domingo, 20 de setembro de 2026

 

“HAMLET 16 X 8”

ou

(AUGUSTO BOAL

VIVE.)




            Quem cultua e reverencia quem o merece é digno da minha admiração. É por isso que aplaudo CECÍLIA BOAL e JULIAN BOAL, respectivamente, viúva e filho de AUGUSTO BOAL, ambos à frente do Instituto Augusto Boal, por serem responsáveis pelas homenagens que vêm sendo prestadas ao grande multiartista, falecido em 2009, deixando-nos um precioso legado, que merece, de verdade, ser divulgado e aplaudido “ad aeternum”, para que os jovens e as gerações que virão também possam se orgulhar do grande brasileiro AUGUSTO BOAL.



        Há, em curso, um tributo a BOAL, compreendendo três grandes eventos. Um deles é uma remontagem de sua peça “Revolução na América do Sul”, em cartaz no Teatro Poeirinha, excelente espetáculo ao qual já assisti e que mereceu uma crítica deste modesto crítico. A quem possa interessar – RECOMENDO MUITO O ESPETÁCULO” -, aqui vai o “link” da crítica: http://oteatromerepresenta.blogspot.com/2026/09/revolucao-na-america-do-sul-ou-que-bom.html. Nela, além dos comentários críticos, obviamente, agreguei muitas informações acerca da vida e da obra do homenageado. Os outros dois eventos são a peça “HAMLET 16x8”, motivo destes escritos, e uma “Exposição Augusto Boal”, ambos à disposição do público, somente até 27/09/2026, respectivamente, no Teatro Municipal Domingos de Oliveira, dentro do complexo do Planetário da Gávea, e no “foyeur” do mesmo Teatro (VER SERVIÇOS.).  

  



SINOPSE:

“HAMLET 16X8” é um “monólogo dialogado”, que homenageia e revive a vida e a obra de Augusto Boal, o criador do Teatro do Oprimido.

A peça parte da autobiografia de Boal, “Hamlet e o Filho do Padeiro: Memórias Imaginadas”.

O espetáculo mistura a trajetória pessoal de Boal, passando por sua infância, a época áurea do Teatro de Arena, a perseguição política, a prisão, o exílio e a carreira internacional, com reflexões sobre a obra de Shakespeare.

A encenação cria um duelo entre o TEATRO vivo e a tela de um celular (medindo 16x8 cm), criticando o isolamento das redes sociais e exaltando o TEATRO como ferramenta urgente de resistência política e diálogo coletivo.


 

 

            O solo foi apresentado, pela primeira vez, em São Paulo, em 2021, após o triste e inesquecível período em que “deixamos de viver”, por quase dois anos, em virtude da terrível pandemia de COVID-19, tendo sido indicada, na categoria Melhor Espetáculo, ao “Prêmio APCA” (Associação Paulista de Críticos de Arte). Já passou por outras cidades paulistas. Esta é a segunda temporada da peça no Rio de Janeiro. A primeira se deu em julho deste mesmo ano de 2026, no Teatro Municipal Sergio Porto, tendo sido muito bem recebida pelo público, o que motivou a atual. E queiram os Deuses do TEATRO que a montagem cumpra novas temporadas, no Rio de Janeiro e pelo Brasil afora, porque bem o merece, fruto de sua excelente qualidade. A peça integra a Mostra Ocupa Boal”, um projeto dedicado à trajetória multifacetada do teatrólogo AUGUSTO BOAL (1931-2009) - dramaturgo, diretor teatral, ensaísta -, que também apresenta uma exposição com cartazes, fotografias e registros históricos de montagens dirigidas pelo homenageado, no Brasil e no exterior.



        As “peças-chave” desta montagem são MARCO ANTONIO RODRIGUES, dramaturgo e diretor, e ROGÉRIO BANDEIRA, dramaturgo e ator. RODRIGUES constrói a encenação, ao lado de BANDEIRA, ator com trajetória ligada à pesquisa teatral. “A cena vai peneirando os achados, os ditos e os quereres de BOAL, representando toda uma geração do TEATRO brasileiro, refundada no Teatro de Arena.” (Extraído do “release” a mim endereçado por PAULA CATUNDA - assessoria de imprensa da peça).



            Não precisarei de muitas palavras para afirmar, categoricamente, que o que vi, ontem, me deixou transbordando de felicidade e que “HAMLET 16X8” corresponde ao melhor monólogo a que assisti este ano, até agora e, quiçá, um dos melhores nos últimos tempos, um espetáculo que deveria ser filmado e, se não for considerado, por quem me lê, uma utopia ou exagero de minha parte, ser apresentado em todas as escolas brasileiras, como forma de passar adiante tudo de bom, na história do TEATRO brasileiro, deixado, a futuras gerações, por AUGUSTO BOAL, um nome reconhecido e respeitado até no exterior. Ou que a exibição desse espetáculo filmado, um precioso documento, chegasse, pelo menos, a todos os estudantes de TEATRO deste “Brasilzão de meu Deus”.



Augusto Boal.

(Fonte: Desconhecida.)


      Deixo-me encantar, facilmente, por projetos como o que abarca esta montagem teatral. Fascinaram-me a ideia de sua realização e da montagem; a incrível qualidade do texto; o acerto da direção; a falta de elementos extravagantes ou estrambólicos, como elementos de criação (cenário, figurino e iluminação); e a fluidez e o prazer como o recado é dado por um ator pouco conhecido pelo público carioca, já, há algum bom tempo, afastado das tábuas, com uma atuação mais presente nas telas, telonas e telinhas, porém, indubitavelmente, um profissional da melhor estirpe na arte de representar. ROGÉRIO BANDEIRA é um estupendo ator de TEATRO!!!



            Trata-se esta peça de uma montagem bastante franciscana, em termos de custos de produção, mas que se encaixa naquele dito popular que diz que, “se melhorar, piora”. Quero dizer com isso que a simplicidade que envolve a encenação se basta, para que o público, ao final do solo, aplauda o trabalho do ator, de pé, sob gritos de “BRAVO!”, puxados, na noite de ontem, por mim, na primeira fila do Teatro. A emoção com que lamentei o término da peça – Queria mais, porque estava muito bom de se ouvir o que saía da boca do ator. – me acompanhou na volta à minha casa, e fui dormir pensando no espetáculo e me lastimando por não ter conseguido assistir a ele antes. Ainda bem que o consegui.



           Não li e não conhecia o livro que é a grande “célula mater” para a realização do espetáculo, todavia já me apressei em pensar na compra virtual de um de seus exemplares. Quero saborear essa leitura, da mesma forma como me lambuzei, assistindo ao espetáculo. Faltam-me condições para avaliar o grau de veracidade e verossimilhança entre o original, escrito em 1999, e a adaptação, representada pela magnífica dramaturgia, de MARCO ANTONIO RODRIGUES e ROGÉRIO BANDEIRA, respectivamente, também, diretor e ator da peça, cuja escrita remonta a 2021.



            O texto, que mistura fatos vividos por BOAL (Reais ou fictícios? Quem vai lá saber?!) – Afinal, trata-se de uma autobiografia. - com lembranças da vida do ator, é admirável. As “coincidências” que há entre as vidas dos dois desfilam pelo espaço cênico. Tudo é relatado em minúcias, não para “encher linguiça”, mas para aproximar, ao máximo, o “leitor”/espectador das emoções contidas em cada momento narrado. E como a dramaturgia o consegue! A linguagem é bastante acessível, mesmo aos menos privilegiados pela cultura teatral. Cada história inserida numa das sete “estações” em que o solo é dividido, além de um “prólogo”, é mais interessante que a outra e prende, totalmente, a atenção dos espectadores, a despeito de a peça durar 100 minutos, quase duas horas, o que, convenhamos, não é nada recomendável a quem escreve um monólogo e, muito menos, a quem o interpreta. O tempo de duração, para um espetáculo desse gênero, é bastante longo, quando o indicado é que não ultrapasse muito os 60 minutos. É preciso, pois, para que tudo dê certo e o espectador se sinta feliz e recompensado, ao deixar o Teatro, que o texto seja muito bom, algo acima do “normal”; a direção, profundamente, inventiva, criativa, mais do que os padrões “normais”; e que, acima de tudo, o(a) ator(atriz) tenha mais “garrafas vazias para vender” que a maioria der seus pares. Isso tudo existe em “HAMLET 16X8”. De sobra!!!



       O espetáculo se sustenta, de forma irretocável, do primeiro minuto ao derradeiro, mesmo com uma cenografia franciscana (ROGÉRIO BANDEIRA), um figurino elegante, mas sem detalhes que chamem a atenção (CASSIO BRASIL), e uma luz bastante simples e descomplicada (FABIAN BOAL). Tudo se apoia e se concentra no tripé texto/direção/interpretação. E não precisava nada mais mesmo.



            Mesmo considerando de extrema qualidade a dramaturgia e a direção, a meu juízo, a grande “cereja deste bolo”, aqui, tem nome e sobrenome: ROGÉRIO BANDEIRA, ator paulista, que deu seus primeiros passos nos palcos de um dos grandes celeiros de extraordinários atores e atrizes do Brasil, o Teatro Escola Célia Helena, iniciados em 1991. O ator construiu construir uma carreira que se estende por mais de três décadas, destacando-se por sua versatilidade e dedicação nas artes cênicas. Após sua formação, naquela Escola, aprimorou suas habilidades no icônico Centro de Pesquisa Teatral (CPT), sob a magistral orientação de um dos mais importantes nomes do nosso TEATRO, o mestre Antunes Filho. Também é digna de destaque a sua atuação, por mais de uma década, na excelente "Cia. do Latão". Com uma carreira repleta de realizações, o ator continua a inspirar outros com sua paixão pela arte, deixando sua marca nos palcos, na tela da TV e nas telas de cinema. Seu trabalho, em “HAMLET 16X8” é irrepreensível, sem a menor falha, merecedor de todos os elogios e, para se fazer justiça, deveria ter seu nome, pelo menos, indicado a prêmios de TEATRO, por este trabalho.

 

          

 


FICHA TÉCNICA (PEÇA):

Realização: Instituto Augusto Boal

Dramaturgia: Marco Antonio Rodrigues e Rogério Bandeira

Direção: Marco Antonio Rodrigues

Assistência de Direção: Tiago Cruz


Atuação: Rogério Bandeira


Concepção de Cenário: Rogério Bandeira

Figurino: Cassio Brasil

Assistência de Figurino: Carlos Escher

Iluminação: Fabian Boal

Operação de Luz: Marcelo Sabat

Assessoria Executiva: Constança Carvalho

Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha

Fotografia: Pio Figueiroa

Filmes Curtos para Divulgação: David Costa e Tiago Cruz

Programação Visual: Thiago Tostes

Assistência de Produção: Marcelo Sabat

Direção de Produção: Jessica Rodrigues

Coordenação de Produção Ocupa Boal: Thaís Paiva

Produção: Rodri Produções Artísticas

 

 




SERVIÇO (PEÇA):

Temporada: De 04 a 27 de setembro de 2026.

Local: Teatro Municipal Domingos Oliveira.

Endereço: Avenida Padre Leonel Franca, nº 240, Gávea - Rio de Janeiro.

Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h.

Valor dos Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada).

Vendas de Ingressos “on-line”www.sympla.com.br (com cobrança de taxa de serviço).

Vendas de Ingressos Presencial, na bilheteria do Teatro (sem cobrança de taxa de serviço): De 3ª a 6ª feira, das 15h às 20h; sábado: das 10h às 11h e das 15h às 20h. Nos dias de espetáculo, a bilheteria costuma funcionar até o horário de início da apresentação.

Duração: 100 minutos.

Classificação Etária: 14 anos.

Gênero: Monólogo.


 


   A Exposição Augusto Boal” reúne itens variados, como cartazes, fotografias e registros históricos de montagens dirigidas por AUGUSTO BOAL, no Brasil e no exterior, e evidencia o papel fundamental do artista, como divulgador da dramaturgia íbero-latino-americana e reafirma sua importância e legado para a história do TEATRO brasileiro e mundial. A mostra ressalta, também, a importância do Teatro de Arena, grupo fundamental da cena brasileira, a partir dos anos 1950. Sob direção de BOAL, o Arena consolidou uma dramaturgia voltada à realidade social brasileira e revelou autores, atores e encenadores que marcariam a história do TEATRO nacional. O grupo circulou por vários países, como Estados Unidos, México, Peru e Argentina, tornando-se referência artística e política na América Latina e no mundo.



FICHA TÉCNICA (EXPOSIÇÃO):

Realização: Instituto Augusto Boal


Curadoria: Cecília Boal e Daniela Camargo


Coordenação de Produção: Thaís Paiva


Produção: Daniela Camargo


Audiovisual: Fabian Boal


Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha


Programação Visual: Thiago Tostes


Montagem: Marcello Camargo


Assessoria Executiva: Constança Carvalho


 


SERVIÇO (EXPOSIÇÃO):

Período: De 04 a 27 de setembro de 2026. 

Local: Teatro Municipal Domingos Oliveira.

Dias e Horários: De 3ª feira a domingo, das 15h às 20h.

Entrada franca.


 


 

 

           Os cariocas, ou quem esteja de passagem pelo Rio de Janeiro, têm mais três únicas oportunidades (o próximo fim de semana), para conferir as minhas palavras sobre este formidável espetáculo, que, sem titubear, RECOMENDO MUITO.

 

 


 AUGUSTO BOAL em atividade no seu TEATRO.



FOTOS: PIO FIGUEIROA

 

 GALERIA PARTICULAR:



Com Cecília Boal.


É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.

 

 

 

 



 






















































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