terça-feira, 5 de abril de 2022

 

“URUTU”

ou

(O CIRCO CHEGOU.)

ou

(VIVA O CIRCO!)














        Quem me conhece sabe que a minha “praia” é o TEATRO. Ele é o meu “oxigênio”. Mas, se eu tivesse de escolher outro elemento para, também, “respirar” e “garantir a minha sobrevivência”, não seria apenas um, porém três, e na mesma proporção e intensidade de paixão: CIRCO, MÚSICA e DANÇA, não, obrigatoriamente, nessa ordem; mas quase. Depois do TEATRO, são essas três ARTES aquelas pelas quais me interesso mais.





        Não leiam este texto como uma crítica de TEATRO, porque não vou falar sobre um espetáculo teatral, mas sobre um grande “show”, com um viés teatral, envolvendo o CIRCO, por sua vez, acompanhado da MÚSICA e da DANÇA. Não é uma crítica circense, até porque desconheço que haja alguém que escreva, especificamente, sobre o assunto, mas é mais um depoimento de alguém que ama o CIRCO, é louco por um picadeiro e se deixou embalar e encantar, quando assistiu, no último sábado, dia 02 de abril de 2022, ao espetáculo “URUTU”, que estava sendo apresentado na área externa do CCBB – Rio de Janeiro, GRATUITAMENTE, o que permitia agrupar muita gente para uma experiência para lá de excitante e linda, que, infelizmente, encerrou a temporada  ontem, domingo, 03 de abril de 2022.





        Amo o CIRCO, desde a mais tenra idade, por tantos motivos, e um deles é o fato de minha mãe ter sido amiga do grande falecido palhaço FRED, o qual, durante décadas, fez uma das mais famosas duplas de palhaços deste país, se não a maior, CAREQUINHA & FRED ou FRED & CAREQUINHA, que ainda tinham, na sua trupe, outros palhaços, que lhes faziam “escada” (Se não sabe o que é isso, “dê um Google”.) como Zumbi, Zumbizinho e Meio-Quilo. Por conta disso, frequentei muito o CIRCO, durante a minha infância e pré-adolescência, levado por meus pais, quando pude conhecer, também, os amigos palhaços do FRED (Frederico Viola), e constatar como era difícil a vida para eles, naquela profissão, assim como para todos os artistas circenses. E é assim até os nossos dias. Depois, já crescido, ia por conta própria, e, até hoje, aos 72 anos de idade, não deixo de ir a algum CIRCO, quando sei de sua presença no Rio de Janeiro. Tanto me agradam os grandes “shows” do “Cirque du Soleil” e similares, como me deixo encantar, facilmente, pelos bem mambembes, de interior. Já fui a muitos, pelas minhas viagens, Brasil a dentro.





        Fico bastante incomodado, irritado, até, quando chamam de “palhaço” alguém desprezível, que fez algo errado, como um político, por exemplo, por ver nisso uma grande ofensa aos palhaços, profissionais honestos e dignos de todo o nosso carinho, respeito e admiração.





        Minha mais recente incursão num espetáculo circense, como já disse, é de poucos dias, e foi bastante diferente, uma vez que a estrutura montada para a as funções fugia, totalmente, à que conhecemos tradicionalmente, ou seja, um ambiente redondo, com cadeiras e arquibancadas à volta de um picadeiro circular, coberto por um toldo colorido. Desta vez, não era um CIRCO “hightech”, mas era diferente. Contribuíram, para isso, o CCBB do Rio de Janeiro, a Escola Nacional de Circo, a FUNARTE, o diretor RENATO ROCHA e a CIRANDA DE 3 TRUPE PRODUÇÕES.






      Não posso fazer uma análise técnica do trabalho, mas me proponho a expor alguns comentários e traduzir o meu imenso grau de satisfação, por ter assistido a “URUTU”, partindo de um “release”, que me foi enviado por NEY MOTTA (Assessoria de Imprensa). A bem da verdade, talvez o conteúdo maior destes escritos provenha de lá, e estarão destacados, em negrito e itálico.





        Promete o CCBB, em 2022, ser a “casa do CIRCO brasileiro”, uma informação muito alvissareira, já que carecemos, e muito, de apoio a essa ARTE, bastante prestigiada, fora das nossas fronteiras, mas quase ignorada no nosso país. E, quanto a “URUTU”, diz o “release” que se trata de um “espetáculo que busca pensar a identidade do novo CIRCO contemporâneo brasileiro, a partir de uma linguagem transdisciplinar e sensorial, entre a cultura popular e urbana, as artes visuais, as experiências sonoras e uma estética carnavalizada...”.





O evento marca o início das efemérides, a serem promovidas pelo CCBB, que merece o centenário da “Semana de Arte Moderna”, a qual não durou “uma semana”, exatamente, mas que ocorreu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, envolvendo música, poesia (literatura, em geral), pintura e dança, entre outros tipos de ARTE, cuja proposta era “explorar a brasilidade e valorizar o território nacional, como berço de inspiração cultural”. Também será, para o CCBB, um ano de comemoração do bicentenário da Independência do Brasil. Com “URUTU”, espera o CCBB criar “uma vitrine para o circo brasileiro, nas relações internacionais, colocando, assim, o Brasil no mapa do cenário circense mundial”







Trata-se de um projeto tão arrojado quanto democrático, popular, uma vez que não há cobrança de ingresso, já que o evento ocorre na área externa do CCBB, mais propriamente, na frente de sua linda fachada, ocupando o espaço destinado ao estacionamento. Lá foi montado um palco-picadeiro, com estrutura de aço, no qual se apresentam 35 artistasformados na Escola Nacional de Circo, pessoas de diversos países da América Latina, entre Venezuela, Equador, Argentina, Chile, Colômbia, e das 5 regiões do Brasil, do Amazonas, Pará, Tocantins, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, “alguns deles com antepassados pertencentes a povos originários. Eles emprestam alma e corpos latino-americanos, para encenarem o espetáculo ‘URUTU’”. Há cerca de 50 cadeiras, dispostas dentro da parte cercada, porém um incalculável número de espectadores pode assistir aos números circenses, do lado de fora.






Assim como, por exemplo, o “Cirque du Soleil” dá um nome a cada um de seus “shows”, baseado num enredo, era necessário nomear o nosso espetáculo, batizado de “URUTU”, que, na cultura dos povos originários (indígenas), diz respeito a “cobra-grande”, que é símbolo da deglutição e da gestação de algo novo. “E é nesse sentido, digamos, ‘antropofágico’, que ‘URUTU’ está sendo concebido como um espetáculo de alto nível técnico e de extremo impacto físico e visual, que mistura as artes visuais, a dança, a música, o TEATRO, a cultura popular e o próprio CIRCO, para criar uma experiência estética que una o carisma, o vigor e o risco do CIRCO clássico com a pesquisa, inovação, visceralidade e a beleza, estética e sensorial, do CIRCO contemporâneo. Uma obra de dramaturgia aberta, que só se completa no corpo e na imaginação dos espectadores, convidando-os para um universo de sensações, em que eles próprios possam criar associações, a partir de suas vivências e experiências pessoais”.






Ninguém sai “incólume”, depois de ter assistido a “URUTU”. Todos os espectadores deixam aquele espaço “mexidos”, com a autoestima elevada e a esperança de que ainda podemos ter um país com o qual sonhamos, de liberdade total, de pensamento e expressão dele, de igualdade social e humanitária, um país do qual possamos nos orgulhar, muito diferente do pesadelo que estamos vivendo, há três “longos” anos, desde o fatídico dia 1º de janeiro de 2019, principalmente para quem vive da ARTE, algo que tanto incomoda o atual (DES)governo federal.








Ainda é desejo do CCBB apresentar “um trabalho diferenciado, sofisticado e de grande alcance popular, que possa restabelecer o debate sobre a identidade do novo CIRCO contemporâneo brasileiro, a cena circense atual, o mercado nacional, e o investimento para esta linguagem de tão grande alcance junto ao público e sua internacionalização, visto a precariedade do segmento no cenário brasileiro atual”. Tanto é verdade que muitos dos grandes artistas circenses que trabalham em circos estrangeiros, são brasileiros, os quais se viram obrigados a procurar uma melhor condição de vida, trabalhando e morando no exterior, assim como ocorre, por exemplo, com tantos brilhantes cientistas brasileiros, ainda que a comparação possa parecer, aos olhos de alguns, meio esdrúxula. Mas o motivo do êxodo é o mesmo. E precisamos resgatar esses grandes valores e repatriá-los, para que trabalhem em prol do desenvolvimento do nosso país.





“Chegou a hora de pensar qual a identidade do CIRCO brasileiro no cenário circense mundial e o mercado para a linguagem no cenário nacional e suas oportunidades. Qual a construção da identidade da linguagem circense que será capaz de traduzir a brasilidade que tanto encanta o mundo? E como é possível fomentar esse segmento tão popular e, ao mesmo tempo, tão precarizado? Resolvemos criar um projeto inédito, que mergulhe de cabeça na cultura brasileira com a linguagem do circo contemporâneo, composto por artistas oriundos da 'Escola Nacional de Circo', A MAIOR ESCOLA DE CIRCO DA AMÉRICA-LATINA. Dessa forma, o projeto vira, também, uma plataforma para a formação, fortalecimento do mercado do CIRCO no Brasil, de intercâmbio, debate e fortalecimento da linguagem e do setor circense nacional” – comenta o diretor RENATO ROCHA.






“A concepção de RENATO ROCHA, artista articulador no Brasil e no cenário internacional, de um espetáculo que represente toda a potência e diversidade de nossa produção cultural, criando uma vitrine para o CIRCO brasileiro nas relações internacionais, ao promover uma ação coordenada em diferentes níveis, propõe uma ação reflexiva, como a da “Semana de Arte Moderna”, que se dará para além de uma montagem de um espetáculo de CIRCO.”




 

“Precisamos fortalecer a cena circense brasileira, com ações formativas, intercâmbios, mesas de debate com temas de extrema importância para o CIRCO, como a segurança, técnica, formação, linguagem, público, festivais, patrocínio, internacionalização e mercado para os artistas brasileiros, além de compartilhamentos de metodologias e dispositivos para processos criativos, e pensamentos de diferentes dramaturgias possíveis para o CIRCO. Produzir pensamento sobre a estética, formação e o fazer artístico do CIRCO hoje, através da criação de um produto artístico que se pretende de alta qualidade. Um espetáculo que represente toda a potência e diversidade de nossa produção cultural. E atrair os investimentos necessários para alavancar esse setor.”, completa RENATO.





Apesar de não ser considerado um trabalho de TEATRO, devemos admitir que, nele, podemos encontrar uma dramaturgia, sim, entretanto completamente distante do sentido que, normalmente, é atribuído a esse vocábulo. RENATO ROCHA, em seus espetáculos, como um também recentemente encerrado, no SESC Copacabana, “Respira”, caminha para além do que as artes cênicas costumam pensar a respeito da palavra “dramaturgia”“Em seu processo, RENATO cria suas (próprias) “dramaturgias”, a partir do material humano do artista, suas ferramentas criativas, em como este se relaciona com o mundo hoje, e com o tema proposto, como ponto de partida, tendo sua biografia como matéria-prima afetiva”.





Vejamos, pela boca do próprio artista, RENATO ROCHA, a sua visão/proposta de “dramaturgia”, empregada em seus trabalhos: “A dramaturgia a que me refiro é transdisciplinar, aberta, não linear, subjetiva e emocional, e abrange diversas dramaturgias, como a da palavra, a do ‘performer’ em cena, a da imagem, a da própria cena, a da sonoridade, a da especulação e da produção de significados do espectador. E quando se fala de CIRCO: Qual a dramaturgia possível, para as variadas técnicas circenses? Qual a de um aparato circense, como o trapézio, por exemplo? Como tratar o espaço aéreo como um lugar a ser habitado? Qual a produção de universo sensível, a partir da fricção entre um corpo e um aparelho aéreo? É uma discussão.”.






Um pouco, apenas, sobre o admirável trabalho de RENATO ROCHA: “Criou espetáculos para a ‘Royal Shakespeare Company’, ‘The Roundhouse’, ‘Lift’, ‘Circolombia’, para a ‘Bienal Internacional de Artes de Marselha’, o ‘National Theatre of Scotland’, o ‘Festival Internacional de Leicester’, a União Européia e Unicef. Dirigiu projetos na Índia, Berlim, Tanzânia, Quênia, Egito, Paris, Nova Iorque, Edimburgo, Estocolmo, Budapeste e Colômbia. Foi diretor artístico da ‘Organização Street Child United' e do 'Circus Incubator’, colaboração entre França, Finlândia, Suécia, Espanha, Canadá e Brasil. Em 2016, fundou o ‘NAI – Núcleo de Artes Integradas', no Brasil, onde criou ‘Before Everything Ends’, para o ‘Festival Home/Away’, em Glasgow; ‘S’blood’, indicado ao ‘Prêmio Shell-RJ’, de 2018, na categoria inovação; ‘Entre Cinzas, Ossos e Elefantes’; ‘Estar Fora do Mapa Também é Existir’, para a ArtRio, na C.Galeria; ‘Fragmentos de Emaranhados e Esquecimentos, para o ‘ArtCore’, no MAM-RJ; e a plataforma internacional ‘A Conferência dos Pássaros”, para a programação artística da ‘COP26’, em Glasgow. Dirigiu ‘Rastros’, com o ‘Circo Crescer e Viver’, ‘Ayrton Senna’ e ‘O Meu Destino é Ser Star’, com a ‘Aventura Entretenimento’; e, em 2019, ‘Eu, Moby Dick’, com o Oi Futuro. Recebeu 16 indicações nas mais importantes premiações do país, ganhando o ‘Prêmio Cesgranrio de Teatro’, de Melhor Cenografia. Nos anos 1990, RENATO ROCHA montou espetáculos com elencos numerosos, que fizeram temporadas em espaços ao ar livre. Integrou a ‘Intrépida Trupe’ e o ‘Nós do Morro’, experiências que o catapultaram para trabalhos na Europa, Ásia e África. Em 2021, desenvolveu o projeto ‘Casa Comum’. Financiado pelo ‘British Council’, o projeto aconteceu no coração da Amazônia, com o povo indígena Sateré Mawé, entre rios, floresta e cidade, onde os 10 artistas amazônicos, juntamente com o diretor artístico RENATO ROCHA, o estúdio londrino SDNA, os cineastas Takumã Kuikuro e Rafael Ramos e o artista sonoro Daniel Castanheira, criaram ‘vídeos performances’, que refletiram sobre a cosmovisão indígena do planeta, como uma casa comum, iluminada por Ailton Krenak. O projeto fez parte, também, da programação artística do ‘Casa Festival’, em Londres, da ‘COP26’, em Glasgow, e do ‘Festival Amazônia Mapping’, no Pará, e contou com as parcerias da ‘Pipe Factory’, ‘The Theatre of the Opportunity’, ‘The Necessary Space e LABEA’”.


RENATO ROCHA.








 

FICHA TÉCNICA:

Patrocínio: Banco do Brasil

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Dramaturgia e Direção Artística: Renato Rocha

Diretor Assistente: Orlando Caldeira

 

ELENCO (por ordem alfabética): Alex D, Aline Fortunato, Andru, Caroline Meurer, Digão, Eduardo Estrada, Elias Oliveira, Ezequiel Freitas, Felipe Cerqueira, Francine Rosa, Gui Oliveira, Ingrid Bogotá, Isabella Steffen, Jajá, Jéssica Oscar, Juan Pizarro, JC Barbosa, Juliana Fernandes, Leonora Cardani, Mística, Maga Martinez, Matheus Gabriel, Murillo Atalaia, Nat Az, Paolla Ollitsak, Patrick, Pedro Freitas, Pedro Vinícius, Rafaela Duarte, Rick Almodi, Sinead Daniela Rojas, Thaís Ventorini, Victor Versuth e Vini Reis

 

Coreografias e Direção de Movimento: Rômulo Vlad

Direção Musical: Daniel Castanheira

Trilha Sonora Original: Abel Duarte, Daniel Castanheira, Fernando Del Papa

Cenografia: Cachalote Mattos

Figurinos: Isaac Neves

Desenho de Luz: Renato Machado

Direção Técnica e “rigger” acrobático: Daniel Elias

Consultor Técnico e Acrobático: Rodolfo Rangel

Projeto Técnico e “Design de Rigging”: VRS – Vertical Rigging Solution

“Rigger” Acrobático e Operador de Guincho: Bruno Gandelman

Trilha Sonora Original gravada no Estúdio Garimpo, por Emiliano 7 – Rio de Janeiro

Músicos: Nana Carneiro da Cunha (violoncelos), Rene Ferrer (percussões), Abel Duarte (“sampler drum machine”, sintetizadores), Daniel Castanheira (“sampler”, sintetizadores, percussões), Fernando Del Papa (cavaquinho, violão, tenor, vozes, efeitos)

Sonorização: BDT – Boca do Trombone

Assistente de Coreografias: Gabriel Querino

Cenógrafo Assistente: Zitto Bedat

Cenotécnico: Moisés Cupertino

Assistente de Figurino: Marina Menezes

Aderecistas: William Ferreira e Matheus da Cunha

Costureiras: Sra. Elza Souza e Janaína da Hora

Assistente de Iluminação e Operação de Luz: Maurício Fuziyama

Técnicos de Iluminação: Antônio Carlos Ensa, Orlando Schaider, Rodrigo Emanuel da Silva, Rommel Equer, William Moscoso

Iluminação: Elétrica Cênica

Engenharia Elétrica: IlumiRio – Carlos Alberto T Moreira

Assessoria de Imprensa: Ney Motta

“Designer” Gráfico: Rafaela Gama Lira

Fotografia: Renato Mangolin

Registro Vídeos: Johnny Luz

Estagiário de Produção: Daniel Santos Silva, Fernando França Teixeira Leite, Giulia Gonzales, Miguel Ângelo Pereira Costa, Naya Vingolli Linhares dos Santos

Assistência de Produção: Naomi Savage

Produção Executiva – Carlos Chapéu

Direção de Produção: Dadá Maia

Produção: Ciranda de 3 Trupe Produções

 

EQUIPE ESCOLA NACIONAL DE CIRCO LUIZ OLIMECHA:

PROFESSORES RESPONSÁVEIS TÉCNICOS E COCRIADORES DOS NÚMEROS CIRCENSES (por ordem alfabética): Alex Machado, Alexander Khudyakova, Alexandre Souto, Alexis Reyes, Antônio Rigoberto, Bruma Saboya, Bruno Carneiro, Edson Silva, Ernesto Trujillo, Luciana Belchior, Marisa Khudyakova, Paulo Emanuel, Rodolfo Rangel, Rodrigo Garcez, Thalita Nakadomari

PROFESSORES COLABORADORES: Felipe Reznik (Música), Nayanne Cavalcante (Dança), Raquel Castro (Dança), Gustavo Damasceno (Teatro).

Preparadores Físicos: Felipe Bedran e João Solano

Fisioterapeuta: Rafael Gonçalves

Professor de Educação Física: João Solano

Direção ENC: Renata Januzzi

Coordenação Pedagógica: Lilian Lopes

Equipe Administrativa: Alexandre França e Oliveira Silva, Anderson da Costa Pereira, Gladys Coimbra, Paulo André Mota de Azevedo, Paulo Roberto Pinto Guimarães

Equipe de Limpeza: Carlos Dias Pereira, Cláudia Regina dos Santos Galvão, Fabiano dos Santos Severino, Janaína Gallo da Silva, Joelson Bonifácio Malaquias, Rogério Luiz de Moura, Sidnéa Pinto de Queiroz, Viviane Silva de Oliveira

Equipe de Portaria: Erinelton Mendes dos Santos, João Paulo dos Santos, Marcondes José da Silva Santos, Marcus Vinícius de Carvalho

Equipe de Brigadistas: Charlene Queiroz, Cíntia Maria, Darcler Batista, Rafael Nunes, Sérgio da Silva, Welton Luiz

Equipe de Vigilantes: Luiz Cláudio da Silva, Márcio José Ferreira, Wagner Barreto de Araújo, William Henrique da Silva

 








     Aplaudo, efusivamente, tudo o que vi lá, todos os números circenses, as criativas coreografias, a iluminação frenética, a trilha sonora versátil, original e contemplando obras como “O Trenzinho Caipira” e “Bachianas Brasileiras nº 5, ambas do grande maestro Heitor Villa Lobos, os lindos e coloridos figurinos e todo o trabalho de um batalhão de profissionais envolvidos nesse fantástico projeto.








        Pena que acabou!!!















FOTOS: RENATO MANGOLIN




E VAMOS AO TEATRO,

COM TODOS OS CUIDADOS!!!

 

OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO

 DO BRASIL,

COM TODOS OS CUIDADOS!!!

 

A ARTE EDUCA E CONSTRÓI, SEMPRE!!!

 

RESISTAMOS, SEMPRE MAIS!!!

 

COMPARTILHEM ESTE TEXTO,

PARA QUE, JUNTOS,

POSSAMOS DIVULGAR

O QUE HÁ DE MELHOR NO

TEATRO BRASILEIRO!!!

domingo, 3 de abril de 2022

 “A VOLTA

AO MUNDO

EM 80 DIAS”

ou

(ENCOLHERAM

O TEMPO

E EXPANDIRAM

A NOSSA ALEGRIA.)


 

 

        Insisto em dizer que, infelizmente, a grande maioria do que vejo em cartaz, do nicho TEATRO INFANTO JUVENIL, é de qualidade duvidosa, para usar um eufemismo, e algumas montagens, péssimas, quase me levam às lágrimas, de raiva e por ter perdido meu tempo em ir ao Teatro, entretanto, nos últimos tempos, na proporção, mais ou menos de três ou quatro, para dez, os espetáculos desse gênero têm variado de BONS a OBRAS-PRIMAS, como é o caso de “A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS (OBRA-PRIMA), a que assisti, no último sábado, dia 02 de abril de 2022, no Teatro II, do CCBB – Rio de Janeiro. E, se é bom, merece uma crítica.



        O espetáculo, concebido e apresentado pela "CIA. SOLAS DE VENTO", de São Paulo, faz parte de uma trilogia, a ser desenvolvida e completada nos meses de maio (“Viagem ao Centro da Terra”) e junho ("20.000 Léguas Submarinas"), por meio da qual o CCBB – Rio de Janeiro presta uma homenagem à obra de um grande escritor, JÚLIO VERNE (1828 – 1905). São três montagens teatrais que convidam o público infantojuvenil e os adultos a embarcarem, juntos, no universo fantástico do consagrado escritor e, também juntos, imergirem em uma cenografia que mistura vertentes das artes cênicas e da tecnologia. Essas três montagens teatrais provocam o imaginário, com livre adaptação do grupo. Através das obras literárias encenadas pela "CIA. SOLAS DO VENTO", os espectadores são convidados a viagens cheias de ludicidade, com momentos imagéticos, delicados e divertidos, pelo ar, pelo mar e nas profundezas do mundo subterrâneo.”. (Extraído do “release”, enviado por NEY MOTTA (Assessoria de Imprensa).


 



SINOPSE:

A peça conta a extraordinária aventura de MR. FOG (RICARDO RODRIGUES), um lorde apaixonado por geografia e PASSEPARTOUT (BRUNO RUDOLF), seu fiel criado francês.

Tudo começa quando MR. FOG descobre que, segundo seus cálculos, eles seriam capazes de dar uma volta, completa, pelo mundo, em 80 dias

Assim, é dada a partida para uma grande viagem, repleta de peripécias.

Mas eles não contam com a presença do misterioso MR. FIX (RICARDO RODRIGUES), o vilão da viagem, que surge, de forma inusitada, para atrapalhar a dupla.

Atravessando a Europa, o Egito, a Índia, a China, o Japão e os Estados Unidos, os dois aventureiros correm contra o tempo e contra as armadilhas provocadas por MR. FIX.

 

 


        Acredito que os adultos que não leram JÚLIO VERNE tiveram uma infância incompleta, da mesma forma como gostaria de que todos os pais de hoje incentivassem seus filhos a ler a obra desse magnífico escritor francês, considerado, por muitos críticos literários – e, aqui, eu me incluo, mesmo sem o ser -, como o inventor da ficção científica, já que, em suas obras futuristas e cheias de fantasia, antecipou a invenção de várias tecnologias, como o submarino, a televisão, as naves espaciais e até o fax. Além disso, durante muito tempo, ele foi considerado um dos escritores mais influentes e traduzidos do mundo todo. “Forçando, talvez, um pouco a barra”, poderíamos dizer que VERNE foi o Leonardo da Vinci do século XIX e iniciozinho do século XX, já que morreu em 1905. A diferença entre os dois é que ele apenas imaginava e escrevia, enquanto este criava, de verdade, seus maravilhosos e engenhosos inventos. Sua obra é vastíssima, entretanto a trilogia que o CCBB do Rio de Janeiro se propôs a encenar engloba seus três livros mais conhecidos e admirados. Muitas vezes, adaptado para o TEATRO, também teve muitas de suas obras levadas ao cinema.



       Não conhecendo, até então, infelizmente, o trabalho da "CIA. SOLAS DE VENTO", fui ao CCBB “meio no escuro”, confesso, porém com muita boa expectativa, que foi superada, em muito, o que sempre me deixa muito feliz. O espetáculo é uma OBRA-PRIMA, em função de uma excelente adaptação, assim como uma super inventiva e correta direção, sem falar na dupla de magníficos atores / palhaços e em todos os outros elementos de criação, dos quais depende uma boa montagem teatral.



       “Viajamos”, também, na agradável companhia de dois palhaços, sem a tradicional maquiagem, porém com a alma, o espírito e a técnica dos bons “clowns”. Extraído do “releasae”, enviado por NEY MOTTA (Assessoria de Imprensa): “Em ‘A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS’, o enredo é composto pela alternância de cenas cômicas e momentos imagéticos. Como num jogo de Tangram (Tangram é um quebra-cabeças geométrico, chinês, formado por 7 peças, chamadas “tans”: são 2 triângulos grandes, 2 pequenos, 1 médio, 1 quadrado e 1 paralelogramo. Utilizando todas essas peças, sem sobrepô-las, podemos formar várias figuras. Segundo a “Enciclopédia do Tangram”, é possível montar mais de 5000 figuras diferentes. – Como eu não sabia o que era Tangram, fiz a minha pesquisa, na Wikipédia.), os dois atores manipulam peças de ferro, rodas e sucatas, para construir os diversos lugares e transportes usados na viagem. A partir dessas peças, aparecem barcos, trens, montanhas, carroça e até um elefante. A encenação conta também com o uso de 3 câmeras de vídeo, manipuladas ao vivo, para captar e projetar, no fundo do palco, formas criadas com as sucatas, personagens e ilustrações dos lugares visitados. Uma das câmeras, pendurada no teto, permite revelar a movimentação dos atores deitados no chão para criar imagens inusitadas e trazer uma dimensão fantástica aos episódios da história.”.



      Ninguém que me lê pode imaginar o que seja tudo isso num palco de TEATRO. Só mesmo “vendo com seus próprios olhos, que a Terra há de comer”, pleonasmo, ainda que literário (quando se pretende, propositalmente, enfatizar alguma coisa), e não vicioso ou grosseiro (resultante da “ignorância dos significados dos vocábulos”, tais como encarar de frente, hemorragia de sangue, multidão de pessoas...), do tempo da minha avó, ou mais para trás, ainda.



       Voltando ao parágrafo que antecede o anterior, só posso dizer que fiquei encantado com o que vi: com tanta criatividade, inteligência e bom gosto, numa direção, que utiliza poucos elementos cenográficos e a tecnologia, simples esta, até certo ponto, para criar cenas que, dificilmente, sairão da memória de quem assiste ao espetáculo. É tudo muito lúdico, bastante simples, porém criativo e de um bom gosto indescritíveis. E o resultado disso tudo é um espetáculo que vale a pena ser visto e revisto. Estou, até, pensando nisso.



       “A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS”, existe desde 2011. Foi o primeiro espetáculo infantojuvenil da "CIA. SOLAS DE VENTO", já alcançando o sucesso, de crítica e público, tendo-lhe rendido premiações: Prêmio APCA 2011, de Melhor Ator (BRUNO RUDOLF) e Melhor Direção (CARLA CANDIOTTO); e no Prêmio FEMSA 2011 de Teatro Infantil, na categoria de Melhor Ator, além das indicações de Melhor Produção e Melhor Cenografia.

        ACHA QUE DÁ PARA PERDER TEMPO E FICAR ESPERANDO 80 dias? VÁ, LOGO, CONFERIR O QUE ESTOU DIZENDO!!!



      Para mim, foi uma gratíssima surpresa ter conhecido o trabalho da "CIA. SOLAS DE VENTO" e, certamente, não perderei as outras duas peças da trilogia. Saibamos um pouco sobre a COMPANHIA, para que não percamos nada do que eles tenham a nos oferecer, quando voltarem, em outras visitas ao Rio. Eu, quando for a São Paulo, não deixarei de assistir a nada do que eles façam, caso estejam em cartaz: “A CIA. SOLAS DE VENTO nasceu em 2007, na cidade de São Paulo, da parceria entre o ator e bailarino francês BRUNO RUDOLF, mestre do TEATRO físico, da manipulação de boneco e de técnicas circenses, e o brasileiro RICARDO RODRIGUES, artista circense, especialista em técnicas aéreas e da palhaçaria. Desde sua criação, a CIA. utiliza, em sua dramaturgia, a mescla de elementos de pantomima ou teatro gestual, sem o uso de palavras, das técnicas circenses e da dança contemporânea, enquanto as trilhas sonoras originais pontuam a movimentação em cena. Somam-se à identidade do grupo, o emprego de projeção, ao vivo, de vídeos e a manipulação de objetos. A simbiose desses elementos dá suporte para linguagem e trânsito entre gêneros e cria espaços e situações impactantes.”. Tudo isso significa, simplesmente, que eles têm o seu excelente diferencial, que eles têm uma digital, única, que serve para lhes abrir portas e mantê-las abertas. Tenho a certeza de que os que assistiram, ou ainda vão assistir a este espetáculo, para o qual lhes foi aberta uma porta, voltarão ao CCBB, e vão encontrar essa mesma porta aberta, para as duas próximas viagens, de certo tão excelentes quanto esta primeira.



      É, deveras, interessante, o processo de criação do espetáculo, que utiliza, como cenário, criado e construído pela própria CIA., estruturas e peças de metal, além de material de sucata e um ou outro elemento de muito baixo custo. Tudo isso, junto e misturado, leva o espectador a ver ou imaginar “de um tudo”, como já foi dito no parágrafo pós-SINOPSE, o que torna desnecessário a sua repetição. Mérito, também, nesta área, para a direção de arte, assinada por LU BUENO.



       Dialogando, “no mesmo diapasão”, com a cenografia há uma iluminação muito correta, associada a projeções, ao vivo, captadas por câmeras, como também já foi mencionado, ou vindas de um retroprojetor, objeto já meio em desuso, porém muito bem aproveitado na montagem. Não havia, na ficha técnica, um único nome, responsável pelo item iluminação, o que me levou a crer que se tratava de uma “criação coletiva”, e excelente, entre elenco e direção, entretanto, posteriormente à publicação da crítica, chegou-me a informação de que o trabalho de criação de um desenho de luz fora feito pelo grande iluminador WAGNER FREIRE. Várias vezes, arregalei os olhos, de admiração, diante dos efeitos ilusórios criados, como, por exemplo, um homem sustentando outro, equilibrando-o, com um só braço. Não tomem isto, por favor, como um "spoiler", porque são tantas as agradabilíssimas surpresas desse gênero contidas no espetáculo, que um só não é nada.



       O figurino, de OLINTHO MALAQUIAS, não segue a tradição das vestes dos palhaços, até porque não havia a menor necessidade disso, e são de muito bom gosto e funcionalidade, traçando bem a diferença de comportamento, de personalidades, entre os dois “actantes”.

Aproveitando um “gancho”, passo a fazer, agora, algumas considerações acerca dos nomes dos personagens, os quais, de certa forma – por favor, eu não estou estabelecendo uma comparação direta -, nos lembram o meu amado Dom Quixote e seu fiel escudeiro Sancho Pança. Aquele estaria para o MR. FOG (Em inglês, “fog” significa “nevoeiro denso”), um sonhador, um visionário, com a mente meio turva, não conseguindo perceber as dificuldades de concretizar o seu projeto de uma volta ao redor do planeta (QUE É REDONDO!!!) em, apenas, 80 dias. Diria que seus pensamentos e desejos eram meio “quixotescos”. Numa consulta ao “Dicionário Caldas Aulete”, podemos encontrar, no meio de outros significados para PASSEPARTOUT, Chave que serve para abrir quase todas as fechaduras: CHAVE MESTRA". Ou seja, tal como o Sancho, do fantástico livro de Miguel de Cervantes, o serviçal de MR. FOG era aquele que tentava lhe mostrar as dificuldades e os perigos que poderiam encontrar pela frente, ao mesmo tempo que sempre procurava “trazer o patrão para o chão”, fazê-lo “pisar em solo firme” e deixar de “voar”. (Pode ser que o meu “voo”, nessas considerações, tenha sido muito mais alto do que o de um dos protagonistas da peça.)



Cabe, aqui, um espaço para a ótima trilha sonora, a cargo de MARCELO LUJAN (EXENTRICMUSIC).

Tudo isso não teria nenhum valor, não funcionaria, se não pisassem as tábuas dois grandes artistas, BRUNO RUDOLF e RICARDO RODRIGUES, os quais, no seu tempo e contando, cada um, com seu talento profissional, dão vida aos dois personagens de forma irretocável e conseguem manter, durante os 70 minutos de duração da peça, uma interatividade com o público. Poucas vezes, assisti a uma derrubada da quarta parede efetuada de forma tão fácil e bem aceita pelo público, Crianças e adultos se divertem à farta com os dois, e os menores participam, afetiva e efetivamente, do espetáculo, e isso é um dos sinais, se não for o principal e o mais importante, de que a peça é boa, de que o objetivo de quem a faz foi atingido.  

 


 


FICHA TÉCNICA:

Criação: Carla Candiotto e Cia. Solas de Vento

Texto e Direção: Carla Candiotto

 

Elenco: Bruno Rudolf e Ricardo Rodrigues

Direção de Arte: Lu Bueno
Figurino: Olintho Malaquias

Adereços: Michele Rolandi
Ferragens Cenográficas: Cia. Solas de Vento

Ilustrações: Iara Jamra
Trilha Sonora: Exentricmusic (Marcelo Lujan)

Iluminação: Wagner Freire

Operação de Luz: Marcel Alani Gilber

Operação de Som: Luana Alves

Operação de Vídeo: Bobby Baq

Assessoria de imprensa: Ney Motta

Fotos de Divulgação: Mariana Chama

 




 


SERVIÇO: 

Temporada: de 02 abril a 01 de maio de 2022

Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro - Teatro II

Endereço: Rua Primeiro de Março, nº 66 – Centro - Rio de Janeiro

Informações pelo telefone (21) 3808-2020

Dias e Horários: sábados e domingos, às 16h

Valores dos Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia entrada)

Indicação Etária: para maiores de 5 anos

Duração: 70 minutos

 

OBSERVAÇÃO: Os ingressos poderão ser adquiridos na bilheteria do CCBB ou, antecipadamente, pelo site eventim.com.br

 

Gênero: Teatro Infantojuvenil

 

 



        Mais nada a acrescentar, a não ser a recomendação de que assistam à peça, que é para a família inteira, uma diversão sadia e barata (MAIS BARATO QUE CINEMA.), o quanto antes possível. O brasileiro, em sua grande maioria, tem a mania de deixar tudo para a última hora. Não seja um “brasileiro”, neste momento.

 

 



FOTOS: MARIANA CHAMA

 

 

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