposta de Olga, muito mais por se reconhecer humilhada, diante do talento desta. Masha é quem dispara sua “metralhadora política”, questionando o porquê de o TEATRO ter que existir, principalmente naquele momento em que a vida de todos está por um fio, em iminente perigo. Para completar o magnífico elenco, FELIPE BUSTAMANTE interpreta Aleko, a meu juízo, um típico personagem tchekhoviano, um idealista, como tantos outros encontrados na extensa bagagem do dramaturgo russo.


 Patrícia Selonk.


 

FICHA TÉCNICA: 

Texto: Guillermo Calderón

Tradução: Celso Curi

Direção: Paulo de Moraes

 

Elenco: PATRÍCIA SELONK (Olga Knipper), ISABEL PACHECO (Masha) e FELIPE BUSTAMANTE (Aleko)

 

Interlocução Artística: Jopa Moraes

Instalação Cênica: Paulo de Moraes

Iluminação: Maneco Quinderé

Figurinos: Carol Lobato

Música: Ricco Viana

Maquete “Teatro de Arte de Moscou”: Carla Berri

Mecânica da Maquete: Marco Souza

“Design” Gráfico e Vídeos: Jopa Moraes

Fotografias: Mauro Kury

Preparação Corporal: Patrícia Selonk e Ana Lima

Técnico de Montagem: Djavan Costa

Assistente de Produção: William Souza

Produção: Armazém Companhia de Teatro

Assessoria de Imprensa: Ney Motta (Contemporânea Comunicação)


 

 

Isabel Pacheco.


 

SERVIÇO:

Temporada: De 11 de novembro a 18 de dezembro de 2022.  

Local: Fundição Progresso – Espaço Armazém.

Endereço: Rua dos Arcos, nº 24 – Lapa - Rio de Janeiro.

Dias e Horários: Sextas-feiras e sábados, às 20h; domingos, às 19h.

(Não haverá apresentações nas semanas de 2 a 4 de dezembro e de 9 a 11 de dezembro.)

Valor dos Ingressos: R$60,00 (inteira) e R$30,00 (meia entrada). Estudantes, idosos, menores de 21 anos, pessoas com deficiência, professores, profissionais da rede pública municipal de ensino e classe artística, apresentando identificação.

Venda na bilheteria do Espaço Armazém (uma hora antes das apresentações) ou pelo site www.sympla.com.br/armazemciadeteatro

Capacidade de Público: 107 lugares.

Classificação Etária: 14 anos.

Duração: 80 minutos.

Gênero: Drama

 

 


Felipe Bustamante.

 

        Se o espetáculo não tivesse tantos méritos, a ponto de merecer a minha modesta recomendação, já teria valido a pena a minha ida à Fundição Progresso (Espaço Armazém), pelo fato de a montagem ter sido levantada “sem nenhum patrocínio, mas com a colaboração fundamental de mais de 80 pessoas, que participaram da campanha “COLABORE COM O NOVO ESPETÁCULO DA ARMAZÉM”, divulgado nas redes sociais da CIA.”, e a solidariedade de tantos importantes artistas de criação do nosso TEATRO, que trabalharam sem remuneração, em respeito e consideração à ARMAZÉM COMPANHIA DE TEATRO, por sua linda trajetória e importância para o TEATRO BRASILEIRO, com muitas premiações, em território nacional, e algumas, no exterior, em Festivais de TEATRO.



Numa entrevista a Álvaro Machado, à qual tive acesso, durante a minha pesquisa sobre o autor, disse este: “O problema ético do TEATRO POLÍTICO é que ele se encerra entre as quatro paredes de um Teatro. Para mim, o principal propósito do TEATRO POLÍTICO não é convencer o público sobre determinada tese, mas juntar as pessoas, num lugar, para discutir, criar um espaço de discussão coletiva, nem que seja por uma hora.”. Tenha a certeza, senhor CALDERÓN, de que, com "NEVA", seu objetivo é altamente alcançado.



Para finalizar, com um antecipado pedido de desculpas à querida PATRÍCIA SELONK, permito-me uma inconfidência, que me deixou profundamente emocionado. A sessão, no dia em que assisti à peça, começaria às 20 horas, mas eu, que já vinha de outro espetáculo, no final de tarde/início de noite, há uma semana, cheguei à porta do “Espaço Armazém”, um pouco depois das 18 horas e testemunhei a grande atriz empunhar uma vassoura e varrer o chão, na parte de fora do “Espaço”. Isso prova a grandeza de uma magnífica artista, a sua humildade, e por que a ARMAZÉM COMPANHIA DE TEATRO conseguiu atravessar 35 anos de muitos sacrifícios e dificuldades, mantendo-se, sempre, no topo das grandes companhias do TEATRO BRASILEIRO. #prontofalei!


Anton Tcheckhov

(Foto: autoria desconhecida.)

 

 

 

FOTOS: MAURO KURY

 

 


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