“DIANA – A PRINCESA
DO POVO”
ou
(BELEZA, EMOÇÃO E REQUINTE
NUM SÓ ESPETÁCULO.)
ou
(UM PALÁCIO REAL
POR DEBAIXO
DOS PANOS.)
Adoro quando, sem
querer e, até mesmo, sem saber, alguém me provoca muito, me desafia. TADEU
AGUIAR, um grande diretor de TEATRO, não tinha a menor ideia
disso, de que seria uma dessas pessoas. Não imaginava o que eu estava pensando,
quando comecei a tomar conhecimento de seu mais novo projeto de direção:
“DIANA – A PRINCESA DO POVO”.
Eu
não conhecia o musical, escrito pelo dramaturgo norte-americano JOE
DIPIETRO (libreto e letras) – mais conhecido pelo musical vencedor do Prêmio Tony
(2010), “Memphis”, nas categorias de “Melhor Libreto de Musical” e “Melhor
Trilha Sonora -, com músicas e, também, letras
de DAVID BRYAN, mas TADEU e EDUARDO BARK (“Estamos Aqui
Produções”) assistiram à montagem da Broadway,
encantaram-se com o espetáculo e compraram os direitos de montagem no Brasil.
SINOPSE:
“DIANA – A PRINCESA DO POVO”
traz uma abordagem íntima e emocionante da vida de Lady Di,
focando em sua humanidade, força e transformação de dores em empatia.
O espetáculo retrata o desafio à
monarquia, conflitos pessoais e o legado de uma mulher amada por seus súditos e
respeitada mundialmente.
O espetáculo propõe nuances mais próximas da realidade emocional da
princesa, abordando sua humanidade, complexidade e força.
A princesa que revolucionou a monarquia, transformou dor em voz e
empatia em legado, ganha, agora, corpo e alma na interpretação de SARA
SARRES.
CLAUDIO LINS é o Príncipe Charles,
em “performance” que explora as contradições e dilemas do herdeiro do trono.
O elenco principal ainda conta com SIMONE CENTURIONE,
interpretando a Rainha Elizabeth, e GISELLE DE
PRATTES, no papel de Camilla Parker Bowles, figura
central nos conflitos emocionais e públicos vividos por Diana.
A rainha, símbolo de poder e tradição, é retratada em sua frieza
institucional, contrastando com a sensibilidade da princesa.
Já Camilla surge como a peça de um triângulo amoroso que
desafiou protocolos e abalou as estruturas da monarquia britânica.
Cada uma dessas mulheres representa facetas de uma história marcada por
dilemas, pressões e escolhas que moldaram a imagem pública e privada da Família
Real.
Embora
eu conseguisse aquilatar a importância da personagem, por seu imenso grau de
empatia e altruísmo e o legado que deixou, não achava que sua vida, já tão tornada
pública, em livros, filmes e séries, ainda pudesse “render algum suco”,
interessar ao público, sem falar da distância, no tempo, de sua morte, em 1997.
Houve uma comoção mundial à época, é verdade, contudo lá se vão quase
três décadas. Não me parecia que um musical sobre DIANA, a
eterna Lady Di, ainda pudesse despertar interesse, a esta altura
do tempo, considerando a curta memória das pessoas neste país. Mas eu
estava redondamente equivocado e faço aqui uma espécie de “mea culpa”.
O espetáculo é de altíssima qualidade. A vida e a obra de DIANA
continuam sendo alvo de enorme interesse e, de forma condensada e muito bem
explícita, a peça mostra os bastidores palacianos, como viveu e se comportou a Princesa
de Gales, desde seu envolvimento amoroso com o atual Rei do Reino
Unido até sua morte, trágica, violenta e precoce, aos 36 anos,
fato que é retratado bem “en passant”, ao final da peça, sem
apelação nem pieguice, um dos muitos grandes acertos da peça.
Considero
desnecessário falar, em detalhes, nestas minhas considerações sobre o musical, da
vida pessoal da esposa do Principe Charles e de seu papel de grande
ativista por causas muito importantes. Isso qualquer um dos meus leitores
consegue acessar; basta “dar um Google”. Tenham, porém, a certeza
de que tudo, absolutamente tudo, está no corpo do musical, ora parecendo
refletir a realidade, ora um tanto romanceado, porque “é do jogo”;
trata-se de uma obra de ficção, evidentemente. Uma bela
obra artística de ficção. E os artistas sempre têm direito ao uso de
liberdades poéticas.
Estejam
certos, contudo, de que tudo quanto já sabem de importante – e,
principalmente, o que ainda possam não saber – sobre a icônica Lady
Dy está retratado em 150 minutos de “puro suco de
beleza e extremo bom gosto”. Desfilam, pelo palco do Teatro
Multiplan – Village Mall, o seu lado aristocrata e a sua porção
filantropa, reconhecida por seu engajamento
em diversas causas sociais, particularmente seus esforços para a
desestigmatização das pessoas afetadas pelo HIV/AIDS e pela hanseníase
e na campanha pela proibição das minas terrestres.
DIANA, em vida, ascendeu à categoria de ícone popular e
teve sua imagem mitificada, por muitos, após sua morte. A verdade é que a “Princesa
do Povo” continua sendo uma figura relevante na imprensa britânica e,
em menor escala, a nível mundial, servindo de tema para muitos livros, jornais,
revistas, documentários e filmes.
É dito que a influência da Princesa,
tanto em vida quanto após a morte, impactou, positivamente, a monarquia
britânica, que se modernizou um pouco e se tornou mais próxima do
povo, especialmente na figura dos seus filhos, William e Harry,
a quem a mãe deu uma educação magnífica e lhes passou valores humanísticos: ela
os levou a restaurantes “fast food”, parques temáticos ou centros
de tratamento para doentes e abrigos para os necessitados, garantindo que eles
conhecessem, “in loco” e “propriis oculis”, a
situação das pessoas sem recursos.
O
dramaturgo também – e nem poderia ser de outra forma –
não ocultou os relacionamentos extraconjugais do Príncipe, mormente
com Camilla Parker Bowles, com quem o, ainda, herdeiro do trono
se casou, depois de divorciado, além de outros pequenos envolvimentos, e, também,
os romances da Princesa, ainda durante o casamento e após a separação
do casal.
Não
enxergo senões neste musical. Se existem – e, possivelmente, possam
existir – não os detectei, de tão mínimos que devem ser. A plasticidade,
representada pelos elementos de criação, é exuberante, indicada, por exemplo, pela cenografia, assinada por NATÁLIA
LANA, com destaque para o portão e a fachada de um palácio real – não sei de o de
Buckingham; não vem ao caso.
As canções da peça, as quais, absolutamente,
são necessárias, uma vez que ajudam a contar a história, não são tão populares,
do tipo “chiclete”, porém proporcionam beleza e harmonia aos
ouvidos. Nesse quesito, vai aqui um aplauso especial para THALYSON RODRIGUES,
que assina a direção musical da peça, à frente de uma ótima orquestra. Voltada
para a mesma área de criação, ganham destaque as muitas coreografias,
desenhadas e muito bem-postas em prática pelas competentes mãos de SUELI
GUERRA. Por oportuno, devo dizer que os artistas de criação são, quase
sempre, os mesmos, nas montagens de TADEU AGUIAR, o que já é sinônimo de
sucesso.
Com sua maestria, como diretor, TADEU
reuniu um competentíssimo elenco, que valoriza cada segundo deste
espetáculo, a começar pela protagonista maior, SARA SARRES,
uma das mais completas atrizes de musicais do Brasil, já afastada,
há algum tempo, dos palcos brasileiros, depois de uma boa temporada no Canadá
e, agora, residindo nos Estados Unidos. SARA foi,
especialmente, convidada pelo diretor, aceitou o convite e veio ao Brasil,
especificamente, para se tornar a “nossa” Lady Di.
Três outros grandes nomes do TEATRO musical
brasileiro completam o quarteto dos principais personagens da
peça: CLAUDIO LINS, como o Príncipe Charles; SIMONE
CENTURIONE, vivendo a Rainha Elizabeth; e GISELLE DE
PRATES, na pele de Camila Parker Bowles. São três brilhantíssimas
atuações, a serviço de um excelente musical, interpretando, cantando e dançando.
Por menor que seja a importância dos personagens, na trama, todos os demais atores e atrizes, dos que ocupam um lugar menor de destaque aos artistas que formam o “coro” (swing”) da peça, se apresentam em alto nível de atuação. Destes, chamo a atenção para DINO FERNANDES, que interpreta o personagem James Hewitt, instrutor de equitação dos filhos da Princesa e um de seus “namorados clandestinos”, numa breve aparição, porém muito marcante.
FICHA
TÉCNICA:
Dramaturgia:
Joe DiPietro
Letras:
Joe DiPietro e David Bryan
Música:
David Bryan
Versão
Brasileira: Tadeu Aguiar
Direção:
Tadeu Aguiar
Direção
Musical: Thalyson Rodrigues
Elenco:
Sara Sarres (Diana), Claudio Lins (Príncipe Charles), Simone Centurione (Rainha
Elizabeth), Gisella De Prates (Camilla Parker Bowles), Betto Marque (Andrew Parker), Rosana Penna (Barbara
Cartland), Dino Fernandes (James Hewitt), Giovanna Rangel (Sarah Spencer),
Lucas Britto (Rostropovich), Fabi Figueiredo (Host), Matheus Boa (Andrew
Morton), Rhuan Santos (Colin), Bia Bahia, Carol Pita, Duda Carvalho,
Fábio Brazile, Maria Vitória Rodrigues, Celso Till, Mavi Carpin, Cris Mont,
Marianna Alexandre, André Ulo e Lua Soares (swing)
Coreografia:
Sueli Guerra
Cenografia:
Natália Lana
Figurinos:
Ney Madeira e Dani Vidal
Iluminação:
Sérgio Martins (Serginho)
Visagismo:
Anderson Bueno e Cristiane Regis
Assessoria
de Imprensa: GPress
Fotos:
Carlos Costa
Coordenação
de Produção: Norma Thiré
Produção
Geral: Eduardo Bakr
Produção:
Estamos Aqui (Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr)
SERVIÇO:
Temporada:
De 27 de fevereiro a 26 de abril de 2025.
Local:
Teatro Multiplan (Shopping ViullageMall).
Endereço:
Avenida das Américas, nº 3.900 – Piso SS1 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro.
Telefone
3030-9970.
Dias e Horários: De 4ª a 6ª feira, às 20h; sábado,
às 16h e às 20h; domingo, às 15h30min e às 19h30min.
Valor dos Ingressos: Entre R$ 125 e R$ 340 (preço inteira. (Consultar possibilidades de descontos.)
Vendas: “Site” Sympla (com taxa de conveniência) https://bileto.sympla.com.br/event/109955/d/334909 e Bilheteria Física (sem taxa de
conveniência). - Atendimento de terça a sábado das 13h às 21h e aos domingos
das 13h às 20h.
Totem de Autoatendimento VillageMall.
Classificação Etária: 12 anos.
Duração: 150 minutos, com intervalo de 15 minutos.
Gênero:
Musical.
Que
fique bem claro que o musical é uma versão não-réplica,
com um olhar diferenciado para a história da mulher que conquistou o mundo, sem
pensar em abrir mão da sofisticação, da essência e do impacto emocional dessa
história real.
A
estreia mundial do espetáculo, na Broadway, estava
programada para março de 2020, mas, obviamente, teve de ser
adiada, devido à pandemia de COVID-19. A produção foi, então,
filmada, para a Netflix, e estreou, posteriormente, lá mesmo, em novembro
de 2021.
RECOMENDO
MUITO ESTE MUSICAL!!!
FOTOS: CARLOS COSTA
É preciso ir ao TEATRO,
ocupar todas as salas de espetáculo, visto
que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre
mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que
há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!
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