quinta-feira, 5 de março de 2026

 “DIANA – A PRINCESA 

DO POVO”

ou

(BELEZA, EMOÇÃO E REQUINTE 

NUM SÓ ESPETÁCULO.)

ou

(UM PALÁCIO REAL

POR DEBAIXO

DOS PANOS.)

 

 

 

         Adoro quando, sem querer e, até mesmo, sem saber, alguém me provoca muito, me desafia. TADEU AGUIAR, um grande diretor de TEATRO, não tinha a menor ideia disso, de que seria uma dessas pessoas. Não imaginava o que eu estava pensando, quando comecei a tomar conhecimento de seu mais novo projeto de direção: “DIANA – A PRINCESA DO POVO”.




  Eu não conhecia o musical, escrito pelo dramaturgo norte-americano JOE DIPIETRO (libreto e letras) mais conhecido pelo musical vencedor do Prêmio Tony (2010), “Memphis”, nas categorias de “Melhor Libreto de Musical” e “Melhor Trilha Sonora -, com músicas e, também, letras de DAVID BRYAN, mas TADEU e EDUARDO BARK (“Estamos Aqui Produções”) assistiram à montagem da Broadway, encantaram-se com o espetáculo e compraram os direitos de montagem no Brasil.




 

 

SINOPSE:

         “DIANA – A PRINCESA DO POVO” traz uma abordagem íntima e emocionante da vida de Lady Di, focando em sua humanidade, força e transformação de dores em empatia.

         O espetáculo retrata o desafio à monarquia, conflitos pessoais e o legado de uma mulher amada por seus súditos e respeitada mundialmente.

O espetáculo propõe nuances mais próximas da realidade emocional da princesa, abordando sua humanidade, complexidade e força.

A princesa que revolucionou a monarquia, transformou dor em voz e empatia em legado, ganha, agora, corpo e alma na interpretação de SARA SARRES.

CLAUDIO LINS é o Príncipe Charles, em “performance” que explora as contradições e dilemas do herdeiro do trono.

O elenco principal ainda conta com SIMONE CENTURIONE, interpretando a Rainha Elizabeth, e GISELLE DE PRATTES, no papel de Camilla Parker Bowles, figura central nos conflitos emocionais e públicos vividos por Diana.

A rainha, símbolo de poder e tradição, é retratada em sua frieza institucional, contrastando com a sensibilidade da princesa.

Camilla surge como a peça de um triângulo amoroso que desafiou protocolos e abalou as estruturas da monarquia britânica.

Cada uma dessas mulheres representa facetas de uma história marcada por dilemas, pressões e escolhas que moldaram a imagem pública e privada da Família Real.


 




Embora eu conseguisse aquilatar a importância da personagem, por seu imenso grau de empatia e altruísmo e o legado que deixou, não achava que sua vida, já tão tornada pública, em livros, filmes e séries, ainda pudesse “render algum suco”, interessar ao público, sem falar da distância, no tempo, de sua morte, em 1997. Houve uma comoção mundial à época, é verdade, contudo lá se vão quase três décadas. Não me parecia que um musical sobre DIANA, a eterna Lady Di, ainda pudesse despertar interesse, a esta altura do tempo, considerando a curta memória das pessoas neste país. Mas eu estava redondamente equivocado e faço aqui uma espécie de “mea culpa”.





O espetáculo é de altíssima qualidade. A vida e a obra de DIANA continuam sendo alvo de enorme interesse e, de forma condensada e muito bem explícita, a peça mostra os bastidores palacianos, como viveu e se comportou a Princesa de Gales, desde seu envolvimento amoroso com o atual Rei do Reino Unido até sua morte, trágica, violenta e precoce, aos 36 anos, fato que é retratado bem “en passant”, ao final da peça, sem apelação nem pieguice, um dos muitos grandes acertos da peça.





Considero desnecessário falar, em detalhes, nestas minhas considerações sobre o musical, da vida pessoal da esposa do Principe Charles e de seu papel de grande ativista por causas muito importantes. Isso qualquer um dos meus leitores consegue acessar; basta “dar um Google”. Tenham, porém, a certeza de que tudo, absolutamente tudo, está no corpo do musical, ora parecendo refletir a realidade, ora um tanto romanceado, porque “é do jogo”; trata-se de uma obra de ficção, evidentemente. Uma bela obra artística de ficção. E os artistas sempre têm direito ao uso de liberdades poéticas.





  Estejam certos, contudo, de que tudo quanto já sabem de importante – e, principalmente, o que ainda possam não saber – sobre a icônica Lady Dy está retratado em 150 minutos de “puro suco de beleza e extremo bom gosto”. Desfilam, pelo palco do Teatro Multiplan – Village Mall, o seu lado aristocrata e a sua porção filantropa, reconhecida por seu engajamento em diversas causas sociais, particularmente seus esforços para a desestigmatização das pessoas afetadas pelo HIV/AIDS e pela hanseníase e na campanha pela proibição das minas terrestres.





  DIANA, em vida, ascendeu à categoria de ícone popular e teve sua imagem mitificada, por muitos, após sua morte. A verdade é que a “Princesa do Povo” continua sendo uma figura relevante na imprensa britânica e, em menor escala, a nível mundial, servindo de tema para muitos livros, jornais, revistas, documentários e filmes.




 É dito que a influência da Princesa, tanto em vida quanto após a morte, impactou, positivamente, a monarquia britânica, que se modernizou um pouco e se tornou mais próxima do povo, especialmente na figura dos seus filhos, William e Harry, a quem a mãe deu uma educação magnífica e lhes passou valores humanísticos: ela os levou a restaurantes “fast food”, parques temáticos ou centros de tratamento para doentes e abrigos para os necessitados, garantindo que eles conhecessem, “in loco” e “propriis oculis”, a situação das pessoas sem recursos.




  O dramaturgo também – e nem poderia ser de outra forma – não ocultou os relacionamentos extraconjugais do Príncipe, mormente com Camilla Parker Bowles, com quem o, ainda, herdeiro do trono se casou, depois de divorciado, além de outros pequenos envolvimentos, e, também, os romances da Princesa, ainda durante o casamento e após a separação do casal.





 Não enxergo senões neste musical. Se existem – e, possivelmente, possam existir – não os detectei, de tão mínimos que devem ser. A plasticidade, representada pelos elementos de criação, é exuberante, indicada, por exemplo, pela cenografia, assinada por NATÁLIA LANA, com destaque para o portão e a fachada de um palácio real – não sei de o de Buckingham; não vem ao casoTambém, nesta rubrica, se encaixam mais de duas centenas de trajes que representam a realeza, desenhados por NEY MADEIRA e DANI VIDAL, cada qual mais luxuoso e elegante que o outro. O esplendor de tanta beleza se vê realçado pela estupenda iluminação, fruto do trabalho de SÉRGIO MARTINS, o “SERGINHO”. Um toque profissional que também merece destaque é o visagismo, a cargo de ANDERSON BUENO e CRISTIANE REGIS, sobressaindo a caracterização de DIANA.





  As canções da peça, as quais, absolutamente, são necessárias, uma vez que ajudam a contar a história, não são tão populares, do tipo “chiclete”, porém proporcionam beleza e harmonia aos ouvidos. Nesse quesito, vai aqui um aplauso especial para THALYSON RODRIGUES, que assina a direção musical da peça, à frente de uma ótima orquestra. Voltada para a mesma área de criação, ganham destaque as muitas coreografias, desenhadas e muito bem-postas em prática pelas competentes mãos de SUELI GUERRA. Por oportuno, devo dizer que os artistas de criação são, quase sempre, os mesmos, nas montagens de TADEU AGUIAR, o que já é sinônimo de sucesso.





  Com sua maestria, como diretor, TADEU reuniu um competentíssimo elenco, que valoriza cada segundo deste espetáculo, a começar pela protagonista maior, SARA SARRES, uma das mais completas atrizes de musicais do Brasil, já afastada, há algum tempo, dos palcos brasileiros, depois de uma boa temporada no Canadá e, agora, residindo nos Estados Unidos. SARA foi, especialmente, convidada pelo diretor, aceitou o convite e veio ao Brasil, especificamente, para se tornar a “nossa” Lady Di.



Tadeu Aguiar.



Eduardo Bakr.


   Três outros grandes nomes do TEATRO musical brasileiro completam o quarteto dos principais personagens da peça: CLAUDIO LINS, como o Príncipe Charles; SIMONE CENTURIONE, vivendo a Rainha Elizabeth; e GISELLE DE PRATES, na pele de Camila Parker Bowles. São três brilhantíssimas atuações, a serviço de um excelente musical, interpretando, cantando e dançando.



 

  Por menor que seja a importância dos personagens, na trama, todos os demais atores e atrizes, dos que ocupam um lugar menor de destaque aos artistas que formam o “coro” (swing”) da peça, se apresentam em alto nível de atuação. Destes, chamo a atenção para DINO FERNANDES, que interpreta o personagem James Hewitt, instrutor de equitação dos filhos da Princesa e um de seus “namorados clandestinos”, numa breve aparição, porém muito marcante.

 

 





FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia: Joe DiPietro

Letras: Joe DiPietro e David Bryan

Música: David Bryan

Versão Brasileira: Tadeu Aguiar

Direção: Tadeu Aguiar

Direção Musical: Thalyson Rodrigues

 

Elenco: Sara Sarres (Diana), Claudio Lins (Príncipe Charles), Simone Centurione (Rainha Elizabeth), Gisella De Prates (Camilla Parker Bowles), Betto Marque (Andrew Parker), Rosana Penna (Barbara Cartland), Dino Fernandes (James Hewitt), Giovanna Rangel (Sarah Spencer), Lucas Britto (Rostropovich), Fabi Figueiredo (Host), Matheus Boa (Andrew Morton), Rhuan Santos (Colin), Bia Bahia,  Carol Pita, Duda Carvalho, Fábio Brazile, Maria Vitória Rodrigues, Celso Till, Mavi Carpin, Cris Mont, Marianna Alexandre, André Ulo e Lua Soares (swing)

 

Coreografia: Sueli Guerra

Cenografia: Natália Lana

Figurinos: Ney Madeira e Dani Vidal

Iluminação: Sérgio Martins (Serginho)

Visagismo: Anderson Bueno e Cristiane Regis

Assessoria de Imprensa: GPress

Fotos: Carlos Costa

Coordenação de Produção: Norma Thiré

Produção Geral: Eduardo Bakr

Produção: Estamos Aqui (Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr)


 

 



 


SERVIÇO:

Temporada: De 27 de fevereiro a 26 de abril de 2025.

Local: Teatro Multiplan (Shopping ViullageMall).

Endereço: Avenida das Américas, nº 3.900 – Piso SS1 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro.

Telefone 3030-9970.

Dias e Horários: De 4ª a 6ª feira, às 20h; sábado, às 16h e às 20h; domingo, às 15h30min e às 19h30min.

Valor dos Ingressos: Entre R$ 125 e R$ 340 (preço inteira. (Consultar possibilidades de descontos.)

Vendas: “Site” Sympla (com taxa de conveniência) https://bileto.sympla.com.br/event/109955/d/334909  e Bilheteria Física (sem taxa de conveniência). - Atendimento de terça a sábado das 13h às 21h e aos domingos das 13h às 20h.

Totem de Autoatendimento VillageMall.

Classificação Etária: 12 anos.

Duração: 150 minutos, com intervalo de 15 minutos.

Gênero: Musical.


 

 



 

         Que fique bem claro que o musical é uma versão não-réplica, com um olhar diferenciado para a história da mulher que conquistou o mundo, sem pensar em abrir mão da sofisticação, da essência e do impacto emocional dessa história real.





         A estreia mundial do espetáculo, na Broadway, estava programada para março de 2020, mas, obviamente, teve de ser adiada, devido à pandemia de COVID-19. A produção foi, então, filmada, para a Netflix, e estreou, posteriormente, lá mesmo, em novembro de 2021.





         RECOMENDO MUITO ESTE MUSICAL!!!

 

 






 






 

FOTOS: CARLOS COSTA




É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO BRASILEIRO!

 




















































































































































































































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