terça-feira, 16 de junho de 2026

  “VICTOR OU VICTORIA”

ou

(COMO SE CONSTRUIR

UMA BOA COMÉDIA?)

 

 


            Com simplicidade, bom gosto e, principalmente, competência, consegue-se atingir um excelente resultado na construção de uma boa COMÉDIA. Foi com esses ingredientes que CLAUDIO BOTELHO, numa brilhante direção, montou seu espetacular musical “VICTOR OU VICTORIA”, em cartaz, em curtíssima temporada, no Teatro Claro Mais do Rio de Janeiro.






SINOPSE:

Victoria Grant (ALESSANDRA VERNEY) é uma cantora desempregada, que, na Paris dos anos 30, precisa se reinventar, para sobreviver no meio artístico.

Quando assume uma identidade masculina, ela experimenta um sucesso instantâneo, ao se transformar em Victor, um homem que se apresenta como mulher, no palco, e conquista as plateias com sua potente voz feminina.

A partir dessa farsa, “VICTOR OU VICTORIA” dá origem a uma série de tramas e situações hilárias e, também, debate temas como gênero, liberdade e preconceito.


 


 



 

            Sempre que parto para assistir a alguma montagem da grife MÖELLER & BOTELHO, faço-o com a melhor das expectativas e, quase sempre, elas são superadas, como ocorreu quando assisti ao musical aqui comentado. Desta vez, os méritos maiores da montagem vão para CLAUDIO BOTELHO, que, sozinho, sem Charles Möeller, assume a direção geral do espetáculo, porém essas virtudes também podem ser divididas com o excelente elenco e todos os artistas de criação envolvidos na produção.





            Mesmo sem ter visto o filme homônimo, que foi grande sucesso no Brasil, já conhecia o enredo da peça, por já ter assistido, em 2001, a uma outra montagem, igualmente sensacional, que trazia a grande Marília Pêra como protagonista. Em nada, a versão atual fica a dever àquela, enriquecida por algumas pequenas adaptações para o momento atual.





  Lançado pelo diretor Blake Edwards em 1982, o filme homônimo teve uma bem-sucedida trajetória mundial, recebeu sete indicações ao Oscar e passou a fazer parte do imaginário de diversas gerações. Em 1995, o longa ganhou a sua versão no Teatro Musical e seguiu uma jornada de imenso sucesso na Broadway, em montagem estrelada por Julie Andrews (Ela também fez o filme.), que chegou a incríveis 734 apresentações.





Este espetáculo marca o retorno da parceria CLAUDIO BOTELHO com MIGUEL FALABELLA e ALESSANDRA VERNEY, após o estrondoso sucesso que foi “Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera”, de Cole Porter, que selou o reencontro dos gigantescos artistas em 2023.





  Com os olhos, os dedos e a cabeça voltados para o bom gosto e a inteligência cênica, BOTELHO acerta, mais uma vez, na função de diretor geral do espetáculo, apostando suas fichas num delicioso texto, num elenco de primeira e na reunião de grandes artistas de criação, alguns dos quais já de uma parceria constante com o diretor, e o resultado é um espetáculo delicioso, hilário, que diverte e agrada os espectadores, os quais retribuem tal qualidade do musical com muitos aplausos ao final da encenação.





  O humor da peça é simples, sem grandes sofisticações, com divertidíssimos momentos de um bom “vaudeville”, com seus quiprocós saltando aos olhos e criando memoráveis momentos de humor ingênuo e bem construídos, até meio que “à la” “Os Trapalhões”, sem o menor indício de demérito. Ressalte-se que, nesta excelente versão brasileira, de CLAUDIO BOTELHO, o versionista inseriu algumas ótimas piadas internas e outras da contemporaneidade, o que provoca muitas gargalhados do público.





  O melhor do humor cai no colo de MIGUEL FALABELLA e MARIA CLARA GUEIROS, os dois, cada um ao seu estilo, provocando muitas gargalhadas. ALESSANDRA VERNEY brilha, mais uma vez, na pele da protagonista, interpretando e cantando lindamente, numa atuação impecável. A personagem parece ter sido escrita para ela. JUNNO ANDRADE também se sustenta muito bem, ao lado de premiados colegas de cena, formando o quarteto dos principais personagens da peça. Os demais do elenco executam suas participações com igual esmero.





  Complemento minhas felicitações e festejos com os nomes de ANDRÉ GUERRA, pela ótima cenografia; CAROL LOBATO, que assina os vistosos figurinos; VINÍCIUS ZAMPIERI, criador do ajustado desenho de luz; MARCELO CASTRO, pela correta direção musical, novos arranjos e regência, à frente de uma excelente banda; MARIANA BARROS, pela criativa coreografia; ANDRÉ BREDA, pelo operoso desenho de som; e FELICIANO SAN ROMAN, pelo perfeito visagismo.

 

 





 

FICHA TÉCNICA:

UM ESPETÁCULO DE CHARLES MÖELLER E CLAUDIO BOTELHO

Texto: Blake Edwards

Música: Henry Mancini

Letras: Leslie Bricusse

Música e Letras Adicionais: Frank Wildhorne

Versão Brasileira, Adaptação e Supervisão Geral: Claudio Botelho

Direção Geral: Claudio Botelho

Direção Associada: Guilherme Logullo

Direção Musical, Novos Arranjos e Regência: Marcelo Castro

 

Elenco: Alessandra Verney, Miguel Falabella, Maria Clara Gueiros, Junno Andrade, Ricca Barros, Rafael Aragão, Hamilton Dias, Wagner Lima, Frederico Reuter, Danilo Barbieri, Fernanda Biancamano, Carol Botelho, Vitor Veiga, Alvinho de Pádua, Bruno Ospedal e Estêvão Souz

 

Coreografia: Mariana Barros

Cenografia: André Guerra

Figurinos: Carol Lobato

Desenho de Luz: Vinícius Zampieri

Desenho de Som: André Breda

Visagismo: Feliciano San Roman

Coordenação Artística: Tina Salles

Assessoria de Comunicação: Pedro Neves

Fotos: Annelize Tozetto

Direção de Produção: Carla Reis

Produção: Opus Entretenimento e Möeller & Botelho

Realização: Instrituto Cultural Opus


 





 

 

SERVIÇO:

Temporada: De 04 a 28 de junho de 2026.

Local: Teatro Claro Mais – RJ.

Endereço: Rua Siqueira Campos, nº 143 – 2º piso – Copacabana – RJ.

Dias e Horários: 5ª e 6ª feira, às 20h; sábado, às 16h e 20h; domingo, às 15h e 19h.

OBSERVAÇÃO: Não haverá sessões nos dias 13 e 19 de junho, devido aos jogos da Copa do Mundo. Essas sessões serão realocadas nos dias 11, 18 e 25 de junho, às 16h.

Valor dos Ingressos: R$ 450 (plateia VIP), R$ 350 (plateia), R$ 250 (frisa) e R$ 50 (balcão), com direito a meia-entrada nos casos previstos pela Lei.

Capacidade: 659 lugares.

Classificação Etária: 12 anos.

Duração: 120 minutos (com intervalo de 15 minutos).

Gênero: COMÉDIA Musical.


 

 




 

            É de se lamentar muitíssimo que um espetáculo tão perfeito, extremamente interessante e hilário, cumpra uma curtíssima temporada, para o seu padrão de qualidade, o que me leva a RECOMENDAR, COM URGÊNCIA, ESTA DELICIOSA COMÉDIA MUSICAL. Vão logo ao Teatro Claro Mais! Garantam logo seus ingressos, visto que as sessões têm estado esgotadas, com muito merecimento.

 

 




 



FOTOS: ANNELIZE TOZETTO



 

É preciso ir ao TEATRO, ocupar todas as salas de espetáculo, visto que a arte educa e constrói, sempre; e salva. Faz-se necessário resistir sempre mais. Compartilhem esta crítica, para que, juntos, possamos divulgar o que há de melhor no TEATRO.





















































































Um comentário:

  1. Amei essa montagem, linda e divertida! Lamento que a temporada seja tão curta 😌 Assiti duas vezes e tô me programando pra mais uma sessão 😉

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